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Asunto:NoticiasdelCeHu 1052/11 - IMPACTOS CAUSADOS A SAÚDE DO TRABALHADOR RUR AL QUE MANIPULA AGROTÓXICOS NA REGIÃO CACAUEIRA DO S UL DA BAHIA
Fecha:Miercoles, 19 de Octubre, 2011  00:46:18 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 1052/11
 

IMPACTOS CAUSADOS A SAÚDE DO TRABALHADOR RURAL QUE MANIPULA AGROTÓXICOS

NA REGIÃO CACAUEIRA DO SUL DA BAHIA

 

 

Elizabeth de Sousa Soares[1]

 

 

 

Resumo

 

O cultivo do cacau foi uma das principais atividades desenvolvidas na Microrregião Sul da Bahia, a qual compreende os municípios de Ilhéus e Itabuna. O plantio desse fruto contribuiu para o desenvolvimento dessas duas cidades e as demais que estavam em seu entorno, bem como para colocar o Brasil entre os maiores exportadores de cacau em nível internacional. Como a monocultura do cacau foi uma das principais atividades agrícolas dos municípios já mencionados, acreditamos que foi nessa lavoura que os trabalhadores rurais começaram a utilizar agrotóxicos. Assim sendo, esta pesquisa de natureza exploratória, se propõe a discutir a relação entre desenvolvimento territorial e uso de agrotóxicos, pontuando o impacto causado na saúde do trabalhador rural da região cacaueira, com a aplicação de agrotóxicos na cultura do cacau. Fundamentam esta pesquisa os constructos teóricos de Bastos (1987), Asmar e Andrade (1977), Flexor (2010), Santos (1955), Silva e Silva (2006); Silva, Silva e Leão (1987), entre outros. Espera-se com a discussão aqui tecidas contribuir para uma maior compreensão dos problemas econômicos e sociais enfrentados pela região cacaueira, contribuindo para prevenção de agravos nas condições de saúde  dos trabalhadores rurais por meio da mudança de comportamento, devido a conscientização dos riscos ocupacionais ao manipular os agrotóxicos.

 

Palavras-chave: Territorialização. Desenvolvimento. Região Cacaueira. Trabalhadores Rurais. Agrotóxicos. 

 

Abstract

 

The cultivation of cocoa was one of the main activities of micro-region in southern Bahia, which includes the cities of Ilheus and Itabuna. The planting of fruit contributed to the development of these two cities and others that were around them, and placing Brazil among the largest exporters of cocoa on the international level. As the cocoa monoculture was one of the main agricultural activities of the municipalities mentioned above, we believe that this crop was that rural workers began to use pesticides. Therefore, this exploratory research, is aimed at discussing the relationship between territorial development and use of pesticides, scoring the impact on the health of rural workers of the cocoa region, with the application of pesticides in the cultivation of cocoa. Support this research, the theoretical constructs of Bastos (1987), Andrade and Asmar (1977), Curl (2010), Santos (1955), Silva and Silva (2006), Silva, Silva and Leon (1987), among others. It is hoped that the discussion here woven contribute to a better understanding of the economic and social problems faced by the cocoa region, contributing to disease prevention in health conditions of rural workers through changes in behavior due to awareness of occupational hazards when handling pesticides.

 

Keywords: Territorialization. Development. Cocoa Region Rural Workers. Pesticides.

