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Asunto:NoticiasdelCeHu =?UTF-8?Q?62=2F19_=2D_A_GEOMORFOLOGIA_BRASILEIRA_E_A_CONTRIBUI=C3=87=C3=83?= =?UTF-8?Q?O_DE_AZIZAB=E2=80=99SABER?=
Fecha:Martes, 10 de Septiembre, 2019  01:13:28 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <centrohumboldt1995 @.....com>

NCehu 62/19

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A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA E A CONTRIBUIÇÃO DE AZIZ AB’SABER


Filipe Borba de Moura

Universidade Estadual de Goiás – Campus Itapuranga – Goiás – Brasil

E-mail:filipeborbahti@gmail.com

 

 

Resumo:

O objetivo deste trabalho restringe em analisar de uma forma sintética como o trabalho do professor Aziz Nacib Ab’Sáber contribuiu para a geomorfologia brasileira. O presente trabalho abordará um clássico da Geografia brasileira, correspondendo uma tarefa não tão fácil de trabalhar e analisar algumas contribuições de Aziz Ab’Sáber, devido o grande número de publicações a qual se estendeu por mais de 60 anos, e também a densidade teórico-metodológico de suas publicações. A metodologia do trabalho fica restrita a uma revisão e analise bibliográfica. Compreende-se, que sua tese e um marco conceitual na Geografia Brasileira, e consolida-o de vez como um dos maiores nomes da Geomorfologia no Brasil, através de toda sua analise e descrição da “Geomorfologia do Sítio Urbano de São Paulo” e seu livro “Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas” representa toda sua pesquisa e trabalho de campo realizado ao longo de todo território Brasileiro, portanto, o livro é o Best-seller de sua carreira.

Palavras-Chave: Geoografia, Geomorfologia, Aziz Ab’Saber.

 

 

Introdução

 

Este trabalho abordará a Geomorfologia Geográfica de acordo com trabalhos do mestre Aziz Nacib Ab’Sáber, além de analisar algumas de suas contribuições para o pensar e fazer da Geomorfologia Geográfica. Sabemos assim, que sua tese de doutoramento, faz com que seus estudos ganhem mais valor, e marcam a ruptura paradigmática dos estudos de relevo do Brasil, fazendo uma leitura e reinterpretação da formação do relevo no Brasil.

Sua tese representa um marco na Geografia brasileira, pois representa muita além de um simples trabalho de Geomorfologia Geográfica, envolve questões essenciais da Geografia em um contexto não restrito unicamente a Geomorfologia, mas em uma totalização (Suertegaray, 2018), trabalhando até Geografia Urbana, a qual Ab’Sáber teve o prazer de aprender com um de seus maiores mestres o professor Pierre Monbeig. E ao longo de sua produção intelectual produziu centenas de trabalho, dentre eles, segundo o professor Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, foram 83 de Geomorfologia, 31 de Domínios da Natureza, 27 de Problemas Ambientais, 25 de Problemas Regionais, 12 de Geologia, 10 de Geomorfologia de Sítios Urbanos, dentre vários outros.

Ab’Saber, assim, representa um dos maiores nomes da Geografia Brasileira devido o auto nível e densidade intelectual de suas produções. Quando produz o trabalho “Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas” acaba configurando como um dos grandes mestres da Geografia brasileira.

 

 

A Geomorfologia Geográfica de Aziz Ab’Sáber

 

Logo no início de seus estudos, Ab’Sáber começou deixando de lado as observações simplistas de grandes obras, que eram feitas pelos jovens professores que se formaram na USP. Buscava sempre recorrer à biblioteca até mesmo em finais de semana, e tinha uma grande admiração por Pierre Monbeig, que foi seu primeiro professor, uma de suas principais influências para desenvolver suas ideias e teorias, porque, tinha outra perspectiva metodológica, que era o entendimento do natural e social e também procurava entender não só a formação atual do objeto analisado, mas sim, analisava o processo de formação histórica para poder chegar ao atual momento, e isso se consolidava sempre com um trabalho de campo, fazendo os estudos da paisagem a partir de sua totalidade.

Nas primeiras décadas da então Universidade de São Paulo, instituída na década de 30, corresponde ao período em que a Geomorfologia mais se desenvolveu, devido à expansão do curso e a criação de outras universidades. Os trabalhos dessa época eram sempre baseados na perspectiva davisiana “The Geographical Cycle”, e nos métodos Franceses devidos o número de professores. Uma forte influência de Davis nas pesquisas brasileiras foi os estágios de maturidade do relevo, tendo como início a juventude, maturidade e senilidade (velhice) (VITTE, 2011).

A tese de Aziz deixa evidente a influência de alguns professores franceses, principalmente de Monbeig e Deffontaines. Pierre Monbeig, considerado um dos pioneiros de geografia urbana no Brasil, incentivava os alunos a fazerem monografias ou trabalhos regionais, assim, os trabalhos se voltavam para o lugar que melhor os alunos conheciam. Segundo Ab’Sáber (1994, p. 227) “Monbeig incentivou alunos e ex-alunos a realizarem monografias sobre os núcleos urbanos que melhor conheciam: ou, por terem neles nascido, ou porque neles desenvolveram atividades de ensino”.

Em todos os seus trabalhos, Ab’Sáber levou muito a sério o rigor científico. E, na tese, deixa claro que o pesquisador devem tomar “cuidados especiais” sobre a paisagem urbana, pois, logo no inicio esclarece as principais formas de relevo que serão encontradas no Sítio Urbano de São Paulo, que “[...] fica praticamente restringida ao sistema de colinas, terraços e planícies” (Ab’Sáber, 1957, p. 13), e colinas que posteriormente serão chamadas em sua outra obra Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas (2003) de domínio morfoclimático “mares de morros”, tendo um nível topográfico em torno de 770 e 800 metros como podemos perceber na Figura 01 que apresenta a secção geológica do pico do Jaraguá às colinas de Santo Amaro, e as redes de drenagem de São Paulo, como Pinheiros e Tietê.

