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Asunto:NoticiasdelCeHu 931/06 - Brasil - Enciclopédia 'Latinoamericana' (E ntrevista a IVANA JINKINGS
Fecha:Miercoles, 23 de Agosto, 2006  21:49:46 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticiasdelcehu @..................ar>

NCeHu 931/06


Brasil

ENTREVISTA - IVANA JINKINGS

Enciclopédia 'Latinoamericana' reúne informações sobre os últimos 50 anos de nosso continente

Obra de referência inédita traz ensaios temáticos e verbetes sobre os últimos 50 anos dos países da América Latina, assim como biografias de personalidades e verbetes sobre processos econômicos, educacionais, políticos, sociais, étnicos, culturais, midiáticos, científicos, tecnológicos e esportivos que conferem identidade própria ao continente.


SÃO PAULO - "Literatura, cinema, teatro, música, artes plásticas, dança, diversidade cultural, sexual e racial. Trabalho, economia, esquerda, energia, arquitetura, urbanismo, educação, relações internacionais, pensamento social, geopolítica. Brasil, Argentina, México, Chile, Venezuela, Bolívia, Cuba, Haiti, Montserrat, Turkis e Caicós, Anguila. Esta enciclopédia procura dar conta de uma ampla gama de temas e de todos – absolutamente todos – os países e territórios sob ocupação estrangeira da América Latina e Caribe, para oferecer uma visão crítica abrangente e múltipla do último cinqüentenário de sua história".

Assim começa a apresentação da Latinoamericana - Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe, lançamento pioneiro da Boitempo Editorial que acontece nos próximos dias no Rio de Janeiro e em São Paulo (veja serviço abaixo). Coordenada por Emir Sader, Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile, a enciclopédia apresenta ensaios temáticos e verbetes sobre os países e territórios que integram o continente, assim como biografias de suas personalidades mais destacadas e verbetes sobre os fenômenos e processos econômicos, educacionais, políticos, sociais, étnicos, culturais, midiáticos, científicos, tecnológicos e esportivos que lhe conferem identidade própria, assinados por notáveis representantes da intelectualidade latino-americana: Álvaro García Linera, Ana Esther Ceceña, Aníbal Quijano, Atilio Boron, Edelberto Torres-Rivas, Emir Sader, Fernando Martínez Heredia, Flávio Aguiar, Francisco de Oliveira, Gerardo Caetano, Héctor Alimonda, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Marcio Pochmann, Marco Gandásegui, Néstor García Canclini, Pablo Gentili, Ricardo Antunes, Theotonio dos Santos, Tomás Moulian, Vivian Martínez Tabares, Wilson Cano, entre outros. A este time soma-se um um colégio de consultores do qual fazem parte, entre outros, Aracy Amaral, Carlos Walter Porto-Gonçalves, Leda Paulani, Sérgio de Carvalho e um conselho consultivo composto por Boaventura de Sousa Santos, Eduardo Galeano, István Mészáros, Marilena Chaui, Michael Löwy e Pablo González Casanova.

São 980 verbetes, 1.040 fotos, 99 mapas, 80 tabelas, 46 fichas com dados gerais sobre cada país da região, em um conjunto de quase 1.500 páginas escritas por 123 autores de vários países que apresentam, a respeito dos últimos 50 anos da região, uma América Latina que emerge como um conjunto por meio de instituições e ações próprias, que supera a mera importação de ídolos e modelos externos para fazer sua história.

“O projeto da Latinoamericana – Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe nasceu da necessidade de resgatar o continente, depois que políticas e concepções neoliberais rebaixaram nossos países a meros campos de investimento e de especulação” – explica o sociólogo Emir Sader, na introdução – “A bibliografia sobre a América Latina e o Caribe foi vítima da mesma degradação que sofreram nossas nações. À predominância do capital financeiro correspondeu a prioridade de concepções economicistas, com interesse especulativo, em detrimento da história, da cultura, das identidades, das relações e dos movimentos sociais – enfim, de tudo o que compõe a vida dos países latino-americanos e caribenhos.”

