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Asunto:NoticiasdelCeHu 1860/04 - SOYA, AMBIENTE Y POLITICAS PUBLICAS EN LA AM AZONIA BRASILEÑA
Fecha:Domingo, 21 de Noviembre, 2004  12:09:37 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...............ar>

SOYA, AMBIENTE Y POLITICAS PUBLICAS EN LA AMAZONIA BRASILEÑA

 

Richard Pasquis[1]

[1] (CIRAD-CDS)

 

Resumen

Los procesos de integración territorial y de explotación que ha sufrido la región amazónica desde la década de 1960, no han considerado sus especificidades históricas, sociales y naturales y han promovido la privatización de algunos de los recursos comunes de la región.

En la última década, para facilitar su ocupación económica, toda una estrategia “liberalizadora” fue aplicada para alterar las funciones del territorio y asegurar su mayor fluidez y permeabilidad a estas medidas. Esto se tradujo en una serie de prácticas productivas y acciones que resultaron, entre otras cosas,  en una tasa media anual de deforestación de aproximadamente 17.000 km².

La soya en particular y los commodities en general se volvieron rápidamente el principal motor económico de este proceso, dinamizado aun más por la actual globalización de la economía que favorece la expansión de producciones agrícolas altamente capitalizadas.

Frente a la búsqueda cada vez mayor de competitividad, el complejo brasileño de la soya respondió con el aumento de la dimensión de las parcelas, buscando tierras mas baratas y externalizando los costos ambientales y sociales.

El mercado pasó a tener un papel decisorio, definiendo el proceso y su dinámica y excluyendo al Estado y a la Sociedad Civil.

El fenómeno de la expansión de la soya tiene también una dimensión política con la llegada al poder de una nueva elite rural. Estos nuevos actores llegados del sur del país tienen un proyecto muy claro de expansión de sus prácticas productivas y de uso de los recursos naturales amazónicos. Iniciaron un proceso de privatización de los bienes comunes, a través del uso dado a las tierras y a ciertos recursos naturales. Para ello consiguieron asociarse al poder publico y crear condiciones favorables a sus intereses.

La incorporación de tierras amazónicas al sistema productivo de la soya, si bien trajo divisas para el país, no aportó ningún beneficio a las poblaciones tradicionales de la región y les impuso graves costos sociales y culturales. El sistema de producción altamente mecanizado que ocupa áreas cada vez más grandes, excluye a los productores familiares, obligándolos a abandonar sus propiedades y a migrar hacia lugares cada vez mas alejados o hacia la prefería de la ciudades amazónicas.

Frente a esta dinámica económica privada y la poca eficacia de los instrumentos clásicos de control del poder publico, se están implementado nuevos métodos para la creación de espacios de dialogo y la construcción de consensos basados en el fortalecimiento de la capacidad de negociación de los atores, en diferentes niveles.

De esta forma, se ha venido organizando un proceso novedoso de acción colectiva por parte de los principales atores afectados. El Ministerio del Medio Ambiente aprovechó de esta oportunidad para organizar “Consorcios” e iniciar  negociaciones entre todas las partes concernidas.

El reto ahora consiste en crear nuevos bienes comunes y en lograr que los productores, que tenían la costumbre de socializar las externalidades y privatizar los lucros, las integren a sus costos de producción.

 

Palabras llave : Soya, Amazonia brasileña, recursos naturales, globalizacion, políticas publicas


INTRODUCCION

A Amazônia Legal foi sempre vista como uma fonte inesgotável de recursos naturais e um espaço explorável para todo tipo de atividades. O processo de integração/exploração que se implementou na região desde a década de 1960, junto com a realização de grandes projetos, o estabelecimento de pólos de desenvolvimento e a construção de rodovias, não considerou as suas especificidades históricas, sociais e naturais, sendo factível dizer que a região não tem tido um autentico desenvolvimento endógeno.