 

Resumen

 

El cultivo del cacao es una de las principales actividades de la micro-región del sur de Bahía, que incluye las ciudades de Ilhéus y de Itabuna. La plantación de frutales ha contribuido al desarrollo de estas dos ciudades y otros que fueron alrededor de ellos, y colocando a Brasil entre los mayores exportadores de cacao a nivel internacional. A medida que el monocultivo del cacao fue una de las principales actividades agrícolas de los municipios mencionados anteriormente, creemos que este cultivo es que los trabajadores rurales comenzaron a utilizar pesticidas. Por lo tanto, esta investigación exploratoria, tiene como objetivo discutir la relación entre el desarrollo territorial y uso de plaguicidas, anotando el impacto en la salud de los trabajadores rurales de la región de cacao, con la aplicación de plaguicidas en el cultivo del cacao. Apoyar esta investigación, los constructos teóricos de Bastos (1987), Andrade y Asmar (1977), Curl (2010), Santos (1955), Silva y Silva (2006), Silva, Silva y León (1987), entre otros. Se espera que la discusión de este tejido de contribuir a una mejor comprensión de los problemas económicos y sociales que enfrenta la región de cacao, lo que contribuye a la prevención de enfermedades en las condiciones de salud de los trabajadores rurales a través de cambios en el comportamiento debido a la conciencia de los riesgos laborales cuando se manejan pesticidas.


Palabras clave: Territorialización. Desarrollo. Región del Cacao. Trabajadores rurales. Pesticidas.

 

 

1.    Introdução

 

As primeiras lavouras de grande porte no Sul da Bahia foram de cacau, fruto que, segundo Bastos (1987) e Cuenca e Nazário (2004), é nativo das florestas tropicais da América Central. O nome da planta “cacahuati” e da bebida “chocoatl”, segundo declaram Cuenca e Nazario (2004) foi dado pelos antigos maias e astecas, povos que usavam a polpa dessa fruta para preparar um suco muito parecido com o de cupuaçu e utilizavam as sementes torradas para preparar uma pasta comestível que, desidratada podia ser armazenada para uso posterior. A planta era tão valiosa para esses povos que era usada como Acredita-se que a origem desse fruto seja a cabeceira da Bacia Amazônica e que deste local tenha se dispersado ao longo do Rio Amazonas dando origem ao cacau do tipo “Forasteiro” ou “Amelonado”e para a região norte e nordeste, chegando aos Andes, América Central até o sul do México, dando origem ao tipo conhecido como “crioulo” (BASTOS, 1987).

De acordo com Bastos (1987), oficialmente, o cultivo do cacau no Brasil começou em 1679, através da Carta Régia que autorizava os colonizadores a plantá-lo em suas terras. Em 1746, o colono francês Luiz Frederico Warneau deu algumas sementes de cacau, do tipo Amelonado-Forastero, ao fazendeiro Antônio Dias Ribeiro, o qual fez o primeiro plantio na Fazenda Cubículo, atual Município de Canavieiras. Em 1752 foram feitos os primeiros plantios no Município de Ilhéus, onde alcançou resultados muito bons, posto que o fruto se adaptou muito bem ao clima e ao solo do Sul da Bahia (CEPLAC, s.d) contribuindo para o povoamento da região, por atrair pessoas que buscavam enriquecer. De fato a cultura do cacau enriqueceu a muitas famílias e se tornou o pilar econômico da região, contribuindo para o crescimento desta (CUENCA;NAZÁRIO, 2004).

Asmar e Andrade (1977) compartilham dessa mesma opinião quando discutem o povoamento da região Sul da Bahia. Para esses pesquisadores, apesar da grande quantidade de terras devolutas, a região era carente de elemento humano. É com a exploração do cacau, produto agrícola de valor internacional, que a região veio a tornar-se de fato atrativa. O cacau tornou-se o “fruto de ouro” como denomina Bastos (1987) e pôs em queda outros produtos agrícolas cultivados em pequena escala, como a mandioca, por exemplo, tornando-se monocultura. Pensamento similar apresentam Moreira e Trevizzan (2005) quando declaram que até o final dos anos 80, a lavoura cacaueira se constituía a base da economia regional. A primeira atividade econômica da região foi à extração do pau-brasil, seguida da cana-de-açúcar. Com a decadência da monocultura da cana-de-açúcar, iniciou-se o plantio do cacau. As condições de solo e clima foram determinantes no cultivo da lavoura cacaueira, cujas plantações foram se estendendo a tal ponto que, já nos fins do século XIX, constituíam-se no motor de engrenagem da econômica do sul baiano. Como a monocultura do cacau foi o pilar econômico da microrregião cacaueira do Sul da Bahia, também foi com essa lavoura que os trabalhadores rurais começaram a utilizar agrotóxicos visando proteger o fruto do ataque de diversas pragas, em especial, a vassoura-de-bruxa.

