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Asunto:NoticiasdelCeHu 293/18 - A DINÂMICA INDUSTRIAL DE PALHOÇA: 2000-2016
Fecha:Lunes, 8 de Octubre, 2018  15:15:20 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 293/18
 

 

                                                                                                                             III Congreso de Geografía Económica

Mar del Plata - 13 al 15 de junio de 2018

 


 

 

  A DINÂMICA INDUSTRIAL DE PALHOÇA: 2000−2016

 

Mario Will  

Mestrando do Programa de Pós-Graduação da UFSC

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis, SC, Brasil

 

 

Este artigo busca analisar a economia de Palhoça, tendo como foco principal os setores da indústria e da construção civil, que passaram a despontar no município a partir dos anos 2000. Para isto será apresentado um breve histórico da região desde os anos 60, quando tem início a inserção de Palhoça na Região Metropolitana de Florianópolis. Esse processo de conurbação começa a influenciar a cidade com a vinda de migrantes de várias partes, que começam a dar impulso à construção civil e com o surgimento das primeiras fábricas localizadas às margens da BR-101.

Mais tarde, a partir dos anos 90, o setor da construção civil é impulsionado pela vinda de grandes investimentos como os loteamentos Pedra Branca, Pagani e o Campus Universitário da Unisul. No mesmo momento, o Distrito Industrial de Palhoça passa a atrair um número maior de indústrias por meio de políticas municipais de isenção de impostos e cessão de terrenos. No entanto, o crescimento só conhece o seu boom partir dos anos 2000, quando as dinâmicas econômicas começam a se acelerar. A cidade passa a ser reconhecida como uma das que mais crescem no país, além de uma das melhores para se investir.  Palhoça passa a ser a bola da vez na atração de grandes investimentos nos setores da indústria e da construção civil, fatores estes que acabam alterando profundamente a estrutura da cidade.

A partir dos 60, com a inauguração da BR-101, dá-se o processo de expansão periférica de Florianópolis para a região continental, momento em que a cidade de Palhoça começa a receber migrantes de outros estados e regiões, atraídos pelo baixo valor da terra. Nesse período cresce o número vilas e loteamentos por intermédio do BNH (Banco nacional de Habitação), onde se concentram um contingente populacional de famílias de baixa renda. Por este motivo disto, Palhoça começa a ganhar características de uma cidade-dormitório, ou seja, de uma cidade onde a maioria dos habitantes se desloca para as cidades próximas em busca de trabalho.

Em 1989, essa realidade começou a mudar, quando é criado o Distrito Industrial de Palhoça, onde passam a funcionar unidades industriais de pequeno porte, do ramo de cerâmica, olaria, serrarias, esquadrias de alumínio. A partir daí o processo de desenvolvimento começa a ganhar impulso concomitantemente ao reaquecimento do setor da construção civil, que passa a se desenvolver a partir do estabelecimento de grandes loteamentos como o da Pedra Branca e do Pagani, ás margens da BR-101, além do Campus Universitário da Unisul.

Mais adiante, o crescimento começa a ganhar corpo em meados de 2000, quando a cidade ganha notoriedade nacional, em veículos de mídia, como umas das cidades mais dinâmicas do Brasil. Depois disto, o crescimento tanto em termos econômicos, PIB, perspectiva de consumo das famílias, quanto em marketing empresarial, passa a refletir em investimentos nos setores da construção civil e da indústria. Esse conjunto de fatores levou a multiplicação de loteamentos, edifícios, indústrias, em um ritmo muito superior as décadas anteriores e trouxe um ciclo de prosperidade para a economia palhocense.

Florianópolis, a partir da década de 60 em diante, firmou-se como uma cidade de serviços. Esta especialização ocorreu ainda nos anos 70, quando a maioria das indústrias e novos empreendimentos se transferiram para a área continental. As indústrias foram se estabelecendo as margens da BR-101, no município de São José, e por um processo conurbação com o entorno, foram se expandindo também para Palhoça (PELUSO, 1991).

Esse processo resultou no surgimento do Distrito Industrial de Palhoça, em 1989, sob o mandato do então prefeito de Palhoça, Paulo Roberto Vidal, que com a perspectiva de atrair indústrias para o município, criou o distrito localizado ás margens da BR-101.