Na última década, como conseqüência das medidas regulatórias adotadas e cujo objetivo era remover os impedimentos à expansão econômica, o que se manifestou em obras de infraestrutura, reorientação de créditos, etc., toda uma estratégia liberalizante foi aplicada para abrir os espaços às parcerias público –privadas e garantir uma maior fluidez do território. Isto se traduziu por um elevadíssimo processo de urbanização e numa taxa media anual de desmatamento de aproximadamente 17.000 quilômetros quadrados.

Ainda que as causas do desflorestamento sejam bastante  variadas, há amplo reconhecimento de que a expansão da fronteira agrícola, conduzida pela criação de gado e pela produção de soja, é fator determinante nesse processo (Fearnside, 1997; Kaimowitz & Smith, 1999). Sintomaticamente, em 2003, a safra de soja brasileira também atingiu níveis recordes, com aumento de produção, em relação ao ano anterior, de 40 para 50 milhões de toneladas (CONAB, 2003).

O avanço da soja, que se seguiu aos programas de reforma agrária e posterior expansão da pecuária bovina extensiva, é, sem dúvida, uma das últimas etapas da política de ocupação da região (Homma, 1999). A sua progressão é favorecida, em parte, pelo processo de pecuarização que, além de limpar as terras de sua vegetação nativa, proporciona concentração fundiária, propícia à mecanização. Esse avanço é ainda dinamizado pela globalização da economia, que favorece a explosão de produções agrícolas altamente capitalizadas, e vem sempre acompanhado por medidas e investimentos públicos ou privados (Bertrand, 2001) que incrementam a pressão dessa produção sobre os ecossistemas florestais da região (Cunha, 1994).

O significativo impacto de grandes extensões ocupadas com monoculturas comerciais vem preocupando pesquisadores e cientistas, pois já se constata que esse tipo de uso do território provoca elevada perda de diversidade cultural e biológica (Buschbacher, 2000; CEBRAC, 2002).  Tanto fauna quanto flora tendem a desaparecer. Da mesma forma, populações locais são expulsas, migrando compulsoriamente para as periferias das cidades e perdendo seus meios de subsistência, com graves conseqüências socio-culturais.

 

 

1. A ECONOMIA DE FRONTEIRA E OS RECURSOS NATURAIS

 

O síndrome da Mata Atlântica

A dinâmica de ocupação do espaço brasileiro está fortemente relacionada a ciclos de exportação econômica, por sua vez ligados a padrões predatórios de uso do solo e de recursos naturais. Ao longo dos últimos quatro séculos, essa ocupação realizou-se por meio de grandes produções agropecuárias, como a cana de açúcar, a pecuária e o café. Foi assim que a maior parte da mata atlântica desapareceu do litoral.

A dinâmica da soja não é senão um evento separado da dinâmica econômica brasileira e da cultura “desbravadora” de boa parte dos produtores do sul, uma manifestação de uma tendência histórica. Porém, o ciclo da soja demonstra ter um poder de transformação das dinâmicas regionais muito maior que as outras produções agropecuárias. Se a isso acrescentamos as recentes mudanças no contexto internacional, fica evidente que não se pode analisar o processo da sojicultura com os mesmos critérios que as antigas culturas: perenes e com baixa capacidade migratória.

Em geral, é possível afirmar que os padrões de ocupação do espaço mantêm relação com os ciclos dos produtos de maior peso na pauta de exportação, por meio da expansão da fronteira de recursos e da incorporação de terras de cultivo (Pasquis et al., 2001).

 

A dinâmica da soja

No caso da soja, ela é uma das culturas que apresenta maior progresso no Brasil nos últimos vinte anos, tendo avançado mais de dois mil quilômetros em direção ao norte. Impulsionada pelo incremento da demanda, principalmente internacional, a lavoura da soja começou a se expandir com mais vigor no Brasil apenas na segunda metade dos anos 1970 (Duarte & Huff, 2002).