Assim sendo, esta pesquisa tem como objetivo discutir a relação entre desenvolvimento territorial e uso de agrotóxicos, pontuando o impacto causado na saúde do trabalhador rural da região cacaueira, com a aplicação de agrotóxicos na cultura do cacau. Espera-se também identificar dados relevantes registrados nos prontuários dos trabalhadores rurais, quando atendidos nas Unidades de Saúde.

 

 

2. Territorizalição e desenvolvimento da região cacaueira do Sul da Bahia

 

 

A palavra território, segundo estabelece Albagli (2004), designa o espaço apropriado por um ator e que se define e se delimita por suas relações de poder.  É um espaço que se constrói historicamente e remete a diferentes escalas. Assim sendo, a palavra território abarca um espaço geográfico em sua dimensão física, isto é, diz respeito às características geológicas do local; envolve a dimensão econômica, ou seja, as formas de organização dos processos de produção, comercialização e consumo que se realiza nesse local; uma dimensão simbólica, isto é, valores e crenças que formam a identidade do povo que o habita; e, por fim, uma dimensão de caráter político. Posição similar adota Theis (2008, p.13) ao afirmar que o termo território alude a um “espaço delimitado por um dado conjunto de relações de poder”. Diante do exposto, percebe-se que a noção de território é muito mais ampla que a de espaço. Este último designa apenas um local de coordenadas geográficas bem delimitadas, enquanto o primeiro corresponde a uma área geográfica e todas as relações geológicas, econômicas, simbólicas e políticas que se estabelecem nesse lugar. Diniz e Duarte (1983) trabalham a noção de região de modo similar ao que nesta pesquisa define-se como território. Para esses pesquisadores, o que se chama de região cacaueira, é um espaço que foi construído através do tempo à medida que sua economia foi se estabelecendo. Desse modo, comportamentos que se observam no presente, trazem marcas profundas de um passado histórico.

Segundo discorrem Silva et al (1987), antes do “boom” causado pelo cultivo do cacau, todos os núcleos urbanos costeiros ligavam-se diretamente a Salvador. Contudo, a necessidade de coletar a produção do cacau e concentrá-la em determinado ponto do espaço para facilitar a exportação fez de ilhéus o centro urbano da cacauicultura durante a primeira fase do apogeu. Isso foi decorrente da  localização geográfica da cidade de Ilhéus, a qual favoreceu a construção do porto para escoar o material cultivado nas cidades de seu entorno.Marinho (2005), ao estudar a relação do cacau e o desenvolvimento da região cacaueira, comenta que este processo pode ser agrupado em duas etapas: a primeira fase, que correspondeu à comercialização interna, em que o cacau era transferido das fontes produtoras para os agentes exportadores e a segunda fase, que foi a da exportação efetivada pelas casas exportadoras visando ao mercado consumidor, na quase totalidade representado por países estrangeiros, no período de 1965-1980.

Marinho (2005) comenta ainda que as dificuldades resultante dos problemas de transporte, por conta da falta de estradas, fizeram emergir a figura dos intermediários que uniam produtores e exportadores, o que reduzia os lucros dos produtores.  Entretanto, com a  criação do Instituto de Cacau da Bahia (ICB) em 1931 o problema de transporte na comercialização foram resolvidos em cerca de cinco anos (1932-1936) já havia providenciado a construção de uma rede rodoviária na zona do cacau, “constituída de 531 Km, da qual já tinha construído 290 Km e reconstruído 82 Km de antigas rodovias interiormente quase que intrafegáveis como, por exemplo, a rodovia Ilhéus-Itabuna, ligando os dois principais centros urbanos da região”. O pesquisador declara que o ICB teve um desempenho excepcional em relação ao problema do transporte, considerando-se que em um período curto de tempo integrou a região ao sistema viário do Estado da Bahia, assim como criou condições satisfatóriaspara o escoamento da safra, uma das questões mais urgentes da região”.

