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Asunto:NoticiasdelCeHu =?UTF-8?Q?64=2F19_=2D_GEOGRAFIA_E_PLANEJAMENTO=3A_O_NORDESTE_SECO_E_?= =?UTF-8?Q?A_TRANSPOSI=C3=87=C3=83O_DO_RIO_S=C3=83O_FRANCISCO_=2DBRASIL?=
Fecha:Miercoles, 11 de Septiembre, 2019  23:04:56 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <centrohumboldt1995 @.....com>

NCeHu 64/19



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Geografia e Planejamento: O Nordeste Seco e a Transposição do Rio São Francisco -Brasil-

 

 

João Victor Moré Ramos

 Doutorando no Programa de Pós-graduação em Geografia/ LABEUR

Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-Brasil.

Edson de Morais Machado

Doutorando no Programa de Pós-graduação em Geografia/ LABEUR

Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-Brasil.

José Messias Bastos

Prof. Dr.  no Programa de Pós Graduação em Geografia-UFSC/IIRangel

 

 

.

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Quando se trata da ideia de Projeto Nacional nas diversas esferas da sociedade, s√£o poucos quando n√£o raros os intelectuais que se mantem alertas aos novos valores engendrados na concep√ß√£o de planejamento. A substitui√ß√£o das diretrizes de planifica√ß√Ķes regionais (AB‚ÄôSABER, 1969) por estudos-mercadoria de baixa qualidade (MAMIGONIAN, 1978) como as de ordenamento do territ√≥rio e organiza√ß√£o/produ√ß√£o do espa√ßo - imbu√≠do de prec√¡rias vis√Ķes localistas baseadas na competi√ß√£o, na produtividade, e no individualismo (GASPAR, 1996) tornaram-se corriqueiras nas pesquisas cient√≠ficas revelando uma verdadeira esp√©cie de ‚Äúvoluntarismo absolutamente‚ÄĚ passivo e inepto (RANGEL, 1999, p.218) - tanto nos √≥rg√£os de planejamento como nas universidades nestes tr√™s primeiros lustros do s√©culo XXI.

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Casos emblem√¡ticos revelam esse atual est√¡gio de inercia no pensamento nacional, n√£o havendo duvidas ser poss√≠vel generalizar √†s ci√™ncias sociais e naturais. A mobiliza√ß√£o do debate p√ļblico em torno do programa de aceleramento do crescimento (PAC) nos per√≠odos dos governos Lula e Dilma (2002-2014) com as obras de transposi√ß√£o das aguas do rio S√£o Francisco (2005), a constru√ß√£o da usina hidrel√©trica de Belo Monte na bacia do Xingu no Para (2011), os novos campos de explora√ß√£o do Pr√©-Sal (2006), a constru√ß√£o de refinarias de petr√≥leo da Petrobras (Abreu e Lima em Pernambuco, Premium I no Maranh√£o e Premium II no Cear√¡), a retomada da ind√ļstria naval, citando aqui algumas das varias iniciativas, seguramente contempla o quadro acima descrito.

