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Asunto:NoticiasdelCeHu 308/20 - ASPECTOS DO PROCESSO LOGÍSTICO DAS PRINCIPAIS E MPRESAS SUPERMERCADISTAS DA FACHADA ATLÂNTICA DE SANTA C ATARINA - BRASIL
Fecha:Martes, 13 de Octubre, 2020  11:24:29 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 308/20

 

ASPECTOS DO PROCESSO LOGÍSTICO DAS PRINCIPAIS EMPRESAS SUPERMERCADISTAS DA FACHADA ATLÂNTICA DE SANTA CATARINA – BRASIL

Fernando Soares de Jesus

Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis - Santa Catarina - Brasil

 

 

INTRODUÇÃO

A cadeia de comercialização dos supermercados segue um caminho não-linear a partir do produtor, passando por atacadista/distribuidor e pelo supermercado, até o consumidor final. No trecho a montante da cadeia, compreendido entre produtor e supermercado, algumas discussões teóricas acerca da posição do comércio na lógica de circulação de capitais e da acumulação podem ser ressaltadas. Este trabalho, baseado em Trabalho de Conclusão de Curso recentemente defendido, deste modo, tem como objetivo discutir os aspectos do processo logístico das principais empresas supermercadistas de Santa Catarina, especialmente as três maiores, Angeloni, Giassi e Bistek.

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Como principais procedimentos metodológicos, realizou-se, em primeiro momento, pesquisa bibliográfica acerca dos principais conceitos e noções que constituem o processo logístico e a circulação de produtos, onde destaca-se as contribuições de Marx (1983) acerca da posição do capital comercial frente ao processo de criação de valor. Em seguida, buscou-se obras que descrevessem e discutissem os principais elementos da cadeia logística das grandes empresas supermercadistas catarinenses, apurando o desenvolvimento técnico e principais tecnologias utilizadas. Destaca-se nesse escopo as obras de Bastos (2002) e Neitzke (2016). Por fim, foi feita pesquisa aos portais oficiais de cada empresa e aos números recentes da revista SuperHiper, de modo a se obter informações recentes da relação entre Supermercado e Centro de Distribuição (CD) das principais supermercadistas de Santa Catarina.

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Em uma primeira aproximação, um questionamento acerca do processo de comercialização ganha relevo. O capital comercial não criaria, mesmo que indiretamente, valor e mais-valia? A resposta para esta indagação pode ser buscada no funcionamento do processo logístico.

Marx (1983, p. 211) apontava o capital comercial como elemento capaz de indiretamente aumentar a mais-valia produzida na indústria, tendo em vista que auxilia na ampliação do mercado, encurtando o tempo de circulação e aumentando a produtividade do capital industrial. E este aumento será proporcional ao acúmulo de aparatos e avanços técnicos e administrativos do setor comercial. Se auxilia na ampliação da margem de lucro do capital industrial, o capital comercial é, indiretamente, logo, produtivo. Este cenário aponta a uma diminuição dos custos operacionais existentes entre os dois extremos da cadeia: o produtor e o consumidor, fato que pode ser observado no constante incremento de produtividade, que leva a um aumento de faturamento por funcionário e por check-out por parte das supermercadistas.

Se esta relação a princípio positiva entre comércio e indústria poderia dar margem a uma associação benéfica para ambos os setores, levando Bastos (2002) a indagar se um projeto nacional de desenvolvimento que una todas as ‘forças vivas’ da sociedade brasileira não seria mais proveitoso para todos os setores, a realidade acaba se mostrando diferente. A Revista Amanhã, de maio de 2000, trouxe como manchete a máxima “A Indústria de Joelho”, que faria alusão a aparente posição do setor industrial frente ao supermercado. Dentre os mecanismos que transformariam a indústria refém do comércio, citam-se alguns instrumentos como o uso de marcas próprias, o acompanhamento de hábitos de consumo, a ajuda financeira para decoração interna na loja, o enxoval, isto é, a doação de produtos para compor as gôndolas dos supermercados no primeiro abastecimento, a participação compulsória em campanhas publicitárias, dentre outros (BASTOS, 2002).

Para além da relação indústria-supermercado, um elo fundamental nesta cadeia é a logística com os Centros de Distribuição (CD), responsáveis pela armazenagem dos produtos antes do envio para as unidades supermercadistas. Este tem sido, aliás, um ponto importante no mantimento de lucros das empresas do ramo que, em um cenário de depressão da economia global (fase b do 4º Kondratiev), buscam conter os gastos operacionais.

