Inicio > Mis eListas > humboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 13361 al 13380 
AsuntoAutor
1105/11 - La OTAN Noticias
1106/11 - EE.UU. - Noticias
1107/11 - Como nas Noticias
1108/11 - La retir Noticias
1109/11 - La Era K Noticias
1110/11 - INMIGRAC Noticias
1111/11 - A DESCON Noticias
1112/11 - Pasajero Noticias
1113/11 - PANORAMA Noticias
1114/11 - VIAJANDO Noticias
1115/11 - "El sist Noticias
1116/11 - Israel - Noticias
1117/11 - Brasil - Noticias
1118/11 - Pasajero Noticias
1119/11 - AS FEIRA Noticias
1120/11 - VIAJANDO Noticias
1121/11 - O poder Noticias
1122/11 - "1914: l Noticias
1123/11 - Ações ex Noticias
1124/11 - VIAJANDO Noticias
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
Noticias del Cehu
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 13658     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:NoticiasdelCeHu 1119/11 - AS FEIRAS AGROECOLÓGICAS: PERSPECTIVAS E DES AFIOS DA PRODUÇÃO CAMPONESA NO AGRESTE PARAIBANO
Fecha:Martes, 8 de Noviembre, 2011  09:01:52 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 1119/11
 

AS FEIRAS AGROECOLÓGICAS:

PERSPECTIVAS E DESAFIOS DA PRODUÇÃO CAMPONESA NO AGRESTE PARAIBANO

 

THE FAIRS AGROECOLOGY: 

PROSPECTS AND CHALLENGES INPEASANT PRODUCTION AGRESTE PARAIBANO

 

 

LAS FERIAS AGROECOLOGÍA:

PERSPECTIVAS Y RETOS  DE PRODUCCIÓN CAMPESINA EM AGRESTE PARAIBANO

 

Cleityane Sabino Freire[1]

RESUMO

O trabalho pretende analisar a produção camponesa e as feiras agroecológicas do Agreste Paraibano, tomando a geografia como instrumento analítico, dessa forma, a investigação parte de aspectos relativos à produção e comercialização, sendo uma região caracterizada pela força de uma policultura diversificada complementada pela criação extensiva de gado, pela presença das relações de trabalho pré-capitalistas. O objetivo é analisar estes mercados diferenciados da agricultura camponesa enquanto novas territorialidades e resistências. As feiras agroecológicas estudadas compreendem os  municípios de: Lagoa Seca, Alagoa Nova, Esperança, Remígio, Solânea, Campina Grande e Massaranduba.

 

Palavras -Chaves: Feiras agroecológicas, produção, comercialização

ABSTRACT


The work is to examine peasant production and the agro-ecological fairs Agreste, taking geography as an analytical tool, thus part of the research aspects of the production and marketing, being a region characterized by the strength of a diverse polyculture complemented by extensive cattle, the presence of labor relations pre-capitalist. The goal is to analyze these different markets of peasant agriculture as new territoriality and resistance. Fairs agroecological studied include the cities of: Laguna Seca, Alagoa Nova, Hope, Remigio, Solanea, Campina Grande and Massaranduba.

Key Words: Trade agroecological, production, marketing

 

RESUMEN


El trabajo es examinar la producción campesina y el Agreste ferias agroecológicas, teniendo la geografía como un instrumento de análisis, por tanto, parte de los aspectos de investigación de la producción y comercialización, al ser una región caracterizada por la fuerza de un policultivo diverso su amplio ganado, la presencia de las relaciones laborales pre capitalistas. El objetivoes analizar los diferentes mercados de la agricultura campesina como nueva territorialidad y la resistencia. Ferias agroecológicas estudiadas incluyen las ciudades de: Laguna Seca, Nueva Alagoa, Esperanza, Remigio, Solan, Campina Grande y Massaranduba.

Palabras clave: Comercio agroecológicas, producción, comercialización

 

Introdução

 

A sociedade brasileira apresenta fortes disparidades produtivas no tocante à produção agrícola. Destacam-se por um lado as atividades agrícolas voltadas para a exportação, e por outro a produção agrícola camponesa marcada pela pouca disponibilidade de terras, pela mão-de-obra não assalariada, pela subordinação ao modelo de desenvolvimento do capitalismo agrário brasileiro.