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† De modo geral, o objetivo central das controv√©rsias levantadas por planejadores e especialistas em in√ļmeras interven√ß√Ķes p√ļblicas sobre as obras do PAC, mais que um car√¡ter t√©cnico, financeiro e/ou politico, demonstra sua intima proximidade no combate √†s iniciativas de interesse nacional. Com a crise ambiental instalada no Brasil e no mundo foram mobilizados recursos do Banco Mundial para o financiamento de falsos ambientalistas ‚Äúsem correspondente produ√ß√£o cientifica s√©ria‚ÄĚ, al√©m de ONG‚Äôs militantistas (SOS Mata Atl√Ęntica, Greenpeace, Amigos da Terra) que atrav√©s de equivocadas pol√™micas mobilizaram o debate em torno da ‚Äúentrega e loteamento da Amaz√īnia √†s multinacionais‚ÄĚ esquecendo-se que essas empresas j√¡ haviam desmatado a ‚ÄúMal√¡sia, a Tail√Ęndia, e a Indon√©sia‚ÄĚ (MAMIGONIAN, 2006, p.11-12).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Isso fica evidente, quando o ge√≥logo Pedro √āngelo Almeida de Abreu, ex-reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) sai em defesa do projeto nacional de Transposi√ß√£o do S√£o Francisco chamando aten√ß√£o dessas posturas tipicamente antinacionais que questionam os impactos e a defesa do meio ambiente, servindo-se de ‚Äúescudo para o cinismo de pol√≠ticos, de parte da imprensa, e de outras pessoas que defendem seus pr√≥prios interesses - pol√≠ticos ou n√£o ‚Äď ou os interesses de outrem‚ÄĚ (ALMEIDA-ABREU, 2005?). Diz ainda que na falta de conhecimento da realidade do sert√£o nordestino, os planejadores e √≥rg√£os governamentais acabam n√£o diferenciando as an√¡lises de ordem t√©cnica, financeira e ambiental, das an√¡lises pol√≠ticas ‚Äď esta ultima n√£o sendo pass√≠vel de disputa quando se considera o ‚Äúsentido de na√ß√£o, de nacionalidade e, sobretudo, de cidadania‚ÄĚ (ALMEIDA-ABREU, 2005, p.1).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Do mesmo modo, a Geografia tamb√©m participa ativamente destas polemicas p√ļblicas com importantes considera√ß√Ķes feitas pelo grande mestre Aziz Ab‚ÄôSaber no que toca aos efeitos e impactos ambientais referentes ao projeto de transposi√ß√£o das √¡guas do Rio S√£o Francisco. Segundo o ge√≥grafo paulista, h√¡ um desconhecimento quase que completo por parte dos planejadores aos avan√ßos promovidos pela geografia brasileira, seja em seus aspectos t√©cnicos de diagn√≥sticos e aplica√ß√£o de diretrizes planificadoras, seja pela sua inova√ß√£o na promo√ß√£o da integra√ß√£o regional (AB‚ÄôSABER, 2006a).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Bastar ler os relat√≥rios do projeto de transposi√ß√£o divulgados pelo Minist√©rio de Integra√ß√£o Regional - Relat√≥rio de Impacto Ambiental ‚Äď EIA-RIMA- (2004), e o Relat√≥rio Final do Grupo de Trabalho Interministerial para a Redelimita√ß√£o do Semi-√¡rido Nordestino e do Pol√≠gono das Secas (2005) ‚Äď e perceber que nos servi√ßos prestados pelas tr√™s empresas de consultoria na prepara√ß√£o do EIA, (as brasileiras, JP Meio Ambiente e Agrar, e a americana Ecology Brasil) n√£o consta na equipe de profissionais respons√¡veis pelos estudos t√©cnicos a presen√ßa de ge√≥grafos. J√¡ quanto ao segundo relat√≥rio final de compet√™ncia governamental √© marcante ‚Äú√† total aus√™ncia de estudos b√¡sicos sobre a din√Ęmica clim√¡tica macrorregional‚ÄĚ (AB‚ÄôSABER, 2006a, p.9).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Disso resulta imprescind√≠vel a participa√ß√£o do ge√≥grafo na elabora√ß√£o e no planejamento de projetos seja em n√≠vel nacional, regional e setorial, pois al√©m de conhecer profundamente as diversidades do pa√≠s, possui ampla interdisciplinaridade nas √¡reas do conhecimento bem como em suas escalas de an√¡lise (AB‚ÄôSABER, 2005b).¬†¬†