Em 1990 o estado do Mato Grosso já era o terceiro produtor do país, com cerca de 1,6 milhões de hectares plantados. No mesmo ano, as áreas de concentração da soja já formavam um contínuo bastante expressivo no cerrado da parte central do país. Ao longo da década de 1990 a expansão da soja no Brasil continuou com altos e baixos e em 2000 as zonas novas já predominavam (Muller, 2000).

.

Evolução da produção de soja no Brasil no Mato Grosso (Famato, 2003)

 

Em 2003, o Mato Grosso passou a ser o segundo estado produtor, com 2,9 milhões de hectares, logo depois do Rio Grande do Sul (com 3,0 milhões de hectares). Porém, já é anunciado o primeiro estado produtor (Famato, 2003).

Mesmo que a demanda por soja continue crescendo, o Brasil terá condições de atendê-la.  Isto porque na Amazônia Legal[2][2] existem condições favoráveis para a expansão da lavoura, tanto em áreas de cerrado ou de transição cerrado-floresta, como em zonas de campo, ou ainda em terras desmatadas e degradadas por projetos pecuários (Rezende, 2002).

Entretanto, o uso mais intenso desses tipos de terras no cultivo da soja depende, de forma crucial, do desenvolvimento da infra-estrutura de transporte para viabilizar o escoamento da produção.

 

A Amazônia legal na era da globalização

As mudanças nas escalas e intensidades dos intercâmbios comerciais e nas estruturas institucionais que os regulam, produto da globalização e nas quais normas de exportação, sanitárias, etc. são ditadas desde instituições globais como a OMC, atrelam a região amazônica a uma dinâmica que transborda suas fronteiras. Desta maneira conforma-se uma “paisagem comercial” muito particular, através da qual se articulam os recursos naturais com a voracidade do mercado mundial de commodities, isto é, com as demandas da economia mundial.

In situ é possível observar as conseqüências desta racionalidade, que transborda a lógica dos sistemas naturais e cria uma problemática social delicada.

A chegada da soja na Amazônia Legal é conseqüência do modelo de desenvolvimento brasileiro e do tipo de forças do mercado capitalista no 3º mundo, especialmente nesta era de globalização agrícola.

O que move a dinâmica da cadeia da soja é o mercado internacional.

As dinâmicas territoriais na Amazônia Legal refletem os rearranjos induzidos pelas estratégias dos grandes produtores e das grandes multinacionais para controlar o mercado.

À procura da melhora de sua competitividade, o complexo brasileiro da soja responde combinando a reorganização dos custos de produção, criando novas variedades adaptadas às novas áreas exploradas, ampliando a dimensão dos plantios, procurando terras mais baratas e externalizando os custos ambientais e sociais.

A busca de competitividade e maior margem de lucro por parte dos produtores estimula o avanço da cultura em direção norte, mesmo em contextos de queda do preço (grafico ), já que além do pacote tecnológico que permite a cultura em solos pouco férteis com aumento de produtividade, o preço baixo da terra lhes garante maiores margens de lucro.

Cuadro de texto:

Evolução Mundial de Preços e Produção 1979-2001

Fontes: CNPSO/EMBRAPA, valores deflacionados pelo IGP-DI e IPA-USA (jan/2001=100),

adaptação Galinkin, 2000

 

A fronteira agrícola, de maneira mais ampla, existe em função da obtenção e incorporação à produção de terras mais baratas, já que o preço da terra é o mais relevante no custo total de produção (variável extremamente relevante na formação dos custos de produção em áreas até então tradicionais produtoras desse grão[3][3]).

 

2. IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS

 

A produção de soja no Brasil  está causando uma grande devastação, em termos ambientais e em termos sociais (Bickel et Dros, 2003; Flaskerud, 2003; Vetoratto, 2003; Buschbacher, 2000; MMA, 2001).

