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Asunto:NoticiasdelCeHu 1139/11 - TERRITÓRIOS E TERRITORIALIDADES DA PROST ITUIÇÃO EM ROSANA-SP
Fecha:Domingo, 13 de Noviembre, 2011  03:48:39 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 1139/11
 
 

TERRITÓRIOS E TERRITORIALIDADES DA PROSTITUIÇÃO EM ROSANA-SP

 

Juliana Maria Vaz Pimentel

Universidade Federal da Grande Dourados

 

 

RESUMO

O objetivo central da presente pesquisa, visa demonstrar que a prática do turismo como forma de lazer, muitas vezes oculta a sua face nociva, do que pode ser denominado como Turismo Sexual.Neste sentido, essa prática acaba por ser mantenedora de uma lucratividade que engendra desde donos de hotéis, proprietários e gerentes de boates, traficantes, agências de turismo, donos de ranchos,restaurantes etc., elucidando, dessa forma, a complexidade que dinamiza os territórios onde a atividade sexual se manifesta. Dentro desta perspectiva, a atividade sexual comercial, pode ser encontrada tanto nas macrorregiões como nas microrregiões, onde exista desemprego, miséria, violência, discriminação, enfim, todos os tipos de exclusão social que levem as pessoas a se tornarem marginalizadas perante a esfera social. Essa realidade pode ser verificada através do aumento da violência, desemprego, miséria e a realização de trabalhos considerados ilícitos perante a sociedade, como, por exemplo, o Turismo Sexual, realizado no balneário de Rosana-SP, que envolve mulheres das mais variadas faixas etárias, inclusive meninas na idade infanto-juvenil.

Palavras-chave: Territórios, Prostituição, Exclusão Social, Identidades.                                                  

 

RESUMEN

El objetivo principal de esta investigación es demostrar que la práctica del turismo como una forma de recreación, que a menudo esconde su rostro perjudiciales, lo que puede denominarse como turismo Sexual.Neste sentido, esta práctica resulta ser un patrocinador de la rentabilidad que genera de los hoteleros, dueños de clubes nocturnos y los administradores, concesionarios, agencias de viajes, los propietarios de los ranchos, restaurantes, etc., explicando así la complejidad que lleva a los territorios donde se manifiesta la actividad sexual. Dentro de esta perspectiva, la actividad sexual comercial, se pueden encontrar tanto en el micro y macro regiones, donde hay desempleo, la pobreza, la violencia, la discriminación, en definitiva, todo tipo de exclusión social que la gente lleva a cada vez más marginada en la cara de la esfera social. Esta realidad puede ser verificada por el aumento de la violencia, el desempleo, la pobreza y la realización de las obras consideradas ilegales en la sociedad, por ejemplo, el turismo sexual, que se celebró en la localidad de Rosana-SP, lo que implica que las mujeres de diferentes grupos de edad, incluyendo a las niñas en la edad juvenil.

Palabras clave: territorios, la prostitución, la exclusión social de identidad

 

ABSTRACT

The main objective of this  research  is to demonstrate that the practice of Tourism as a form of recreation, often hides his face harmful, what can be termed as Tourism Sexual.Neste sense,  this practice turns out to be a sponsor  of  profitability that engenders from hoteliers, nightclub  owners  and managers, dealers, travel agencies, owners of  ranches, restaurants etc.., explaining thus the complexity that drives the territories where sexual activity is manifested. Within this perspective, the commercial sexual activity, can be found in both the micro and macro regions, where there is unemployment, poverty,  violence, discrimination, in short, all kinds of social exclusion that lead people to become marginalized  in the face of the social sphere. This reality can  be verified by the increase in violence, unemployment, poverty and the realization of works considered illegal  in society, for example, Sex Tourism, held  in the resort of Rosana-SP, which involves women from different age groups, including girls in  the juvenile age and eventually boost the local economy.

Keywords: Territories, Prostitution, Social Exclusion, Identity.