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† No que toca a quest√£o do EIA-RIMA (2004), o professor Ab‚ÄôSaber desloca-se em defesa¬† do projeto, embora com duras criticas a quem servir√¡ a transposi√ß√£o das √¡guas (AB‚ÄôSABER, 2005). Conforme argumenta, h√¡ uma necessidade de se fazer previs√Ķes de impactos positivos e negativos, como √© o caso do levantamento dos agricultores sertanejos que abastecem as feiras locais pela pratica do cultivo de vazantes na Regi√£o do Jaguaribe, no Cear√¡, - ‚Äúregi√£o que pretensamente ser√¡ a mais beneficiada pela transposi√ß√£o das aguas‚ÄĚ (AB‚ÄôSABER, 2004, p.3).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Ainda sim, cobra dos √≥rg√£os de planejamento um maior ‚Äúaprofundamento do conhecimento e da obten√ß√£o de dados meteorol√≥gicos sobre os mais diversos espa√ßos do sert√£o‚ÄĚ, pois sustenta que no inverno (astron√īmico), quando se reduz o volume das √¡guas do S√£o Francisco, haveria um grande dilema a ser resolvido no abastecimento de agua do eixo Leste para as hidrel√©tricas de Paulo Afonso, Itaparica, e Xing√≥, ao mesmo tempo em que seria necess√¡rio transpor ‚Äúmais aguas para al√©m-Araripe, onde todos os rios sertanejos perdem correnteza por longos meses‚ÄĚ (AB‚ÄôSABER, 2006b, p.12-13).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Do mesmo modo, no baixo-m√©dio S√£o Francisco, regi√£o da cidade sertaneja Xique-Xique (BA), aponta uma s√©rie de equ√≠vocos sobre o problema das dunas quatern√¡rias fixas (paleodeserto regional), - ‚Äúa maior massa de areias existentes em qualquer parte do territ√≥rio brasileiro‚ÄĚ ‚Äď sujeitas a forte amea√ßas de a√ßoreamento do rio, al√©m de criticar as inciativas de planejadores inexperientes em elaborar projetos de preserva√ß√£o permanente para o psamo-bioma daquele ambiente (AB‚ÄôSABER, 2006c, p.3). Para Ab‚ÄôSaber, a falta de combina√ß√Ķes geogr√¡ficas entre os aspectos f√≠sicos e humanos no estudo regional do complexo geogr√¡fico dos sert√Ķes secos inibe qualquer tentativa rigorosa de compreender os problemas, e propor solu√ß√Ķes fact√≠veis de integra√ß√£o estrat√©gia na regi√£o ‚Äď como foi o caso da proposta de armaz√©ns do sert√£o[1], que buscava ‚Äúminimizar a pobreza de alguns milh√Ķes de nordestinos‚ÄĚ (AB‚ÄôSABER, 1999, p.37).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Com todo seu rigor, salienta que √© preciso retomar as ideias de planejamento regional em longo prazo integrado em suas formas areolares, e n√£o somente lineares ou pontuais, contemplando assim, ‚Äútodos os setores da vida regional, em termos de re-organiza√ß√£o dos espa√ßos mal utilizados‚ÄĚ, e em termos do ‚Äúaumento da produtividade e eleva√ß√£o de padr√£o de vida‚ÄĚ no desenvolvimento econ√īmico do Semi-√¡rido (AB‚ÄôSABER, 1969, p.265).

 

***

           

