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Asunto:NoticiasdelCeHu 282/20 - IMPERIALISMO NA GEOGRAFIA CLÁSSICA DE PAUL VIDA L DE LA BLACHE
Fecha:Lunes, 28 de Septiembre, 2020  18:08:00 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 282/20

 

IMPERIALISMO NA GEOGRAFIA CLÁSSICA DE PAUL VIDAL DE LA BLACHE

 

Mateus Engel Voigt

Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis – Santa Catarina - Brasil

 

Paul Vidal de La Blache enquanto “fundador” da geografia francesa, empenhou grandes esforços em encontrar leis ou princípios que norteassem a nascente disciplina geográfica como ciência moderna. Deve-se a Vidal, tributário de Humboldt, o princípio da Geografia Geral, a ideia de unidade da terra e o desenvolvimento da Geografia Regional. Mesmo que hoje a validade desses princípios seja contestada, para a época constituíram um progresso pioneiro para a ciência geográfica. Apesar de tais contribuições para a Geografia, a produção geográfica de La Blache acabou também por servir de instrumento ideológico às classes dominantes francesas, havendo uma vinculação e defesa de Vidal ao imperialismo empreendido pelo Estado francês.

Para apresentar as implicações ideológicas e relação com o imperialismo na Geografia Clássica e em Paul Vidal de La Blache precisamos “buscar apreender a relação Geografia-ideologia em quadros históricos concretos, e estando de posse de um instrumental teórico previamente ordenado” (MORAES, 1988, p. 43-44). Para tanto, é preciso retomar as condições da realidade daquela época em que atuou profissionalmente, ou seja, as décadas da segunda metade do século XIX e das duas primeiras do século XX, anos em que o capitalismo atinge um novo estágio, o do imperialismo, buscando compreender qual Geografia se produziu naquele período. Fase que para Ruy Moreira “traduzir-se-á, no plano da política internacional, como intensa luta entre as potências imperialistas pela divisão dos continentes em ‘zonas de influência’” completando que “a entrada do capitalismo em nova fase trará profundas transformações na geografia, no plano da realidade e consequentemente, no plano do saber” (MOREIRA, 1986, p. 7).

No âmbito político-econômico a geografia francesa surgiu para servir à burguesia francesa na expansão territorial, foi neste país que para Ruy Moreira (1986, p. 40) “a geografia a serviço do imperialismo primeiramente ganhou status e legitimidade acadêmica, ao ser criada em 1892 a cadeira de ‘Geografia Colonial’, que mais tarde chamar-se-ia Geographie D’Otre-Mer”.

Para Milton Santos, Paul Vidal de La Blache “às vezes deu a impressão de apreciar a obra colonizadora” (SANTOS, 2012, p. 32), escrevendo em um dos seus artigos publicados nos Annales de Geographie sobre a conquista das distâncias:

Devemos nos congratular porque a tarefa da colonização, que constitui a glória de nossa época, seria apenas uma vergonha se a natureza pudesse ter estabelecido limites rígidos, em vez de deixar margem para o trabalho de transformação ou de reconstrução cuja realização está dentro do poder do homem (SANTOS, 2012, p. 32).

Expressando sua ligação à política e à cultura nos marcos da formação nacional francesa, expressando os anseios de sua classe dominante de apetite pelo espaço e da conquista, dedicando uma admiração ao progresso em conexão com o imperialismo, levando a justificar a invasão de regiões para atingir o desenvolvimento das sociedades mais avançadas (leia-se europeias):

Há nessa civilização uma potência agressiva, um instinto ou, melhor dizendo, uma necessidade de invasão. Nos últimos trinta anos, não tivemos o espetáculo contínuo da concorrência em direção aos mercados disponíveis, do assalto às regiões [contrées] fechadas, do domínio sobre Estados economicamente desarmados? Nessas circunstâncias, seria perigoso jogar um papel passivo como o do rentista, por exemplo. Isso seria resignar-se, antecipadamente, a uma vassalidade econômica que, diante do enfraquecimento que ela impõe à indústria nativa, é uma das piores formas de abdicação.

