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Asunto:NoticiasdelCeHu 942/04 - En Brasil, sobra mercado, falta patriotism o ( de una discusión de geógrafos brasileños )
Fecha:Lunes, 14 de Junio, 2004  00:59:41 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

 
 
NCeHu 942/04
 

                                 Países o Mercados ("emergentes")
 
Extractos de una discusión abierta por los compañeros brasileños. Asistamos a algunos de sus pasajes.
 

 
 Estado de Minas. Opinião. Belo Horizonte, 10 de junho de 2004.

  Cabresto e barbicacho

  Eugênio Pascoal da Cunha Valadares - Professor da Academia da Polícia Militar de Minas Gerais

  Temos ouvido repetidas vezes, pela grande mídia, que o Brasil é um "mercado emergente". Em que pese o emergente, não creio que o País seja um mercado. Nossa posição geográfica no planeta já lançou as diretrizes mestras de nosso gigantismo: uma longa faixa oceânica ante o Atlântico e uma enorme fronteira terrestre com dez estados vizinhos. Possuímos incríveis jazidas minerais, petróleo, mais de 15% da água doce do planeta, terra agricultável em abundância, nenhum deserto, nenhum vulcão, nenhuma geleira. Nosso território, dos mais generosos do mundo, possui riqueza natural tão incomum, que nossa Amazônia é verdadeiramente uma cobiça internacional, assediada por ONGs (norte-americanas e européias) de interesses escusos como nos mostra Gélio Fregapani no livro Amazônia, a grande cobiça internacional (Editora Thesaurus, Brasília). Uma nação com história, com inúmeras realizações e vultos memoráveis, desde a epopéia do índio a Getúlio Vargas, que concebeu, deliberadamente, um projeto nacional ambicioso de infra-estrutura, que foi seguido, depois, por Juscelino Kubitschek, o outro nome da persistência e do êxito.

  Temos cultura, infelizmente bombardeada pela imposição rock-pop-box norte-americana (é mais fácil dominar e domesticar um povo impondo-lhe cultura do que pelas armas), mas que sobrevive nas rodas de tambor e congado, na ciranda, no axé, maracatu, chorinho, samba, capoeira, boi-bumbá, Caprichoso e Garantido, o futebol e a Seleção, essa paixão nacional. Na luta diária e silenciosa do arroz com feijão contra o fast-food; do suquinho de laranja ou de limão contra marcas mundiais de refrigerantes; da MPB contra o rock-and-roll; da Petrobras contra as multinacionais do ramo; da festa junina contra o Dia das Bruxas; da luta inglória de todas as manifestações de cultura de nossa gente contra o cinemão enlatado norte-americano e suas mercadorias de bandeirola azul e vermelha. O Brasil tem gente, é o quinto em população. Gente que encara o agreste, o sertão e a selva; de sentimento e religiosidade, inteligente; de soluções inovadoras e criativas.

  Contudo, querem roubar nosso sonho de ser uma grande nação; expropriar nossa noção de gigantismo. Não só nos chamam de mercado, mas tentam limitar nossa nação no tempo, cultura e espaço que interessa ao capital financeiro. É o tal do risco Brasil, da cotação do dólar, do mercado nervoso, da oscilação da bolsa, o superávit primário, com o qual não se pode plantar sequer um bago de feijão, a maldita taxa Selic (juros nas alturas). O vice-presidente, recentemente, disse que o País está encabrestado e ainda há o barbicacho. Irretorquível e insofismável. O cabresto e o barbicacho substituem o freio, empregado para controlar o cavalo ao ser montado, em pêlo, ainda no pasto.

  Quando optamos por ser mercado emergente, somos um país cabisbaixo, sem coragem, domesticado, doente e pedinte: o animal dominado pelo cabresto e o barbicacho. Quando optamos por ser uma nação forte e soberana, rompemos com tudo isso. Elevamos a auto-estima, despertamos a confiança e o orgulho de ser brasileiros. Precisamos, portanto, romper com a perda da nossa autoconfiança e construirmos nossa própria agenda; desarmar a intensa campanha de propaganda internacional sobre os perigos ambientais resultantes da devastação da Amazônia e de nossa incapacidade para preservá-la. Precisamos rever a renúncia do País ao uso pleno da energia nuclear e a exagerada demarcação das reservas de terras dos índios, que são um risco iminente contra nossa soberania. Japão e Alemanha, depois de derrotados na Segunda Guerra, são hoje, respectivamente, a segunda e terceira economias mundiais. Planejaram e acreditaram na sua viabilidade e em seu povo; sonharam e se reconstruíram. Precisamos, portanto, de mais patriotismo e de menos mercado.
 
