Inicio > Mis eListas > humboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 18017 al 18036 
AsuntoAutor
Re: NECESITO DONAC Gustavo
NECESITO DONACIÓN Gustavo
300/17 - EL IMPACT Noticias
301/17 - Integraci Noticias
Re: NoticiasdelCeH Diana Mo
302/17 - TRANSPORT Noticias
303/17 - PROBLEMÁT Noticias
=?UTF-8?Q?304/17_- Noticias
305/17 - Primera C Noticias
306/17 - El final Noticias
307/17 - IMÁGENES Noticias
308/17 - MOVIMIENT Noticias
309/17 - Conferenc Noticias
310/17 - GEOPOLIT Noticias
311/17 - Edad y nu Noticias
312/17 - ARGENTINA Noticias
=?UTF-8?Q?313/17_- Noticias
314/17 - Robotizac Noticias
=?UTF-8?Q?V_Congre Elias An
=?UTF-8?Q?Re=3A_No John Zap
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
Noticias del Cehu
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 18362     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:NoticiasdelCeHu 310/17 - GEOPOLITICA SUBSAARIANA: OS CONFLITOS NO CHADE
Fecha:Domingo, 15 de Octubre, 2017  00:33:38 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 310/17
 
 

XIX Encuentro Internacional Humboldt

“América Latina: balance de una “década

 

Rio Grande/ Pelotas – RS - Brasil

 

11 al 15 de setiembre de 2017

 

 

  GEOPOLITICA SUBSAARIANA: OS CONFLITOS NO CHADE

Dante Severo Giudice

Prof. Dr. IFCH/UCSAL

Curso de Geografia

Líder do GEPOGEO¹
Pesquisador GEOPLAN

Salvador/Bahia/Brasil

Mariana de Oliveira Santana

Licencianda em Geografia UCSAL

Membro Pesquisador do GEPOGEO

Salvador/Bahia/Brasil

Marlon Muriel Correia da Cruz

Bacharelando em Geografia UCSAL

Membro Pesquisador do GEPOGEO

Salvador/Bahia/Brasil

Michele Paiva Pereira

Licencianda em Geografia pela Ucsal

Membro Pesquisador do GEPOGEO

Salvador/Bahia/Brasil

 

 

Resumo

 

O Chade é um país da África central, ex-colonia francesa, e afetado por conflitos geopoliticos, comuns no continente. Vivenciou guerras civis que praticamente destruiu o pais, consequência dos conflitos internos e dos conflitos em países vizinhos.

 

Resumen

 

Chad es un país de África central, ex colonia francesa, y afectado por conflictos geopolíticos, comunes en el continente. Vivió guerras civiles que prácticamente destruyeron al país, consecuencia de los conflictos internos y de los conflictos en países vecinos.

 

Abstract

 

Chad is a country in central Africa, formerly a French colony, and affected by geopolitical conflicts common on the continent. He experienced civil wars that practically destroyed the country as a consequence of internal conflicts and conflicts in neighboring countries.

 

Introdução

 

O país está situado na região central da àfrica, limitando-se ao norte com a Líbia, a leste com o Sudão, a sul com a República Centro Africana e Camarões, e a oeste com a Nigéria e o Níger (Figura 1).

A ocupação da região onde se situa o país hoje, data do neolítico, mas o efettivo povoamento se deu devido a localização do lago Chade, na confluência das estradas vindas de Tripoli (Líbia) e Cartum (Sudão), quando do surgimento do Reino Kanem, por volta do século VIII. Os árabes se estabeleceram na região por volta do século XI e iniciaram o processo de islamização, e passaram a contribuir para intensificação do tráfico escravo.

