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Asunto:NoticiasdelCeHu 1155/11 - “As novas relações de produção n o campo e o processo de redefinição socioespacial em Dourados – MS. Uma contribuição para a análise de uma cidade média”
Fecha:Viernes, 18 de Noviembre, 2011  20:28:35 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 1155/11
 

“As novas relações de produção no campo e o processo de redefinição socioespacial em Dourados – MS.

Uma contribuição para a análise de uma cidade média”

 

 

Ana Cristina Yamashita

Universidade Federal da Grande Dourados

CNPq

 

Resumo

Este trabalho é desenvolvido com base nos estudos sobre cidades médias tendo como elemento norteador as novas relações de produção que se instalam no campo a partir da década de 1970 e que repercutem no processo de redefinição socioespacial na região de Dourados, Mato Grosso do Sul (Brasil). A análise está centrada na presença de estabelecimentos comerciais e de serviços e em como estes se redefinem socioespacialmente, articulando uma significativa presença de atividades do setor agrícola que não está apenas na esfera particular da circulação do capital, mas também na distribuição e no consumo. Isso leva a comprovar que a atual complexidade socioespacial necessita de uma superação da contradição cidade-campo, requerendo um esforço metodológico em outro patamar.

Palavras-chave: Cidades médias; redefinição socioespacial; atividades do setor agrícola.

 

The new relations of production in the rural space and the process of redefinition of the social and spatial patterns in Dourados-MS. A contribution for the analysis of a middle city.”

 

Abstract

In order to understand the developed on basis of the studies on middle cities taking as a principal element the new relations of production that are developing in the rural areas since the 1970s and have direct repercussions in the redefinition of the social and spatial patterns in the region of Dourados, Mato Grosso do Sul (Brazil). The analysis focuses on the presence of commercial establishments and services and in as their social and spatial redefinition, include a significant presence of the agricultural sector, not just in the specific sphere of capital investment and circulation but also in the distribution and consumption sectors. This leads to prove that the current social and spatial complexity requires the overcoming of the pervading contradiction between rural and urban spaces, requiring a methodological effort on a higher level.

Keywords: middle cities; social and spatial redefinition; activities of social and spatial redefinition

 

 

1 – Introdução

 

            Diante das novas formas e conteúdos da urbanização brasileira, as cidades consideradas médias ou “cidades intermediáriaspassam a participar com maior ênfase da trama urbana, afirmando sua importância em âmbito local, regional, nacional e até mundial. (SANTOS, 2010, p. 41).

Inserido nesse processo, o campo se apresenta como um meio receptivo a todo esse panorama de transformações do processo produtivo, cada vez mais complexificado pelo sistema capitalista, e que, diante das novas dinâmicas que se instalam, passa a reproduzir no espaço urbano circundante elementos que até então se observava nas metrópoles.

O papel da cidade se torna compreensível em suas relações socioespaciais por meio dos aparelhos das forças de produção e de circulação, que estão diretamente relacionadas à divisão do trabalho e das trocas resultantes da relação campo-cidade, ou ainda, das relações região-região ou periferia-centro.

Esse fato tem se mostrado representativo à medida que alguns autores têm buscado apresentar um olhar sobre essas questões, como é o caso de Elias (2006, 2007) ao discutir acerca dos impactos da reestruturação do sistema produtivo agropecuário na produção espacial urbana. Isso se faz presente nas cidades funcionais do setor agropecuário, em especial as consideradas médias. É perceptível a intensificação desse processo com a concentração de capital, ampliando a mobilidade do trabalho e fazendo crescer o número de pessoas na cidade, como expõe Sposito (2001a, p. 64):

 

[...] Esta produção social das formas espaciais, é ao mesmo tempo manifestação e condição do estágio de desenvolvimento das forças produtivas sob o capitalismo. Nesta perspectiva, estamos falando do espaço como concretização-materialização do modo de produção determinante no caso o capitalista, e a cidade como uma manifestação desta concretização. (Grifo nosso)

 

Se a modernização da cidade é uma manifestação da concretização material das forças produtivas capitalistas, esse processo no espaço do campo também representa a intensificação do capitalismo com todas as possibilidades decorrentes da revolução tecnológica.

Verdadeiras redes técnicas voltadas a estruturar o espaço agrícola de fluidez se articulam nas cidades, atendendo ao processo hegemônico das empresas que atuam na agricultura científica, conforme apontam Santos (2000) e ELIAS (2003ab). Assim, com a nova relação campo-cidade se estabelece também uma integração da agricultura científica ao circuito da economia urbana. Esse processo acontece a partir da década de 1970, momento em que se presenciam inúmeras transformações nas atividades terciárias, “com a instalação de novos fixos e a constituição de muitos fluxos, de matéria e de informação, de caráter intra-urbano, interurbano ou entre as cidades e o campo” (SANTOS, 1996).

Cabe aqui destacar que com a especialização da produção, ocorre o aumento das trocas e, portanto, a necessidade de maior integração do território nacional. O resultado pode ser observado por intermédio da construção de modernos sistemas de engenharia dos transportes e das comunicações, permitindo a fluidez associada a essas trocas, além de promover impactos na redefinição socioespacial. (ELIAS, 2006b, p. 291)

Portanto, a modernização da atividade agrícola e agroindustrial redefine o consumo do campo[1], visto que é no período técnico-científico-informacional que as cidades se multiplicaram no Brasil e passaram a desempenhar novas funções (ELIAS, 2006b, p. 292), além de serem inseridas em redes produtivas e especializadas.

Diante desse panorama, é possível evidenciar que nas áreas onde se expande a “agricultura científica”, o meio natural e o meio técnico são suplantados pelo meio técnico-científico-informacional. Ainda para Elias (2006b), a “aceleração da urbanização da sociedade e do território” configura-se como um dos resultados desse processo, além do “aprofundamento da divisão social e territorial do trabalho, com uma remodelação da rede de cidades”. Considera-se, então, que as novas relações entre a cidade e o campo passam a ter um papel fundamental para a expansão do processo de urbanização e para o crescimento das cidades, especialmente as locais e as médias, fortalecendo-as como importantes áreas agrícolas, tanto em termos demográficos como econômicos.

