Inicio > Mis eListas > humboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 18361 al 18367 
AsuntoAutor
337/18 - Conectivi Noticias
338/18 - Alimentos Noticias
339/18 - XXI ENCON Noticias
340/18 - O DESENVO Noticias
341/18 - VIAJANDO: Noticias
342/18 - CRISE, E Noticias
343/18 - América: Noticias
 << 20 ant. | -- ---- >>
 
Noticias del Cehu
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 18698     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:NoticiasdelCeHu 340/18 - O DESENVOLVIMENTO DA AVIAÇÃO EM SANTA CATAR INA
Fecha:Lunes, 3 de Diciembre, 2018  11:11:18 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 340/18
 

 

 

III Congreso de Geografía Económica

Mar del Plata - 13 al 15 de junio de 2018

 

 


 

O DESENVOLVIMENTO DA AVIAÇÃO EM SANTA CATARINA

 

Gabriel Canisio Beckenkamp

Graduando em Geografia Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais

 LABEUR Universidade Federal de Santa Catarina Florianópolis

 Santa Catarina - Brasil

 

 

A possibilidade de voar sempre foi um desejo de muitas pessoas. E ele está sendo possível graças a aviação que está sendo desenvolvida desde os voos com balões, passando para dirigíveis, já motorizados, no final do século XIX e início do século XX, os primeiros planadores no início do século XX, desenvolvidos na Europa e Estados Unidos, e posteriormente o avião, década de 1910-20, impulsionado pela Primeira Guerra Mundial. Voar passou de um desejo, para a conquista de poder territorial e desenvolvimento econômico, significando mobilidade, comodidade, estratégia e rapidez. Tais possibilidades impulsionaram o desenvolvimento de ampla infraestrutura aeronáutica, de extrema importância para a economia mundial.

O desenvolvimento do setor aéreo no Brasil foi muito importante para o avanço da economia nacional e sua integração territorial. Em virtude de sua característica latifundiária, escravista e agroexportadora de sua economia na maior parcela de seu desenvolvimento, o país deu origem a uma série de arquipélagos regionais, formados por grandes núcleos urbanos ao longo do litoral que tinham mais contato com o exterior do que com o restante do território. Assim, por conta das dimensões continentais do país e a ausência da integração entre a diferentes regiões por estradas de rodagens, da característica de sua malha ferroviária que ligava o interior ao litoral sem a preocupação de integrar as diferentes regiões, o avião veio como forma de integrar essas regiões de forma rápida para regiões mais distantes.

A construção de Brasília foi um exemplo da utilização do avião para acesso durante sua construção. Após a inauguração, o meio aéreo foi o mais usado para oficiais e outros servidores poderem chegar a antiga capital, Rio de Janeiro.

Teve também grande importância no desenvolvimento econômico de outras regiões, como o caso de Londrina-PR. (ANDERSON, 1979) Em Santa Catarina, os voos iniciaram na década de 1910. Nessa ocasião, o exército nacional construiu uma base aérea na cidade de Caçador para aviões que seguiam para a Guerra do Contestado, sendo essa a primeira guerra em que um avião foi usado para motivos militares para observações do território que a guerra estava ocupando. Esse foi o primeiro campo de aviação do estado, e também a primeira vez que um avião sobrevoou os céus catarinenses. (COELHO, 2012)

O estado de Santa Catarina, devido a sua colonização, desenvolveu diversos centro econômicos em várias regiões do Estado. Esse processo ocorreu devido às diversas entradas de rios da bacia da Atlântico Sul, onde os imigrantes instalaram-se. A colonização do Sul do estado, região de Criciúma, foi principalmente de italianos e desenvolveu-se nessa região atividades ligadas ao setor extrativista de carvão e produção de cerâmica. No Vale do Itajaí, região de Blumenau e Itajaí, com colonização predominantemente alemã, desenvolve-se principalmente o setor têxtil. Norte, região de Joinville, com colonização semelhante a de Blumenau, os setores ligados à extração de erva e madeira, metal-mecânica recentemente. Florianópolis, com colonização açoriana/portuguesa, setor pesqueiro e produção de alimentos. Na serra, com colonização proveniente do tropeirismo e paulista e gaúchos, setores do papel e madeireiro e o Oeste de Santa Catarina com colonização mais tardia, de colonos, predominantemente italianos e alemães, no início da década de 1920, a agroindústria predominou.

Essa diferente colonização com diversos polos regionais espalhados por várias regiões do estado contribuiu para o desenvolvimento da aviação. Os aviões também serviram para a integração de todas essas regiões, principalmente devido ao relevo do estado, dificultado pela necessidade da transposição das serras do Mar e Geral.

