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Asunto:NoticiasdelCeHu 279/18 - DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE FLORIANÓPOLIS/ SC E ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA DO MANGUEZAL DO ITACO RUBI
Fecha:Martes, 25 de Septiembre, 2018  19:47:20 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 279/18
 
 

III Congreso de Geografía Económica

Mar del Plata - 13 al 15 de junio de 2018

 


  

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE FLORIANÓPOLIS/SC E ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA DO MANGUEZAL DO ITACORUBI

 

 

Karine Domingos

Graduanda em Geografia

Nicolas de Pieri Moreira

Graduando em Geografia

Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis/SC

Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais - LABEUR

 

 

RESUMO

O Manguezal do Itacorubi localiza-se em uma área extremamente urbanizada do município de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina. A partir de imagens aéreas disponibilizadas pós década de 1950, é possível observar o avanço da mancha urbana sob este ecossistema. O presente trabalho tem como pauta a análise do desenvolvimento econômico de Florianópolis visto a partir do fenômeno da especulação imobiliária, causadora do avanço da mancha urbana em torno do manguezal. Para isso, foram levantadas informações a partir de imagens aéreas, levantamento bibliográfico, leituras teóricas, busca de dados em órgãos competentes e visitas a campo. Por fim, analisa-se o processo de expansão econômica local e expõe os fatores intensificadores da pressão urbana e especulação imobiliária sobre o mangue e as possíveis consequências ao ecossistema local.

 

 

Palavras-chave: manguezal, Itacorubi, especulação imobiliária, pressão urbana.

 

 

 

  1. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

 

Ao contrário dos outros estados da região sul do Brasil, Paraná e Rio grande do Sul, a formação de Santa Catarina não foi marcada por grandes divisões de terras, formadoras de latifúndios, essa característica também marcou a formação sócio espacial de Desterro, atual Florianópolis.

A fragmentação das pequenas faixas de terras foi acentuada a cada processo de divisão de herança, o que reduziu ainda mais a perspectiva de ascensão econômica por meio da agricultura e caracteriza o tamanho das propriedades rurais do estado até hoje. Embora esse processo seja evidente, houveram momentos da história em que a ilha de Santa Catarina ganhou destaque nacionalmente com produtos específicos como o exemplo da produção de mandioca e o café de sombra.

A pesca esteve intrinsecamente ligada a história de Florianópolis desde o abate de baleias no século XVIII até o desenvolvimento da atual indústria de pescados. As características físicas de Florianópolis, que incluem a presença de baías e enseadas foram condicionantes para o desenvolvimento do setor, que até os dias atuais exerce um peso econômico expressivo. O complexo pesqueiro (Laguna, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Itajaí e São Francisco do Sul), com aproximadamente 25 mil pescadores, é responsável pela geração de 2,3 mil empregos diretos (SOUZA; BASTOS, 2011). Como abordaremos adiante os manguezais são ambientes estuarinos fundamentais para os organismos que mantém esse setor.

Durante o século XVII, Desterro torna-se um território estratégico para a política expansionista portuguesa. Como forma de consolidação do poder, a Coroa Portuguesa passou a ocupar o território, fornecer contingente militar para a defesa da região, e abastecimento de alimentos. Portugal iniciou no século XVIII a maior intervenção no sul do país, um considerável fluxo migratório foi incentivado resultando na chegada de aproximadamente seis mil imigrantes vindos do Arquipélago dos Açores, para a ilha de Santa Catarina. Os imigrantes açorianos trouxeram consigo costumes e práticas locais comuns, como o cultivo de subsistência, confecção de artesanatos, confecção e utilização de redes de arrasto para pesca, entre outros costumes. Este último ainda presente atualmente, sendo fonte de renda para grupos de pescadores residentes na ilha, próximos ao grande mercado consumidor estruturado na área conurbada da Grande Florianópolis, o manguezal objeto de estudo, é ambiente estuarino de diversas espécies que mantém a pesca artesanal de Florianópolis, e sua deterioração implica além da perda de ecossistema, também ao comprometimento da subsistência de famílias de pescadores locais.

Florianópolis passou de 187.871 habitantes em 1980 para 402.346 em 2008, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2008). O crescimento desordenado da cidade possibilitou a expansão irracional em áreas naturais que deveriam ser preservadas, como é o exemplo do Manguezal do Itacorubi. (Fig. 1.1 e 1.2). Essa expansão na cidade se deve grande parte às empresas estatais instaladas em meados das décadas de 1960 e 1970, após a consolidação de suas sedes, a urbanização expandiu para a bacia do rio Itacorubi melhorando sua infraestrutura e atraindo cada vez mais trabalhadores para aquela região.