É nesse cenário que destacamos o papel de Dourados. Localizada na porção sul do estado de Mato Grosso do Sul (MS), na região Centro-Oeste do Brasil, a uma distância aproximada de 214 quilômetros (km) da capital, Campo Grande, Dourados é considerada a segunda maior cidade do estado em termos populacionais, com cerca de 196.035 habitantes, cujo contingente está distribuído por uma área de 4.086,2 km², dos quais 92,36% residem em área urbana e 7,64% na área rural (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censo 2010).

Com sua base econômica estruturada principalmente na agroindústria e no setor terciário, Dourados caracteriza-se pelos índices de produção agropecuária direcionada à exportação, contando com investimentos de tecnologia considerada avançada e consolidando-se como um “pólo de apoio às atividades agropecuárias, com serviços especializados, como venda de insumos agrícolas, máquinas e implementos, formação de mão-de-obra especializada, geração de conhecimento e apoio na logística de armazenamento e transporte.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) do Oeste, unidade instalada em Dourados, sob o ponto de vista econômico, a região é importante para o Mercado Comum do Sul (Mercosul), pois faz fronteira direta com a Bolívia e com o Paraguai e está próxima à Argentina e ao Uruguai, evidenciando-se que as tecnologias aqui desenvolvidas têm papel destacado no intercâmbio com esses países, especialmente com os dois primeiros. Além disso, Dourados exerce uma significativa centralidade regional com abrangência estimada em 39 municípios, totalizando aproximadamente uma população de 700.000[2] habitantes, extrapolando a microrregião de Dourados. Por esse viés, podemos vislumbrar que os papéis e funções desempenhados por Dourados lhe assegura também uma condição de centralidade regional.

Contudo, vale ressaltar que:

 

[...] essa condição de centralidade, só pode ser entendida a partir das relações/articulações com o conjunto do seu entorno, haja vista as possibilidades múltiplas de relações entre cidades de diferentes padrões ou portes. (CALIXTO et al, 2010, p. 1)

 

Desse modo, compreender os papéis desenvolvidos por Dourados no sul do estado de Mato Grosso do Sul e, quando possível, estender essa leitura para outras escalas, refere-se, a priori, no processo de acentuação das relações entre Dourados e as cidades de menor porte que buscam atividades mais especializadas de serviços e comércio, além da articulação com o setor produtivo agropecuário. Essas relações se colocam também como elementos para entendermos a condição de Dourados como uma cidade média, visto que as funções de intermediação que a cidade exerce, além do agronegócio, estão relacionadas atualmente com a atração de fluxos comerciais e de serviços, especialmente os relacionados com educação superior e saúde mais especializada.

Nesse contexto, vale destacar também que, em termos demográficos, Dourados situa-se dentro do intervalo entre 50 mil e 500 mil habitantes, o que, a princípio, nos permite pensá-la como uma cidade média considerando o critério adotado por alguns autores para classificar as cidades do país. Sposito (2006b) explica que, embora não haja consenso sobre a utilização dos termos “cidades médias” ou “cidades de porte médio” e seus parâmetros,

 

[...] no Brasil, o que se denomina como ‘cidades de porte médio’ são aquelas que têm entre 50 mil e 500 mil habitantes. Entretanto, nem todas as cidades de porte médio são, de fato, cidades médias, pois para serem assim conceituadas há que se verificar mais elementos que os indicadores demográficos e se analisar a magnitude e diversidade dos papeis desempenhados por uma cidade no conjunto da rede urbana. Assim, atribui-se a denominação ‘cidades médias’ àquelas que desempenham papéis regionais ou de intermediação no âmbito de uma rede urbana, considerando-se, no período atual, as relações internacionais e nacionais que têm influência na conformação de um sistema urbano. (SPOSITO, 2006b, p. 175)

 

Por outro lado, releva-se que as discussões têm caminhado no sentido de que não se pode classificar uma cidade como média considerando “apenas” seu tamanho demográfico absoluto, pois esse quesito deve ser relativizado. Cada cidade se desenvolve a partir de diferentes processos de urbanização, com contextos diversificados, além de escalas espaciais de referência e dimensões temporais específicas, que se aplicam em cada análise (CORRÊA, 2007a, p. 25 e 26). Para tanto, torna-se necessário considerar outras determinantes e observar as relações que são construídas em várias escalas. Notadamente essas relações são determinadas não somente localmente, mas também em contextos mais amplos, ou seja, no local, regional, nacional ou até no global.

Desta forma, acredita-se que, ao estudar os conteúdos das cidades, é possível compreender os processos de reestruturação da produção espacial na cidade assim como suas articulações no campo.

           

2 – Alguns apontamentos sobre a reestruturação do setor produtivo e o processo de redefinição do espaço urbano

 

            Pensando o espaço como uma condição de possibilidades fenomênicas e de representação desses processos, quando nos propomos a compreender a espacialidade atual, é necessário que se considere as bases em que ela se constituiu. Para reconhecer a forma do espaço devemos nos pautar em como esses processos são produzidos e como entendemos essa geografia que é vivida no cotidiano.

Tomando por base as considerações de Santos (2010), tem-se como pressuposto, neste estudo, que o espaço produzido se articula com a produção socioeconômica e é à luz da nova ordem mundial que a configuração socioespacial passa a assumir um papel relevante. Busca-se nesse momento do debate apontar algumas questões sobre as complexidades que se aplicam ao processo de produção socioeconômica, tendo como recorte a reestruturação produtiva agrícola diretamente articulada ao meio técnico-científico-informacional e ao processo de redefinição espacial em Dourados.

            Já que a reestruturação do setor produtivo pode ser considerada como um vetor significativo no processo de redefinição do espaço urbano, torna-se interessante compreender, como essa dinâmica se instala no campo.

Com base em Costa (1985, p. 63)[3], destacamos primeiramente o papel do “capital mercantil e usurário” como uma “forma de capital que precedeu o capitalismo”. Para o autor, este sistema se instala no campo como “primeira forma de modernização” capitalista neste espaço, promovendo alterações significativas no modo de produzir e de consumir no campo, transcendendo suas relações para as cidades.

É sabido que esse processo de transformação de fato cria condições para a subordinação da agricultura aos objetivos dos capitais de origem mercantil, pois o campo, nesse momento, se viu forçado a produzir excedentes. Com a industrialização, intensifica-se o ritmo das mudanças, principalmente sob a égide do capitalismo industrial, que “[...] exige a subordinação e a ‘integração’ do campo à cidade. Necessita de alimentos, mercado para inversões e de consumo e força de trabalho de origem rural”. (COSTA, 1985, p. 64). Considera-se que, a partir de então, a relação campo/cidade se articula para a produção de consumo, e não mais para a subsistência, pautada somente nas relações de escala familiar.