 



  Convivas,

  Taí um exemplo de uma geografia que ainda povoa muito do senso comum institucionalizado nas academias e movimentos (como o 'Novos Inconfidentes', organizado por muitos oficiais militares em MG).

  Saudações Graúna!

  William.

 

 
 
William e colegas,

  De quem é este texto citado abaixo?

  Parece-me um texto honesto, ainda que peque pelo nacionalismo meio ingênuo. Reduzir uma nação inteira à condição de simples mercado é um assassinato de identidade sim. Mas falta dar nome aos bois, pois não dá para falar de juros, mercado, etc, sem ligá-los à tal da globalização. Não estou dizendo nada novo, não é? Aí, nesta ausência do nome, é que o boi escapa.

  Por outro lado, me agrada pensar que os militares (se este texto é deles) estão optando por uma postura nacionalista, ainda que esta não possa ser o destino final da sua prática política.
  Relativizemos: ser nacionalista é bom enquanto resguardo da cultura - que não equivale ao isolamento, pois a cultura brasileira foi todinha construída na fusão com outras. O que realmente precisa ficar demarcado é o espaço de uma cultura autônoma, que não se funde com outra pela força do capital. Nesse sentido, ser nacionalista é revolucionário, porque é resistir ao invasor.
  Já o nacionalismo dos fascistas é nefasto e perigoso. Supõe uma superioridade e/ou uma auto-suficiencia que o torna doente. Isso não é bom...
  Esta postura está somente insinuada no texto em questão, talvez por um arroubo de emoção. Creio que o autor saberá ouvir essa crítica e, quem sabe, freqüentar esta nossa lista.

  Andrè Bossan


 
 
Estimado André e demais listeiros,
      pensei um pouco , antes de redigir essas  linhas expostas a seguir. O dilema: escrevo? Não escrevo? E por que esse dilema?
      Falar hoje em Patriotismo e Nacionalismo parece ser um crime...! Um professor que é patriota , no mínimo receberá o rótulo infame de direitista... E infeliz de quem receber, sobretudo na conjuntura atual, tal estigma... E´inacreditável , mas esse equívoco  está cada vez mais se enraizando fortemente em todos os setores da sociedade brasileira, sobretudo nas escolas e faculdades em geral.  Isso é por demais preocupante!  Quem viveu outras épocas sabe do que estou falando...
     E por que é preocupante ?
     Todos os países do mundo procuram desenvolver nas crianças e nos jovens o amor a Pátria em que eles nasceram. Todo país tem símbolos e valores que necessitam ser cultuados. Por que não?
      Quando estive em Cuba, vi isso. Na Argentina e´(era?) assim. Nos Estados Unidos , idem! Na França, idem etc.
      Mas no Brasil, não pode ser assim. Não deixam que seja assim.  Essa destruição do sentimento nacional , de identificação nacional  foi algo muito bem pensado, inclusive fora das fronteiras do território nacional. Um país, como o nosso,  com a importância geopolítica que tem, não pode possuir um Povo com sentimentos fortes de patriotismo e de Nacionalismo. O Brasil com um Povo bem patriótico poderá significar um perigo para os países que ainda mantêm um domínio colonial aqui. A lógica dos países colonizadores e´manter o Povo brasileiro cada vez mais com uma ideologia de colonizado...
      Isso explica porque a cultura estrangeira, particularmente a dos Estados Unidos, é mais forte, nos dias atuais, aqui, do que a cultura nacional. E´importante para os países colonizadores que a juventude brasileira não tenha IDENTIDADE NACIONAL!!!!!!!!!!  E´algo estratégico... Então, mediante uma estratégia científica, minimizam os símbolos nacionais, ridicularizam esses símbolos e impõem sua Cultura à nossa gente. O Dia das Bruxas é um claro exemplo disso. As exigências demasiadas do domínio do inglês em detrimento do próprio idioma pátrio, nos processos de seleção aos  mestrados e doutorados, são outro exemplo dessa política...
      Nas Universidades, os colonizados, manipulados pelos colonizadores e seus representantes internos, bem pagos, com assessorias gordas, incultem na juventude universitária que Nacionalismo , Patriotismo e Fascismo são sinônimos. E essa falácia, de tão repetida que foi,sobretudo nos meios acadêmicos, acabou virando "verdade". Hoje, praticamente nenhum professor de Ensino Superior ou Médio é capaz de colaborar para desenvolver nos jovens e nas crianças o sentimento nacional...
      Recordo que no Encontro da AGB, acontecido em João Pessoa, uma pessoa ligada à  Geografia apresentou uma comunicação oral, num GT. E  num dado momento afirmou: " vejam que absurdo! No tempo de Getúlio Vargas o ensino de Geografia era influenciado demais pelo Patriotismo! "   Absurdo desenvolver o Patriotismo?  Deve-se desenvolver o quê? O Amor aos colonizadores? Aos seus símbolos?
      Essa história precisa ser repensada , sobretudo nos cursos de licenciatura. E´preciso destruir essa mentira de que patriotismo é igual a fascismo! Fascismo é uma ideologia de fanáticos, de prepotentes... Pode-se dizer que em Cuba o regime é fascista? E´fascista  a França?   Dirigentes políticos podem, sim, ser fascistas de esquerda ou de direita. Isso é outra história...  
     Naõ se pode acabar com esse sentimento, mesmo que a Globalização torne-se cada vez mais poderosa. Aliás, talvez o Nacionalismo e o Patriotismo sejam as únicas armas para combater os males dessa globalizaçãoque despersonaliza as nações, especialmente as nações subdesenvolvidas e escraviza povos e nações às vontades soberanas dos países fortes...
      Espero que essas minhas breves colocações sirvam para um debate, mas que seja pacífico e num grau elevado
      Saudações Patrióticas!
     
