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Asunto:NoticiasdelCeHu 330/13 - Crônica de uma guerra urbana em Brasília / Fu ente: Carta Maior
Fecha:Lunes, 17 de Junio, 2013  21:42:44 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 330/13

Crônica de uma guerra urbana em Brasília
 

A vitória do Brasil sobre o Japão em Brasília foi uma festa dentro do estádio. A música estrondosa dentro do monumental Mané Garrincha não foi suficiente para ocultar dos 71 mil torcedores e das dezenas de jornalistas de meios de comunicação estrangeiros o barulho dos disparos de bombas e balas de borracha que vinham do lado de fora. Nas imediações do Estádio Nacional se viveram cerca de 3 horas de guerra urbana unilateral. Por Dario Pignotti.

Brasília - “Sou da imprensa, sou da imprensa”, avisei com toda voz a um grupo de policiais pertencentes à tropa de choque de Brasília quando vi que apontavam para onde me encontrava, entrevistando alguns jovens indignados com as centenas de milhões de dólares públicos destinados à remodelação do Estádio nacional Mané Garrincha, ao invés de reforçar o orçamento em educação e transporte.

Seria leviano assegurar que os policiais com uniformes camuflados, que se encontravam a poucos metros de mim, ouviram o grito de “imprensa, imprensa”, proferido com certo desespero por volta das 15 horas de sábado. Tampouco se pode afirmar que os membros do grupo de elite da polícia brasiliense, treinados para disparar com armas letais, tenham visto a credencial de correspondente que mostrei com insistência.

O certo é que a resposta dada aos meus gritos e ao pedido para que não atirassem foi o disparo de uma bomba de gás lacrimogêneo que caiu bastante perto de mim. Tão perto que deu para suspeitar que apontaram para o alvo, ou seja, o repórter. Poucos segundos depois outro projétil caiu perto de uma senhora, sexagenária, que aparentemente era uma das 71 mil espectadores que, uma hora mais tarde, ovacionaria Neymar por seu golaço aos 3 minutos do primeiro tempo na goleada brasileira de 3 a 0 frente ao Japão, no sábado, na abertura da Copa das Confederações, antessala do Mundial de 2014.

O acerto de contas da polícia com os jornalistas tende a ser a regra e não a exceção a medida que esquenta o clima de um protesto social e político. Na quinta-feira passada, pelo menos 8 jornalistas foram feridos, um deles com risco de perder a visão, nos ataques da Polícia Militar de São Paulo contra milhares de manifestantes contrários ao aumento do transporte público.

Desde o sábado, com o início da Copa das Confederações, esta potência emergente ficou instalada na mira da opinião pública global. Em julho, dezenas, talvez centenas de milhões de telespectadores, seguirá a vista do Papa Francisco ao Rio de Janeiro. Em 2014, um número provavelmente maior de pessoas de todos os cantos do planeta assistirá a Copa do Mundo, e outro tanto se repetirá em 2016, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O olho global atuará como um raio-x implacável sobre os contrates e as faturas pendentes da democracia do gigante latino-americano.

Mesmo que os dez anos de governos do Partido dos Trabalhadores, oito com Lula e dois com Dilma Rousseff, tenha transformado o país de forma rotunda, com programas sociais eficazes e massivos, ainda existem dívidas pendentes. Até hoje o Brasil não conseguiu enterrar as heranças da ditadura que foram enfrentadas, com maior ou menor vigor, em outros países da região.

O exemplo mais gritante é a vigência da Lei de (auto)Anistia que abortou todo processo contra os repressores. Junto com essa “herança maldita” há outra, a sobrevivência das polícias militarizadas dos 27 estados da União, corporações treinadas para funcionar com um estado repressor, com atribuições paralelas ao Estado de Direito.

A vitória do Brasil sobre o Japão em Brasília foi uma festa dentro do estádio. A música estrondosa dentro do monumental Mané Garrincha não foi suficiente para ocultar dos 71 mil torcedores e das dezenas de jornalistas de meios de comunicação estrangeiros o barulho dos disparos de bombas e balas de borracha que vinham do lado de fora.

