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Asunto:NoticiasdelCeHu 323/21 - GUERRA COMERCIAL OU IDEOLÓGICA?
Fecha:Sabado, 2 de Octubre, 2021  21:30:14 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <noticias @..............org>

NCeHu 323/21

 

GUERRA COMERCIAL OU IDEOLÓGICA? A OFENSIVA DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA A CHINA: O CASO DA TECNOLOGIA 5G

 

Elisa Gomes Prestes

Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis, Brasil

 

RESUMO

A gestão do ex-presidente Donald Trump dos Estados Unidos (janeiro 2017-janeiro 2021) foi marcada por uma considerável retórica anti-China no ensejo de recuperar um dinamismo industrial que há muito fora transnacionalizado para o Sudeste Asiático. Ao proclamar frases polêmicas como “China is neither an ally or a friend, they want to beat us and own our country” (A China não é aliada nem amiga, eles querem nos vencer e possuir nosso país), o governo republicano deu o tom da crescente beligerância estadunidense frente à ascensão econômica chinesa.[1] Não tratava-se apenas de “recuperar os empregos perdidos dos americanos”, e sim a ação de enfrentar diretamente o peso geopolítico da República Popular da China, cujo anseio de dar um salto adiante em seu desenvolvimento tecnológico vem sendo anunciado de forma desinibida em discursos oficiais.

Neste ínterim, um dos embates mais noticiados pela mídia internacional tem sido a inserção de diversos produtores chineses do setor de telecomunicações na chamada “entity list” (Lista de Entidades) por parte do Escritório de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio (“Bureau of Industry and Security”) dos Estados Unidos, lista que contém as empresas impedidas de comercializar produtos em território estadunidense. Assim, as chinesas Huawei, ZTE (Zhongxing Telecommunications Equipment Corporation), Xiaomi, SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corp.), dentre outras produtoras de tecnologia de ponta, ficam impedidas de vender seus produtos nos Estados Unidos, bem como adquirir componentes como chips e processadores ou negociar com companhias americanas sem autorização governamental, sendo a medida válida tanto para a companhia em si quanto para suas subsidiárias – o que torna praticamente impossível a realização de negócios da fabricante chinesa no país norte-americano.

Como justificativa, o Escritório de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos Estados Unidos declarou oficialmente que “emprega todas as ferramentas à sua disposição para garantir que a tecnologia americana não caia nas mãos de pessoas implicadas em abusos de direitos humanos”, em que “impedir que as exportações para partes cúmplices de violações de direitos humanos e abusos continua sendo uma das principais prioridades deste governo”. Como premissa ideológica, defenderam que “as tecnologias americanas são criadas em um ambiente de independência e liberdade, sendo papel do escritório garantir que nossa tecnologia não seja usada para minar a liberdade, incluindo liberdades religiosas em todo o mundo” (BUREAU OF INDUSTRY AND SECURITY, 2020).

É importante ressaltar que tais medidas restritivas não foram exclusivas à ex-administração de Donald Trump; em abril deste ano, o governo recém-formado de Joe Biden adicionou sete entidades chinesas do setor de supercomputação na mesma lista por “conduzir atividades que são contrárias aos interesses da segurança nacional ou da política externa dos Estados Unidos”. No início deste mês (julho), outras vinte entidades chinesas do setor de inteligência artificial e segurança foram somadas (ZHOU, 2021). Ao que tudo indica, a “linha dura” iniciada por Trump será mantida por Biden. Ao alegar questões de “defesa e segurança nacional” e “denúncias de espionagem e cyberhacking”, os Estados Unidos sentenciam que os tempos de amistosidade do ex-presidente Barack Obama acabaram. Mais do que nunca, America comes first.

Um dos determinantes que explicam os conflitos comerciais crescentes entre Estados Unidos e China é o desenvolvimento e implementação da novíssima tecnologia 5G em âmbito mundial. Por mais pioneiros que os Estados Unidos sejam no setor de telecomunicações – tendo sido responsáveis pela popularização do 4G[2]–, os americanos estão significativamente atrasados frente aos chineses. Tendo lançado a comercialização do 5G em solo nacional no ano de 2019, a China vem reunindo nos últimos anos uma quantidade colossal de recursos, pesquisa e infraestrutura para desenvolver 5G o mais rápido possível.[3]

Em entrevista recente (ALLEVEN, 2021), uma consultoria estadunidense especializada em gestão estratégica na indústria de telecomunicações declarou que, de fato, a China lançou-se à frente na corrida pela construção de infraestrutura 5G para a indústria, rodovias e aeroportos, tornando-se pioneira em seu desenvolvimento. Além disso, afirmam que as ambições chinesas com o 5G não devem ser subestimadas: a ofensiva do país asiático demonstra seu compromisso em ganhar vantagem com as indústrias do futuro.[4]

A coordenação e implementação de 5G na China está sendo feita essencialmente por estatais das telecomunicações (China Mobile, China Unicom e China Telecom) e campeãs nacionais como a Huawei, ZTE e Datang Telecom Group, guiadas pelo horizonte do planejamento a longo prazo do governo do Partido Comunista da China. Isso vem facilitando a coordenação e entendimento mútuo entre as partes envolvidas, visto que seus objetivos, ainda que alicerçados pela competição de mercado, são eminentemente objetivos de Estado. Quer dizer: as metas de desenvolvimento tecnológico destas empresas se confundem com os diversos planos de médio e longo prazo de desenvolvimento do governo chinês, sendo este responsável por pavimentar e facilitar o caminho para os produtores envolvidos.

