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Asunto:NoticiasdelCeHu 503/12 - Por que a América Latina não cresce como a Ásia? / Rumbo al XIV (53)
Fecha:Domingo, 19 de Agosto, 2012  16:19:45 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 503/12
Rumbo al XIV Encuentro Humboldt  (53)
Reproducido de RGE 123/12
 

Por que a América Latina não cresce como a Ásia?

 
Em 1980 o parque industrial brasileiro era maior que o da Tailândia, Malásia, Coréia do Sul e China combinados. Em 2010, a indústria brasileira representou pouco menos de 15% em comparação com esses países. Acho que o que tem que perguntar é por que o Brasil representa 75% do comércio mundial de ferro e só dois por cento do de aço em um país que tem a Embraer. E não é só o Brasil. Temos o caso do Chile, que hoje exporta muito mais cobre concentrado que fundido que há 20 anos. A avaliação é de Gabriel Palma, professor chileno da Universidade de Cambridge, em entrevista à Carta Maior.

Londres - Ao fim de 2011 a economia brasileira teve crescimento nulo. No princípio deste ano, um prestigioso instituto britânico, o Centre for Economic and Busines Research, colocou o Brasil à frente do Reino Unido na lista das “top 10” economias do mundo e previu que, em 2020, sua economia superaria à da Alemanha, hoje segundo exportador mundial depois da China. Carta Maior dialogou com Gabriel Palma, acadêmico chileno da Universidade de Cambridge, na Grã Bretanha, especialista em política econômica comparada, que há anos procura desentranhar por que os países da Ásia têm um crescimento sustentável que não existe na América Latina.

No Brasil o copo está meio vazio ou meio cheio?


Gabriel Palma – Que a economia brasileira em termos de Produto Bruto Interno tenha passado a do Reino Unido não é tão significativo como pareceria à primeira vista porque o Brasil tem três vezes a população britânica. Se for comparado este dado com outras estatísticas brasileiras como a desaceleração, a desindustrialização, a "commoditificação" da economia, o panorama muda. Meu ponto de partida é outro. O que venho me perguntando faz tempo é por que os países da América Latina não podem crescer como os da Ásia. Na Coréia, Singapura, Taiwan, Malásia, Tailândia, Indonésia e China, o crescimento foi de dois dígitos durante décadas. Na América Latina não. Dá-se um crescimento de dois dígitos que dura uns anos e depois se esvazia. E não acontece só no Brasil. Acontece no Chile, na Argentina, no resto da região.

E qual é a resposta a essa pergunta?


Gabriel Palma – Como você pode imaginar é muito complexa. Mas os dados são muito claros. Em 1980 o parque industrial brasileiro era maior que o da Tailândia, Malásia, Coréia do Sul e China combinados. Em 2010, a indústria brasileira representou pouco menos de 15% em comparação com esses países. Acho que o que tem que perguntar é por que o Brasil representa 75% do comércio mundial de ferro e só dois por cento do de aço em um país que tem a Embraer. E não é só o Brasil. Temos o caso do Chile, que hoje exporta muito mais cobre concentrado que fundido que há 20 anos. O caso do México, que nos anos 80 se propôs um desenvolvimento exportador com as montadoras. Hoje tem a mesma proporção de montadoras que 30 anos atrás.

A China, que também teve este modelo exportador nos anos 80, hoje exporta a metade de sua produção com produtos de alto valor agregado. Há uma ambição econômica na Ásia que contrasta com a inércia que se sente na América Latina. Isso não quer dizer que não há tentativas. Na Argentina se está experimentando algo diferente. No Brasil, Mantega está tentando, mas se choca com o Banco Central. Na Ásia todos parecem querer se superar.

Entretanto, no caso do Brasil se calcula que uns 13 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza na última década, sinal de que houve avanços.