O distrito passou a ocupar uma área 353.142,00m², da qual 244.267,55m² foram destinadas à instalação de indústrias, dando grande impulso ao setor. O município passou a abrigar inicialmente unidades industriais de pequeno porte, voltadas a suprir as necessidades mais urgentes da população urbana, dentro dos chamados insumos urbanos. Houve predomínio de fabricas do ramo de cerâmicas e olarias, mas também houve instalação de fábricas nas áreas de confecções, serrarias, esquadrias de alumínio, artefatos de cimentos, panifícios, calçados e produtos odontológicos (LOPES, 1999).

Durante a década 1970, Palhoça apresentou acelerado crescimento industrial, entretanto, no decorrer da década 80 passou por um momento de retração no setor devido à crise geral na economia brasileira. Mas a partir da criação do distrito industrial, em 1989, o setor voltou a crescer, gerando um notável incremento no número de pessoas ocupadas na indústria, conforme o Quadro 1:

ANO

1960

1970

1980

1986

1995

%

Biguaçu

150

189

799

781

1172

681,3%

Florianópolis

1665

2301

3800

3232

2941

76,6%

Palhoça

280

501

1053

1012

1398

399,3%

São José

338

565

2985

3361

4247

1156,5%

Quadro 1 − Pessoal ocupado na indústria e crescimento em porcentagem

Fonte: Adaptado de Souza (2011)

 

Os resultados positivos na indústria também refletiram no setor da construção civil, principalmente a partir dos anos 1990, quando houve a retomada da expansão urbana e da indústria da construção civil a partir da construção de prédios e loteamentos em diversos locais da região. Nesse período, constatou-se uma grande expansão urbana nos municípios de Palhoça e Biguaçu, transformando consideravelmente toda a fisionomia da Região da Grande Florianópolis, principalmente as margens da BR-101.

Um exemplo do processo de crescimento da construção civil foi à criação do Campus da UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina), em 1996. Inicialmente o Campus foi instalado no prédio do Colégio Maria Vargas, só depois ganhou uma estrutura própria dentro do recém-criado loteamento Pedra Branca (UNISUL, 2016).

Na década de 90, em nível local, o setor da construção civil teve grande impulso e iniciou um processo de recuperação a partir da vinda de grandes investimentos empresariais, principalmente dos loteamentos Pagani e Pedra Branca. Além da construção civil, o setor da indústria também voltou a crescer, impulsionado em grande medida pela criação do distrito industrial na década anterior.

O município de Palhoça, em 2007, em uma pesquisa do jornal Gazeta Mercantil, foi considerado o 25º município mais dinâmico do país a atrair novos empreendimentos. Isso levou o prefeito Ronério Heiderscheidt a afirmar, categoricamente: “Palhoça é o município que mais cresce em Santa Catarina”.  O slogan ganhou visibilidade através de outdoors espalhados pela cidade, fazendo repercutir na mídia a ideia do boom de crescimento que a cidade estava atravessando (TOLENTINO, 2009).

Um estudo realizado pela Florenzano Marketing, em 2009, mostrou quais as cidades que cresceram mais que a média nacional no ano anterior. Do total de 5.565 municípios brasileiros, foram pesquisados os 300 maiores mercados, aqueles com maior potencial de consumo. Nesta pesquisa, Palhoça foi considerada a cidade mais dinâmica Brasil, ou seja, aquela com maior potencial para investimento (FIESC, 2009).

A revista Veja publicou, no ano de 2010, matéria intitulada “A Força das Cidades Médias”, em que analisou o perfil econômico, social e urbano das 233 cidades do país com população entre 100 e 500 mil habitantes. O estudo revelou a explosão de crescimento econômico na cidade de Palhoça, que ficou na 6ª colocação na categoria vocação para o comércio. O estudo também revelou que Palhoça esteve entre as 106 cidades médias que mantiveram um crescimento igual ou superior à média nacional durante 2002 e 2007 (DE OLHO NA ILHA, 2010).

