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Asunto:NoticiasdelCeHu 673/05 - PERCEPÇÃO AMBIENTAL EM DUNAS COSTEIRAS NO L ITORAL SUL DE SERGIPE, BRASIL.
Fecha:Miercoles, 25 de Mayo, 2005  11:14:23 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...........ar>

NCeHu 673/05
 
 

 PERCEPÇÃO AMBIENTAL EM DUNAS COSTEIRAS NO LITORAL SUL DE SERGIPE, BRASIL.

Walter Uchôa DIAS JÚNIOR 1

Rosemeri MELO & SOUZA 2

RELAÇÃO HISTÓRICA ENTRE HOMEM E NATUREZA

Muito se têm discutido a respeito da atuação antrópica sobre a natureza em seu estado "primário", e principalmente o resultado dessa interação, que intervém na dinâmica dos ecossistemas, gerando danos ao meio ambiente e, conseqüentemente ao ser humano.

Na história da evolução social humana, foi a partir da industrialização que o ser humano começou a interferir bruscamente nos processos da natureza, pois a ciência e tecnologia absorvida a partir daquele momento inferiram diretamente na relação homem x natureza, de forma predatória.

Com o desenvolvimento desses processos, que é uma das idéias básicas da cultura ocidental, a natureza aparece com a função de gerar matéria-prima e absorver resíduos contaminados. A ciência e a tecnologia que conhecemos não são corpos de conhecimento teórico e prático ameaçadores ou perigosos em si mesmos, para a condição humana, mas o são, em todo caso, o caráter, a orientação e o uso que lhes é dado (MOLINA, 2001).

Segundo MILTON SANTOS (2003), estamos vivenciando uma Natureza Hostil, dominada por grupos sociais que mantém uma relação exploratória com o ambiente, uniformizando-a a serviço dos interesses econômicos.

O espaço é um ‘reflexo da sociedade’, ele é a sociedade. [...] Portanto, as formas espaciais, pelo menos em nosso planeta, hão de ser produzidas, como o são todos os outros objetos, pela ação humana. Hão de expressar e executar os interesses da classe dominante, de acordo com um modo específico de desenvolvimento. Hão de expressar e implementar as relações de poder do Estado numa sociedade historicamente definida. [...] E a ação desse processo histórico tão contraditório sobre o espaço será exercida numa forma espacial já herdada, produto do histórico anterior e sustentáculo de novos interesses, projetos, protestos e sonhos (CASTELLS apud GONÇALVES, 2003).

 

AMBIENTE, SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

As pressões antrópicas sobre o meio ambiente promovem altos níveis de degradação ambiental. Segundo MOLINA (2001), a grande maioria dos estudiosos da questão ecológica traça uma conexão clara entre o número de habitantes e o estado de conservação do meio ambiente, ou seja, a disponibilidade quantitativa e qualitativa de recursos naturais. Diante desta perspectiva, torna-se necessário assegurar a sustentabilidade ambiental, que LARANJEIRA (1997) define como sendo o assegurar de bens e serviços (recursos) biofísicos necessários ao desenvolvimento dos sistemas humanos podendo ser mantido perpetuamente sem que se experimente uma degradação irreversível da integridade e da capacidade de resiliência dos sistemas biofísicos que os suportam.

Essa sustentabilidade deve pairar na idéia de que é o ambiente o principal sujeito a ser preservado, e a conseqüência dessa ação refletirá em tudo que estiver interligado e usufruir dele.

Além da resiliência biofísica, MELO E SOUZA (2003) aponta outro tipo de resiliência, a cultural, definindo-a como sendo um tipo de resiliência construída pelas mediações históricas e sócio-espaciais entre o saber e o saber-fazer das comunidades. São os dois momentos relevantes como vida desse patrimônio relacional, consistindo em momentos dinâmicos, mas se redefinem cada vez que o homem inova e renova sua territorialidade, através de um repertório de estratégias adaptativas que logram uma duradoura coexistência com o meio ambiente.

