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Asunto:NoticiasdelCeHu 352/18 - A OCUPAÇÃO DA AMÉRICA E A DOMESTI CAÇÃO DE PLANTAS
Fecha:Sabado, 29 de Diciembre, 2018  20:46:34 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 352/18
 
 

 

 

 

A OCUPAÇÃO DA AMÉRICA E A DOMESTICAÇÃO DE PLANTAS

 

 

João Batista Villas Boas Simoncini[1]

Andreia Adamis de Carvalho[2]

Heleno Turrini Lima Brandão[3]

Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - CES/JF - Minas Gerais - Brasil

 

 

1.    Introdução

Este artigo trata de pesquisas e discussões estabelecidas na disciplina Formação do Continente e Americano do curso Pós-Graduação Gastronomia das Américas do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - CES/JF. Primeiramente, buscamos compreender as teorias oficiais de ocupação da América e as consideradas não oficiais, mas que tem seus fundamentos e contribuem para a compreensão do tema.

Entendemos que a ocupação da América é determinante para compreensão da domesticação de plantas e animais, da(s) técnica(s) aplicada(s) à transformação de alguns alimentos e principalmente para compreendermos e situarmos a cultura alimentar na atualidade.

Para atingirmos os objetivos propostos, utilizamos como método o estudo das teorias referente a ocupação da América, com enfoque nas pesquisas e teorias da arqueóloga Niède Guidon[4] e do biólogo evolutivo Walter Alves Neves, além de outros teóricos. Buscamos assim, compreender não somente o processo de ocupação, mas entender como o homem primitivo domesticou e manipulou as plantas com as poucas técnicas de que dispunha, possivelmente por tentativa e erro.

 

2.      A ocupação da América

Inicialmente, ressaltamos o fato de que existem apenas hipóteses sobre a chegada do ser humano no continente americano. É possível que este tenha se originado no continente africano, uma vez que o hominídeo mais antigo conhecido foi encontrado na África e é denominado Australopithecus afarensis, mais conhecido como “Lucy”. Deste modo, o ser humano foi se dispersando para outros continentes, chegando finalmente à América. Na figura 1, estão representadas as cinco hipóteses sobre a chegada do homem na América.

 

 

Figura 1

 

 

1 - De acordo com a primeira hipótese representada na figura 1, o ser humano chegou ao continente americano vindo da Ásia através do Estreito de Bering. Acredita-se também que a glaciação propiciou o deslocamento do ser humano até a América através de tal estreito, já que o nível das águas do oceano passa a diminuir, fazendo com que se formassem ilhas e que houvesse conjuntos de água que se solidificaram. Este acontecimento facilitou a passagem por este local. Atualmente, essas ilhas estão submersas, pois o nível das águas tornou a subir.

2 - A segunda hipótese afirma que o ser humano chegou à América atravessando o Oceano Pacífico.

3 - A terceira hipótese debate o autoctonismo, onde o pesquisador Florentino Ameghino sugere que o homem americano seja autóctone, ou seja, tenha surgido na própria América.

4 - A quarta hipótese afirma que o ser humano chegou a América atravessando o Oceano Atlântico. O crânio de Luzia[5], encontrado em 1975 em Lagoa Santa - MG - é um importante vestígio de como teria ocorrido o povoamento do continente Americano.

5 - A quinta teoria indica que o homem chegou ao Piauí há cerca de 100 mil anos, teria vindo da África por via oceânica, atravessando o Atlântico. Essa migração ocorreu devido a uma grande seca na África, direcionando o homem para o mar para procurar comida. Tempestades o empurraram mar adentro. O mar estava então 140 metros abaixo do nível que se encontra na atualidade, assim como a distância entre a África e a América era muito menor e havia muito mais ilhas.

Argumenta Guidon[6] que o homem, em um determinado momento, começa a inventar as mesmas tecnologias, seja no Brasil, na Europa, na Ásia ou na África. Acrescenta a arqueóloga que o Homo sapiens apareceu na África por volta de 130 mil anos, período em que esse continente passou por uma seca muito grande, que quase dizimou integralmente a espécie humana. Foi aí que eles começaram a migrar e se espalharam pelo globo.

