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Asunto:NoticiasdelCeHu 89/11 - Egipto - "Celebração egípcia é prematura " / As contra-revoluções emergentes na Tunísia e n o Egipto / Uma revolução abortada ou a génese de uma revolução genuína?
Fecha:Martes, 15 de Febrero, 2011  00:55:34 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 89/11

Fuente: www.resistir.info 

"Celebração egípcia é prematura"

Rodney Shakespeare. LONDRES, 12/Fev – O escritor e professor britânico Rodney Shakespeare advertiu os egípcios de que pode ser prematuro celebrar a vitória da sua revolução após a expulsão do antigo presidente Hosni Mubarak.

"O júbilo egípcio é prematuro. Os regimes não se desmantelam voluntariamente a si próprios se houver algum meio de evitá-lo", declarou Shakespeare, que também é um importante advogado.

"A dura realidade é que os tiranos, torturadores, sionistas e fantoches americanos ainda estão no poder e a única coisa que os restringe é o medo de uma divisão no exército", afirmou

"Há um enorme perigo de que o povo egípcio esteja a assumir ter vencido quando, no essencial, pode ter perdido", advertiu em entrevista à Islamic Republic News Agency (IRNA).

O académico britânico, que ensina economia e justiça social, afirmou que há "necessidade urgente de o povo egípcio exigir um retorno sem reservas ao poder civil".

Se isto não for feito, considerou que os manifestantes – que actuaram em massa por todo o país durante os últimos 18 dias – deveriam "utilizar o seu êxito presente como inspiração para um esforço ainda mais determinado".

"No imediato, a televisão do estado deve ser aberta, as leis de emergência finalizadas, a polícia secreta inteiramente desmantelada, os presos políticos libertados, todas as estruturas políticas dominantes desmanteladas, os partidos políticos permitidos organizarem-se livremente e jornalistas estrangeiros bem-vindos".

Shakespeare considerou que o exército egípcio deveria ser colocado na sua "tarefa própria – proteger a integridade territorial do Egipto – e fazer uma declaração de que o Egipto nunca será controlado outra vez pelo capital estrangeiro, sionistas ou qualquer forma de interesses estrangeiros".

"Todo militar superior deve fazer um juramento público de lealdade ao governo civil o qual será o resultado de eleições livres e juros", disse à IRNA.

Embora acredita improvável que generais corruptos e afins sejam presos e postos em julgamento, considerou que "a todas as figuras gradas do presente regime deveria ser exigido que declarassem os seu activos, com enormes penalidade para falsa declaração".

"Activos que não podem ter sido razoavelmente adquiridos deveriam ser confiscados", acrescentou Shakespeare.

O original encontra-se em http://www.irna.ir/ENNewsShow.aspx?NID=30240644&SRCH=1


"O Egipto precisa instituir Guardas Revolucionários"

Palestinos comemoram queda de Mubarak. LONDRES, 12/Fev – Uma lição que os manifestantes egípcios precisam aprender é que não se pode confiar em que nenhum exército regular abandone os seus privilégios sem pressão constante, segundo o jornalista e analista político Sajid Ali Khan.

Khan, antigo editor de World Affairs, sugeriu que o Egipto siga o exemplo do Irão para salvaguardar o êxito da sua revolução após a remoção de Hosni Mubarak da presidência.

"Estes manifestantes precisam agora organizar algo como uma "Guarda Revolucionária" com a ajuda dos trabalhadores que entraram em greves por melhor pagamento e condições de trabalho", afirmou à IRNA.

Com o poder temporário passado ao exército egípcio, Khan manifestou a esperança de que os militares encarem a salvaguarda das fronteiras do país como o objectivo primordial da sua existência.

Ele acredita ser impossível prever se os manifestantes terão êxito no seu objectivo de uma transição pacífica para a democracia no Egipto com os militares estando efectivamente no poder desde o derrube da monarquia em 1952.

Um dos benefícios imediatos da revolução, esperançosamente, deveria ser "deixar de ser um co-carcereiro [com Israel] da população de Gaza", afirmou.

