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Asunto:NoticiasdelCeHu 207/07 - Mulheres denunciam exploração da monocultur a da cana (Tatiana Merlino)
Fecha:Miercoles, 7 de Marzo, 2007  21:45:10 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticiasdelcehu @..................ar>

NCeHu 207/07


Brasil

Mulheres denunciam exploração da monocultura da cana

Organizadas pela Via Campesina, 800 trabalhadoras ocuparam e paralisaram as atividades de uma das maiores usinas de álcool do país, de propriedade da transnacional Cargill, líder do agronegócio mundial

 
Tatiana Merlino, *
de Patrocínio Paulista (SP)



O dia clareava quando cerca de 800 mulheres da Via Campesina e do MST saltaram de quinze ônibus vindo de 40 municípios de todo o Estado de São Paulo e ocuparam uma das maiores usinas de álcool do Brasil, da Cevasa, na cidade de Patrocínio Paulista, na região de Ribeirão Preto, SP. Como parte das manifestações da Via Campesina que acontecem em todo o país por ocasião do Dia Internacional da Mulher, as manifestantes entraram na usina de maneira pacífica com o objetivo de protestar contra o monocultivo da cana-de-açúcar e contra o agronegócio. A empresa foi escolhida "por simbolizar o agronegócio e suas mentiras em relação è produção de etanol e ao plantio da cana", afirma Kelli Mafort, da coordenação estadual do MST.

Em agosto de 2006, parte da usina foi vendida para a transnacional estadunidense Cargill. De acordo com a coordenadora do MST, na região de Ribeirão Preto, 99% da área cultivada está voltada à produção de cana. Entre as conseqüências desta monocultura, as mulheres denunciam a superexploração do trabalho de bóias-frias migrantes, que chegam a cortar cerca de 12 toneladas de mês. "Também achamos que essa discussão do etanol é oportunista. O setor sucroalcoleiro não é uma alternativa viável como tentam divulgar. O agronegócio da cana nada tem de energia limpa", denuncia.

De acordo com a Polícia Militar, que chegou ao local com duas viaturas, a situação estava sob controle. A direção da usina também afirmou: “respeitamos o movimento, cada um se manifesta da maneira que quer”, disse João Carneiro, diretor da Cevasa. As mulheres também se posicionaram contra a visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil. “A vinda de Bush é com o objetivo de avançar ainda mais a questão da energia e da cana. Isso pode aumentar ainda mais as mazelas dos trabalhadores”, afirma Soraia Soriano, da direção nacional do MST.

No mesmo dia em que as manifestantes ocuparam a usina, 500 trabalhadores do corte da cana da usina São Martinho, localizada em Pirandópolis (SP), ligados à Feraesp, paralisaram as atividades para protestar contra a baixa remuneração. De acordo com eles, em 2006, trabalhando o mesmo número de horas e cortando a mesma quantidade de cana recebiam cerca de R$ 1,1 mil; hoje, ganham apenas R$ 580. De acordo com reportagens publicadas na mídia corporativa, o presidente dos Estados Unidos teria a intenção de fazer uma visita à usina São Martinho em sua passagem pelo Brasil; as mulheres permanecem acampadas na usina e ainda não têm previsão para deixar o local.

A Cargill

Com atuação em 61 países, a empresa transnacional Cargill tem sede no Estado de Minnesota (EUA) e possui as mais diversas atividades a partir do controle de recursos naturais. Desde a plantação de soja na Amazônia que, depois, é processada e vendida como os nuggets do McDonald´s na Europa, até produtos farmacêuticos, extratos vegetais e operações no mercado financeiro, especulando com a compra e venda de produtos agrícolas.

Esse vasto poder corporativo, travestido na ramificação de atividades, tem lhe rendido lucros expressivos. Em seis meses entre 2006 e 2007, a  Cargill global dividiu entre seus acionistas um lucro recorde de US$ 1,16 bilhão - 16% a mais do que o resultado do ano anterior. Só, no Brasil, em 2005, a empresa teve um faturamento bruto de R$ 12 bilhões – valor mais de 40 vezes superior ao que a União (governo federal, estados e municípios) investiu no Ensino Básico no mesmo ano (leia mais aqui).

A transnacional estadunidense começou a investir recentemente nas usinas de cana-de-açúcar. A compra da Cevasa, efetuada em junho de 2006, representou a entrada da empresa nesse mercado. A unidade tem capacidade para processar 1,4 milhão de toneladas por ano e era controlada pelo empresário Maurilio Biagi Filho, um dos usineiros mais influentes do país. O objetivo da Cargill é entrar com seu poderio econômico nesse mercado, aproveitando a perspectiva de crescimento da demanda por agrocombustíveis (leia mais aqui).

Um movimento que pode ser seguido por outras empresas estrangeiras ou milionários como o especulador global George Soros que, em fevereiro de 2006, comprou a usina Monte Alegre, em Minas Gerais. Uma consultoria estadunidense definiu como a "busca do ouro" a expansão do mercado do etanol.

Os Estados Unidos anunciaram que estão dispostos a ampliar o uso de etanol e, além disso, o governo do Brasil – o maior produtor global de álcool combustível – recebeu bem a proposta do presidente Bush de impulsinar  investimentos estrangeiros em usinas no país. Os atrativos brasileiros para a cobiça internacional são óbvios: mão-de-obra farta e barata (levando em conta as condições semi-escravizantes dos cortadores de cana - leia mais aqui) e terra barata e vasta (na perspectiva de que o poder público é omisso no controle da grilagem e do descumprimento da legislação ambiental. Esses componentes indicam que, além de todo o impacto negativo de uma ampliação da cultura de cana-de-açúcar, pode ocorrer um processo de desnacionalização das terras brasileiras e da própria produção do etanol, já que as usinas vêm sendo abocanhadas pelo capital externo (leia Editorial do jornal Brasil de Fato).

A Cargill trabalha para ser uma das principais empresas na produção do álcool combustível. A transnacional, que atua no Brasil há 40 anos e está presente em 180 municípios, já foi acusada de comercializar soja e milhos trangênicos sem a devida identificação no rótulo para o consumidor, como determina a legislação. Em 2004, um teste realizado no Porto de Paranaguá (PR) constatou que os grãos de soja armazenados eram transgênicos. Na Amazônia, a transnacional é acusada de expandir a fronteira agrícola, invadindo reservas florestais e indígenas, expulsando comunidades locais com plantações de soja. A empresa vende ao consumidor final, entre outros produtos, o óleo Liza, óleos Mazola, óleos e molhos para saladas Purilev, azeites de oliva Gallo, óleo compostos Olívia, azeites de olívia La Española e a maionese Gourmet (* colaborou Jorge Pereira Filho).


Fuente: www.brasildefato.com.br , 7 de marzo de 2007.