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Asunto:NoticiasdelCeHu 375/21 - A PANDEMIA E A DESIGUALDADE SOCIAL EM JUIZ DE FO RA - MG
Fecha:Lunes, 8 de Noviembre, 2021  12:48:09 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <noticias @..............org>

NCeHu 375/21

 

A PANDEMIA E A DESIGUALDADE SOCIAL EM JUIZ DE FORA – MG

 

Telma Souza Chaves

Centro Humboldt/ Departamento Municipal de Limpeza Urbana - DEMLURB

 

 

Introdução:

 

O Brasil é um dos países que apresenta uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Atualmente estamos vivendo a pandemia do Covid-19 que está deixando marcas grandes marcas vários países no mundo, uma delas é a crise econômica. No Brasil ela desmascarou e mostrou a realidade vivida pelos brasileiros, estamos vendo e vivenciando a crise econômica brasileira.  Em consequência, um dos maiores males do país que é a desigualdade social ganhou proporções colossais e abriu mais o abismo entre as classes sociais.

No período da pandemia e de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio - Pnad o país apresenta que os 10% mais ricos da população perderam em média 3% de sua renda, enquanto que os 40% mais pobres perderam 40% de sua renda, renda esta que vem do trabalho da maior parcela populacional brasileira.

As maiores vítimas deste quadro econômico são os trabalhadores temporários, sub-remunerados e os trabalhadores informais. Ainda conforme a Pnad, as estatísticas somam 14,761 milhões de trabalhadores estão desocupados no Brasil, ou seja, não possuem emprego remunerado, a taxa de desemprego gira em torno de 14,7%. Os municípios brasileiros amargam este panorama atual e a cada dia mais pessoas estão morando nas ruas das cidades brasileiras, principalmente nos grandes centros urbanos e cidades médias.

Com a crise econômica causada pela pandemia estamos vendo o empobrecimento da população. O número de pessoas abaixo da linha de pobreza e em situação de rua vem aumentando a cada dia em Juiz de Fora. A recessão econômica está atingindo principalmente os trabalhadores informais e os autônomos, trazendo consigo um cenário de maiores proporções na desigualdade social.

 

 

Juiz de Fora e a Desigualdade Social:

 

Em Juiz de Fora é perceptível o número de pessoas que estão em situação de rua. Como polo regional o município exerce uma influência marcante na sua microrregião e municípios do seu entorno e até de municípios do Estado do Rio de Janeiro. Por ter esta condição o município  atrai as pessoas na esperança de encontrar melhores condições de trabalho e renda.

No período da pandemia Juiz de Fora está sendo referência para o tratamento de Covid-19 por conta da ampla rede de hospitais que oferece. Muitos vieram e estão vindos para receberem o tratamento adequado, outros em busca de auxilio social que o município está oferecendo, outros através de ONGS não governamentais.

Em junho de 2021, foi realizada uma pesquisa junto aos catadores de materiais recicláveis que teve como área de trabalho um polígono que abarca a região Central Urbana e Comercial de Juiz de Fora. Participaram desta ação funcionários da Subsecretaria de Proteção Social e Promoção Social, Subsecretaria de Vigilância e Monitoramento e do DEMLURB. A pesquisa foi realizada através de um questionário aplicado em 74 moradores de rua, catadores de materiais recicláveis que ocupam atualmente o polígono demarcado e tem como principal fonte de renda a venda dos materiais recolhidos.

A pesquisa teve o intuito de realizar um cadastro desses moradores tendo como objetivo a reflexão deste público específico, sobre a importância da acolhida e a finalidade de assegurar as proteções afiançadas, tais como: referenciamento nos serviços socioassistencias; garantia da transferência de renda; inclusão nos projetos de acesso ao trabalho e encaminhamentos para os serviços de saúdes e outras políticas públicas.

Não será necessário demonstrar neste trabalho a compilação de todas as informações que o questionário apurou, abordaremos as informações mais relevantes que consideramos para demonstrar o processo de empobrecimento da população agravada pela pandemia e a crise econômica.

O questionário levantou questões quanto à: escolaridade; condição de moradia; se possui algum benefício, se o catador é associado em alguma associação/cooperativa; motivo pelo qual está na rua; condições de moradia; frequência de pernoite nas ruas; se trabalha com carrinho;  é dono do carrinho;  possui vínculo com algum depósito  e  para qual  a mercadoria recolhida; pernoita em espaços de acolhimento municipal; quanto tempo trabalha como catador de materiais recicláveis; quais equipamentos de assistência social utiliza; tem vontade de participar de algum grupo/associação de catadores.