Desse modo, o impacto do capitalismo industrial no processo de produção no campo traz como resultantes a modernização da agricultura em geral, com a especialização da produção agrícola imposta pelo mercado. Isso se torna relevante no momento que essa diferenciação interna se torna ao mesmo tempo “técnica”, intensificando e complexificando a divisão do trabalho, gerando cada vez mais a necessidade de “especialização”, fazendo com que o produtor individual ceda cada vez mais às exigências do capital, tornando-o cada vez mais dependente do sistema.

Diante desse cenário, o capitalismo passa a redefinir e reproduzir as relações no campo segundo seus objetivos, como é o caso da subordinação da agricultura à indústria.

Nesse contexto,

 

Da cidade e da indústria, saem o capital mercantil que se torna produtivo na exploração capitalista da terra e os novos meio de produção necessários ao aumento da produtividade agrícola. Esse duplo movimento repercute no campo e na cidade. No campo, porque subordina o produtor à incessante busca de maior produtividade, forçando-o ao endividamento para a aquisição de novos insumos. Com isto, aumenta o volume global da produção agrícola, com a inevitável queda dos preços e a consequente transferência de parte do lucro auferido no campo para os capitalistas industriais (lucros com a venda de insumos e bens de consumo e lucros com o rebaixamento do custo de reprodução da força de trabalho industrial). (COSTA, 1985, p. 65)

 

Um aspecto dessa relação que não pode ser ignorado é o desenvolvimento de ramos específicos dos meios de produção agrícola, tais como: indústrias de insumos, de fertilizantes, de máquinas e implementos, etc... Desse modo, considera-se que o capitalismo se materializa, num primeiro momento por intermédio da apropriação de parte do lucro e da renda da terra, expandindo o comércio e os bancos; num segundo momento, com a expansão da indústria que representa a modernização e “industrialização do campo”, quando o emprego de máquinas se expande em todos os ramos da produção agrícola. Por fim, esse processo ganha novos conteúdos e novas formas com a adesão da “ciência moderna”, além da mecânica, da química, da fisiologia vegetal e animal, que se transferem das cidades, onde foram elaboradas, para os campos. (KAUTSKY, 1968 apud COSTA, 1985, p. 65)

Nessas condições é que a relação campo-cidade se reconfigura, tendo como objetivo comum elevar a produtividade ao máximo sob o interesse crescente dos capitais industriais, principalmente os setores relacionados aos ramos de alimentos, subordinando a produção à lógica industrial e financeira. Como um exemplo dessa subordinação, temos o produtor que deve adaptar a sua exploração às necessidades do mercado e da indústria. “Prescreve-se qual a semente que o agricultor deve empregar e a maneira pela qual deve fazer a adubação”, entre outros processos que se referem à produção. (COSTA, 1985, p. 67)

Silva (1992, p. 27) aponta que a atuação do capital agroindustrial em Dourados cria uma “engrenagem” de produção (sendo também a distribuição, circulação e consumo) que revoluciona o aparelho produtivo “rural-urbano” quando industrializa a agricultura, alterando o quadro das relações de trabalho, promovendo também o “rearranjo do espaço regional”.

Nota-se um aumento significativo dos ramos industriais organizados para a produção de máquinas, implementos e insumos em geral para o campo. Por esse viés, constata-se que as agroindústrias têm aumentado juntamente com esses dois processos produtivos, gerando mudanças fundamentais e estruturais que se aplicam tanto ao campo como à cidade. (COSTA, 1985, p. 67)

Desse modo, para Costa (1985, p. 68) o campo se torna cada vez mais o “lugar da produção” (e menos de vivência), diretamente vinculado ao “desenvolvimento, produção, difusão e distribuição de toda sorte de meios de produção”. Para a reprodução desse sistema, criam-se mecanismos de controle sobre a compra de produtos agrícolas e matérias-primas; e, ao se implantarem fisicamente no campo, constituem-se em “gigantescos complexos agroindustriais”.

Para Gottdiener (1997) as recentes transformações resultantes do movimento capitalista destacam elementos que se coadunam e se relacionam com esse cenário, como: a organização da produção e administração em estruturas complexas; a ciência, a tecnologia e o conhecimento como fatores primordiais para a produção; e a intervenção do Estado em todos os níveis da sociedade, promovendo a interligação entre os setores públicos e privados. Para o autor, todos esses elementos se materializam por meio da urbanização, que, sem dúvida, promoverá a dimensão estrutural, no sentido que “as transformações no modo de produção rebatem diretamente na cidade, que se recria com suporte na reprodução do capital e, ao mesmo tempo, contribui para sua manutenção” (SANTOS, 2010, p. 40).

Por essa perspectiva, a cidade, assim como o campo, se tornará cada vez mais dependente desses circuitos comandados pelo capital. Assim, no Brasil, percebe-se que as mudanças nos papéis das cidades decorrem, à priori, das alterações da divisão internacional e regional do trabalho, que se articulam na reestruturação do sistema de organização e a redefinição funcional das cidades.

Por assim entender, as cidades médias se apresentam favorecidas pelo progresso técnico da produção e da circulação (transporte e informação), estabelecendo-se como novos núcleos urbanos que se opõem ao crescimento das grandes cidades. Assim, essas cidades denominadas de médias[4], pela questão funcional, abrigam um conjunto de objetos e ações de maior densidade técnica e informacional.

Santos e Silveira (2008, p.281) apontam que essas cidades, no que tange ao setor agropecuário, têm como papel o suprimento imediato e próximo da informação requerida pelas atividades agrícolas, constituindo-se “em intérpretes da técnica e do mundo”. Diante dessa condição, as atividades urbanas estão ligadas ao “consumo produtivo[5] e, desse modo cumprem seu papel relacional, reunindo estabelecimentos e profissionais envolvidos com a técnica e a ciência.

Em outras palavras, a importância de compreender esses “conteúdos” decorrentes da relação campo-cidade é vista como um processo que está diretamente relacionado à dinamicidade da sociedade e as condicionantes que permitem a reprodução desta sociedade.

 

3 – Condicionantes e novas espacialidades

 

            A partir de entrevistas, observações diretas e indiretas e levantamento de dados, evidenciamos que a região de Dourados apresenta uma articulação entre o campo e a cidade significativa, conferindo “rugosidades” diferenciadas no que se refere a esse novo modo de produzir, que estão ligadas, de um lado, à tecnicidade dos objetos de trabalho e, de outro, ao arranjo desses objetos no espaço.