 

Degradação ambiental

Para reduzir os custos de produção, as dimensões dos plantios cresceram muito na fase mais recente de expansão da fronteira agrícola. A larga escala da soja representa uma enorme pressão sobre os recursos naturais e ecossistemas da região. O uso intensivo de pesticidas e outros agroquímicos, assim como o uso intensivo de maquinaria provocam contaminação da água e erosão do solo (Bickel, 2003). A conversão de pastos para a produção de grãos intensifica os riscos do uso intensivo de fertilizantes e agrotóxicos e também aumenta a incidência de doenças (Godoy, 2003).Esses riscos não são específicos à Amazônia Legal, embora o seu regime de chuvas mais intenso possa acelerá-lo.

Há que se destacar o impacto que as grandes monoculturas provocam nos microclimas e no ciclo natural das águas: na qualidade e disponibilidade das águas e recarga dos lençóis freáticos e aqüíferos. A repercussão dessa interferência atinge praticamente todo o país, e chega mesmo a outros países do Cone Sul do continente, na medida que o Cerrado abriga as nascentes que alimentam e formam grandes rios das bacias do Amazonas, São Francisco e Prata.

Ao mesmo tempo, quase toda a agricultura brasileira depende da manutenção da floresta amazônica porque ela regula as chuvas do Centro-Oeste e do Sudeste do país.  Sem a floresta, as principais regiões agrícolas do Brasil se tornarão secas demais para a produção de grãos.

Nas regiões produtoras do Estado do Mato Grosso, mesmo as matas de galeria e cabeceiras de drenagem sendo protegidas, manifestam-se alguns problemas gerados pela intensificação da monocultura da soja. Embora a proteção das condições de fertilidade do solo seja decorrência direta da técnica de plantio direto, utilizado praticamente em toda a região, algumas conseqüências ambientais dessa monocultura são manifestas; erosão dos solos, assoreamento dos rios, eutrofização dos rios; nível de cobertura e perda gradual da fertilidade dos solos, fogo disseminado pelos tornados que assolam a região ou pelos próprios equipamentos usados nas colheitas (Galinkin, 2002).

Mesmo se as variedades atuais não permitem que a soja transgrida os limites ecológicos e, sobretudo climáticos, vários produtores estão instalando grandes áreas de cultivo desse grão em ecossistemas nitidamente florestais, sem levar em conta os impactos ambientais negativos e as possíveis perdas de vantagens competitivas com relação às tradicionais áreas de cerrado, tornando esse sistema agrícola insustentável ecológica e socialmente.

 

Concentração de riqueza e êxodo rural

A mudança de padrão tecnológico possibilitou uma mecanização muito intensa que permitiu que se poupasse o fator "trabalho" na produção (Galinkin, 2002), e que se usassem novos insumos altamente tecnificados. Com isso, reduziu-se drasticamente o custo da contribuição humana direta no trabalho de produção. Nessa seqüência, na medida em que a terra valoriza-se com a chegada da infra-estrutura de transportes, e a produtividade começa a cair, o produtor vende as terras com significativo lucro e compra outras mais adiante, até mesmo em outro país (Paraguai e Bolivia), a preços reduzidos, reproduzindo sua experiência passada e prosseguindo na expansão territorial da atividade.

A incorporação das terras amazônicas ao sistema produtivo da soja trouxe, por um lado, a geração de renda e riquezas altamente concentradas e de divisas relevantes para o balanço de pagamento do país. No entanto o processo de ocupação do Cerrado pela agricultura comercial, em particular o ocorrido nos últimos 30 anos, deixou de trazer quaisquer benefícios às populações tradicionais da região, e lhes impôs severos custos que podem levá-la à extinção cultural. Desenvolveu-se um modo de produção altamente capitalizado, mecanizado e tecnificado que ocupa áreas cada vez maiores e contínuas na busca de redução de custos pelo ganho de escala, que acabam por inviabilizar a permanência dos pequenos produtores em sua vizinhança, e incorporam suas terras. Isto provocou o deslocamento de produtores proprietários de médios estabelecimentos e de menor poder aquisitivo para os lugares mais centrais e mais longínquos na Amazônia Legal, mais afastados das infra-estruturas de comunicação.

