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Asunto:NoticiasdelCeHu 1113/11 - PANORAMA-SP NO PROCESSO DE TURISTIFICAÇÃO E NOVAS TERRITORIALIDADES
Fecha:Domingo, 6 de Noviembre, 2011  11:24:18 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 1113/11
 

PANORAMA-SP NO PROCESSO DE TURISTIFICAÇÃO E NOVAS TERRITORIALIDADES

 

 

Willian Ribeiro da Silva[1]

Tito Carlos Machado de Oliveira[2]

 

 

Resumo

 

Na atualidade a atividade turística esta se tornado um dos principais motores da econômica mundial e esta em plena expansão, conseqüentemente apropriando se e consumindo espaços e paisagens, criando novas territorialidades. Neste sentido o foco central deste artigo, é analisar a territorialidade e as multerritorialidades do turismo em Panorama-SP, município que passou por grandes transformações que foram motivadas pela formação de um lago artificial decorrente da construção da Usina Hidrelétrica Sergio Motta. Diversos fatores apontam que a atividade turística implantada em Panorama-SP mostra-se de modo perverso e contraditório, tanto em âmbito econômico, quanto em âmbito social. Com base em trabalho de campo e pesquisa bibliográfica temos a oportunidade de compreender as novas dinâmicas territoriais que se instalaram neste município, e a possibilidade de analisar as políticas mitigadoras que foram realizadas pela CESP e suas relações com o turismo e suas “marcas” territoriais.

 

 

Abstract

 

In the present the activity tourist is coming one of the most important by worldwide economics, consequently the activity tourist appropriate and consume spaces and landscapes, creating new territorialities. The principal theme of this article is the territoriality and the multi territoriality of the tourism in Panorama –SP, this municipality changes a lot because the formation of the artificial lake of the Power plant Engineer Sergio Motta. The activity tourist in Panorama – SP is perverse and contradictory. After the world camp and bibliographic ask, we have the opportunity of understand the new territorialities, and the mitigate political making for the CESP and the relations between the tourism and the new territorialities.      

 

Resumen           

 

En la actualidad la actividad turística que esto se convierta en el motor principal del mundial de áreas económicas en expansión y en consecuencia esta apropiación y consumo y los paisajes, la creación de nueva territorialidad. En este sentido, el enfoque de este trabajo es analizar la territorialidad y el turismo multerritorialidades en Panorama-SP, una ciudad que ha sufrido grandes cambios que fueron motivados por la formación de un lago artificial debido a la construcción de la hidroeléctrica Sergio Motta. Varios factores sugieren que el turismo implantado en Panorama-SP parece ser tan perverso y contradictorio, tanto en el ámbito económico, como en el ámbito social. Basado en el trabajo de campo y la literatura tienen la oportunidad de comprender las nuevas dinámicas territoriales que se han asentado en este municipio, y la oportunidad de considerar las políticas de mitigación que se realizaron por CESP y su relación con el turismo y sus "marcas" territorial

 

 

O turismo e suas características na atualidade – uma introdução

 

O turismo na atualidade é considerado uma das molas propulsoras da economia, com grande capacidade de gerar divisas. Sendo esta atividade recente no Brasil, pois apenas na década de setenta passa a ser considerado um grande potencial econômico, e a chamar atenção de grupos investidores, mas tendo como ápice a década de noventa quando começa uma massificação da atividade turística, criando a oportunidade de exploração potencial dos espaços, transformando estes em mercadoria.  Coriolano, 2003 aborda que:

 

O capital ao transformar o espaço em mercadoria, faz surgir novas atividades econômicas, como o ramo econômico das atividades do lazer e do turismo e do lazer. O turismo provoca profunda mudança sócio-espacial, redefine as singularidades espaciais além de reorientar os usos. (CORIOLANO, 2003, Pg. 32).