Cuenca e Nazário (2004) ao tratar desse assunto, declaram que o cacau adaptou-se muito bem ao clima e solos do Sul da Bahia, trazendo muita prosperidade para a região de Ilhéus, constituindo-se num dos pilares fundamentais para o enriquecimento de muitas famílias de cacauicultores, cooperando singularmente para o desenvolvimento regional. Lemos e Trevizzan (2005), compartilham do mesmo pensamento comentam que o cultivo do cacau contribuiu para o processo de urbanização das cidades do Sul da Bahia, pois, toda uma infra-estrutura urbana foi montada para atender aos interesses dos fazendeiros e exportadores do cacau, como exemplo, mencionam a construção da ferrovia Itabuna/Ilhéus e a ampliação do Porto e das rodovias vicinais. A cultura do cacau foi rapidamente absorvida pelo mercado externo, tornando-se a base da economia regional.

A cultura cacaueira trouxe benefícios para todo o país, colocando o Brasil  na nona posição no ranking mundial de exportação do cacau. Há que se ressaltar, entretanto, que a produção era uma atividade dos médios e grandes produtores, pois até os anos de 1990 as áreas cultivadas chegavam aos 100 hectares. Ou seja, por mais que toda a região tenha crescido e se desenvolvido com o cultivo do cacau, a concentração maior de riqueza ficava com os grandes fazendeiros, com os ricos coronéis. Essa disparidade de acúmulo de posses não era tão notória enquanto todos podiam indistintamente usufruir da riqueza gerada pelo cacau. Contudo, a partir do final da década de 80 do século passado, com a crise gerada pela vassoura-de-bruxa, os pequenos trabalhadores rurais, sentiram muito mais intensamente os prejuízos por conta da região ter se concentrado apenas no cultivo de um único produto.

O desenvolvimento da região cacaueira do Sul da Bahia, assim como o Brasil como um todo, produziu o que Albagli (2004) chama de “ilhas de prosperidade”. Na verdade, produziu uma minoria de pessoas excessivamente prósperas e uma maioria pobre e bastante explorada, a saber, os trabalhadores rurais. Esses fatos confirmam  a “Teoria Marxista da Dependência”, a qual estabelece que o modo de produção capitalista é intrinsecamente desigual e excludente, ou seja, gera acumulação de bens para uns e pobreza para outros. Aplicando-se este postulado à região cacaueira do Sul da Bahia, observa-se que neste território o capitalismo propiciou o acúmulo de riqueza por parte dos coronéis à custa da pobreza do trabalhador rural, o qual era intensamente explorado (MARTINS, 2001; GRACIOLLI & DUARTE, 2009).

 

 

2.1 Vassoura-de-bruxa e uso de agrotóxicos

 

 

Com o advento do fungo chamado vassoura-de-bruxa, cujo nome científico é Crinipellis perniciosa, ocorreu o declínio da produção de cacau que passou de 400 mil toneladas ao ano para cerca de 120 mil. Com isso, o cacau foi perdendo valor no cenário internacional e o Governo Federal perdeu o interesse nessa planta e passou a subsidiar o cultivo de outros produtos que trariam maior retorno financeiro (NASCIMENTO et al, 2009; MELLO, 2010).Essa doença, a princípio, se limitava à Região Amazônica e foi detectada no Sul da Bahia no ano de 1989, exatamente no município de Uruçuca, distante 40 km da cidade de Ilhéus. Começou de forma tímida, mas foi se alastrando pelas cidades produtoras, causando pavor aos produtores, aos técnicos-cientistas,  e à população em geral. Desde a descoberta da doença, a CEPLAC tem concentrado esforços para banir a doença ou ao menos gerar mudas de cacau resistentes ao fungo. Há que se mencionar que a vassoura-de-bruxa aliada à baixa do preço do cacau no mercado internacional desencadeou uma devastadora crise econômica e sócio-ambiental. “Muitos produtores de cacau abandonaram as plantações, resultando numa migração massiva de pequenos produtores e trabalhadores rurais para a periferia das grandes cidades, que tem no setor de serviços, maiores oportunidades de emprego” (MELLO, 2010).