Um estudo de Schneider, Frohlich e Feldens (1991, p. 60-73) apontado por Santos (1994a, p. 37), “mostra a íntima relação entre informação e adoção de práticas científicas e tecnológicas em área de agricultura modernizada. [...] o uso da informação é prática generalizada e indispensável não apenas à inovação tecnológica, mas ao próprio cotidiano do agricultor”. Essa condição levantada pelos autores foi se comprovando durante nossa pesquisa, como, por exemplo, o fato de que as colheitadeiras e plantadeiras de grãos são altamente tecnificadas, dotadas de sistemas de manutenção que não se aplicam mais aos modos tradicionais de mecânica, e sim aos programas de informatização, ou seja, caso uma máquina dessas apresente qualquer irregularidade, aciona-se o plantão da empresa cadastrada como representante do equipamento. Essa empresa envia um técnico ao local onde se encontra a máquina, que conecta um equipamento computadorizado que faz a leitura e o rastreamento (na máquina) a fim de detectar onde está o problema. Caso esse problema identificado não seja resolvido pelo técnico, ele conecta-se via satélite à central no Brasil ou, se for o caso, em outro país onde está instalada a fábrica, a qual envia ao técnico, na propriedade rural, a informação necessária para a manutenção/reparo do equipamento.

Diante dessa realidade, as empresas passam a reivindicar cada vez mais a especialização de seus funcionários, exigindo além de níveis fundamentais de escolaridade e formação, cursos de computação e de língua estrangeira, prioritariamente o inglês instrumental. Por esse viés, ressalta-se que a dispersão de uma produção altamente lucrativa, a expansão do modo capitalista e exacerbação do movimento, entre outros fatores, não seriam possíveis sem a informatização.

Observamos ainda que, além da tecnificação do sistema, temos a racionalização e a especialização da produção, trazendo para o campo o capital que se difunde rapidamente, acarretando em “novas formas tecnológicas, novas formas organizacionais e novas formas ocupacionais”, que são rapidamente instaladas. Tudo isso faz com que os fluxos se multipliquem, desenhando uma nova geografia baseada na nova divisão territorial do trabalho que se impõe. (SANTOS, 1994a).

Todo esse movimento que se desenrola reproduz e materializa relações cada vez mais diversas e complexas, porém com uma significância representativa do setor que se relaciona, no caso, o sistema produtivo agrícola. Santos e Silveira (2008) explicam que:

 

Tal produção encontra na cidade próxima muitas respostas às suas exigências em ciência, técnica e informação, incluindo uma demanda de bens e serviços técnicos e científicos. [...]

Uma das tarefas da cidade no campo modernizado é a oferta de informação – imediata e próxima – a uma atividade agrícola [...] Às vezes a cidade é a produtora dessa informação, o que é o caso, por exemplo, das aglomerações onde há instituições de ensino e pesquisa pura e aplicada. [...] cabe à cidade transferir para o mundo agrícola informações especializadas, selecionadas pelos interessados na sua difusão. (p. 281, 282)

 

Outra consideração a se fazer é que para compreender a economia urbana dessas cidades é importante observar as funções que cada uma exerce durante as diferentes etapas do processo produtivo como, por exemplo, na safra e na entressafra.

Juntamente com o desenvolvimento dessa agricultura científica, associa-se a mecanização intensiva e a necessidade de especialização e de tecnificação da mão-de-obra agrícola, ocasionando intensos movimentos de êxodo rural, responsáveis por um processo de urbanização acelerado, que traz consigo uma gama de contradições.

Sob esse prisma da especialização produtiva, observamos vários vetores novos. Atualmente, as empresas necessitam “modernizar” continuamente seus maquinários e suas formas organizacionais, além de instalar uma crescente terceirização e ampliar formas de automação. Assim, paralelamente ao crescimento de grupos nacionais, observamos no decorrer desse processo de reestruturação produtiva, algumas empresas globais, por vezes em fusões, se instalarem em várias instâncias de suas cadeias produtivas (SANTOS e SILVEIRA, 2008, p. 138), como é o caso da unidade industrial da Bunge Brasil instalada em 2004 em Dourados e que incorporou a Ceval.

Nesse caso, Silva (2002) complementa ao explicar que esses processos incentivam o surgimento de muitas dessas atividades, antes pouco valorizadas e dispersas. Tais atividades passaram a integrar, nos dias de hoje, verdadeiras cadeias produtivas, envolvendo “não apenas as transformações agroindustriais, mas também serviços pessoais e produtivos relativamente complexos e sofisticados nos ramos de distribuição, comunicações e embalagens”, além de “atividades rurais não- agrícolas (moradia, turismo, lazer e prestação de serviços)” na busca de especificidades e nichos do mercado.

Outra questão de relevância é que, diante dessas transformações resultantes do movimento do capitalismo, a intervenção do Estado se coloca como promovedora de uma interligação entre os setores público e privado. Nesse contexto, segundo Costa (1985) destacam-se três papéis que são desenvolvidos pelo Estado: o primeiro, de provedor de crédito e finanças, desempenhado claramente pelo crédito bancário estatal. O segundo como provedor de ciência e tecnologia, com o apoio ao desenvolvimento de pesquisas tecnológicas destinadas ao aumento da produtividade agrícola, tais como: técnicas de manejo do solo, melhorias vegetais e animais etc.. Nesse contexto, faz também com que haja uma repercussão seletiva no campo, direcionando o setor mais para a agricultura de exportação e para as necessidades dos complexos agroindustriais. O terceiro papel que se identifica é o do Estado como criador de espaços regionais e urbanos.

