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Asunto:NoticiasdelCeHu 19/20 - BREVE ANÁLISE DO PENSAMENTO DE FREDERICH RATZEL E AS CRÍTICAS DE LUCIEN FEBVRE
Fecha:Lunes, 27 de Abril, 2020  10:15:47 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 19/20

 

 

 

BREVE ANÁLISE DO PENSAMENTO DE FREDERICH RATZEL E AS CRÍTICAS DE LUCIEN FEBVRE

 

Leonardo Henrique Belmonte[1]

 

Introdução

            Neste sentido, faremos um resgate histórico de cientistas e filósofos que iniciaram este debate, ainda na institucionalização da ciência geográfica. Acreditamos que a personagem de maior polemica seria o considerado por muitos como o pai da geografia humana: Friedrich Ratzel. Analisaremos também as criticas em torno de sua obra e concepções.

            Num primeiro momento, faremos um breve histórico epistemológico da ciência moderna, com o objetivo de contextualizar o cenário cientifico do período. Depois faremos uma breve discussão das principais ideias de Friedrich Ratzel através de autores comentaristas, e por fim, a análise de parte da obraLa tierra y la evolucion humana” (1922) de Lucien Febvre, esta que direciona fortes críticas à Friedich Ratzel, sugerindo o objeto de estudo da Geografia.

 

As Bases da Ciência Moderna

            Durante o fim do século XVIII, algumas novas ciências estavam emergindo, uma delas era a Geografia. O cenário científico da época onde o Darwinismo e o positivismo estavam em alta, a academia demandava que as novas ciências delimitassem seus objetos de estudos. Tal contexto hegemônico originou-se na revolução copernicana, ainda no iluminismo, nascendo assim a ciência moderna.      Para entendermos suas bases, faremos um breve histórico epistemológico.

A chamada revolução cientifica inicia com a quebra das bases cientificas e teóricas da idade média, estas que eram pautadas num mundo qualitativo aristotélico-ptolomaico, onde a igreja católica detinha central poder em muitas esferas, inclusive a cientifica (BAUAB, 2009).

A revolução galileana pode ser caracterizada por dois fatores: a destruição do Cosmos e a geometrização do espaço, ou seja, a ideia de um espaço incorruptível, imponderável, imutável, hierárquico, fechado, mítico-religioso, é substituído por um espaço infinito, indefinido, e de leis físicas matematicamente calculáveis. (JASPIASSU, 1985 P.62)

Nesse sentido, a revolução cientifica pode ser considerada um marco para a ciência, quando divide o mundo em dois: “O mundo da ciência, mundo dos fatos observáveis, conservando as causas materiais e eficiente; e o mundo dos valores, do sentido, dos fins, da subjetividade, das qualidades, preocupado com as causas formais e finais.” (JASPIASSU, 1985 P.62).

Esta separação resulta em conclusões epistemológicas, onde o valor humano torna-se algo autônomo, isto num contexto onde os tais valores estavam pautados na ciência mítico-religiosa da igreja. “O mundo mecanicista destrói o mundo natural enquanto meio simbólico de referência para a existência do homem.” (JASPIASSU, 1985 P.66)

É sob estes alicerces que a maior parte das ciências são constituídas enquanto modernas, inclusive as ciências humanas e sociais. Entretanto, alguns nomes vão de antemão a este movimento, por exemplo: a escola prussiana/alemã no início da geografia cientifica.

 

Friedrich Ratzel

            As obras de Friedich Ratzel são de suma importância para o pensamento geográfico e sistematização da ciência moderna, pois Ratzel foi um dos pioneiros em estudo geográficos pautados nos seres humanos (MORAES, 1990).

            Ratzel formou-se naturalista “atraído, como tantos outros, pelo fascínio do evolucionismo darwinista que empolgou a ciência nas últimas décadas dos anos oitocentos” (CARVALHO, 1999, s/p), isto fez com que Ratzel obtivesse uma base dentro das ciências biológicas, entretanto, foi dentro das humanidades onde mais debruçou suas análises, movendo-se do positivismo ao historicismo, apesar de ser simplória a colocação do pensamento ratzeliano em qualquer redução neste sentido (CARVALHO, 1999).

