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Asunto:NoticiasdelCeHu 373/17 - MONOPOLIZAÇÃO DO SETOR DE SEMENTES NO BRASI L E O DOMÍNIO ESTRATÉGICO DA MONSANTO
Fecha:Sabado, 23 de Diciembre, 2017  00:55:56 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 373/17
 

 

XIX Encuentro Internacional Humboldt

“América Latina: balance de una “década”

 

Rio Grande/ Pelotas – RS - Brasil

 

11 al 15 de setiembre de 2017

 

 

 

MONOPOLIZAÇÃO DO SETOR DE SEMENTES NO BRASIL E O DOMÍNIO ESTRATÉGICO DA MONSANTO

 

 

João Luciano Bandeira

Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis, Brasil.

 

 

 

Introdução

A Monsanto é uma empresa de pesquisa com gênese no setor farmacêutico, conseguiu um amplo desenvolvimento com a aplicação da biotecnologia na agricultura. Não figurava entre as maiores empresas de sementes na década de 1990, em 2006, conforme os dados da ISF, já era a líder mundial em vendas de tecnologias através de sementes (agro biotecnologia), com um faturamento de cerca de U$ 4 bilhões e 964 milhões. Em 2012 o seu faturamento com venda de tecnologias para sementes chegava a 8 bilhões e 582 milhões de dólares, que com a expansão da soja RR em países da África, Ásia e América Latina, recentemente, (que respeitam a Lei de Patentes) houve novos acréscimos ao faturamento da empresa estadunidense. Frente aos recentes acontecimentos envolvendo o mercado genético vegetal, compreender como se deu a expansão desta corporação no Brasil e no Mercosul é de grande relevância para melhor entender a agricultura brasileira moderna do século XXI.

 

Distribuição e Evolução dos OGMs no Brasil e Expansão da Monsanto (1997-2014).

Atualmente a Monsanto detém 90% das tecnologias relacionadas à transgenia no mundo, sendo que no Brasil a empresa assumiu a ponta com relação a lucro após a aprovação dos transgênicos e evolução dos mesmos como apontado na Tabela 01.

 

 

Tabela 01: Participação % dos OGMs nas culturas de soja e milho no Brasil (2007-2008).

CULTURA

2007/08

2008/09

2009/10

2010/11

2011/12

2012/13

2013/14

Soja

59,2%

64,8%

70,6%

76,1%

85,2%

88,8%

91,0%

Milho total

-

8,3%

32,6%

57,3%

68,1%

76,1%

81,5%

Milho 1a safra

-

4,9%

19,9%

44,5%

56,3%

54,8%

71,1%

Milho 2a safra

-

14,7%

52,9%

74,9%

83,3%

87,8%

89,9%

Fonte: Céleres (2014). Elaborado pelo autor.

 

 

No Brasil a Monsanto teve um desempenho de domínio do mercado que foi impressionante. Em 1997 a mesma sequer figurava entre as oito maiores companhias e em 1999 responde por 60% deste mesmo mercado. Isso mostra a magnitude do processo de domínio de mercado pelas corporações com a base tecnológica como apontado por Wilkinson & Castelli (2000), mostrando a magnitude do processo de monopolização no final da década de 1990. A nível mundial com o advento da transgenia a corporação se tornou a locomotiva do setor.

O interesse da empresa pode ser mais bem entendido no gráfico 01 que dá uma dimensão do mercado brasileiro na América do Sul. A empresa estadunidense já estava presente em outros mercados do Cone Sul, porém como podemos observar são mercados bem menos significativos que o brasileiro. Também havia o fato de não haver uma regulamentação para a produção com a transgenia nestes países. Assim, o desenvolvimento de novas lavouras para além das fronteiras nacionais se davam por “contaminação”, ou seja, os produtores começavam a produzir com OGMs antes mesmo de haver uma legislação que vigorasse dentro do país para tal uso.

 

Gráfico 01: Participação dos no Mercado de Sementes da América do Sul (2012)

https://lh5.googleusercontent.com/puFaE6bIeV_BW0Y30Obi1I0DWEzW8S0uguY-e4YOj5LY06tmyZD8I0S5kW2luVSoYcVjj9ADRl7PYLamUBn20rOog2fogXqTEvbAuOUqtZ6STfKA2hV3A5_hwssU5CtENJ4_H1-uWCWMzDf5

Fonte: ISF. Elaborado pelo autor.