Porém, em um mundo competitivo e dinâmico onde a palavra de ordem é globalização, evidenciamos que dentro dos pensamentos, projetos, políticas e ações voltadas para o desenvolvimento turístico, o aspecto econômico está se sobressaindo ao cultural e ecológico. Esse modelo gera choques e desigualdades sócio-culturais, trazendo como conseqüência também a destruição ambiental. É a noção de desenvolvimento econômico vista como crescimento derivado do progresso.

O turismo é tratado como mais um objeto de uso do sistema, (re)criando ambientes naturais para que a sociedade altamente antropizada utilize-os, gerando lucros e benefícios para apenas alguns atores desse processo, o empresário e o Estado.

Há uma tendência nas últimas décadas da inversão dos interesses do ator social consumidor do setor turístico, o turista, que começa a procurar os ecossistemas naturais e culturas de cada região, indo de encontro aos modelos construídos. Contudo o planejamento sustentável esbarra em alguns obstáculos, como a falta de um marketing e orientação adequados ao turista, e a falta de acesso às informações e exclusão dos processos de decisão que a comunidade receptiva sofre.

Nesse contexto, a zona costeira além de apresentar características naturais de ocupação próprias, com atividades que lhe são exclusivas, em termos ambientais, possui uma complexidade de ecossistemas dentre eles campos de dunas, ilhas recifes, costões rochosos, estuários, brejos, falésias e baixios. Por outro lado, a proximidade de grandes centros urbanos e indústrias, somado aos atrativos paisagísticos, acarretam mecanismos de forte pressão antrópica sobre tais ecossistemas, reforçando assim sua vulnerabilidade.

No litoral brasileiro, no que se diz respeito ao processo de gestão ambiental buscando um planejamento turístico sustentável, a devastação dos ambientes costeiros se deve a todo um processo histórico que privilegia os projetos de urbanização e os projetos turísticos sem um trabalho de avaliações profundas dos impactos ambientais e culturais. Entretanto, somente na última década o governo brasileiro começou a se preocupar com a questão da zona costeira, introduzindo o conceito de gerenciamento costeiro na administração pública (DIEHL, 2000).

Como resultado das atividades humanas, os ecossistemas costeiros e marinhos estão se deteriorando rapidamente, em função do e turístico sem precedentes.

A especulação imobiliária, o parcelamento do solo de forma inadequada, a implantação de empreendimentos turísticos, e o desenvolvimento urbano-industrial são elementos que tem comprometido o uso racional e a preservação desses ambientes costeiros.

Analisando essa questão, que é uma problemática mundial, MOLINA (2001) alerta para a necessidade de se trabalhar modelos sustentáveis de maior complexidade, estruturado a partir de novos valores e com um suporte imenso de conhecimentos científicos e tecnológicos, que aumente a eficiência dos sistemas produtivos, mas que no mesmo nível, desenvolva os sistemas relacionados ao uso sustentável dos recursos e à ampliação de valores culturais vinculados a ampliação da consciência ambiental.

Dentre os variados ecossistemas costeiros, as dunas litorâneas são as que mais impactos sofrem decorrentes de agressões humanas diretas. Por apresentarem uma diversidade geoformas e considerável riqueza ecológica, as dunas costeiras prestam-se a formas de usos múltiplos, cujas ações comprometem o equilíbrio dinâmico de tais ambientes. (OLIVEIRA, 2004)

Com base na Resolução do 303/2002 CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), dunas podem ser definidas como "unidades geomorfológicas de constituição predominantemente arenosa, com aparência de cômoro ou colina, produzida pela ação dos ventos, situada no litoral ou no interior do continente, podendo estar recoberta ou não por vegetação".

Quanto à importância, os sistemas dunares atuam na regulação do fluxo das águas situados na sub-superfície, sobretudo no caso de sistemas fixos, ao controlar a intensidade da evapotranspiração potencial, associados à vegetação, contribuindo tanto para redução do albedo quanto barreira eólica em zonas de grande intensidade de circulação de ventos e de evapotranspiração como a zona costeira nos trópicos úmidos (MELO, 2000).