                         

A massificação turística esta relacionada com a nova fase em que a sociedade esta vivenciando, no qual autores o denominam de pós-moderna ou pós-industrial, que são condicionadas a estilos de “vidas” que estão baseados no consumo imposto pelo capitalismo. Neste sentido, o turismo passa a fazer parte destes estilos de “vidas”, no qual as agencias vendem a “paz e a tranqüilidade” que não fazem parte do cotidiano do turista, neste momento visualizamos com clareza o papel fundamental dos planejadores e investidores deste setor, em transformar ou idealizar espaços que tragam conforto, diversão e paz, satisfazendo o que o turista cria em seu imaginário em relação a este momento esperado, que é vivenciar outros territórios que não faz parte de seu dia a dia. Mas o turismo de massa mencionado ou conceituado não se refere à sociedade que esta nas bordas do sistema capitalista, mas sim aqueles que apresentam melhores posições no sistema, possibilitando o consumo de espaços e imaginários criados pelo turismo. . Na definição de Andrade, turismo de massa:

...se efetua através dos representantes das classes mdias assalariadas e de empresários de médio e pequeno portes, com os frutos de seus salários ou rendimentos de seu limitado capital. (ANDRADE,p.56)

           

Muitos dos atrativos turísticos estão relacionados com a mídia, pois nesta fase de grande circulação de informações, este mecanismo possibilita a criação ou imaginar atrativos turísticos, através de propagandas e slogans que remete a população ao consumo, principalmente destes espaços idealizados e consumidos pela elite. Neste sentido Yázigi (2000) menciona que o devaneio, a fantasia ou a imaginação seriam a essência da condição humana e fazem parte da excitação turística e é sabiamente manipulada por seus agentes.

Dentre as características turísticas esta à utilização de espaços públicos pela economia turística, espaços que via de regra seria ou pertenceria a todos, mas que muitas vezes, poucos têm acesso, mostrando o lado negativo do turismo, no qual o dinheiro fala mais alto, excluindo a população local das decisões e planejamento desta atividade em detrimento do capital. Nesta linha, Cruz, 2002, preconiza que:

 

O modo como se dá a apropriação de uma determinada parte do espaço geográfico pelo turismo depende da política pública de turismo que se leva a cabo no lugar. À política pública de turismo cabe o estabelecimento de metas e diretrizes que orientem o desenvolvimento socioespacial da atividade, tanto no que tange à esfera pública como no que se refere á iniciativa privada. Na ausência da política pública, o turismo se dá à revelia, ou seja, ao sabor de iniciativas e interesses particulares. (CRUZ, 2002,p.09).

 

Estes são alguns dos principais elementos que estão relacionados ao turismo e suas contradições e mistificações, sobre esta atividade que vem sendo valorizada no mundo pós-moderno, que cria contrastes no território, consumindo e se apropriando de espaços, transformando estes em mercadoria, neste sentido Panorama-SP apresenta tais características, proporcionado novas territorialidades, que lhe confere novas dinâmicas e qualificação territorial.

 

Caracterização do ambiente de estudo e o turismo

O município de Panorama (Figura 1) localiza-se no extremo oeste do Estado de São Paulo, na divisa com Mato Grosso do Sul, na latitude 21º21’23” sul, e na longitude 51º51'35" oeste, e pertence a 10ª Região Administrativa do Estado, que tem como cidade sede Presidente Prudente. Atualmente, o município conta com uma população de 13.944 habitantes segundo IBGE (2007).

Panorama-SP faz fronteira com o Estado do Mato Grosso do Sul, e esta relação sempre esteve presente em seu desenvolvimento, com a ligação através do rio Paraná e da balsa, que era utilizada para o escoamento da produção e a locomoção da população entre os estados.

 

mapa1

Figura 1- Localização do município de Panorama-SP. Org: Tiago Rodrigues, 2009

Panorama tem relação intrínseca com o meio ambiente, por estar inserida na estrutura da paisagem do rio Paraná, desde a fundação do município este ambiente impulsionou a economia local. Dentre as atividades econômicas do município que foram marcadas pela presença do rio, pode-se mencionar a instalação de olarias, pecuária e a pesca, recentemente Panorama vem se destacando na prática do turismo e tem como principal atrativo a paisagem do Rio Paraná. Outros atrativos turísticos do município são a pesca esportiva e eventos que são realizados anualmente como o Pan Verão, carnaval e a travessia do Rio Paraná.