Em várias localidades de Santa Catarina a aviação desenvolveu-se devido a iniciativas de moradores e proprietários de indústrias. Eles, possuindo conhecimentos relacionados ao setor, conhecimento de voo, alguns até sendo proprietários de aviões, eram capazes de financiar as obras para construção de campos de pouso, essas contando inicialmente com pouca infraestrutura. (QUINTILHANO, 2012)

Nesse sentindo, empresários dos ramos têxtil, metal-mecânico, cerâmico e agroindustrial, contribuíram na formação dos primeiros empreendimentos. Foram eles que financiaram a construção, e também por conta do movimento econômico que esses setores produziram nas cidades, como a chegada de clientes e empresários, que motivou o início da operação de voos para essas áreas.

Joinville teve a primeira iniciativa para construção de um aeroporto da década de 1930. Primeiramente foi criado a Aeroclube de Joinville, que foi posteriormente comprado pela prefeitura da cidade. A melhoria da estrutura veio nas décadas seguintes. Em 1941, com a construção de uma pista agora asfaltada, e na década de 1960, com a doação de terras feitas pela prefeitura de Joinville para a construção de um terminal de passageiros e cargas. (QUINTILHANO, 2012)

Em Blumenau a construção do primeiro campo de pouso também ocorreu na década de 1930, por iniciativa de empresários e moradores da cidade. Foi impulsionado após a visita de um aviador alemão, que na época fez uma apresentação na cidade falando da aviação alemã,o que fez alguns blumenauenses até construírem um planador. (QUINTILHANO, 2012)

A cidade de Itajaí, também no Vale do Itajaí, já possuiu aeroporto, inaugurado na década de 1950. Logo após, as instalações foram transferidas para o município de Navegantes. Na década de 1970 o aeroporto recebeu melhorias, passando a ter pista asfaltada e ampliada. Na década seguinte, a administração passou a ser da INFRAERO (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). Em 2004 ocorreu a internacionalização do aeroporto. (QUINTILHANO, 2012)

No Sul do estado, Criciúma teve seu primeiro aeroporto inaugurado em 1956. No entanto, foi fechado, por falta de estruturas adequadas, e um outro foi construído onde hoje se localiza a cidade de Forquilhinha, na década de 1970. O Aeroporto Regional Sul Humberto Bortoluzzi, situado na cidade de Jaguaruna, foi inaugurado em 2014, construído por iniciativa governamental, e hoje concentra os voos para essa região do estado. (QUINTILHANO, 2012)

No Oeste, os industriais locais foram os responsáveis pelo início das operações e construção de campos de pouso. Por exemplo a Sadia, que após uma reformulação de seus frigoríficos, começou a produzir produtos com maior valor embutido, e necessitou, consequentemente, de novos mercados consumidores, sendo São Paulo o principal. Assim, buscou novos meios de transporte, já que as mercadorias não poderiam ser transportadas da forma antiga, por trem, então comprou da estadunidense Panam três aviões Douglas. (ESPÍNDOLA, 1996). Omar Fontana, filho de Atílio Fontana, fundador da Sadia, foi quem teve a ideia de construir um campo de pouso na cidade de Concórdia-SC e iniciar as rotas para São Paulo, já que ele era aviador. Os voos iniciaram em 1955, possuíam várias escalas, obtendo muito sucesso, inclusive chegando a Brasília um ano após o início das operações. (COELHO, 2012)

Em 1965, a Sadia, após melhorias nas estradas e fabricação de caminhões refrigerados, iniciou o transporte de passageiros em seus aviões, e teve sua razão social trocada para Transbrasil. A empresa tornou-se uma das maiores companhias nacionais, porém, após vários anos de prejuízo, faliu. (ESPÍNDOLA, 1996)

Alguns outros aeroportos do oeste, como Joaçaba e Videira, também fizeram parte da rota da Sadia que seguia para o Sudeste. Joaçaba teve seu primeiro aeroporto construído em 1949. Na década de 1960, chegou a possuir voos de três empresas, que diminuíram posteriormente com a ampliação dos acessos terrestres. (COELHO, 2012)

A primeira cidade catarinense a construir um complexo aeroportuário foi Florianópolis. Pousavam na cidade hidroaviões usados pelas primeiras operadoras. A capital catarinense foi também sede do Centro de Aviação Naval, e posteriormente Base Aérea, por conta da sua posição estratégica e ações do governo federal que visavam a proteção da costa do Brasil (FORÇA AÉREA BRASILEIRA). Após o fim das obras da Base Aérea, foi decidido ampliar as instalações por aumento da demanda, assim criando o Aeroporto Hercílio Luz, homenagem ao antigo governador de Santa Catarina.