Khan previu que um futuro governo será mais independente, mas advertiu que "não é fácil virar as costas para os milhares de milhões de dólares em equipamento militar" fornecidos pelos EUA.

"Isso dependerá das relações com os EUA, mas os sentimentos dos EUA são de pouco interesse para os egípcios por agora. Não tenho bola de cristal para dizer como isto terminará", acrescentou.

O analista acredita que relações internacionais em gerais, como no caso com a América, terão de esperar ansiosamente o que denominou um "admirável mundo novo".

"No Mar Mediterrâneo, o bloqueio medieval de Gaza é insustentável com uma Turquia forte e um Egipto forte. O efeito sobre a área do Mar Vermelho tornar-se-á aparente de modo mais ou menos imediato", afirmou.

"Israel parece estar mais vulnerável e precisará encolher as suas garras ou ter estas garras extraídas", disse Khan acerca da sua dominação do Médio Oriente durante os últimos 60 anos.

"Podemos também estar a testemunhar a dissolução da hegemonia dos EUA muito mais rapidamente do que podíamos ter imaginado", sugeriu ainda.

A maior parte das análises do levantamento no Egipto enfatizou o possível "efeito dominó" no mundo árabe, mas Khan acredita que as implicações da revolução têm potencial para alterar o equilíbrio de poder que teria repercussões regionais se não mundiais.

"A minha visão é mais vasta: uma Turquia forte, um Egipto forte e um Irão forte revoluciona o equilíbrio de poder no Mediterrâneo Oriental, no Golfo Pérsico e nas áreas circundantes", afirmou à IRNA.

O original encontra-se em http://www.irna.ir/ENNewsShow.aspx?NID=30241243&SRCH=1


As contra-revoluções emergentes na Tunísia e no Egipto

Mahdi Darius Nazemroaya

 
"O presidente Hosni Mubarak decidiu afastar-se da presidência do Egipto e designou o alto conselho das forças armadas para dirigir os assuntos do país", disse Suleiman numa breve intervenção na TV. "Possa Deus ajudar a todos".

Urras podiam ser ouvidos nas ruas do Cairo mesmo antes de Suleiman cessar de falar. E ainda que não houvesse meio de saber se o exército cumpriria seus compromissos anteriores de garantir eleições democráticas, as multidões estavam eufóricas com a notícia de que os 30 anos de domínio autoritário de Mubarak estavam acabados.

"O Egipto está livre! O Egipto está livre" gritavam eles na Praça Tahrir. "O regime caiu!".
The Washington Post (11/Fevereiro/2011)

Cartoon de Fernão Campos. Um faraó arrogante caiu. Os egípcios podem estar a cantar que o seu país é livre, mas a sua luta está longe de terminada. A República Árabe Unida do Egipto ainda não é livre. O velho regime e o seu aparelho ainda estão ali e à espera de que assente o pó. Os militares egípcios estão oficialmente a controlar o país e a contra-revolução está a emergir. Uma nova fase da luta pela liberdade iniciou-se.

As chamadas "fases de transição" pretendidas para os regimes na Tunísia e no Egipto estão a ser usadas para comprar tempo a fim de fazer três coisas. O primeiro objectivo é desgastar e finalmente as exigências populares. A segunda meta é actuar para preservar políticas económicas neoliberais, as quais serão utilizadas para subverter o sistema político e reforçar o colete-de-forças das dívidas externas. Finalmente, a terceira motivação e objectivo é a preparação da contra-revolução.

Os auto-seleccionados "homens sábios" do Egipto

Figuras desqualificadas estão a emergir, as quais afirmar estar a falar ou a liderar o povo árabe. Isto inclui o chamado comité de "homens sábios" no Egipto. Estas figuras não eleitas estão supostamente a negociar com o regime de Mubarak em nome da população egípcia, mas eles não têm legitimidade como representantes do povo. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, está entre eles. O secretário-geral Moussa disse também que está interessado em tornar-se ministro num futuro gabinete no Cairo. Todas estas figuras são ou de dentro do regime ou agentes do status quo.

