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Asunto:NoticiasdelCeHu 3/19 - A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO ORGÂN ICA NAS FEIRAS LIVRES: UM ESTUDO DE CASO DO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE/RS – BRASIL
Fecha:Miercoles, 2 de Enero, 2019  22:48:36 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 3/19
 
 

 

 

 

A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO ORGÂNICA NAS FEIRAS LIVRES: UM ESTUDO DE CASO DO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE/RS – BRASIL

 

 

Camila Oliveira Baptista

 

 Jussara Mantelli

Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, Brasil

 

 

1.      Introdução

 

Este artigo refere-se à comercialização da produção orgânica nas feiras livres do Município do Rio Grande / RS, considerando as possibilidades e restrições. As feiras livres proporcionam aos agricultores um caminho de autonomia e fortalecem as relações de desenvolvimento local, territorializando os alimentos. Dessa forma, esse circuito curto de comercialização, especificamente representado pelas feiras livres, proporcionam uma interação através da venda direta dos produtos ao consumidor. São muitas as vantagens desse circuito entre elas, a proximidade entre o produtor e o consumidor; a promoção de uma maior segurança alimentar, através do consumo de alimentos de qualidade; o conhecimento sobre a origem do alimento e o fortalecimento da economia local.

No caso do município do Rio Grande, como é comum nos sítios urbanos, apresentam-se diferentes formas de comercialização da produção, bem como as lógicas de mercado conduzidas pelo sistema capitalista, onde nesses meios escoam diferentes tipos de alimentos tais como, alimentos industrializados, alimentos pré-prontos e in natura. Porém, é de suma importância destacar as feiras livres públicas, nas quais se dá destaque aos alimentos in natura ou minimamente processados, e à atuação de alguns agricultores de produtos orgânicos que encontram nas feiras uma forma de comercializar a sua produção de forma mais justa. Dessa forma, as feiras passam a ser um espaço de interação, onde o produtor interage com o consumidor, promovendo também troca de saberes, possibilitando ao consumidor saber de onde veio o alimento a ser consumido e como o mesmo foi produzido.

Esta pesquisa tem como enfoque a análise e compreensão da comercialização da produção orgânica nas feiras livres no município do Rio Grande/RS, Brasil.

Localizado no extremo sul do Brasil, o município apresenta aspecto climatológico de clima temperado com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, com precipitação de aproximadamente 1006 mm. A população total do município é de 197.228 habitantes, sendo a população rural de 7.799 habitantes e 189.429 de pessoas residentes na área urbana. A densidade demográfica é de 73,8 hab/km², de acordo com a Fundação de Economia e Estatística (FEE, 2013). A taxa de urbanização encontra-se em torno de 96,04%, um número expressivo de pessoas vivendo na cidade, caracterizando o município como predominantemente urbano.

Segundo dados do IBGE (2006) 74,57% da área do município está concentrada em 84 estabelecimentos e os minifúndios que correspondem a mais de 700 estabelecimentos ocupam uma área de pouco mais de 2% da área agricultável em Rio Grande. A partir dessa análise, fica explicita a visão de duas vertentes do campo: a agricultura capitalista, mais de 50% da área do município está nas mãos de uma minoria, e a agricultura familiar que está fragmentada em pequenos lotes de terras, onde está a ênfase desta pesquisa, pois é nesta modalidade que estão inseridos os produtores orgânicos do município.

 

 

2.      Metodologia

Esta pesquisa tem como método o estudo de caso, com intuito de compreender os fenômenos sociais locais, referentes à comercialização de produtos orgânicos no município do Rio Grande. O método do estudo de caso permite que os pesquisadores entendam as características holísticas e significativas dos eventos da realidade, como o comportamento dos pequenos grupos (YIN, 2010). O espaço amostral da pesquisa, é o município do Rio Grande – Rio Grande do Sul, Brasil, e o recorte temporal utilizado é o período de 2017-2018. Utilizamos como metodologia uma pesquisa quali-quantitativa com enfoque empírico-analítico, buscando compreender as relações de produção com as características da localidade estudada, refletir sobre as questões ambientais e mapear as feiras livres que comercializam produtos orgânicos no município.

Em um primeiro momento, realizou-se a pesquisa bibliográfica seguido da pesquisa qualitativa, que teve como objetivo minimizar a distância entre a teoria e os dados empíricos obtidos em campo, para melhor compreender os fenômenos através da descrição e interpretação das informações coletadas sobre a organização e comercialização da produção orgânica no município. Já a pesquisa quantitativa foi realizada através da descrição dos dados coletados em campo, essa fase se deu por meio de indicações onde os próprios feirantes e/ou agricultores indicaram outros feirantes e/ou agricultores que trabalham com a produção orgânica. Dessa forma, a pesquisa de campo nos proporcionou um contato direto com a realidade do ambiente e dos produtores do município. A atividade de campo foi composta de aplicação de entrevistas semiestruturadas com os feirantes. Com isso, através do acompanhamento nas feiras do munícipio, verificou-se o processo de comercialização e a assiduidade dos produtores nas feiras. Pretendeu-se identificar as limitações, pois a produção orgânica exige, muitas vezes, um ciclo produtivo mais longo, o que restringe a comercialização.

