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Asunto:NoticiasdelCeHu 286/03 - A Invasao do Iraque
Fecha:Domingo, 6 de Abril, 2003  13:05:34 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

Gráficos circulares

NCeHu 286/03
A Invasão do Iraque

O Centro de Análises da Guerra do Iraque www.iraqwar.ru, segundo se auto-define, é um projeto aberto criado por um grupo de jornalistas e peritos militares da Rússia. Seu objetivo é divulgar notícias e análises precisas, atualizadas e baseadas em informações da inteligência militar russa . A tradução do russo para o inglês é feita por Venik - webmaster do portal. A tradução do inglês para o português é de Janaina (www.unidadepopular.org). A revisão, os subtítulos e os comentários são de Álvaro Frota. Você irá ler o relatório de 3 de abril 13:01 MSK (GMT +4 DST)

Durante a noite de ontem (2 abril) e no início da manhã de hoje (3 de abril) a coalizão anglo-estadunidense prosseguiu  seu avanço em direção a Bagdá que havia iniciado três dias atrás.

Unidades da 3º Divisão de Infantaria Mecanizada, fracassando em capturar rapidamente a cidade de Al-Khindiya, bloquearam-na  com parte de suas forças e se deslocaram ao redor da cidade pelo leste para alcançar Al-Iskanderiya pela manhã. Ainda não é claro se as tropas dos EUA foram capazes de tomar a cidade de Al-Musaib ou se elas também a contornaram. O progresso total da coalizão nessa direção foi de aproximadamente 25 km durante as últimas 24 horas.

Este ataque foi uma surpresa para o comando iraquiano. O quartel-general das defesas iraquianas ao redor de Karabela posicionava-se bem atrás das linhas avançadas das brigadas em avanço dos EUA. Devido aos intensos ataques aéreos e de artilharia o quartel-general iraquiano em Karabela perdeu a maior parte de seus equipamentos de comunicação e perdeu parcialmente o controle de suas tropas. Em conseqüência, as unidades de defesa iraquianas na linha do ataque da coalizão ficaram desorganizadas e foram incapazes de oferecer resistência efetiva. Durante a luta noturna (de 2 para de abril) as unidades de combate iraquianas nessa área foram empurradas das suas posições defensivas e recuaram em direção a Bagdá. As baixas iraquianas foram de até 100 mortos e até 300 capturados. As tropas dos EUA destruíram ou capturaram até 70 tanques iraquianos e veículos blindados de transportes de tropas.

Atualmente (14 horas de 3 de abril) o comando iraquiano está apressadamente tentando criar uma nova linha de defesa a 20-30 km ao sul de Bagdá. As baixas dos EUA nesse ataque foram 3 veículos blindados e até 8 mortos e feridos.

Na noite passada em 2 de abril ao leste de Karabela uma unidade da 3ª Divisão de Infantaria Mecanizada saiu de seu caminho e foi direto para uma emboscada de artilharia depois de se mover para perto demais das posições iraquianas. No tiroteio resultante as forcas dos EUA perderam não menos que 8 veículos blindados e, de acordo com relatórios iraquianos, pelo menos 25 soldados dos EUA foram mortos ou feridos.

Na cidade de Al-Kut unidades dos fuzileiros dos EUA conseguiram capturar uma ponte sobre o Tigre mas não conseguiram capturar a cidade inteira e os combates prosseguem nos distritos residenciais. Não menos que 3 soldados dos EUA foram mortos e até 12 foram feridos nesta área durante as últimas 24 horas (2 para 3 de abril). As tropas dos EUA estão reportando 50 soldados iraquianos mortos e 120 capturados.

A coalizão conseguiu fazer grandes progressos ao sul de Al-Kut. Depois de tomar rapidamente a cidade de An-nu-Manyah as forças dos EUA construíram uma ponte sobre o Tigre e imediatamente iniciaram a transferência de unidades dos fuzileiros navais para a margem direita. Mais nenhuma área povoada está localizada ao longo da estrada, e as forças atacantes podem ser capazes de chegar a 15-20 km de Bagdá ainda essa noite (de 3 de abril).

O bloqueio de An-Najaf continua. Numerosas tentativas das tropas (da coalizão) de alcançar o centro da cidade fracassaram depois de enfrentarem fogo iraquiano. Pelo menos cinco soldados (da coalizão) foram feridos e um é dado como desaparecido.

A situação ao redor de An-Divania permanece incerta. Intensos combates nessa área prosseguem desde ontem. Os comandantes de campo dos EUA requisitaram apoio aéreo e de artilharia em várias ocasiões e relataram "ferozes contra-ataques pelo inimigo". Foi determinado que no anoitecer de 2 de abril o comandante da 101ª Divisão Aerotransportada ordenou que suas tropas recuassem da cidade a fim de criar algum espaço entre suas forças e os iraquianos para permitir ataques aéreos e de artilharia. As baixas totais dos EUA nessa área nos últimos dois dias são de até 15 mortos e por volta de 35 feridos. Ao mesmo tempo os comandantes dos EUA estão informando "centenas de iraquianos mortos". Aproximadamente 50 iraquianos - alguns usando roupas civis - foram capturados pela coalizão. Houve uma informação de outra perda de helicóptero da coalizão nessa área.