Dentre estes indivíduos auto-designados está também o chefe da Orascom Telecom Holdings (O.T.H.) S.A.E., o multimilionário egípcio Naguib Sawiris. A Bloomberg Newsweek tinha isto a dizer acerca de Sawiri: "A maior parte dos homens de negócio egípcios estão a comportar-se discretamente nestes dias. Os manifestantes na Praça Tahrir do Cairo culpam-nos pelos males do Egipto e multidões até destruíram algumas das suas propriedades. Mas o mais eminente magnata do Egipto, Naguib Sawiris, presidente da Orascom Telecom Holding, a maior companhia de telecomunicações do Médio Oriente, está no Cairo a receber chamadas no seu telemóvel, a aparecer na TV e (como membro de um comité informal de "homens sábios") a negociar com o recém nomeado vice-presidente Omar Suleiman uma transferência gradual de poder do presidente Hosni Mubarak. Longe de desanimado, o multimilionário pensa que uma economia egípcia mais vibrante pode emergir da tempestade".
[1]

Os chamados "homens sábios" no Egipto estão envolvidos em bravatas. Para quem está o poder a ser "gradualmente transferido"? Uma outra figura não eleita, como Suleiman?

Qual é a natureza das negociações? Partilha de poder entre um regime não eleito e uma nova casta? Não há nada a negociar com déspotas não eleitos. O papel que os "homens sábios" desempenham é o de uma "oposição fabricada" que manterá em vigor os interesses por trás do regime Mubarak e diluirá também os movimentos de oposição real no Egipto.

Poderes ditatoriais dados a Al-Mebazaa enquanto militares da reserva tunisina são mobilizados

Na Tunísia, militares da reserva estão a ser convocados para administrar os manifestantes.
[2] A mobilização dos militares tunisinos foi justificada com o pretexto de combater o desrespeito à lei e a violência. O próprio regime tunisino tem estado por trás da maior parte destes desrespeitos e violências.

Em simultâneo com a mobilização de reservistas tunisinos, ao presidente interino da Tunísia, Fouad Al-Mebazaa, foram atribuídos poderes ditatoriais.
[3] Al Mebazaa foi o homem que Ben Ali escolheu como porta-voz parlamentar da Tunísia e foi uma figura de proa dentro do partido Constitutional Democratic Rally (CDP) de Ben Ali. Os manifestantes tentaram pacificamente impedir os membros do parlamento tunisino de votarem a concessão de poderes ditatoriais a Al-Mebazaa bloqueando a entrada no parlamento tunisino.

Todos os membros do parlamento tunisino são do "velho regime". Em meio a protestos, o parlamento tunisino ainda conseguiu avançar com o plano: "Legisladores finalmente contornaram os manifestantes entrando na sala de votação através de uma porta de serviço, informou a agência de notícias
TAP . Numa votação de 177 a 16, a câmara baixa aprovou o plano de dar ao presidente interino Fouad Mebazaa poderes temporários para aprovar leis por decreto". [4] No dia seguinte, o senado tunisino ratificou isto. [5]

Al-Mebazza agora pode escolher governadores e responsáveis à vontade, mudar leis eleitorais, conceder amnistia a quem quer que seja e contornar todas as instituições do estado tunisino através dos seus decretos. A aprovação da moção para dar a Al-Mebazaa esta quantidade de poderes ditatoriais é uma ilustração das facetas da "democracia cosmética". Este acto do parlamento canguru da Tunísia faz-se passar como um acto democrático de votação, mas na realidade todos os seus membros foram escolhido não democraticamente pelo regime Ben Ali.

