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Asunto:NoticiasdelCeHu =?UTF-8?Q?60=2F19_=2D_AEPISTEMOLOGIA_DA_GEOMORFOLOGIA_GEOGR=C3=81FICA_?=
Fecha:Lunes, 9 de Septiembre, 2019  23:31:05 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <centrohumboldt1995 @.....com>

NCeHu 60/19


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¬†A EPISTEMOLOGIA DA GEOMORFOLOGIA GEOGR√ĀFICA

 

 

Danilo Cardoso Ferreira

Ant√īnio Carlos Vitte

 

 

Resumo

O objetivo deste trabalho √© construir uma an√¡lise cr√≠tica do desenvolvimento e processos da geomorfologia geogr√¡fica a fim de apontarmos para uma epistemologia da Geomorfologia. O percurso do trabalho √© bibliogr√¡fico. A perda dos grandes referenciais para as pesquisas em geomorfologia tem proporcionado diversos empasses neste campo do conhecimento geogr√¡fico o que leva a estudos de sobrev√īo e sem integra√ß√£o da pesquisa com as unidades propostas pelas primeiras an√¡lises feitas por naturalistas e ge√≥grafos.

Palavras-chave: Geografia, Geomorfologia, Epistemologia.

 

Introdução

A geomorfologia enquanto campo do conhecimento geogr√¡fico deve ser entendida dentro de todo o contexto pol√≠tico, cultural da √©poca, porque isto permitir√¡ responder o que era conhecido naquele contexto sobre a compreens√£o e interpreta√ß√£o de natureza. Tamb√©m, permitir ainda dizer como era produzido o conhecimento e principalmente o elemento central para refletirmos que √© a utilidade do conhecimento produzido, que seria e para que servisse o conhecimento sobre o relevo?

N√£o faz sentido ser cr√≠tico da ci√™ncia √†s cegas neste momento, o interesse das provoca√ß√Ķes acima se faz por que o objetivo desta pesquisa √© entender os fundamentos epistemol√≥gicos da geomorfologia geogr√¡fica, haja vista isso ser t√£o negado dentro deste campo do conhecimento geogr√¡fico. Tamb√©m se faz necess√¡rio a princ√≠pio dizer que n√£o estamos aqui buscando reconstruir racionalmente a geomorfologia como uma forma de justificar um determinado projeto epistemol√≥gico que tenha uma base filos√≥fica simplesmente para justificar um determinado projeto. O objetivo vai, al√©m disto, at√© porque √© importante ressaltar que o car√¡ter normativo de constitui√ß√£o do conhecimento cient√≠fico extrapola as fronteiras dos m√©todos cient√≠ficos e acad√™micos do passado, presente e do nosso futuro, portanto o conhecimento √© din√Ęmico.

 

 

Geomorfologia geogr√¡fica

A princ√≠pio pensar os fundamentos epistemol√≥gicos da geomorfologia pode parecer algo desafiador, mas ao mesmo tempo para a geomorfologia aplicada de hoje pode ser desnecess√¡rio at√© porque as abordagens deste campo do conhecimento est√£o bem distantes de uma interface com o debate epist√™mico, quanto mais filos√≥fico. N√£o somente a geomorfologia, mas a geografia f√≠sica tem deixado de lado o debate quanto √†s reflex√Ķes te√≥ricas, posicionamentos que possibilitem compreender a natureza e os m√©todos da ci√™ncia geogr√¡fica. Portanto isso √© um desafio a ser enfrentado por esta ci√™ncia. Entender o m√©todo, sua raz√£o de ser e acima de tudo o que pretendesse com est√¡ tese o lugar da geomorfologia dentro do rol das ci√™ncias pressup√Ķe conhece-la a fundo, portanto a sua natureza, suas interconex√Ķes e intercruzamentos, neste sentido entenderam a geomorfologia como produto de intensos debates filos√≥ficos e cient√≠ficos sobre a superf√≠cie da terra e natureza.

O contexto que a princ√≠pio ressaltamos como elemento central para a discuss√£o √© o idealismo alem√£o, na qual apontaremos os nomes de Immanuel Kant (1724 ‚Äď 1804) e Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) como membros e representantes desta tradi√ß√£o filos√≥fica e idealista alem√£, que representava uma forma de experimentar, pensar e conceber o homem e o mundo (ARANTES, 2015).