Segundo Oliveira (2007) outra característica das relações de produção no campo sob o modo capitalista de produção decorre do fato de que a força de trabalho familiar tem um papel muito significativo e vem aumentando numericamente de modo expressivo. No Brasil representa mais de 80% da força de trabalho empregada na agricultura, isto é, da produção baseada no trabalho familiar.

Na  região ocorreram vários ciclos econômicos como do fumo, do café, do sisal e também da cana-de-açúcar. Desde o início de povoamento da região, a agricultura familiar desempenhou um papel importante, pois esteve sempre voltada à produção de alimentos diversos (fruticultura, milho e feijão, mandioca, horticultura, criação animal, etc.) para atendimento às necessidades das populações locais. Ou seja, o Litoral se especializou na produção da cana de açúcar para o mercado externo, o Sertão na criação de gado e o Agreste/Borborema na produção de alimentos, portanto a agricultura familiar estava à margem do modelo de desenvolvimento nas duas primeiras regiões citadas.(SISTEMA DE INFORMACOES TERRITORIAIS, 2010)

Assim sendo, o território configurou-se como um espaço de policultivo familiar, dando vazão às necessidades tanto do Sertão, como do Litoral Também cumpria a função de ser a fuga das famílias, tanto do Sertão, em épocas de seca, como do Litoral, em épocas de crise das monoculturas. Fugindo de um lugar, como de outro, as famílias se fixavam no Agreste por ter melhores condições (recursos  naturais, terra, água, clima, etc) de passarem as crises.

As feiras agroecológicas no Agreste Paraibano são em sua maioria organizadas pelos próprios agricultores familiares, em parceria com os Sindicados dos Trabalhadores Rurais dos municípios estudados, exceto as feiras de Campina Grande, Esperança e Alagoa Nova que fazem parte do projeto Feiras agroecológicas da Paraíba[2] que teve inicio em  2002 quando foi iniciada a comercialização de produtos agrícolas agroecológicos.

Essa produção toma como princípios a preservação ambiental e o desenvolvimento local sustentável, além de procurar eliminar a figura do atravessador e estabelecer novas relações entre o campo e a cidade, entre produtor e consumidor.

A pesquisa cujo foco é dado a produção camponesa e a sua a capacidade de compatibilizar a produção para o consumo da própria família e também para o mercado, de gerar trabalho e renda, de assumir a proteção ambiental, de manutenção da diversidade cultural e da biodiversidade, além de ser caracterizada por fixar o homem no campo (STEDILE, 2005). Atribui-se como objetivo geral analisar as feiras agroecológicas enquanto formas alternativas de comercialização e resistência da agricultura camponesa, por tratar-se de uma região historicamente voltada para produção de alimentos, relatando, portanto quem são os sujeitos que (re) desenham essas territorialidades e seus desafios.

As diretrizes delimitadas como objetivos específicos da pesquisa partem, de analisar quem são os sujeitos, de onde vem, sua formação política/ideológica, os incentivadores/mediadores e, sobretudo a produção e a renda no que tange a viabilidade produtiva.

Na agroecologia, entender a construção de um conjunto de práticas produtivas e um conjunto de práticas de comercialização da produção, que se baseiam em princípios como a sustentabilidade ecológica, a produtividade, a equidade, a saúde ambiental, a justiça social, a viabilidade econômica, baseada na agricultura familiar e camponesa e na interação entre produtores e consumidores.

Entender, portanto, a construção dessas novas territorialidades pautadas na agroecologia, onde as feiras agroecológicas, seriam as expressões nítidas que o campesinato (re) cria formas de sua reprodução. O que Marx (1983) já sinalizava ao tratar a relação dos camponeses com a terra e com o artesanato rural lhes permitia um rol de possibilidades de transformação da natureza em produtos destinados, primeiramente, ao consumo da unidade familiar de produção.

Na hipótese da necessidade de algo mais que não podia ser produzido nessa unidade familiar, pela troca ou mesmo pela venda, os camponeses obtinham o bem desejado junto a outros camponeses ou mesmo nas vilas, que estipulavam um sistema de trocas nas feiras, mas que preservava nestas negociações o caráter social de trabalhar para sanar as necessidades de consumo e de vida.