                        No final do questionário aplicado e com os dados compilados, verificou-se que 62 são do sexo masculino, o que corresponde 84%, 12 feminino, correspondendo a 16% dos catadores entrevistados. Quanto aos benefícios sociais a entrevista levantou que 24 pessoas estão no sistema do Cadastro de Sistema Único – CADúnico, que é um conjunto de informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza extrema pobreza. No entanto 49 nos fazem parte do cadastro e um não respondeu.

                        Para o beneficio Bolsa Família, 19 catadores disseram que recebem, já 51 responderam que não estão recebendo e 4 não responderam. Destacamos aqui que diversos programas sociais do Governo Federal utilizam o Sistema do Cadastro Único como base para seleção das famílias,  o Bolsa Família é um dos programas. Os 51 entrevistados que responderam não receber o Bolsa Família não tem nenhum outro tipo de renda, visto que não possuem o cadastro que é o ponto de partida para está participando de algum programa.

Um fato a destacar é sobre a escolaridade dos entrevistados,  com a compilação e analise dos dados, verificou-se que 67 pessoas possuem escolaridade, que vai do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Acadêmico. Deste total, 6 responderam que chegaram a concluir o Ensino Fundamental, todavia  37 não concluíram. Para o Ensino Médio completo, 9 responderam que concluíram e 13 não concluíram.  Quanto ao curso superior, uma pessoa respondeu ter concluído e outra respondeu que abandonou o curso superior, porém chegou a ingressar em uma faculdade. São 4 pessoas sem alfabetização e 3 não responderam a esta pergunta.

Realçamos também a questão da condição de moradia, porque foi verificado que alguns dos entrevistados possuem endereço fixo e residência, mesmo que atualmente estão em situação de rua. Do total 20 pessoas falaram que possuem residência própria, 11 pessoas pagam aluguel, 4 residem em residências cedidas e 49 não possuem residência, ou seja, esta parcela  tem as ruas da região Central como referência de moradia.

A questão de onde pernoitam somente 3 responderam que vão para os abrigos municipais, como casas de acolhimento e albergues. Já 39 pessoas referenciaram o nome das ruas que pernoitam durante a semana, 1 respondeu que não tem local fixo e dorme onde estiver encerrado o dia e 4 não responderam. Em conjunto com esta pergunta foi levantada também a frequência com que dormem nas ruas. Do total de 46 pessoas, uma respondeu que dorme 3 dias da semana, outra respondeu que dorme 5 dias, 18 responderam que dormem os 7 dias da semana, uma respondeu que dorme algumas vezes, uma respondeu que dorme alguns dias da semana, um respondeu que dorme quando necessário, uma pessoa que já dorme há anos, não soube precisar quantos anos já se passaram e 22 pessoas não responderam esta questão.

Outro destaque que fazemos é sobre a pergunta se os catadores estão vinculados a algum deposito. Do total, 35 responderam que não tem nenhum vínculo, 26 responderam que possuem e 13 não responderam. Para a pergunta se são donos do carrinho 14 responderam que o carrinho é de depósito, 23 responderam que não trabalham com carrinho, 29 falou que são donos e 8 não responderam. Esta informação foi destacada, porque após sua análise verificamos que, para os catadores vinculados e os que utilizam o carrinho dos depósito são obrigados a comercializar a mercadoria com o próprio depósito, não tendo a possibilidade de comercializar e buscar melhores preços com outros depósitos.

Outra pergunta relevante é sobre a vontade de participar de algum grupo/associação de catadores. Do total, 3 responderam que participam, 30 responderam que tem vontade, todavia  36  disseram que não e 5 não responderam. Após a compilação dos dados verificou que os que não têm vontade em se associar é porque disseram que a divisa do lucro não é distribuída igualitariamente, aqueles que estão na frente da associação  fica com a maior parcela do lucro.

