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Asunto:NoticiasdelCeHu 685/05 - DESENVOLVIMENTO URBANO INTEGRADO E PRESERVA ÇÃO DE MANGUEZAL – UM PARALELO ENTRE O PROJETO S ÃO PEDRO (VITÓRIA - ES) E O PROJETO JOANES VIVO (LAURO DE FREITAS-BA)
Fecha:Jueves, 26 de Mayo, 2005  14:54:19 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...........ar>

NCeHu 685/05
 
 

DESENVOLVIMENTO URBANO INTEGRADO E PRESERVAÇÃO DE MANGUEZAL –

UM PARALELO ENTRE O PROJETO SÃO PEDRO (VITÓRIA - ES)

E O PROJETO JOANES VIVO (LAURO DE FREITAS-BA)

 

Dante Severo Giudice1

ABSTRACT

The urban development has on the last couple of years, leading to a chaotic urban expansion on the great cities, and this issue implies in a large engagement of areas, which it should be under permanently protection as the mangrove areas.

On that case we look for to make a parallel between a project developed by Vitória Municipality (São Pedro Project), and the Joanes Vivo Project, where this one was developed on the Lauro de Freitas district , on the metropolitan area of Salvador city.

The Rio São Pedro Project, has worked on a low profit area, and it would comprise on the much better life conditions, on the mangrove are preservation, on the local involvement of native people, on the development actions and on the development of connect public political actions, and to promote a kind of activities concerned on poverty and criminality eradication. The main purpose was to promote the upgrading of the leaving conditions of the local people by removing the shanty nowadays built on piles over the sea level and replacing them by well built houses; urbanization, with the new conception of a basic infra-structure; health and prevention campaigns and sanitary education as well; basic education and leisure; improvement on the public transportation; more jobs and profits, by implementation of professional improvement units.

The Joanes Vivo Project, besides of not to be so wide spread as the Rio São Pedro one, it develops on one end edge of the Joanes river, and it is a place where the people who lives there are from the medium to high economic level, where we can see the most luxurious condominium built on it. It seams basically by an environmental education point of view, a more conservative one.

By the way, the two projects has in common the urban expansion question in a mangrove area, as the first one has a characteristic for preservation itself and the other one is headed for the conservation point of view.

 

RESUMEN

En los últimos años, el desarrollo urbano ha llevado a una expansión desornada de las mayores ciudades, y esto implica en un comprometimiento de áreas que deberían estar sobre protección permanente, como los manglares.

En éste caso, buscamos hacer una comparación entre un Proyecto impulsado por el ayuntamiento Municipal de Vitoria - Estado de Espirito Santo - (proyecto São Pedro), y el proyecto Joanes Vivo en el Municipio de Lauro de Freitas, área Metropolitana de Salvador –Estado de Bahia.

El Proyecto Rio São Pedro operó en una zona de bajos ingresos, y consistía en la mejora de las condiciones de vida, preservación de áreas de manglares, participación de la populación local en el avanzo de las acciones, desarrollo de políticas públicas sectoriales articuladas, y promover actividades con la finalidad de erradicar la pobreza y la marginalidad. Tubo como principal objetivo impulsionar mejoras habitacionales mediante la remoción de palafitos del espacio de preservación y construcción de nuevas moradas; Urbanización con implementación de infraestructura básica; salud e campañas de prevención y educación sanitaria; educación básica y entretenimientos, incentivando el deporte y fomentando actividades culturales; mejora de transporte público; trabajo y renta a través de la instalación de unidades de capacitación profesional.

El Proyecto Joanes Vivo, a pesar de no ser tan amplio como el Rio São Pedro, se desarrolla en el trecho final del río Joanes, y en un área donde la población es de clase media alta, predominando los condominios de lujo. Objetiva básicamente la educación ambiental en una perspectiva más conservacionista.

En síntesis, los dos proyectos tienen en común la cuestión de la expansión urbana en área de manglar, siendo que el primero tiene como característica la preservación y el segundo, la conservación.

 

    1. 1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento urbano tem nos últimos anos, levando a expansão urbana desordenada das maiores cidades, e isso implica comprometimento de áreas que deveriam estar sob proteção permanente, como os manguezais.