Para que Panorama se tornasse um atrativo para a prática do turismo, houve investimentos dos setores privado e público, principalmente na infra-estrutura e equipamentos relacionados ao turismo, dando novas características a economia do município e (re) configurando o território.

Atualmente o turismo destaca-se pelo seu potencial socioeconômico e por sua capacidade de produzir e transformar os espaços, tornando-os mercadoria, sendo a nova engrenagem de acumulação do capital. A atividade turística se caracteriza pela sua dinâmica em absorver investimentos, tanto da esfera pública quanto da iniciativa privada, capaz de produzir novas configurações atingindo o espaço e a sociedade.

 

Nenhuma outra atividade consome elementarmente, espaço, como faz o turismo e esse é um fator importante da diferenciação entre o turismo e outras atividades produtivas. È pelo processo de consumo dos espaços pelo turismo que se gestam os territórios turísticos. (CRUZ, 2000, p.17).

 

 Atualmente, devido ao destaque da atividade turística em Panorama, o município vem passando por várias transformações que atinge seu processo produtivo resultando em uma produção e (re) produção do território.

A economia de Panorama esteve por muito tempo atrelada à pecuária e à produção de tijolos e telhas. Nos anos 1980, as atividades ceramistas se expandiram consideravelmente no município, devido à grande quantidade de argila existente as margens do rio Paraná; essa era a atividade que mais empregava a população local. Na atualidade o setor cerâmico vem perdendo importância econômica, em contrapartida, o turismo se destaca como possibilidade de desenvolvimento econômico e social do município.

Para o desenvolvimento da atividade turística, o município necessita de atrativos como, infra-estrutura e equipamentos turísticos, na definição de Boullón (2002, p.54) “O equipamento inclui todos os estabelecimentos administrados pelo poder público ou pela iniciativa privada que se dedicam a prestar serviços básicos”. Neste ponto de vista, a atividade turística dever ser planejada, e contar com políticas que controle e direcione esta atividade, proporcionando o desenvolvimento local, e a participação de toda a sociedade neste processo.

Entre as modificações que poderá produzir novas características ao território e para o turismo em Panorama, está a da construção de uma ponte, que se localiza em Paulicéia-SP a 2 km de Panorama, a qual fará ligação entre os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, proporcionando um aumento do fluxo nesta região, incorporando novas dinâmicas entre os estados, sendo a ponte também um atrativo ao turismo.

Para a compreensão das transformações do território pelo turismo, será necessário analisar a influencia dos investimentos e ações dos setores público e privado. Dentre os investimentos realizados pelo setor público, estão às obras em infra-estruturas, fundamentais para estabelecer a atividade turística no município, obras que foram realizadas pela Companhia Energética de São Paulo (CESP), como medidas compensatórias e mitigatórias pelos impactos causados na construção da usina hidrelétrica Sergio Motta e formação do logo artificial.

 

 

 

 

 

 

A Implantação da  UHE. Eng. Sérgio Motta e seus desdobramentos no local.

 

Panorama passou por varias transformações ao longo do tempo, que possibilitou novas territorialidades a cada fase de sua historia. Mas o marco que registra uma das suas principais transformação, esta alicerçada na construção da usina hidrelétrica Sergio Motta e o enchimento do lago artificial no rio Paraná, sendo estes grandes modificadores da paisagem e a formação de um novo território. 

Entre as mudanças podemos citar o setor econômico, sendo que Panorama tinha o setor cerâmico como sua principal atividade, sendo esta substituída pelo turismo. Com a formação do lago artificial no rio Paraná, várias jazidas de argila ficaram submersa, atingindo o setor, que depende desta matéria prima, inviabilizando esta atividade. Em decorrência do declínio do setor ceramista, a CESP através de suas obras mitigatórias, criou condições para estabelecer novas atividades, que proporcionou novas dinâmicas, como enfatizado nesta pesquisa o turismo.  O turismo em Panorama tem como seu principal produto o rio Paraná, que através da balneabilidade atrai turistas de toda a região do oeste paulista e do estado do Mato Grosso do Sul, tornando esta atividade um dos principais motores da economia do município.

