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Asunto:[pastoralvihsida] Congresso Brasileiro de Prevenção DST/Aids Congresso Brasileiro de Prevenção DST/Aids
Fecha:Domingo, 6 de Julio, 2008  10:13:34 (-0300)
Autor:Lisandro Orlov <orlov @...............ar>

Congresso Brasileiro de Prevenção DST/Aids
 
Ester Leite (KOINONIA), Sergio Andrade (Diaconia) e Pai Celso (Grupo de Valorização de Trabalho em Rede de Terreiros de Candomblé – GVTR).
 

O Programa Saúde e Direitos esteve presente no VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST/AIDS, realizado de 25 a 28 de junho, em Florianópolis.

Segundo Ester Lisboa, assessora do programa Saúde e Direitos, citando dados da Drª Mariângela Simão - Diretora do Programa Nacional de DST/Aids-, “A cada ano temos 2,5 milhões de novas infecções”. A estimativa de 2007 é de que 33,2 milhões de pessoas (entre crianças e adultos) vivam com o HIV em todo o mundo. Em média, 2,1 milhões de indivíduos morrem por ano em decorrência do vírus da AIDS no mundo. No Brasil são 600 mil pessoas contaminadas.

Ester destaca como ponto alto do congresso a participação da sociedade civil organizada. “A presença de diferentes organizações ligadas a pessoas que vivem e convivem com HIV e de lideranças religiosas que se posicionam a favor da causa da luta contra AIDS, fez com que o tema AIDS e religião fosse um dos destaques do congresso”, ressalta Ester.

Organizações religiosas e ecumênicas como KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, CNAIDS, CONIC, Pastoral da AIDS, entre outras, reuniram-se para conversar sobre o tema e estabelecer estratégias que possam auxiliar na prática de ações preventivas, tratamento e acompanhamento. “A Intolerância religiosa, que tem emergido de forma nefasta em vários setores da nossa sociedade tem contribuído para esse ressurgimento e evolução da AIDS. Diversas instituições religiosas não estão devidamente preparadas para responder a essa evolução e acabam por demonstrar preconceitos, estigmas e discriminações, a partir de posturas institucionais. Entretanto, o preconceito religioso não é monopólio das organizações religiosas; ele está presente nas várias esferas da sociedade, inclusive no serviço público de saúde”, destaca a assessora do Programa SD. Este foi o tema do pôster apresentado por KOINONIA e Diaconia durante o VII Congresso. A apresentação do pôster foi visto por diferentes lideranças religiosas e da sociedade civil.

A mesa “Práticas religiosas e experiências de diferentes matrizes”, foi um dos debates mais procurados, ficando algumas pessoas do lado de fora da sala. Apesar dessa procura, Ester Lisboa lamenta que o tema Aids e religião não tenha sido tratado com a importância que merece: “Infelizmente foi uma mesa mal organizada, não acrescentando conhecimento e sequer socializando as verdadeiras práticas realizadas tanto pelas comunidades cristãs, quanto pelas comunidades de matriz africana”.

Ester Leite destaca a iniciativa do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, com o GT Religião, que tem se empenhado para garantir a reflexão sobre o tema nos programas municipais do estado de São Paulo, com as diferentes tradições religiosas.

As lideranças religiosas reunidas em Florianópolis, participaram de diversos momentos de mobilização para evidenciar o tema AIDS e religião. Como resultado foi elaborado o documentoAids e Religiões: Recomendações ao Programa Nacional de DST/Aids”, que faz recomendações ao Ministério da Saúde, através do Programa Nacional de DST/Aids e seus órgãos colegiados


VII CONGRESSO BRASILEIRO DE PREVENÇÃO DAS DST E AIDS

Excelentíssima Senhora Dra. MARIANGELA SIMÃO

MD. Diretora do Programa Nacional de DST/Aids Brasília – DF

Florianópolis, 28 de junho de 2008

Aids e Religiões: Recomendações ao Programa Nacional de DST/Aids

A experiência brasileira no campo das políticas públicas de controle das DST/HIV/Aids reflete um grande pluralismo de práticas e permeiam diferentes setores da vida na sociedade.