 

Uma análise geográfica sobre os territórios e territorialidades da atividades sexual comercial em rosana-SP

         Partindo do ponto de vista de que a prostituição se constitui em um atrativo e fundamento para o turismo em determinas lugares, podemos nos reportar ao município de Rosana, território[1] este, que ao término da construção das Usinas de Porto Primavera e Rosana (São Paulo, divisa com o Mato Grosso do Sul e Paraná), vem apresentando altos índices de pobreza, desemprego e violência, destinando à maioria de seus moradores uma condição de vulnerabilidade que se traduz em vivências concretas de risco pessoal e social.

A construção do município de Rosana surgiu com a criação de um ramal de estrada situada no extremo oeste do estado de São Paulo, denominada Estrada de Ferro Sorocabana, que sairia de Presidente Prudente chegando até o Rio Paraná em sua confluência com o Rio Paranapanema.

A empreiteira que ganhou a licitação para a construção do ramal paulista foi a empresa Camargo Correia e Ribeiro S/A, que iniciou um movimento de especulação de terras na região do Pontal do Paranapanema. A valorização das terras, trazida pelos planos da nova linha, contribuiu para a construção do núcleo urbano – Rosana.

No início da década de 70, foram realizados estudos acerca dos recursos hidrelétricos na região do Pontal e dos rios Paraná e Paranapanema, que foram considerados propícios à construção de barragens hidroelétricas, surgindo, então, as usinas de Rosana e Porto Primavera.

A cidade de Rosana encontra-se localizada no extremo sudoeste do estado de São Paulo e, limita-se ao norte pelo Rio Paraná, ao sul pelo rio Paranapanema, e a oeste pela confluência dos Rios Paraná e Paranapanema, um dos pontos de grande atração turística do município.

Contudo, atualmente, Rosana passa por uma série de problemas oriundos do período de sua colonização, quando muitas famílias de colonos vieram com o sonho de que Rosana se elevasse a um grande centro urbano, mas isso não aconteceu.

 Rosana atualmente enfrenta um crescente índice de desemprego, causado pela instabilidade na construção das duas Usinas Hidroelétricas. Essa vulnerabilidade econômica acarretou um constante quadro de demissões dos funcionários das Usinas. A presente realidade gerou consideráveis problemas socioeconômicos para o município, uma vez que a maioria dos desempregados não encontra alternativas de emprego, desencadeando assim, uma notável crise social no município.

Dentro desta perspectiva, a exploração sexual comercial, vem aumentando consideravelmente no município em estudo, onde, um dos fatores preponderantes para a elevação dessa prática, não se restringe somente a falta de políticas públicas que propiciem a geração de empregos, mas também, à diferentes práticas do turismo, que dentre ele, encontra-se o Turismo Sexual, que envolve mulheres das mais variadas faixas etárias, munícipes, imigrantes e inclusive meninas na idade infanto-juvenil, que territorializam-se em espaços diferentes do município, manifestando assim, suas diferentes territorialidades, totalmente imbuídas de hábitos e significados distintos, caracterizando assim, seus territórios de vivência.

Ao relacionarmos o turismo sexual ao modo de produção capitalista, podemos verificar que o que acaba por caracterizar a sociedade capitalista, não é somente a exploração do homem pelo homem e sim o predomínio das relações mercantis. Tais relações só ocorrem quando há algo para ser trocado - uma mercadoria ou dinheiro. Muitas vezes, as comunicações que se estabelecem nesse mercado não são somente relações entre pessoas, mas sim, entre as mercadorias, em que as ligações pessoais não exercem um papel importante entre as partes envolvidas.

 No mundo capitalista, as mercadorias passam a ter uma relação social, enquanto que os agentes sociais adquirem uma função material com valores monetários e morais agregados a eles. Assim, os sujeitos, nesta relação, tornam-se mercadorias, ou seja, se transformam em objetos e os objetos, por sua vez, passam à condição de sujeitos. Neste contexto,as relações fetichizadas[2] do capitalismo transformam relações de pessoas concretas em relações de pessoas abstratas e relações qualitativas em relações quantitativas.