No caso em questão, procuramos fazer um paralelo entre um projeto desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Vitória (Projeto São Pedro), e o Projeto Joanes Vivo, desenvolvido no município de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador.

O Projeto Rio São Pedro, atuou numa área de baixa renda, e consistia na melhoria das condições vida, preservação das áreas de manguezais, participação da população local no desenvolvimento das ações, desenvolvimento de políticas públicas setoriais articuladas, e promoção de atividades a fim de erradicar a pobreza e a marginalidade. Teve como objetivo principal promover melhorias habitacionais mediante remoção de palafitas das áreas de preservação e construção de novas moradias; urbanização, com a implantação de infra-estrutura básica; saúde e campanhas de prevenção e educação sanitária; educação básica e lazer, incentivando o esporte e desenvolvendo atividades culturais; melhoria do transporte público; emprego e renda, pela implantação de unidades de capacitação profissional.

O Projeto Joanes Vivo, apesar de não ser tão abrangente quanto o Rio São Pedro, se desenvolve no trecho final do rio Joanes, e em área onde convivem população carente e classe média alta, que habitam os condomínios de luxo. Visa basicamente a educação ambiental numa perspectiva mais conservacionista.

Em síntese, os dois projetos, tem em comum a questão da expansão urbana em área de manguezal, sendo que o primeiro tem como característica a preservação, e o segundo a conservação.

 

2. O PROJETO SÃO PEDRO

2.1 – Apresentação/Localização

O projeto São Pedro fez parte da política da Prefeitura Municipal de Vitória, de recuperar a área ocupada por treze bairros, na região denominada Grande São Pedro, noroeste da ilha de Vitória, visando a preservação das áreas de manguezais.

Na região relatada, situa-se um dos mais importantes ecossistemas estuarinos do Brasil, formado por extenso manguezal, situado na foz dos rios Santa Maria e Bubu, que abrange quatro municípios da Grande Vitória.

O município de Vitória, situa-se na ilha homônima, no litoral sudeste brasileiro. A população é resultante da miscigenação de brancos, negros e índios, com forte influência da imigração italiana no século XIX. Atualmente com mais de 350.000, é o pólo centralizador da Região Metropolitana da Grande Vitória, um conjunto de cinco municípios (Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana), que abriga quase metade da toda população do estado.

O Espírito Santo até a década de 1960, tinha sua economia centrada na agricultura, e a cidade de Vitória tinha como principal atividade o comércio e o porto, por onde era exportado a produção de café, e o minério de ferro, vindo de Minas Gerais.

Com o processo de industrialização desencadeado à partir daí, associado a desestruturação da atividade agrícola, começa a se intensificar o movimento campo-cidade, fenômeno comum em todas as regiões do país, que teve como conseqüência a "inchação urbana", à procura de novas oportunidades de trabalho.

Segundo dados do Projeto (PMV, 1997), a industrialização no Espírito Santo se dá a partir de projetos voltados para o mercado externo e hoje dois terços da economia capixaba têm relação com o comércio exterior. O desenvolvimento econômico foi centrado em grandes projetos industriais, sem a preocupação com a emergência das contradições sociais decorrentes da falta de um planejamento urbano que logo se tornou aparente. As ocupações espontâneas que refletem o padrão de acumulação capitalista vigente, surgem com força total em toda Grande Vitória, e a capital, recebe um grande fluxo migratório campo-cidade, provocando urbanização acelerada e gerando massa emergente de população empobrecida. Essa população vai ocupar áreas nos cumes dos morros, e em torno da ilha, nos manguezais sobre palafitas. Aflora a questão social e surgem com força os chamados movimentos sociais urbanos, de cunho reivindicativo, em busca das condições mínimas para sobrevivência na cidade. Novos atores apontam no cenário sócio-político com a presença marcante da Igreja Católica, que se fez "voz do povo" em pleno período da repressão política.

 

2.2 Histórico da Ocupação

A região de São Pedro, era até a década de 1970, uma pequena Colônia de Pescadores, na localidade conhecida como Ilha das Caieiras. Ainda nesta década, mais precisamente à partir de 1977, devido ao forte fluxo migratório, proveniente principalmente do interior do estado, sul da Bahia e noroeste de Minas Gerais, atraídos pela crescente industrialização da região metropolitana da Grande Vitória, e conseqüente perspectiva de obtenção de melhores condições de empregos, a região passou a servir como alternativa habitacional para essa imensa leva de migrantes.