 

Figura 1 – Localização

 

.https://lh3.googleusercontent.com/vBCn6X_lRJ6-tXABJSSh_G5xjuo_c1UPxACZoOe_9CujljTg5knpjFTR7B48qQUY0r-93BQxYBS9xv2YiZeMPz0qLh3pvW0EI2flKNcvlRPgOkhXNJMf-3iNgXXzI8kqW2JfdsETYQN1z_Af

Fonte: Adaptado do Atlas Politico Mundial (2010)

 

Segundo Hernandez (2005)

 

“Entre o século XVIII e XIX, grande parte do Chade estava sob controle dos conquistadores negros árabes Rabeh e Zubayr. No século XIX, o lago Chade tornou-se ponto de convergência dos exploradores europeus, entre os quais se destacou Eduard Vogel, que iniciram a colonização com apoio dos sultões locais, que sofriam constantes ameaças dos negreiros árabes, em especial o conquistador sudanês Rabah. Expedições francesas avançaram na região, tendo o pretexto do combate ao tráfico negreiro facilitando a submissão da região à França”

 

Problemas ocorridos no fim do século XIX, ligados a contrução de ferrovias pelos franceses e ingleses, levou esses países a fazer um acordo, em 1900, que incorporou o território do atual Chade à zona de colonização francesa. No entanto a consolidação demorou mais de dez anos, e somente em 1922, o país foi incorporado à África Equatorial Francesa.

 

Geopolitica Africana

A geopolítica africana esteve muito tempo ligada aos golpes de estado apoiados pelas matrizes coloniais, e sujeitos aos interesses econômicos delas, pois ainda que independentes, os países africanos são comandados por uma elite formada/criada por elas. A impressão de caos é fruto de simplificação midiática e preconceitos depreciativos, o que gera a ideia de “complexidade sem solução” do continente.

O fim da Guerra Fria promoveu mudanças importantes como o fim dos confrontos nas duas principais ex-colônias portuguesas (Moçambique e Angola). Os regimes comunistas, a exemplo do leste europeu, se transformaram em economias de mercado, o desmoronamento do regime de aparthaid na África do Sul, e muitos países passaram a experimentar o pluripartidarismo, contrapondo o regime de partido único das ditaduras.

Apesar das transformações ocorridas, o que se pode observar é que existe uma regressão social e uma democracia limitada.

 

Como afirma Robert (2008):

“A África subsaariana é a única parte do mundo em desenvolvimento em que a expectativa de vida recuou para o nível registrado no início da década de 1970, e continua abaixo dos 50 anos”.

 

Por outro lado ainda segundo Robert (op. Cit)

“.a democratização ampliou o espaço político, mas de modo incompleto. A tutela das instituições financeiras internacionais põe um manto de dúvida sobre a legitimidade das autoridades públicas. O surgimento de novas potências africanas ou estrangeiras redesenha a geopolítica do continente, deixando a esperança de uma possível redistribuição das cartas do jogo”.

 

É muito provável que o emergir de novas potências no continente, e a nova ordem mundial, venham modificar a composição geopolítica no continente, o que pode levar ao aumento de taxas de crescimento, como já ocorre em algumas nações, mas dificilmente conseguirão uma redução significativa nos índices de pobreza. Apesar dos inúmeros acordos de parceria econômica, com redução ou perdão das dívidas públicas, geram impasses, pois, os “remédios” podem levar a “morte dos pacientes”.

Aliado a esses fatos existe a atitude preconceituosa de como se trata as questões africanas, afirmando que os problemas são fruto das “mentalidades”, sem procurar enxergar que as mazelas são fruto de anos de colonização.

 

Para Ninsin (2001),

"Durante a atual fase de expansão do capital, com suas novas formas de acumulação, muita gente, inclusive a classe média, foi privada de seus meios de produção, empobrecida, maltratada e quebrada pelas forças do mercado”.

 

Na verdade a ideologia neoliberal destruiu os estados, enfraqueceu o poder público, e contribuiu para o desmonte das cidades, através da ausência da proteção social e degradação do ensino, e na Àfrica não foi diferente.