De acordo com dados do Ministério do Trabalho (Quadro 2), o número de empregos formais passou de 9.182, em 2000, para 38.105, em 2015, um incremento de 315,00%. Para o mesmo período, entre 2000 e 2015, o crescimento no número de empresas passou de 1.124, em 2000, para 4.516, em 2015, um crescimento de 301,78%. Os dados indicam que a cidade vem mostrando forte aquecimento nos setores da indústria, comércio, serviços e construção civil, fazendo com que se multipliquem a olhos vistos o número de fábricas no distrito industrial da cidade, bem como o de obras de engenharia, loteamentos e construções de edifícios, que começam a impor a verticalização em certas regiões da cidade.

 

Setor

2000

2015

Var. %

Empr

Estab

Empr

Estab

Empr

Estab

Indústria

1736

219

5949

689

242,68

214,61

Construção Civil

1565

102

4440

536

183,71

425,49

Comércio

2034

495

10981

1787

439,87

261,01

Serviços

3794

288

16619

1482

338,03

414,58

Agropecuária

53

20

116

22

118,87

10,00

Total

9182

1124

38105

4516

315,00

301,78

Quadro 2 – Empregados e estabelecimentos em Palhoça: 2000 e 2015

Fonte: RAIS – MTE

 

Os setores que mais obtiveram crescimento no número de empregados foram os setores de comércio e serviços, em seguida veio à construção civil e indústria, por último ficou o setor de agropecuária, que cresceu, embora com baixo percentual. Em relação ao número de estabelecimentos criados, chamou atenção o setor de construção civil que obteve crescimento de 425,49%, demonstrando o aquecimento do setor imobiliário.

Durante o período de 2000 a 2013, o PIB de Palhoça apresentou crescimento substancial, passando de um PIB de R$ 395.672, em 2000, para R$ 3.971.575, em 2013, crescimento de 904,75%. No contexto estadual, até o ano 2000, Palhoça estava muito distante dos primeiros PIBs de Santa Catarina, ocupando a 21ª posição, porém, em 2013, a distância entre Palhoça e os primeiros colocados diminuiu de forma considerável, passando para a 10ª posição em nível estadual.

De acordo com dados do IBGE, Censo (2000) e estimativas populacionais, a população palhocense cresceu de forma acentuada durante os últimos anos, passando de 102.742 habitantes, em 2000, para 157.833 habitantes, em 2015, variação de 53,62%. Dados como estes demonstram que a população cresce de forma acelerada e isto acaba refletindo sobre o setor da indústria da construção civil.

De acordo com dados do CREA- SC (2016), dentre as cidades da região conurbada de Florianópolis, Palhoça vem apresentando o maior crescimento em relação ao número de ART’s (Anotação de Responsabilidade Técnica) e áreas a construir, o que pode ser verificado pelo número de canteiros de obras a céu aberto e no surgimento de vários loteamentos por toda a cidade.

Segundo Campos (2009), o empresariado da região da Grande Florianópolis observando o mercado favorável e altamente consumidor, com um elevado déficit habitacional, vem investindo maciçamente na construção e incorporação imobiliária em diversos pontos da região metropolitana. Nesse contexto, Palhoça, dentre todos os municípios região, está sendo a cidade com maior potencial de investimento para o setor, devido sua proximidade com a capital e o valor comparativamente mais baixo da terra, em relação aos mercados mais consolidados de São José e Florianópolis.

Segundo o SEBRAE (2016) a cidade de Palhoça concentra o maior número de estaleiros que produzem barcos no Brasil e uma ampla cadeia de fornecedores. Além disto, o município é o maior formador de mão de obra especializada no segmento, contemplando todo o processo produtivo das embarcações.

Neste sentido, a prefeitura de Palhoça lançou o PRONAU (Plano de Desenvolvimento do Polo Náutico de Palhoça) cujo objetivo é desenvolver o setor na cidade, viabilizando investimentos em projetos de infraestrutura, aproveitando a inteligência competitiva da região para fomentar parcerias estratégicas e para a geração de novos negócios (NÁUTICA 2016).

