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Asunto:NoticiasdelCeHu 378/21 - A RELAÇÃO SOCIEDADE-NATUREZA: ALGUMAS QUEST ÕES METODOLÓGICAS
Fecha:Martes, 9 de Noviembre, 2021  22:43:31 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <noticias @..............org>

NCeHu 378/21

 

A RELAÇÃO SOCIEDADE-NATUREZA: ALGUMAS QUESTÕES METODOLÓGICAS

 

Kesia Rodrigues dos Santos

Universidade Estadual de Goiás e da Rede Municipal de Educação de Anápolis-GO;

Anápolis - Brasil

Danilo Cardoso Ferreira

Universidade Estadual de Campinas

Campinas - Brasil;

 

INTRODUÇÃO

A abordagem da questão ambiental nas Ciências Sociais envolve a necessidade de considerar tanto as influências exercidas pela sociedade sobre a natureza quanto às exercidas pela natureza sobre a sociedade. Os impasses analíticos gerados pela abordagem desta relação consistem, portanto, em tentar estabelecer um sistema de coordenadas conceituais que correlacione duas ordens de conhecimento distintas. Essa realidade desafia com maior evidência a ciência geográfica, uma vez que a relação entre a sociedade e a natureza é uma questão central em seus debates. O mundo em transformação nos apresenta desafios, como afirma Vitte (2011):

Mudanças estruturais no sistema Terra-Mundo (nessa fase do capitalismo), obrigam-nos a repensar nossas matrizes conceituais e metodológicas. Uma nova relação espaço-temporal se impõe, natureza e sociedade interligadas. Torna-se quase impossível distinguir geografia física e humana (VITTE, 2011, p.13).

Nesse sentido, a ciência geográfica, segundo Vitte (2011), vê-se diante de questões difíceis de tratar, sejam elas físicas ou humanas. Se há um problema teórico, há também um problema de método e metodológico, isso para abordar eventos e processos, que em si desconhecem se são naturais ou humanos. Os processos ao se tornarem objetos de estudo muitas vezes são classificados em físico ou humanos, mas em sua essência, na realidade essa separação não existe, ou pelo menos não é evidente. Um exemplo que ilustra bem essa não separação são as inundações urbanas, também conhecidas como enchentes por alguns pesquisadores. Sobre as enchentes e sua abordagem no campo científico, Mateddi (1999) afirma que

 

[...] a importância da abordagem deste tema justifica-se também através da consideração das consequências epistemológicas e metodológicas. Como todos os problemas ambientais, também o problema das enchentes se estabelece nos pontos de intercessão entre sociedade-natureza, e sua análise envolve a consideração de fatores naturais e sociais. A abordagem de objetos de análise multidimensionais permanece sendo um grande desafio ao conhecimento científico, na medida em que requer a integração de categorias de pensamento e de conhecimento distintas. Por um lado, não se pode recorrer à tradição sociológica clássica e suas versões modificadas do século XX, porque elas fornecem poucos subsídios, e, por outro lado, a crescente fragmentação e especialização do campo das Ciências Naturais também inibem o desenvolvimento de uma avaliação sistemática dos problemas ambientais. Em nosso ponto de vista, o que efetivamente se estabelece na abordagem de problemas ambientais nas Ciências Sociais é o reconhecimento da complexidade, entendida aqui como aumento das possibilidades de relações, combinações, e conexões entre os elementos a serem analisados, problematizando, assim, e conexões entre os elementos a serem analisados, problematizando, assim, as correspondências unívocas e lineares da construção do objeto nas Ciências Sociais (MATTEDI, 1999, p. 8).

 

Conforme explicitado pela autora, muitos temas dentro da Ciência Geográfica navegam entre as Ciências Sociais e as Ciências Naturais. O que é uma riqueza em termos teórico-epistemológicos, é também um desafio metodológico. Sobre as demandas do trabalho científico, Moraes (2005) afirma que:

 

[...] o trabalho científico requer uma atuação de cunho epistemológica, não apenas no momento inicial de circunscrever o campo de pesquisa, de desenhar um objetivo teórico para a investigação, de definir uma meta a que se quer chegar com aquela labuta empírica. (...) Acompanhamento epistemológico (...) uma localização filosófica dos fenômenos e relações que buscamos na investigação empírica (MORAES, 2005, p. 46).

 

"Uma segunda tarefa seria a reflexão diretamente metodológica. Saímos do questionamento sobre o que trabalhamos e passamos para a abordagem do como trabalhamos" (MORAES, 2005, p. 46). Refletir sobre a ciência geográfica e como foi sua postura diante da relação sociedade-natureza é importante, bem como verificar se os métodos utilizados por essa ciência têm dado conta dessa tarefa.