 

 

Fora os atos de concentração da Secretaria de Acompanhamento Econômico que dão apenas informações pontuais, atualmente as informações sobre a participação de mercado das empresas sementeiras nacionais são muito vagas. Em 2007 a Revista Agroanalysis conseguiu um panorama do mercado: Dupont/Pionner, de 28% a 33%; Monsanto, de 25% a 30%; Dow AgroScienses, de 15% a 20% e Syngenta, de 10% a 15% e outras de 2% a 7%. Acreditamos que nas grandes culturas o panorama seja parecido, porém com a Monsanto liderando.

A competição acontece entre poucos grupos. No caso da tecnologia RR para soja há uma interligação em torno da Monsanto pelas suas patentes, já que a mesma vende a tecnologia para outros grupos. Conforme Martins (2010). Em agosto de 2009 foi anunciada a vontade da Monsanto em aumentar o preço de suas novas sementes em 42% pelo fato de seu principal herbicida, o Roundup, ter tido uma queda nas vendas. Esta situação poderá se agravar ainda mais, recentemente começaram a serem especuladas de que a estadunidense Dow AgroSciences teria fechado acordo para comprar a Coodetec (Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola).

Com informações preliminares durante a pesquisa verificamos que as sementes da Coodetec oferecidas pelas cooperativas com tecnologia similar ao portfólio das multinacionais e suas subsidiárias oferecia um produto mais em conta e com melhor custo benefício. A venda desta sementeira brasileira pode ser mais um passo para que os preços continuem elevados e o agronegócio brasileiro dependente de empresas de fora do País no que tange ao mercado genético.

O Brasil é o quarto maior mercado de sementes do mundo como explanado no gráfico 01. Regiões agrícolas mais modernizadas costumam ter um mercado doméstico de sementes mais desenvolvido, a mesma acaba sendo um insumo da agricultura industrializada.

 

 

 

 

Gráfico 01: Os 10 maiores mercados mundiais de sementes (2012).

https://lh3.googleusercontent.com/mc8GHusIQ9uNyldSl7gzPQZDVXitvplAREUcLQsTsZ2LsH-1Ma31Ggh2qu6HmZ-gerMpBjExcNFkecRjMDa5M3lG__JBtger4KofDmDcfd4n1hq89QPeizmt3IaMChvx_8E_m5n7crre0A02

Fonte: ISF. Elaborado pelo autor.

 

 

Considerações finais

 

Com a desintegração da assistência técnica agrícola pública brasileira, a difusão de novas técnicas e tecnologias por parte dos institutos públicos de pesquisa ficou limitada. Isso somado ao amplo processo de desnacionalização que abriu caminho para as multinacionais dominarem este insumo estratégico. Neste ínterim com a aplicação da transgenia na agricultura se abriu uma nova dimensão tecnológica, com maiores resultados na produção e em técnicas de manejo. A legislação em torno das mesmas foi um fator importante na garantia de lucros das corporações, com o sistema de cobrança de royalties sendo um processo de racionalização do capital financeiro, garantindo ganhos futuros e drenagem da riqueza produzida pela agricultura em diversas partes do mundo.

Com a crise da dívida na década de 1980 finalizou-se o modelo de financiamento da agricultura que deu resultado positivo na década anterior. Em 1995 foi criada a Cédula de Produto Rural (CPR) tornada com liquidação financeira em 2000. Surge entre esse período nova legislação nacional e internacional sobre propriedade intelectual despertando a expectativa de lucros por parte de multinacionais que fizeram muitas aquisições de empresas brasileiras.

Verifica-se um elevado aquecimento no comércio internacional de sementes, com um amplo processo de concentração de capital, com fusões e aquisições espalhadas pelo mundo, com uma fusão entre empresas sementeiras em sua origem com as farmacêuticas e químicas, tendo uma dominação de poucas empresas sendo estas localizadas principalmente na Europa Ocidental (Alemanha, França e Suíça) e nos Estados Unidos da América. A lucratividade no setor atingiu níveis impressionantes, resultado do novo padrão tecnológico inaugurado na década de 1990 assim como a legislação que a rege.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ANDRIOLI, Antônio Inácio; FUCHS, Richard. Transgênicos: as sementes dos mal.2 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

WILKINSON, J.; CASTELLI, P. A transnacionalização da indústria de sementes no Brasil – biotecnologias, patentes e biodiversidade. Rio de janeiro: ActionAid, Brasil, 2000.

 

 


 

 


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