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Asunto:NoticiasdelCeHu 20/20 - A MENSURAÇÃO DA NATUREZA POR INTERMÉDIO DO D ESENVOLVIMENTO DAS REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS: D O METAFÍSICO-INVISÍVEL AO ONTOLÓGICO-VISÍVEL
Fecha:Martes, 28 de Abril, 2020  20:32:47 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 20/20

 

 

 

A MENSURAÇÃO DA NATUREZA POR INTERMÉDIO DO DESENVOLVIMENTO DAS REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS:

DO METAFÍSICO-INVISÍVEL AO ONTOLÓGICO-VISÍVEL

 

Maurício Sérgio Bergamo

Fabrício Pedroso Bauab

Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Campus de Francisco Beltrão

Francisco Beltrão – PR

Brasil

 

Durante o Renascimento, o desenvolvimento dos saberes pragmáticos e utilitaristas, promovidos pelos artesãos e pelos engenheiros, foi responsável por romper (em parte), com os conteúdos derivados das doutrinas filosóficas antigas e medievais. Novos tipos de saberes são instaurados no Renascimento, extinguindo, deste modo, as ultrapassadas ontologias platônicas e aristotélicas que formaram a base da filosofia patrística e escolástica.

            A gradual construção de novos saberes, assim, foi amparada tanto pelas doutrinas mágicas de tendência neo-aristotélica como as de Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494) e de Pietro Pomponazzi (1462-1525); também pelas doutrinas mágicas de tendência neoplatônica, como a de Marsílio Ficino (1433-1499) e de Tommasso Campanella (1568-1638). Entretanto, saberes operativos, frente aos fenômenos da natureza, que se aproximavam mais das discussões de uma ciência já considerada moderna, vieram à tona (KOYRÉ, 1991).

As propostas metodológicas de François Rebelais (1494-1553), de Humpherey Gilbert (1539-1588) e das diversas sociedades científicas que surgiram na Europa dos séculos XV e XVI, antagônicas ao ensino Lógico das tradicionais universidades, ofereceram aos homens renascentistas a possibilidade de ordenar a natureza conforme os dados sensoriais. A descoberta de novas espécies vegetais, animais e de novos povos no Novo Mundo, emergentes com as transposições realizadas pelas viagens de Cristóvão Colombo (1451-1506), aliada aos saberes técnicos, propostos pelos artesãos e engenheiros, foram responsáveis por instituir uma visão de mundo independente dos olhos da fé e do a-priorismo dogmático religioso, tão presentes na Era Medieval (KOYRÉ, 1991).

            Nesse sentido, a natureza, gradativamente, ganha uma nova roupagem. Torna-se laico o saber, e o homem, desvencilhado dos conteúdos alegóricos das Sagradas Escrituras e da imaterialidade causal dos fenômenos da natureza, começa a representar o espaço conforme as medidas numéricas, intrínsecas das novas dinâmicas epistemológicas propostas pelos artesãos, pelos engenheiros e pelas sociedades científicas que pregavam saberes práticos e utilitaristas.

Com isso, durante o Renascimento, diferentemente das Idades Antiga e Medieval, a finalidade dos fenômenos da natureza passou a estar estreitamente ligada às intencionalidades humanas, em uma Europa cada vez mais burguesa. As engenhosidades técnicas criadas, nos ateliês de Verrochio, de Ghirlandaio e de Brunelleschi, por importantes artesãos como Leonardo Da Vinci e Michelangelo Buonarroti, ofereceram ao desenvolvimento da ciência possibilidades concretas de satisfazer às necessidades ou aos anseios dos homens (ROSSI, 1989).

Assim, a natureza, gradativamente, deixou de ser concebida, pelo homem moderno, pelos aspectos imateriais, tão presentes e tão significativos nas passadas Eras Antiga e Medieval. A experimentação dos fenômenos da natureza, realizada pelos filósofos naturais, de caráter instrumentalista, passou a despir a natureza de suas vestimentas sagradas, para colocá-la a serviço do homem. A finalidade de seus estatutos ontológicos foi servir à intencionalidade do homem e, pouco a pouco, a ciência foi tornando-se uma tarefa pragmática e utilitarista, desvencilhada dos princípios lógicos e dos discursos retóricos (HENRY, 1997).