Gabriel Palma – No Brasil como no Chile e na Argentina, houve avanços, tanto neste sentido como na redução do desemprego. No Brasil temos o salário mínimo e o bolsa-família que dará a 11 milhões de famílias subsídios que lhes permitam baixar os níveis de pobreza. A questão é que todo este bolsa-família é 0,5% do PIB. Agora, se com 0,5% do PIB se consegue esta redução da pobreza, por que não se tenta com 1% do PIB que não é nada do outro mundo e que reduziria em 11 milhões mais a pobreza? Segundo um estudo da CEPAL, há seis países latino-americanos, entre eles a Argentina, o Brasil e o Chile, nos quais custaria menos de 1% do PIB terminar com a pobreza. Se falarmos da Índia, com 500 milhões de pobres, a tarefa é titânica: custa 10% do PIB terminar com a pobreza. Na América Latina não. No Chile, com 20 anos de governo da Concertação se reduziu primeiro a pobreza de 40% a 20% e, uma década mais tarde, 10%. Hoje voltou a dar um salto a 15%. Inclusive com governos progressistas, que têm uma vontade política neste sentido, com contas fiscais em ordem e um boom de commodities, o avanço é muito menor do que poderia ser.

Há um assunto que trata do desenvolvimento também. A pobreza está inevitavelmente vinculada com o modelo econômico que se aplica.


Gabriel Palma – Não resta dúvida. No Brasil há uma crescente "commoditificação" da economia. Há 10 anos as commodities representavam 25% do total. Hoje constituem 50%. Há um grande desenvolvimento das commodities, mas com poucos produtos processados e com um abandono da indústria manufatureira que é lamentável. O atual modelo econômico, que começou nos anos 80, aprofundou-se com Cardozo e continuou com Lula, se baseia em um tipo de câmbio sobrevalorizado e na entrada de capital, o que vem causando a desindustrialização do país. Não há país asiático que siga esta política macro.

O governo lançou o programa Brasil Maior para revitalizar a indústria. O caminho pode ser este?


Gabriel Palma – Se parar a decadência já me conformo. Ao olhar a taxa de investimento total – nacional, estrangeira, pública e privada – por trabalhador no Brasil, se percebe que hoje são menores do que nos anos 80. Ao comparar com a China se percebe que o investimento aumentou 12 vezes com respeito aos anos 80. O Brasil vem há 30 anos com um investimento público menor que 3% do PIB. Hoje a infra-estrutura está caindo aos pedaços. E as taxas de juro são usurárias. No último estudo da Federação de Comercio de São Paulo, a taxa de juros média do cartão de crédito batia em 230 % anual. Fala-se muito da criação de una nova classe média graças ao acesso ao crédito, mas além de acesso ao consumo o que eu vejo é um grande endividamento com taxas de mora muito altas.

Há uma bomba-relógio no setor financeiro do Brasil?


Gabriel Palma – Não acho que seja como a dos Estados Unidos e Europa. Há problemas, mas as contas fiscais são sustentáveis, a dívida externa caiu, o setor produtivo não tem grandes dívidas. O melhor que se pode dizer do Brasil é que não há nenhuma bomba-relógio financeira nos próximos cinco anos. Mas também está claro que não vai haver um crescimento de mais de três ou 4 % e terá um grande desenvolvimento do setor financeiro e das commodities. O último informe global do Banco Santander é muito interessante neste sentido. No Brasil estão 15% de seus ativos e 30 % de seus lucros mundiais. Por isso todos receberam Lula como um herói em Davos.

Que impacto pode ter esta situação do Brasil em seus vizinhos em meio à atual crise econômica?


Gabriel Palma – A grande vantagem dos países latino-americanos é que a demanda das commodities vai continuar. Isto amortiza o impacto de uma crise externa. Acho que a atual crise mundial vai deixar lembranças, não tanto pela profundidade, mas pelo tempo que vai custar para sair. Neste sentido, a América Latina teria que se preparar para cinco ou dez anos de dificuldades no setor externo e se concentrar mais em potencializar seu mercado doméstico.