Nas imediações do Estádio Nacional se viveram cerca de 3 horas de guerra urbana unilateral, expressão que usamos porque não houve ataques de envergadura por parte dos participantes da marcha. A PM de Brasília estava orientada a disparar contra militantes, em sua maioria de esquerda, por meio de um deslocamento de homens e equipamentos que são mais apropriados para repelir um ataque terrorista do que gritos contra os gastos da Copa, a prisão de companheiros ocorrida no sábado e a solidariedade com as mobilizações de São Paulo.

É compreensível que a presença de altas autoridades, como a presidenta da República, seja protegida por um dispositivo de segurança à altura do cargo. Mas há justificativa real para estabelecer uma força policial de 10 mil homens prontos para repelir um ataque terrorista contra Brasília?

O avião espião tipo “drone”, toado de sensores capazes de fotografar uma pessoa com alta definição, foi empregado para impedir as ações de imaginários terroristas árabes interessados em matar Joseph Blatter, ou a verdade é que essas fotografias somadas às tiradas desde os helicópteros em voos rasantes, servem para registrar os estudantes da Universidade de Brasília que participaram da revolta?

Coloquemos as coisas em outros termos: parece desproporcional empregar equipamentos de espionagem similares aos utilizados pelos Estados Unidos no Afeganistão para seguir cerca de 2 mil manifestantes com tênis, sem camisa e cartazes de papel.

Pouco depois das 14h45min da ensolarada tarde de sábado, e antes de chegarem os comandos da PM que disparou muito perto de onde eu pedia aos gritos que não atirassem, conversei com um grupo de indignados brasilienses. Jean Junior, de 19 anos, aspirante a uma vaga na Universidade de Brasília, me mostra o impacto de uma bala de borracha em sua perna direita e reconhece estar “com medo e alegria ao mesmo tempo porque o protesto está indo bem”.

“Nós não queremos a violência e eles a querem”, diz Jean e exibe imagens que registrou poucos minutos antes de dezenas de jovens, algumas meninas com flores, em frente ao estádio, sendo agredidos por elementos armados pelo Estado para zelar pelo cumprimento da lei, não para violá-la.

O jovem está armado com um “tablete” e planeja combater a desinformação mediante a divulgação nas redes sociais do modo de agir das forças de segurança. “Queremos que se veja essa repressão selvagem, porque a TV Globo a esconde transmitindo só o que ocorre dentro do estádio. A partida séria está sendo jogada aqui fora”.

“Estão ocorrendo coisas no Brasil, já houve mobilizações fortes em São Paulo (duas na semana passada e outra programada para esta segunda-feira) e no Rio de Janeiro. As pessoas estão cansadas. Dilma (Rousseff) tem que escutar o que se diz na rua”, afirmou o jovem enquanto continuavam os disparos de balas de borracha e os golpes que deixaram pelo menos 29 feridos e 16 detidos no sábado, na capital brasileira. Fala aos borbotões, se entusiasma, exagera que no Brasil pode explodir uma “primavera árabe” e reconhece que “me falta aprender muito de política, mas estou bem à esquerda”.

“Eu gosto de futebol e não estou no estádio porque a entrada é cara. Estou aqui porque sou contra que se gastem milhões neste estádio e não haja dinheiro para educação. A gente está descontente em todo o Brasil, mas não queremos derrubar o governo”, continua.

A guerrilha contrainformativa de Jean e outras dezenas de repórter ad hoc foi muito eficaz. Apesar da nuvem de ocultamento da repressão que prevaleceu em vários meios de comunicação massivos, em Brasília muitos falavam de imagens postadas nas redes sociais, como a de um policial de moto atacando um manifestante.

Jean Junior está na companhia de outro garoto, Artur León, 18 anos, também postulante a uma vaga na universidade e sua carteira de identidade política é similar a de muitos que vieram protestar: “não somos de nenhum partido político porque não vemos nada que nos convença, tampouco somos uns bobos despolitizados”, se apresenta. “Quase todos que estamos aqui estamos cansados de ver a armação de uma copa para ser vista pelos gringos fora do país. Não somos contra a Dilma, ela talvez não seja a culpada, mas é a presidenta e tem que colocar um basta nisso”. Jean, Artur e outros jovens com quem conversei expressaram reivindicações diversas, mas todos coincidiram em um ponto: querem seguir participando nos próximos protestos.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fotos: Estádio Nacional de Brasília






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