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Asunto:NoticiasdelCeHu 4/19 - A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE PATRIMÔNIO CU LTURAL NO ESPAÇO URBANO: UMA REFLEXÃO EPISTEMOLÓGI CA
Fecha:Jueves, 3 de Enero, 2019  23:42:43 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 4/19
 
 

 

 

 

A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE PATRIMÔNIO CULTURAL NO ESPAÇO URBANO: UMA REFLEXÃO EPISTEMOLÓGICA

 

 

Jacy Bandeira Almeida Nunes

Doutoranda em Geografia/UNICAMP

Professora da UNEB

Jacobina-Bahia-Brasil

 

Jorima Valoz dos Santos

Doutoranda em Geografia/UNICAMP

Professora da UNEB

Salvador-Bahia-Brasil

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A revolução científica e tecnológica sem precedentes provocou mudanças sociais, cognitivas, afetivas, econômicas e estéticas, afetando nossa forma de ver, conceber, agir, refletir e consequentemente de produzir conhecimentos. Para Vitte(2011, p. 9), as transformações dos recursos intelectuais que nos fazem compreender e apreender o mundo, tais como: “as concepções, posturas, esquemas e estruturas cognitivos e interpretativos” provocaram uma ressignificação nas concepções de mundo, ciência,  ser humano e espaço. A ideia é que além dos processos de globalização, entre outros, também passamos a ver e compreender a realidade, a geografia, o homem e a mulher de forma diferente, alterou-se as ferramentas cognitivas, o que traz implicações não só nos conteúdos, contornos e processos sócio-espaciais, mas, e na produção da ciência geográfica.

O ponto de vista é que as descobertas científicas contemporâneas revelam a constituição de novos princípios, tais como o Princípio da Incerteza e o Princípio da Complementaridade, entre outros. Estes princípios funcionam como “operadores cognitivos” do pensamento complexo sobre a realidade e trazem a necessidade da “construção de novos caminhos” para a investigação científica. Daí porque, não podemos compreender o espaço e o tempo, nem suas produções ou interações no espaço, sem considerar que estes são constituídos e estabelecidos em condições complexas, que são objetivas e subjetivas, simultaneamente. (VITTE, 2011)

Dentre as implicações científicas, a ampliação da diversidade de temas, tendências teórico-metodológicas, abordagens e instrumentos de investigação incorporados pelos estudos geográficos contemporâneos, permitiram o avanço, a transgressão e simultaneamente, a aproximação com outros campos científicos e acadêmicos, bem como, a demanda pelo aprofundamento dos embates entre as questões ambientais, culturais, sociais e econômicas, sendo o espaço urbano o principal cenário desta celeuma.   Por isso, numa reflexão epistemológica sobre a produção científica, que tenha como objeto de estudo o espaço urbano, deve cotejar as inquietações apontadas por Carlos (2003) de que:

Algumas questões apareciam no horizonte de nossas preocupações: quais os desafios que a pesquisa urbana coloca aos geógrafos? Como, a partir de nossas pesquisas, podemos pensar a realidade brasileira? [...] Quais os caminhos teórico-metodológicos que se abrem para a análise urbana?[...] quais são as temáticas emergentes? (p. 10).

Para a autora, os estudos desenvolvidos pelos grupos de pesquisadores da área, vêm desenvolvendo nos últimos anos uma série de pesquisas e eventos sobre o espaço urbano e muitos desafios, como a superação das fragilidades epistemológicas da ciência geográfica, as dualidades tradicionais (humano/natureza, rural/urbano, teoria/prática, objetividade/subjetividade), assim como, os impasses e as diferenças que marcam os estudos sobre cidade e urbano a partir da realidade brasileira vem sendo discutidos e indicando a demanda pela:

Construção da problemática urbana nos obriga, inicialmente, considerar o fato de que ela não diz respeito somente a cidade, mas nos coloca diante do desafio de pensamos o urbano, não só, enquanto realidade real e concreta ma, também enquanto virtualidade. A estratégia reúne teoria e prática. Esse encaminhamento nos alerta para a atomização das pesquisas que pensam a cidade isoladamente, ora como quadro físico ora como ambiente urbano. Em muitos casos, a cidade aparece em si, como objeto independente, isolado, palco da ação humana vista enquanto caótica. (CARLOS, 2003, p. 15)