Através das obras compensatórias realizadas pela CESP, estas proporcionaram a implantação da atividade turística diretamente ou indiretamente, como Balneário municipal, asfaltamento de vias, melhoria no hospital, construção de uma marina, entre outras obras realizadas na zona rural, como pontes, etc.

O turismo proporcionou uma (re) organização territorial em Panorama, a parir das obras mitigatórias realizadas, no âmbito do trabalho, os pescadores ganharam uma nova função, como de guia de pesca, que trabalham como diaristas ou estão agregados a uma pousada, que proporciona serviços ligados à pesca e ao setor náutico, aos turistas. Esta reestruturação do trabalho perfaz em outros âmbitos do comercio, através de lojas especializadas em artigos de pesca, camping, iscas, entre outros, que configuram o turismo de Panorama.

 

 

O turismo e as possibilidades de desenvolvimento local

 

O turismo tornou-se um setor de grande magnitude, atualmente se destaca como um das principais atividades econômicas. Mas esta atividade não vem chamando atenção apenas pelo seu potencial econômico, mas também por sua capacidade transformar espaços, criar novas dinâmicas, entre outras funções que chamam a atenção dos pesquisadores de diversas áreas, pois esta passa desde estudos econômicos até a sustentabilidade. Nestes aspectos Caracristi 1998 ressalva que:

 

“... principalmente nas ultimas décadas, vem influenciando de maneira decisiva o espaço em que vivemos produzindo transformações econômicas, sociais e ambientais significativas: Atualmente a indústria turística é a atividade que mais cresce no contexto econômico mundial”. (Caracristi, Pg.407, 1998)

 

Como visto o turismo surge como uma das principais engrenagens de acumulação do capitalismo, inserindo no espaço novas estratégias que são comandadas por diversos setores da sociedade, neste sentido Coriolano 2003, enfatiza:

 

“O turismo é uma das mais novas modalidades do processo de acumulação, que vem produzindo novas configurações geográficas e materializando o espaço de forma contraditória, pela ação do Estado, das empresas, dos residentes, e dos turistas. (CORIOLANO, 2003, Pg. 42)”.

           

Nas perspectivas apresentadas, o turismo tem como sua principal mercadoria o espaço, sendo assim se apropria da paisagem, tornando esta comercializável ou economicamente viável para a sua exploração. Sendo assim o turismo tem grande capacidade de transformar o espaço, e os agentes que estão inseridos neste, como a população, o comercio, entre outros.

O turismo deve ser pensado em duas direções, uma pela possibilidade de levar desenvolvimento a população local, e a outra pela ótica de oferecer ótimos serviços aos turistas e manter a atividade ativa de modo sustentável. Para muitos municípios brasileiros o turismo é a única fonte de renda, principalmente as pequenas cidades que não estão inseridas no contexto da industrialização ou não se especializaram, e contam com atrativo turístico, seja ele cultural natural, tornando a única fonte de renda da população.

 

“Os vários tipos de turismo praticados no mundo todo tornam essa atividade uma grande opção de desenvolvimento. É preciso que cada local defina em que tipo ou tipos de turismo suas características se enquadram, de acordo com o potencial da região. Essa definição é importante não só para passar para os visitantes a informação sobre os tipos de turismo que a localidade oferece, como também para orientar os que querem investir no setor”. (VELOSO, Pg.13,2003)

 

Para a realização da atividade turística, precisa-se de levar em consideração vários pressupostos, para que a atividade leve desenvolvimento ao local, e que a pratica deste seja de modo sustentável. Para que o turismo leve desenvolvimento e seja duradouro deve-se fazer um planejamento adequado, capacitação para recepcionar o turista de acordo com o turismo praticado, infra-estrutura adequada, entre outros elementos que se faz importante para o desenvolvimento da atividade.