Figura 1: Secção geológica do pico do Jaraguá às colinas de Santo Amaro.

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Fonte: Geomorfologia do Sítio Urbano de São Paulo, Ab’Sáber, 1957, p.70.

 

 

Tendo sua tese o objetivo de trabalhar o Sítio Urbano, caracteriza logo essa expressão a qual foi tomada no “[...] sentido geográfico mais simples, ou seja, o de um pequeno quadro de relevo que efetivamente aloja um organismo urbano. [...] analisaremos apenas o assoalho topográfico sob o qual se assentou a metrópole” (Ibid., p. 15) e considera que “o trabalho realizado é uma pesquisa de geomorfologia regional” (Ibid., p. 17), e que, muitas das vezes, ao longo de sua tese refere-se à Geomorfologia Geral.

Com as influências que recebeu, uma enorme contribuição foi quando João José Bigarella em 1964, engenheiro químico, cria seu grande trabalho “Variações Climáticas no Quaternário e suas Implicações no Revestimento Florístico do Paraná”. Esse trabalho gerou fortes influências nos estudos geográficos. A partir dessa produção, o pesquisador escreveu dois grandes trabalhos, domínios morfoclimáticos do Brasil, e Refúgios e Redutos Florestais.

O trabalho, de domínios morfoclimáticos (Figura 02) e fitogeográficos, no período do quaternário, desenvolveu-se a partir de suas grandes observações críticas sobre a paisagem. Com a jovem colonização do Brasil, existiam grandes áreas territoriais homogêneas. Isso porque um dos principais agentes modificadores do relevo, acontece devido à ação humana, que no Brasil, esse processo histórico está começando agora, comparando com o tempo geológico.

 

 

Figura 2. Domínios morfoclimático do Brasil.

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Fonte: Ab’Sáber, 2003.

 

 

Nesse trabalho, o pesquisador faz um mapeamento do Brasil, o qual apresenta seis principais áreas, 01: Domínio das Terras Baixas Florestadas da Amazônia; 02: Domínio dos Chapadões Recobertos por Cerrados e Penetrados por Florestas-Galeria; 03: Domínio dos “Mares de Morros” Florestados; 04: Domínio das Depressões Interplanálticas Semiáridas do Nordeste; 05: Domínio dos Planaltos das Araucárias; 06: Domínio das Pradarias Mistas do Rio Grande do Sul. Sendo cinco poligonais e uma faixa de transição (AB’SÁBER, 2003), de um domínio para outro. Essa estruturação da paisagem e das formas se dá a partir de alguns principais pontos, como o solo; a vegetação; o relevo; clima e as condições hidrológicas. A tecnologia presente ficava restrita a fotografias aéreas mesmo de forma tímida nas pesquisas de Ab’Sáber, então era de extrema necessidade fazer um mapeamento numa pura observação e descrição crítica, para que pudesse chegar a um resultado próximo.

Assim, Ab’Sáber compreende o relevo como uma unidade, uma forma homogênea, que apresenta traços históricos, que foram gerados pelo tempo e pelo homem, o principal modelador. Nas faixas de transição que está presente no mapeamento do pesquisador, pode acontecer de ter mais de duas unidades combinadas. 

 

Considerações finais

Portanto, buscou-se analisar, nesta pesquisa, a influência de um dos maiores nomes da geomorfologia brasileira, o qual possui grandes contribuições para se analisar, tanto teoricamente, quanto metodologicamente. Chegamos ao entendimento final, desta pesquisa, onde apresentamos algumas contribuições de Ab’Sáber para a geomorfologia geográfica brasileira.

Assim, sua principal contribuição, foi quando defendeu sua tese e inseriu a perspectiva do elemento climático na geomorfologia geográfica, fazendo com que, a partir de 1960, os estudos brasileiros tomassem um novo rumo, assim, afirmamos a consolidação do paradigma climático na geomorfologia brasileira, como Vitte (2011) já ressalta em seus trabalhos. Posto isso, consideramos que a Geomorfologia Geográfica, após a proposição de Aziz Ab’Sáber, incorporou uma nova roupagem e um novo debate teórico e metodológico sobre a concepção do relevo brasileiro, sendo formado e modelado por ações conjuntas, tanto endógenas, quanto exógenas, mas tendo o clima como ator fundamental em todo esse processo.

 

Referências

AB’SÁBER, Aziz Nacib. Geomorfologia do sítio urbano de São Paulo. 1956. 231f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1956. [Republicado no Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, São Paulo, n. 219, 1957. (Geografia, 12).

______. Pierre Monbeig: a herança intelectual de um geógrafo. Estudos Avançados, São Paulo, v.8, n.22, p.221-232, Dec.1994. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141994000300024&lng=en&nrm=iso>. Acessado em: 14/09/2017.

______. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: ateliê editorial, 2003.

SUERTEGARAY, Dirce. DEBATE CONTEMPORÂNEO: GEOGRAFIAS OU GEOGRAFIA? FRAGMENTAÇÃO OU TOTALIZAÇÃO? GEOgraphia, v. 19, n. 41, p. 16-23, 2018.

VITTE, Antônio Carlos. A Construção da Geomofologia no Brasil. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 12, n. 3, p. 91-108. 2011.

 

 



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