Em Sergipe não houve, até o momento, pesquisas especialmente voltadas para as condições de vulnerabilidade referentes às interferências de fatores antrópicos e biofísicos nestes ambientes.

 

O LITORAL SUL DE SERGIPE E A DEGRADAÇÃO DOS AMBIENTES DUNARES.

É fato incontestante que as dunas sergipanas encontram-se fortemente antropizadas. Mecanismos de natureza socioeconômica de caráter predatório são evidentes, a saber: avanço indiscriminado de práticas agrícolas (coqueirais e pastagens, entre outras), trânsito de veículos, pisoteio e abertura de caminhos, edificações sobre a linha de costa, desmonte e retirada de areia para ocupação por loteamentos, intensificação do turismo etc. Todos esses mecanismos provocam mudanças no ambiente costeiro em questão.

Em Sergipe, a faixa costeira possui 163 km de extensão. São verificadas feições dunares compartimentadas em três áreas do litoral: litoral norte, definido a partir do município de Pirambu (praia de Santa Isabel e em torno da lagoa da Prata) e se estende à nordeste rumo ao município de Pacatuba (Ponta dos Mangues); litoral centro, referente ao campo dunar de Aracaju, desde a Coroa do Meio (cercanias do Oceanário) prosseguindo com interrupções até a Área de Preservação Permanente (APP) mantida pela Petrobrás no TECARMO (Terminal de Carmópolis) e as praias da Aruana, Robalo e do Mosqueiro. Já o litoral sul comporta mais expressivamente as praias do município de Estância (Praias do Saco e Abais) além de lagoas costeiras adjacentes até a divisa com a Bahia (Mangue Seco).

 

LITORAL NORTE LITORAL CENTROLITORAL SUL

Figura 1. Localização da área de estudo-Litoral de Sergipe.

O Litoral Sul compõe-se de cinco municípios: São Cristóvão, Itaporanga D’Ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba. Apresenta uma superfície de 2.496,4 km² e extensão de 55,5 km.

Dentre os ecossistemas relevantes encontram-se associados aos campos de dunas, manguezais, brejos e lagoas, além de outros como restingas e remanescentes de Mata Atlântica.

O desmonte de dunas, por conta da ocupação desordenada na zona de praia, facilita a invasão das águas do mar, já que, a destruição das feições dunares (barreiras naturais) interfere no processo de acumulação das areias acarretando assim efeitos erosivos que contribuem para alteração no perfil litorâneo.

Por serem caracterizados como os mais impactantes, os danos derivados de atividades antrópicas remontam a uma situação de alerta quanto à manutenção da integridade biofísica dos sistemas dunares litorâneos. No tocante às construções sobre a linha de costa, a problemática atingem proporções ainda maiores dado ao desmonte de dunas, de forma ilegal, para fins de ocupação tanto por casas de veraneio como por grandes empreendimentos hoteleiros.

A atividade turística manifesta-se associada à estruturação urbana de povoados adensados de equipamentos turísticos, ora articulada a espaços de segundas residências, que mobiliza proprietários de terras, incorporadores, corretores, e a indústria de construção civil; ora ainda como indutora da ocupação de novas áreas com vistas à expansão da rede hoteleira na região. Essas situações são bem perceptíveis no município de Estância, um dos municípios dentro do Pólo Costa dos Coqueirais classificado como potencialmente turístico e mais contemplado com projetos urbano-turísticos dentre os quais destacamos a construção da Orla do Abaís e das rodovias que fazem parte do Projeto Linha Verde que liga Bahia a Sergipe.

 

PÓLO COSTA DOS COQUEIRAIS (SE)

Fonte: EMBRATUR

Definição dos Municípios quanto à Potencialidade Turística.

MUNICÍPIO

POPULAÇÃO (Hab.)