 

A produção camponesa e a Agroecologia no Agreste da Paraiba

 

No Brasil quando se pensava em agricultura até meados da década de 1980, logo se vinha à mente a idéia de que esta atividade era realizada em grandes propriedades e sendo produzida em larga escala, para atender os mercados interno e externo, isto muito se deve a estrutura fundiário brasileira. As terras brasileiras foram apropriadas pelos colonizadores europeus, desde o século XVI, em uma base patriarcal, hereditária, foram tomadas e apossadas pelo sistema colonial europeu, que foi implantado no Brasil a partir da região Nordeste (MOREIRA e TARGINO, 1997).

A apropriação fundiária do Estado da Paraíba ainda é um dos principais problemas sociais, econômicos, culturais e políticos, enfrentado pela maioria dos paraibanos. É uma das marcas da exclusão social remanescente desse sistema. Existem milhares de trabalhadores rurais sem terra ao lado de milhares de pequenos proprietários com terra insuficiente para uma produção economicamente viável (MARIANO NETO, 2006). A partir da década de 1990 a agricultura camponesa começa a ganhar importância, visto que, a agricultura baseada no grande aporte tecnológico e no uso de grande extensão de terra ameaçava o emprego agrícola (SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL, 2006).

Neste período entra em cena, após quase duas décadas do início do processo “modernizante” na agricultura, a agroecologia, o campo se volta à articular-se numa perspectiva de construir e lutar por alternativas ao modelo de desenvolvimento rural hegemônico. No Brasil, a agroecologia como ciência começa a ser disseminada no início da década de 1970, fornecendo conceitos e métodos de suporte da ecologia, mais com uma nova abordagem, a sua aplicação na atividade agrícola. As discussões que permeiam a agroecologia, e as bases científicas que se dispõem a conceituar a ciência se revelam num leque múltiplo de teorias, e esse novo perfil surge a partir da década de 1960, numa crescente tomada de consciência crítica.

A modernização propugnada se exacerba e no cenário agrícola surgem novas tendências que vão (re) configurar as perversidades do modelo histórico de desenvolvimento, que exclui e marginaliza os recursos naturais e, sobretudo reflete na agricultura (CAPORAL E COSTABEBER, 2006).

Assim têm-se os sistemas agrícolas sob uma perspectiva oposta à adotada convencionalmente pelas ciências agrárias. Onde a agroecologia tem como traço característico á ênfase nas interações positivas que as diferentes espécies integrantes do sistema agrícola (cultivadas ou não) podem ser intencionalmente estimuladas a manter entre si. Geralmente a ciência é vista como uma abordagem agrícola que incorpora cuidados especiais relativos ao ambiente, assim como aos problemas sociais, enfocando não somente a produção, mas, também a sustentabilidade ecológica dos sistemas de produção (ALTIERI, 2002)

As experiências em agricultura agroecológica, nas perspectivas da agricultura camponesa, que estão sendo fomentadas no Agreste/Brejo da Serra da Borborema paraibana geram uma nova realidade socioeconômica e socioambiental. Isso levará o território rural da área a significativas transformações da paisagem e da realidade local (MARIANO NETO, 2006).

Esse arranjo territorial contempla cinco microrregiões geográficas que estão inseridas na Mesorregião do Agreste Paraibano que são: Microrregião do Curimataú Ocidental, Microrregião do Curimataú Oriental, Microrregião de Esperança, Microrregião Brejo Paraibano e da Microrregião de Campina Grande.

As abordagens territoriais com ênfase nas feiras agroecológicas, compreende  sete municípios: Alagoa Nova (Microrregião do Brejo Paraibano), Campina Grande (Microrregião de Campina Grande), Esperança (Microrregião de Esperança), Lagoa Seca (Microrregião de Campina Grande), Massaranduba (Microrregião de Campina Grande), Remígio (Microrregião de Curimataú Ocidental), e Solânea (Microrregião do Curimataú Oriental) ver mapa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Mesorregião do Agreste Paraibano limita-se ao Norte com o Rio Grande do Norte, ao Sul com o Pernambuco, a leste com a Mesorregião da Mata Paraibana e a Oeste com a Mesorregião da Borborema. Abrange uma área de 13.078,30 km2, correspondendo a 23,1% do Território do estado da Paraíba (GOVERNO DA PARAIBA, 2003).  Apresentam condições climáticas típicas de zona de transição, sendo segundo Koppen, do tipo AS’ quente e úmido com chuvas de outono/inverno, o município que mais chove é Alagoa Nova com médias anuais de 1.285 mm já os municípios do Curimataú como: Solânea e Remígio as chuvas são bem mais escassas (SECRETARIA DO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL, 2006).