De acordo com essa realidade, uma das atividades que vêm se desenvolvendo não só nos grandes centros brasileiros, mas também nas cidades interioranas, é a prática do Turismo Sexual. Sua existência “reflete a preexistência de problemas bem mais profundos, os quais, por sua vez, estão ancorados no coração das sociedades receptoras de turistas” (BEM, 2005).

O turismo sexual[3] está envolto de várias formas de exploração humana[4]. Dentre elas encontram-se o tráfico de crianças, adolescentes e mulheres com fins sexuais, prostituição, tráfico de drogas e outras formas de violência e crime.

Dentro desta perspectiva, podemos verificar que a prática do turismo envolve inúmeros interesses, entre eles atrativos sociais, históricos, culturais e econômicos, podendo, desta maneira, trazer recursos benéficos para uma determinada comunidade. Porém, também existe sua face nociva, a uma determinada instância. Seu lado prejudicial se dá, quando essa prática acaba por usurpar os bens culturais e naturais de uma comunidade, deixando para a sua população saldos negativos, como, por exemplo, a prática da exploração sexual.

 Dessa forma, ao nos reportar sobre a prática da exploração sexual em qualquer tempo da história das civilizações, podemos encontrar de algum modo, entre os agentes sociais, práticas que podem ser consideradas como morais ou imorais, porém, tais “hábitos”, expressavam a cultura e a identidade de um determinado grupo social.

Diante disso, entre tais “hábitos” culturais, podemos considerar que a prática da prostituição[5] não é uma atividade atual e também é abstraída sob diferentes ópticas  por distintos povos.

No Egito antigo, na região da Mesopotâmia e na Grécia, via-se que a prática tinha uma ritualização - as prostitutas exerciam a função de sacerdotisas e recebiam presentes em troca de favores sexuais.

Já na época em que a Grécia e Roma polarizaram o domínio cultural, as prostitutas eram admiradas, porém tinham que pagar impostos ao Estado para exercerem sua profissão. Na Idade Média, houve a tentativa massiva de eliminar a prostituição, impulsionada pela moral cristã e também pelo grande surto de sífilis em toda Europa.

Quando houve a reforma religiosa no século XVI, o puritanismo começou a influir de forma significativa na política e nos costumes. Diante disso, a Igreja Católica passou a enfrentar maciçamente o problema da prostituição através de recursos teológicos.[6]

Posteriormente, com a o advento da Revolução Industrial na Inglaterra, houve um crescimento da prostituição. As mulheres, então, passaram a fazer parte das frentes de trabalho e, como as condições de emprego eram desumanas, muitas passaram a prostituir-se em troca de favores dos patrões e capatazes, expandindo novamente a prostituição e o tráfico de mulheres.[7]

Nessa perspectiva, as prostitutas faziam parte da classe trabalhadora, incluindo-se à parcelas de expropriados que, através da venda do corpo, enquanto objeto sexual inseriam-se na gênese da prostituição. Neste sentido, a prostituição era encarada como um trabalho, em que, por um lado, existia uma oferta do corpo, de outro, uma procura de satisfação sexual, existindo assim: “a troca de uma prestação de prazer, por um pagamento em dinheiro”. (MORAIS, 1925)

Várias foram as tentativas de minimizar o problema da prostituição no mundo. Em 1949, a ONU denunciou e tentou tomar medidas para o controle da exploração sexual comercial - desde o início do século XX, os países ocidentais tentam medidas visando retirar a prostituição da atividade criminosa.

Muito embora, a prostituição possa ser considerada uma atividade anterior ao capitalismo, ela passou a assumir características próprias segundo novos contextos sociais, tomando diretrizes diferentes se analisada sobre o prisma da vida nas cidades.

A cidade, como lugar de concentração da população, é o espaço, via de regra, onde as relações humanas acontecem de maneira acentuada, intensa e complexa. A cidade representa os laços que ligam as várias pessoas que compartilham um mesmo território para morar, para trabalhar e para se divertir.

Wirth (1997), sublinha que “as diferentes partes da cidade adquirem funções especializadas. A cidade, conseqüentemente, tende a parecer um mosaico de mundos sociais nos quais é abrupta a transcrição de uma para o outro”.

