Inicio > Mis eListas > paraguainee > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 1573 al 1592 
AsuntoAutor
=?utf-8?B?Rlc6IERv =?utf-8?
=?utf-8?B?RWwgZ3Vh =?utf-8?
=?utf-8?Q?Lo_recue =?utf-8?
=?utf-8?Q?Entreivi =?utf-8?
l MEGAMINE RÍA EN nohelia
=?utf-8?B?w5FhbW/D =?utf-8?
=?utf-8?Q?La_Hora_ =?utf-8?
=?utf-8?Q?II_Encue =?utf-8?
=?utf-8?B?RGVjbGFy =?utf-8?
=?utf-8?Q?Guarani_ =?utf-8?
=?utf-8?B?VlknQVBB =?utf-8?
=?utf-8?B?w5FhbW9t =?utf-8?
=?utf-8?B?UmVhbGl6 =?utf-8?
FW: El Paraguay... =?utf-8?
=?utf-8?Q?LLAMADO_ =?utf-8?
=?utf-8?B?VnknYXBh =?utf-8?
=?utf-8?Q?Dengue=2 =?utf-8?
=?utf-8?B?RWwgR3Vh =?utf-8?
FW: NELSON HAEDO: =?utf-8?
Octorina Z amora, Melina E
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
Paraguái ñe'
Pgina principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 1576     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:[paraguainee] =?utf-8?Q?Lo_recuerd?= =?utf-8?Q?an_al_Mbo'?= =?utf-8?B?ZWjDoXJhIEZlbGk=?= =?utf-8?Q?x_de_Guara?= =?utf-8?Q?nia_en_el_?= =?utf-8?Q?exterior?=
Fecha:Miercoles, 16 de Marzo, 2011  16:35:38 (+0000)
Autor:=?utf-8?B?TWlndWVsIMOBbmdlbCBWZXLDs24gR8OzbWV6?= <=?utf-8?B?TWlndWVsIMOBbmdlbCBWZXLDs24gR8OzbWV6?= >

Morreu Félix de Guarania, poeta paraguaio

Neste 14 de mar ço de 2011, Félix Giménez Gómez, 86 anos, morreu nos arredores de Assunção, Paraguai, como queria, "con la pluma en la mano".
Sua obra inclui poemas, contos, t extos para teatro. Como tradutor, desvendou em guarani d e Shakespeare a Maiakoviski. Durante toda a vida, mesmo q uando exilado pela ditadura de Stroesner durante 26 anos , nunca abandonou sua luta pela cultura paraguaia e pela defesa da língua guarani.

Em homenagem à su a figura, reproduzimos "O Dom Quixote Guarani",
rep ortagem de Daniel Cassol, publicada no jornal "Brasil de Fato", em 2009(*)

_____________________________________________________< /span>

O Dom Quixote  guarani

“Para alguns, o guarani é um obst¡culo. Atribui-se a ele o entorpecimento do mecanismo intelectual e a dif iculdade que a massa parece sentir em adaptar-se aos mé todos europeus de trabalho. O remédio se deduz óbvio: m atar o guarani. Atacando a fala se espera modificar a in teligência. Ensinando uma gram¡tica européia ao povo se espera europeiz¡-lo”. No início do século XX, o j ornalista e escritor anarquista Rafael Barrett, espanhol que viveu no Paraguai nesta época, j¡ percebia que no projeto de dominação do Paraguai constava a morte do i dioma nativo.

Porém, neste início de século XXI, estima-se que mais de 90% da população paraguaia ainda fale o guarani jopara”, mesclado com o espanhol. Idioma de resistênc ia, o guarani permaneceu na cultura do país, ainda que presente apenas nas conversas de camponeses e trabalhado res da capital – o guarani ainda é uma língua dos pa raguaios pobres.

Ainda relegado à sua marginalidade, porém, o guarani foi reconhecido como língua oficial do Paraguai em 1992 . Agora em 2009, entrou para a lista de idiomas oficiais do Mercosul.

Custou uma longa luta”, fala um dos principais protag onistas desta batalha pela conservação e difusão do i dioma nativo. É Félix Giménez Gómez, de 84 anos, que na sua modesta casa em Lambaré, região metropolitana d e Asunción, caminha em passos lentos apoiado pela filha , Mercedez. Mas poucos o conhecem pelo nome completo.