Apesar dessa ocupação, no início da década de 1980, a municipalidade passou a usar a área como depósito de lixo, desencadeando o aparecimento da atividade de badameiro (elemento que cata e seleciona o lixo), como alternativa de renda e sobrevivência para a população ali residente. Desta forma, o mangue começou a dar lugar às palafitas, e o lixo, a exemplo do que aconteceu em Alagados (Salvador/Bahia), passou a ser utilizado para aterro de extensas áreas de manguezal.

Como tantas outras comunidades carentes espalhadas pelas grandes cidades, as condições precárias de sobrevivência impulsionaram a organização do povo, com o apoio da sociedade civil.

Esse movimento pró-urbanização, fez com que, durante quase toda a década de 1980, a prefeitura direcionasse ações neste sentido por todos os bairros do contexto. Este fato, apesar das ações serem pontuais, aumentou de forma significativa, a procura por áreas de mangues adjacentes, que passaram a ser pouco a pouco ocupadas, na esperança de uma possível futura urbanização.

 

2.2 ORIGENS DO PROJETO

As ações institucionais que nortearam o projeto, podem ser divididas em três fases:

1ª Fase (1977/1988): Os antecedentes: caracterizado pela luta pela moradia, devastação do manguezal, emergência da questão sanitária e organização popular .

Características: 1)Processo assistemático e imediatista, visando atender as pressões dos moradores. Predominou a urbanização com critérios definidos pela comunidade; 2) Decisão pela implantação da Usina de Lixo como resposta às denúncias sobre a qualidade de vida no bairro, além da necessidade de ser definida a destinação do lixo urbano; 3) Nenhuma preocupação com a preservação do manguezal por parte da sociedade, ou mesmo dos poderes públicos.

2ª Fase (1989/1992): Origens do projeto: Delimitação do manguezal e urbanização.

Características: 1) Delimitação/preservação do manguezal, com conscientização dos moradores; 2) Envolvimento das comunidades, principalmente na implantação dos critérios para uso e ocupação do solo; 3) Urbanização das áreas passíveis de serem urbanizadas, e melhorias habitacionais para as famílias a serem assentadas.

Nesta fase, a prefeitura passou a definir uma política para a região, estabelecendo diretrizes para a atuação na área. Algumas medidas propiciaram o desenvolvimento do novo programa, sendo a mais significativa, a conclusão da Usina de Lixo de Vitória. Além disso, foram estabelecidas como ações para esta fase, a delimitação da área de manguezal adjacente aos bairros a serem urbanizados, e a implantação de uma fiscalização efetiva e integrada por órgão ambientais das esferas municipal, estadual e federal; cadastramento de 4 mil famílias habitantes dos bairros adjacentes ao manguezal preservado; definição de critérios de parcelamento do solo, adotando-se limite máximo de tamanho do lote; indenização de benfeitorias; início de implantação da infra-estrutura urbana em toda a área definida como possível de ser urbanizada; começo da remoção de famílias ocupantes das áreas de manguezal delimitado; iniciado processo de reassentamento das famílias nas áreas urbanizadas; construção de casas-modelo de 48 m², em madeira.

3ª Fase (1993 a 1997): Continuidade e ampliação do programa – políticas públicas articuladas, preservação do manguezal e conquista da dignidade.

Características: 1) Continuidade e ampliação do programa; 2) Incorporação da prática de políticas públicas articuladas como direito do cidadão; 3) Expansão da urbanização aos bairros vizinhos.

As ações desenvolvidas nesta fase, foram marcadas pela maior injeção de recursos próprios e pela captação de recursos federais, o que contribuiu para a agilização da implementação das mesmas. Houve ampliação do universo do projeto, com programas complementares como Regularização Fundiária, Geração de Emprego e Renda, Capacitação Profissional, e outros, bem como a participação sistemática dos moradores nas ações globais sobre a região e a cidade, com a discussão do orçamento popular.