Um exemplo pode ser a rede Angeloni, que optou por um modelo centralizado de distribuição para todas suas lojas, em contraponto ao seu antigo sistema de três CD’s regionais. Esta estratégia, em conjunto com algumas inovações tecnológicas aplicadas ao abastecimento das lojas, reduziu em 51% os custos de estoque, em 85% os custos de transporte, em 33% os custos de operação e 42% os custos financeiros, conforme relata André Trichez, em entrevista à Gazeta Mercantil (BASTOS, 2002). A Diretoria de Informática e Logística da empresa, citada em Amboni, Silva e Andrade (2012), afirma que esta centralização possibilitou que as lojas passassem a serem abastecidas diariamente, eliminando a necessidade de depósito nas unidades.

Desde 2006, a rede Angeloni mantém seu CD de cerca de 36.000 m² no município de Porto Belo, as margens da BR-101, com capacidade de 18.000 itens, armazenando também produtos das Farmácias Angeloni. A localização do Centro de Distribuição é estratégica: localiza-se próximo ao ponto médio das unidades e engloba em um raio de 100km boa parte de suas filiais.

O site oficial da empresa ainda descreve que o CD é operado através de rádio frequência, possibilitando um processo ágil na armazenagem de mercadorias, além das reposições ocorrerem de maneira automatizada, utilizando um sistema de previsão de demanda.

Outra empresa que apresenta um Centro de Distribuição único é a rede Giassi. Inaugurado nos anos 1980, o CD conta com 24.000 m² e capacidade para armazenagem de aproximadamente 20.000 itens, sendo localizado no município de Içara, sul do estado. A empresa se utiliza de ferramentas importantes de tecnologia para a operação logística, dentre eles cita-se o software Enterprise Resources Planning (ERP), que auxilia na gestão de dados da empresa, fornecendo dados como balanceamento de estoque, previsão de demanda e de planejamento de produção e de transporte (BERTAGLIA, 2003), e o software Distribution Requiriments Planning (DRP), cuja principal função é balancear a relação estoque-ponto de venda, traçando previsões, através de análises de padrões de venda, da demanda de produtos e do despacho de veículos (BALLOU, 2006). Entre o CD e a loja, a empresa ainda conta com dez carretas e oito caminhões truck próprios (NEITZKE, 2016), conforme visto na Figura 1.

Figura 1: Frota de veículos do Giassi

Fonte: Neitzke, 2016

Diferentemente do que foi visto no caso do Angeloni, o CD do Giassi localiza-se distante de boa parte de suas lojas, chegando a uma distância de mais de 300 km por rodovias das unidades de Joinville, Jaraguá do Sul e Blumenau. Este cenário aponta para uma necessidade de aprimoramento da eficiência logística para mitigar os encargos com combustível e para manter o giro de mercadorias nas gôndolas.

A rede Bistek opta por um modelo descentralizado, com Centro de Distribuição, Central de Frios e FLV (Frutas, Legumes e Verduras) e Entreposto (Carnes) em municípios diferentes. O CD fica localizado no município de Içara, distante do centro de gravidade das filiais e chegando a distar 360 km da unidade de Joinville, mesma situação do entreposto, localizado em Nova Veneza. Uma diferença, todavia, é fundamental: embora o CD esteja as margens da BR-101, principal via da Fachada Atlântica Catarinense e que permite um fluxo veloz para todas as capitais regionais e para capital estadual, o entreposto dista cerca de 40km do acesso à referida rodovia. Por fim, a Central de Distribuição de Frios e de Frutas, Legumes e Verduras localiza-se no município de São José, em distância intermediária das unidades (próxima, por consequência, do ponto médio).

As demais empresas de relevância que atuam na Fachada Atlântica de Santa Catarina apresentam Centrais de Distribuição próximas às suas lojas, fato possível, válido lembrar, por estas empresas terem difusão de filiais limitada a região urbana pequena da capital regional (quando muito, em regiões próximas). O Imperatriz, por exemplo, mantém seu CD no município de Palhoça, num complexo logístico com aproximadamente 20.000 m² de área construída as margens da BR-282 e que também comporta o corpo administrativo. O Centro de Distribuição da rede Koch fica no município de Tijucas, não muito distante da BR-101, tendo em vista suas operações concentradas no litoral norte. As redes Althoff e Manentti, atuantes no Sul Catarinense, mantém CD’s em, respectivamente, Criciúma e Nova Veneza.