Tradução: Libório Junior


Rumbo al XIV Encuentro Humboldt

 1- Ref.: NCeHu 336 / La ideología del imperialismo

 2 - Ref.: NCeHu 365 / Una nueva etapa de la bancarrota capitalista

 3 - Ref.: NCeHu 382 / El fin del poder

 4 - Ref.: NCeHu 400 / La geografía del desarrollo desigual

 5 - Ref.: NCeHu 401 / La lucha de clases en Europa y las raíces de la crisis económica mundial

 6 - Ref.: NCeHu 416 / El fin de un ciclo. Alcance y rumbo de la crisis financiera

 7 - Ref.: NCeHu 422 / Una crisis sin fondo

 8 - Ref.: NCeHu 431 / A terceira onda da crise:   O capitalismo no olho do furacão

 9 - Ref.: NCeHu 446 / Entrevista con Robert Brenner

10 - Ref.: NCeHu 448 / Giovanni Arrighi, la larga duración del capitalismo geohistórico y la crisis actual
 
11 - Ref.: NCeHu 449 / El “nuevo” imperialismo: sobre reajustes espacio-temporales y acumulación mediante desposesión
 
12 - Ref.: NCeHu 450 / Entrevista a Giovanni Arrighi
 
13 - Ref.: NCeHu 451 / Guerra y militarismo en el imperialismo contemporáneo
 
14 - Ref.: NCeHu 453 / El neoliberalismo como destrucción creativa
 
15 - Ref.: NCeHu 457 / Entrevista a Fréderic Lordon
 
16 - Ref.: NCeHu 458 / Compreender a economia mundial: Desequilíbrios globais e desigualdades internas
 
17 - Ref.: NCeHu 459 / Guerras regionales y declive de EEUU
 
18  - Ref.: NCeHu 460 / La declinación de la hegemonia estadounidense y sus implicaciones para America Latina
 
19 - Ref.: NCeHu 461 / El Presente como historia: Crisis capitalista, cultura socialista y expansión imperialista

20 - Ref.: NCeHu 462 / A trajetória do capitalismo histórico e a vocaçao tricontinental do marxismo 
 
21 -  Ref.: NCeHu 463 / Entrevista a István Mészaros
 
22 - Ref.: NCeHu 464 / Um sistema falhado
 
23 - Ref.: NCeHu 465 / Uma crise estrutural exige uma mudança estrutural
 
24 -  Ref.: NCeHu 466 / ¿Comienzo del fin (o fin del comienzo) de la crisis?
 
25 - Ref.: NCeHu 467 / O capital-imperialismo: algumas características
 
26 - Ref.: NCeHu 468/12 / “Globalización” , “nuevo imperialismo” , y “choque de civilizaciones”

27 - Ref.: NCeHu 469 / La larga historia de una crisis sistémica

28 - Ref.: NCeHu 470 / Crisis en el corazón del sistema

29 - Ref.: NCeHu 471 /  Las metamorfosis del imperialismo

30 - Ref.: NCeHu 472 / Replanteos marxistas del imperialismo

31 -   Ref.. NCeHu 475 /   El ajedrez global de la crisis

32 - Ref.: NCeHu 476 / Más alla de la crisis

33 - Ref.: NCeHu 477 / Entrevista a Aymeric Chauparade

34 - Ref.: NCeHu 479 / La gran cuestión: la desglobalización

35 - Ref.: NCeHu 480 / Ha llegado la hora de la "desmundialización"

36 - Ref.: NCeHu 481 / Desmundialización: el debate prohibido

37 - Ref.: NCeHu 482 / ¿Desmundialización?

38 - Ref.: NCeHu 484 / Clases, estados e ideologias imperiais

39 - Ref.: NCeHu 485 / A desglobalização em questão(ões)

40 - Ref.: NCeHu 486 / A desglobalização e os seus inimigos

41 - Ref.: NCeHu 487 / Cheque-mate para o capitalismo global?

42 - Ref.: NCeHu 490 /  ¿Llegó la hora de poner fin a la globalización?

43 - Ref.: NCeHu 492 / Las exequias del neoliberalismo global

44 - Ref.: NCeHu 493 / "Necesitamos un proceso de desglobalización"

45 - Ref.: NCeHu 494 / Entrevista a Alfredo Jalife-Rahme

46 - Ref.: NCeHu 496 / La crisis capitalista mundial es imparable

47 - Ref.: NCeHu 497 / A América do Sul em 2022

48 - Ref.: NCeHu 498 / Brasil - Desindustrialização e Desnacionalização

49 - Ref.: NCeHu 499 / O futuro do Mercosul

50 - Ref.: NCeHu 500 / O lugar do Brasil no mundo

51 -  Ref.: NCeHu 501 /  Brasil - O vício rentista do grande empresariado

52 - Ref.: NCeHu 502 / Por que o Brasil se atrasa