Moreira e Trevizzan (2008) comentam que, por conta da vassoura-de-bruxa, “o número de empregos diretos e indiretos sofreu uma rápida redução de 400 mil para apenas 150 mil, gerando tensões sociais no campo e na cidade em dez anos”. Foi para combater esses problemas que os trabalhadores rurais começaram a manipular agrotóxicos.

            Em se tratando dos agrotóxicos importa mencionar que estes se constituem num dos mais importantes fatores de riscos para a saúde humana. Sua produção em escala em escala industrial teve início em 1930, intensificando-se a partir da década de 40. Desde então, surgiram inúmeros grupos de substâncias químicas para combater as pragas e doenças presentes na agricultura, o que levou a existir hoje cerca de 3.500 ingredientes ativos de agrotóxicos, distribuídos em 35.00 diferentes produtos no mercado mundial (OMS, 1994).

Os agrotóxicos foram criados, na tentativa de defender a agricultura contra pragas que atacam as plantações. A utilização de agrotóxicos teve inicio na década de 20 e, durante a segunda guerra mundial, eles foram utilizados até como arma química, SILVA et al. (2005) Os agrotóxicos são substâncias químicas (herbicidas, pesticidas, hormônios e adubos químicos) utilizadas em produtos agrícolas e pastagens, com a finalidade de alterar a composição destes e, assim, preservá-los da ação danosa de seres vivos ou substâncias nocivas. No Brasil, a sua utilização tornou-se evidente em ações de combate a vetores agrícolas na década de 60.  Alguns anos depois, os agricultores foram liberados a comprar este produto de outros países. Quando bem utilizados, os agrotóxicos impedem a ação de seres nocivos, sem estragar os alimentos. Porém, se os agricultores não tiverem alguns cuidados durante o uso ou extrapolarem no tempo de ação dos agrotóxicos, estes podem afetar o meio ambiente e a saúde. O Brasil é hoje um dos maiores compradores de agrotóxicos do mundo e as intoxicações por estas substâncias estão aumentando tanto entre os trabalhadores rurais que ficam expostos, como entre pessoas que se contaminam através dos alimentos.

A Organização Mundial de Saúde, (1994), diz que alguns estudos já relataram a presença de agrotóxicos no leite materno, o que poderia causar defeitos genéticos nos bebês nascidos de mães contaminadas.  Ainda segundo a OMS (1994) estes agrotóxicos poderão ser encontrados em vegetais: verduras, legumes, frutas e grãos, como também em alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) que podem conter substâncias nocivas chegando a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal, quando este se alimenta de água ou ração contaminada. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso intenso de agrotóxicos levou à degradação dos recursos naturais - solo, água, flora e fauna - em alguns casos de forma irreversível, levando os desequilíbrios biológicos e ecológicos. Além de agredir o ambiente, a saúde também pode ser afetada pelo excesso destas substâncias e quando mal utilizados, os agrotóxicos podem provocar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica.