O tempo vivido pelos medievais, aquele tempo do senso comum, segundo o qual a vida passa de acordo com as medidas naturais do dia e da noite ou dos movimentos da abóbada celeste, na metade do século XVI, com o florescimento da riqueza urbana e com a vitória da afável vida da cidade sobre a vida antiquada do campo, cedeu lugar à mensuração do tempo mais exato proporcionado pelo relógio de precisão.

Tornando-se o guardião do tempo, o relógio de precisão, desenvolvido de maneira mais aprimorada no Renascimento, também contribuiu para abolir as explicações dos fenômenos da natureza em cunho metafísico. Em Cronos, o Titã criador do tempo, segundo a tradição mitológica grega, se deixava de confiar pois a determinação da longitude exigia dos marinheiros o conhecimento exato da hora de um meridiano-base de origem.

As representações cartográficas propostas por Apianus, Frisius e Mercartor, de acordo com Bauab (2005), romperam com a concepção temporal simbólica condizente às Sagradas Escrituras. Os lugares mundanos, destaca Bauab (2005), eram retratados nos mapas medievais, por marcas e símbolos repletos de conteúdos que lembravam a Bíblia.

Bauab (2005) mostra que as representações cartográficas medievais eram responsáveis por incrustar na visão dos homens o apriorismo do saber religioso, conduzindo o recorte espacial a valores e premissas condizentes ao imaginário e alegórico da época. O significado das coisas do mundo, durante a Era Medieval, foi alcançado no joguete dicotômico entre o mundo da alma e o mundo das sensações. Na leitura dos mapas T-O, representações cartográficas bastante comuns na Idade Média, eram os olhos da fé que revelavam o caminho para a Salvação. O conteúdo empírico do mundo encontrava-se subordinado ao apriorismo da ordem religiosa.

Por fazer prevalecer nas representações cartográficas o alegórico condizente à interpretação das Sagradas Escrituras, os mapas medievais não eram representações quantificatórias do espaço, muito menos geométricas. "Os mapas medievais eram destinados a pecadores, não a navegadores" (CROSBY, 2015, p. 49).

Porém, Crosby (2015) destaca que, na segunda metade do século XIII, surgiu outro tipo de representação cartográfica. Esta, ao contrário dos mapas em estilo T-O, não fazia menções a elementos teológicos, alegóricos ou metafísicos. Os portolani, de acordo com Crosby (2015), foram traçados geometricamente, objetivando facilitar a navegação dos marujos, próximos de áreas costeiras. As representações cartográficas, em estilo portolani, eram desenhos utilitários das linhas costeiras. Os portolani eram destinados a mostrar as rotas de navegação, com bastante precisão, em curtas distâncias.

Se, nos mapas medievais em estilo T.O, prevaleciam os aspectos metafísicos, concernentes à interpretação dogmática promovida pelos membros eclesiásticos, que fazia prevalecer a imagem qualitativa do cosmos, nas representações cartográficas do Renascimento, em estilo Portolani e nos moldes de Mercator, o predomínio dos aspectos geométricos evidenciou a mensuração da realidade e a formalização da cosmovisão quantitativa e dessacralizada.

A novidade cartográfica, que causou impacto entre os marinheiros e almirantes do Renascimento, foi anunciada em 1569. A Projeção de Mercator, elaborada por Gerhard Kramer (1512-1594), projetou o globo terrestre cilindricamente.

De acordo com Santos (2012), Mercator, na medida em que procurava identificar geometricamente sua projeção, ofereceu aos marinheiros e comerciantes o grau de praticidade. Para o autor, a projeção em escala planetária de Mercator facilitou muito os longos percursos marítimos dos viajantes.