Lucivânio
 




  Sérgio e Paulo Henrique,

  Certamente, quanto aos militares, não posso generalizar, não pretendo. Os militares brasileiros nem sempre foram atentos cumpridores dos mandamentos norte-americanos, tampouco todos foram torturadores, embora também os tenhahavido, você sabe.

  Mas o que realmente nos tem faltado é uma boa definição de nacionalismo.

  Acho que a abordagem do Paulo Henrique, até aqui, foi a que mais satisfezen uma perspectiva científica, recuperando a origem do termo. Fica claro que até agora andamos falando mais de sentimentos do que de fatos concretos.

  Bem, nada disso é tão ruim. Uma coisa não pode ser confundida com a outra mas ambas são importantes, pois essa coisa romântica do amor à pátria pode ser sim um motor subjetivo para a ação anti-imperialista.

  Nem tudo é razão...

  A idéia de nação está mais perto da noção de povo do que da de Estado. Amar a nação é algo superior a amar ao Estado.

  Fala Paulo Henrique!!!!

  Andrè Bossan
 


  Caro André e demais amigos,

      Realmente para alguns pensadores a nação supera o estado. Não lembr  exatamente os nomes... mas acho que Hegel era um deles... não lembro exatamente se era ele ou Weber... Mas eu entendo que no mundo capitalista pouco importa a questão da nação. Na verdade, aos olhos do sistema capitalista pouco importa nação, cultura e etc. Na verdade, somos todos portadores de força de trabalho, é isso que importa. Nós podemos gerar valor

      Realmente o nacionalismo é uma oposição ao imperialismo. Mas não devemos cair no erro de entender qualquer negação como uma alternativa ao que se apresenta como dominante. Não basta dizer "Não a ALCA", "NÃO AO FMI", "NÃO
  AOS POKEMONS". Na verdade, esse tipo de discurso, usado tanto pela direita quanto pela esquerda, é pouco propositivo, não apresenta alternativas, portanto não dou a eles nenhuma importância.
      Eu entendo que a única maneira de se combater uma situação como o imperialismo é, primeiro, entender sua real posição dentro deste sistema. Só após perceber a real condição que se vive é possível encontrar uma alternativa, um outro caminho que desfaça os "nós" que se apresentam no sistema atual.