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† De fato, a propriedade da critica de Ab‚ÄôSaber se estende por toda sua obra, no melhor ‚Äúespirito de miss√£o da ci√™ncia geogr√¡fica‚ÄĚ, da ‚ÄúAGB em particular‚ÄĚ, e de ‚Äútoda¬† a intelectualidade brasileira‚ÄĚ formada nos idos da d√©cada de 40 (MAMIGONIAN, 2013, p.26-27). Nesse per√≠odo, o ge√≥grafo paulista j√¡ se despontava como profundo conhecedor do Nordeste, ao elaborar e dirigir ao lado dos ge√≥grafos Mario Lacerda de Melo e Walter Alberto Egler, o guia da excurs√£o n.7[2] (Paisagens do Nordeste em Pernambuco e Para√≠ba) realizada por ocasi√£o do XVIII Congresso Internacional de Geografia promovido no Brasil pela Uni√£o Geogr√¡fica Internacional (UGI) em 1956 (MELO, 1958).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Como se sabe, esse congresso foi um divisor de √¡guas na atividade geogr√¡fica (MONTEIRO, 1980), principalmente no que diz respeito aos ‚Äúnovos m√©todos de pesquisa‚ÄĚ aberta pelo dialogo entre ge√≥grafos do Brasil e do mundo (PEREIRA, 1955, p.405). O pr√≥prio discurso de abertura do congresso pelo ‚Äúent√£o presidente Juscelino Kubitschek‚ÄĚ (SANTOS, 1992, p.187), n√£o deixa duvidas quando diz que a ci√™ncia geogr√¡fica no pa√≠s ‚Äúatingiu sua maturidade‚ÄĚ (BRASIL, 1956, p.221).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Com efeito, a capacidade de colabora√ß√£o do Conselho Nacional de Geografia (ROMARIZ, 2007, p.178) junto √†s representa√ß√Ķes n√£o governamentais de ‚Äúge√≥grafos das diferentes regi√Ķes brasileiras‚ÄĚ, encabe√ßadas pelo ent√£o presidente da Associa√ß√£o de Ge√≥grafos Brasileiros (AGB) professor Jos√© Verissimo da Costa Pereira (PELUSO JR, 1991, p.15), ultrapassaram o desafio de realiza√ß√£o do Congresso, pois trazia consigo uma consequ√™ncia imediata de grande envergadura que se deu com ‚Äúa contrata√ß√£o de v√¡rios professores universit√¡rios de geografia: Jean TRICART, Jean DRESCH, Pierre BIROT, K. SEKIGUTI, Orlando RIBEIRO, para cursos especiais aos nossos docentes universit√¡rios e corpo t√©cnico‚ÄĚ (MONTEIRO, 1980, p.18).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Foi dessa influencia extraordin√¡ria da escola francesa de Geografia em visita ao Brasil, sobretudo por Jean Dresch, Jean Tricart e Cailleux, que permitiu Ab‚ÄôSaber ultrapassar as barreiras enigm√¡ticas, e as limita√ß√Ķes da bibliografia at√© ent√£o dispon√≠vel naquele momento forjando aquilo que seria sua maior consagra√ß√£o como um dos maiores ge√≥grafos imortais: a Teoria dos Redutos/Ref√ļgios (MAMIGONIAN, 2013).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Atrav√©s dos ensinamentos da geomorfogia clim√¡tica de Tricart, conseguiu explicar as ‚Äústone-lines‚ÄĚ (linhas de pedras) e suas reminisc√™ncias t√≠picas de ‚Äúcertas forma√ß√Ķes de pedras... do Nordeste brasileiro‚ÄĚ sem cair em excessivas generaliza√ß√Ķes que atribu√≠am ao seu significado paleoclim√¡tico (AB‚ÄôSABER, 1992, p.170).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† J√¡ das observa√ß√Ķes de Dresch, herdou o conhecimento comparativo das regi√Ķes √¡ridas e semi√¡ridas do mundo, tanto em seus aspectos f√≠sicos quanto humanos como bem destacou em suas lembran√ßas do segundo ou terceiro dia da excurs√£o n.7 do Congresso: o professor Dresch, arguto conhecedor do Saara, dizia que o sert√£o (Nordeste Seco) n√£o devia ser considerado um deserto, pois havia nessa regi√£o semi-√¡rida grande densidade populacional espalhada por toda parte, e os problemas se dariam ‚Äúpor causa disso, de excesso de gente em espa√ßo de grande rusticidade‚ÄĚ (AB‚ÄôSABER, 2007, p.67). J√¡ no deserto do Saara a concentra√ß√£o humana se dava exclusivamente em o√¡sis, havendo um controle de natalidade limitada pelas pr√≥prias condi√ß√Ķes naturais, j√¡ que nos grandes espa√ßos secos ‚Äď ‚Äúdesertos pedregosos, desertos rochosos, campos de dunas imensas‚ÄĚ ‚Äď se transitava, mas n√£o se vivia (AB‚ÄôSABER, 2010, p.543).¬†