Com tudo, a prostituição, com as características da que hoje conhecemos, resultou do desenvolvimento urbano, que traz em seu cerne diferentes segmentos da sociedade com identidades culturais próprias.

A prostituição constitui-se como uma prática milenar, que tradicionalmente tem subvertido o exercício “controlado da sexualidade” via instituições sociais. Assim, a prostituição, denominada também de exploração sexual comercial, se caracteriza por uma dimensão processual, particularizando-se como um fenômeno que se desenrola aos poucos, tornando-se parte da história de vida de mulheres que viveram um processo contínuo de violência e violação de direitos.

A figura da prostituta, assim taxada, antes mesmo de ser reconhecida como mulher, acaba por fazer parte, da grande demanda de agentes sociais excluídos, detentores de menor poder político, econômico e social que compõem a sociedade.

A exploração sexual comercial está totalmente atrelada à violência estrutural[8], existindo assim, uma estreita relação entre Mercado e Estado, pois segundo Libório (2005), “o processo de fragilização do Estado em decorrência da reorganização das bases econômicas globais e locais, intensificou a desigualdade social, trazendo impactos diretos sobre a qualidade de vida da população”.

Podemos enfatizar a questão da violência estrutural ao nos reportarmos a fala de uma de nossas entrevistadas, que está inserida na prática do turismo sexual comercial  em Rosana:

“comecei a fazer programa, quando o meu marido me largou com meu filho pequeno e eu não conseguia arranjar emprego, foi quando uma amiga me perguntou por que eu não começava a sair com os turistas.aí pensei melhor e, comecei a sair com os turistas, mas da primeira vez eu não tive coragem de cobrar, foi a minha amiga que já tava acostumada a sair com eles que foi cobrar pra mim, eu fiquei com vergonha”.(Entrevistada nº1)[9]

 

De acordo com Teixeira (2000), o fenômeno da exploração sexual comercial deve ser tratado como uma questão complexa, pois os fatores determinantes para a existência dessa atividade precisam ser considerados e compreendidos dialéticamente, já que fazem parte da estrutura social brasileira. Além dos fatores sócio-econômicos e políticos, para a compreensão de tal fenômeno, devem ser levados em consideração, também, os aspectos territoriais, históricos, culturais e éticos das mulheres que fazem parte do sistema de exploração sexual brasileiro.

Dessa forma, o contexto relacionado à atividade sexual deve ser interpretado pelo prisma segundo o qual, determinados grupos sociais refletem a apropriação de certos hábitos e significados da cultura dominante ou da cultura[10] do próprio município. Com isso, tais hábitos são transformados em formas simbólicas, que acabam por incorporar novos sentidos e significados, para aqueles que adotam determinados estilos de vida.

Diante desta realidade e ao compará-la com as territorialidades existentes no município, podemos concordar com Nabozy (2007), quando afirma que “o fenômeno da exploração sexual comercial é plural, multidimensional, complexo e de uma grande heterogeneidade”

Assim, em relação ao exercício da prostituição em Rosana, verifica-se que tal atividade não beneficia somente o cliente, mas traz lucros também a terceiros: donos de hotéis, administradores, traficantes, agências de turismo, donos de ranchos, restaurantes, boates, choperias, etc.(Ver Fotos 1,2,3)

 

 

Foto 1: Júpiter um dos territórios da prática atividade sexual comercial , centro de Rosana

Fonte: Trabalho de Campo/Maio,2011

Foto:Pimentel, Juliana Maria Vaz

 

 

De acordo com a foto um (1), podemos considerar que o restaurante/choperia Júpiter, no período diurno é freqüentado geralmente por crianças e famílias que usufruem do espaço comercial”, e no período noturno, pode ser considerada uma zona “crítica”, por estarem presentes na área vários citadinos (que em suas observações tornam o Turismo Sexual invisível),prostitutas, meninas jovens, traficantes e diversos sujeitos que usufruem dos serviços do local.