Já os Estados Unidos vêm perdendo tempo entre disputas privadas entre suas três gigantes das telecomunicações (AT&T, Verizon e T-Mobile) e desentendimentos com a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (Federal Communications Commission, sigla FCC) e o congresso americano (que aprova as leis e orçamentos para o setor).[5] Ao mesmo tempo, estas partes não conseguem implementar uma harmonização de leis e burocracia exigidas formalmente pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). Em vez de aderir à tradição de planejamento multilateral incremental em cooperação com a UIT, os Estados Unidos atuam unilateralmente com o objetivo de concluir com rapidez suas realocações e leilões do espectro de 5G doméstico, muito antes que a UIT conclua seu trabalho e as nações possam prosseguir planejando gradualmente suas infraestruturas nacionais. O resultado é um processo de desenvolvimento de 5G fragmentado, incapaz de encontrar um norte comum para a nação norte-americana e o resto do mundo.[6]

A retórica dominante entre o governo estadunidense é que a China é vista como o seu principal rival político e econômico atual, sendo uma ameaça capaz de causar um declínio na influência global dos “ideais” americanos. Um ex-funcionário de alto escalão do presidente George W. Bush afirmou que: “A China é o único país que está desafiando os Estados Unidos pela supremacia global. Executando seu plano estratégico ‘Made in China 2025’, a China pretende eventualmente dominar tecnologias avançadas: robótica, Inteligência Artificial, aviação, telecomunicações, etc. Esse planejamento econômico amplo e intervenção ativa não têm equivalente nos Estados Unidos, mais descentralizados e orientados para o mercado, mas nem mesmo está claro se os Estados Unidos têm uma resposta estratégica”. Complementarmente, o ex-diretor em exercício da CIA sob o presidente Obama: “A China é o concorrente mais formidável que enfrentamos em nossa história. E nós, os EUA, não descobrimos uma abordagem estratégica para lidar com isso” (BRAKE, 2018).

Realizada esta introdução, este trabalho tem como objetivo caracterizar o processo de desenvolvimento tecnológico de 5G dos Estados Unidos, dando ênfase em sua guerra ideológica frente à China – seja por intermédio de sanções comerciais, pressão externa em países parceiros para não aderirem à tecnologia chinesa e a difusão da retórica “anti-China” por meio de papers científicos, discursos governamentais e reportagens midiáticas. Para tal, buscamos analisar publicações acadêmicas recentes dos Estados Unidos na área de telecomunicações e 5G, papers de instituições estadunidenses da área de telecomunicações e diversas reportagens dos grandes veículos de mídia do país norte-americano sobre a temática. 

 

 

 

REFERÊNCIAS

ACTING Under Secretary Hull Describes to an International Religious Freedom Panel Recent BIS Actions to Prevent Human Rights Abuses and Religious Repression in Xinjiang, China. Bureau of Industry and Security, Washington, 22, jul, 2020. Disponível em: <https://www.bis.doc.gov/index.php/all-articles/2-uncategorized/1701-acting-under-secretary-hull-describes-to-an-international-religious-freedom-panel-recent-bis-actions-to-prevent-human-rights-abuses-and-religious-repression-in-xinjiang-china>. Acesso em: 21/07/2021.

ALLEVEN, M. U.S., China race to 5G rages on. Fierce Wireless, 2021. Disponível em: <https://www.fiercewireless.com/5g/race-to-5g-alive-and-well-for-u-s-china>. Acesso em: 18/06/2021.

BARROS, M. Tecnologia 5G: empresas de comunicação dos EUA investem US$ 81 bilhões em ondas de rádio. Olhar Digital, fev, 2021. Disponível em: <https://olhardigital.com.br/2021/02/25/pro/empresas-de-comunicacao-dos-eua-investem-em-tecnologia-5g/>. Acesso em: 23/07/2021.

BARTHOLOMEW, C. China and 5G. Issues in Science and Technology 36, no. 2, 2020.

BRAKE, D. Economic Competitiveness and National Security Dynamics in the Race for 5G between the United States and China. The 46th Research Conference on Communication, Information and Internet Policy, 2018.

BRAKE, D.; BRUER, A. The great 5G race: is China really beating the United States?. Information Technology & Innovation Foundation, 2020. Disponível em: <https://itif.org/publications/2020/11/30/great-5g-race-china-really-beating-united-states>. Acesso em: 22/06/2021.