 

3.      Resultados e Discussões

É importante ressaltar que na atualidade vem ocorrendo uma demanda crescente de alimentos saudáveis por parte dos consumidores. O acesso destes alimentos, pela população, tem sido uma preocupação constante frente ao modelo atual de produção que atua de forma a priorizar os melhoramentos genéticos e uso de agroquímicos. Esse sistema constitui-se como padrão utilizado pelo sistema capitalista desde a Revolução Verde, atuando como argumento de aumento da produtividade. Este modelo convencional de agricultura vem sendo questionado, devido à grande quantidade de insumos usados para produzir, seja pela adição de agrotóxicos, fertilizantes químicos, adubos e pesticidas, sementes geneticamente modificadas, entre outros, constituindo a lógica do agronegócio, considerada antagônica aos princípios da produção orgânica.

A partir dessa premissa, partiu-se para a identificação dos agricultores/feirantes (figura 01), onde foi adotado o método da indicação pelos próprios agricultores/feirantes para analisar o processo de comercialização da produção orgânica através das feiras livres. As feiras são uma das formas mais antigas de comércio, sendo que no passado os produtores trocavam seus excedentes de produção nos centros comercias. Mas estas vão além de uma forma de comércio, pois nelas se estabelecem também relações sociais, espaços de trocas de saberes, pontos de encontro das vizinhanças e uma forma de vincular o agricultor camponês com o consumidor da cidade, além de inserir pequenos agricultores. 

 

As feiras livres constituem-se de uma intrincada teia de relações que configuram um diversificado conjunto de ocupações, fluxos, mercadorias e relações sociais, caracterizando-se primordialmente como uma atividade de trabalho informal essencialmente familiar, onde os envolvidos na operacionalização são geralmente membros da família, gerando por sua vez uma grande demanda de serviços diretos e indiretos como transporte, insumos, embalagens e atendentes. (GODOY; ANJOS, 2007, p. 365)

 

Em 2014 a prefeitura municipal do Rio Grande desenvolveu um projeto intitulado Feiras Livres – Feira Cidadã, assumindo diversos objetivos, tais como: qualificar as feiras livres; dinamizar os espaços internos; reordenar a ocupação espacial; oportunizar a percepção pela população de que as feiras são locais de produção sustentável e farta de alimentos e que possuem um papel importante na relação de consumo e venda direta; promover o desenvolvimento rural do município; estimular a conversão agroecológica das propriedades rurais e aperfeiçoar os sistemas produtivos, qualificando a relação entre a agricultura e o meio ambiente; contribuir para o desenvolvimento de incitativas de economia solidária e para o acesso das populações envolvidas nas políticas públicas relacionadas; propiciar a qualificação dos feirantes nas áreas de gestão, higiene e concepção de grupo; desenvolver técnicas agroecológicas para a produção de alimentos em Rio Grande; firmar parcerias institucionais com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul no fomento à comercialização direta e no desenvolvimento rural. Além disso, as feiras livres possibilitam o fortalecimento da economia local e uma maior autonomia ao agricultor onde o mesmo não fica sujeito ao sistema mercadológico.

 No município, segundo os dados da prefeitura municipal juntamente com a secretaria de desenvolvimento primário existem 35 feiras livres distribuídas nos bairros e centro da cidade, com a presença de 233 feirantes no cadastro atual. Entre eles se fazem presente produtores, comerciantes, artesãos e pescadores, e segundo o cadastro da Secretaria do município de Rio Grande, as feiras contam com 94 bancas de hortigranjeiros, 81 bancas de miudezas, 20 bancas de produtos coloniais, 25 pequenos produtores de hortigranjeiros, incluindo dois floricultores e 13 feirantes pescadores.

 

 Figura 01: Distribuição espacial das feiras livres com produtores orgânicos no município do Rio Grande

Fonte: Malha digital IBGE. Adaptado por Camila Baptista (2018).

  

  Dessa forma, as entrevistas foram realizadas em cinco feiras do município onde foram realizadas seis entrevistas. Importante destacar que entre os entrevistados um feirante não tem a produção realizada no município, o mesmo se apropria da localidade para comercialização pela insuficiente disponibilidade de produtos por parte dos agricultores do Rio Grande. Sobre as questões que despertaram essa pesquisa surge a articulação dos produtores orgânicos, que atuam no mesmo espaço das feiras de produtos convencionais, não possuindo um local próprio de comercialização da produção orgânica, deixando-o no mesmo patamar de importância de um produtor convencional, aos olhos do consumidor, inclusive no que tange ao preço dos produtos.  Nesse sentido, muitas vezes o consumidor não percebe a conjuntura e os processos envolvidos na qualidade do alimento, que é mais saudável, bem como a relação mais justa entre sociedade e natureza. Além disso, pelo fato de essas feiras dividirem o mesmo espaço com aquelas de produtos convencionais, são colocadas num contexto quase que desigual no que tange o processo de comercialização, já que o produto orgânico tende a ter um custo maior que o convencional, dadas as suas formas de produção e do trabalho envolvido.