Na Projeção de Mercartor, os meridianos são planificados na forma de linhas paralelas verticais, que são verticalmente equidistantes. Já os paralelos são planificados na forma de linhas retas horizontais, de modo que a distância entre dois paralelos sucessivos, decresce na medida em que esses paralelos se aproximam da linha da linha do equador.

Torna-se importante destacar, que enquanto foi sendo aprimorada, a cartografia foi se aproximando do conteúdo real do mundo empírico. Na medida em que se aproximava do conteúdo real do mundo empírico, afastava-se das representações simbólicas condizentes a aspectos metafísicos. O conteúdo espacial da realidade foi sendo mensurado, e os fenômenos e os estatutos ontológicos da natureza foram sendo ordenados conforme as leis dos algoritmos.

Assim, o progresso geométrico, no modo de compreender e representar o conteúdo espacial, aparece como um dos elementos mais importantes, responsáveis pela mensuração da natureza. Dessa maneira, a grande força modeladora da cosmovisão medieval, o Cristianismo, foi sendo substituída, gradativamente, pelos frutos dos novos métodos matemáticos desenvolvidos no final da Idade Média e durante o Renascimento. Os conhecimentos deixavam de ser, apenas, de ordem cognitiva, para serem de ordem prático-social. A vida material foi pouco a pouco evoluindo, e uma nova mentalidade começou a se estabelecer.

As novas práticas sociais faziam apelo ao nascimento de novos métodos e novos saberes. Os esquemas teóricos, quantitativos e experimentais começaram a substituir os belos discursos lógicos da ordem canônica, para oferecer à humanidade recentes instrumentos a fim de operar a natureza e instaurar modelos de vida até então desconhecidos. A ontologia do mundo empírico sob o enfoque matemático, nesse interim, veio sobrepor-se à representação alegórica e metafísica de um mundo dividido nas duas regiões lunares (HENRY, 1997).

A racionalização da existência do homem estava acontecendo. O desenvolvimento da sociedade comercial, industrial, técnica e científica ascendeu à praticidade na vida humana. A exploração cada vez maior e eficaz da natureza retardava a visão de mundo medieval condizente às Sagradas Escrituras. A nova visão de natureza constituía-se em acordo com as dinâmicas do trabalho manual, amparado, no início do Renascimento, pelas novas engenhosidades técnicas que as pesquisas matemáticas e mecânicas proporcionaram.

Em conformidade com Bauab (2005), a representação do espaço, na época do Renascimento, foi constituída pelos conhecimentos a-posterioris. A natureza e o homem são concebidos pelas características materiais inerentes a seus seres. A alegoria metafísica é ocultada pela habilidade manual dos artesãos, artistas, engenheiros e técnicos. Devido às perícias das mãos e à perspicácia da visão, esses personagens tornam-se os grandes gênios do Renascimento.

O saber dos artesãos voltados à Matemática e à praticidade, foi um passo decisivo para constituir a visão de natureza renascentista. A base teórica matemática utilizada pelos mestres artesãos e pelos técnicos, aperfeiçoada nas sociedades científicas e nas academias, revestiu os fenômenos e os estatutos ontológicos da natureza com roupagem geométrica. Os algarismos e as medidas, aplicadas às artes mecânicas, substituíram a concepção de natureza divina por uma concepção mecanicista (LENOBLE, 1969).

No fundo, os princípios matemáticos dessacralizaram a natureza. A lei dos números passou a ser mais importante do que as leis religiosas ou divinas. Apesar de o Paraíso ainda ser concebido, por alguns, como o lugar distante e metafísico condizente às Sagradas Escrituras para muitos ele passa a significar a própria vida terrena, facilitada pelos muitos utensílios que a matemática e a mecânica concederam ao homem (ROSSI, 1989).