O que há de saudável e de estimulante nessa forma de civilização, por tantos ângulos brutal, é o princípio de esforço, a demanda perpétua por progresso (LA BLACHE, 1910, p. 256).

Vidal escreveu diversos artigos sobre as colônias francesas, demonstrando preocupação e visão estratégica com a política empreendida pela França sobre suas possessões. Sobre o contestado Franco-brasileiro em torno da Guiana – onde atuou como representante do Estado francês, em que o Conselho Federal Suíço resolveu a questão da fronteira favorável ao Brasil, o geógrafo francês lamenta que foram “rejeitadas as pretensões francesas sobre o território dito contestado” e que o Conselho deliberou “contrariamente às demandas da França” (LA BLACHE, 1901, p. 421).

Outro trabalho prestado por La Blache ao Estado francês foi numa conferência internacional realizada em Londres em novembro de 1909, convocada pelo governo britânico para tratar da elaboração de um mapa do mundo em escala milionésima. A conferência contou com 21 membros entre oficiais, professores e engenheiros das principais potências da época, como Grã-Bretanha, EUA, França, Alemanha e Áustria-Hungria, em que Vidal atuou como representante do Ministério da Instrução Pública francesa1.

1 Destacamos a participação de membros da Royal Geographical Society e do War Office da Grã-Bretanha e do U.S. Geological Survey para demonstrar a estreita ligação das sociedades geográficas, institutos de estudos geológicos e dos organismos militares dos Estados presentes na tratativa de assuntos cartográficos com claros interesses imperialistas.

Tal trabalho de mapeamento em escala milionésima visava dar mais precisão às potências imperialistas sobre as extensões de suas colônias e mapear recursos de interesse econômico. O geógrafo francês, consciente destas disputas interiimperialistas, observa:

Não há dúvidas de que a Alemanha, que já contabilizou a seu favor o primeiro ensaio ao qual nos referimos anteriormente, esteja apta a iniciar a mensuração do continente asiático. Os Estados Unidos, que levam a cabo com afinco a realização de seu mapa em escala milionésima, abarcarão o continente americano em sua esfera de trabalho. O War Office já o começou, nós o vimos, para a África, e é possível prever que ele procederá passo a passo, do sul ao norte e de leste a oeste.

Há, portanto, urgência, se a França julga importante associar-se a essa obra internacional e reivindicar a parte que desejamos nos atribuir. A questão da partilha entre os diferentes Estados não foi colocada na Conferência e nem podia sê-lo. Ainda assim, pode-se dizer que uma interrogação tácita atormentava os espíritos. É possível que cada um dos governos representados seja consultado sobre suas intenções. Entretanto, nada nas resoluções ou nas conversas estipulava essa démarche. Parece, portanto, que é melhor não esperar para explicitar nossas intenções (LA BLACHE, 1908, p. 443).

Alertando sobre a posição do governo francês naquela reunião, La Blache argumenta: “entre nós, franceses, trabalhos urgentes não faltam. No entanto, nos pareceria lamentável que nosso país se abstivesse dessa questão [partilha do globo]” (LA BLACHE, 1908, p. 443).

Sustentamos que Vidal de La Blache, para justificar a exploração de uma nação sobre outra, incorria no discurso da missão civilizatória (que no fundo se apresenta como a tese de superioridade racial). La Blache escreve que existem partes da Terra em que as sociedades apresentam “formas imperfeitas, embrionárias ou rudimentares que marcam, nas relações da terra e do homem, muitos graus diversos, estágios mais ou menos avançados” (LA BLACHE, 1898, p. 414). Expressando que “o europeu moderno, sobretudo, é o artesão infatigável de uma obra que tende a uniformizar, senão o planeta, pelo menos cada uma das zonas do planeta” (LA BLACHE, 1898, p. 409). Lamentando que a zona fronteiriça entre a Argélia e Marrocos “não teve as honras de uma exploração européia” (LA BLACHE, 1897, p. 395).