                        Quanto à questão, tempo em que trabalha como catador de materiais recicláveis, o que chamou atenção foi o  fato de que 30 pessoas estão tendo renda ou complementado com a coleta destes materiais. Estas 30 pessoas estão nas ruas menos que 3 anos, este fato demonstra claramente o empobrecimento da população  e a distancia social que se agravou com a pandemia no Brasil. A cada dia estamos vendo cada vez mais pessoas em condições análogas de pobreza, estas pessoas que perderam seus trabalham estão aumentando o percentual do total da população que estão na linha de pobreza no pais. São 30 dos 74 que estão recentemente nas ruas, mas as 44 pessoas já sobrevivem a mais anos coletando materiais recicláveis já sobrevivem vivem na linha da pobreza ou abaixo dela.

                        O cenário encontrado no período da pandemia em Juiz de Fora, retrata as enormes desigualdades do Brasil, que se agravou e onde a maior parcela da população não possui recursos para manter uma sobrevivência de forma digna, tornando-se segregada no espaço urbano brasileiro, com isto configura-se em uma arena de conflito de interesses de classes.

 

 

Considerações Finais

 

De uma análise realizada através do questionário aplicado a um determinado grupo específico em Juiz de Fora verificamos o quanto a pandemia agravou as desigualdades socioeconômicas. Este fato nos dá a noção da proporção do que está acontecendo no Brasil, o acesso desigual aos recursos e a riqueza ampliou a profundidade entre as classes sociais brasileiras.

Quanto as desigualdades e o empobrecimento, verificamos que guardadas as devidas proporções, o mesmo processo que ocorre nas grandes cidades está ocorrendo em Juiz de Fora, a  partir dos dados demonstrados foi possível averiguar o empobrecimento da população. Com a pesquisa foi possível verificar que boa parte dos catadores em situação de rua estão pernoitando nas ruas, por não terem um local específico onde possam estar guardando o seu carrinho e para o que não trabalham com carrinho um trabalho efetivo da assistência social será necessário para que possam ser recolhido nos abrigos municipais.

Quanto a questão de estarem buscando uma associação e tornarem membros das  existentes do município ou criarem mais associações para que possam futuramente tomarem as decisões e não ficar reféns dos depósitos que compram seus produtos a preços baixo. Concluímos que

Os dados registrados na pesquisa trouxe a reflexão que a acolhida a estas pessoas devem se cumprir como foi destacado no objetivo, sim devemos afiançar aos serviços socioassistenciais e dar a condição da transferência de renda, a inclusão nos projetos de acesso ao trabalho encaminhando a todos aos serviços de saúde e das politicas públicas municipais. Para que isto se efetive devemos dar o primeiro passo com a regulamentação de sua documentação como cidadãos brasileiros, pois muitos dos entrevistados não possuem sequem uma carteira de identidade.

O estudo deu-se em uma determinada área, porém a realidade do município vai muito mais além do que aqui foi demonstrado, basta simplesmente  percorrer as ruas da área urbana de Juiz de Fora para  deparamos com pessoas que estão morando nas ruas, debaixo de pontes e viadutos.

 

 

Referências:

 

BRASIL, Ministério da Cidadania. Relatórios de Informações Sociais. <https://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/RIv3/geral/index.php?relatorio=153&file=entrada>. Acesso em Junho, 2021.

____, Cadastro Único .<https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-se-no-cadastro-unico-para-programas-sociais-do-governo-federal>. Acesso em Junho, 2021.

CHAVES, T.S. Exclusão Social – Uma análise dos assentamentos subnormais em Juiz de Fora - MG. 2006. 104 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado) Curso de Geografia – ICH, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2006.

CHAVES, T.S. JUIZ DE FORA–MG: uma análise da reestruturação urbana – entre o discurso e a realidade. 2013, 155 p. Dissertação (Mestrado em Geografia) Universidade do Estado do Rio de Janeiro–UERJ, Rio de Janeiro, 2013

PREFEITURA DE JUIZ DE FORA. Secretaria de Desenvolvimento Social. Plano Municipal de Assistência Social. Secretaria de Desenvolvimento Social. Juiz de Fora, 2019.

 

 

Sites visitados

 

IBGE<https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html. Acesso em Maio 2021.

Fundação João Pinheiro< http://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/?p=961>. Acesso em Maio, 2021)

 

 

 

Trabajo expuesto durante el XXIII Encuentro Internacional Humboldt “La Cuestión China” – Florianópolis, Brasil - 20 al 24 de septiembre de 2021. MODALIDAD VIRTUAL

Para acceder al video de presentación ingresar al canal del Centro Humboldt: https://www.youtube.com/channel/UCyfxfhPdmoy3nWbFYs4E_nQ