O movimento populacional se da também para fora do campo, em direção às favelas nas periferias das cidades amazônicas. Qualquer que seja a sua estrutura produtiva, a expansão da cultura da soja pode desencadear mudanças importantes nos sistemas rurais, reduzindo o número de empregos nestas áreas[4][4].

 

3. POLÍTICAS DIVERGENTES, IMPOTÊNCIA E ISOLAMENTO DAS POLÍTICAS AMBIENTAIS

 

Políticas publicas contraditórias

Em termos de políticas públicas, a Amazônia Legal tem estado sujeita a concepções contraditórias. De um lado, a região é percebida como receptáculo de recursos naturais importantes e portanto, como objeto de medidas que garantam a conservação desses recursos[5][5] e, de outro, como região desarticulada do resto do território e do desenvolvimento e alvo indispensável de ações de integração física e econômica.  Estas duas visões se expressam em políticas públicas contraditórias, tanto no nível Federal quanto estadual e municipal (Mello, 2002). 

Paralela a esta contradição encontram-se os imperativos do comércio global com suas demandas crescentes de produtos agroindustriais que o Brasil satisfaz como fornecedor de commodities, o que por sua vez alivia sua necessidade de produção de excedentes comerciais para cumprir com seus compromissos financeiros. Neste processo, são incorporadas grandes extensões de terras de fronteira por frentes especulativas, o que garante a apropriação deste recurso por poucos atores sociais.

Com o colapso dos mecanismos de regulação nacional e internacional da economia, as agroindústrias transnacionais passaram a dominar o mercado destes produtos, transformando a agricultura tradicional em área de sua influência tanto nos países centrais quanto periféricos e forçando os Estados centrais a redefinirem suas políticas públicas, passando da regulação e proteção de seus mercados à assimilação dos novos princípios de organização espacial do comércio global (Roessing, 2002).

Para facilitar essa expansão e incorporar potencialmente à produção mais de 20% de seu território, o governo brasileiro investiu no pacote tecnológico da "revolução verde" adaptado pela Embrapa ao Cerrado (Embrapa, 1999), juntamente com crédito farto e melhoria de infra-estrutura de transportes (Muller, 2000).

Do outro lado, o setor ambiental tem sofrido de um relativo isolamento dentro da máquina burocrática do Estado, com mecanismos e recursos insuficientes para a implementação de ações eficazes que regulem as grandes transformações materiais no acesso e uso dos recursos naturais do território brasileiro. Internamente, existe uma distancia entre o setor ambiental e os mecanismos da efetiva gestão estatal do meio ambiente que dificulta a ação dos órgãos ambientais sobre as ações de desenvolvimento. As formulações de política se fazem a través de propostas técnicas periféricas ao desenho das outras políticas públicas, o que tem demonstrado ser insuficiente (Mello, 2002).

Embora o arcabouço institucional do meio ambiente na máquina estatal tem se fortalecido ultimamente, existe paralelo a ele uma multiplicidade de interesses dentro da própria máquina que refletem os grupos de poder social que a integram e que dificultam a implementação das políticas ambientais. 

 

A colusão política pública econômica e privada.

O Estado e o setor privado têm atuado de forma integrada e consistente nos processos de ocupação da Amazônia Legal e de expansão do complexo da soja. Em primeiro lugar, permitindo o livre acesso dos grandes interesses especulativos na região, bem seja por meio do contexto legal favorável ou da falta de controle do problema da grilagem das terras. No caso da soja, o Estado tem desempenhado também papel na materialização das vantagens competitivas das condições locais e regionais, por meio das políticas regionais de crédito, de pesquisa e da construção de infra-estruturas. O setor privado cuida também do crédito, da tecnologia e da logística, sendo favorecida a região Norte pela proximidade aos mercados do hemisfério norte e pela oferta de terras de fertilidade natural.

