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Asunto:NoticiasdelCeHu 153/04 - Casa grande e senzala
Fecha:Lunes, 9 de Febrero, 2004  00:32:32 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

 
NCeHu 153/04                                                                                                                                              
 

 
Casa grande e senzala

                                                                                                                                                                Laerte Braga


A chegada apoteótica do presidente do Banco Central à reunião do novo ministério do presidente Luís Inácio Lula da Silva lembra as velhas imagens dos livros de História do Brasil, onde os escravos aparecem carregando os senhores em liteira.

Sem trocadilhos, literalmente, Palocci, Furlan, José Dirceu, Roberto Rodrigues e o próprio Lula, além dos outros ministros, lógico, se revezavam na tarefa de carregar o norte-americano designado para representar o seu país na gestão dos negócios da empresa Brasil S/A . À tarde, numa reunião com os chamados ministros do núcleo duro, Lula anunciou o contingenciamento de 6 bilhões de reais no orçamento deste ano. Antes da reunião e depois da decisão, o presidente insiste em falar em desenvolvimento.

Só se for o da General Motors, por exemplo. Lula recebeu o presidente da maior empresa do mundo em Palácio. Foi anunciar que vai ampliar os negócios no Rio Grande do Sul. Germano Righotto, aliado de Lula, despeja dinheiro público para anunciar a retomada dos investimentos em seu estado. Seria interessante que os custos, são fáceis de virem a ser apurados, da ampliação do negócio da GM viessem a público. Quanto custa, por exemplo, cada carro produzido a um contribuinte brasileiro, ou a um contribuinte gaúcho. A relação entre os empregos gerados (pouquíssimos) e os ganhos efetivos dos trabalhadores e das comunidades de um modo geral.

A iniciativa privada, no Brasil e nos países periféricos, se expande com o dinheiro público. Privados, apenas os lucros.

Quando presidente da República, Itamar Franco moveu céus e terras para que uma unidade montadora da Mercedes Benz fosse para sua cidade, Juiz de Fora, em Minas Gerais. Foi e está lá. Cada veículo produzido pela empresa custa cerca de 120 reais ao contribuinte municipal e mais de 900 reais ao contribuinte estadual, tamanho o volume de concessões, créditos e vantagens oferecidos ao grupo.

Concessões, créditos e vantagens que se ampliam periodicamente, a cada vez que uma retração no mercado comprador de automóveis, faz diminuírem as vendas. A empresa, ou todas, cobram novos privilégios sob ameaça de gerar desemprego, de se mudarem para outros lugares, coisas que estamos cansados de ver.

No Brasil a iniciativa privada comprou o Estado, é a maior acionista, à frente o sistema financeiro e chamam isso de desenvolvimento, de investimentos, de progressos, coisas assim.

Foi ao perceber isso, com a clarividência genial de sempre, que Millôr Fernandes afirmou que "no Planalto muita gente de quatro fingindo que está procurando a lente de contato".

O convite a Henrique Meireles para abrir a reunião ministerial da sexta-feira foi um dos espetáculos mais degradantes de subserviência dos governos brasileiros. Talvez comparável ao protagonizado pelo então chanceler, no governo FHC. Horácio Láfer, quando tirou os sapatos num aeroporto dos Estados Unidos.

Digo talvez porque o vexame a que foi submetido o chanceler de FHC não estava no seu programa, aceitou-o por pequenez mesmo. O convite a Meireles foi um ato deliberado, pensado, planejado, para desagravar o inspetor designado pela matriz. Um beija mão despudorado.

O governo Lula não tem jeito. Como se costuma dizer em Minas Gerais, "barrrigada perdida". Ou ornitorrinco na definição precisa do notável Chico Oliveira.

O Brasil continua a ser o paraíso do sistema financeiro, das multinacionais e ao lado dos bancos, a indústria automobilística é a segunda maior detentora de ações do Estado brasileiro.

Criou a ilusão que gera empregos, gera divisas, significa investimento, progresso, avanço tecnológico, etc, na esteira da cultura Big Brother, despejada diariamente pela Globo, principal agente de comunicação dos donos. Como diz uma velha frase machista (o capitalismo é machista, mulher só como mão de obra mais barata, para a cama e tarefas domésticas), o desenvolvimento sustentável de Lula é aquele que coloca o carro na cama e a mulher na garagem.

E vem aí a ALCA, em 2005, por tudo o que o governo possa dizer o contrário. Já garantiram a Bush que assinam o acordo. Agora, apostam na eleição de um democrata para tentar suavizar os termos do tratado de recolonização.

No domingo de Lula, se não tiver futebol, tem churrasco.

São dois os tipos de senzala hoje no Brasil: o que habita o Palácio do Planalto (e outros), com luxos permitidos pela Casa Grande e as daqui debaixo, que pagamos as contas e nos regozijamos com a graça de ter um presidente enviado dos céus para acabar com a fome.


Fuente: www.rebelion.org , 7 de febrero de 2004.