Patrocinada pela Petrobrás, Eletrobrás e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e com o apoio da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, pretende também ser mais um passo na integração da América Latina, ajudando a aumentar o conhecimento e diálogo entre o Brasil e seus vizinhos.

A Boitempo responde por toda a parte editorial da enciclopédia, por isso, ouvimos Ivana Jinkings, editora da Boitempo e uma das coordenadoras da obra, a respeito deste lançamento que se deverá tornar obra de referência obrigatória para todos os estudos sobre os últimos 50 anos da América Latina. Leia, a seguir, os melhores trechos da entrevista:

Carta Maior - Ivana, na apresentação da Latinoamericana, lê-se: "Olhando de fora, essa região do planeta [A América Latina] ainda pode parecer uma grande oportunidade perdida". Gostaria que elaborasses o significado desta frase e como a publicação da enciclopédia empenha-se em sentido contrário.
Ivana Jinkings - Quis dizer que analistas conservadores continuam vendo a América Latina como se ela fosse um grande desperdício. Depois de ter crescido de forma contínua durante várias décadas, nosso continente foi afetado por transformações – em geral de caráter regressivo – nas últimas décadas do século passado. À estagnação econômica, enfraquecimento da capacidade de ação, somaram-se modificações em outros planos da sociedade: meios de comunicação, tecnologia, educação, somente para citar alguns. Mas a região também passou, de periférica e rural, para um espaço com identidade própria, com fenômenos históricos, culturais, políticos e econômicos de peso mundial. A partir deste início do século XXI, no entanto, a fisionomia latino-americana começa a mudar radicalmente, projetando-se uma imagem nova e com características próprias.

Alguns estudos e pesquisas acompanharam essa evolução, gerando um pensamento social original, como as teorias da Cepal, as da teologia da libertação, as teorias da dependência, as educacionais de Paulo Freire, entre tantas outras. Mas nada até hoje havia sido feito de forma sistemática, como se encontra agora na Latinoamericana. Nossa enciclopédia reúne os principais conhecimentos, atualizados, a trajetória do continente e de cada um de seus países, assim como de seus personagens – políticos, culturais, científicos – mais importantes, e os processos históricos e fenômenos que definem sua identidade e permitem avaliar o potencial para criarmos o futuro soberano e justo que todos sonhamos para a América Latina. Essa publicação – resultado de uma co-edição do Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da UERJ com a Boitempo – atualiza e difunde o conhecimento de quais são atualmente os seus países e a região no seu conjunto, para poder debater e criar as alternativas para o destino e o futuro da América Latina.

CM - Também se lê na mesma apresentação: "A Latinoamericana tem cara, opinião, personalidade". Pergunto: que cara, que opinião, que personalidade?
IJ - A "Latinoamericana" dá atenção especial às mudanças em curso num continente em que as coisas pareciam nunca mudar, para logo em seguida transformarem-se de maneira violentamente rápida. Ela reflete também o processo de tomada de consciência dessa parte fundamental do chamado Novo Mundo, que é o Brasil (até recentemente nos sentíamos muito pouco latino-americanos). A enciclopédia projeta as diversidades geográficas e temporais do continente, em ensaios e verbetes escritos por intelectuais que representam o melhor do pensamento crítico da América Latina e Caribe. Apesar de todas as limitações de espaço, que obviamente tivemos, os textos – que talvez num ou noutro caso enfatizem o aspecto político – tratam de maneira competente os mais deversos temas, como a economia, as questões sociais e culturais. Não nos limitamos ao conceito de uma obra de referência voltada somente à organização de verbetes, fomos muito além de um mero compêndio de dados. A preocupação principal dos coordenadores foi sempre com o rigor, desde a aceitação dos textos até sua edição, checagem de dados, ilustrações. A Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe é analítica, informativa e dela não excluímos ou tivemos a preocupação de escamotear, em nenhum momento, pontos de vista divergentes.