Assim, a curiosidade sem fronteiras, a acuidade de visão, o espírito de aventura que conduziram às grandes viagens de descobrimentos, que oportunizaram a elaboração das importantes obras de descrição, são alguns dos mais importantes fatores que constituíram a visão de natureza assinalada, segundo Bauab (2005), pelo pensamento da mundanidade. Para o autor, é durante o Renascimento que a geometrização do espaço ganhará força, pelos artistas plásticos, engenheiros e técnicos. A matematização da realidade, contraditória à indução do Aristotelismo, para Bauab (2005), levou a uma nova noção de finalidade/têlos da natureza.

Com o homem aprimorando, reproduzindo e transmitindo as técnicas em potências sucessivas, a finalidade dos fenômenos e dos estatutos ontológicos da natureza, passou a corresponder às intencionalidades dos artesãos e engenheiros. Ao criarem os objetos, utensílios e ferramentas destinadas a facilitar a vida dos homens, o têlos da natureza deixa de estar ligado aos aspectos imateriais, para corresponder aos desejos ou às necessidades materiais da vida mundana. 

A finalidade dos fenômenos da natureza passou a estar estreitamente ligada às intencionalidades humanas. O conjunto de mecanismos criados durante o Renascimento auxiliou a promover a representação mensurável do cosmos. No plano epistemológico de constituição das novas engenhosidades mecânicas, os princípios matemáticos ofereceram aos artesãos e engenheiros possibilidades concretas para facilitar a vida do homem. Frente aos obstáculos impostos pelo mundo, ainda não explorado em sua totalidade, pelos estorvos de uma natureza pouco deflagrada pela ciência e pela curiosidade especulativa, o homem teve o intento de buscar na natureza os meios necessários para o progresso da humanidade. Suprindo suas necessidades ou desejos, através das utilidades oferecidas pelos inúmeros mecanismos construídos durante o Renascimento, a finalidade dos fenômenos da natureza passou a corresponder aos propósitos do homem.

O invisível, nesses termos, torna-se sem significado. Ele é abolido das representações do mundo. Busca-se a real descrição ontológica dos corpos da natureza, ao invés de especulações metafísicas vagas de um mundo distante, na maioria das vezes concebido em um outro plano ou em alguma outra esfera. As mudanças espantosas na mentalidade do homem, oriunda das diversas dinâmicas em que ele estava inserido, fez vigorar uma representação cósmica finita, quantitativa, mensurável e objetiva (BURTT, 1983).

Assim, pretende-se fazer uma análise da ideia de natureza, em uma perspectiva epistemológica, levando em consideração tanto o legado dos principais autores que já trataram do assunto em tempos recentes, como minha titulação acadêmica obtida, como licenciado em Geografia, como Especialista em História da Ciência, Especialista em Epistemologia e Metafísica, e Mestre em Geografia. Com esse olhar interdisciplinar, espera-se acrescentar novos olhares e novas perspectivas no cenário geral da Epistemologia e da História do Pensamento Geográfico e, consequentemente, novas questões e debates no campo epistêmico da Geografia.

 

Referências

 

BAUAB, Fabrício Pedroso. Da Geografia Medieval às Origens da Geografia Moderna: contrastes entre diferentes noções de natureza, espaço e tempo. Presidente Prudente/SP, 2005, 313 páginas. Tese de doutoramento. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Universidade Estadual Paulista.

BURTT, Edwin A. As Bases metafísicas da Ciência Moderna. Tradução de José Veiga Filho e Orlando Araújo Henriques. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 1983.

CROSBY, Alfred. A Mensuração da Realidade: A Quantificação e a Sociedade Ocidental 1250-1600. Tradução de Vera Ribeiro. São Paulo, SP: UNESP, 2015.

HENRY, John. A Revolução Científica. Tradução Maria Luiza X. de A. Borges, Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 1997.

KOYRÉ, Alexandre. Estudos de História do Pensamento Científico. Tradução de Mácio Ramalho.Rio de Janeiro,RJ: Forense Universitária, 1991.

LENOBLE, Robert. História da Idéia de Natureza. Edições 70, Portugal,1969.

ROSSI, Paolo. Os Filósofos e as Máquinas. Tradução de Frederico Carotti. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 1989.