Os generais egípcios e o vice-presidente Suleiman são uma continuação de Mubarak

No Egipto, os comandantes militares declararam não permitir que as manifestações continuem por muito mais tempo. As lideranças militares do Egipto estão fortemente envolvidas no status quo cleptocrático do regime Mubarak. Os generais egípcios ou os oficiais condecorados são todos membros ricos da classe capitalista egípcia. Sem quaisquer distinções, a lideranças dos militares egípcios e o regime Mubarak são uma e a mesma coisa. Todas as figuras chave no regime Mubarak saíram das fileiras dos militares.

Omar Suleiman, o recém-nomeado vice-presidente do Egipto e o general que foi antigo chefe dos serviços de inteligência do Egipto, começou por voltar atrás nas promessas feitas pelo regime Mubarak e ele próprio. O New York Times informou que "Omar Suleiman do Egipto afirma que não pensa ser tempo de suspender a velha lei de emergência com 30 anos que tem sido utilizada para suprimir e aprisionar líderes da oposição".
[6] Poucos dias antes da resignação de Mubarak, Suleiman declarara: "Ele não pensa que o presidente Hosni Mubarak precise resignar antes do fim do seu mandato em Setembro [2011]. E não pensa que [o Egipto] esteja pronto para a democracia". [7]

Foram ganhas batalhas, mas a luta continua...

Os riscos estão a ficar mais altos. O povo da Tunísia e do Egipto deveria estar consciente de que os governos dos EUA e da União Europeia estão a cobrir politicamente as suas apostas. Eles apoiam as contra-revoluções dos velhos regimes, mas também estão a trabalhar para cooptar e controlar os resultados dos movimentos de protesto. Em outro desenvolvimento, os EUA e a NATO também estão a fazer posicionamentos navais no Mediterrâneo Oriental. Especificamente com o Egipto em mente, isto também poderia significar ajuda à contra-revolução, mas também poderá ser utilizada contra uma revolução com êxito.

Os acontecimentos na Tunísia e no Egipto demonstraram estarem erradas todas as falsas suposições acerca dos povos árabes. Os povos tunisino e egípcio actuaram pacificamente inteligentemente. Eles também provaram que a suposição de uma cultura política avançada na Europa Ocidental, América do Norte ou Austrália é simplesmente um contra-senso absoluto utilizado para justificar a repressão de outros povos.

12/Fevereiro/2011
Notas
[1] Stanley Reed, "Egypt's Telecom Mogul Embraces Uprising," Bloomberg Businessweek, February 10, 2011.
[2] "Tunisia calls up reserve troops amid unrest," Associated Press (AP), February 7, 2011.
[3] Ibid.
[4] Ibid.
[5] Kaouther Larbi, "Tunisia Senate grants leader wide powers," Agence France-Presse (AFP), February 10, 2011.
[6] Helene Cooper and David E. Sanger, "In Egypt, US Weighs Push For Change With Stability," The New York Times, February 8, 2011, A1.
[7] Ibid.

The CRG grants permission to cross-post original Global Research articles on community internet sites as long as the text & title are not modified. The source and the author's copyright must be displayed. For publication of Global Research articles in print or other forms including commercial internet sites, contact: crgeditor@yahoo.com
Global Research Articles by Mahdi Darius Nazemroaya

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23179


O golpe militar no Egipto
Uma revolução abortada ou a génese de uma revolução genuína?

Behzad Majdian [*]

Polícia de choque egípcia. Milhões de pessoas no Egipto e por todo o Médio Oriente irromperam em alegria quando Omar Suleiman anunciou na sexta-feira que Hosni Mubarak havia renunciado.

Os militares egípcio decidiram expelir um ditador muito mal quisto pois isto dava azo à ameaça crescente do nascimento de uma revolução potencial nas ruas do Egipto. Se tivesse sido permitido que continuasse por mais uns poucos dias, o levantamento podia ter redundado numa revolução completa a qual potencialmente poderia destruir o estado egípcio. Para salvar o estado, os militares assumiram o comando e derrubaram o ditador teimoso. O ditador foi lançado borda a fora a fim de salvar a ditadura.

