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Asunto:NoticiasdelCeHu 101/06 - La situación haitiana (Mauricio Thurswol/Luis Oviedo)
Fecha:Jueves, 23 de Febrero, 2006  20:56:29 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...........ar>

NCeHu 101/06


Pensem no Haiti

Se realmente quer ajudar o povo haitiano com sua presença, o governo Lula deve deixar de ser o peão num tabuleiro estratégico que não foi montado por ele e buscar atender aos anseios dos haitianos. Isso quer dizer menos militares e mais profissionais que possam cumprir uma função social no Haiti.


O acordo político que pôs fim à crise eleitoral no Haiti e permitiu que o ex-presidente René Préval fosse declarado vencedor da corrida à Presidência da República, ainda no primeiro turno, coloca mais uma vez o Brasil no centro dos acontecimentos naquele país e reacende o debate sobre a permanência de militares brasileiros em solo haitiano. Principal articulador desse acordo, que fez com que os milhares de haitianos que ocupavam diuturnamente as ruas de Porto Príncipe em protesto contra o que qualificavam como fraude eleitoral voltassem para suas casas, o governo brasileiro, pela primeira vez desde o início da ocupação em 2004, assumiu um papel verdadeiramente político no processo. Para tanto, se opôs à linha de ação inicialmente imaginada pelos senhores históricos do Haiti (leia-se Estados Unidos e França), que não tinham Préval como o presidente dos seus sonhos.

Além do evidente interesse em evitar que a insatisfação popular descambasse para a violência generalizada, o Brasil demonstrou ter um pouquinho mais de respeito pela soberania do povo haitiano do que os países que de fato bancam essa “missão de paz”. Deveria agora buscar a coerência e retirar suas tropas imediatamente do Haiti. Se realmente quer ajudar o povo haitiano com sua presença, como diz, o governo Lula deve deixar de ser o peão num tabuleiro estratégico que não foi montado por ele e buscar atender aos anseios dos haitianos. Isso quer dizer menos militares e mais profissionais que possam cumprir uma função social, como engenheiros, agentes de saúde, agrônomos, etc. Quer dizer menos jovens soldados mal-preparados e propensos à violência e mais pessoas dispostas ao diálogo e dotadas de uma compreensão política que respeite a soberania haitiana. Porque é isso o que está em jogo.

Ao contrário do que vem sendo repetido à exaustão pela maior parte da mídia mundial desde fevereiro de 2004, mês em que o governo dos EUA apeou do poder e seqüestrou o então presidente Jean-Bertrand Aristide e deu início à atual fase de ocupação, o Haiti não vivia um caos que justificasse uma ação militar internacional. Quer dizer, vivia o caos social natural ao país mais miserável das Américas, com 45% de sua população analfabeta, taxa de desemprego de 85% e expectativa de vida de 49,1 anos (dados de 2003). É certo que a violência grassava em Porto Príncipe, mas não é assim em qualquer cidade grande nos países periféricos? Está claro que Aristide era um governante corrupto e seu governo um balcão de negócios, mas não existem piores?

O processo de instabilidade que vivia o Haiti em 2004 (e aí não sou eu quem diz, mas sim os relatos de diversas organizações da sociedade civil haitiana) tinha um caráter de mobilização popular que lhe emprestava um viés positivo. A queda de Aristide era mesmo uma probabilidade, mas poderia ter representado uma etapa de amadurecimento democrático para o país (tipo Collor de Mello) e não necessariamente a “chegada ao poder de grupos armados” como tanto insistiram EUA e França na ONU. Depois de Aristide, o único “grupo armado” que de fato chegou ao poder no país foi a Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah), tendo o Brasil como principal efetivo com quase mil e quinhentos militares.

Brasileiros de respeito que visitaram recentemente o Haiti, como o jurista João Luiz Duboc Pinaud, são categóricos ao afirmar que a presença de terríveis hordas armadas nas principais favelas de Porto Príncipe, como Bel-Air ou Cité Soleil, é um mito: “É lógico que existem bandidos, e até mesmo com armamento pesado, mas não mais do que no Rio ou em São Paulo”, diz Pinaud. Apesar de ter sido dito na ONU por diplomatas dos EUA que existiam “cerca de duzentas mil armas pesadas nas mãos de haitianos descontrolados”, em dois anos de ocupação só foram apreendidas inacreditáveis 265 armas! Ou seja, na estratégia de EUA e França as gangues armadas estão para o Haiti assim como as armas de destruição em massa estavam para EUA e Inglaterra no Iraque. O Brasil tem que sair imediatamente deste jogo sujo.