  Espero ter contribuido em alguma coisa 
 
 Paulo Henrique
 

 
 
Paulo Henrique,
    vc. está contribuindo e muito, com um nível elevado, para a abordagem desse importante e urgente assunto que são o Patriotismo e o Nacionalismo. São duas dimensões conceituais que devem fazer parte do ensino de Geografia. Agora , que essas dimensões estão sendo de forma proposital afastadas do ensino , não tenho dúvidas. E esse é o grande equívoco ( ou uma estratégia internacional)  no sistema educacional do País  atual...
     No tocante às dimensões atitudinais, parece-me que  muitos profs. têm procurado desenvolver nos jovens um certo descaso com a questão nacional e com os conceitos básicos relativos ao Patriotismo. Um outro  aspecto dessas dimensões que pode ser desenvolvido nas aulas de Geografia é evitar que o jovem tenha um amor exacerbado à Pátria, descambando para a maléfica xenofobia.
Quando se fala em Patriotismo, Pátria, Nação brasileira, imediatamente associa-se isso a regime militar, à Direita, a posições politicamente "reacionárias"... E não é por aí...
      Em 1970, o Brasil vivia o ápice do regime de exceção. ´Naquela época eu era um jovem estudante secundarista de esquerda radical. A nossa "turma", de esquerda,  procurava incultir nos outros jovens independentes ( ou alienados, com pejorativamente os chamávamos) um certo ódio à Pátria. Havia uma música que ridicularizamos muito... Era uma música ingênua que dizia: "Eu te amo , meu Brasil, eu te amo..."  Uma música de dois humildes compositores, incultos, chamados Dom e Ravel...  A música procurava enaltecer a terra brasileira e nada mais do que isso... O regime difundiu muito essa canção, é verdade! Mas que mal ela fazia?  Hoje, de forma mais madura, vejo que era algo inofensivo. A ´música de Dom e Ravel, um pouco fraca do ponto de vista da estrutura harmônica, é quase que "proibida " de tocar hoje... Mas nenhuma objeção há contra um rock que diz "nenhuma Pátria me pariu"...
  Confundia-se  nos anos 70  Pátria com Governo Militar. Um erro estúpido nosso! Pátria é perene; Pátria é uma unidade moral; Governo é efêmero, conjuntural. Governos passam e frustram e morrem...  Recordo que nos jogos da Copa de 70, torcíamos , sem o menor constrangimento, e publicamente, contra o Brasil!   Veja a que nível de alienação chegamos, naquele período...   Torcíamos pela seleção russa nos jogos ! Uma estupidez inadmissível...
       Em 1974, na Copa daquele ano, uma cena me impressionou e me fez abandonar  aquele equívoco juvenil. O Brasil estava jogando, no me recordo contra quem. Na rua em que eu morava, passou um senhor, com uma caroça carregada de papelão e lixo. Era um homem paupérrimo, imundo... Na caroça, em cima da sujeira, dos restos de lixo, uma menino segurava alegremente uma bandeira brasileira.  E eu, de classe média, bem-alimentado,  torcendo contra o meu País. A cena me abalou ... E me vi ridículo junto de jovens ridículos, equivocados e arrogantes...  Mudei para sempre...
       Os jovens brasileiros estão perdendo a identidade nacional...  Isso é grave! Gravíssimo!  E a culpa em parte é nossa, dos professores de Geografia. Claro que a culpa maior não é nossa e sim dos "internacionalistas", daqueles que elegeram outras nações como suas...  Esses culpados maiores estão nas universidades, formando opiniões, nas altas instâncias financeiras, elaborando políticas educacionais, ministrando cursos de capacitação docente etc.
        Ainda há tempo de revermos esses equívocos de ontem, com a autocrítica, e os de hoje, com discussões elevadas, inclusive em congressos de Geografia, como o Fala Professor ou até no ENG. Porém, poucos têm a coragem de abordar esse tema... Mas que é necessário, é!  Já existe uma geração sem identidade nacional nenhuma... inclusive lecionando.
        Saudações Geográficas
       
 Lucivânio
 

Fuente: Listageografía/Brasil.