Todo esse contexto leva a uma perigosa tentação ao etnicismo, graças a incapacidade do poder público que perdeu a autoridade legítima para firmar metas  para a sociedade.

A problemática tem levado a uma série de conflitos em praticamente todos os países, gerando grande tensão sobretudo urbana, e a emigração principalmente de jovens que terminam sendo uma grande fonte de divisas para o continente.

O cenário geopolítico na África é de corrupção e elitismo, sendo que a legitimidade e a representatividade das elites são garantidas muito mais pelas instituições financeiras internacionais que pela população (CASTRO, 2012).

Enfim, a geopolítica africana vem se transformando e as dependências ligadas ao colonialismo têm uma tendência a se enfraquecer, como as  novas relações sul-sul e os pesados investimentos da China no continente.

 

 

A Questão Geopolítica no Chade

 

Os problemas geopoliticos surgiram já na independência, em 1960, quando se livrou do julgo francês e o primeiro presidente, Tombalbaye, enfretou a questão de manter a unidade, num país dividido e dominado por povos muçulmanos no norte e bantos animistas, mais desenvolvidos economicamente, no sul e oeste.

A tendencia ao totalitarismo é outro problema geopolítico e já na primeira constituição do país, existia artigo que proibia a atividade politica de oposição ao governo. Os tumultos se sucederam, e o poder central teve de enfrentar movimentos clandestinos de oposição, como a FROLINAC – Frente de Libertação Nacional, sob o comando de Abba Siddick, no norte, e outro sob o comando de Hissène Habré, no sul.

A pressão de países fronteiriços, relacionados a pretenções territoriais, como a Líbia, levou a instabiidade política e a derrubada de governos, até o fim da década de 1970. Toda essa instabilidade levou a primeira guerra civil que afetou todo o país, inclusive a capital, se extendendo até os anos 1990. Neste período, sempre com a ajuda da França, esta ajuda com muito mais intenção de tirar proveito que ajudar, o país assinou com a Líbia acordo de fusão, e atravessou doze anos de terror entre 1983 e 1995, na luta pelo poder, frente a oposição, sempre ligada aos muçulmanos do norte, a agora denomidada FAN – Forças Armadas do Norte, que promoveram sucessivos massacres, com milhares de mortos e de refugiados. Também neste período, sucessivos golpes de estado, promoveram várias mudanças de mandatários.

 

Segundo Reader (1997)

“Ante o acirramento dos conflitos políticos, uma conferência nacional foi instalada em 1993 para dar continuidade ao processo de democratização do país. Em 1994, a Líbia devolveu ao Chade a faixa ocupada desde 1973. Em 1995, a ação dos sindicatos e das associações de defesa dos direitos do Homem, conseguiu devolver a paz ao país. Em 1996, I. Déby venceu a eleição presidencial, sendo reeleito em 2001”.

 

O contexto geopolitico regional, sempre teve desdobramentos no país, assim, o conflito na região de Darfu, no Sudão, transpôs as fronteiras, e os refugiados daquele país se juntaram aos civis locais que buscavam escapar da violência dos rebeldes, abarrotando campos de refugiados que causaram grandes problemas sociais. Este fato desencadeou outra guerra civil.

A questão tribal é outra vertente dos conflitos geopolíticos, assim a disputa entre os Zaghawa e os Tama, promoveram instabilidade política, e alternância de poder. Essa alternância leva a classe política a utilizar todos os recursos para se manter no poder, ainda que para isso sejam necessários a criação de milícias e alterações constitucionais.

Os grupos rebeldes se multiplicam e mudam de nome ao sabor das coveniências, mas as dissidências não permitem formar uma frente unida e única. Os esforços dos governos de países vizinhos e da OUA – Organização da Unidade Africana, para buscar uma solução, sempre esbarram na radicalidade de algum grupo rebelde, como foi o caso dos acordos de Tripoli e de Dacar.

