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Asunto:NoticiasdelCeHu 237/06 - AS LIÇÕES DOS MOVIMENTOS DE LUTA NO BRASI L, FRANÇA E ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE EM MARÇO DE 2006
Fecha:Miercoles, 29 de Marzo, 2006  20:30:23 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...........ar>

 
NCeHu 237/06

 
AS LIÇÕES DOS MOVIMENTOS DE LUTA NO BRASIL, FRANÇA E ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE
 EM MARÇO DE 2006


 
Celi Zulke Taffarel -
Professora Dra. Titular FACED/UFBA -
 Março de 2006

     
        

           
O presente texto tem o objetivo de extrair de três fatos, ocorridos nas três primeiras semanas de março de 2006, as lições imprescindíveis para avaliar as ações coletivas e reconhecer o que pode estar unificando e educando trabalhadores e movimentos de luta no mundo todo, para superar o modo de organizar a vida que tem como primazia o capital que subsume o trabalho humano, o alienando, com processos de superexploração da mais-valia relativa e absoluta, com a destruição de direitos e conquistas da classe trabalhadora, com desmonte do Estado e dos serviços públicos, com a não repartição de riquezas, modo este assentado na propriedade privada dos meios de produção.

            Os fatos que estamos considerando ocorreram no Brasil, na França e nos Estados Unidos e são os seguintes:

  1.. A ação promovida na quarta-feira dia 08 de março de 2006 pelo Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), ligado à Via Campesina, contra um laboratório e viveiros da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS), fato que colocou em ação as tropas da grande mídia privatizada para promover uma ampla campanha de demonização do MST. Em editorial com o título de "Cangaço Revolucionário", a Folha de S. Paulo afirmou que a ação foi movida por "2.000 delinqüentes", que "poucas vezes se viu manifestação tão obtusa" e "é com polícia e processo judicial que se 'dialoga' com quem invade e destrói". O Estadão noticiou na primeira página que o "Líder do MST apóia vandalismo". O conservador diário gaúcho/catarinense Zero Hora colocou na primeira pagina que a ação teve influência estrangeira, prejudicou investimentos prometidos ao Rio Grande do Sul e que as "mulheres invasoras debocharam dos estragos". O jornal O Globo abriu espaço para que o jornalista de ultradireita Reinaldo de Azevedo (editor do site Primeira Leitura) afirmasse que "O lugar de João Pedro Stédile, o líder de um movimento fantasma chamado MST, é a cadeia". O Jornal Nacional, também das organizações Globo, desqualificou o protesto e as entidades que lutam pela reforma agrária. O Jornal da Globo realizou gravação com câmera escondida e cita o coordenador do MST, João Pedro Stédile de forma pejorativa. A rádio CBN entrevistou Luiz Antônio Nabhan Garcia, presidente Nacional da União Democrática Ruralista (UDR), concedendo-lhe mais de quinze minutos para que expusesse todas as suas idéias reacionário contra o MST, a luta pela reforma agrária e o governo Lula. A imprensa, no entanto não noticiou com destaque o fato de que no dia 20 de janeiro de 2006 a empresa Aracruz Celulose S/A mobilizou helicópteros, bombas, armas e 120 agentes da Polícia Federal do Comando de Operações Táticas (COT), vindos de Brasília, para destruir duas aldeias e expulsar 50 pessoas dos povos Tupiniquim e Guarani de sua terra tradicional, no município de Aracruz (ES). Sem sequer receber uma ordem de despejo, os Tupiniquim e Guarani foram surpreendidos com o violento ataque. A ação, que resultou na prisão arbitrária de duas lideranças e deixou outras 12 pessoas feridas, teve todo o apoio logístico da Aracruz. Os 120 agentes receberam hospedagem e utilizaram o heliporto e os telefones da multinacional, fatos estes que motivaram a família real da Suécia a vender suas ações da multinacional devido às denúncias e fortes pressões contra a violação de direitos humanos cometidos e o desrespeito ao meio ambiente no Brasil.
  2.. Os protestos nos Estados Unidos da América do Norte contra o muro da vergonha e a segregação imposta em leis. A imprensa noticia que entre 500 mil pessoas, segundo a polícia, e um milhão, conforme os organizadores, participaram neste sábado 25 de março de 2006 de uma manifestação de rua em Los Angeles, em protesto contra um projeto linha-dura de legislação para a imigração nos Estados Unidos, que tem apoio do presidente George W. Bush. Os manifestantes exigiram anistia para os 11 milhões de imigrantes ilegais que se encontram no país. Entre outras medidas, o projeto prevê que se construa muros ao longo de um terço da fronteira entre os Estados Unidos e o México. O muro já vem sendo construído há anos e é o maior do mundo depois da milenar Muralha da China, mas segundo a Casa Branca precisa ser reforçado, pois é pela fronteira mexicana que entra a maioria dos clandestinos.
  3.. Greve geral anunciada pelos sindicalistas na França para o dia 28 de março de 2006 em defesa dos direitos e conquistas da classe trabalhadora na França. As conseqüências da retirada de direitos e conquistas é a pressão sobre a Juventude que será submetida à super exploração, em seu primeiro emprego, podendo ser demitida sem justa causa. Os estudantes, que já paralisaram diversas escolas e universidades, devem participar também do dia de luta - reeditando a frente de luta que teve seu ponto alto em maio de 1968. "Esta terça pode ser a hora da virada", previa ontem Bernard Thibault, secretário-geral da principal central sindical francesa, a CGT. Sindicalistas confirmaram a greve geral convocada para a próxima terça-feira dia 28 de março de 2006 em repúdio ao CPE. Os líderes das quatro principais entidades estudantis da França ignoraram um convite para uma reunião convocada para o sábado dia 26 de março de 2006, pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin. Disseram que continuarão com as manifestações contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), aprovado pela maioria governista no Parlamento no último dia 16 de março de 2006. O primeiro ministro propôs a reunião apenas para discutir mudanças na lei e não a sua retirada conforme reivindicam os estudantes. "A palavra está com a rua", sintetizava em sua edição de ontem o jornal Le Monde.
Estes acontecimentos demonstram concretamente a insatisfação e as reações em diversos paises contra a ofensiva do capital que, como nunca na história da humanidade, ataca com um poder destrutivo sem precedentes. Estes fatos nos demonstram que a classe trabalhadora recupera sua capacidade de ação e de luta em torno de suas reivindicações. Demonstram que é necessária a organização e a ação tática para que a estratégia tenha sucesso e avance para derrotar o capital e seu modo perverso, tirano, autoritário, totalitário de organizar a vida seja enfrentado e superado.