Diversas empresas aéreas já operaram em Florianópolis. Inicialmente o Correio Aéreo Nacional possuía base na cidade, porém só hidroaviões poderiam pousar. Posteriormente, a francesa Compagnie Générale Aéropostale, que inicialmente se chamava Latécoère, depois da Segunda Guerra Mundial, recrutou pilotos que atuaram na guerra para pilotar aviões com correspondências para a América do Sul. Essas viagens saíam da França, realizaram outras paradas na Europa, África, várias cidades do Brasil, incluindo Florianópolis, e seguiram para Buenos Aires e Santiago, que era o destino final das primeiras rotas realizadas para o sul. Essa rota era conhecida como Correio do Sul. (FAY, 2012)

A Aéropostale motivou a construção de vários campos de pouso para poder operar em todo território brasileiro, sendo os primeiros do país, anteriormente as primeiras aeronaves usadas eram hidroaviões. Daí a importância da companhia. A Aeropostale também criou um campo de pouso no bairro Campeche na Ilha de Santa Catarina, que posteriormente motivou a construção da Base aérea de Florianópolis.

A alemã Condor Syndikat, outra empresa que operava no Brasil, possuía rota do Rio de Janeiro para Rio Grande-RS, podendo estendê-la até Montevideo. Essa rota possuía escalas em São Francisco do Sul e Florianópolis, até seguir ao seu destino final. (QUINTILHANO, 2014)

A Varig (Viação Riograndense) também foi uma das companhias que operam no litoral catarinense. Ela operava voos saindo do Rio Grande do Sul e realizavam escalas em Florianópolis, São Francisco do sul e Itajaí. Santa Catarina já possuiu também outra companhia aérea a TAC (Transportes Aéreas Catarinenses), com sede em Florianópolis, realizando voos para o RIo de Janeiro.

Em 1957, Santa Catarina já possuía diversos aeródromos. Entre eles Joinville, Rio do Sul, Gaspar, Caçador, Bom Retiro, Araranguá, entre outros. A partir da década de 1980, a aviação catarinense não se desenvolve com tanta velocidade como anteriormente, mas continua avançando, com aeroportos e campos de pouso privados são criados em municípios catarinenses como São José, Porto Belo e Governador Celso Ramos.

Outras cidades de durante o impulso do desenvolvimento de campos de pouso no estado, criaram aeroclubes, incentivados pela população local. Entre elas estão Rio do Sul, Videira, São José, formando pilotos, algumas vezes com sendo as escolas certificadas pelo governo. Esse fato garantiu posteriormente às cidades estrutura para pousos também de outros aviões.

Atualmente, seis aeroportos catarinenses contam com operações das quatro maiores companhias aéreas que operam hoje no país, Tam, Gol, Azul e Avianca. São eles Joinville, Navegantes, Florianópolis, Jaguaruna, Lages e Chapecó. Outros aeroportos também contam com voos de companhias regionais. No ano de 2015, Santa Catarina registrou cerca de 6,2 milhões de passageiros. A quantidade de aeroportos com operações regulares mostra a boa estrutura que o estado possui, com várias regiões possuindo ligações para outras partes do país, diferentes de vários outros estados do Brasil. Essa rede aeroportuária garante ao estado progresso econômico e desenvolvimento de cada região.

 

BIBLIOGRAFIA

ANDERSON, Dole A. Transportes aéreos e Desenvolvimento econômico. In: ANDERSON, Dole A. Aviação comercial brasileira. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 1979. p. 11-16.

COELHO, Andutsa Aline. UM ESTUDO GEOGRÁFICO DO TRANSPORTE AÉREO NO BRASIL. 2012. 178 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Geografia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012. Cap. 178.

ESPÍNDOLA, Carlos José. AS AGROINDÚSTRIAS DO OESTE CATARINENSE: O CASO SADIA. 1996. 309 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Geografia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.

FAY, Claudia Musa. As viagens de Saint-Exupéry pela América do Sul. Estudos Ibero-americanos, Porto Alegre, p.1-7, nov. 2012.

FORÇA AÉREA BRASILEIRA. Histórico da BAFL. Disponível em: . Acesso em: 08 maio 2018.

OLIVEIRA, Geneci Guimarães de. VARIG DE 1986 A 2006: Reflexões sobre a ascensão e a queda da empresa símbolo do transporte aéreo nacional. 2011. 156 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de História, PontifÍcia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

QUINTILHANO, Diogo. TRANSPORTE AÉREO DE CARGAS EM SANTA CATARINA: DESENVOLVIMENTO E PERSPECTIVAS. 2014. 268 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Geografia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

SILVA, Odair Vieira da; SANTOS, Rosiane Cristina dos. Trajetória histórica da aviação mundial. Revista Científica Eletônica de Turismo, Garça, p.1-5, 11 jun. 2009.

 

 


 


Libre de virus. www.avast.com