No aspecto regional não podemos nos abster sobre a interferência do Estado articulada por ações de planejamento que se instalam no território brasileiro. Detentoras de uma visão funcionalista sobre redes e pólos[6]. Essas ações organizam as redes urbanas do país a partir das metrópoles nacionais e da criação de pólos de desenvolvimento promovidas pelo Estado. (WHITACKER, 2007, p.147)

            Dourados se torna pólo de desenvolvimento por meio da intervenção direta do Estado via planejamento, que segundo Le Bourlegat (2008, p. 10):

 

[...] ocorreu especialmente por meio do II PND, entre 1975-79, quando se consolidou a expansão da fronteira agrícola em moldes capitalistas e se fortaleceu a integração econômica de Mato Grosso do Sul ao centro dinâmico industrial do Sudeste. Foi antecedida pela criação da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste – SUDECO, em 1967, que formulou programas especiais de desenvolvimento, baseado na criação de pólos de desenvolvimento. [...] o Plano de Desenvolvimento Econômico e Social do Centro-Oeste- PLADESCO selecionou áreas prioritárias para ação do governo, num modelo de pólos de desenvolvimento. (Grifo nosso)

 

            Nesse contexto, o governo estadual, através Programa do Nacional para as Cidades de Porte Médio (PNCMP/ II PND), elege no então sul do estado de Mato Grosso – atual Mato Grosso do Sul – algumas cidades, entre elas, Dourados, para ser contemplada com o referido Programa. Além desses programas, Dourados contou ainda com o chamado PRODEGRAN[7]. Diante da realidade vigente, a cidade de Dourados torna-se uma cidade-pólo abrangendo a porção sul do território do Mato Grosso do Sul.

            Em verdade, teríamos uma nova espacialidade instalada em Dourados que transcende o recorte territorial tradicional e implica uma nova configuração que representará uma mudança na forma e, particularmente, no conteúdo da cidade. Para construir essa reflexão, outra consideração se mostra de relevância nesse processo de análise das relações socioespaciais: diante da inovação do meio técnico-científico-informacional, deve-se levar em conta também as “redes de cooperação”, sobretudo as relações de horizontalidades e verticalidades destacadas por Santos (2008a) e outros autores.

Pensar a cidade de Dourados considerando essas verticalidades que se manifestam notadamente nas articulações do sistema produtivo agrícola, voltado principalmente para fora da região, nos circuitos internacionais da produção se torna possível ao apontarmos a presença de empresas de atuação global (Marfrig, Bunge, Cargill, etc), caracterizadas pela atuação agroexportadora. Já as horizontalidades se apresentam por intermédio das significativas relações da cidade com seu entorno na oferta de serviços, que poderíamos caracterizar como mais imediatos, especialmente os relacionados com o comércio, a educação e a saúde[8] (SOBARZO, 2010, p. 32 e 33).

No que tange à escala intra-urbana, nos deparamos com vários fatores que se complexificam, mas em que notadamente se observa uma intensificação do consumo, tanto relacionado ao setor produtivo - com ênfase para a questão agrícola - quanto no setor de comércio e prestação de serviços[9]. Contraditoriamente Dourados também se apresenta como espaço da diferenciação socioespacial, que pode ser vislumbrado por intermédio da ampliação de conjuntos habitacionais de interesse público e de perfil popular, além da presença das áreas “irregulares” no espaço urbano[10], entre outros fatores.

Por fim, considera-se que essa nova dinâmica ultrapassa os limites do que é urbano e do que é rural, estabelecendo um novo conteúdo e um outro modo de compreender essas relações, visto que:

A análise do mundo moderno impõe a todos o conhecimento do espaço enquanto noção e enquanto realidade, pois cria hoje as condições através das quais a reprodução da sociedade se realiza. Assim, a cidade e campo, como momentos reais do movimento de realização da sociedade, revelam conteúdos da vida. (CARLOS, 2007, p. 58, 60 – Grifo nosso)

 

Diante disso, procurar entender como se desenvolve a relação de produção em Dourados e o processo de reestruturação produtiva que se implanta tanto na cidade como na região, decorrente de mudanças que se apresentam também em um contexto mais amplo, permite-nos correlacionar ao modo como se vive (e muitos sobrevivem).

 

4 – Possibilitando a construção da materialização a partir da nova dinâmica agrícola

 

            A amplitude desse novo sistema produtivo e as relações que são estabelecidas com vários setores socioeconômicos de uma região apresenta como objetos aqueles que desenvolvem, ou permitem desenvolver, “circuitos e sistemas cooperação” subsidiados por essa nova dinâmica que se instala no campo e na cidade.

Em Dourados essa trama se manifesta a partir da década de 1970, com a expansão do capital agroindustrial acompanhado de um processo de agroindustrialização.

Considerando uma significativa presença do complexo de grãos em Dourados e região, destaca-se nesse cenário a cultura da soja, cuja indústria processadora manifesta-se como:

 

[...] um forte complexo industrial cuja dinâmica é determinada pelo mercado internacional de commodities. Mas ainda, o padrão tecnológico é basicamente definido pelo fato de que o produto é homogêneo (grão, farelo e óleo bruto) limitando as perspectivas de diferenciação de produto. Competitividade nesse contexto é um resultado de fatores relacionados com a produtividade, custos e escala. Adicionalmente, políticas governamentais têm afetado esses fatores através de incentivos, preço de suporte, subsídios, etc. (PAULO, 2010, p. 6)

 

            Podemos imaginar a complexidade desse sistema produtivo, principalmente no que se refere às condicionantes dos agentes diretos e indiretos do processo produtivo como, por exemplo, aqueles que se aplicam ao complexo agroindustrial, ao mercado de commodities, ao padrão tecnológico, à produtividade e às políticas governamentais, entre outros.

Durante o desenvolvimento da pesquisa, observamos claramente como esse complexo agroindustrial é dinâmico e como as relações de verticalidades se estabelecem com uma lógica muito diferente do que se processa localmente. Isso nos instiga a pensar que o campo se estrutura para atender a essa dinâmica de um modo muito mais rápido e eficiente do que se identifica no espaço urbano. Exemplos dessa dinâmica referem-se à ampla utilização de tecnologias consideradas de “ponta”, como o uso de GPS (Global Positioning System)[11] que faz a leitura via satélite para a demarcação de áreas a serem plantadas, assim como o plantio aéreo (aviação agrícola) e controle da produtividade; as verticalidades foram identificadas, entre outras, por meio da assistência técnica de empresas multinacionais de equipamentos e implementos agrícolas, que se utilizam de tecnologia para darem manutenção e reparos em seus produtos, como foi diagnosticado por meio da concessionária John Deere de Dourados.