Segundo dados levantados no campo, no que diz respeito ao questionamento referente a busca por produtos orgânicos, 66% dos produtores entrevistados apontam como regular a procura de produtos orgânicos pelos consumidores, apontando que ainda é pouco a procura. 17% deles apontaram como boa, e outros 17% como ótima.

A pesquisa buscou identificar como essas questões aparecem contextualizadas na visão dos agricultores, sobre como os mesmos percebem a inserção do consumo de orgânicos no município e quais as perspectivas e os desafios enfrentados pelos mesmos. Tais questões somam-se a importância de identificar onde estão inseridos esses produtores, a partir das localidades e as singularidades que se encontram. Bem como indagar a influência do poder público no que diz respeito as feiras livres nos quesitos de organização e infraestrutura. Dessa forma, foi constatado pelos entrevistados que a infraestrutura das feiras é de má qualidade, onde não existe um modelo para as bancas, em períodos de chuva e os espaços não são adequados, inibindo o acesso da clientela e prejudicando os próprios feirantes.

Já foi apontado que as feiras se constituem como importantes canais de comercialização. Assim mostra-se relevante a partir dessas prerrogativas, um levantamento através das entrevistas realizadas, sobre informações pontuais e complementares dos produtores orgânicos. Dessa forma, além dos esclarecimentos, as informações dadas pelos agricultores e/ou feirantes, forneceram uma ideia sobre a organização dos mesmos.

 

4.      Considerações Finais

Buscou-se compreender as dinâmicas estruturais referentes a comercialização de produtos orgânicos nas feiras livres no recorte espacial adotado. A pesquisa revelou uma carência na organização dos agricultores e a importância de criar feiras específicas para os produtos orgânicos, pois como indicado pela maioria agregaria um valor econômico maior, além da certeza sobre a utilização de alimentos saudáveis ao consumidor, dentre outras particularidades. No município não existem associações ou outras formas de cooperativismo voltadas para a produção orgânica. E o projeto em vigor na prefeitura se concretizou em apenas uma feira no município, a feira do produtor no Balneário Cassino, e as outras 34 com carência de infraestrutura.

Ainda é pouco significativo o número de agricultores que desenvolvem a produção dentro dos princípios orgânicos no município do Rio Grande/ RS. Dessa forma, referencia-se como pré-identificação sobre o problema, a importância sobre a necessidade do envolvimento e atuação de políticas públicas influentes e apoio ao controle das atividades exercidas referente à utilização e comercialização dos alimentos, incentivando uma priorização e mediação a partir desses produtos em referência a saúde, bem como qualidade e sustentabilidade sobre as vias de recursos naturais e ambientais. 

Dessa forma, o incentivo e a disseminação de informações sobre a importância e a viabilidade de inserir novas dinâmicas produtivas, poderá aumentar o número de pessoas a se inserir nesta modalidade produtiva. Também é importante alertar a sociedade sobre os malefícios que o atual modelo convencional de agricultura vem trazendo para a saúde humana e ambiental, no intuito de buscar uma alimentação mais saudável. Assim os produtores irão se enquadrar nas necessidades da demanda da população, podendo haver uma diminuição da produção baseada no atual modelo convencional de agricultura, tão nocivo à saúde humana e a natureza em prol de uma expansão da produção orgânica. 

 

 

Referências Bibliográficas

AQUINO, A. M. de; ASSIS, R. L. Agroecologia: princípios e técnicas para uma agricultura orgânica sustentável. – Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2005.

BAPTISTA, C. O. Agroecologia na produção de alimentos: diagnóstico do arranjo produtivo e da comercialização através das feiras livres no município do Rio Grande – RS. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal Do Rio Grande, Rio Grande - Campus Carreiros, 2018.

CÂMARA INTERMINISTERIAL DE AGROECOLGIA E PRODUÇÃO ORGÂNICA. Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Brasília, DF: MDS; CIAPO, 2013.

GAZOLLA, M.; SCHNEIDER, S. Cadeias curtas e redes agroalimentares alternativas: negócios e mercados da agricultura familiar. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2017.

GODOY, W. I.; ANJOS, F. S. A importância das feiras livres ecológicas: um espaço de trocas e saberes da economia local. Cadernos de Agroecologia, [S.l.], v. 2, n. 1, maio, 2007. ISSN 2236-7934. Disponível em: <http://revistas.aba-agroecologia.org.br/index.php/cad/article/view/1943>. Acesso em: 18.04. 2018.

IICA. Circuitos Curtos de Comercialização beneficiam produtores e consumidores. 2014. Disponível em: < http://www.iicabr.iica.org.br/noticias/circuitos-curtos-de-comercializacao-beneficiam-produtores-e-consumidores/ > acesso em: 05.04.2018.

OLIVEIRA, A. U. de O campo brasileiro no final dos anos 80. Organizado por João Pedro Stédile. A questão agrária hoje. Porto Alegre: Editora UFRGS, 1994. p. 45 – 67.

PENTEADO, S. R. Introdução à agricultura orgânica. – 2. ed. – Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2011.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos – 4. ed. – Porto Alegre: Bookman, 2010.

 

 


 

 

 

 

 


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