Mas como se pode explicar o júbilo do povo egípcio se aquilo que se verificou no Egipto foi na sua essência um golpe de estado militar? Uma resposta directa parece ser que a maioria dos egípcios pensa do exército como uma instituição nacional e uma força para o bem. Talvez ainda o vejam como o exército de Gamal Abdel Nasser. Contudo, há uma outra explicação possível para considerar um golpe militar como uma revolução. Os egípcios reduziram as expectativas do que uma revolução genuína poderia alcançar ao mero acto de expulsar Mubarak. Isto por sua vez poderia ser explicado por trinta anos de domínio brutal que destruíram estruturas organizacionais de grupos de oposição, encarcerando e eliminado líderes potenciais. O levantamento de dezoito dias no Egipto sofreu com a ausência de uma liderança forte e carismática. Também deixou de produzir uma no decorrer dos acontecimentos. O levantamento também foi carente de formas organizacionais vastas e efectivas.

Segundo todas as indicações, o que aconteceu parece ser um levantamento espontâneo daqueles que já não podiam aceitar mais a injustiça e a opressão do regime. O levantamento na Tunísia proporcionou a fagulha. E a desiludida juventude urbana tomou o facho e rapidamente difundiu-a à maior parte dos outros segmentos da sociedade egípcia. Trinta anos de cólera reprimida começaram a irromper. Foi tudo nas ruas para todo o mundo ver.

A euforia dos egípcios perdurará algum tempo pois continuam a celebrar a sua vitória. Enquanto isso, o exército egípcio e os seus parceiros estratégicos (as elites económicos do Egipto, os EUA e Israel) darão um suspiro de alívio e congratular-se-ão por terem administrado com êxito a "crise". Um exame superficial da reacção dos media do Ocidente deixa muito claro que as potências ocidentais e Israel sentem que ultrapassaram a primeira onda do que potencialmente podia ser um tsunami devastador. Os seus líderes permitem-se mesmo apresentar-se em actos de celebração, partilhando a sua alegria com os egípcios em relação à sua "revolução histórica" na qual o aparelho da ditadura foi poupado e a "transferência de poder" teve lugar de um modo "pacífico".

No seu discurso de sexta-feira, o presidente Obama tentou persuadir os egípcios com a insinuação de que os EUA sempre quiseram uma "democracia genuína" no Egipto e estavam satisfeitos por os egípcios irem finalmente obtê-la. Ele deu seu pleno apoio ao golpe militar ao louvar a "força moral da não-violência" na transferência do poder político no Egipto. Além disso, utilizando a metáfora da queda do Muro de Berlim, ele deu uma torção selvagem ao tentar estabelecer um paralelo entre o levantamento egípcio e as "revoluções" coloridas na Europa do Leste que produziram regime pró EUA e pró capitalistas. Realmente, um melhor paralelo aqui seriam as revoluções europeias de 1848, as quais apresentavam aspirações democráticas e igualitárias.

E agora? O que acontecerá a seguir depende de duas coisas. A primeira tem a ver com o modo como o exército egípcio e os seus parceiros estratégicos se comportarão ao tentar domar a energia democrática desencadeada pelas massas egípcias – especialmente o fervor revolucionário da juventude que parece estar a radicalizar-se rapidamente. A segunda é maneira a juventude revolucionária e as forças nacionalistas-islamicas reagirão aos esforços militares para dispersar as multidões e restabelecer o estado de coisas habitual.

O cenário ideal para o exército e seus aliados seria que as coisas retornassem rapidamente ao "normal", efectuar algumas mudanças cosméticas na estrutura de poder, suspender partes das leis do estado de emergência e planear eleições dentro de mais ou menos um ano nas quais os "moderados" acabem por sair vencedores. Se tudo correr bem, o poder económico continuará nas mãos das elites transnacionais do Egipto e o exército continuará a monitorar o poder político nos bastidores. Se o plano funcionar, os EUA continuarão a financiar o regime e exercer influência sobre ele e Israel sentir-se-á seguro outra vez. Para que este cenário funcione, é essencial que o povo egípcio actue submissamente. Com base no que vimos nas ruas egípcias nos últimos dias, pode-se dizer com certeza que o povo egípcio resistirá ao exército. Este cenário parece ser nada mais que um castelo no ar.