Entendemos que as teorias aceitas e não aceitas sobre a ocupação da América estão vinculadas não somente a comprovações, como também às decisões de alguns centros de pesquisas dos países que determinam o que é “verdadeiro” / “comprovado” e o que é “falso” / “hipotético” / “especulativo”.

Entendemos que as teorias de pesquisadores – Niède Guidon, Walter Alves Neves e outros pesquisadores –, que trabalham em centros de pesquisas que não estão localizados ou vinculados a países centrais, como os Estados Unidos da América, têm limitações teórico-metodológicas de comprovar suas teorias. Podemos encerrar essa assertiva com uma menção de Neves; Piló (2008):

 

[...] Não se demole um dogma científico com pouco dinheiro, pouca competência e falta de vocação para a briga. Se o dogma tiver sido construído por uma comunidade acadêmica financeiramente poderosa e arrogante, como a norte-americana, essa máxima pode chegar a requintes de crueldade. Não há meio termo! (NEVES; PILÓ, 2008, p. 72).

 

3.    A domesticação de plantas: teorias e contradições

De acordo com Felippe (2012) os pesquisadores concordam que a domesticação de plantas teve início de forma independente em cinco áreas no mundo, e discordam sobre outras quatro em que esse mesmo processo pode ter ocorrido. Nessas cinco áreas, foram domesticadas plantas silvestres, que depois, foram levadas para outras regiões do globo.

Segundo Felippe (2012) essas cinco áreas são:

1ª Crescente Fértil – termo criado em 1906 pelo arqueólogo James Henry Breasted (1865-1935) para denominar uma área no sudoeste da Ásia que, na Antiguidade, tinha solos férteis e rios importantes, como o rio Nilo, Eufrates e Tigre. Atualmente, compõem essa área Iraque, Síria, Líbano, Israel e Jordânia, abarcando ainda, uma pequena franja do sudeste da Turquia e outra do oeste do Irã. Entre as primeiras  plantas domesticadas pela humanidade, estão o trigo, a ervilha, o grão-de-bico, a cevada e a oliveira, cuja domesticação iniciou em 8.500 a.C.

2ª China - foram domesticados a soja, o arroz, o painço, o feijão-azuki e o feijão-mungo. A primeira data comprovada de domesticação na China foi aproximadamente 7.500 a.C.

3ª Mesoamérica - área que engloba o sul e o centro do México mais a América Central (Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e o noroeste da Costa Rica). Essa área, habitada por maias e astecas, foram domesticados o milho, o feijão[7], o feijão-trepador-escarlate e a abóbora. A domesticação na Mesoamérica ocorreu aproximadamente 3.500 a.C.

Explica Trueba (2009),

 

Mesoamérica es considerado uno de los sitios de domesticación de plantas de mayor relevancia, sobre todo por el maíz[8], alrededor del cual crecieron las diferentes sociedades que han ocupado esta zona a lo largo de la historia. El acervo cultural de los primeros agricultores de esta región proviene de aquellos grupos de cazadores-recolectores que pisaron esta parte del planeta tal vez hace 35 mil años, fecha que establecen algunos estudios, o bien entre 20 y 15 mil años, como lo indican otros; la discusión es tal, que in cluso se cuestiona que la primera migración haya sido por el norte, como siempre se ha planteado, debido a que los indicios humanos más antiguos provienen de Sudamérica, lo que, a mi parecer, es la hipótesis más sólida (CARRILLO TRUEBA, 2009. p. 5).

[...]

[...] Aunque no se tienen datos que evidencien la existencia de dicho manejo de la vegetación, hay suficientes indícios de que éste habría sido el más factible en sitios secos, como Tehuacán, el valle de Oaxaca y la sierra de Ta maulipas, em donde se han encontrado los restos más antiguos de domesticación de plantas en Mesoamérica, que datan de aproximadamente 8000 a.C. — ciertamente, los debates en torno a las fechas son interminables. Las primeras especies que presentan cambios debido a manipulación humana son el guaje y la calabaza, seguidos del chile y el aguacate [...] (CARRILLO TRUEBA, 2009. p. 6).