Classificação EMBRATUR

Aracaju

461.534

MT

São Cristóvão

64.647

MT

Estância

59.002

MPT

Propriá

27.385

MPT

Laranjeiras

23.560

MT

Itaporanga D´Ajuda

25.482

NC

Neópolis

18.593

MPT

Barra dos Coqueiros

17.807

MPT

Canindé de São Francisco

17.754

MPT

Indiaroba

13.152

MPT

Pacatuba

11.536

MPT

Santa Luzia do Itanhy

13.948

MPT

Gararu

11.363

MPT

Santo Amaro das Brotas

10.670

NC

Ilha das Flores

8.281

NC

Brejo Grande

7.102

MPT

Pirambu

7.255

NC

N. Sra. do Socorro

131.679

MT

TOTAL (PÓLO)

930.750

MT - municípios turísticos

MPT - municípios potencialmente turísticos

NC - não classificados

Fonte: Manual Auxiliar - Operações de Crédito, Título 35, Capítulo 42, de 02/01/2003, conforme Deliberação Normativa nº 432, de 28/11/2002 da EMBRATUR.

Quanto às políticas setoriais, é uma faixa muito visada pelos empreendimentos turísticos por conta das iniciativas do Estado no desenvolvimento destas regiões.

O Projeto de Desenvolvimento para o Turismo no Nordeste (PRODETUR-NE) é um dos principais programas voltado para o crescimento do turismo na região. Ele surge por iniciativa da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e com apoio da Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) em 1993.

Em seu discurso, o turismo é apontado sem restrições como a grande alternativa de recuperação da economia, a partir da criação e melhoria da infra-estrutura regional. Essas situações são bem perceptíveis no município de Estância, um dos municípios dentro do Pólo Costa dos Coqueirais classificado como potencialmente turístico e mais contemplado com projetos urbano-turísticos dentre os quais destacamos a construção da Orla do Abaís e das rodovias que fazem parte do Projeto Linha Verde que liga Bahia a Sergipe.

No Povoado Saco do Rio Real (Estância), conhecido popularmente como Praia do Saco, a intensificação das atividades turísticas promoveu de forma desenfreada a destruição de ambientes naturais (desmonte de dunas móveis pra loteamentos de residências secundárias e hotéis), doação de terrenos públicos e aumento do custo social para a população local, que não foi inserida nem consultada na elaboração do planejamento turístico da região.

Mesmo sendo definida como área de recuperação ambiental, medidas de vigilância e controle não são verificadas, uma vez que, principalmente nos setores de antedunas e dunas móveis a ocupação é realizada de forma irregular. O constante desmonte de dunas para fins de ocupação,seja por loteamentos ou estabelecimentos comerciais, e a inexistência de fiscalização tanto municipal quanto estadual acarretam não só a desconfiguração dos ambientes dunares como promove danos irremediáveis ao equilíbrio natural dos ecossistemas que deles dependem.

Presença de condomínios de segunda residência na praia do Saco. Trabalho de campo, 2004

Já na região da Praia do Abaís, um ponto mais antigo de ocupação do ecossistema dunar, é perceptível a atuação de fatores que modificam a situação de equilíbrio dos sistemas observados. Há em determinados locais, uma inexistência de campo dunar pleno, em consequência da barreira de casas que impede a interação entre a fonte de alimentação praia-duna. A seqüência de casas compromete a competência eólica para alimentar o campo de dunas situado mais internamente.

Somente em algumas áreas mais afastadas da linha de praia é que encontramos campos dunares ativos chegando a 25 metros de altura, apesar da ameaça de degradação, evidenciado por processos de uso-ocupação do solo, os quais podem ser exemplificados através de construções como pousadas e armazéns, casas de veraneio além ruas e estradas não asfaltadas que agem como barreira afetando a própria dinâmica dunar natural.

 

ABORDAGEM METODOLÓGICA DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL

No litoral de Sergipe, caracterizam-se sistemas dunares distintos decorrentes tanto das formas de uso-ocupação humana como por geoindicadores que se referem à situação dos componentes. (MELO e SOUZA apud OLIVEIRA e BARRETO,2004).