            As principais empresas agroexportadoras que se instalam em Dourados apresentam uma relação de competitividade e de produtividade visível, visto que o próprio sistema de apresentação de dados e de organização empresarial traz implícito esse vetor. Assim, releva-se que o mercado de alguns dos principais produtos agrícolas brasileiros é quase totalmente controlado pelas tradings[12] multinacionais de commodities[13]. Tais empresas participam de toda a cadeia produtiva e da comercialização dos granéis agrícolas. Normalmente têm suas próprias unidades de armazenagem e transbordo espalhadas pelas regiões produtoras, localizadas próximas a rotas de escoamento, de onde os produtos seguem para suas unidades de processamento ou para a exportação.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), as quatro principais esmagadoras de soja atuantes no Brasil são: Bünge, Cargill, Louis Dreyfus e ADM, empresas multinacionais que detêm 52,6% de toda a capacidade de esmagamento instalada no país.

Dourados se insere nesse processo com a presença das empresas Bünge Alimentos e Cargill Agrícola[14], cuja materialização pode ser entendida a partir de duas maneiras: a primeira, através das representações e comercializações de produtos do setor agropecuário e de alimentos, principalmente no que se aplica à venda de insumos e produtos alimentícios[15]. A outra maneira, a mais significativa no que se aplica ao aspecto socioespacial, é a presença de unidades dessas empresas na cidade, ambas com representatividade local na produção, esmagamento e comercialização de grãos.

Assim, de acordo com o Quadro 1, foram relacionadas algumas das principais empresas de Dourados que não estão tão explícitas nos circuitos superiores da economia, mas que possuem sua importância no processo local e regional. Desde a década de 1990, destacam-se empresas comercializadoras e industrializadoras de grãos em Dourados. Na evolução desse processo, a maioria dessas empresas já foram comercializadas e fundiram-se a outras empresas como, por exemplo, a Matosul que foi adquirida pela Cargill,  vendida mais recentemente para a Marfrig (setembro, 2009). Por outro lado, Dourados apresenta representações de algumas das principais empresas agroexportadoras brasileiras, que se destacam nacionalmente e mundialmente,  como é o caso das multinacionais: Cargil Agrícola S/A, Marfrig / Seara Alimentos e a Bunge Agronegócio e Logística que juntas somam aproximadamente 180 mil toneladas.

 

Quadro 1 – Dourados - MS (2005): Principais empresas comercializadoras e industrializadoras e sua capacidade de armazenamento

Nome/Razão Social da Armazenadora

Capac.(t)

CONAB

20.000

Cooperativa Agroindustrial LAR

70.484

COOAGRI-Coop Agrop e Indl Ltda

35.600

COPACENTRO-Coop Agrop Do Centro-Oeste Ltda

38.600

COOPASOL-Coop Agrop Sul Matogrossense Ltda

14.822

C. Vale - Cooperativa Agroindustrial

14.550

Coop. Agrária Xanxerê

11.847

Cerealista Bianchini

6.000

Bocchi Cereais Dourados

30.000

Sementes Guerra Dourados

10.000

Madri Cereais Dourados

60.000

Cerealista EMAD Dourados

65.000

Campoeste – Ind. De Óleos Vegetais Dourados

50.000

Agrícola Sperafico Dourados

15.000

Indápolis Cereais

10.000

Cerealista Campina Verde Dourados

8.000

Armazéns de produtores rurais

10.200

Silos de produtores rurais

105.300

Avipal

60.000

Douramix

5.950

TOTAL

641.353

Fonte: Banco do Brasil / 2005. Elaboração: Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente - SEPLAN / SUPLOR.

Adaptado por YAMASHITA, A. C., 2011.

             

            Outra condicionante que nos permite visualizar a materialização do processo produtivo foi o setor bancário. A cidade de Dourados estoca o que pode ser chamado de capital de giro do campo, pois as transações relacionadas às operações financeiras, como o crédito rural, acontecem nos estabelecimentos bancários nela sediados. Além dos créditos tradicionais ofertados pelo Estado, por meio dos bancos públicos, existe também o financiamento feito pelos bancos privados, cooperativas de crédito e empresas privadas.

            Esse movimento em Dourados se faz tão intenso, que a cidade possui uma agência do Banco do Brasil voltada somente para atender aos produtores rurais da cidade e da região, a agência Parque dos Ipês (especializada em agronegócio). Em conversa com um dos gerentes dessa agência do Banco do Brasil[16], foi-nos informado o fato de que existem linhas de crédito, financiamentos e convênios feitos especialmente para o “agronegócio”. O Banco do Brasil possui também um portal eletrônico (“Agronegócio-e”) em que é possível comprar e vender produtos agropecuários, encontrar informações de feiras e eventos do setor e obter cotações de commodities. Segundo informações disponibilizadas pelo Banco do Brasil, os produtores rurais possuem as seguintes linhas de crédito: Crédito para Custeio Agropecuário, Crédito para Investimento Agropecuário e Crédito para Comercialização, que são subdivididas para atender à demanda diversa do setor no país.

Com uma vasta linha de créditos para atender ao setor agropecuário, o Banco do Brasil, como o banco mais significativo na oferta e negociações de financiamentos e creditização do setor agrícola, caracteriza-se, em Dourados, por ser atualmente o banco mais representativo, contando com 5 agências bancárias e 61 postos de atendimento[17].

Outra questão refere-se à dinamicidade das atividades e da oferta de “produtos” - seguros diversos, cartões de crédito, aplicações, consórcios etc. - que os bancos, quer sejam públicos ou privados, passaram a disponibilizar e a “oferecer” para os seus clientes, ampliando sua área de atuação e de especificidade com relação ao cliente. Constata-se esse fato, principalmente, em um dos eventos mais significativos anuais do setor agropecuário, a ExpoAgro[18], destacando a presença efetiva do Banco do Brasil e do SICREDI[19] com stands próximos ao setor de exposição de máquinas e implementos agrícolas, de modo a divulgar linhas de produtos, estreitar relações com produtores, viabilizar crédito rural e fechar negócios, principalmente com relação à compra ao financiamento de algum maquinário como colhedeira, trator ou similares. A participação desses bancos em eventos desse porte tem como público-alvo os produtores, os fornecedores e as agroindústrias.

Além dessas articulações, notamos que outras condicionantes também são reproduzidas socioespacialmente, reforçando ainda mais a relação do urbano com o setor produtivo agrícola. Isso se dá a partir de meados da década de 1980, com a disponibilidade de crédito oferecida pelas multinacionais de insumos, que “criaram” as revendas como, por exemplo, as empresas Via Campus, Paiol Agrícola e Apoio Rural, além das unidades locais de empresas como a Cargill Agrícola Ltda. e Bünge Alimentos. Dessa forma, os elementos da pesquisa se ampliaram.