            Ratzel utilizou-se de análises complexas da realidade, não prendendo-se apenas à um fragmento científico, mas de vários campos da ciência, com uma visão integradora, unindo elementos físico-biológicos à histórico-culturais (CARVALHO, 1999).

            Ratzel portanto, almejava uma ciência interdisciplinar, com uma concepção holística e global da realidade. O pensador escreveu várias obras, entre elas a mais famosa e de maior impacto: Anthropogeographie (CARVALHO, 1999).          

O geografo denominou como “hologeica” a leitura que a Geografia (Antropogeografia) deveria fazer sobre o mundo, ou seja, uma leitura “abraçadora de toda a Terra”, contrapondo a ideia da “onda” fragmentadora que as ciências estavam tomando, e nesse sentido, fazendo com que a Geografia tivesse a potencialidade de aprofundar estudos de uma maneira nova (CARVALHO, 1999).

Neste sentido, Ratzel trabalha com uma ciência de “Síntese”, instrumentalizando-se de um leque variado de fenômenos, deste modo, preocupando-se em aprender as suas relações. Partindo de uma perspectiva telúrica, no sentido de que as manifestações dos fenômenos estariam na Terra, esta que seria o grande teatro do movimento da história (MORAES, 1990).

Propõe uma análise mais ampla e complexa das relações naturais e sociais. Assuntos como o Estado (primordial na obra “Geografia Politica”), vão além de analises apenas econômicas e relações politicas, assim como, comparações deterministas simplistas ao mesmo, em relação ao meio natural, é encarada como insustentável. Entretanto, não é possível, para o antropegeógrafo, uma leitura fecunda sobre o estado, sem considerarmos sua interdependência com a natureza (CARVALHO, 1999).

Ratzel muitas vezes foi reduzido a determinista, positivista e evolucionista. Alguns autores da época o acusavam e ainda o acusa de darwinista: Neste ponto podemos afirmar que o próprio Ratzel, em seu livro “As raças humanas”, teceu severas críticas ao “darwinismo cego” e desenfreado nas ciências, (CARVALHO, 1999). As análises das críticas a Ratzel são debatidas no tópico a seguir.

 

Críticas e reações

As ideias de Ratzel, como elucidado no inicio do texto, geraram inúmeras reações, considerados por muitos pensadores da época como obstáculos ao pensamento vigente e fragmentário que imperava na época. Podemos ponderar que houve uma convergência no sentido de rechaça-lo.

Os principais autores que direcionaram severas criticas ao pensamento ratzeliano e a pretensão de uma ciência que pressupõe debates interdisciplinares, foram: Durkheim em “L’Année Sociologique” (1897), Paul Vidal de La Blache em 1891 com “Annales de Géographi”e e na obra “La Terre et l’evolution humaine” de Lucien Febvre em 1922 (CARVALHO, 1999). Este último, qual debruçaremos mais profundamente nossa análise.

O debate ratzeliano, como já argumentado, atingiu vários campos do conhecimento, Lucien Febvre coloca a geografia em direto confronto com a sociologia, defendendo claramente o conceito durkheiniano de “Morfologia Social”, ciência esta que daria conta de estudar a forma como os seres humanos estariam ordenados na superfície terrestre. (CARVALHO, 1999)

Portanto, a proposta da geografia de Ratzel seria pretenciosa demais, e não deveria “invadir” os campos de outras ciências, devendo-se assim, distinguir a geografia da sociologia, e principalmente, assumir que a antropogeografia deveria ser substituída pela morfologia social (CARVALHO, 1999).

Na ciência geográfica, é La Blache quem mais o critica, definindo, delimitando e afirmando o objeto da geografia, esta que deveria limitar-se apenas ao estudo dos meios naturais, uma ciência do meio, e não dos homens (CARVALHO, 1999).