O cenário real poderia ser um dos três seguintes:

Primeiro cenário. Ao retornar as coisas aos normal e ao preparar as prometidas reformas e eleições, o exército actuará de acordo com os seus próprios interesses. Esforçar-se-á por proteger o seu poder político e os seus interesses económicos arraigados que estão entrelaçados aos dos super-ricos do Egipto. O exército actuará então de acordo com o que é no essencial: uma organização cujos escalões de topo da liderança estão corrompidos pelas elites transnacionais egípcias e pelos dólares que vêem dos complexo industrial-militar americano e de Washington.

Dada a natureza do exército, parece altamente improvável que os egípcios obtenham as reformas democráticas que eles prometeram. Nem tão pouco obterão eleições justas e livres, simplesmente porque o exército, as elites económicas e os seus parceiros americanos e israelenses temem que "elementos radicais" varram eleições justas e livres. Para impedir este pesadelo de acontecer, estrategas da política americana partilharão sua perícia com a classe política egípcia, exército e forças de segurança. Todos eles esforçar-se-ão por conceber e conduzir as próximas eleições de maneira a que apareçam justas e livres e produzam vencedores "moderados". Serão tomados cuidados para assegurar que o plano é executado apenas com a quantidade certa de repressão e sem demasiado sangue.

Mas funcionará? Os problemas económicos do Egipto são vastos e estruturais. O capitalismo de compadrio e a corrupção estão profundamente arraigados na economia. Ao contrário do que os media ocidentais levam a acreditar, o descontentamento principal da esmagadora maioria dos egípcios não é a ditadura política ou a violação de direitos humanos e sim, basicamente a tirania da injustiça económica e da pobreza. A isto, dever-se-ia também acrescentar a simpatia dos maiores segmentos da população egípcia com a causa dos palestinos e a sua ira em relação ao governo do Egipto pelas suas relações estreitas e subservientes com os EUA e Israel. Em eleições justas e livres, candidatos que continuem agendas de elites transnacionais do Egipto e de seus aliados estado-unidenses e israelenses perderão para aqueles que prometerão justiça económica e independência política – e advogarão nacionalismo árabe, identidade islâmica e sentimentos pró palestinos.

Neste cenário, o povo egípcio resistirá ao exército e a qualquer forma civil de governo provisório que se possa formar durante o período de "transição". Se pressionando demasiado agressivamente, este cenário poderia disparar um segundo levantamento, o qual podia levar ou a uma ditadura brutal (talvez ainda mais brutal que a de Mubarak) ou a uma revolução genuína que possivelmente poderia deitar abaixo o sistema. E se isto se materializar, há uma boa oportunidade de que a revolução possa seguir um caminho semelhante à Revolução Iraniana de 1979, a qual finalmente retiraria o Egipto do bloco americano-israelense no Médio Oriente. Provavelmente a primeira resposta de Israel a um tal desenvolvimento seria emboscar o exército do Egipto a fim de destruir a sua força aérea e reocupar a Península de Sinai (1967 outra vez). Os EUA podem também juntar-se a Israel no ataque ao Egipto.

Agora o segundo cenário. Virá um novo roteiro de Washington, o qual incluirá uma nova estratégia de divisão e conquista que o Departamento de Estado e a "indústria da democracia" americana estabeleceram com as lições que aprenderam na Europa do Leste e no Iraque, assim como nas suas relações com a Autoridade Palestina. Será distribuído dinheiro entre certos elementos da oposição sob o disfarce de apoio à democracia. Isto incluirá os truques habituais do negócio: oferecer treino a activistas da democracia, proporcionar peritos de campanha, estratégias de campanha e seminários de liderança para vários grupos políticos e partidos, etc. Este serviços "bem intencionados" serão fornecidos por organizações como o the National Endowment for Democracy e a Freedom House, os quais são nomes bem conhecidos na indústria da democracia têm realizações comprovadas na ajuda à produção de "revoluções" amistosas para os EUA e em resultados eleitorais. (Há indicações de que a Freedom House já trabalha no Egipto)