FRIEDEN, R. The evolving 5G case study in United States unilateral spectrum planning and policy. Telecommunications Policy, Volume 44, Issue 9, 2020.

STRACQUALURSI, V. 10 times Trump attacked China and its trade relations with the US. ABC NEWS, Nova Iorque, 2017. Disponível em: https://abcnews.go.com/Politics/10-times-trump-attacked-china-trade-relations-us/story?id=46572567. Acesso em: 21/07/2021.

ZHOU, C. US sanctions on China will continue but Beijing ‘unlikely to escalate’ amid decoupling fears. South China Morning Post, jul, 2021. Disponível em: https://www.scmp.com/economy/global-economy/article/3140815/us-sanctions-china-will-continue-beijing-unlikely-escalate. Acesso em: 21/07/2021.

 

 

Trabajo expuesto durante el XXIII Encuentro Internacional Humboldt “La Cuestión China” – Florianópolis, Brasil - 20 al 24 de septiembre de 2021. MODALIDAD VIRTUAL

Para acceder al video de presentación ingresar al canal del Centro Humboldt: https://www.youtube.com/channel/UCyfxfhPdmoy3nWbFYs4E_nQ

 

 

 



[1] Em campanha presidencial em 2016, Donald Trump proclamou: "We can’t continue to allow China to rape our country and that’s what they’re doing. It’s the greatest theft in the history of the world” (Não podemos continuar a permitir que a China estupre nosso país e é isso que eles estão fazendo. É o maior roubo da história do mundo). No mesmo ano, em outra ocasião, afirmou: “The single biggest weapon used against us and to destroy our companies is devaluation of currencies, and the greatest ever at that is China. Very smart, they are like grand chess masters. And we are like checkers players. But bad ones” (A maior arma usada contra nós e para destruir nossas empresas é a desvalorização das moedas, e quem mais faz isso é a China. Muito espertos, eles são como grandes mestres do xadrez. E nós somos como jogadores de damas. Mas ruins) (STRACQUALURSI, 2017).

 

[2] Retrospectivamente, a primeira rede celular comercialmente automatizada (geração 1G) foi lançada no Japão pela Nippon Telegraph and Telephone (NTT) em 1979, inicialmente na área metropolitana de Tóquio. Em cinco anos, a rede NTT foi expandida para cobrir toda a população do Japão e se tornou a primeira rede 1G nacional. Já a rede celular 2G (comercial) foi lançada de forma pioneira na Finlândia pela empresa Radiolinja em 1991. A primeira rede 3G pré-comercial foi lançada pela NTT DoCoMo no Japão em 1998 e o primeiro lançamento comercial do 3G também foi pela NTT DoCoMo no Japão em 2001. E, por último, o sistema 4G foi originalmente concebido pela DARPA, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA. Contudo, em 2009 a empresa sueca de telecomunicações Telia Sonera (agora Telia Company AB) tornou-se a primeira no mundo a lançar 4G para uso comercial, transportado por dispositivos da Ericsson (em Estocolmo) e Huawei (em Oslo).

[3] O lançamento de serviços de telefonia móvel 5G para a população na China ocorreu em 1 de novembro de 2019 pelas operadoras China Mobile, China Unicom e China Telecom com o custo de 128,00 CNY mensais (o equivalente a R$98,00)

[4] Segundo BRAKE; BRUER (2021), o temor dos Estados Unidos é que a China tenha uma vantagem inicial no desenvolvimento de tecnologias emergentes que dependem das redes 5G, pois a partir de seu domínio uma nova série de tecnologias associadas (novas trajetórias tecnológicas) poderão desenvolver-se. Ainda, afirmam que nos próximos cinco anos o “território global do 5G e de seus aplicativos” serão determinados e que “as apostas para os Estados Unidos não poderiam ser maiores”.

[5] De acordo com BARROS (2021), a Verizon dominou o último leilão de espectro 5G da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, oferecendo US$ 45 bilhões por 3.511 licenças. A AT&T veio em segundo lugar, oferecendo US$ 23 bilhões por 1.621 licenças. E a T-Mobile enviou a terceira maior oferta, US$ 9 bilhões, por 142 licenças.

[6] Os Estados Unidos têm pressa: Ajit Pai, ex-presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos até o mandato de Donald Trump, afirma que assegurar a liderança dos Estados Unidos em 5G é uma prioridade nacional, visto que países em todo o mundo estão disputando a liderança global em 5G. Em suas palavras, quem definir o ritmo globalmente se tornará o pioneiro no desenvolvimento do ecossistema 5G e atrairá os empregos, o crescimento e os benefícios para o consumidor que são decorrentes deste processo. O objetivo do governo estadunidense é que suas empresas liderem em 5G assim como fizeram com o 4G (FRIEDEN, 2020).