A progressiva implantação do aparelho estatal, a melhoria na infra-estrutura técnica e social e a presença de classes sociais privilegiadas, incrementaram o setor imobiliário, que por sua vez, procurou atender a crescente demanda da comunidade universitária e dos funcionários das estatais, o que refletiu consideravelmente no alto custo das terras (SANTOS, 2003).

 

 

 

  1. AVANÇO DA MANCHA URBANA

 

                Florianópolis em 2014 foi considerada uma das dez cidades mais caras para se viver no Brasil, segundo a revista EXAME. Por ser localizado sua maior parte em uma ilha, o território limitado devido a essa condição agrava a situação e favorece a especulação imobiliária, segundo uma reportagem realizada pelo Diário Catarinense em 2014 o valor do m² de imóveis residenciais no bairro Itacorubi chegava a R$ 5.077,62, que pode ser comparado aos mais caros do Brasil.

                A constituição de uma parcela da população composta por um grande número de funcionários públicos que possuem empregos fixos com salários médios mais altos, deve-se a  concentração de instituições e órgãos públicos como: UDESC, CELESC, CASAN, EPAGRI, BADESC, ICEPA, CIDASC (a nível estadual) e UFSC, ELETROSUL, IFSC (nível federal), entre outras (SOUZA; BASTOS, 2011). Este cenário agrava ainda mais a desigualdades sociais expressas espacialmente e visivelmente na cidade, onde classe baixa e média segregam-se em zonas determinadas.

O Bairro Itacorubi abriga uma dessas zonas de alto nível, onde o valor do solo é suficientemente alto que os limites do manguezal se tornam atrativos para a construção civil e não são corretamente respeitados.

Entre as principais ameaças à conservação do Parque Manguezal do Itacorubi estão o lixo depositado no local, entretanto a ocupação indevida e a pressão imobiliária são as ameaças mais agressoras atualmente. Permissões para construções irregulares na área do manguezal, concedidas por órgãos públicos, podem ser vistas claramente no seu entorno, além da presença da rodovia SC - 401 que divide a área do mangue em duas partes.

Em 1999, foi realizada a construção do elevado Vilson Kleinübing, mais conhecido como Elevado do CIC - Centro Integrado de Cultura. Apesar de necessária a construção de uma estrutura que atendesse a demanda viária para o Norte da Ilha, a construção provocou a diminuição de 1,3 ha na área do manguezal, devido ao aterramento.

Uma obra de importante impacto social, econômico e ambiental ao mangue foi a construção do Shopping Center Iguatemi, inaugurado em 2007, acentuando a pressão urbana sobre a área. Envolvidas em diversas polêmicas, o empreendimento gerou questionamentos aos técnicos sobre seus impactos e legalidades da construção. Após a construção do Shopping Center a urbanização do bairro Itacorubi teve um crescimento elevado, o preço dos imóveis na proximidade do empreendimento também foram mais valorizados. Como consequência da urbanização, o aumento da população e a falta de infraestrutura adequada de saneamento, com esgotos sendo lançados nos afluentes da bacia Itacorubi, agravou os problemas ambientais daquela área.

 

 

 

  1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

 

A área de estudo está localizada em Florianópolis/SC - Brasil compreende a área do Manguezal do Itacorubi (Figura 2), em seu entorno, cercada por malha urbana e formações graníticas com declividades acentuadas que impedem o avanço da ocupação urbana na direção Sul, e a Norte, recortada pelo mar. Com os entornos bloqueados, a especulação imobiliária é intensificada, volta-se aos terrenos planos do Manguezal do Itacorubi, que de acordo com o jornal Diário Catarinense, possui um dos preços do m² mais elevados de Florianópolis.

                Entre os problemas associados a Bacia Hidrográfica do Itacorubi, está o estrangulamento do sistema viário, poluição por esgoto doméstico e industrial, insuficiência na coleta de lixo, rede de abastecimento público de baixa qualidade, moradias irregulares em Áreas de Preservação Permanente no topo de morros, alagamentos em áreas planas, subaproveitamento de nascentes para abastecimento local, entre outros (SOVERNIGO, 2009). É considerado o segundo maior manguezal urbano do Brasil, o primeiro localiza-se em Pernambuco, segundo o jornal G1.