Na intoxicação aguda, os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva, por curto período, a produtos altamente tóxicos. Podem ocorrer de forma branda, moderada ou grave, dependendo da quantidade do veneno absorvido. Os sinais e sintomas são nítidos e objetivos. A intoxicação subaguda é ocasionada por exposição moderada ou pequena a produtos altamente tóxicos ou medianamente tóxicos. Tem aparecimento mais lento e os principais sintomas são subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência. A intoxicação crônica caracteriza-se por ser de surgimento tardio, após meses ou anos de exposição pequena ou moderada a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos irreversíveis como paralisias e neoplasias. Dada a grande diversidade de produtos, em cerca de 300 princípios ativos em duas mil formulações comerciais diferentes no Brasil, é importante conhecer a classificação dos agrotóxicos quanto à sua ação e ao grupo químico a que pertencem. Essa classificação também é útil para o diagnóstico das intoxicações e instituição de tratamento específico, FUNASA (2002).

  1.0 Inseticidas: possuem ação de combate a insetos, larvas e formigas. Os inseticidas pertencem a quatro grupos químicos distintos:

1.1 Organofosforados: esse grupo é o responsável pelo maior número de intoxicações e mortes no país. São compostos orgânicos derivados do ácido fosfórico, do ácido tiofosfórico ou do ácido ditiofosfórico. Exemplo: Folidol, Azodrin, Malation, Diazinon, Nuvacron, Tamaron, Rhodiatox.

1.2 Carbamatos: são derivados do ácido carbâmico. Exemplo: Carbaril, Temik, Zectram, Furadan.

1.3 Organoclorados: são compostos à base de carbono, com radicais de cloro. São derivados do clorobenzeno, do ciclo-hexano ou do ciclodieno Foram muito utilizados na agricultura, como inseticidas, porém seu emprego tem sido progressivamente restringido ou mesmo proibido. Exemplo: Aldrin, Endrin, BHC, DDT, Endossulfan, Heptacloro, Lindane, Mirex.

1.4 Piretróides: são compostos sintéticos que apresentam estruturas semelhantes à piretrina, substância existente nas flores do Chrysanthemum (Pyrethrun) cinenarialfolium. Alguns desses compostos são: aletrina, resmetrina, decametrina, cipermetrina e fenpropanato. Exemplo: Decis, Protector, K-Othrine, SPB.

           2.0 Fungicidas: tem ação de combate a fungos. Existem muitos fungicidas no mercado. Os principais grupos químicos são:

2.1 Etileno-bis-ditiocarbamatos: Maneb, Mancozeb, Dithane, Zineb, Tiram.

2.2 Trifenil estânico: Duter e Brestan.

2.3 Captan: Ortocide e Merpan.

2.4 Hexaclorobenzeno.

3.0 Herbicidas: combatem ervas daninhas. Nas últimas duas décadas, esse grupo tem uma utilização crescente na agricultura. Seus principais representantes são:

3.1 Paraquat: comercializado com o nome de Gramoxone.

3.2 Glifosato: Round-up.

3.3 Pentaclorofenol.

3.4 Derivados do ácido fenoxiacético: 2,4 diclorofenoxiacético (2,4 D) e 2,4,5 triclorofenoxiacético (2,4,5 T). A mistura de 2,4 D com 2,4,5 T representa o principal componente do agente laranja, utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnã. O nome comercial dessa mistura é Tordon.

3.5 Dinitrofenóis: Dinoseb, DNOC.

4.0 Outros grupos importantes compreendem:

4.1 Raticidas: (Dicumarínicos): utilizados no combate a roedores.

4.2 Acaricidas: ação de combate a ácaros diversos.

 4.3 Nematicidas: ação de combate a nematóides.

4.4 Molusquicidas: ação de combate a moluscos, basicamente contra o caramujo da esquistossomose.

4.5 Fumigantes: ação de combate a insetos, bactérias: fosfetos metálicos (Fosfina) e brometo de metila.

     Os agrotóxicos são classificados, ainda, segundo seu poder tóxico. Esta classificação é fundamental para o conhecimento da toxidade de um produto, do ponto de vista de seus efeitos agudos. No Brasil, a classificação toxicológica está a cargo do Ministério da Saúde, FUNASA (2002).