Não é diferente frente à grande diversidade religiosa presente em nosso País. Estão presentes na sociedade nacional diferentes tradições religiosas: matriz cristã, afrodescendente, indígenas e orientais. Cerca de 90% da população brasileira, declara-se adepta de alguma crença religiosa.

O respeito aos Direitos Humanos é indissociável do Estado Laico, definição presente emnossos preceitos constitucionais que se traduz entre outros princípios, na afirmação das bases das políticas públicas em evidências científicas – tanto no âmbito das estratégias de prevenção quanto no acesso universal ao tratamento, no caso do HIV/Aids e no respeito à pluralidade religiosa, que participa do debate na sociedade.

Nos últimos anos observa-se o crescimento da participação das organizações religiosas na luta contra o HIV/aids em todo o mundo. A importância das redes de cooperação que sãoestabelecidas pelas diferentes comunidades religiosas é de fundamental importância paramobilização e difusão de práticas de prevenção e de apoio às pessoas que vivem com HIV/Aids.

Dentro dessa complexidade, observa-se, no entanto, que algumas práticas religiosas, não contribuem efetivamente para a superação dos dilemas e dificuldades enfrentados pelas pessoas vivendo com HIV/aids, especialmente quando apresentam promessas de cura da AIDS com a desqualificação do tratamento, a culpabilização individual pela doença, a condenação à adoção da prática do uso do preservativo, o não reconhecimento da diversidade sexual. Por outro lado, organizações baseadas na fé dedicam-se ao acompanhamento de pessoas que vivem e convivem com HIV e suas famílias e apontam para a desconstrução do estigma, para a solidariedade e para o respeito à diversidade.

O Ministério da Saúde entende como sua responsabilidade assegurar o cumprimento da Constituição e a Lei Orgânica da Saúde que estabelecem a saúde como um direito de cidadania, mas reconhece a pluralidade das expressões religiosas no país e vê nestas, redes de colaboração importantes para se reverter o cenário atual da epidemia, sobretudo porque a experiência prática tem demonstrado sucesso em diferentes áreas. Cabe mencionar aqui a parceria com a Pastoral da Aids, o trabalho de construção de uma rede com a Juventude Católica, a Rede Católica frente ao HIV/aids: América latina e Caribe, o trabalho e o apoio aos projetos que são desenvolvidos com organizações de culto afro-brasileiro e os trabalhos de base realizados por algumas organizações de caráter ecumênico como Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço.

O diálogo com estas tradições tem demonstrado que é possível tomar como referência, alguns pontos comuns, com o objetivo de superar as situações de estigma e discriminação presentes no cotidiano das pessoas vivendo com HIV/aids e conseqüentemente, contribuir para ampliar o acesso à informação, às ações educativas e aos grupos de adesão ao tratamento.

Para tanto, as lideranças religiosas participantes do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e aids, recomendam ao Ministério da Saúde através do Programa Nacional de DST/Aids e seus órgãos colegiados:

�� Apoiar e participar da criação da Rede Inter-religiosa de HIV/aids, enquanto instância permanente de intercâmbio de informações e experiências entre as várias matrizes religiosas e DST/HIV/aids;

�� Estimular que os municípios firmem parcerias técnico-financeiras com instituições religiosas e promovam o diálogo entre as mesmas;

�� Favorecer a reflexão sobre a prática de profissionais de saúde em relação à diversidade religiosa e sua aplicação no ambiente de trabalho;

�� Realizar o II Seminário Nacional “Aids e Religiões” enfocando temas como: intolerância religiosa, direitos sexuais, direitos reprodutivos, relações de gênero, entre outros;

�� Fomentar a organização de GTs “Religiões e Aids” nos estados e municípios;

�� Promover reuniões entre gestores públicos e lideranças religiosas com vistas ao estabelecimento de parcerias;

�� Assegurar a imparcialidade e o respeito à diversidade e liberdade religiosa nos materiais institucionais, mormente os produzidos com recursos públicos;

�� Garantir a inclusão de representante das religiões de matriz afrobrasileiras e de outras matrizes na Comissão Nacional de Aids.


Lisandro Orlov
Tte. Gral. Juan D. Perón 1593 Piso 8 Dto. O
(C1037ACC) Ciudad Autónoma de Buenos Aires
Argentina
Telefax (54+11) 4-384-6568
orlov@uolsinectis.com.ar
www.pastoralsida.com.ar




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