  

 

Foto 2: “Tenda”, onde ocorrem apresentações de duplas sertanejas nos finais de semana, Avenida do Balneário.

Fonte: Trabalho de Campo/Maio,2011

Foto:Pimentel, Juliana Maria Vaz

 

Em relação a foto dois (2), concordamos com Raffestin (2003), quando caracteriza o território em aproximadamente quatro níveis e situações distintas, um deles é denominado pelo autor de “território do cotidiano” que corresponde:       

  

... à territorialização de nossas ações de todos os dias, através da qual garantimos a satisfação das necessidades; há relações entre os indivíduos e lugares. O território do cotidiano é, ao mesmo tempo, aquele de tensão e da distensão, aquele de uma territorialidade imediata, banal e original, previsível e imprevisível. (...) o cotidiano é vivido simultânea, territorial e linguisticamente. É o habitar por excelência, riqueza, pobreza, banalidade e originalidade, potência e impotência, ao mesmo tempo.

 

Fonte 3: Vila, onde concentram-se as Boates Noturnas

Fonte: Trabalho de Campo/Maio,2011

Foto:Pimentel, Juliana Maria Vaz

 

 

            Ao questionarmos na entrevista sobre a escolha das “garotas” optarem por fazerem programas nas “boates”, o entrevistado nº 2, que atualmente é gerente de uma boate fora do Estado de São Paulo, responde:

 

“ as meninas preferem as boates porque são tratadas bem melhor do que se estivessem morando em suas casas. Nas boates elas moram sem ter custo nenhum.O café da manhã tem suco, presunto, queijo,pão, danone, leite.Tem almoço, café da tarde, jantar e um café da madrugada. Muitas não tinham nada disso em suas casas”.

 

            Neste sentido, Duncan (2004), nos chama a atenção para os discursos que são utilizados pelos distintos grupos sociais que  territorializam-se em diferentes espaços da cidades - “ cada grupo social institui seus próprios textos urbanos”[11]

Para  Ribeiro (2005):

A territorialidade é identificada pelas práticas sociais que, por um lado, são definidas por relações de poder, através do controle, e, por outro, pela apropriação simbólica e afetiva de uma área geográfica por indivíduos ou grupos. Assim sendo, o território, nada mais é do que a manifestação geográfica dessa territorialidade, através dos seus limites, que se dão de modo diferenciado.

 

            A discussão sobre a prática da atividade sexual comercial está longe de esvair-se e não envolve somente a questão do “fetiche do corpo”, mas entre seus meandros, encontram-se lógicas totalmente pertinentes ao modo de produção capitalista, em que temáticas cuja moralidade é evidenciada são transformadas em invisíveis, como forma de dinamizar a economia, a lucratividade   e os negócios do “lugar” e dos atores que nela estão envolvidos e, que, acabam, por se beneficiarem ocultamente de toda a dinâmica estrutural que abarca o Turismo, no sentido desta pesquisa, o Turismo Sexual.           

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Na atualidade,uma das atividades que vêm se desenvolvendo não só nos grandes centros brasileiros, mas também nas cidades interioranas, é a prática do Turismo Sexual, ou seja, a prostituição. Muito embora, a prostituição possa ser considerada uma atividade anterior ao capitalismo, ela passou a assumir características próprias segundo novos contextos sociais, tomando diretrizes diferentes se analisada sobre o prisma da vida nas cidades, porém,além dos fatores sócio-econômicos e políticos, para a compreensão de tal fenômeno, devem ser levados em consideração, também, os aspectos territoriais, históricos, culturais e éticos das mulheres que estão envolvidas na prática da prostituição.

Dentro desta perspectiva, a exploração sexual comercial, vem crescendo consideravelmente nos últimos tempos no município de Rosana, onde existem vários territórios que estão imbuídos por diferentes territorialidades. Podemos citar como territórios propícios a prostituição a Vila onde concentram-se as boates,  o Restaurante e a Choperia Júpiter, a “tenda” e o Balneário Municipal,este localiza-se em uma área de grande importância turística, no sentido de que, no período diurno é freqüentado geralmente por crianças e famílias que usufruem da “prainha” e dos “quiosques comerciais”, e no período noturno, pode ser considerado uma zona “crítica”, por estarem presentes na área, prostitutas, meninas jovens, traficantes e diversos sujeitos oriundos de cidades e Estados diferentes,que usufruem dos serviços do local, exibindo seus carros de luxo, exaltando seus poderes aquisitivos em meio a pessoas desprovidas de todo o tipo de aparato social, denunciando, desta maneira, a face contraditória e nociva do capitalismo.