[...] El maíz hace su aparición en los tres sitios alrededor de dos mil años después, bajo la forma de una pequeña mazorca con minúsculos granos, comparados con los actuales que se piensa, deben su tamaño a una mutación súbita resultado de la estructura genética de esta planta — aunque hay polémica al respecto. Del frijol silvestre se tiene evidencia muy antigua, alrededor de 8000 a.C., pero las especies domesticadas datan de cerca de 4000 a.C. Tal como se ha señalado, esta combinación es muy nutritiva debido a que el frijol suple la carencia del maíz en lisina, un aminoácido esencial para los humanos (CARRILLO TRUEBA, 2009. p. 6-7).

 

4ª Área engloba os Andes, na América do Sul, e a adjacente bacia amazônica, com Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela e Chile – o Império dos Incas, onde a domesticação teve início em 3.500 a.C. Foram domesticadas a batata, a mandioca, a batata-doce, a quinoa, o tomate, o feijão e o feijão-de-lima.

5ª Esta última região abrange a parte leste dos Estados Unidos, onde a domesticação começou aproximadamente 2.500 a.C., com o girassol, a ançarinha-branca, a abóbora e a alcachofra-de-jerusalém.

Acrescenta Felippe (2012) que a domesticação ocorreu em outras áreas além das cinco mencionadas, entre essas estão a zona do Sahel, na África; na região tropical da África ocidental; na região onde hoje fica a Etiópia e na ilha de Nova Guiné, na Oceania.

 

4.    Considerações finais

Consideramos e entendemos que as teorias sobre a ocupação da América contribuem para compreensão da história da ocupação humana, da domesticação de plantas e da cultura alimentar no continente americano. Como Niède Guidon, Walter Alves Neves e tantos outros pesquisadores, acreditamos que não há somente uma única migração e que ocorreu interação entre os grupos humanos que se estabeleceram na América.

Percebemos que algumas teorias elaboradas e defendidas na América do Sul são contestadas ou mesmo renegadas por centros de pesquisas dos países centrais e, principalmente pela comunidade acadêmica estadunidense. Certeza, não há! O que prevalece é desconfiança em relação às teorias universais que se autodenominam “verdadeiras”.

Quanto a teoria “verdadeira” sobre a ocupação da América, concordamos com a assertiva de Florentino Ameghino que diz:

 

[...] Cambiaré de opinión tantas veces y tan a menudo como adquiera conocimientos nuevos; el día que me aperciba que mi cerebro ha dejado de apto para esos cambios, dejaré de trabajar. Compadezco de todo corazón a todos los que después de haver adquirido y expresado una opinión, no pueden abandonarla nunca más (INGENIEROS, 2000. p. 189-190).

 

 

Referências Bibliográficas

 

CARRILLO TRUEBA, César. El origen del maíz naturaleza y cultura en Mesoamérica. Ciencias, Núm. 92 - 93, octubre-marzo, 2008-2009. Universidad Nacional Autónoma de México - México. 2009, p.4-13

FELIPPE, Gil. Gaia: o lado oculto das plantas: tubérculos, rizomas, raízes e bulbos. Ilustrações: Maria Cecília Tomasi. São Paulo: Edições Tapioca, 2012.

GUIDON, Niède. Peintures rupestres de Várzea Grande, Piauí, Brésil. Cahiers dÁrchéologie dÁmérique du Sud n.º 3, Paris, Ecole des Hautes Études em Sciences Sociales, 1975, 174p.

______. L’art rupestre du Piauí dans le contexte sud-américain. Une première proposition concernant méthodes et terminologie. Thèse de Doctorat d‟État. Paris, Université de Paris I, 1984, 187p.

______. A seqüência cultural da área arqueológica de São Raimundo Nonato, Piauí. CLIO - Série Arqueológica 3, nº 8, Recife, UFPE, 1986, p.137-144.

______. As ocupações pré-históricas do Brasil (excetuando a Amazônia). In: Manuela Carneiro da Cunha (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras,1998, p. 37-52.

INGENIEROS, José. Las doctrinas de Ameghino. Buenos Aires - AR: El Aleph, 2000.

NEVES, Walter Alves; PILÓ, Luís Beethoven. O Povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos. São Paulo, Editora Globo, 2008.