CM - Quais foram os principais critérios para a seleção de temas e verbetes?
IJ - Procuramos destacar, no conjunto, os personagens, os processos e as instituiçòes de maior importância continental. A Latinoamericana foi estruturada a partir de ensaios – sobre os países e territórios da América Latina, e sobre temas gerais como economia, trabalho, educação, geopolítica, energia, relações internacionais, estado, esquerda, diversidade cultural, literatura, cinema, teatro, artes plásticas, dança e muitos outros, sempre tendo como parâmetro a história do continente no último meio século. Os coordenadores estabeleceram o "esqueleto" inicial, ou seja, os títulos dos ensaios e a escolha dos autores. Depois, junto com cada autor, fizemos a lista dos verbetes chamados complementares. Em toda a fase de concepção da obra, o critério foi o de agrupar esses verbetes por países ou temas. Na montagem da enciclopédia, entretanto, que foi feita em ordem alfabética, essa ordem inexiste, e todos os títulos serão encontrados pela ordem de entrada. No final, fazendo o entrecruzamento entre os diversos assuntos abordados, há um sistema de remissões bastante eficiente. Em alguns temas, o autor do ensaio fez também os verbetes de sua área temática ou país, mas, em muitos casos, o autor fez somente o ensaio de sua área. A responsabilidade pela lista de verbetes – e sobre a redação deles – foi da equipe de coordenação.

CM - Como se elaborou na Latinoamericana a questão da proporção entre o Brasil e os demais países?
IJ - Em um primeiro momento tentamos estabelecer uma equivalência temática e territorial para os diversos assuntos nos textos encomendados. Tínhamos a preocupação de não fortalecer a idéia de que o Brasil é auto-referente, que se acha o país mais importante do continente, dando um peso desproporcional aos nossos assuntos e personagens. Como a obra deverá ser publicada em vários países da América Latina, e mesmo de outras regiões, procuramos estabelecer critérios de proporcionalidade, mas aos poucos fomos percebendo que eles também não podiam ser uma camisa de força. Que em alguns temas o Brasil deveria ser forçosamente privilegiado (casos de literatura, música), enquanto em outros, como cinema, era inegável a superioridade argentina, por exemplo. Em alguns países ficava claro que citar os dois ou três últimos presidentes eleitos não era importante; se estabelecíamos, por exemplo, três partidos por país, esbarrávamos no problema de que, em alguns deles, não havia mais que dois significativos a citar. Então os critérios foram vistos e revistos muitas vezes.

Mas o melhor da obra, os melhores textos – na minha opinião – são os que de alguma forma encontraram uma linha interpretativa própria, textos que procuram estabelecer ou questionar a existência de uma identidade latino-americana. O autor do ensaio sobre música, por exemplo – o porto-riquenho Ángel Quintero –, embute no seu ensaio a perspectiva do "desenvolvimento e características de uma expressão sonora própria", que ele identifica como latino-americana, de "alcance continental", ou seja, música/gêneros de identidade continental, o que poderia ser questionável do ponto de vista estético-musicológico e até mesmo antropológico, mas com certeza possível sob uma perspectiva de "processos sociais compartidos", conforme propõe esse autor. Quintero assume a idéia de
uma "identidade" sonora própria. Podemos, mesmo, concordar com a existência de uma música, ou músicas, que identifiquem a América Latina como um todo? Diante de tanta diversidade e práticas próprias de cada localidade, a não ser nos casos dos modismos praticamente impostos comercialmente por multinacionais, criando-se "ondas" em torno de certos gêneros ou artistas? Ele levanta dúvidas sobre: será que os latino-americanos, de forma generalizada, reconhecem-se mesmo em "uma expressão sonora própria"? Sob quais parâmetros elas podem ser
consideradas representantes dessa latinidade americana? Difícil tratar de
questões como essas num texto com dimensões enciclopédicas, mas o resultado, na grande maioria das vezes, é instigante e de altíssimo nível.