Com relação à sua localização, no decorrer da pesquisa, os estabelecimentos relacionados ao setor agrícola foram se alinhando em algumas das principais vias de acesso/circulação de Dourados. Considerando essa constatação, adotou-se a leitura desse vetor a partir das vias de circulação, visto que entendemos que a cidade está cortada por redes de produção e distribuição e que, na rede e na hierarquia urbanas, temos padrões de ocorrência que encontram semelhança e se mostram como indutores comuns, baseados nas mudanças e na necessidade para que foram criadas. (WHITACKER, 2007, p. 141)

Para a compreensão da materialização da reestruturação produtiva agrícola no espaço urbano, adotou-se como critério as informações cedidas pela Secretaria Municipal da Receita de Dourados e pelo levantamento de campo. Com base nos dados levantados, constata-se que existem aproximadamente 380 estabelecimentos que se relacionam ao consumo produtivo agrícola em Dourados instalados nas principais vias de acesso à cidade[20], os quais foram subdivididos segundo os critérios adotados pela Secretaria Municipal da Receita de Dourados – PMD em: Agricultura e Pecuária, Administração e Planejamento Agropecuários, Comércio Agrícola de Insumos Agropecuários, Assessoria e Pesquisa, Aviação Agrícola, Beneficiamento de Cereais / Cerealistas, Corretores de Cereais, Comércio de Importação e Exportação de Produtos Agrícolas, Cooperativas, Estabelecimentos e Produtos Agropecuários, Indústria de máquinas e implementos agrícolas, Irrigação, Planejamento Rural, Produtos Agro-Industriais, Produtos Veterinários, Projetos Industriais – Agricultura e Pecuária, Rações, Sementes, Silos, Sindicatos e Federações, Topografia e Agrimensura, Transporte Rodoviário, Tratores – peças e acessórios, Usina de açúcar e álcool e refinarias[21].

Ao identificarmos os estabelecimentos comerciais e serviços associados ao consumo produtivo agrícola em Dourados, podemos compreender melhor como estão espacializados atualmente no interior da cidade. Desta forma, permitindo analisar com maior clareza a relação campo-cidade materializada diante dessas novas dinâmicas produtivas.  

 

5 – Considerações finais

 

            Diante da complexidade do tema, este trabalho se apresenta apenas como uma pequena parte da gama de contribuições e discussões que podem ser desenvolvidas.

            O princípio norteador foi pensar o espaço considerando seus novos conteúdos, buscando pensar Dourados diante das questões que se estabeleciam/estabelecem a partir das dinâmicas produtivas do campo, especialmente, a produção de grãos.

            Essa dinâmica reproduz relações marcadas, notadamente, pela necessidade do urbano enquanto locus para se desenvolver, visto que é na cidade que se materializa efetivamente a ciência, a técnica e a informação.

            Na construção dessa discussão foi essencial compreendermos as mudanças que decorrem do meio técnico-científico-informacional para compreendermos como esse processo se articula em outras instâncias.

            Ressalta-se que este debate foi pautado na análise dos conteúdos que se mostravam tanto no campo como na cidade, de modo que pudéssemos compreender os papéis de Dourados em várias escalas, a local, a regional e a nacional. Para tanto, observam-se os conteúdos e as relações que se estabelecem tanto no plano intra-urbano como nas articulações com as demais escalas, que nos permitem analisar o seu papel de intermediação.

            Nessa perspectiva, embora já se fizesse presente o debate sobre a necessidade de analisar as cidades médias brasileiras do ponto de vista de seus papéis no contexto regional, observa-se que o desenvolvimento das análises se limitou às políticas de ordenamento do território, considerando que são poucos os estudos que intencionam analisá-las a partir de seus conteúdos. Releva-se nesse momento que não é uma tarefa fácil, mas que se torna instigante à medida que muitas hipóteses começam a se materializar.

            No que tange à produção, o cenário que se apresenta são as fusões de empresas mais estruturadas que se apropriam de outras empresas, fortalecendo-se e redefinindo o espaço, as relações cotidianas e a divisão do trabalho, proporcionando o surgimento de novas especializações e novas articulações socioespaciais criadas para suprirem as necessidades dessa “nova” dinâmica.

            É por esse caminho que a cidade se redefine, reorganiza- se em novas funções, novas especialidades e novos arranjos socioespaciais.

            Em Dourados, conseguimos distinguir em vários momentos a pujança da agricultura na redefinição do espaço urbano. Atualmente, apesar dessa dinâmica ainda ser representativa, outros setores têm despontado nesse processo, principalmente a prestação de serviços e o comércio.

            Com isso, podemos pensar que o papel de Dourados como “cidade média” e “pólo concentrador” de atividades se amplia e é reforçado ao agregar outras funções além da produção agrícola, ou seja, está se estabelecendo também no setor de comércio e de prestação de serviços, com relevância para o ensino superior e para a saúde especializada. Essas condicionantes subsidiam as necessidades locais, articulando-se também com as cidades que se colocam sob sua área de influência.

            Por outro lado, as estratégias implantadas em Dourados também foram pautadas de modo que as políticas estatais voltadas para a região também assegurassem o aumento da produção de alimentos para abastecer a população urbana brasileira e ampliar as exportações de commodities, aproveitando-se do aumento dos preços internacionais dos grãos estimulados pela crescente demanda. Também tinha como propósito ocupar a área central e fronteiriça do país, por se tratar de um governo militar com forte preocupação geopolítica; transferir um grande contingente populacional, diminuindo os conflitos fundiários nas regiões mais densamente povoadas, e fazer distribuição de terras sem a necessidade de realizar uma verdadeira reforma agrária.

            Assim, com a conjunção de todos esses fatores, promoveu-se a expansão e a consolidação de uma agricultura “moderna” no sul de Mato Grosso do Sul. Dourados se destaca no panorama das políticas públicas e incentivos destinados ao cerrado brasileiro, recebendo aportes consideráveis em capital e sistemas técnicos.

            Por essa perspectiva, colocam-se diferentes escalas para a análise do espaço, visto que seus conteúdos se complexificam diante dos novos objetos que se instalam. Entendemos que a dinâmica do setor produtivo agrícola seja um dos caminhos para a compreensão da produção socioespacial.

            Nesse sentido, o presente trabalho dá alguns passos e sinaliza para a importância de novos estudos e aprofundamentos sobre a compreensão dos conteúdos do espaço, possibilitando entender os papéis e as interações que nos permitem entender Dourados como uma cidade média.