 

“... O planejamento turístico é o processo que tem como finalidade ordenar as ações humanas sobre uma localidade turística, bem como direcionar a construção de equipamentos e facilidades, de forma adequada, evitando efeitos negativos nos recursos que possam destruir ou afetar sua atratividade”. (TRIGO, Pg.67,2001)

 

Nos elementos apresentados anteriormente Panorama-SP, encontra-se em fase de consolidação, pois o turismo em Panorama surgiu de modo espontâneo, sem um planejamento adequado, pois o processo de turistificação aconteceu de modo gradual. A maioria das estruturas turísticas do município foi adquirida após a implantação da usina hidrelétrica Sergio Motta.

Nestes aspectos a vários elementos que devem ser desenvolvido em Panorama para se realizar um turismo de fato. Como exemplo a preparação das atividades para recepcionar os turistas de acordo com o tipo de turismo que o município busca. Neste sentido Cobra menciona:

 

“A compreensão da demanda de serviços de turismo pressupõe uma escala de tipos, que vai desde a procedência do turismo, o motivo de viajem, o meio de transporte utilizado, as características geográficas do destino, o ciclo de vida do destino (esta em crescimento, maturidade ou declínio) a duração das férias, perfil do grupo de turista, o tipo de alojamento buscado, o padrão de gastos efetuados, até quem organizou a viagem.” (COBRA, Pg.69)

 

Como menciona Cobra, os dirigentes devem estar atentos aos mínimos detalhes, para se obter um turismo profissional, no qual levara o desenvolvimento ao município de forma sustentável e duradouro. Neste aspecto Panorama começa a caminhar, pois já conta com uma diretoria designada a atividade turística do município, cooperativa e associação direcionada aos assuntos referentes à atividade, que aos pouco vão criando base para se desenvolver um turismo “profissional”.

No que se refere a desenvolvimento sustentável, enfatizando o ambiente, Panorama passou por vários impactos de ordem ambiental decorrentes da formação do lago artificial no rio Paraná, que proporcionou novas configurações a paisagem, que de forma contraditória criou-se nova uma nova territorialidade voltada ao turismo possibilitando uma (re) estruturação econômica no município. Pois através dos impactos vieram diversas obras de infra-estrutura, como medida compensatória, que dinamizou o espaço, alem de formar uma bela paisagem, e a adaptação de novas espécies de peixes, que são propícios para a pesca esportiva, sendo este um dos atrativos do turismo de Panorama. Neste pensamento Veloso, 2003, menciona que:

 

“O ponto inicial passa pelo meio ambiente, onde se deve estabelecer e fazer cumprir uma legislação forte, fundamental para o desenvolvimento e a manutenção das atividades turísticas. Não se pode em nenhum momento, seja que tipo, modalidade, segmentação ou forma de turismo se desenvolva deixar de ter a preservação e a conservação do meio ambiente como parte principal para o desenvolvimento do turismo”. (VELOSO, Pg.84,2003)

 

O aspecto ambiental é de grande apelo para o turismo, pois a maioria dos atrativos estão relacionados à paisagem natural, sendo assim mostra-se importante a conservação e a conscientização, de todo segmento da sociedade. Na atividade turística praticada deve esta incorporada à preocupação ambiental, intensificando a educação ambiental enfatizando o turismo, sendo que muitos município esta atividade se apresenta com a única fonte de renda, assim se faz necessário à preservação. Neste sentido a capacitação de todos os segmentos que compõem o turismo, tendo a preocupação de formar profissionais conscientes.

 

“A capacitação, como já mencionada anteriormente, pode ser através de programas oficiais, tais como o Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT), desenvolvido pela Embratur, bem como através de entidades de ensino profissionalizantes ou técnicas, tais como universidades, faculdades, SEBRAE, entre outros de reconhecimento público.” (VELOSO, Pg.89, 2003).

 

Considerando todas as ressalvas expostas aqui, mostra-se a importância dos agentes públicos na fiscalização para que atividade turística seja feita de forma sustentável, de maneira planejada para se obter desenvolvimento sem prejudicar o meio ambiente. O papel de planejamento e de fiscalização deve ser acompanhado por toda a sociedade, tendo consciência de preservação do meio ambiente, sendo este o motor da atividade, que garante a sobrevivência e a manutenção do município.