Demonstrando dessa forma, a necessidade de se criar políticas públicas que visem erradicar com o problema da atividade sexual comercial e criar subsídios pra um turismo que traga benefícios ao município e não práticas nefastas à população que nele reside.

 

 

REFERÈNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ANDRADE, L.F. Prostituição infanto-juvenil na mídia: estigmatização e ideologia. Tese de Doutorado não-publicada. Curso de Pós-Graduação em Psicologogia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2001.

ANDRÉ, Marli D. A & LUDKE, Menga. Abordagens qualitativas de pesquisa: a pesquisa etnográfica e o estudo de caso. São Paulo: EPU, 1986.

BEM, Arim Soares do. A dialética do turismo sexual. Campinas: Papirus, 2005.

BOGDAN, Robert;BIKLEN, Sari. Investigação Qualitativa em Educação. Uma Introdução à Teoria e aos Métodos. Portugal: Porto Editora, 1994.

CARLOS, Ana Fani. O lugar no/do mundo. São Paulo: Hucitec, 1996, 150 p.

CORIOLANO, Luzia Neide M.T. Da Sedução ao Turismo ao Turismo da  Sedução.2002.

CORRÊA, Roberto L. ROSENDHAL,Zeny (Org.) Geografia Cultural – Um Século. Tradução de Tânia Shepherd. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2000.

_____. Paisagem, Tempo e Cultura. Rio de Janeiro:EDUERJ, 2004.

_____ . Introdução á Geografia Cultural.Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,2003.

DUNCAN, James Stuart. A paisagem como sistema de criação de signos. Paisagens, textos, identidades. RJ: UERJ,2004. P91-132.

LARAIA, Roque de Barros. Conceito Antropológico.14ºed.Rio de Janeiro: Jorge Zahar.2001. p.17-37.

LIBÓRIO. Renata Maria Coimbra.Adolescente em Situação de Prostituição: Uma análise sobre a Exploração Sexual Comercial na Sociedade Contemporânea.Psicologia: Reflexão e Critica. 403-420. 2005.

MOTTA, Candido. Prostituição, Polícia de Costumes e Lenocínio. São Paulo, 1897.

NABOZY, Almir. Espaços e a redes de interdependência na produção da invisibilidade da exploração sexual infanto-juvenil feminina. SILVA, Joseli M. Geografia Subversivas discursos sobre espaço, gênero e sexualidade.Ponta Grossa, PR:TODAPALAVRA,2009.p.153-175.

OLIVEIRA,Marcus Amorim de. Turismo Sexual no Ceará (2000) apud (CECRIA/MJ-1996).Disponível em www.acmp-ce.org.brs/turismosexualceara.doc>Acessado 02 de abril de 2009.

RAFFESTIN,Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993.

_________________ Immagini e identitá territoriali.In DEMATTEIS,G e FERLAINO, F. Il modo e i luoghi: geografie delle identità e Del cambiamento. Torino: IRES, 2003.p.3-11

RIBEIRO, Miguel Ângelo.Prostituição de Rua e Turismo: a procura do prazer na cidade do Rio de Janeiro. SP: HUCITEC, 2002. RODRIGUES, Adyr Balatreri. Turismo;Modernidade;Globalização.3. ed. São Paulo:2002.

SILVA, Joseli Maria. Geografias Subversivas discursos sobre espaço, gênero e sexualidade.Ponta Grossa, PR: TODAPALAVRA, 2009.

TEIXEIRA, L.C.;FRANÇA J.C; GORGATTI V. Estratégias de Intervenção em Situações de Risco, Extremo Risco e Exploração Sexual. São Paulo, 1997.