IMENSA ZONA FRANCA
Para os governos francês e estadunidense, é interessante que o Haiti continue a ser uma imensa fazenda ou uma imensa zona franca onde os operários da Nike ganham em um mês o que seus colegas de Miami ganham em uma hora. Por isso o Haiti foi sucessivamente ocupado ou controlado de fora pelos EUA, que mantiveram tropas no país de 1915 a 1934 e de 1994 a 1999 (liderando outra missão da ONU). Sem falar que, no atual cenário político mundial, é interessante manter prostrada uma nação que, não nos esqueçamos jamais, tornou-se independente pela revolução feita pelos escravos, ainda em 1804. É um exemplo de luta muito poderoso, perigosamente a meio caminho geográfico de Cuba e Venezuela.

O que tem o Brasil a ver com essa pretensão imperialista? Nada, certamente, salvo eventuais interesses particulares de um ou outro setor de nossa gulosa elite. O episódio das eleições mostrou ao governo Lula, espero, que esses caminhos divergentes não são conciliáveis nem sob a promessa de uma cadeira para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Todos os informes vindos da sociedade civil haitiana levantaram a suspeita de fraude na apuração desde seu início. Os focos seriam o interior, onde os proprietários de terras apoiavam os candidatos mais conservadores e o próprio Comitê Eleitoral Provisório onde, diziam os boatos, o diretor-geral Jacques Bernard havia recebido “um milhão de dólares” para evitar que René Préval ganhasse no primeiro turno.

Sim, porque mesmo sendo Préval um ex-aliado de Aristide e nem de longe um autêntico líder popular como, por exemplo, um Evo Morales, sua vitória não era desejada pelas elites haitianas, por França e por EUA pelo simples fato de que recolocaria a história do Haiti nos trilhos e reabriria o processo de fortalecimento dos movimentos sociais no país. Esses setores mais à direita nunca esconderam sua preferência por outros candidatos, como o também ex-presidente Leslie Manigat ou o mega-empresário Charles Baker. A liderança folgada de Préval na votação em primeiro turno era prevista, mas um eventual segundo turno, na visão de seus opositores, permitiria a formação de uma frente única capaz de derrotá-lo.

Por isso o acordo proposto pelo Brasil que daria a vitória a Préval no primeiro turno _ a adoção de um método de contagem de votos conhecido como “fórmula belga”, que distribui os votos brancos entres os candidatos respeitando a proporção dos votos válidos que cada um recebeu _ foi inicialmente rechaçado por EUA, Canadá e França, entre outros. Figuras a serviço deste bloco, como o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e o chefe da Minustah, Juan Gabriel Valdés, também se apressaram em manifestar sua “preocupação” com a proposta brasileira. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, contatou diversos líderes mundiais em busca de apoio, como os presidentes do Chile, Ricardo Lagos, e da Argentina, Néstor Kirchner, dois países que também mantêm soldados no Haiti. A proposta brasileira, no entanto, permaneceu inicialmente congelada pela secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, que pediu “um tempo para pensar”.

Dois dias depois, finalmente o bom-senso prevaleceu e a proposta brasileira foi aceita. Desde então, a vitória de Préval já foi reconhecida e saudada por todos os governos envolvidos na Minustah e, no âmbito interno, apenas os partidários de Leslie Manigat ameaçaram chutar o balde. Esse risco, no entanto, parece estar sendo controlado pelo bom início de Préval, que chamou todos os adversários ao diálogo e até mesmo já convidou alguns deles, como o esquerdista Chavannes Jeune, que chegou em quarto lugar, a tomar parte em seu governo. Préval já afirmou também que não vai se opor à volta de Aristide, que permanece exilado na África do Sul, dando mostras de que pretende mesmo destender o cenário político. A principal preocupação do presidente eleito é receber os US$ 6 bilhões de ajuda financeira prometidos pela ONU no início da “missão de paz” e que até agora, vejam que interessante, não deram o ar da graça no país.