Portanto, tiramos daí lições importantíssimas:

1. temos que nos unir em torno de nossas reivindicações gerais - contra o que nos explora e destrói - o capital e sua expressão avançada, o imperialismo;

2. temos que nos unir em torno de nossas reivindicações específicas - juventude que reivindica trabalho, educação, lazer;

3. temos que construir frentes amplas que nos mobilizem em torno da defesa das conquistas dos trabalhadores e sua ampliação a todos;

4. temos que nos manifestar de forma organizada nas ruas, não podemos continuar sendo indiferentes porque a indiferença é um peso morto na história e permite que se amarrem os nós que somente serão desmanchados pela espada;

5. temos que ter nossas organizações - centrais sindicais, estudantis, partidos, com direções que não nos traiam e encaminhem a luta em defesa das reivindicações.

6. temos que enfrentar todo o aparato burguês que está na imprensa, nos poderes judiciário, legislativo, executivo que concentram o poder econômico e político;

7. temos que enfrentar a nossa própria acomodação, desesperança, nossas ilusões, nossos pseudoconceitos, enfrentar as pseudodemocracias, pseudoprocessos participativos, pseudoprocessos de inclusão;

8. temos que recolocar a nível planetário o que é organizar a vida colocando o planejamento global de organização da produção referenciado na emancipação humana, nas necessidades vitais humanas e não nos lucros do capital.

9. temos que nos educar e reeducar para retomarmos e avançarmos na organização dos movimentos sociais de luta, para sermos aliados, companheiros, camaradas, nos indignado e reagindo a cada violência impetrada ao ser humana e a natureza, lembrando que a maior violência é a propriedade privada, é a expropriação do trabalhador de sua força de trabalho, único fator que imprime valor a algo.

            Estas lições não se dão por si só, estas lições são dadas em coletivos, exigem condições objetivas para serem realizadas, apreendidas, aprendidas, retomadas, criticadas, re-elaboradas e superadas.

Necessário se faz romper e superar o que se impõe a nós no marco do capitalismo que é a construção da subjetividade humana mesquinha, medrosa, egoísta, individualista, oportunista, pragmática, competitivista, traidora da classe. Sem uma persistente militância cultural, no seio dos movimentos de luta, chamais seremos capazes de aprender tais lições porque o que determina a nossa consciência é o modo de nossa existência.

Como disse o jornalista Cristiano Navarro, do Conselho Indigenista Missionário, em relação à luta das mulheres campesinas no Brasil, "era de se esperar que a ação da Via Campesina fosse rechaçada por "rapinas e oportunistas", representantes do mundo da tecnologia e da propriedade privada, dois pilares do capitalismo. Mas é assim que avançam as lutas populares no Brasil. O povo organizado vai à frente tomando porrada de todos os lados e respondendo as urgências do dia-a-dia, enquanto busca aqui, ali e acolá os seus aliados - hoje tão difíceis de serem encontrados".


Fuente: ListaGeografia/Brasil.