 

[...] Destarte, ao reconhecer a sua verdadeira riqueza na diversidade dentro da sua unidade, em primeiro lugar, e, por fim, nos embates e contradi√ß√Ķes que esta diversidade de formas idealistas de pensamento proporcionam ao se chocarem, passo a aceitar uma concep√ß√£o de Idealismo Alem√£o a mais ampla poss√≠vel, n√£o apenas restrita ao campo da reflex√£o filos√≥fica pura, oriunda do questionamento em torno da coisa em si, mas tamb√©m toda aquela reflex√£o que se desdobrou a partir da terceira cr√≠tica kantiana no √Ęmbito da est√©tica e suas reverbera√ß√Ķes na esfera da √©tica (ARANTES, 2015, p. 27).

 

O idealismo alem√£o, portanto, n√£o pode ser levado em considera√ß√£o somente pela sua tradi√ß√£o filos√≥fica, mas principalmente pela diversidade de pensamentos dentro da unidade (idealista), que tem uma forma pr√≥pria de experimentar, pensar e conceber o homem e o mundo, ir√¡ consequentemente produzir vis√Ķes distintas e √© isso que √© o caldo intelectual produzido neste contexto. Dividida a partir de duas vis√Ķes, uma delas de uma vis√£o de mundo iluminista e extremamente racional e outra de uma vis√£o mundo rom√Ęntica de seus cr√≠ticos (ARANTES, 2015). Por isso importante ao se propor e pensar o debate epistemol√≥gico da geomorfologia, elencar o idealismo alem√£o que √© essa forma de pensar e estar no/com mundo √© determinante para a fundamenta√ß√£o epistemol√≥gica fundida por intensos debates e vis√Ķes que atrav√©s da experimenta√ß√£o produziu este campo do conhecimento.

√Č necess√¡rio, ent√£o, rever a hist√≥ria da geomorfologia moderna (ABREU, 1982) para se pensar as influ√™ncias de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) para os primeiros passos e leituras feitas da natureza, que segundo ele a posteriori ser√£o sin√īnimas de geomorfologia. Silveira (2012, p. 251) afirma que Goethe ‚Äú√©, um dos personagens mais ativos nos diferentes segmentos te√≥ricos e art√≠sticos que marcaram a passagem do s√©culo XVIII e in√≠cio do s√©culo XIX‚ÄĚ. A morfologia em Goethe pode ser resumida em pensar a forma, a forma√ß√£o e a transforma√ß√£o dos seres vivos, entendida n√£o somente pela ci√™ncia, mas pela arte, pelo saber, pela ideia de totalidade de mundo.

Goethe foi um poeta influenciado pelo modelo grego de fazer poesia, tamb√©m era autodidata em ci√™ncias naturais e, sempre em sua vida esteve rodeado de especialistas para apoi√¡-lo a investigar os seus estudos. Esse intelectual percebia que o mundo passava por diversas mudan√ßas e que se n√£o as acompanhasse de perto, poderia levar suas pesquisas e atividades em filosofia natural ao fracasso (BAUMANN et., al 2010). Quanto √†s suas habilidades e momentos de dedica√ß√£o √† arte, Goethe (1971) dizia que o olho para ele era ‚Äúum √≥rg√£o principal com o qual abarcava o mundo‚ÄĚ, por isso o desenvolvimento de uma filosofia do olhar, que o levou √† ressignifica√ß√£o da paisagem geogr√¡fica (SILVEIRA, 2012).

Assim, a literatura geomorfol√≥gica geogr√¡fica contempor√Ęnea apresenta preocupa√ß√Ķes de bases epistemol√≥gicas e metodol√≥gicas dos estudos e an√¡lises sobre a g√™nese do relevo. Problemas esses que para Vitte (2011) s√£o de ordens epist√™micas. Diante das influ√™ncias da big Science, do capital Cultural (BOURDIEU, 1992) e da pol√≠tica que tanto t√™m influenciado a Geomorfologia, levando-√† perda de suas bases filos√≥ficas por estudos especializados que carecem de ‚Äúcontextualiza√ß√£o do fen√īmeno geogr√¡fico‚ÄĚ (AB‚Äô Saber, 1969), demonstrando o enfraquecimento e as fragilidades de um campo do conhecimento t√£o importante para a Geografia.

Diante desses desafios, urge a necessidade de novos posicionamentos dos ge√≥grafos quanto √†s aplica√ß√Ķes, an√¡lises e estudos sobre as pesquisas geomorfol√≥gicas e, principalmente, √†s que descontroem a necessidade de se pensar a g√™nese ou os estudos voltados para a gen√©tica do relevo para se observar as for√ßas plasmadoras da natureza e tamb√©m as interfer√™ncias da sociedade sobre a superf√≠cie terrestre.