 

 

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[1] Por assim dizer, duas importantes correntes intelectuais contribuem para repensar o desenvolvimento no campo: por um lado, a que enfatiza a noção de capital social, como um conjunto de recursos capazes de promover a melhor utilização dos ativos econômicos pelos indivíduos e pelas empresas; por outro a que privilegia a dimensão territorial do desenvolvimento e que insiste na idéia de que a competitividade é um atributo do ambiente, antes mesmo de ser um trunfo de cada firma. A convergência entre estas duas correntes de idéias permite que se ampliem os horizontes de reflexão sobre o campo, que não pode ser confundido com a base geográfica de certo setor econômico, nem como o resíduo daquilo que não pertence às cidades. (ABRAMOVAY, 2000)

[2] EMBRAPA Agropecuária do Oeste, em: http://www.cpao.embrapa.br/unidade/localiza.php. Consulta feita em 26 de janeiro de 2011.

[3] Subsidiado pelas referências de Kautsky (1968) e Lenin (1979).

[4] Em observância ao panorama das cidades brasileiras, surge uma nova leitura de cidades que desempenham papéis de intermediação entre as cidades maiores e menores no âmbito de redes urbanas. Alguns autores, com Santos, Corrêa, Sposito, entre outros, as denominam de cidades médias (ou cidades intermediárias), sendo consideradas atualmente como elementos importantes na urbanização contemporânea.

[5] “Aquele exigido pelas atividades agrícolas ou agroindustriais” (SANTOS, 2008, p.74), que segundo Endlich (1998, p.28) “altera a arquitetura da rede de cidades, pois resulta de papéis urbanos e econômicos específicos”.

[6] Desenvolvida com base na teoria dos pólos de desenvolvimento, diretamente influenciada pelos estudos de François Perroux, que considera o espaço do ponto de vista sistêmico.

[7] Criado pela Superintendência de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste – SUDECO (Superintendência de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste, criada pela lei nº5.365, de 01 de Dezembro de 1967) –, via exposição de motivos CDE nº 007/76, de 07 de Abril de 1976, o Programa Especial da Região da Grande Dourados, visava ao aproveitamento da potencialidade agrícola de que dispõe a região sul do Estado de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), envolvendo, em 1976, 22 municípios – uma área de 84.661 km² – a ser polarizada por Dourados.

[8] Sobre esta temática, releva-se o estudo de Silva (2010) que desenvolve uma análise dos serviços de saúde e de ensino superior ofertados por Dourados, destacando-se como “o principal centro de serviços especializados na saúde e no ensino superior da região, atendendo não somente às cidades do entorno, mas de outros estados, promovendo, assim, migrações definitivas, sazonais e pendulares, que contribuem para consolidar a sua importância na rede urbana”.

[9] Essa condição pode ser observada nos Anais do VII Workshop da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias - ReCiMe (2010), além de pesquisas de autores como SILVA (2010), entre outros.

[10] Estas temáticas são estudadas por CALIXTO (2004, 2008), CASTRO (2009), entre outros.

[11] Sistema de posicionamento global, popularmente conhecido por GPS(geo-posicionamento por satélite - em português). É um sistema de navegação por satélite que fornece a um aparelho receptor móvel a posição do mesmo, assim como informação horária, sob todas quaisquer condições atmosféricas, a qualquer momento e em qualquer lugar na Terra, desde que o receptor se encontre no campo de visão de quatro satélites GPS. (Com base em: http://www.tecmundo.com.br/215-o-que-e-gps-.htm)

[12] Tradings: Empresas que se caracterizam por serem comerciais exportadoras. Trabalham nesse sistema de importação e exportação. Quando alguma empresa deseja exportar e não possui estrutura necessária para executar todo o processo, contrata um Trading Company, para transformar sua exportação em venda à vista no mercado interno. (trading significa comércio em inglês). (Com base em: http://www.bertolo.pro.br/adminfin)

[13] Commodities (mercadoria em inglês), pode ser definido como mercadorias, principalmente minérios e gêneros agrícolas, que são produzidos em larga escala e comercializados em nível mundial. As commodities são negociadas em bolsas mercadorias, portanto seus preços são definidos em nível global, pelo mercado internacional. Também se caracterizam por não ter passado por processo industrial, ou seja, são geralmente matérias-primas. (Com base em: http://www.bertolo.pro.br/adminfin)

[14] Cuja representatividade foi minimizada com a venda da Cargill – unidade Seara Alimentos em 2009, conforme será apresentado na sequência.

[15] As representações principais da Bünge em Dourados identificadas são: Serrana, Iap. Ouro Verde, Manah (fertilizantes e insumos), Delícia, Salada, Soya, Primor (produtos alimentícios). Já a Cargill, identificamos a presença através da comercialização de insumos na área agrícola e de nutrição animal, além da área de alimentos com as “marcas”: Liza, Maria, Purilev, Seara (até 2009), Mazola e Maionese Gourmet.

[16] Entrevista concedida em fevereiro de 2011.

[17] Fonte: Banco Central do Brasil - Divisão de Gestão de Informações Cadastrais (DICAD-DESIG). Desenvolvimento: Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) - Superintendência de Comunicação Social - Gerência de Sistemas. Atualizado em: 01.03.2011.

[18] Exposição Agropecuária e Industrial de Dourados (Expoagro), que ocorre no município desde 1968 em área construída para tal, o Parque de Exposições João Humberto de Carvalho. Desde 2000, fundiu-se à Expoagro a Exposição de Máquinas em Movimento e Novas Cultivares (Expodinâmica), trazendo para esse evento a materialização da ciência, técnica e informação enquanto negócio e desenvolvimento para a produção no campo

[19] Nota-se que o SICREDI não é cadastrado na FEBRABAN como agência bancária, e por este motivo não consta no quadro de agências bancárias. Essa instituição se enquadra no setor de cooperativas de crédito rural, atuando no mercado local com a função muito similar à do Banco Brasil, no que se refere ao setor agropecuário.

[20] Consideramos, neste estudo, como principais vias de acesso à Dourados: Avenida Marcelino Pires, Rua Weimar Gonçalves Torres, Rua Hayel Bon Facker, Avenida Guaicurus e Rua Cel. Ponciano.

[21] Vale ressaltar que não foram incluídos nessa análise os escritórios de propriedades rurais e suas representações, pois não tivemos acesso a esses dados.


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.




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