Moraes (2005) segue dizendo que "há uma grande diversidade de métodos nas ciências contemporâneas, cada um trazendo formas próprias de abordar a realidade, com visões distintas acerca da natureza, acerca da sociedade e acerca da relação sociedade-natureza" (MORAES, 2005, p. 47). O autor ressalta ainda que não há apenas um método na ciência, e é preciso entender as possibilidades de cada um no que se refere à temática ambiental.

Segundo Moraes (2005, p. 96) "discutem-se bastante as barreiras disciplinares, mas as barreiras metodológicas acabam sendo muitas vezes rígidas, cristalizando verdadeiros 'feudos' temáticos". Por isso é fundamental motivar um debate Inter metodológico no estudo da temática ambiental nas Ciências Sociais (MORAES, 2005). Essa cristalização metodológica é algo a ser superado e uma análise profunda sobre esse tema é um caminho a ser percorrido. No entanto, não se almeja percorrer esse caminho na íntegra, pelo nesse momento, mas pretende-se indicar algumas possibilidades de reflexões sobre esse tema.

 

OBJETIVOS

Dessa forma, o objetivo dessa contribuição é discutir algumas possibilidades metodológicas nas análises de interface entre natureza e sociedade.

 

METODOLOGIA

A pesquisa bibliográfica foi a metodologia utilizada para empreender a discussão aqui proposta, o diálogo entre vários autores possibilita uma visão de como esse tema tem sido tratado na atualidade, bem como alguns apontamentos de caminhos que podem ser seguidos em pesquisas futuras. A escolha do método de análise define a forma como o pesquisador vai olhar o seu objeto.  Para realizar uma análise das áreas de inundação, é necessário perceber o objeto como um fenômeno que possui elementos constitutivos que são integrados. Na ciência geográfica essas questões ganham forma e;

 

A geografia vê-se diante de questões difíceis de tratar (físico ou humanas). Se há um problema teórico, há também um problema de método e metodológico, isso para abordar eventos e processos, que em si desconhecem se são naturais ou humanos. (...) Não é possível um estudo Geografia Física sem considerar a percepção ambiental dos moradores, assim como sua inserção e posição no modo capitalista de produção da vida e sobrevivência cotidiana (VITTE, 2011, p.16).

 

Especificamente, a geografia física, na atualidade, tem apresentado duas abordagens principais. Segundo Nunes et al. (2006): uma de caráter neopositivista e outra com base no materialismo histórico-dialético. Na primeira abordagem, destaca-se o método sistêmico e suas derivações. Já na segunda, propõe-se entender a geografia física sob o prisma da dialética. A perspectiva teórica que se tem destacado nas análises do meio físico, na Geografia, com mais ênfase na Geografia Física, é a abordagem sistêmica.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Cabe ressaltar que ambas relacionam o homem à questão da natureza. A primeira entende o homem como ser antrópico (dissociado da natureza e com tendência à destruição dela) e a segunda como ser social. Isso denota que o método sistêmico e suas derivações priorizam fatores naturais enquanto o materialismo histórico-dialético enfatiza fatores sociais, incluindo aqui o político e o econômico. Essa priorização de apenas um desses fatores prejudica a análise e não possibilita alcançar os objetivos traçados pelas pesquisas.

Mas essa separação realizada entre as áreas físicas e humanas necessitam ser superadas. Houve avanços no trato dessa relação sociedade-natureza nas ciências, mas Custódio (2002) considera que

 

Apesar do avanço na consideração das “ambiências naturais sociais”, seu tratamento metodológico tem sido demasiadamente naturalizante, o que compromete sua compreensão sociopolítica. O tema é recente entre cientistas sociais, e o interesse tem sido justamente o de desnaturalizá-lo. (...) nessa perspectiva, a caracterização dos aspectos físico-naturais – relevo, clima, rios, solo, vegetação. – Em um estudo sobre a problemática ambiental urbana, visa entender a incorporação e a modificação realizada pelas sociedades humanas. Processo em essência contraditório e deflagrador de “situações” (CUSTODIO, 2002, p. 17).

 

Da mesma forma que houve mudanças na abordagem do meio ambiente nas ciências sociais, também houve na geografia física. Pensando também nesses estudos ambientais, Guerra e Marçal (2006) afirmam que “a abordagem ambiental, nos estudos geomorfológicos, abrange a compreensão das relações do homem com a natureza, dando-lhe suporte técnico importante para se trabalhar a questão ambiental dentro de uma ótica integradora”.

Neste trabalho não se objetiva avançar em discussões metodológicas no sentido de mudanças estruturais, mas sim rever a forma como esses métodos podem ser aplicados à realidade posta. Para compreender a ocorrência de inundações, a análise integrada dos elementos da natureza é necessária, como propõe o Método Sistêmico. Todavia, também existe uma sociedade envolvida e um contexto econômico que precisam ser considerados, pois eles influenciam tanto nas ocorrências quanto nas consequências das inundações. Essa análise da produção e valorização do espaço urbano tem base "marxista" e, consequentemente, utiliza como método de análise o Materialismo Histórico e Dialético. Optar por um desses métodos seria ceder a uma análise parcial do fenômeno. Então qual é a solução? É preciso considerar que o sistema terra-mundo em sua configuração atual demanda novas interpretações, nesse contexto pode-se refletir sobre uma "geografia híbrida", que exige uma "imaginação geográfica", como aponta Vitte (2011).