Para a verificação dos fatores antrópicos intervenientes nesse processo e as medidas de proteção recentes presenciadas na área estudada foram utilizados instrumentos como a aplicação de field check lists (listas de controle de campo), baseadas nas elaboradas por LARANJEIRA (1997).

As check lists consistem na listagem de um conjunto geral de variáveis relevantes para a concretização de um determinado objetivo, que são, caso a caso e individualmente, identificadas, caracterizadas e ordenadas em relação a uma escala pré-definida, por forma a estabelecer a sua importância relativa para o objetivo em causa (LARANJEIRA, 1997).

Essas listas de checagem serão divididas em duas secções, denominadas de: pressões exercidas pelos diversos utilizadores (turistas, moradores, comércio, veranistas...) e medidas de proteção recente (atuação do Estado em forma de leis de preservação). Cada secção está subdividida em 11 variáveis. Na secção relacionada às pressões de uso encontraremos as seguintes variáveis: pressão dos visitantes, acesso por estrada, viaturas motorizadas nas dunas, pisoteio sobre as dunas, densidade dos caminhos, campismo selvagem, habitação/construção, números de proprietários, principal regime de propriedade, extração comercial/ocasional e pastagem intensiva (bovinos, caprinos, ovinos). Já a secção das medidas de proteção recente obtém: vigilância e manutenção, % da área com acesso limitado, controle de estacionamento de veículos, pisoteio controlado, controle de veículos motorizados sobre as dunas, ordenamento dos caminhos, "armadilhas" de areia, % de plantação nas áreas com areias móveis, painéis de informação, se erosão marinha – medidas de proteção contra o mar e proteção legislativa.

Essas secções foram explicadas a partir de quadros baseados em variações de cores (amarela, laranja e vermelha) em que quanto menor a intensidade de cor, menor o grau de vulnerabilidade dunar. Os itens sem informação foram expostos nos quadros e tabelas através do símbolo tracejado ( - ), a abreviatura (OBSD) simbolizará a percepção de cada observador .

CHECK LISTS

SECÇÃO D - Pressão exercida pelos diversos utilizadores

OBSD 1

OBSD 2

OBSD 3

OBSD 4

OBSD 5

1. Pressão dos visitantes

2. Acesso por estrada

3. Viaturas motorizadas nas dunas

4. Pisoteio sobre as dunas

5. Densidade dos caminhos

6. Campismo selvagem

7. Habitação / construção

8. Número de proprietários

9. Principal regime de propriedade

10. Extração comercial/ocasional

11. Pastagem intensiva (bovinos, caprinos, ovinos)

Fonte: Trabalho de campo, 2004.

SEÇÃO E - Medidas de proteção recentes

OBSD 1

OBSD 2

OBSD 3

OBSD 4

OBSD 5

1. Vigilância e manutenção

2. %da área com acesso limitado

3. Controle de estacionamento de veículos

4. Pisoteio controlado

5. Controle de veículos motorizados sobre dunas

6. Ordenamento dos caminhos

7. "Armadilhas" de areia

8. % de plantação nas áreas com areias móveis

9. Painéis de informação

10. Se erosão marinha - medidas de proteção

11. Proteção legislativa

Fonte: Trabalho de campo, 2004.

A partir deste método, destacaram-se a elevada degradação pelo uso e a evidente ineficácia das medidas de proteção como principais responsáveis pela vulnerabilidade experimentada no Litoral Sul de Sergipe.

A atividade turística, a ocupação desordenada pela expansão dos loteamentos, o grande número de visitantes principalmente nos meses de verão, além da rede densa de caminhos de acesso à praia abertos aleatoriamente expõem a necessidade de medidas específicas de conservação dos sistemas dunares ao indicar a situação de potencial risco a que tais ambientes estão sujeitos.

Assim, os setores focalizados apresentam tipos e intensidades de uso compatíveis com a necessidade de maior intervenção para a eficácia dos serviços ambientais atribuídos aos sistemas dunares costeiros.