Por outra parte, a Agenda Internacional Brasileira, principalmente no que diz respeito à integração sul-americana, tem vários reflexos no complexo soja.  O aprofundamento das relações com os vizinhos coloca em primeira ordem de prioridades a Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul – IIRSA, já que esta visa a superação do impasse histórico da deficiente infra-estrutura física que leva à segregação mútua dos mercados nacionais. Consolidar esse processo passou a constituir condição fundamental e paralela às negociações em outras escalas, como a ALCA – Associação para o Livre Comércio das Américas e no sistema comercial multilateral representado pela Organização Mundial do Comércio – OMC.

A iniciativa IIRSA , com seus múltiplos projetos de infraestrutura multimodal, encaixa-se com os interesses da industria da soja no que diz respeito à criação da infra-estrutura de transportes necessária ao escoamento eficiente da produção, considerando que os custos de transporte são a chave da competitividade internacional (SENAI, 2002).

 

Políticas ambientais marginadas e pouco eficazes

Planejar o desenvolvimento considerando o meio ambiente supõe necessariamente a ação de um Estado com capacidade regulatória e legitimidade para exerce-la. As ações de comando e controle, como fiscalização, monitoramento, avaliação e estudos de impacto ambiental bem como as de persuasão, requerem de um arcabouço institucional adequado, mas também do poder necessário para que os órgãos ambientais correspondentes sejam eficazes na sua implementação.

De forma geral, mesmo que a política ambiental, apresente uma coerência interna e incorpora visões e abordagens conceituais que gozam de um consenso social, tem dificuldades na implementação dos seus eixos estratégicos e de suas bases programáticas,  cuja articulação é indispensável para garantir uma eficaz presença nas ações de planejamento e desenvolvimento dos outros setores governamentais.  Esta situação se expressa na sua dificuldade de alterar a dinâmica do acesso e uso dos recursos naturais e, portanto, de ter uma ação efetiva para evitar ou mitigar os processos de deterioração material dos mesmos. 

De outra parte, existem problemas na própria formulação das políticas.  Assume-se que este é um processo gradual de aproximação ideal aos problemas e que os ciclos de políticas estão separados segundo as instâncias Estado-Mercado-Sociedade Civil, cada uma com total independência da outra, como se não existissem grandes sobreposições entre elas. Esta simplificação não considera a complexidade e a capilaridade entre estas instâncias sociais e, portanto, as políticas acabam sendo de ordens de magnitude menores. O próprio processo linear de formulação de políticas tipo -para um problema, uma solução-, sem enfoque sistêmico, elaboradas e implementadas de “cima para baixo”, isto é, detecta-se um problema, consultam-se especialistas, formulam-se soluções, não está adaptado às condições complexas e de rápida mudança dos contextos sócio-econômico e ambiental (Vargas, 2003[6][6]).

Esses aspectos explicam porquê os instrumentos de comando e controle e de persuasão têm sido insuficientes para frear os avanços dos desmatamentos e outras conseqüências da dinâmica territorial da agroindústria.

 

CONCLUSÃO

A eficiência dos mercados de produtos agrícolas, ao eliminar renda, dificulta a correção das externalidades e de fatores ambientais extra-mercados.

O mercado passando a ter um papel decisório e sua dinâmica sendo que as outras instâncias como o Estado e a Sociedade Civil percam espaço, a intervenção reguladora do Estado vira um imperativo, já que a sustentabilidade não pode ser assegurada se as decisões são deixadas a cargo das forças do mercado (Bursztyn, 2001). O papel do Estado na Amazônia Legal é o de representar o interesse público, formulando políticas e adequando seus mecanismos para sua melhor implementação. Faz-se necessário, portanto, abordagens inovadoras que considerem o papel que cabe a cada instância social, isto é, ao Estado, ao Mercado e à Sociedade Civil, bem como às possíveis parcerias e articulações entre elas (de Oliveira, 2003). 