Foram  identificados cinco canais e seis subsistemas de comercialização para os produtos advindos da agricultura familiar onde os últimos são: Empresas Paraibanas de Abastecimento e Serviços Agrícolas (EMPASA), atravessadores, feiras livres, venda direta, compras governamentais e as feiras agroecológicas. No subsistema compra governamental se destaca o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).  O programa adquire alimentos, com dispensa de licitação, de agricultores familiares os destinam as pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricionais atendidas por programas sociais locais.

As feiras livres são alternativas de fortalecimento da agricultura familiar, com a venda direta os agricultores podem agregar valor aos seus produtos e obter preços melhores e assim aumentar suas rendas (TEDESCO, 1999). E as feiras agroecológicas são os mercados diferenciados, que seguem um padrão instituído pelos atores sociais envolvidos. Só aqueles agricultores que foram influenciados pelos enfoques agroecológicos e que seguem explicitamente as regras estabelecidas pelos grupos podem entrar e desfrutar desse território das feiras (MARIANO NETO, 2006). Segundo Barreiro (2008), as feiras agroecológicas se apresentam como uma estratégia de fortalecer a comercialização agroecológica local e regional, socializando as atividades agroecológicas desenvolvidas  na localidade, fazendo com que o público rural e urbano conheça os desafios e vantagens da proposta agroecológica.

 

Os caminhos da pesquisa: Entrando nas feiras

O viés metodológico se estruturou em etapas, elegendo os sujeitos e as áreas de estudo, dessa forma foram  pensadas as estratégias de abordagens e métodos de pesquisa que nesse sentido é entendido como o conjunto de técnicas mobilizadas com o propósito de viabilizar a apreensão cientifica da realidade.

Nessa fase de “entender os sujeitos” as visitas, os diálogos foram  as chaves para se pensar os pontos de partida da pesquisa, dessa forma, elaborou-se questionários a serem aplicados com os agricultores e partindo da observação empírica tentou-se compreender essas relações estabelecidas nas feiras agroecológicas,  as formas de resistências e os desafios impostos a realidade.

Com os questionários estruturados, fonte secundaria da pesquisa e/ou bases para os trabalhos de interpretação cientifica dos dados, elaborou-se os gráficos. Os questionários foram  lançados aos agricultores  com o objetivo de levantar informação relativas a produção, comercialização, dificuldades para participação na feira, renda per capita entre outros desafios por eles enfrentados no tocante a produção e equidade alimentar de forma a fazer uma caracterização mais geral dos pontos comuns estabelecidos.

O cabedal dessas informações fruto dessas investigações minunciou a analise geográfica das feiras agroecológicas. Dessa forma, atribui-se as visitas as feiras agroecológicas, o campo de reflexão. Em uma ordem  sistematizada fiz-se os trabalhos de campo que iniciaram  na feira de Campina Grande que fica localizada no centro da cidade, na estação velha, Rua Benjamim Constatino (ver imagem 01), a segunda visita foi à feira agroecológicas de Remígio que fica localizada na Avenida Prefeito Joaquim Cavalcante de Morais.

A  feira agroecológica da cidade de Solânea - PB, situada no centro da cidade na Rua Getúlio Vargas, acontece no interior das instalações da Organização Não Governamental de Integração da Família (ONGIFA). A Feira agroecológica de Esperança  acontece junto a feira livre local que fica localizada  na rua lateral do estádio do América Futebol Clube, centro da cidade.

A feira agroecológica em Massaranduba ocorre de fronte ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), no centro da cidade na rua lateral da prefeitura municipal. A feira agroecológica de Alagoa Nova se realiza aos sábados no centro da cidade junto à feira livre do município ao lado da Prefeitura municipal.  A feira agroecológica do município de Lagoa Seca- PB, que se localiza no centro da cidade na Rua da Lotérica Bom Jesus.