Além das check lists, entrevistas com pessoas da comunidade e com turistas foram realizadas, materiais como GPS, câmera fotográfica digital, câmera filmadora, computador, fotografias aéreas, mapas, papel transparente e transparências para confecção de overlays, bem como programas de digitalização de dados de campo para produção de cartogramas também foram utilizados como suportes de auxílio na pesquisa, na perspectiva de se estabelecer uma compreensão ampliada do processo pesquisado.

 

OS ATORES SOCIAIS E A (DES)IMPORTÂNCIA DOS AMBIENTES DUNARES

Ao longo da história humana, a escassez dos recursos e a degradação ambiental constituem faces de uma só moeda já que refletem a crise do modelo civilizatório global.

Dentro da idéia de sustentabilidade, o desenvolvimento econômico deve possuir compatibilidade com a preservação ambiental, porém, no Brasil o modelo econômico adotado esgota os recursos naturais além de excluir grande parte da população.

Diante dessa situação, surge como alternativa o Turismo Sustentável, que segundo Iving (2001) é um modelo de desenvolvimento estratégico baseado na mobilização comunitária com o desejo de enfocar o ambiente como bem coletivo a ser preservado. A verdadeira sustentabilidade tem como principal vertente uma união entre a natureza e a cultura.

O turismo sustentável baseia-se na: preservação e conservação do patrimônio natural, valorização do patrimônio histórico e cultural, desenvolvimento econômico com equidade social e incentivo ao micro e pequeno negócio. (SEABRA,2001)

Segundo a Organização Mundial do Turismo (1994), o desenvolvimento do turismo sustentável somente é possível quando há um planejamento baseado nas sustentabilidades econômica, social, ambiental, cultural e política.

Para e PAIVA (1991), no que se diz respeito ao processo de gestão ambiental na perspectiva de um planejamento turístico sustentável no litoral brasileiro, a devastação dos ambientes costeiros brasileiros se deve a todo um processo histórico que privilegia os projetos de urbanização e os projetos turísticos desgarrados de análises profundas dos impactos ambientais e culturais.

A expressão turismo sustentável é o ícone preferido pelos discursos oficiais, utilizados no sentido de mascarar os elevados impactos ambientais e socioculturais ocasionados na implantação dos grandes projetos turísticos. (SEABRA, 2001)

Diante da situação, é notória a preocupação com a situação ambiental de alguns atores sociais que vivem na região de estudo, valendo destacar: moradores antigos, pescadores, alguns donos de casas de veraneio e pequenos comerciantes.

Através de entrevistas foi dito que mudanças bruscas estão ocorrendo na região, causando o desaparecimento de algumas espécies de animais, vegetação, aterramento de lagoas além de alterações climáticas. De fato houve uma perceptível mudança paisagística, porém apesar de não ter sido observado pela maioria dos atores, houve também uma mudança cultural (predatória) com o crescimento das segundas residências e a invasão dos turistas, expulsando os moradores antigos, tirando a verdadeira identidade da região.

Foi apontado também aumento da poluição (aparecimento de lixões em áreas dunares, queimadas de vegetação dunar, poluição de lagoas e mangues entre outras), e o desaparecimento de dunas para construção de empreendimentos hoteleiros sem planejamento, o que causou um decréscimo na qualidade de vida dos habitantes gerando dentre outros fatores, alterações climáticas.

Queimada em duna na Praia do Abais. Trabalho de campo, 2004.

De um outro lado estão os grandes comerciantes, empreendedores turísticos e a maioria dos donos de casas de veraneio que defendem a mudança que está ocorrendo, atrelando esta a um desenvolvimento necessário. A justificativa dada é que a vinda dos equipamentos urbanos são importantes para o crescimento econômico da região, aumentando o conforto e opções de lazer aos turistas, o que faz com que todos supostamente ganhem com isso. Porém o que vem acontecendo é um crescimento mal planejado onde o Estado atua como incentivador e regulador, dando suporte a grupos econômicos sem levar em conta leis ambientais, provocando um sentimento de rejeição dos antigos moradores da região.