Nesta concepção, o espaço urbano como fenômeno de investigação aponta a necessidade de ser concebido como um objeto complexo, com múltiplas dimensões e com processos sócio-espaciais que transcendem as escalas geográficas tradicionais. Bem! Se a professora Ana Fani Alessandri Carlos, uma das maiores referencias, utilizadas na maior parte das investigações sobre a produção do espaço urbano do país, já reconhece esse desafio de incorporar “uma nova cognição” na produção teórica, para além do mero empirismo, que segundo a autora “de tempos em tempos, [...] ronda a Geografia”(p. 14), a questão que emerge é quais as evidências de que a produção cientifica, oriunda das pesquisas de campo sobre o espaço urbano, vem incorporando, concebendo ou  (res)significando sobre a complexidade da problemática urbana contemporânea?

Com o intuito de investigar a questão, optamos pelo tema Patrimônio Cultural uma vez que pesquisas geográficas sobre esta temática devem considera que: envolve o espaço urbano como cenário; as transformações decorrentes da apropriação do processo de patrimonialização, se tornou uma realidade, a partir do início do século XX, no Brasil; a sua maior atuação foi no tombamento dos sítios urbanos, nas cidades mineiras e se tornou mais recorrentes no início do século XXI, em várias outras cidades no país; e, com as determinações da Constituição Brasileira de 1988,  Art. 215 e 216, reconhece que o Patrimônio Cultural (material e imaterial) são os bens que carregam referenciais identitários, e denotam a memória coletiva e individual da formação de uma dada sociedade. Em síntese, um bem material tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reflete e articula processos culturais, sociais, ambientais, econômicos e políticos. Especificidades essas que caracterizam um objeto complexo e justificam nossa escolha pelo tema. 

O nosso objetivo geral foi: coletar as evidências de “uma nova cognição do sistema mundo” nas pesquisas sobre patrimônio cultual no espaço urbano, através da análise das produções científicas (Teses e Dissertações) dos cursos de pós-graduação em geografia. O objetivo específico foi: identificar as tendências e os desafios para as pesquisas geográficas e principalmente no âmbito da geografia urbana.

O percurso metodológico contemplou o levantamento das teses e dissertações disponíveis no banco de teses e dissertações em geografia urbana. Utilizando como procedimento a leitura seletiva, com destaque para os resumos, as introduções e as conclusões, para identificar as definição de Patrimônio Cultural e por conseqüência as acepções atribuídas ao espaço. Os dados, eles foram sistematizados e utilizados no processo de análise e interpretação a partir da interlocução com os autores. Obtivemos os seguintes resultados: 132 de produções de Geografia, sobre a temática Patrimônio Cultural, e destas, foram analisadas 68 produções sobre o espaço urbano, sendo 43 dissertações e 15 teses.

Na definição de Patrimônio Cultural, constatamos que 63% das produções investigadas utilizaram o artigo 216 da Constituição Federal de 1988 para definir Patrimônio, as outras 47% das definições apresentavam características semelhantes; I) Consta em 100% dos trabalhos analisados: pode ser um bem material ou imaterial. Essa característica aparece tanto nos trabalhos que investigaram bens materiais (91%) como nas pesquisas sobre os imateriais (9%); II) Apresenta referenciais identitários, culturais e históricos a parece em 96% dos trabalhos, com uma ou outra variação (tais como significações e memória social e cultural), mas com os mesmos significados. As evidências coletadas nessa forma de abordar o espaço geográfico, indicam uma abordagem multidimensional e multiescalar e potencializam a (res)significação da compreensão dos processos sócio espaciais contemporâneos da Geografia Urbana, pois contempla as significações sociais, históricas, políticas, ambiental, econômicas e culturais, ou mesmo as diversas intencionalidades que permeiam e materializa-se no espaço, uma vez que:

 

A patrimonialização (...) de bens culturais, embora nos remeta ao passado e à preservação de sua memória, nos coloca questões importantes sobre a nossa sociedade no presente, pois, é esta atribuição de valor às coisas, às paisagens e as heranças históricas, substanciadas no espaço, que revela as nossas escolhas (...); as nossas estratégias políticas de ação (...); o nosso modo de categorizar o mundo pela seleção, hierarquização e valorização das coisas; as representações e os universos simbólicos que nos identificam e nos enraízam ao meio; a relevância das formas e de suas funções – nossas intencionalidades nem sempre explícitas; as determinações de estruturas políticas, econômicas e culturais no desenrolar do processo histórico (PAES, 2010, p. 13).