Sobre uma missão militar francesa empreendida no Peru em 1901, com o objetivo de reconhecimento geográfico para buscar o melhor traçado entre a costa do Pacífico e o Amazonas, La Blache caracteriza grupos de índios que vivem na região de Montana como “preguiçosos e miseráveis” (LA BLACHE, 1906, p. 429), louvando, ao contrário, uma colônia alemã de “corajosos pioneiros” em Pozuzo, a quem chama de “brava gente” com uma “perseverança digna de elogios” por terem ali se estabelecidos, concluindo que “somente nesse nível uma colonização européia teria chance de se implantar” (LA BLACHE, 1906, p. 429).

De acordo com o exposto fica evidente o conteúdo ideológico da geografia lablacheana, que expressam sua vinculação profissional com os empreendimentos coloniais franceses corroborando com uma visão imperialista das classes dominantes francesas, estendendo sua influência para a geografia escola francesa e para a “escola nacional” de geografia. A história do pensamento geográfico não é estática, tampouco a economia e as transformações da sociedade de cada época e com o acervo e desenvolvimento da ciência geográfica em nosso período podemos e devemos superar o pensamento imperialista presente em La Blache, sendo caras as lições de Moraes (1988, p. 129):

A Geografia necessita, fundamentalmente, deixar de ser guarida de teses e de postulados gerados no arsenal ideológico do colonialismo e do imperialismo. Não basta que deixe de ser meramente descritiva, para ser explicativa. Não basta arrolar, inventariar, catalogar. É preciso compreender.

 

REFERÊNCIAS

LA BLACHE, Paul Vidal de. A carta internacional do mundo ao milionésimo, 1908. In: HAESBAERT, Rogério; PEREIRA, Sergio Nunes; RIBEIRO, Guilherme (Org.). Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 437-445.

LA BLACHE, Paul Vidal de. A geografia política: a propósito dos escritos do Sr. Friedrich Ratzel, 1898. In: HAESBAERT, Rogério; PEREIRA, Sergio Nunes; RIBEIRO, Guilherme (Org.). Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 401-420.

LA BLACHE, Paul Vidal de. A missão militar francesa no Peru, 1906. In: HAESBAERT, Rogério; PEREIRA, Sergio Nunes; RIBEIRO, Guilherme (Org.). Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 425-430.

LA BLACHE, Paul Vidal de. A zona fronteiriça entre a Argélia e o Marrocos conforme novos documentos, 1897. In: HAESBAERT, Rogério; PEREIRA, Sergio Nunes; RIBEIRO, Guilherme (Org.). Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 389-399.

LA BLACHE, Paul Vidal de. As regiões francesas, 1910. In: HAESBAERT, Rogério; PEREIRA, Sergio Nunes; RIBEIRO, Guilherme (Org.). Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 245-275.

LA BLACHE, Paul Vidal de. O contestado franco-brasileiro, 1901. In: HAESBAERT, Rogério; PEREIRA, Sergio Nunes; RIBEIRO, Guilherme (Org.). Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 421-424.

MORAES, Antônio Carlos Robert. Ideologias Geográficas: Espaço, Cultura e Política no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1988.

MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. 7. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.

SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova: Da Crítica da Geografia a uma Geografia Crítica. 6. ed., 2. reimpr. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.

 

 

 

Ponencia presentada en el XXII Encuentro Internacional Humboldt – El “Regreso” de la Geopolítica. Santa Rosa – La Pampa – Argentina – 21 al 25 de septiembre de 2020 – MODALIDAD VIRTUAL.

Para ver la presentación en vivo, ingrese a: https://www.youtube.com/channel/UCyfxfhPdmoy3nWbFYs4E_nQ?view_as=subscriber DÍA 2.