Essa nova Guerra Civil, que durou cinco anos, termina com o acordo assinado entre Chade e Sudão, em 15 de janeiro de 2010, após a retirada da missão da ONU, quando acordaram a reabertura de fronteira entre os países, bem como a implantação de uma força conjunta para proteger a fronteira.

Ressalte-se que a esse caldeirão geopolítico, foi acrescido o início da exploração do petróleo, por empresas estrangeiras, sobretudo européias, e a partir daí o dinheiro do petróleo passou a fazer parte do conflito, uma vez que para controlá-lo, era necessário ter o controle do poder, concentrado na mão das oligarquias locais. O petróleo que poderia ser a redenção econômica do país, passou a ser a maldição, acentuando a corrupção e os conflitos.

 

Segundo Cordeiro (2007)

“Toda a logística em torno do petróleo é gerida por empressas francesas. O interesse da França é, sobretudo geoestratégico. Estamos numa situação em que, ao agir, a França apoia o regime. O que se pede é para a França agarrarar a oportunidade do acordo politico existente e condicionar a sua ajuda logística a uma abertura política para o Chade. Isso é possível. Seria bom ver a EU apoiar essa posição.”

 

Fica evidente que os conflitos do Chade estão longe de uma solução, pois os contendores não tem o sentimento de unidade, num continente onde as fronteiras misturaram etnias, religião e identidade cultural.

 

Considerações Finais

 

Apesar das novas oportunidades econômicas o Chade continua a ser um dos países mais pobres do mundo, e o “projeto modelo” elaborado pelo Banco Mundial não surtiu efeito, sobretudo pelo desconhecimento efetivo  da realidade local, aliás comum neste tipo de ajuda e interferência. A falta de infra-estrutura do país é uma das travas ao desenvolvimento. Ainda que a exploração do petróleo tenha sido iniciada e escoada, por oleodutos até o Atlântico, a participação de multinacionais como a Exxnmobil, Petronas Malasia, e Chevron, na Esso Chade, muito provavelmente deve ter de alguma forma prejudicado o pleno uso economico do bem mineral, e ainda que os níveis da economia do Chade terem crescido nos anos subsequentes, isso não refletiu em melhoras efetivas para a população, como acesso as redes de eletricidade, água potável, educação, saúde, incremento a agricultura, etc. É a triste realidade africana, sacramentando o continente como a eterna periferia do mundo, situação fomentada pelos colonizadores desde qua ali chegaram.

 

 

Bibliografia

 

AISA. B. P. (Dir.). Atlas de Relações Internacionais. Lisboa, 1999.

CASTRO, H. Luzes da África. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2012.

CORDEIRO, A.D. O petróleo é a causa das maldições do Chade, 2007. In: https://www.  publico.pt/mundo/.../o-petroleo-e-a-causa-das-maldicoes-do-chade-240916. Acesso em 30.04.2017.

HERNANDEZ, L.L. A ÁFRICA na sala de aula. São Paulo: Selo Negro, 2005.

MARTI, A. (Dir.). Bilan du Monde – Edition 2003. Paris. Le Monde, 2003.

NINSIN, K; A. Les nouveaux mouvements sociaux africaines. L’ Harmaham. Paris, 2001.

PEREIRA, J. M. N. "A integração regional na África", in BRIGAGÃO, Clovis. Estratégias de negociações internacionais - uma visão brasileira. Aeroplano / Centro de Estudos das Américas (UCAM). Rio de Janeiro, 2001.

PLÁTANO. C. S. e DIDIOT, B. (Dir.) "L'état du monde". Annuaire économique et géo-politique mondial. Paris. 2001/2002.

READER, J. África: biografia de um continente. Lisboa: Ed. Europa-América, 1997.

ROBERT, A.C. A África sonha com a sua segunda independência. Nantes, L’Atlantic, França, 2008.

THOMSON, Alex. An introduction to African politics. Londres e Nova York. Routledge, 2000.

 

 

 

 


Libre de virus. www.avast.com