Mas é Lucien Febvre, pupilo de La Blache que mais argumenta pesadamente nas ideias “pretenciosas” de Ratzel, criando dois polos teóricos e suscitando uma “batalha” intelectual entre os dois geógrafos, apesar de se mostrar extremamente parcial em suas análises (CARVALHO, 1999).

Lucien Febvre defendia que as ideias de Ratzel eram ambiciosas demais, e extrapolavam as forças de uma única ciência, pois os problemas abordados pela antropogeografia eram tão múltiplos e heterogêneos, e estes se davam numa combinação infinita de fatores. Nesse sentido, por respeitos aos objetos científicos, devem ser feitas divisões racionais (FEBVRE, 1955).

O sociólogo francês afirma que é pretensão demais querer estudar a ação dos fenômenos telúricos nas sociedades, os fenômenos do meio, os estados, a formação das cidades, o movimento dos povos na superfície terrestre, e as demais funções atribuídas por Ratzel a antropogeografia, e neste sentido, a mesma produziria um conhecimento “quimérico” (FEBVRE, 1955).

Febvre sugere uma “Geografia Humana Modesta”, que deve fortificar suas fronteiras, e delimitar-se apenas a analise e descrição do mundo natural, Ratzel concebe a geografia como uma “ciência auxiliar”, no sentido de contribuir às outras ciências sociais e humanas, suas analises focadas no meio e na natureza, desconsiderando o homem (SILVA, s/a). Febvre também acusa pensamento ratzeliano de “uma espécie de manual do imperialismo alemão

Acreditamos que tais severas críticas poderiam ser justificadas quando consideramos o contexto cientifico, já que o antropogeografo sugeriu uma ciência interdisciplinar, unindo história, geografia, sociologia, biologia, etnografia, etc. Entretanto, não definiu com rigidez os campos da antropegeografia, fator que estava sendo extremamente demandado no âmbito científico da época (CARVALHO, 1999).

Em alguns trechos de sua obra, Febvre chega até mesmo a rotular o pensamento de Ratzel como “determinista” e La Blache como “possibilista”, em que acreditamos ser uma extravagante redução do pensamento dos dois autores.

Segundo (SILVA, s/a), o debate no sentido de um dualismo entre possibilistas e deterministas causa danos a ciência geográfica, e isto inicia debates como geografia humana e geografia física, por exemplo.

 

Considerações finais

Voltar aos clássicos nos possibilita descobrirmos as primeiras sementes dos debates atuais e ao debruçarmos sobre estudos coerentes a respeito de Ratzel, logo percebemos que suas concepções hegemônicas reproduzidas pela academia, são no mínimo precipitadas ou vulgarizadas.

Não é incomum nos depararmos com textos do pensamento geográfico utilizando-se das reduções forjadas por Febvre a respeito de Ratzel e também de Lablache.

Durkhein, La Blache e Febvre fizeram mais que a critica as ideias da Geografia Humana e a Geografia Política de Ratzel, mas também foram o estopim de um debate epistemológico que perdura até os dias de hoje: A geografia humana e a geografia física.

 

Referencias:

BAUAB, Fabrício Pedroso. Matrizes Modernas da ideia de Natureza: Galileu e Descartes. Revista Terra Livre. AGB: São Paulo, n.31, 2009. p.p. 93-104

CARVALHO, Marcos Bernardino de. Geografia e complexidade. 1999. Disponível em: <http://www.ub.edu/geocrit/sn-34.htm>. Acesso em: 9 nov. 2017.

FEBVRE, Lucien. La tierra y la evolucion humana 43ª ed. México: UTEHA, 1955 (1922).

JASPIASSU, Hilton. A revolução científica moderna, Rio de Janeiro: Imago, 1985.

MORAES, Antonio Carlos Robert (Org). Ratzel: geografia. São Paulo: Ática, 1990.

SILVA, Wellington Ribeiro da. A relação espaço-temporal em “A terra e a evolução humana” de Lucien Febvre.

 

 

 

 



[1] Acadêmico do 4° ano de Geografia Licenciatura da UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão - PR.