 

Novas dinâmicas territoriais

 

O território turístico em Panorama ao longo do tempo vem adquirindo novas dinâmicas, sendo estas fixadas através de construções e de idealização de novas formas espaciais, que podem ser representadas pela ponte Mario Covas e os loteamentos residenciais a beira do rio Paraná. Estas proporcionaram novos significados e produz novas territorialidades.

            A ponte Mario Covas (Figura 2) esta localizada no município de Paulicéia-SP aproximadamente a 2 km de Panorama, esta faz a ligação entre o estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

 

ponte wi

Figura 2. Vista aérea da ponte Mario Covas. Fonte: César Claudino de Souza

 

 

Com a conclusão da ponte possibilitou um maior fluxo nesta região, pelo fácil acesso, pois antes da construção da ponte a travessia entre os estado era feito através da balsa. A utilização da balsa dificultava o fluxo interestadual nesta região, pois os horários da balsa eram inflexíveis, alem do custo desta, sendo assim dificultado a mobilidade da população na fronteira dos estados mencionados. Com a presença da ponte possibilitara um aumento do fluxo de pessoas em Panorama, tanto para o lazer, quanto para o comercio, sendo este ultimo de grande procura pela população do município Brasilândia do estado de Mato Grosso do Sul, pelos menores preço e variedade.

            A ponte viabilizara novas dinâmicas fronteiriças, pois aumentara o fluxo entre os estados, sendo uma possibilidade de Panorama receber grande quantidade de turistas de origem sul-mato-grossense, sendo dos mais diversos perfis, pois Panorama oferece varias modalidade de turismo, como o caracterizado turismo de massa, tendo como atrativo o balneário até a pesca e o turismo náutico.  Outro aspecto relevante sobre a ponte, sendo esta um atrativo turístico, esta proporciona uma bela vista do rio Paraná, alem de sua grandiosidade, que chama atenção dos turistas.

            Os loteamentos acompanharam a dinâmica da ponte, sendo grande parte dos loteamentos residenciais foram estabelecidos próximo a ponte, garantindo assim um apelo comercial que valorizou esta área, conseqüentemente os lotes desta região. Os loteamentos no município de Panorama é um novo elemento presente na dinâmica territorial que se data o enchimento do logo no rio Paraná.

            Com a procura por terras na beira do rio, para a criação de loteamentos, crio-se uma especulação, que diminuiu consideravelmente os ranchos tradicionais, sendo assim imperando os residenciais a beira do rio, que conta com completa infra-estrutura urbana, onde se concentra casas que são denominados de “ranchos” de médio a auto luxo. Neste aspecto Sanches menciona:

 

“O aumento da demanda por espaços de lazer e turísticos viabiliza investimentos por parte do setor imobiliário que atua no sentido de requalificar o espaço e promover sua refuncionalização, possibilitando a produção de unidades residências num espaço em processo de valorização, onde se destacam a produção de segundas residências” (SÁNCHES, 1991).

 

                Como visto acima, os loteamentos são caracterizados como de segunda residência, sendo uma forma de turismo, pois grande parcela dos proprietários não reside no município, sendo este de diversos pontos da região, e que utiliza estes espaços para o lazer e para o descanso, aproveitando a paisagem do rio Paraná.

            Como visto o turismo se apropria dos bens de uso coletivo para seu desenvolvimento, neste sentido podemos citar a ponte que esta se tornando um atrativo turístico, sendo este um bem publico, que esta sendo utilizado como símbolo de progresso, ativando em sua região a especulação imobiliária na beira do rio Paraná. Tanto a ponte, quanto os loteamentos são dinâmicas recentes, e que estão ocorrendo de maneira tímida, mas que aos poucos vão incorporando aos espaços, (re) configurando o território.