A partir daí o projeto ampliado ganha nova dinâmica e muda um pouco seu foco, com a ação integrada do governo por um conjunto articulado de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população, com intensificação e planejamento integrado envolvendo as seguintes ações: urbanização (envolvendo obras de saneamento básico, drenagem, pavimentação, iluminação pública, redes de água e esgoto e melhorias habitacionais), complementação da remoção das famílias, execução de obras de delimitação do manguezal preservado, em toda a região.

Dentre as diversas ações, vale destacar aquelas que envolveram o atendimento de direitos da cidadania, tais como, educação, saúde, ações educativas/preventivas de orientação, esportes e lazer, assessoria para fortalecimento da organização popular, segurança pública, transporte público, e emprego e renda.

2.3 Linhas do Projeto

As linhas ou eixos norteadores, envolve preservação ambiental, participação popular e implantação de infra-estrutura.

Preservação Ambiental

A ocupação do mangue provocou desmatamento, aterros, poluição com conseqüências desastrosas ao ecossistema, reduzindo a sua área, modificando drasticamente a qualidade da água e obviamente comprometendo a perda do vigor da sua biodiversidade.

Com o objetivo de preservar esse importante ecossistema da Região Metropolitana, a prefeitura municipal de Vitória definiu e implantou uma política de delimitação, fiscalização e educação ambiental para a área.

Segundo dados do projeto, essas ações foram desenvolvidas com a participação do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), SEAMA (Secretaria de Estado para Assuntos de Meio Ambiente), DPU (Delegação do Patrimônio da União), Capitania dos Portos, Polícia Florestal e o Ministério Público. Além desses órgãos, o projeto teve a apreciação e a aprovação do COMDEMA (Conselho Municipal do Meio Ambiente), órgão paritário, consultivo e deliberativo do município de Vitória.

 

Participação Popular

Houve ampla participação das comunidades locais nas discussões e acompanhamento do processo o que se refletiu na suspensão do avanço da degradação do manguezal, e no surgimento de uma consciência conservacionista.

Essas discussões aconteceram durante todas as etapas do trabalho, a partir das dificuldades surgidas. Com esse processo de integração garantiu-se a implementação das diretrizes estabelecidas, a manutenção dos limites da área de manguezal e o estímulo à permanência dos moradores nos bairros de origem.

Implantação de Infra-estrutura

Através da execução das obras de infra-estrutura básica, por parte da Prefeitura de Vitória, foi garantida, uma melhoria expressiva nas condições de vida da população local, cujo resultado mais significativo foi a redução do coeficiente de mortalidade infantil à praticamente metade.

 

3. O PROJETO JOANES VIVO

3.1 Apresentação/Localização

O projeto Joanes Vivo foi elaborado e desenvolvido pela Fundação Waldy Freitas, com o intuito de conservar a flora e a fauna do manguezal existente às margens do Rio Joanes, situado no limite dos municípios de Lauro de Freitas e Camaçari, no litoral norte do Estado da Bahia, região metropolitana de Salvador.

O projeto visou o desenvolvimento de três programas; um de educação ambiental, um de coleta de lixo e um de recuperação florística.

3.2 Histórico da Ocupação

A região do Rio Joanes era até a década de 1960, habitada pela população ribeirinha, característica das margens dos rios brasileiros, vivendo da pesca e da mariscagem no manguezal. Com o crescimento da cidade do Salvador, devido ao processo de industrialização, e a instalação do Complexo Petroquímico de Camaçari, foi iniciado na década de 1970, um processo de expansão urbana ao longo da costa atlântica, na direção do litoral norte do Estado, com a construção de condomínios fechados, para as classes mais abastadas. Alguns desses condomínios se apropriaram de parte do mangue, através de aterros, para dar continuidade ao processo de infra-estrutura básica. Além disso, alguns deles começaram a lançar dejetos líquidos e sólidos, direta ou indiretamente no rio e no manguezal.

3.3 Origens do Projeto

Os manguezais brasileiros estão sendo devastados, tanto em sua flora, como em sua fauna. No caso em questão, isso não é diferente, principalmente devido à falta de informação da população, inúmeras espécies, tanto da fauna como da flora estão desaparecendo, devido a ação antrópica.

Devido a grande importância do ecossistema, se fez necessário, a implantação imediata, do projeto de recuperação florística, que teve como prioridades, além da recuperação da flora, a educação ambiental, a retirada de lixo da referida área, e a conservação do manguezal, já que o mesmo tem grande valor ecológico, econômico, e conseqüentemente, social.