CM - Qual o papel da Latinoamericana na história e na consolidação da linha editorial da Boitempo?
IJ - A Boitempo completou uma décado no ano passado. Acho que a editora – que se lançou editando Napoleão, de Stendhal – pode orgulhar-se da história que construiu. Conquistamos um espaço no "mercado" editorial publicando livros de qualidade e com opções editoriais claras. Trouxemos ao Brasil obras inéditas de importantes autores do pensamento contemporâneo, como István Meszáros, Ellen Meiksins Wood, Slavoj Zizek, Giorgio Agamben, Franco Moretti, Edward Said, Perry Anderson, Fredric Jameson, Susan George, Terry Eagleton, John Holloway, François Chesnais e outros. A Boitempo abriga também renomados intelectuais brasileiros como Francisco de Oliveira, Emir Sader, Ricardo Antunes, Leda Paulani, Michael Löwy, Leandro Konder, Paulo Arantes, entre muitos outros.
Abrimos espaço para novos ensaístas, como Isleide Fontenelle, Pedro Alexandre Sanches, Mariana Fix, Marcia Dias e na ficção também arriscamos, lançando as duas edições da antologia de escritores que criou uma marca, a "Geração 90", e apresentamos aos leitores brasileiros escritores estreantes como Edyr Augusto, Marcio Valença, além de outros já conhecidos como João Carrascoza e Roniwalter Jatobá. Também criamos uma coleção que busca resgatar nosso apego a São Paulo – a coleção Paulicéia, que publicou livros sobre bairros, personagens, eventos e
idéias da cidade e do Estado, com autores como Lourenço Diaféria, Sócrates, João do Rio e Marcia Camargos. Outro projeto importante foi o de disponibilizar no Brasil a obra de Marx e Engels, em novas edições comentadas, com cuidadosas traduções diretamente dos originais em alemão. Lançamos o Manifesto Comunista, A sagrada família, Manuscritos econômico-filosóficos, Crítica da filosofia do direito de Hegel e Sobre o suicídio. No começo do ano que vem, sairá, pela primeira vez, a edição integral em língua portuguesa de A ideologia alemã. Ainda este ano, publicaremos uma obra há muito acalentada, os Prolegômenos a uma Ontologia do ser social, de Georg Lukács, que será seguido no ano que vem da edição completa da Ontologia.

Acredito que a Boitempo vem contribuindo de forma importante para a ampliação do debate de idéias, num tempo em que a auto-ajuda, esotéricos e obras sobre governança empresarial, marketing e qualidade total inundam as prateleiras das livrarias e as páginas dos cadernos culturais. Não são poucas as dificuldades que a monopolização e a globalização do mercado editorial significam para editoras independentes e críticas como a Boitempo, na distribuição e na divulgação. Sem atalhos, estamos construindo um catálogo que não fez e não faz nenhuma concessão ao "mercado", não transigimos na linha escolhida e acreditamos que há espaço e há público para obras de qualidade. Que é possível
fazer uma linha editorial diferenciada da mediocridade midiática que atua com um olho na caixa registradora e outro nas pretensas listas dos mais vendidos. É neste vasto espaço que nós atuamos. A publicação da Latinoamericana, que como eu já disse é um projeto que nasceu no Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, reflete essa tomada de posição. A enciclopédia, que sintetiza o melhor do pensamento crítico latino-americano, é provavelmente o passo maior da editora. Acredito que ela consolide um lugar cativo para a Boitempo no mundo da cultura
e das idéias.


Na teia:

Carta Maior selecionou trechos da apresentação da 'Latinoamericana – Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe', para o leitor interessado em saber mais sobre a obra. (leia aqui)


SERVIÇO:

Lançamentos:


Rio de Janeiro:
25 de agosto, sexta-feira, às 14 horas
Em seminário do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso) - Hotel Glória - Rua do Russel, 632 – Glória

São Paulo:
28 de agosto, segunda-feira, às 19 horas
Anfiteatro da Geografia da USP
Av. Prof. Lineu Prestes, 338

Latinoamericana - Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe
Editoras: Boitempo e Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Univ. Estadual do Rio de Janeiro
21 X 28cm
1460 páginas
R$ 190,00.


Fuente: Carta Maior, 23 de agosto de 2006.