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Por outro lado, deve-se notar que al√©m das contribui√ß√Ķes oriundas dos ge√≥grafos marxistas franceses, Ab‚ÄôSaber chega de forma pioneira √† Teoria dos Redutos e Ref√ļgios Florestais por tr√™s aspectos essenciais: 1) sua interdisciplinaridade junto aos estudos paleoclim√¡ticos e paleo-ecol√≥gicos do professor Jos√© Bigarella (AB‚ÄôSABER, 2011), - que corrigiu a ‚Äúideia europeia tradicional‚ÄĚ invertendo o diagn√≥stico sob a condi√ß√£o clim√¡tica da glacia√ß√£o pleistoc√™nica, onde ‚Äúnas regi√Ķes √¡ridas o clima se umidificava, enquanto nas regi√Ķes √ļmidas tornava-se semi-√¡rido‚ÄĚ (MAMIGONIAN, 2016, p.161); 2) a teoria dos ref√ļgios florestados originalmente esbo√ßada pelos estudos de zoologia sistem√¡tica de Paulo Vanzolini, - que em um caminho oposto aos estudos do bioge√≥grafo alem√£o J. Haffer apresentou conclus√Ķes ‚Äúincrivelmente semelhantes‚ÄĚ as suas sem conhecimento pr√©vio (VANZOLINI, 1970, p.45); 3) e por seus pr√≥prios estudos de tipologia dos brejos, que permitiu reconstru√ß√£o do passado ‚Äúpara entender como foi a distribui√ß√£o geral da vegeta√ß√£o de tr√™s a quatro milh√Ķes de quil√īmetros ao sul do territ√≥rio brasileiro, quando os climas secos foram ampliados a partir do Nordeste, ou de setores do Nordeste‚ÄĚ (AB‚ÄôSABER, 2010, p.544).

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† De modo geral, essas rela√ß√Ķes se consumaram em ‚Äúuma das maiores revolu√ß√Ķes da geomorfologia clim√¡tica mundial‚ÄĚ a cargo de Aziz e Bigarella, permanecendo at√© hoje o mais relevante marco te√≥rico-metodol√≥gico das pesquisas de geomorfologia geogr√¡fica (VITTE, 2011, p.99). Ao modificar profundamente o paradigma interpretativo da evolu√ß√£o e da g√™nese das formas de relevo nos respectivos dom√≠nios morfoclim√¡ticos do quatern√¡rio, - com a tarefa de ‚Äúsalvaguardar as riquezas naturais e utiliza-las melhor para lutar contra a mis√©ria e a fome‚ÄĚ (TRICART, 1963, p.22) ‚Äď Ab‚ÄôSaber e Bigarella abriram caminho na geografia brasileira para ‚Äúa import√Ęncia da sequ√™ncia no estudo dos processos‚ÄĚ clim√¡ticos (MONTEIRO, 2011, p.137), suas no√ß√Ķes de ‚Äúdin√Ęmica, g√™nese e ritmo‚ÄĚ do fen√īmeno atmosf√©rico (SANT‚ÄôANNA NETO, 2004, p.99) revelados nos trabalhos do professor Carlos Augusto Figueiredo Monteiro com a ‚Äúproposta de Geossistemas‚ÄĚ (MONTEIRO, 2008, p.113).

 

 

Refer√™ncias Bibliogr√¡ficas

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_________. Entrevista com o professor Aziz Nacib AB‚ÄôSaber. Geosul, n.14, Ano VII, 2¬ļ semestre de 1992.