Embora a área envolva população com diferentes níveis educacionais e sociais, a questão da educação ambiental é primordial, pois todos contribuem, em maior ou menor escala para a poluição do manguezal.

3.4 Linhas do Projeto

O projeto foi desenvolvido através de três linhas principais, implantadas como programas. São eles: a) Programa Mangue Limpo; b) Programa Conhecendo o Mangue; c) Programa Mangue Vivo.

Programa Mangue Limpo

Visava a retirada diária do lixo do manguezal servindo também como ferramenta para a sensibilização e mudanças de atitude quanto à questão do lixo no meio ambiente.

O lixo era retirado por pessoas selecionadas nas comunidades carentes e por elas escolhidas. Os resíduos retirados eram colocados num contêiner, dentro de um dos condomínios da região e recolhido pelo serviço de limpeza pública de Camaçari.

Programa Conhecendo o Mangue

Programa alternativo de Educação Ambiental que atuou através de trabalhos educacionais, voltados para a conservação dos recursos naturais, com ênfase para o manguezal. Objetivava sensibilizar e incentivar crianças e adolescentes a trabalharem como protetores da natureza, e também como multiplicadores desta mentalidade junto às comunidades ribeirinhas, no que se referia à manutenção e conservação do meio ambiente, no qual as comunidades estão inseridas.

Como ponto de partida para a execução desse programa, foram feitas parcerias com as escolas e associações, possibilitando que os profissionais envolvidos no programa possam realizar palestras sobre a temática ambiental, nessas entidades, com a participação ativa do público, com a problematização dos temas, e preparação de matérias didáticos.

Programa Mangue Vivo

Teve como objetivo principal à recuperação florística do manguezal, através do replantio de mudas de flora nativa, tendo em vista que nem sempre a recomposição do manguezal consegue ser natural, necessitando haver a intervenção humana para uma recuperação mais eficaz. Esse processo constou da construção de um viveiro de mudas, replantio das espécies, e monitoramento das plantas durante um período de tempo, para se ter a garantia da recuperação da flora e conseqüentemente de todo o ecossistema.

 

4.0 PARALELO ENTRE OS DOIS PROJETOS

O Projeto Rio São Pedro, em Vitória-ES se caracteriza por estar localizado em zona periférica, resultante da ocupação espontânea, e conseqüentemente desordenada, que caracteriza as cidades do terceiro mundo, e de forma peculiar, as brasileiras, que tiveram seu crescimento acelerado pelo processo de industrialização, o que fez com que se acentuasse não só êxodo rural, mas também as migrações de pequenas cidades para os grandes aglomerados urbanos, como as regiões metropolitanas. No caso em questão, a ocupação de um dos mais importantes ecossistemas estuarinos brasileiros, formado por extenso manguezal, se fez a opção pela preservação da parte ainda não comprometida, através da conscientização dos moradores, e a recuperação da parte degradada restante, bem como pela manutenção da população carente já instalada (uma nova tendência que considera a remoção traumática para os habitantes), envolvendo-as principalmente na implantação dos critérios para uso e ocupação do solo, bem como no processo de urbanização das áreas passíveis de serem urbanizadas. A intervenção foi feita pelo poder público, tendo à frente a PMV que procurou integrar a área a malha urbana "legal", melhorando as condições de vida local, através do Programa de Regularização Fundiária e da titulação de 15 mil lotes; obras de urbanização em toda a área como parte dos recursos obtidos junto ao Governo Federal; construção de Estações para Tratamento de Esgoto; desenvolvimento de campanha de educação ambiental e sanitária de utilização adequada das redes de água e esgoto; desenvolvimento da campanha "não venda seu lote" objetivando a fixação da população no local; implantação do Proger – Programa de Geração de Emprego e Renda – para redução da "expulsão branca" e fixação da população da região; orçamento popular com discussão com a população de todas as prioridades para a região/bairro; implantação do Circo-Escola para complementação de atividades extra-curriculares e extensão à região, do Programa Cidadão-Criança; desenvolvimento de atividades produtivas, cursos e organização de associações produtivas, com estímulo ao trabalho autogestionário para incorporação em empresas associativas de trabalhadores do setor informal, pelo método de capacitação massiva; implantação do Programa Família Cidadã que consiste no apoio ao desenvolvimento sócio-familiar para as famílias em situação de risco, inclusive com garantia de renda mínima, combate à violência contra a criança e ao trabalho infantil; convênio com a P.M. para implantação da Polícia Interativa; convênio com o Poder Judiciário para ampliação do acesso à justiça para os moradores.