 

A autora cita que o processo de patrimonialização e a gestão do Patrimônio cultural fomentam diversos conflitos, que articulam, divergem e comportam diferentes dimensões; é um fenômeno que perpassam por diferentes escalas espaciais (local, estadual, nacional e global); cuja, materialidade se dá num recorte espacial (espaço urbano, espaço rural, cidade, bairro, centro histórico, lugar, paisagem, território, entre outros).

Nessa ótica, podemos cotejar como perspectiva e tendências a superação de mínimo quatro fragilidades epistemológicas que permearam historicamente o pensamento geográfico, vejamos: 1) a simplificação e fragmentação cartesiana[1], pois, o objeto passa a ser visto a partir da articulação das diferentes e complementares dimensões; 2) compreender a realidade como dinâmica e multiescalar  amplia o olhar sobre o fenômeno, pois conforme aponta Castro(2010, p.60) “colocam em evidência relações, fenômenos, fatos, como um modo de aproximação do real”, superando o reducionismo das análises por partes para a compreensão do todo; 3) ao reforçar (PAES, 2010; MENESES, 2010)  a ideia de que o espaço é o aporte de mediação entre o bem (material e imaterial) e os valores culturais, históricos, sociais e econômicos, este deixa de ser amorfo, fixo, imutável  reduzido “a palco dos eventos (...) como ensinara Newton, ou seja, era dado a priori, isto é, preexistia aos fenômenos” (CAMARGO, 2005, p. 90); e,  4)  quando concebe a imaterialidade a um bem, revelando que, esta pode ser representada pelas múltiplas significações estabelecidas por diferentes atores sociais e com intencionalidades diversas, explicita a ideia de superação da concepção de homem passivo diante de uma natureza  mecânica e determinante e coloca o homem como ator social, frente a uma realidade  dinâmica, complexa, imprevisível e que transcende o âmbito das cidades, e desvelam-se no espaço urbano. 

Em fim, os resultados obtidos com a investigação comprovaram a existência de evidências de novas ferramentas intelectuais para compreender o espaço urbano nas produções científicas (teses e dissertações) investigadas. Em relação a natureza do objeto de estudo, comprovamos alterações significativas nas concepções e conceitos que balizavam, os fundamentos epistemológicos dos estudos sobre o urbano, tais como: causalidade, objetividade, reducionismos; e, aparecimento de outros: multiescalar, multidimensionalidade, complexidade, entre outros. Apontando indícios de uma potencial superação das fragilidades epistemológicas na ciência geográfica e tendências para eliminar as dualidades dos estudos geográficos.

 

REFERÊNCIAS

CAMARGO, L. H. R. de. A ruptura do meio ambiente: Conhecendo as mudanças ambientais do planeta através de uma nova percepção da ciência: a geografia da complexidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

CARLOS, A.F.A. Introdução. In: CARLOS, A.F.A.; LEMOS, A. I. G (org.). Dilemas urbanos: novas abordagens sobre a cidade. São Paulo: Contexto, 2003

CASTRO, I. E. Problemas e alternativas metodológicas para a região e para o lugar. In: MENESES, U. T.B de. O campo do Patrimônio Cultural: uma revisão de premissas. In:  Conferência MagnaI Fórum Nacional do Patrimônio Cultural. v.01, Ouro Preto: IPHAN, 2010

MENESES, U. T.B de. O campo do Patrimônio Cultural: uma revisão de premissas. In:  Conferência MagnaI Fórum Nacional do Patrimônio Cultural. v.01, Ouro Preto: IPHAN, 2010

PAES, M. T. D. Apresentação. In: PAES, M. T. D.; OLIVEIRA. M. R. da S. (Org.) Geografia, Turismo e Patrimônio Cultural. São Paulo: AnnaBlume, 2010. p.13 – 32

VITTE, A. C.  Por uma Geografia Híbrida: Ensaios sobre os mundos, as naturezas e as culturas. Curitiba, PR: CRV, 2011.   


 


[1]Para Camargo (2005, p. 91) “o sentido da fragmentação cartesiana, que é usual até os nossos dias e que dá a geografia um sentido de pouca ou nenhuma praticidade. (...) associa-se à ideia (...) de espaço absoluto”.

 

 



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