_________. Dossi√™ Nordeste Seco. Sert√Ķes e Sertanejos: uma geografia humana sofrida. Estudos Avan√ßados, S√£o Paulo, 13 (36): 7-59, maio/ago. de 1999.

_________. Os meridianos da independ√™ncia. [Entrevista para Alessandro Greco]. O Estado de S√£o Paulo. ALI√ĀS, Domingo, 19 de dezembro. P. 3. S√£o Paulo, 2004.

_________. A quem serve a transposi√ß√£o? In: Folha de S√£o Paulo ‚Äď Tend√™ncia e Debates ‚Äď 20 de fevereiro de 2005.

_________. O papel da geografia nos processos de planejamento. In: I Semana de Geografia da Unicamp, 26 de out. 2005b.

_________. ‚ÄúTemos que continuar a luta, seja qual for o governo‚ÄĚ, 16 de outubro de 2006a. 4 pp. Dispon√≠vel em: www.cartamaior.com.br, Acesso em 09 de abril de 2018.

_________. A transposi√ß√£o de √¡guas do S√£o Francisco: an√¡lise critica. REVISTA USP, S√£o Paulo, n.70, p. 6-13, junho/agosto 2006b.

_________. O paleodeserto de Xique-Xique. Estudos Avançados, São Paulo, 20 (56): 301-308, jan./abril de 2006c.

_________. O que é ser geógrafo: memórias profissionais de Aziz Ab’Saber / em depoimento a Cynara Menezes. Rio de Janeiro: Record, 2007.

_________. O Nordeste Brasileiro e a Teoria dos Ref√ļgios. In: A Obra de Aziz Nacib Ab'S√¡ber/ organizado por May Christine Modenesi-Gauttieri; Andrea Bartorelli; Virginio Mantesso-Neto; Celso dal R√© Carneiro; Matias Barbosa de Andrade Lima Lisboa. S√£o Paulo: BecaBALL edi√ß√Ķes, 2010.

_________. O legado de Jean Tricart para as Ci√™ncias Geogr√¡ficas. In: Da Teoria a pr√¡tica da geografia global: abordagens transdisciplinar proposta por Jean Tricart/ Teresa Cardoso da Silva (org.) ‚Äď (Livros Geogr√¡ficos; 3). Florian√≥polis: GCN/CFH/UFSC, 2011.

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BRASIL. Presidente. (1956-1961: Juscelino Kubitschek). Na Instala√ß√£o do XVIII Con¬≠gresso Internacional de Geografia, na Capital da Rep√ļblica. Rio de Janeiro, 9 de agosto de 1956. Dispon√≠vel em: www.biblioteca.presidencia.gov.br/presidencia/ex-presidentes/jk/discursos/1956/38.pdf/view.¬† Acesso em 07 de abril de 1956.

GASPAR, J. ‚ÄúO Novo Ordenamento do Territ√≥rio: Geografia e Valores‚ÄĚ, Dinamismos s√≥cio-econ√≥micos e (re)organiza√ß√£o territorial: processos de urbaniza√ß√£o e de reestrutura√ß√£o produtiva, IEG/FLUC, Coimbra, 1996, pp. 707-718.

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[1] A ideia de armaz√©ns do sert√£o foi uma proposta funcional feita a partir de observa√ß√Ķes de pequenas cidades do sert√£o e suas feiras sertanejas. Tinha como objetivo reinventar um modelo de supermercado popular, que pudesse ser adaptado aos per√≠odos de secas, e a falta de mercadorias escassas na regi√£o.

[2] Vale lembrar que a primeira colet√Ęnea de Geografia Regional do Brasil se deu pela prepara√ß√£o dos livros-guias das nove excurs√Ķes do XVIII Congresso Internacional de Geografia (MONTEIRO, 1980, p.18).



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