Um setor que Palhoça prevê crescimento nos próximos anos é o de tecnologia. A cidade buscou seguir o exemplo de Florianópolis, que apresenta atualmente três parques tecnológicos, criando uma parceria entre o Parque Pedra Branca, a UNISUL, a Prefeitura de Palhoça e Instituto de Apoio à inovação, incubação e Tecnologia de Palhoça (INAITEC) para implementar e operar a CELTA – Pedra Branca, uma empresa inaugurada em 2010 e que hoje conta 16 empresas inovadoras (CELTA, 2016).

Nesse mesmo sentido, buscando atrair empresas de tecnologia para o município, a Prefeitura de Palhoça apresentou o programa “Inova Palhoça” que promete transformar a economia do município. O programa comtempla uma série de incentivos fiscais e econômicos que visam atrair novas empresas para Palhoça. Ele tem como objetivo fomentar o desenvolvimento econômico de uma nova matriz econômica de base tecnológica, agregando valor à produção e trazendo menor impacto ambiental.

O desenvolvimento acelerado fez com que Palhoça deixasse para trás o estigma de cidade dormitório. Os habitantes que antes tinham de se deslocar para as cidades próximas em busca de emprego, agora encontram oportunidades na cidade, fato este que começa até a inverter o fluxo migratório, já que as indústrias de Palhoça têm atraído, cada vez mais, profissionais de outras cidades da região metropolitana.

 

RFERÊNCIAS

CAMPOS, Edson Telê. A expansão urbana na região metropolitana de Florianópolis e a dinâmica da indústria da construção civil. xii, [200] f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Florianópolis, 2009.

CELTA – CENTRO EMPRESARIAL PARA ELABORAÇÃO DE TECNOLOGIAIS AVANÇADAS. Disponível em: < http://www.celta.org.br/celta-pedra-branca.html/>. Último acesso em 15 de Agosto de 2016.

CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DE SANTA CATARINA – CREA-SC. Disponível em: <http://www.crea-sc.org.br/portal/index.php?cmd=estatisticos. Ùltimo acesso em 28 de julho de 2016.

DE OLHO NA ILHA. Palhoça é destaque Nacional na revista Veja, 2010. Disponível em: http://www.deolhonailha.com.br/florianopolis/noticias/palhoca_e_destaque_nacinal_na_revista_veja.html. Último acesso em 26 de julho de 2016.

FIESC – FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE SANTA CATARINA. Santa Catarina em Dados. V.19. Unidade de Acompanhamento Econômico Industrial. Florianópolis: FIESC, 2009. Disponível em: http://fiesc.com.br/. Último acesso em 20 de julho de 2016.

IBGE. Cidades IBGE. Disponível em: http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=4211900. Último acesso em 16 de Julho de 2016.

LOPES, Ester Warken Bahia; CARUSO, Marilea Martins Leal. Ocupação humana em áreas de manguezal o caso do manguezal de Palhoça, SC /. Florianópolis, 1999. xi, 138 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas.

PELUSO JUNIOR, Victor Antônio. Estudos de geografia urbana de Santa Catarina. Florianópolis: Secretaria de Estado da Cultura e do Esporte: Ed. da UFSC, 1991. 396p.

REVISTA NÁUTICA. Sebrae e prefeitura de Palhoça lançam programa para fortalecer setor náutico na região. Disponível em: http://www.nautica.com.br/pronau/>. Último acesso em 6 de Agosto de 2016.

SEBRAE. Prefeitura lança programa para fortalecer setor náutico em Palhoça, 2016. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sc/noticias/prefeitura-lanca- programa-para-fortalecer-setor-nautico-em- palhoca, 73f38208b9395510VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Último acesso em 5 de Agosto de 2016.

SOUZA, Geraldo Aldair. A inserção de Palhoça na região metropolitana de Florianópolis : sua reestruturação econômica e urbana na atual divisão territorial do trabalho. 196 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Florianópolis, 2011.

TOLENTINO, Marcelo. Palhoça é o município mais dinâmico do Brasil, segundo a Gazeta Mercantil, 2009. Disponível em: http://marcelotolentino.blogspot.com.br/2009/06/palhoca-e-o-municipio-mais-dinamico-do.html. Último acesso em: 16 de Julho de 2016.

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA – UNISUL. Disponível em: <http://50anos.unisul.br/timeline/>. Acesso em 8 de Julho de 2016.

 

 


 

 


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