 

 

Conclusões

 

Através das transformações ocorridas no município de Panorama-SP pela atividade turística, pode se verificar que estas modificações esta atrelada a construção da usina hidrelétrica Engenheiro Sergio Motta em Porto Primavera-SP. Com a construção da usina hidrelétrica e a formação do lago artificial no rio Paraná, a Companhia Energética de São Paulo (CESP) realizou varias obras de caráter compensatório e mitigatoria, pelos impactos sócio-ambientais causados. A realização de obras direcionadas, direta ou indiretamente ao setor turístico, deram novas características ao município e a consolidação do turismo, que em períodos anterior não era mencionado como uma atividade econômica, pois esta se encontrava sem infra-estrutura adequada e políticas que organizasse e direcionasse esta atividade.

O rio Paraná se tornou o principal atrativo, através de sua paisagem como se pode verificar através de vários atrativos e atividades que estão ligados direto e indiretamente, como a pesca esportiva, que atrai turistas de varias regiões, e que conta com infra-estrutura e equipamentos para a realização desta atividade como, guias de pesca, marina, hotéis e pousadas para atender a demanda do turismo de pesca. Além da pesca, há eventos que ocorrem anualmente como o carnaval realizado pela prefeitura municipal, o Pan Verão que se caracteriza como carnaval fora de época, que é organizado por iniciativa privada, a travessia do rio Paraná, que se tornou um evento tradicional, realizado desde 1966, sendo este realizado pela prefeitura do município, festa de ano novo, evento organizado pela prefeitura municipal, com shows ao vivo no balneário municipal.

Verificou-se que em Panorama está em curso o processo de turistificação, pois atualmente está em evidência a valorização de atributos paisagísticos, associados à natureza: águas límpidas, fauna e flora preservadas, entre outros. Ressalta-se que a apropriação de do espaço pelo turismo ocorre a partir de dinâmicas e demandas sócias, culturais e econômicas, e não somente a partir de características naturais da paisagem.

Neste processo de turistificação Panorama-SP passa por novos processos territoriais criando multerritorialidades, onde o velho se contrasta com o novo, estabelecendo dinâmicas de diversos âmbitos, no qual o território passa a desenvolver novas realidades sociais e econômicas que se reafirmam no espaço.

Desta forma, a instalação e o desenvolvimento de atividades turísticas em Panorama é fruto das ações do poder público, aliado à iniciativa privada, que através de um impacto ambiental, criaram-se novas territorialidades que podemos perceber que alteraram a dinâmica econômica do município e varias estruturas sociais, que refletem no território.

 

 

 

 

Bibliografia

 

BULLON, Roberto C. Planejamento do espaço turístico. Bauru: Edusc, 2002.

CARLOS, Ana Fani Alessandri, YÁZIGI, Eduardo e CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. (Org). Turismo - Espaço, Paisagem e Cultura. 3ª Ed. São Paulo: Hucitec.

CORIOLANO, Luzia Neide. Turismo de Inclusão.  Fortaleza, FUNECE, 2007.

DIAS, Jailton. A construção da paisagem na raia divisória São Paulo –Paraná - Mato Grosso do Sul: um estudo por teledetecção. 2003. Tese (Doutorado em Geografia). Unesp, Presidente Prudente.

CRUZ, R C. Política de turismo e território. São Paulo: Contexto, 2000.

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SÁNCHES, J.E. Espacio, economia y sociedad. Madrid: Siglo Véintiuno, 1991.

SOUZA, E. B. C. Natureza e consumo – a contraditória relação de sustentabilidade na atividade turística. Revista Ciência Geográfica. (AGB/Bauru). Bauru. Ano IX vol. IX, n.3, p. 253-258, set/out 2003

TRIGO, Luiz Gonzaga. Como Aprender turismo, como Ensinar. São Paulo: Senac, 2001.

VELOSO. Marcelo. TURISMO, simples e eficiente Ed.Roca: 2003, São Paulo-SP

 


[1] Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS

 E-mail: Willianribeiro2001@yahoo.com.br

 [2] Geógrafo. Doutor em Geografia Humana (FFLCH/USP). Professor Titular da UFMS. Programa de Pós-Graduação em Geografia.

 


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.  






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