Pode-se afirmar que, apesar de existir um arcabouço legal importante e um conjunto de ferramentas de planejamento e gestão, como o zoneamento e a gestão de bacias hidrográficas, o que garante sua eficácia é uma implementação transparente. Para garantir transparência, é indispensável um envolvimento maior da sociedade civil de forma que sua ação seja complementar à do Estado, exigindo deste o cumprimento da lei e a melhora nos instrumentos de que dispõe para a gestão dos recursos e do ambiente. Nesta relação de dupla via, cria-se e consolida-se a legitimidade necessária dos órgãos públicos e reforça-se o necessário caráter participativo da sociedade civil.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

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BICKEL U., DROS J.M., (2003). The impacts of soybean cultivation on Brazilian ecosystems: three case studies. WWF, 2003, multigr

BURSZTYN, Marcel (2001). Políticas Públicas para o Desenvolvimento (Sustentável). In Bursztyn, Marcel (org.) A difícil sustentabilidade: Política energética e conflitos ambientais. Ed. Garamond. Rio de Janeiro.

BUSCHBACHER, R., coord. (2000). Expansão Agrícola e Perda da Biodiversidade: origens históricas e o papel do comércio internacional. Serie Técnica Volume VII, WWF Brasil, Brasília, 98p.

CEBRAC, Rios vivos, IFAS, (2002). Diretrizes para articulações e desenho de políticas publicas com o objetivo da defesa e uso sustentável da biodiversidade. Multigr, Goiânia, 6p.

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FLASKERUD G., (2003). Brazil’s soybean production and impact. North Dakota State University, multigr, 16p.

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HOMMA, A. (1999). A expansão da soja na Amazônia: a repetição do modelo da pecuária? Brasilia, Embrapa-CPATU: 8 p.

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ROESSING AC (2002). “Cadeias produtivas: roteiro para estudo de sistemas agro-alimentares” Documentos da Embrapa, numero 187, 2002

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VETORATTO C. (2003). “A soja e o desmatamento na Amazônia” IMEA/ FAMATO, Cuiaba, multigr, 2p.

 

Sites: FAO (www.fao.org), USDA (www.usda.gov), CONAB (www.conab.gov.br),  Embrapa (www.cnpso.embrapa.br/retec2001/br/agronegocio/tabelas/tabela6.htm),  (Coalizão Rios Vivos (www.riosvivos.org.br), CEBRAC (www.cebrac.org.br)



 



[1][1] Esse trabalho é o resultado de uma pesquisa conjunta com outros pesquisadores do CDS-UnB e da Fundação CEBRAC; Joe Weiss, Gloria Vargas, Neli de Mello e Mauricio Galinkin.

[2][2] A Amazônia Legal foi criada em agosto de 1953, por meio da lei 1806, como área objeto de intervenção para políticas econômico-regionais ; Reúne os estados da região norte : Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, o Mato Grosso e a parte do Maranhão situada no oeste do meridiano 40°W.

[3][3] Vende-se uma propriedade na região Sul do país, e com o valor arrecadado com um hectare compra-se 10 hectares na fronteira agrícola

[4][4] Nas plantações amazônicas de soja existe uma situação muito diferente da verificada no Sul do país: para cada um milhão de hectares plantados são criados quatro mil empregos permanentes e seis mil temporários. Isso significa um empregado permanente por 250 hectares, e um emprego (permanente e temporário) por 100 hectares plantados. Um milhão de hectares produz, aproximadamente, três milhões toneladas de soja (Galinkin, 2002)

[5][5] Recentemente, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva lançou uma iniciativa chamada Amazônia Sustentável, que tem por objetivos conservar os recursos naturais da região, melhorar a qualidade de vida das populações locais e propor alternativas sustentáveis de atividades.

[6][6] Comunicacion oral


Ponencia presentada en el Sexto Encuentro Internacional Humboldt. Villa Carlos Paz, Argentina. Setiembre de 2004.


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