A área em questão compreende 182 ha e desempenha papel fundamental a reprodução de espécies, pertencente a uma bacia de 2844 ha de área total. O mangue exerce a função de berçário para espécies de peixes de alto mar que procuram águas com baixa movimentação para reprodução e desova, a preservação do mangue não é só importante para essas espécies, mas também para a fauna. É devido a função de berçário natural que o mangue é denominado como um ambiente estuarino, fazendo a interação entre águas marinhas e continentais promovendo assim a circulação de nutrientes.

                Estando próximo ao centro histórico de Florianópolis e, portanto, em uma área com grande tendência de expansão urbana, o manguezal do Itacorubi foi o mais alterado da Ilha (CARUSO, 1983).

 

1957.png

1977.png

Figura 1.1 - Manguezal Itacorubi, 1957.

Fonte: Geoprocessamento Corporativo

 Figura 1.2 - Manguezal Itacorubi, 1977.

  Fonte: Geoprocessamento Corporativo.

 

Figura 2 - Figura de localização de Florianópolis e Manguezal do Itacorubi

 

 

 

4.       RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Ao realizar a análise temporal do manguezal a partir das imagens adquiridas no site da Prefeitura Municipal de Florianópolis, Google Earth e apoiados em fontes bibliográficas, registros in loco e angariação de dados em órgãos competentes, podemos além de visualizar o fenômeno do avanço da mancha urbana sob o mangue, como também compreender os processos atuantes ao longo, principalmente a partir de meados do século XX, que resultaram na intensificação da especulação imobiliária, ocasionando a valorização de espaços normalmente subjugados pela população. Esses espaços, inadequados para a construção civil e impermeabilização do solo ganham valor a medida que a superfície desocupada torna-se mais escassa, reflexo da falta de uma política habitacional rígida que favoreça esse ambiente. A busca desordenada pelo crescimento econômico do setor imobiliário intensifica a desarticulação do equilíbrio entre homem, natureza e sociedade. Como o mangue é majoritariamente uma região plana, ele se torna uma região muito visada para especulação imobiliária, que nos últimos anos intensificou a pressão sobre os órgãos públicos para conceder licenças para construções de empreendimentos (principalmente condomínios), não levando em consideração que a região não possui infraestrutura adequada de saneamento. 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CARVALHO, Larissa Trindade. Os manguezais da Ilha de Santa Catarina frente à antropização da paisagem. 2009. 220 p. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)- UFSC, Florianópolis, 2009. Disponível em: <http://www.tede.ufsc.br/teses/PARQ0108-D.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018.

DIÁRIO CATARINENSE. Pesquisa traz retrato de mercado imobiliário em Florianópolis. Disponível em: <http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2014/08/pesquisa-traz-retrato-de-mercado-imobiliario-em-florianopolis-4573823.html>. Acesso em: 20 nov. 2017.

G1. Manguezal urbano do Itacorubi, em Florianópolis, é 2º maior do Brasil. Disponível em: <http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/nossa-terra/2013/noticia/2013/09/manguezal-urbano-do-itacorubi-em-florianopolis-e-2-maior-do-brasil.html>. Acesso em: 20 nov. 2017

LOREGIAN, Mirian. UMA ANÁLISE DOS PROBLEMAS QUE AFETAM A BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO ITACORUBI – FLORIANÓPOLIS/SC. In: Anais XVIII Encontro Nacional de Geógrafos, São Luís, Brasil, 24 - 30 de julho de 2016, UFMA. <https://exame.abril.com.br/brasil/as-cidades-mais-caras-para-viver-no-brasil/> Acessado em 14 de maio de 2018

PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS. 1. Geoprocessamento Corporativo. Disponível em: <http://geo.pmf.sc.gov.br/geo_fpolis/index.php>. Acesso em: 20 nov. 2017.

SANTOS, Cristina Camilo dos. O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DA BACIA DO ITACORUBI: A INFLUÊNCIA DA UFSC. 2003. 114 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil)- UFSC, Florianópolis, 2003. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/86115/197060.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 14 maio 2018.

SOUZA, Joel José de; BASTOS, Maycon Neykiel. A formação socioespacial do estado de Santa Catarina, Brasil. Egal, Costa Rica, 2011.

SOVERNIGO, Matheus Hobold. MANGUEZAL DO ITACORUBI (FLORIANÓPOLIS, SC): UMA REVISÃO DA DISPONIBILIDADE DE DADOS ECOLÓGICOS VISANDO O DIRECIONAMENTO DE NOVOS ESTUDOS. Oecologia Australis, [s.l.], v. 13, n. 04, p.575-595, dez. 2009. Oecologia Australis.

 

 


 


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