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Asunto:NoticiasdelCeHu 16/20 - A "NOVA" GEOGRAFIA ECONÔMICA DO IMPERIALISMO
Fecha:Viernes, 24 de Abril, 2020  02:03:42 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 16/20

 

 

 

 

A “NOVA” GEOGRAFIA ECONÔMICA DO IMPERIALISMO

 

Zeno Soares Crocetti

Professor de Geografia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana

no Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território.

Foz do Iguaçu/Brasil

 

 

"Como o objetivo das Humanidades não está na busca de resultados, mas no encontro de um sentido para a ação, as Humanidades são relegadas a um segundo plano, quando, mais do que antes, sua tarefa é essencial. "

Milton Santos, As humanidades, 1994.

 

Palavras chave: a) Imperialismo, b) globalização, c) Neoliberalismo, d) Reestruturação produtiva, e) Crise econômica.

 

 

As rápidas e imprevisíveis transformações ocorridas na última década no mundo produziram uma crise tanto na sociedade como no espaço geográfico, principalmente nas teorias que sustentavam o modelo de sociedade e cada vez fica mais difícil compreender e explicar a "nova" (des) ordem mundial. Fala-se em novos paradigmas que envolvem a complexidade, o caos e a incerteza.

Num capitalismo cada vez mais excludente, a (des) ordem é marcada por imensas massas humanas que vivem à margem da cidadania e dos circuitos econômicos legais, e surgem novos conflitos territoriais de origem étnica ou religiosa e formam se redes ilegais, como o narcotráfico, as máfias e as migrações clandestinas.

Há uma relação íntima e crescente entre o imperialismo, as universidades e o enfraquecimento do pensamento crítico entre os intelectuais. A relevância e importância que a “Escola Sem Partido” vem ganhando não só politicamente, mas a aceitação no âmbito do governo federal hoje (2019) demostra esse projeto do imperialismo de desmoralizar e acabar com o pensamento crítico.

O ressurgimento da teoria do imperialismo está modificando a análise da globalização. Essa concepção explica a polarização global da renda pela transferência sistemática de recursos dos países periféricos para os capitalistas do centro. Essa assimetria acentua a dependência e causa crises agudas na América Latina, que se aprofundarão se o projeto de expansão e domínio do Trump for consumado. O correlato político desta iniciativa é um processo de recolonização política e sua consequência militar é a intervenção mais aberta de uma força global militar sob o comando dos EUA. A dominação imperialista não é uma fatalidade, nem obedece a uma superioridade cultural dos países avançados.

Lênin foi o primeiro a perceber esta guinada ao analisar sua fase imperialista, iniciada no longo período depressivo mundial 1873 a 1896 e o primeiro a dirigir uma revolução socialista vitoriosa (URSS) abrindo era da transição capitalismo-socialismo, dentro da qual nós vivemos. Mas o imperialismo impôs a guerra ao socialismo, pois seu nascimento era intolerável, bem como impôs a guerra ao longo do século XX às novas nações que lutavam para se libertar da exploração colonial e social.

Mesmo inferiorizado materialmente diante das potências capitalistas, o socialismo, superior moralmente, deixou ao longo do século XX uma brilhante história de resistência e criatividade:

Mas recentemente Wallerstein e Arrighi vêem a história mundial como uma sucessão de ciclos hegemônicos ou de acumulação de capital. Para Callinicos este sistema é como um “universo” em expansão contínua. Onde todos os Estados que lutam pelo poder global, em particular as grandes potências, estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra, sem perder sua preeminência hierárquica dentro do sistema.

Tornou-se um cliché afirmar que as ideias de império e imperialismo renasceram nos primeiros anos do século XXI. As principais razões desse renascimento são, certamente, a primazia global dos Estados Unidos e a arrogância com que a administração Trump tem alardeado essa preeminência, sobretudo no campo militar.

Contudo, o imperialismo tinha outras máscaras e razões mais sutis e menos transparentes. A conquista militar e política de milhões de seres humanos de outras raças e culturas era induzido pela exportação de capitais que não rendiam juros suficientes na Europa. Esta forma de penetração é conhecida como imperialismo financeiro, comandado por poderosos monopólios de banqueiros, investidores e industriais.