Derrota do projeto imperialista

Parece claro, portanto, que a vitória de Préval, apesar de não ser nenhuma revolução, significou uma derrota, ainda que reversível, para o projeto imperialista no Haiti. Se tudo correr bem, deve colocar o país de volta a um caminho normal de avanço político que permita melhorar a vida de sua sofrida população. O maior fator de desestabilização para os haitianos agora, santa ironia, é justamente a “missão de estabilização”. O que deve fazer o Brasil diante disso? Botar a baioneta no saco e ir embora para depois voltar com outras tropas, sem armas e com muita solidariedade, para ajudar o povo haitiano em sua construção sem ciscar em sua soberania nacional. Para início de conversa, uma boa idéia para o governo Lula seria apoiar a iniciativa da Via Campesina e do MST de enviar agrônomos e médicos ao Haiti.

Infelizmente, os militares brasileiros continuam no Haiti e o mandato da Minustah foi renovado na semana passada por mais seis meses. Tia Condoleeza já disse que a missão “vai durar quanto tempo for preciso”, mas o governo brasileiro começa a dar sinais de fadiga. Figuras de proa como o assessor especial para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia já afirmam que o ideal seria as tropas brasileiras deixarem o país “assim que os riscos de violência generalizada estiverem eliminados”. A pressão pela saída está vindo também de setores do PT e da sociedade civil, mas o governo permanece irredutível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva limitou-se a afirmar, por intermédio de Celso Amorim, que ficou “muito satisfeito com o desenlace da crise eleitoral no Haiti”.

Lula talvez mantenha em relação a essa história de colocar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU a mesma “visão de grandeza” que adota, por exemplo, ao privilegiar o nefasto agronegócio que impede a agricultura familiar, atrapalha a reforma agrária e destrói o meio ambiente, apesar de passar uma imagem de desenvolvimento do país. Assim como o apoio aos megafazendeiros contradiz sua trajetória política, o papel atual do Brasil no Haiti também é estranho ao que se espera do país como líder regional de uma nova fase histórica, sem interesses imperialistas. Num tempo em que se fala em avanço da esquerda e na construção de alternativas bolivarianas para as Américas, o Brasil deve procurar ser um parceiro verdadeiro e demonstrar pelo povo haitiano o respeito e a admiração devido àqueles que foram os primeiros a se levantar contra a dominação imperialista. Para isso, é preciso que as tropas brasileiras deixem o Haiti imediatamente.



* Maurício Thuswohl é editor de Meio Ambiente e correspondente no Rio de Janeiro da Agência Carta Maior.


Fuente: Agencia Carta Maior, 23/2/06.
 

HAITI

Victoria de la rebelión

FUERA LAS TROPAS DE OCUPACION

Luis Oviedo

La pueblada haitiana quebró el fraude. La ONU, los gobiernos latinoamericanos y los yanquis debieron rendirse ante la rebelión popular. Los ocupantes temieron su propio linchamiento.

Para evitar esta catástrofe, la “diplomacia internacional” (en especial Francia y Estados Unidos) se vio obligada a imponer a la oligarquía la aceptación de la victoria de Préval. Hasta el final, la oligarquía se había negado obstinadamente. Según el enviado especial de Clarín (18/2), las discusiones entre “los empresarios y el establishment” fueron “salvajes”, incluidas las amenazas de muerte.

Pero ni el imperialismo ni la oligarquía se han resignado. Juan Valdez, jefe de la misión de la ONU, advirtió que “Préval recibió un importante apoyo de sectores muy poderosos de este país, de la burguesía nacional, que lo hizo de manera muy discreta” (Clarín, 19/2).

Por sobre todo, el imperialismo se valdrá de la continuidad de la presencia de las tropas de ocupación, cuyo mandato ha sido extendido por seis meses, pero podría extenderse aún más. John Maito, embajador norteamericano en la OEA, declaró que “el compromiso de la comunidad internacional deberá durar años” (La Nación, 19/2).

Más que nunca, ¡fuera las tropas de ocupación de Haití!


Fuente: Prensa Obrera 934, 23 de febrero de 2006.