Este debate acerca da logística é longo e pode suscitar diversas discussões. A inserção da tecnologia nas redes supermercadistas, por exemplo, suscitou mudanças no modo como ocorre a relação entre supermercado e centros de distribuição. Como já falava Harmon (1994), citado por Bastos (2002), uma estratégia cada vez mais comum é a criação de show-rooms virtuais, onde o consumidor, em sua casa, escolhe os produtos. Logo, a existência de um produto físico na loja teria importância diminuída e, consequentemente, a operação entre CD’s-Supermercados.

Outro fator que se evidencia é a questão dos gargalos de infraestrutura de transporte existentes. A logística (distribuição, transporte, etc.) das supermercadistas brasileiras não está atrasada em relação aos países do centro do sistema quando o assunto é tecnologia, mas ainda enfrenta-se problemas de uma infraestrutura inadequada (BASTOS, 2002), que não é capaz de lidar com o elevado fluxo de veículos, o que é maximizado pelo fato da malha rodoviária da Fachada Atlântica do estado drenar, em algumas situações, fluxos urbanos, como é expressivo na Região Metropolitana de Florianópolis ou em Itajaí, especialmente no verão, com grande tráfego de pessoas e de caminhões para acesso ao porto. Um gargalo específico a ser ressaltado é o caso do município de Palhoça, integrante da Região Metropolitana de Florianópolis, onde há uma questão de difícil resolução, visto que a BR-101 corta a Terra Indígena Morro dos Cavalos, que possui legislação própria, e a duplicação da rodovia e a construção de um túnel são inviabilizados (MACHADO, 2020).

Figura 2: Rodovias federais e estaduais da Fachada Atlântica Catarinense

Elaboração: JESUS, F. S. (2020)

 

A própria capacidade das rodovias, por vezes, é insuficiente. Como pode ser visto na Figura 2, uma minoria das rodovias que atravessam a Fachada Atlântica é duplicada, restringindo-se basicamente a BR-101 (embora ainda conte com trechos em obras de duplicação) e a vias estaduais em Florianópolis e Itajaí. As principais vias que adentram os vales atlânticos, como a BR-282, que segue em direção a Lages, e a BR-470, principal acesso a Blumenau, ainda estão em via simples, enquanto que algumas rodovias estaduais que ligam centros de menor importância, ainda estão em leito natural ou em obras de pavimentação.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no que foi discutido, nota-se que as maiores supermercadistas catarinenses buscam a inserção de novas tecnologias e procedimentos administrativos de modo a tornar eficiente o processo logístico entre Centro de Distribuição e Unidade Supermercadista, com objetivo de ampliar a capacidade de lucro. Todavia, toma relevo o problema das vias de ligação, tendo em vista que as grandes empresas, por adotarem estratégias espaciais de inserção de lojas nas cidades de topo da hierarquia urbana da Fachada Atlântica de Santa Catarina, dependem da capacidade e da velocidade de circulação através das rodovias federais e estaduais, muitas que ainda enfrentam gargalos. Vê-se, aí, um importante ponto de entrave para a atividade logística do setor supermercadista catarinense e dos demais setores de dependem das vias terrestres de ligação no estado.

 

REFERÊNCIAS

AMBONI, Nério; SILVA, Sílvio Lummertz; ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de. Estratégias empresariais: O caso da Rede Angeloni. Revista Ibero Americana de Estratégia, v. 11, n. 1, p. 62-91, 2012.

BALLOU, Ronald. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: Logística empresarial. 5. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

BASTOS, José Messias. O comércio de múltiplas filiais no Sul do Brasil. 2002. 186 f. Tese (Doutorado) - Curso de Geografia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2003.

MACHADO, Edson de Morais. A questão portuária nacional: estudo geográfico. 2020. 399 f. Tese (Doutorado) - Curso de Geografia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2020.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

NEITZKE, Paola. Análise dos processos logísticos na rede de supermercados Giassi & Cia Ltda.: o estudo de caso loja 05. 2016. 84 páginas. Monografia do curso de Administração de Empresas da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC.

 

 

Ponencia presentada en el XXII Encuentro Internacional Humboldt – El “Regreso” de la Geopolítica. Santa Rosa – La Pampa – Argentina – 21 al 25 de septiembre de 2020 – MODALIDAD VIRTUAL.

Para ver la presentación en vivo, ingrese a: https://www.youtube.com/channel/UCyfxfhPdmoy3nWbFYs4E_nQ?view_as=subscriber DÍA 3.

 



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