 

Entendendo os resultados: Traçando as perspectivas e os desafios

 

Com o levantamento dos dados, observou-se a expressiva participação dos homens no processo de comercialização nas feiras, onde estes representam 73% e a participação das mulheres 27% do total de entrevistados. Quanto à origem dos estabelecimentos rurais dos produtores agroecológicas 77% são provenientes de comunidades rurais, 20% de assentamento rural e 3% de outra origem (ver gráfico 01). Dos 20% dos estabelecimentos provenientes de assentamentos rurais, 66% são de produtores da feira do município de Remígio e os outros 34% restante se distribuem em 17% para produtores da feira de Solânea e 17% para à de Massaranduba.

A Paraíba foi o segundo Estado brasileiro em número de desapropriações para fins de Reforma Agrária no ano de 1996 (BAMAT, 1998), mesmo na década passada o Estado vinha sendo um dos que mais assentou agricultores sendo que estes têm participação reduzida nas feiras do Território da Borborema, fato que não ocorre no litoral onde, Santos (2007) relata que a feira agroecológica da UFPB/CAMPUS I, é constituída somente de assentados da reforma agrária.

 Gráfico 01 – Origem dos Agricultores Familiares – Localidades

 

 

 

 

 

Fonte: Cleityane S. Freire (2011)

 

Os resultados quanto à participação dos feirantes em oficinas ou cursos de formação, 67% já participaram e 33% ainda se encontram ausentes nesses espaços de formação, este dado reflete a participação dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e as ONG’S estarem diretamente ligados a luta de inserção das feiras agroecológicas pela região. O que demonstrou que entre os produtores de afirmativa positiva referente a participação em cursos e/ou oficinas de formação indagou-se sobre quem os ministrou, e se esses cursos eram realmente o que eles precisavam.

Observou-se que as Organizações Não Governamentais ministraram sozinhas 50% das oficinas/cursos em parceria com outras organizações como os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STRs) e Associações, fazem parte de 80% das oficinas/cursos realizados para os produtores das feiras pesquisadas, em seguida tem os STRs com participação em 15% e a EMATER com 5%.

Mariano Neto (2006) destacou que a ação dos mediadores (Pólo Sindical da Borborema, da AS-PTA, ASA, PATAC, CIRAD, CARITAS, UFCG, UTOPIA, MPA, MST, CPT, MAE) na constituição de um território de enfoques agroecológicos é central, desdobrando-se para a construção, entre os agricultores familiares envolvidos nos projetos propostos pelos mediadores, de novas identidades sociais e culturais assumidas em suas práticas cotidianas. Fica evidente a importância das ONGs e outros movimentos sociais na formação agroecológica.

As feiras sejam elas livres ou agroecológicas são espaços de comercialização, socialização entre consumidores e feirantes. Nestes espaços há o contato direto entre os produtores de diferentes localidades, dessa forma, 53% qualificam a união do grupo dos produtores das feiras como ótimo e  47% o relacionamento com os companheiro é bom. Considerando a realização de várias atividades conjuntas entre os participantes da feira e tentando saber o que leva este grupo a ser  tão unido perguntou-se aos seus integrantes qual a atividade que mais os une. Os entrevistados responderam em 63% que a atividade que os une é a própria feira e 37% são as assembléias realizadas mensalmente para discutir e avaliar o funcionamento das feiras (ver gráfico 02

 

Gráfico 02 – Atividade fortalecedora das relações sociais

 

 

 

 

Fonte: Cleityane S. Freire, (2011)

 

Analisando quando a produção tem-se que a distribuição dos produtos hortifrutis pode ser realizada diretamente ao consumidor - através da compra direta no pólo agrícola, por meio de feiras de produtores, quitandas/sacolões ou supermercados e por agentes facilitadores da comercialização - intermediários atacadistas e/ou varejistas, chamados vulgarmente de atravessadores ou empresários.