 

Considera√ß√Ķes Finais

Uma perspectiva interessante para se pensar nos processos e na contribui√ß√£o de uma epistemologia e tamb√©m de uma filosofia da geomorfologia √© a unifica√ß√£o da deste campo do conhecimento geogr√¡fico, possibilitando a identifica√ß√£o das bases para um terreno comum entre um grupo diversificado de cientistas (Ge√≥grafos, Ge√≥logos, Naturalistas, etc.) no qual todos se consideram geomorfol√≥gos (RHOADS e THORN, 1996). Neste sentido, este terreno comum a partir da centralidade do conceito de ‚Äúlandform‚ÄĚ, e de um cimento epist√™mico potencializar√¡ os estudos das diferentes formas de relevo buscando a explica√ß√£o n√£o somente a partir de estudos aplicados a compreens√£o do relevo, mas tamb√©m a explica√ß√£o atrav√©s das leis causais, da classifica√ß√£o dos tipos de relevos, que a partir de suas magnitudes s√£o usados como chaves de interpreta√ß√£o diante das teorias e modelos na Geomorfologia.

Para alguns a provoca√ß√£o quanto a necessidade de refletir sobre a epistemologia da Geomorfologia ou at√© indo mais longe, uma filosofia da Geomorfologia pode at√© ser algo subjetivo, pois, na verdade o interessante mesmo √© a constru√ß√£o de um mapa geomorfol√≥gico ou a ida a campo, mais do que o debate epist√™mico e filos√≥fico da ci√™ncia. No entanto, n√£o estamos propondo aqui que os geomorfol√≥gos se tornem fil√≥sofos, nada disto. Estamos inferindo que a an√¡lise filos√≥fica pode sim contribuir para que o geomorfol√≥gos tenha possibilidade de explorar plenamente a ‚Äúnatureza cient√≠fica da geomorfologia‚ÄĚ geogr√¡fica (RHOADS e THORN, 1996).

 

Referências

ABREU, Adilson Avansin de. A teoria Geomorfol√≥gica e sua Edifica√ß√£o: An√¡lise e Cr√≠tica. Revista Brasileira de Geomorfologia, Ano 4, N¬ļ 2 (2003) 51-67.

AB‚ÄôS√ĀBER, Aziz Nacib. Um conceito de Geomorfologia a servi√ßo das pesquisas sobre o Quarten√¡rio. Geomorfologia, S√£o Paulo, n. 18, p. 1 ‚Äď 23, 1969.

ARANTES, Leonardo. A Geografia do Holismo e o Idealismo Alem√£o: um estudo das afinidades eletivas de Alexander Von Humboldt e Carl Ritter. Tese de Doutorado em Geografia ‚Äď Universidade Federal Fluminense, Niter√≥i, 2015.

BAUMANN, K. K. Baumann, C. Guerlin, F. Brennecke, and T. Esslinger, Nature (London) 464, 1301 (2010). Nature (London), v. 464, p. 1301, 2010.

 BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1992.

GOETHE, J. W. von. Memórias: poesia e verdade. Porto Alegre: Editora Globo S.A., 1971.

RHOADS, Bruce L.; THORN, Colin E. Toward a Philosophy of Geomorphology. In: RHOADS, Brucel L.; THORN, Colin E. The scientific nature of geomorphology. Proceedings of the 27th Binghamton Symposium in Geomorphology held. 1996. p. 115-145.

SILVEIRA, R. W. D da. Filosofia, arte e ciência: paisagem na geografia de Alexander Von Humboldt. Tese de doutorado apresentada ao Instituto de Geociências da Universidade de Campinas, 2012.

VITTE, Ant√īnio Carlos; SILVEIRA, Roberison Wittgenstein Dias da. Kant, Goethe e Alexander Humboldt: Est√©tica e Paisagem na G√™nese da Geografia F√≠sica Moderna. ACTA Geogr√¡fica, Boa Vista, v. 4, n. 8, p. 07-14, jul.-dez. de 2010.

VITTE, Ant√īnio Carlos. Da Metaf√≠sica da Natureza √† G√™nese da Geografia F√≠sica Moderna. GEOgrafia ‚Äď ano VIII ‚Äď N¬ļ15 ‚Äď 2006. P. 23 ‚Äď 50.

____. Da Ci√™ncia da Morfologia √† Geomorfologia Geogr√¡fica: uma contribui√ß√£o √† hist√≥ria do pensamento geogr√¡fico. Mercator - Revista de Geografia da UFC, ano 07, n√ļmero 13, 2008. P. 113-120.

 

 


 



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