Em 1902, o economista inglês John A. Hobson abria o jogo ao escrever:

 

"O fator econômico mais importante, a grande distância dos demais, do imperialismo é a influência que tem nos investimentos. O crescente cosmopolitismo do capital constituiu-se na mudança econômica mais notável que se registrou nas últimas gerações. Todas as nações industrialmente desenvolvidas trataram de colocar uma grande parte de seu capital fora dos limites de sua própria área política, em países estrangeiros ou em colônias, e de receber uma renda cada vez mais alta por este investimento". E mais adiante arremata: "A riqueza destes grupos financeiros, a magnitude de suas operações e suas ramificações organizativas espalhadas por todo o mundo convertem-nos em elementos decisivos e fundamentais na marcha da política imperial. Têm mais interesses do que ninguém nas atividades imperialistas e os maiores meios de impor sua vontade às decisões políticas nas nações".

 

A intensificação do processo de internacionalização do capital, que se convencionou chamar de globalização após década de 1980, trouxe como consequência a enorme integração dos mercados financeiros mundiais e o crescimento singular do comércio internacional, que foi viabilizado pelo avanço das novas tecnologias, principalmente no ramo da informação, e pela acentuada desregulamentação financeira do mercado.

Diante disso, muitos geógrafos e cientistas sociais se colocaram na defesa de que esse processo justificaria o fim do território devido ao nascimento de um mundo dominado não mais pelas relações interestatais e sim pela mobilidade e fluidez do capital. Sem dúvida, se cria um espaço dos fluxos, materializado na hegemonia dos grupos transnacionais, porém “o capitalismo avançado e as mudanças produtivas [...] não aboliram nem anularam o espaço, mas pelo contrário, lhe deram novo significado, nova dimensão e nova estrutura” (CICCOLELLA, 1996, p. 297).

 

 

REFERÊNCIAS

 

BENKO, Georges. Organização econômica do território: algumas reflexões sobre a evolução no século XX. In SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.; SILVEIRA, Maria Laura. (org’s). Território: globalização e fragmentação. São Paulo: HUCITEC, 1996, 3ª ed, p. 51-71.

CALLINICOS, A O imperialismo e a economia política global. Publicado na revista teórica britânica. Intenational Socialism Journal em 2005.

CHESNAIS, François. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996.

CHESNEAUX, Jean. Modernidade-Mundo. 2ª edição. Petrópolis-RJ: Vozes, 1996.

CICCOLELLA, Pablo José. Desconstrução / reconstrução do território no âmbito dos processos de globalização e integração. Os casos do Mercosul e do Corredor Andino. In SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.; SILVEIRA, Maria Laura. (org’s). Território: globalização e fragmentação. São Paulo: HUCITEC, 1996, 3ª ed., p. 196-307.

CROCETTI, Z. S. Neoliberalismo: O caminho para Servidão. Curso ministrado no Evento "De olho no Mundo" em Telêmaco Borba-PR, novembro de 1999. Curitiba-PR, 1999, fotocopiado.

HOBSON, J A. A evolução do capitalismo moderno. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

HOLLOWAY, John. Mudar o mundo sem tomar o poder. São Paulo: Boitempo, 2003, 1ª edição.

JOHNSON, Chalmers. As Aflições do Império. Rio de janeiro: Record, 2007.

MAMIGONIAM, A. Imperialismo, universidade e pensamento crítico. Ciência Geográfica, AGB-Bauru, ano 9, vol, 9 nº1, 2003. p. 90-93.

MARX, K. Elementos Fundamentales para la Crítica de la Economía Política (Grundrisse) 1857-1858, Vol. I. 11ª ed., Madrid: Siglo XXI, 1980.

MERCUSE, Hebert. A Ideologia da Sociedade Industrial: O Homem Unidimensional. Rio de Janeiro: Zahar, 4ª edição, 1973. (1964).

RAFFESTIN, Claude. O que é território. In RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993, p. 143-163.

RANGEL, I. M. As Crises Gerais. Revista de Economia Política, vol. 12, nº. 2 (46), abril junho/1992.

SANTOS, Milton. O retorno do território. In SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.; SILVEIRA, Maria Laura. (org’s). Território: globalização e fragmentação. São Paulo: HUCITEC, 1996, 3ª ed., p.15-20.

__________. Técnica, espaço, tempo, globalização e meio técnico - científico - informacional. São Paulo: HUCITEC, 1998, 4ª ed.

SCHUMPETER, J. A. (1939) Business Cycles: a Theoretical, Historical and Statistical Analysis of the Capitalist Process. London: Mc Graw and Hill.

STREECK, Wolfgang. Tempo comprado: a crise adiada do capitalismo democrático. Lisboa: Conjuntura Actual, 2013.

WALLERSTEIN, Immanuel Análisis de sistemas-mundo, una introducción, Siglo XXI, México: 2005.

WOOD, Ellen. Império do Capital. São Paulo: Boitempo, 2014.