A agricultura camponesa seja convencional ou ecológica tem como particularidade a produção para o consumo próprio vendendo apenas o excedente, partindo desse pressuposto, nosso trabalho levantou quais os meios de comercialização dos produtores agroecológicos, além das feiras agroecológicas e obtive-se que 45% comercializam apenas nas feiras agroecológicas; 30% Feiras agroecológicas e Feiras livres; 10% em Feiras agroecológicas + outros; 3% Feiras agroecológicas + Feiras livres + EMPASA; 3% Feiras agroecológicas + Supermercados; 3% Feiras agroecológicas + Feiras livres + Outros; 3% Feiras agroecológicas + Atravessador e por fim 3% Feiras agroecológicas + Feiras livres + Atravessador + Porta em porta + Outros (ver gráfico 03).

Para 45% dos produtores as feiras agroecológicas é o único meio de comercialização. Segundo GAMARRA-ROJAS et al (2006) afirmam que as feiras agroecológicas, para muitas famílias, é a principal fonte de renda na semana, permitindo o agricultor comprar o que ele não produz e que é de necessidade, além de investir na sua propriedade. De acordo com 9% dos produtores que utilizam outros meios de comercialização, afirmaram que esse outro, é o Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal[3].

 

Gráfico 03 – Comercialização

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Josivaldo da Silva, 2009

Nota-se uma grande diversificação de produtos nas feiras agroecológicas, onde listou-se mais de 40 tipos, entre frutas, legumes, verduras, plantas medicinais, produtos de origem animal, artesanato e comidas típicas. Segundo os produtores, os produtos mais procurados pelos consumidores, são as frutas da época, batata doce, feijão verde, macaxeira, alface, coentro, banana (fruta presente durante o ano todo), ovos, tomate, cenoura, galinha e pepino.

Outra importante informação refere-se a renda bruta (RB) média por feira, onde 40% dos feirantes apresenta uma renda bruta entre R$ 101 a R$ 150. Para 30% dos produtores a renda se encontra até R$ 100, em seguida temos que 20% e 10% possuem um apurado por feira de R$ 151 a R$ 200 e R$ 201 a R$ 300, respectivamente (ver gráfico 04). Como as feiras ocorrem semanalmente e considerando que o mês seja composto de 4 semanas pode-se obter a informação da renda bruta mensal, onde tem-se a maioria de 40% dos produtores apresentando uma RB variando de R$ 404,00 a R$ 800,00 e a minoria de 10% com RB mensal entre R$ 804,00 a R$ 1200,00 reais.

 

Gráfico 04 – Renda média

 

 

 

 

 

Fonte: Josivaldo da silva, 2009

No Nordeste as feiras livres dos camponeses, sejam elas de produtores convencional ou em sistema agroecológico tem grande importância no tocante a oferta de alimentos a população e como fonte de rendas para os produtores/feirantes.Teve-se que a produção descontínua representa  47% da opinião dos produtores sendo a maior dificuldade, seguida do transporte com 33% e estradas/acesso a propriedade e a distância com 17% e 3% respectivamente.

Um fator importante que deve ser ressaltado na comercialização dos produtos agroecológicos no Agreste da Borborema é o fato dos produtores colocarem em prática a chamada ‘certificação coletiva ou participativa’. Onde esta consiste em um trabalho conjunto dos agricultores com o sindicato local, apoiados pela entidade ASPTA, que organiza visitas dos consumidores aos sítios e roçados, proporcionando maior contato com o ambiente de produção. Para o produtor é oportuno que o consumidor saiba, tanto quanto ele, da qualidade e segurança do produto que está adquirindo (CARVALHO e MALAGODI, 2007). Prática esta que proporciona ao consumidor entender todo o processo de produção dos alimentos consumidos por eles, fato este que promovem base a este para classificarem os alimentos agroecológicos quanto a sua qualidade.

Dessa forma, e segundo os dados obtidos, pode-se inferir que as feiras agroecologicas no Agreste, são novas territorialidades da produção camponesa, e nessa perspectiva, é oportuno refletir segundo Claude Raffestin (1993) onde o homem vive relações sociais, constroem  territórios, interações e relações de poder, diferentes atividades cotidianas que se revelam na construção de malhas, nós e redes, construindo um território. Esses territórios que constroem territorialidades, o que para Saquet (2010) é multidimensional e inerente a vida em sociedade.