SILVA, Hilton P.; RODRIGUES-CARVALHO, Claudia. (Orgs.). Nossa origem: o povoamento das Américas: visões multidisciplinares. Prefácio de Francisco M. Salzano. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2006.

SIMONCINI, João Batista Villas Boas. Feijão Made In China. Meridiano. Número 3. Año 2014. Ciudad Autónoma de Buenos Aires - Argentina. 2014, p.199-215.

SP PESQUISA - A origem do Homem Americano - 1º bloco - 2º bloco. Disponível: <http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/460/walter-alves-neves> - Acesso: 24 jul. 2018.

TV CULTURA. Vida de Cientista - Niède Guidon - PGM 15. Disponível: <http://tvcultura.com.br/videos/34694_vida-de-cientista-niede-guidon-pgm-15.html> - Acesso: 24 jul. 2018.

 

 

 

 

 



[1] Docente no curso de Graduação em Gastronomia e da Pós-Graduação Gastronomia das Américas do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - CES/JF, Minas Gerais, Brasil.

[2] Discente no curso de Pós-Graduação Gastronomia das Américas do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - CES/JF, Minas Gerais, Brasil. E-

[3] Discente no curso de Pós-Graduação Gastronomia das Américas do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - CES/JF, Minas Gerais, Brasil. E-

[4] Os estudos de Guidon basearam-se em escavações. Nestas foram encontraram vestígios ainda mais antigos do que a tese de que os primeiros seres humanos a habitarem o continente teriam vindo da Rússia aos Estados Unidos pelo estreito de Bering, 13 mil anos antes do presente, ou AP (forma de datar descobertas arqueológicas pela qual o dia 1º de janeiro de 1950 marca, arbitrariamente, o “presente”). São fósseis, urnas funerárias, ferramentas e pinturas rupestres com datações que vão de 59.000 AP a 5.000 AP. Apesar de terem as idades estimadas pelos melhores laboratórios de arqueologia da Europa e dos Estados Unidos, os artefatos carecem de aceitação plena pela comunidade acadêmica americana, que ainda banca a teoria formulada em 1950.

[5] NEVES, Walter Alves; PILÓ, Luís Beethoven. O Povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos. São Paulo, Editora Globo, 2008.

[6] Arqueóloga diz que o Homo sapiens já estava no Piauí há 100 mil anos. Disponível: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2008/12/01/niede-guidon/> - Acesso: 20 jul. 2018.

[7] [...] existem diversas hipóteses para explicar a origem e domesticação do feijoeiro. Tipos selvagens, similares a variedades crioulas simpátricas (espécies que possuem divergências genéticas), encontrados no México e a existência de tipos domesticados, datados de cerca de 7.000 a.C., na Mesoamérica, suportam a hipótese de que o feijoeiro teria sido domesticado na Mesoamérica e disseminado, posteriormente, na América do Sul. Por outro lado, achados arqueológicos mais antigos, cerca de 10.000 a.C., de feijões domesticados na América do Sul (sítio de Guitarrero) são indícios de que o feijoeiro teria sido domesticado na América do Sul e transportado para a América do Norte (SIMONCINI, 2014. p. 201).

[8] [...] el cultivo de maíz en milpa, esto es, junto com frijol, calabaza, chile y otras plantas más, fue adoptado por pueblos de distinto origen y lengua — pertenecientes a 16 familias linguísticas — que ingresaron a este territorio en diferentes épocas y ocuparon las muy diversas regiones mesoamericanas —semiáridas, templadas, cálidas y húmedas, etcétera. Allí moldearon su hábitat, creando paisajes tan diversos como el territorio mismo, en donde el maíz ocupó un sitio privilegiado y tramó relaciones con los cultivos propios de cada región y otras plantas silvestres. La conjunción de estos vegetales y las presas de caza, el pescado y otros recursos propios de cada zona, conformó dietas muy variadas y estilos culinarios distintos. El resultado de este proceso fue la formación de aproximadamente 250 pueblos de diferente lengua, habitando um territorio de gran diversidad natural y unidos por una forma de vida tejida alrededor del cultivo del maíz [...] (CARRILLO TRUEBA, 2009. p. 7-8).

 

 



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