A seguir poderemos ver a classificação toxicológica com a "Dose Letal 50" (DL50), comparando-a com a quantidade suficiente para matar uma pessoa adulta.         Quando o agrotóxico é extremamente tóxico, o rótulo de seu recipiente é vermelho, a dose letal será  5 mg/kg  ou seja 01 pitada referente a algumas gotas suficiente para matar uma pessoa adulta. Quando o agrotóxico é altamente tóxico, o rótulo de seu recipiente é amarelo, a dose letal será 5/50, ou seja, algumas gotas referentes a uma colher de chá será suficiente para matar uma pessoa adulta. Quando o agrotóxico é medianamente tóxico, o rótulo de seu recipiente é azul e a dose letal será 50/500, ou seja, uma colher de chá é equivalente a 02 colheres de sopa que será suficiente para matar uma pessoa adulta.

 

3. Materiais e métodos

 

Trata-se de uma pesquisa quantitativa de abordagem descritiva exploratória, cuja coleta de dados secundários deu-se em sistemas de informações oficiais – prontuários médicos dos trabalhadores rurais que buscam atendimento nas unidades de saúde da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAc. Os dados primários foram coletados por meio da aplicação de questionários aos trabalhadores rurais. Foram selecionados 135 prontuários para trabalharmos os dados para a pesquisa, mas somente 50 prontuários eram de trabalhadores rurais que manipulavam agrotóxicos na plantação de cacau. Assim sendo, o questionário fechado foi aplicado apenas a esses 50 trabalhadores.

 

4. Resultados e discussões

 

Os resultados obtidos mediante a análise dos prontuários dos trabalhadores rurais que manipulavam agrotóxico permitiram constatar que apenas 13 (6,5%) registravam queixas sugestivas ao manuseio com o produto referido, conforme expressa o gráfico 1, exposto a seguir:

 

 

Gráfico 1: Amostragem dos Prontuários dos Trabalhadores Rurais.

 

 

Acreditamos,entretanto, que esse número seja bem maior, pois muitos trabalhadores rurais não sabem quais problemas o uso de agrotóxicos pode trazer para sua saúde.

Em relação aos sintomas mais comuns decorrentes do uso de agrotóxicos, a cefaléia é a que apresenta maior índice -19%-, seguido de vômitos e diarréia, os quais somam cada um 11%.

 

 

Gráfico 2: Problemas de Saúde (Manipulação de Agrotóxicos).

   

 

 

Após as análises dos prontuários, efetuamos as entrevistas desses 50 trabalhadores rurais que manuseavam agrotóxico. Segundo é possível observar no gráfico abaixo, 100% são do sexo masculino, posto que atividades que demandam maior esforço, como o trabalho rural, são geralmente realizadas por homens.

 

Gráfico 3: Sexo dos entrevistados.

 

 

No que diz respeito ao período de tempo com o qual vem lidando com os agrotóxicos, 100%  afirmaram que utilizam esses insumos agrícolas há mais de 10 anos.

 

 

Gráfico 4: Tempo de uso dos agrotóxicos

 

 

Quando indagados sobre os agrotóxicos mais utilizados, os nomes mais citados foram de dois herbicidas: Gramoxone e Round-up, ambos correspondendo a 50% de indicação por parte dos sujeitos entrevistados. Há que se ressaltar, entretanto, que eles mencionaram o nome de fantasia desses produtos, na verdade o que eles gostariam de dizer é que manuseiam Paraquat (comercializado como Gramoxone) e Glifosato (comercializado com o nome de Round-up).

 

Gráfico 5: Agrotóxicos mais utilizados

 

Perguntamos, em seguida, se esses produtos que eles utilizavam eram aprovados pelo Ministério da Agricultura com o uso que eles estavam destinando e 100% dos entrevistados não souberam informar, conforme expressa o gráfico seguinte:

 

 

 

Gráfico 6: Aprovação do produto pelo Ministério da Agricultura.