Bengala, longa ba rba branca, Dom Félix de Guarania, poeta e escritor para guaio, é o Dom Quixote da cultura guarani. Um homem que desafiou o autoritarismo com a mesma perseverança com a qual hoje supera as limitações de seu corpo que dific ultam seu trabalho. Militante comunista, foi perseguido e preso por três ditaduras, e na mais longa delas – a de Alfredo Stroessner – teve de viver 26 anos fora do seu país. Nunca deixou de trabalhar em suas poesias, no velas, ensino do idioma e traduções de cl¡ssicos da l iteratura para o guarani.

O seu mais recente trabalho demorou dois anos para ficar pronto: a tradução de “Dom Quixote de la Mancha”, de Miguel de Cervantes. Segundo Dom Félix, o Museu Cervantino solicitou exemplares do livro – o gua rani seria o único idioma para o qual “Dom Quixote” ainda não havia sido traduzido.

“Em guarani, h¡ tudo. Não precisam os de outra língua”, afirma Dom Felix ao ser perguntad o sobre como faz para traduzir palavras que não existem no idioma nativo. Defensor da autonomia do guarani, nas suas traduções ele busca sempre uma saída para não recorrer ao espanhol, e dessa posição intelectual criti ca a forma como historicamente se ensinou o guarani nas escolas paraguaias. “Improvisou-se o ensino, os profes sores não estavam bem preparados. Havia muita influênci a do espanhol, o que prejudicava”, diz.

Filho de camponeses pobres, n asceu no ano de 1924 em Paraguarai, interior do país. Te ve de interromper seus estudos três vezes – em Medici na, Direito e Letras – por ser preso pelas ditaduras d e turno, em razão de sua atuação política.

Exilado na União Soviét ica em 1968, Felix de Guarania traduziu Maiakovski para o guarani e ensinou o idioma para professores. Suas inúm eras traduções publicadas vão de Shakespeare a Martí n Fierro, passando pelo hino da Internacional. Também é autor de poesias, novelas, teatros, dicion¡rios. Nos p róximos meses deve lançar um livro de contos para cria nças, intitulado “Aprenda guarani lendo”.

Tanto trabalho tem uma ex plicação: Dom Felix acredita que a permanência e a dif usão do guarani devem passar pela criação de uma trad ição escrita desse idioma basicamente falado. “O esc rito fixa a língua”, afirma.

Com os dedos retorcidos, de tanto utiliz ar a m¡quina de escrever em sua vida, Dom Felix também enxerga e escuta pouco. Por isso quase não acompanha o notici¡rio, além de não gostar dos jornais de hoje em dia, cheios de publicidade e que só falam em futebol. As limitações da idade o obrigaram a desenvolver um cus toso método de trabalho, que consiste em ditar seus tra balhos para a filha Mercedez, sua assistente e divulgado ra do seu trabalho. Foi assim, por exemplo, que Dom Felix traduziu o “Dom Quixote”.

Mas essa dificuldade particular parece n ão lhe incomodar. Os olhos de Dom Felix chegam a brilha r quando fala do guarani, que considera “o ponto de uni ão de v¡rios países da América do Sul”. Ao repórt er brasileiro, fala das semelhanças entre o guarani par aguaio e o tupi-guarani. E se alegra ao traduzir nomes de cidades, rios e lugares brasileiros.

domfelix“O guarani se manteve forte no Parag uai porque se produziu a mestiçagem. Os filhos de espanh óis com mulheres indígenas ficavam com as mães. As cr ianças aprenderam primeiro o guarani”, explica Dom Fe lix, que também diz haver um preconceito histórico cont ra o idioma. “O guarani foi uma língua marginalizada. Mães e pais não queriam que seus filhos falassem, por que achavam que o guarani os rebaixava socialmente”, c onta.

Lutador da palavra, Dom Felix não perde de vista a luta social. T anto que em novembro de 2008 filiou-se ao Partido do Mov imento ao Socialismo (P-MAS). “Sigo sempre na luta”, diz.

Incans¡ve l, trabalha em um projeto no mínimo ousado: um dicion¡ rio etimológico no qual pretende explicar a origem e o significado das palavras em guarani. O livro j¡ est¡ c om cem p¡ginas – e isso que Dom Felix acaba de termina r a letra “A”. O tempo, para o Dom Quixote guarani, parece ser mesmo uma mera convenção.

(*) Publicado no Brasil de Fat o de 2 de julho de 2009

http://www.guata.com.br/u ns_toques/_110314_morreu_felix_de_guarania.html