Também será distribuído dinheiro encobertamente (subornos) a vários elementos na oposição e na sociedade em sentido amplo. O objectivo será transformar candidatos da oposição em "moderados" e criar divisões, lutas internas e desconfiança entre grupos da oposição e dentro da população egípcia em geral. Tudo isso ajudaria a corromper grupos e candidatos da oposição. Isto também pode ser utilizado para por em causa da legitimidade de eleições que acontecer produzirem resultados que fossem inaceitáveis para os EUA.

O dinheiro podia ser trazido para dentro do país ou sob programas com nomes capciosos tais como "Egypt Democracy Project" ou "Help Egypt Build Democracy", ou disfarçado como um pacote de "ajuda económica" destinado a ajudar a economia egípcia a recuperar-se. Também é possível que o Egipto obtivesse tanto um pacote "democracia" como um programa de "ajuda económica"
[1] . O objectivo do pacote económico (talvez substancial) será efectuar um rápido impacto temporário nas vidas das pessoas. Suas possíveis formas incluem investimentos directos na economia e pequenos empréstimos aos egípcios médias. A esperança seria de que a ajuda daria frutos dentro de cerca de um ano – a tempo de melhorar a imagem dos EUA e seus aliados egípcios e ajudar "moderados" a ganharam as eleições. Podem pedir aos sauditas que contribuam com algo ou a maior parte da conta.

Se este roteiro for seguido, pode ter êxito em alguma medida por algum tempo. Não dará aos EUA e Israel o que eles realmente desejam: um fantoche estratégico estável e confiável no Egipto. No entanto, do seu ponto de vista, será preferível a uma genuína democracia no Egipto que seria claramente um perigo grave para os interesses estratégicos e hegemónicos dos EUA no Médio Oriente. Se o roteiro acabar por funcionar, significa que a revolução egípcio foi abortada. O resultados final será um Egipto que parecerá menos como a Turquia, o que alguns egípcio gostam de imaginar, e mais como o Iraque.

Finalmente o terceiro cenário. O exército e seus parceiros aplicarão estratégias planeadas os dois primeiros cenários simultaneamente a fim de maximizar oportunidades de êxito. Repressão, artimanhas democráticas e dinheiro juntarão forças para salvar a ditadura egípcia.

Os egípcios devem congratular-se por derrubar um ditador-fantoche brutal. O feito que alcançaram é verdadeiramente monumental. Contudo, não é suficiente. O desafio real está à frente. Precisam estar vigilantes pois serão testados em breve. A sua revolução apenas começou. Terão de escolher entre jogar o jogo que os EUA e Israel têm em mente para eles, por um lado, e destruir a maquinaria da ditadura egípcia e substituí-la por um sistema genuinamente democrático, por outro. Precisarão escolher entre uma revolução abortada, por um lado, e uma revolução democrática que lhes permitisse manter a sua dignidade restaurada e dar-lhe força política, igualdade económica e desenvolvimento social, por outro lado. Quanto neste momento histórico os egípcios estão a encarar as suas opções, os EUA e Israel estão a enfrentar o seu maior desafio na região das últimas décadas. Todo o Médio Oriente poderia explodir nas suas caras quando ditadores-fantoches da América – os chamados "moderados" – estiverem a enfrentar revoltas e possivelmente revoluções.

14/Fevereiro/2011

[1] Em 1975, no auge da Revolução Portuguesa, a Embaixada dos EUA, encabeçada por Frank Carlucci, começou a distribuir financiamentos para programas de habitação popular.

[*] behzamaj@gmail.com . Ver também "Obama, Iran, and Israel" (MRZine, 2 March 2009), do mesmo autor.

O original encontra-se em
http://mrzine.monthlyreview.org/2011/majdian140211.html






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