WIRTH, Louis. O urbanismo como modo de vida. In: Velho, Otávio Guilherme, org. O fenômeno urbano. Rio de Janeiro: Zahar, 1973, p.90-113.

 

 

Sites Consultados

http://www.vozdoacre.com/index.php?option=com_content&task=view&id=322 acessado em 20/02/2010

http:// www.scielo.br/pdf/rlae/v7n3/13471.pdf acessado em  15/05/2010



[1] Para Raffestin (1993), o território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma ação  conduzida por um ator. As “imagens” territoriais revelam as relações de produção e consequentemente as relações de poder, e é decifrando-as que se chega à estrutura profunda.(...) Falar de território é fazer uma referência a noção de limite, que exprime a relação  que um grupo mantém com uma porção do espaço, simbolizando a posição dos atores, que agem, mantém relações, asseguram funções, se influenciam, se controlam, se interditam, se permitem, se distanciam ou se aproximam e, assim, criam redes entre eles.

[2] Segundo Marx (1982), a mercadoria é misteriosa simplesmente por encobrir as características sociais do próprio trabalho dos homens, apresentando-se como características materiais e propriedades sociais inerentes aos produtos do trabalho; por ocultar, portanto, a relação social entre os trabalhos individuais dos produtores e o trabalho total, ao refleti-la como relação social existente, à margem deles, com propriedades perceptíveis e imperceptíveis aos sentidos. (...) Uma relação social definida, estabelecida entre os homens, assume a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas. (...) Chamo isto de fetichismo, que está sempre grudado aos produtos do trabalho, quando são gerados como mercadorias. É inseparável da produção de mercadorias.

[3] Segundo Oliveira (2000), turismo sexual significa a exploração de meninos, meninas, adolescentes e jovens por visitantes, em geral,procedentes de países desenvolvidos ou mesmo turistas do próprio país, envolvente à cumplicidade por ação direta ou omissão de agências de viagem e guias turísticos, hotéis, restaurantes e outros.www.acmp-ce.org.brs/turismosexualceara.doc>acessado 02 de abril de 2009.

[4] Nabozny (2007), nos chama a atenção para: “os significados das “ausências e silêncios” nestas redes de exploração sexual. Já Foucalt (2006), ressalta que: “é a produção da invizibilidade que permite a perpetuação da mercantilização das práticas sexuais”.

[5] A ONU (Organização das Nações Unidas), considera prostituição como “ processo em que as pessoas mediante remuneração de maneira habitual, sob quaisquer formas, entregam-se as relações sexuais normais ou anormais, com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto. O ato sexual comercial é como qualquer ato sexual, em que algo de valor seja dado ou recebido por alguém. www.caminhos.ufms.br/reportagens/view.htm?a=45

 Segundo dicionário Aurélio (2005), significa ato ou efeito de prostituir-se;comércio sexual profissional; modo de vida próprio de quem se prostitui .

[6] http://www.vozdoacre.com/index.php?option=com_content&task=view&id=322

[7] http:// www.scielo.br/pdf/rlae/v7n3/13471.pdf

[8] A violência estrutural se imaterializa envolvendo ao mesmo tempo, a base econômica por onde se organiza o modelo societário  e sua sustentação ideológica. É formada por um conjunto de ações que se produzem e se reproduzem na esfera da vida cotidiana e que frequentemente não são consideradas ações violentas .http//www.franca.unesp.br/0¢20Metodo%20em%20Marx.pdf

[9] Optamos por referir-se as garotas por números, como forma de preservar suas imagens.

[10] Para Laraia (2001), o homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam.(...) O modo de ver o mudo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais, são assim produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determina cultura.

[11] O autor refere-se a palavra “texto" para ressaltar que:... a cidade, tal qual um texto escrito, pode ser lida e percebida de formas  diferentes.Assim quando os grupos sociais se encontram, textos urbanos oriundos de diferentes interpretações e vivências da cidade também entram em intersecção, produzindo assim, uma  intertextualidade.

 


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.  




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