É importante perceber que “o uso de determinada técnica não define as diretrizes interpretativas de uma pesquisa e muito menos o perfil ideológico do pesquisador" (MORAES e COSTA, 1993, p. 29). Dessa forma, faz-se necessário adequar as técnicas às demandas do trabalho e seguir o direcionamento metodológico de acordo com o como se olha para o objeto. É possível, por exemplo, fazer uma análise clinográfica de uma bacia e analisar a ocupação das áreas de maiores declividades por uma população espacialmente segregada.

Em seu trabalho Santos (2008, p.2) optou por aplicar "um método para a análise das questões naturais e outro para as análises de problemas sociais, uma vez que demandam formas diferentes de abordagem, que nos permitiu estudar o relacionamento dos aspectos socioeconômicos com os socioambientais". O que parece ser uma opção a esse desafio.

Analisar as questões socioambientais aliando perspectivas da geografia física e da geografia humana, do método Sistêmico e do "marxismo", é fundamental para a uma compreensão que rompa com um mundo percebido de maneira partida e cindida. Deve ser destacado que "além da lógica dialética e da postura materialista, o marxismo trabalha com a análise histórica, isto é, para ele qualquer fenômeno só pode ser explicado quando é apreendido em sua gênese e em seu desenvolvimento" (MORAES e COSTA, 1993, p. 50). Para as pesquisas que analisam a natureza em sua interação com a sociedade, isto é muito importante; pois o espaço que se tem na atualidade é resultado de uma produção histórica. Mas é fato que não se pode abandonar a análise de fenômenos "naturais" numa visão sistêmica. Segundo Cunha e Mendes (2005), a proposta de integração dos dados físicos se norteia pelos pressupostos da Teoria Geral dos Sistemas, objetivando compreender os vínculos de dependência entre os diversos fatores ambientais.

 

CONCLUSÕES

É preciso cuidado com as análises que se dizem holísticas no campo ambiental, e, se impõe a necessidade de ter cautela nas análises para que essas não priorizem alguns elementos em detrimento de outros, também importantes. Não cabe a esse trabalho definir que trabalhar de forma integrada seja o melhor caminho, esse é apenas um indicativo dado por pesquisas que estão avançando nessa perspectiva. É importante ressaltar que cada objeto dará o tom para a pesquisa e antes de tudo o pesquisador precisa entender a complexidade de seu objeto e buscar a melhor forma de análise, sem preconceitos metodológicos.

 

REFERÊNCIAS

Cunha, C.M.L. da e Mendes, I. A. Proposta de Análise Integrada dos Elementos Físicos da Paisagem: uma abordagem geomorfológica. Rio Claro: Estudos Geográficos, jan-jun. 2005, 3(1): 111-120. Disponível em: www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm Acesso em: 30/07/2008.

CUSTODIO, V. A Persistência das Inundações na Grande São Paulo. Tese de Doutorado. São Paulo: FFLCH USP, 2002.

MATTEDI, Marcos A. As enchentes como tragédias anunciadas: impactos da problemática ambiental nas situações de emergência em Santa Catarina., 1999. Tese de Doutorado em Geografia - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, Campinas.

MORAES, A. C. R. M. Meio Ambiente e Ciências Humanas. 4. ed. São Paulo: ANNABLUME, 2005.

MORAES. A. C. R.; COSTA. W. M. A valorização do espaço. 3a. ed. São Paulo: Hucitec. 1993.

NUNES, J. O. R. et al. A influência dos métodos científicos na Geografia Física. Terra Livre: Presidente Prudente. Ano 22, v.2, n. 27. p. 119-130. Jul-Dez/2006

SANTOS, J.A. CIDADE E NATUREZA: relações entre a produção do espaço urbano, a degradação ambiental e os movimentos sociais em Bauru-SP. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, 2008.

VITTE, A.C. Por uma Geografia híbrida: ensaios sobre os mundos as naturezas e as culturas. 1ª ed. Curitiba, PR: CRV, 2011.

 

 

 

Trabajo expuesto durante el XXIII Encuentro Internacional Humboldt “La Cuestión China” – Florianópolis, Brasil - 20 al 24 de septiembre de 2021. MODALIDAD VIRTUAL

Para acceder al video de presentación ingresar al canal del Centro Humboldt: https://www.youtube.com/channel/UCyfxfhPdmoy3nWbFYs4E_nQ