 

 

Esses dados só vem a confirmar o fato de que os trabalhadores rurais têm manuseado agrotóxicos sem treinamento adequado e sem conhecimento das utilidades desses produtos e dos riscos que estes causam à saúde humana e à natureza.

No tocante ao destino dos vasilhames de agrotóxicos, obtivemos outro dado agravante: 100% dos trabalhadores rurais ignoram as recomendações do Ministério da Agricultura e dos fabricantes dos produtos de não reutilizarem os vasilhames. Ao contrário, usam-nos como reservatório de água para consumo de pessoas e animais, entre outras destinações.

 

Gráfico 7: Destino dos vasilhames de agrotóxicos

 

 

Em relação ao uso dos EPI (Equipamento de Proteção Individual), os entrevistados  disseram que não os utilizam, apesar de terem recebido treinamento para usá-los. Eles acreditam que sabem como usar esses produtos e, por isso, esses equipamentos são irrelevantes.

 

 

Gráfico 8: Destino dos vasilhames de agrotóxicos.

 

 

Por fim, nossa última pergunta foi referente à possibilidade de manter uma lavoura de cacau sem o uso de pesticidas. 100% dos entrevistados disseram que isso era impossível e era justamente para combater “matos brabos” e garantir uma boa safra que usavam os agrotóxicos.

 

Gráfico 9: Possibilidade de manter uma lavoura sem uso de agrotóxico.

Conclusão

 

Com a realização dessa pesquisa, foi possível perceber que o desenvolvimento econômico do território da Microrregião do Sul da Bahia foi de fato impulsionado pelo cultivo do cacau. Contudo, esse desenvolvimento econômico gerou riqueza para uma minoria de coronéis, de grandes produtores rurais. Os trabalhadores rurais, entretanto, que foram os grandes responsáveis diretos pelo desbravamento das terras, plantio e cuidado da lavoura, não receberam a devida atenção, nem foram alvo das políticas públicas.

Sem uma orientação precisa quanto ao manuseio dos agrotóxicos, os quais as empresas vendem como sendo “defensivos agrícolas”, os trabalhadores rurais fazem uso desses insumos agrícolas sem o uso dos Equipamentos de Proteção Individual e ainda reutilizam os vasilhames, contrariando as normas do Ministério da Agricultura. Os  sujeitos entrevistados declararam que usam os agrotóxicos para combater os “matos brabos” que surgem na lavoura-cacaueira, para combater a vassoura-de-bruxa, mas fazem isso indiscriminadamente, sem respeito à legislação que regulamenta o uso dessas substâncias químicas. Falta um treinamento desses trabalhadores para que estes saibam quando e como usar agrotóxicos e mais, é preciso mostrá-los outras formas mais saudáveis de cuidado da lavoura, pois estes consideram que não é possível manter uma lavoura sem o uso desses insumos que causam tantos danos ao meio-ambiente e à saúde humana.

 

 

Referências

 

ALBAGLI, Sarita. Território e territorialidade. In: LAGES, Vinícius; BRAGA, Christiano; MORELI, Gustavo. Territórios em movimento: cultura e identidade como estratégia de inserção competitiva. Brasília: Relume Dumará, 2004. p.23-69.

ASMAR, Selem Rachid; ANDRADE, Maria Palma. Geografia da microrregião cacaueira. [s.n], 1977.

BASTOS, Edna. Cacau: a riqueza agrícola da América. São Paulo: Ícone, 1987.

CUENCA, Manuel Alberto Gutiérrez; NAZÁRIO, Cristiano Campos. Importância econômica e evolução da cultura do cacau no Brasil e na região dos tabuleiros costeiros da Bahia entre 1990 e 2002. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2004.

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[1] Aluna do Mestrado em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social da Universidade Católica de Salvador-UCSAL.


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.  






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