A resistência também prossegue em Nassíria. A guarnição da cidade tem lutado pelos últimos dez dias e continua a manter suas posições na margem esquerda do Eufrates. Durante o dia de ontem houve uma redução da intensidade da resistência iraquiana. Contudo, os comandantes dos EUA no quartel-general da coalizão acreditam que isso é devido à tentativa dos iraquianos de preservar sua munição, que não é de forma alguma ilimitada. De acordo com um dos oficiais dos EUA no quartel-general da coalizão elementos da 11ª Divisão de Infantaria iraquiana continuam a controlar a margem esquerda do Eufrates. "A firmeza deste indubitavelmente bravo inimigo é digna de respeito. Em quatro ocasiões nós lhes oferecemos que depusessem as armas e se rendessem, mas eles continuam resistindo como fanáticos". Ontem à noite (2 de abril) um soldado dos EUA foi morto e 2 mais foram feridos em tiroteios nessa área.

Outra tentativa dos britânicos de penetrar as defesas iraquianas próximo a Basra (Baçorá) fracassou. Até 2 batalhões da 16ª brigada de fuzileiros reforçada com tanques tentou romper as defesas iraquianas ontem à noite (2 de abril) a nordeste do aeroporto de Maakil ao longo do rio Al-Arab. Simultaneamente desde o sudoeste am As-Zubair outros 2 batalhões de fuzileiros fizeram uma tentativa de entrar na área de Mahallat-es-Zubair, mas enfrentaram intenso fogo e recuaram após uma batalha de quatro horas de duração. Os iraquianos informaram que 2 tanques britânicos destruídos, 5 transportadores blindados de tropas e não menos que 30 soldados britânicos mortos. Contudo, os comandantes britânicos informam 4 transportadores blindados e 5 mortos. Além disso, as defesas aéreas iraquianas derrubaram um caça-bombardeiro F-18 na cidade. As unidades de vigilância de rádio informaram sobre a perda de outro avião ao norte de Bagdá. Não se sabe se este avião foi derrubado ou caiu depois de perder o controle devido a um problema técnico.

Como podemos ver, o comando da coalizão continua com sua tática de "marcha sobre Bagdá". No decurso do seu avanço as tropas da coalizão estão contornando os centros primários da defesa iraquiana e os bloqueando, deixando o resto do trabalho para a aviação e artilharia. O futuro imediato irá mostrar o quão efetiva é realmente esta tática. Até agora, de acordo com relatórios de Inteligência, mais de 50.000 soldados iraquianos continuam lutando por trás das linhas avançadas da coalizão somente em Karabala. Não menos que 5.000 iraquianos estão defendendo An-Najaf e An-Divania. Especialistas estimam que o total de iraquianos lutando por trás do front da coalizão chega a quase 90.000 ou 100.000 soldados regulares do exército e milicianos.

Em tais circunstâncias a coalizão tem duas opções: ou pode tentar capturar rapidamente Bagdá, deixando assim as guarnições iraquianas nos territórios ocupados sem motivos para continuar sua resistência; ou as tropas da coalizão podem se entrincheirar em volta de Bagdá e se preparar para o assalto final enquanto "limpam" o território capturado. Isso também permitirá que estas tropas conquistem a valiosa experiência de combate lutando contra um inimigo enfraquecido antes do assalto final a Bagdá.

Analistas acreditam que esta guerra irá provocar uma revisão do papel de munições guiadas com precisão (PGM) no campo de batalha moderno. Os resultados da utilização de PGM no Iraque lançam dúvidas sobre a eficácia do PGM em áreas florestais e em matas. Em tais condições o objetivo principal vem a ser não o acerto ao alvo no primeiro tiro mas localizar, identificar e rastrear o alvo.

Estudando as operações terrestres no Iraque, analistas concluem que o terreno desértico e a conseqüente incapacidade dos iraquianos em lutar fora de cidades e aldeias proporcionam à coalizão sua principal vantagem estratégica. O completo domínio dos ares permite às tropas da coalizão localizar e combater posições e blindados iraquianos à distância máxima utilizando munições guiadas com precisão não disponíveis para os iraquianos, enquanto permanecem fora do alcance das armas iraquianas. Considerando o curso desta guerra e as táticas utilizadas pela coalizão, analistas militares russos consideram esta tática muito afastada da realidade da guerra moderna e concebida exclusivamente contra um inimigo tecnologicamente muito mais fraco. Estas táticas são inimagináveis no cenário de combate europeu com suas florestas e matas. Vislumbrando a possibilidade de um futuro impasse militar entre os EUA e a Coréia do Norte os analistas estão certos de que os EUA não podem esperar uma vitória militar na península coreana sem o uso de armas nucleares.


Fuente: listageografia@yahoogroups.com, del 6 de abril de 2003, Brasil.