Dessa forma, o caráter relacional, onde as relações de poder, redes, e dominação dos recursos naturais indicam relações entre os sujeitos analisados e entre o lugar de vida. Assim, pensar as feiras agroecológicas enquanto produto da coletividade na qual os sujeitos mantêm relações entre si. 

Pode-se diagnosticar que a produção camponesa na região constroem  novas territorialidades, ao entende-las como resistências camponesas em seu caráter ideológico –cultural, ao passo que,quando estes camponeses tomam  para si a proposta de produzir ecologicamente correto, buscam na agroecologia suas bases cientificas para a transição, e a partir disso  tentam tornar rentável sua produção e fonte de sobrevivência diante do mercado.

O camponês tem provado ser extremamente resilientes e criativos em situação de crise e não há uma forma simplista para como descrever isso (SHANIN, 2008) as feiras agroecológicas no Agreste paraibano pode ser entendida como novos arranjos territoriais, ou seja, novas territorialidades são construídas, como valorização das condições e recursos potenciais no processo de desenvolvimento, sendo uma territorialidade ativa, segundo Damatteis (1999) que se produz através da organização política e do planejamento.

Dessa maneira a abordagem da pesquisa  visa entender os sujeitos, pautadas nos desafios da transição agroecológica enquanto construção dessas territorialidades,  esta que é um fenômeno social, que envolve indivíduos que fazem parte de grupos que interagem entre si, mediados pelo território, mediações que mudam no tempo e no espaço (SAQUET, 2010).

 

 

Referencias Bibliográficas

 

ALTIERI, Miguel. Agroecologia Bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba/RS: Editora Agropecuária, 2002.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: enfoque científico e estratégico. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável , v.3, n.2, abr./mai. 2002.

CARVALHO, Cynthia e MALAGODI, Edgard. Campesinato Agroecologia E Desenvolvimento Territorial: Um Novo Modo De Acessar Políticas Públicas, XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA (Artigo cientifico), Recife, maio/junho de 2007 de 2009.

DEMATTIES, Guiseppe. Geografia Democrática, território e Desenvolvimento local. Formação, n. 12, v.2..1999

GAMARRA-ROJAS, C.; et al. Produção agroecológica e acesso a mercados locais. Recife: Diaconia, 2006. 56p.

GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA. Feiras Agroecológicas na Borborema.(2009)

GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA. Secretaria de Educação. Universidade Federal da Paraíba. Atlas Escolar Geográfico da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 2003.

MOREIRA, Emília de Rodat Fernandes e TARGINO, Ivan. Capítulos de Geografia Agrária da Paraíba, João Pessoa: UFPB. Editora Universitária: 1997.

PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS (s.n.t)

RAFFESTIN,Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: ática,1993

SAQUET, Marcos Aurélio. Abordagens e concepções de Território. São Paulo: Expressao Popular. 2 ed. 2010.

SHANIN,Theodor. Lições  camponesas. In: PAULINO,Eliane Tomiasi, FABRINI, João Edmilson,(org.)São Paulo: Expressão Popular. UNESP. Programa de pós-graduação em Geografia. 2008.

 



[1] Mestranda em Geografia PPGG/UFGD. 

[2] Projeto “Feira Agroecológica Paraibana” tem ganhado expressividade na Paraíba, e, conta atualmente com 22 feiras realizadas numa escala geográfica que se estende da Mesorregião da Zona da Mata Paraibana até o Alto Sertão. Para desenvolver-se o projeto contou com a interação e cooperação de diferentes instituições, ambas com o intuito de promover a melhoria de produtividade, da qualificação dos produtos cultivados e comercializados, e de sua certificação social. Desse modo evidencia-se como apoio inicial a Cáritas Arquidiocesana da Paraíba, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Deputado Estadual Frei Anastácio como genitoras do processo (RODRIGUES,2009)

[3] Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal que é uma ação que, “busca garantir o acesso aos alimentos em quantidade, qualidade e regularidade necessárias às populações em situação de insegurança alimentar e nutricional e promover a inclusão social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.” (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2007).


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.  






BeRuby te regala un euro!
- SOLO PARA ESPAÑA - En BeRuby puedes ganar dinero haciendo lo que ya haces en la red
beruby