Inicio > Mis eListas > humboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 5629 al 5648 
AsuntoAutor
795/05 - ESTUDIO D Centro H
796/05 - La comuni Centro H
797/05 - Argentina Centro H
798/05 - Bolivia - Centro H
799/05 - Proyectos Centro H
800/05 - El hambre Centro H
801/05 - Cursos pa Centro H
802/05 - A GEOGRAF Centro H
803705 - Buenos Ai Centro H
804/05 - HISTORIA Centro H
805/05 - URBANIZAC Centro H
806/05 - Bolivia - Centro H
807/05 - Alain Tou Centro H
808/05 - La educac Centro H
809/05 - "El narc Centro H
Argentina - "Refle Centro H
811/05 - Ref. 810/ Centro H
Re: NoticiasdelCeH Richard
812/05 - Argentina Centro H
Re: NoticiasdelCeH Jorge Ra
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
Noticias del Cehu
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 5839     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:NoticiasdelCeHu 780/05 - Brasil - O ciclo política da economía (marc io pochmann)
Fecha:Domingo, 12 de Junio, 2005  20:49:52 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...........ar>



NCeHu 780/05

"A terceira década perdida"


Brasil

O ciclo político da economia

MARCIO POCHMANN

O fracasso da estratégia da equipe econômica de puxar o freio de mão em 2005 e soltá-lo em 2006, ano eleitoral, pode custar muito caro não apenas ao governo Lula, mas, sobretudo, ao país, que já se encaminha para completar a terceira década perdida.

Com a decadência da mineração de ouro, a partir da segunda metade do século 18, o Brasil chegou a amargar – por cerca de sete décadas – uma longa fase de regressão econômica. Somente no início do segundo quartel do século 19, com a expansão cafeeira no sudeste do país, foi possível por fim ao período político de administração da crise econômica.

Na Depressão de 1929, o insucesso cafeeiro foi sucedido pela opção do governo Vargas de desencadear um projeto nacional de industrialização no país agrário-exportador. Mesmo que não desprezíveis, as reações provenientes da herança cafeeira, como a insurreição paulista de 1932, foram sendo acomodadas pelo forte crescimento econômico durante meio século de industrialização.

Logo no início da década de 1980, com a crise da dívida externa, o país perdeu o eixo do desenvolvimento nacional. De lá para cá, o Brasil tem-se caracterizado pela estagnação da renda por habitante. Em síntese: já se trata de ¼ de século ocupado por governos comprometidos com a administração da mais grave crise econômica desde 1840 no Brasil.

Quando o presidente Lula assumiu em 2003 havia a possibilidade de escalar uma equipe econômica progressista, comprometida com a ousadia necessária aos dias de hoje para por o país na rota de um grande projeto nacional de desenvolvimento. Prevaleceu, no entanto, a decisão presidencial voltada à escolha do caminho de menor resistência política, atrelada lamentavelmente à administração possível da crise do capitalismo brasileiro.

A atual equipe econômica – por saber que nesse cenário não há espaço para crescimento econômico sustentável diante da estreita possibilidade de expansão dos investimentos – tem procurado construir um ciclo político da economia nacional.

Em outras palavras, trata-se de puxar o freio de mão da economia em 2005, na expectativa de que no ano que vem possa promover alguma aceleração no ritmo de atividades capaz de embalar positivamente o cenário político das eleições presidenciais. Como não há fluxo interno de investimentos para elevar a capacidade de produção, nem tampouco ociosidade de equipamentos para sustentar dois anos seguidos de recuperação econômica, assiste-se a adoção - desde o final de 2004 - de medidas direcionadas ao esfriamento da economia nacional (elevação dos juros reais e da contenção dos gastos operacionais para ser alcançado maior superávit primário, compatível com a carga ampliada do endividamento público).

Construir um ciclo político da economia nacional no médio prazo não se constitui algo simples. O governo FHC, por exemplo, falhou em duas oportunidades. A primeira tentativa frustrada ocorreu em 1998, quando foi atropelada pela crise asiática, enquanto a segunda transcorreu antes das eleições de 2002, interrompida pelo o agravamento da crise energética.

O ingrediente necessário para que o ciclo político da economia dê certo é, por incrível que possa parecer, a sorte. Mesmo que a equipe econômica fosse uma maravilha e o conjunto do governo excepcional, não estaria afastado o imponderável, uma vez que grande parte das variáveis não é de governabilidade direta do presidente de plantão.

Diante das incertezas que representam as tentativas de administração da crise econômica via a construção de mais um ciclo político-eleitoral, o risco de mais um fracasso da equipe econômica poder custar muito caro não apenas ao governo Lula. Mas, sobretudo, ao país, que já se encaminha para completar a terceira década perdida.


Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Foi secretário do Trabalho na gestão de Marta Suplicy (PT) na Prefeitura de São Paulo (2001-2004).


Fuente: Agencia Carta Maior, 8 de junio de 2005.