Por outro lado, o Projeto Joanes Vivo, em Lauro de Freitas-Ba, apesar de se desenvolver também em área de manguezal, tem características distintas, e não se propõe a ser tão abrangente quanto ao Projeto Rio São Pedro. Apesar de ter sido desenvolvido também em conseqüência da expansão urbana, atua numa área onde a pressão "por espaço" não é tônica, e tem características mais conservacionista. Envolve não só a população carente ribeirinha, mas também a população de classe média alta que habita os condomínios fechados nas áreas adjacentes ao manguezal, mas que contribuiu também, e talvez mais fortemente, para a degradação, com interferências diversas, como aterros e lançamentos de dejetos sólidos e líquidos, direta ou indiretamente no ecossistema.

É administrado por uma Fundação, o que torna as ações mais restritas, pela própria limitação orçamentária. Teve como objetivo retirar o lixo do rio e do mangue, sensibilizar a comunidade ribeirinha, aqui se referindo à todo população que vive às margens, sem distinção econômico-social, quanto a necessidade da conservação e preservação dos manguezais, e construir viveiro de mudas de espécies vegetais, visando a recuperação florística do mesmo.

Enfim, ambos os projetos são conseqüência do desenvolvimento urbano, em escalas diferentes, que afetam ecossistemas frágeis como os manguezais, e se não houver ação efetiva para tentar sanar os problemas, ou pelo menos minimizá-los, trará inúmeros problemas sócio-ambientais.

 

5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os projetos em questão têm em comum, o fato de enfocarem o desenvolvimento urbano integrado, envolvendo a questão dos manguezais, sendo que o primeiro trabalha com a perspectiva de integrar espaços clandestinos, à cidade "legal", proporcionando às famílias beneficiadas pelo programa, habitarem com segurança nos lotes que hoje ocupam, e estarem aptas a buscar meios de regularizar e melhorar suas habitações. Após as medidas implementadas, a tendência da região, é tornar-se um espaço economicamente viável onde ocorram as funções normais da cidade, de trabalho, moradia e lazer. Esta proposta do desenvolvimento de ações integradas, consorciando o trabalho de vários órgãos, faz parte de um moderno modelo de gestão das cidades que integra todas as ações do município com a parceria de organizações não-governamentais e a participação da população, todas voltadas para a melhoria da qualidade de vida numa perspectiva de garantia da cidadania. Por outro lado, o segundo trabalha com a perspectiva da conservação do ecossistema, procurando fazer um trabalho de conscientização, através da educação ambiental, com recuperação da parte do mangue que sofreu alguma agressão, evitando problemas futuros para a área, em virtude do crescimento urbano estar se intensificando na região, não com ocupação desordenada, mas com a construção de condomínios fechados, que abrigam uma população de nível intelectual mais elevado, mas que muitas vezes, não tem nenhum comprometimento com as questões ambientais.

É portanto de extrema importância que todos comecem a dar importância as questões ambientais quando do planejamento urbano, evitando problemas futuros, como é visto em muitas obras nas grandes cidades brasileiras.

 

REFERÊNCIAS

DIAS, F.J.K. Projeto Mangue Vivo. Lauro de Freitas: Fundação Wally Freitas, 2000.

GOMES, C. de M. T. Degradação ambiental e qualidade de vida em São Luis: A Ocupação dos manguezais por palafitas – Bairro da Camboa – MA. IN: VI Congresso Brasileiro de Geógrafos, Goiânia – GO, 2004;

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA. Projeto São Pedro. Vitória: PMV, 1997.

SILVA, J.J.A. da. Diretrizes para uso dos manguezais do Pina, Recife uma análise crítica. IN: VI Congresso Brasileiro de Geógrafos, Goiânia – GO, 2004;


1 Universidade Católica do Salvador - UCSAL

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Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina – 20 a 26 de março de 2005 – Universidade de São Paulo