Fica evidente que o Litoral Sul Sergipano apresenta graves problemas, problemas estes comuns em planejamentos turísticos baseado apenas no econômico, explorando um potencial natural de forma errônea, não inserindo a população local no contexto, gerando como conseqüência choques culturais, desigualdades sociais e a destruição ambiental.

O diagnóstico socioambiental é necessário em quanto processo de suma relevância a fim de orientar as medidas de controle a serem adotadas a partir do monitoramento adequado, bem como as ações de planejamento e de proteção legislativa visando conjugar o incremento da oferta de atrativos turísticos aliado à preservação destes ambientes dotados de significativas belezas cênicas.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL, CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA. Resolução 303 de 20/03/2002.

DIEHL, F. P. Aspectos Destacados da Legislação Brasileira sobre Terrenos de Marinha e sua Influência no Uso da Zona Costeira. In:Anais do Simpósio Brasileiro sobre Praias Arenosas: morfodinâmica, ecologia, usos, riscos e gestão. Antônio H. F. Klein (organizador)-Itajaí: Editora da UNIVALI, 2000.

GONÇALVES, Odete Catarina Locatelli. Meio Ambiente Urbano. Chapecó, Argos, 2003.

LARANJEIRA, Manuela Carruço. Vulnerabilidade e Gestão dos Sistemas Dunares- o caso das dunas de Mira.(Dissertação de Mestrado).Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, 1997.

MELO, Rosemeri Santos. Risco da Perda da Biodiversidade em Litorais do Brasil.In: Geografia de Riscos. Lisboa, CEGUL, 2000, pp.55-75.

MELO E SOUZA, Rosemeri. Redes e Tramas - Identidade cultural e gestão ambiental na APA de Piaçabuçu, Alagoas. In: Capítulo 2- Rizomas e Crise Ambiental – Relações entre Natureza, Ambientalismo e Sustentabilidade Biofísica e Cultural. Tese de Doutorado. Universidade de Brasília. Centro de Desenvolvimento Sustentável. 2003.

MOLINA E., Sérgio. Turismo e ecologia; tradução Josely Vianna Baptista. Bauru, SP, 2001: Coleção Turis.

MORAES, A . C. R.. Localismo e Isolamento: uma reflexão sobre o turismo e as populações tradicionais.In: Redescobrindo a ecologia do Turismo/org. Margarita Barretto, Elizabete Tamanini - Caxias do Sul: EDUCS, 2002.

OLIVEIRA, A. C. A.; MELO & SOUZA, Rosemeri. Proposição de Geoindicadores Socioambientais para a Avaliação da Vulnerabilidade Biofísica de Dunas Costeiras em Sergipe. VI Congresso de Iniciação Científica. 2004.

OLIVEIRA, Lívia de; MACHADO, Lucy M. C. Philadelpho. Percepção, Cognição, Dimensão Ambiental e Desenvolvimento com Sustentabilidade.In: Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil/ Antônio Carlos Vitte, Antônio José Teixeira Guerra (organizadores). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

PAIVA, Maria das Graças de Menezes V. Sociologia do Turismo. Campinas, SP: Papirus, 1991.

SANTOS, M. Técnica, espaço, tempo – globalização e meio técnico científico informacional. São Paulo, 1997.

SEABRA, Giovanni de Farias. Ecos do Turismo: O turismo ecológico em área protegidas. Campinas, SP. Papirus, 2001.


 1 Graduado em Geografia - Licenciatura.Graduando em Geografia - Bacharelado- UFS - Campus Universitário,S/N,São Cristóvão-SE, Brasil: E-mail: walter.uchoa@ig.com.br

2 Profª Drª dos Cursos de Geografia e do Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente - PRODEMA/NESA - UFS - Campus Universitário, S/N, São Cristóvão -SE, Brasil.E-mail: rome@ufs.br.


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