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Asunto:NoticiasdelCeHu 75/11 - O gigante adormecida desperta no Egito (Paulo Visentini)
Fecha:Sabado, 12 de Febrero, 2011  06:59:26 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 75/11

O gigante adormecida desperta no Egito

As ondas de choque produzidas por uma mudança política violenta e imprevisível no Egito poderão afetar toda a região por longo tempo e alterar as correlações de força regionais. O Egito possui 83 milhões de habitantes, tem sido o coração do mundo árabe e ocupa uma posição geopolítica sensível, pois liga dois oceanos via canal de Suez, dois continentes (África e Ásia) e faz fronteira com Israel e a faixa de Gaza. Além disso, representa uma peça chave na estratégia dos Estados Unidos e da União Européia.

AS FORÇAS QUE DISPUTAM O EGITO
As massivas manifestações de rua no Egito produzirão efeitos internos e externos muito mais sérios que os da Tunísia. O Egito possui 83 milhões de habitantes, tem sido o coração do mundo árabe e ocupa uma posição geopolítica sensível, pois liga dois oceanos via canal de Suez, dois continentes (África e Ásia) e faz fronteira com Israel e a faixa de Gaza. Além disso, representa uma peça chave na estratégia dos Estados Unidos e da União Européia. As ondas de choque produzidas por uma mudança política violenta e imprevisível poderão afetar toda a região por longo tempo e alterar as correlações de força regionais.

Que regime é este e que forças se lançam contra ele? As forças armadas têm sido o principal pilar do poder desde que implantou a república em 1952, através de um golpe de Estado que levou Nasser ao poder. Sadat, que o sucedeu após sua morte em 1970, e Mubarak, que assumiu quando este foi assassinado em 1981, foram militares, assim como Nasser. Mas o Egito não pode ser caracterizado como um regime militar, pois estes sempre evitaram exercer diretamente o poder, ainda que gozando de privilégios. Houve sempre uma poderosa burocracia civil e, com os dois últimos, uma influente classe empresarial.

Da mesma forma, Mubarak foi sempre um líder hábil que estabilizou o Egito depois dos tumultuados anos de Nasser e Sadat. A transição que está acontecendo agora deveria ter ocorrido há vinte anos, e o desaparecimento do regime provocará um caos preocupante. Mas uma das vantagens do atraso egípcio é que a sociedade está relativamente madura para evitar um islamismo desestabilizador que era dominante naquela época. Se houvesse eleições agora, muito provavelmente a Irmandade Muçulmana, um partido criado nos anos 1920 e atualmente proscrito, venceria com vantagem. Mas ele está dividido entre uma ala moderada e uma retrógrada.

Há uma força nova, que o acadêmico Tarek Osman denomina de capitalistas liberais, liderada por Gamal Mubarak, o filho do presidente[1]. Ele domina a maior parte das atividades econômicas, financeiras e de serviços, apoiando-se em favores do regime. Mas há igualmente uma classe média ressentida pelas práticas do desgastado regime e uma maioria esmagadora de jovens, a maioria pobre e desempregada, parte dela sensível ao discurso islâmico e outra ao modernizador. Detalhe importante, o Egito já é uma sociedade bastante internacionalizada, daí a razão do governo haver cortado a internet e as conexões telefônicas.

Há pressão internacional para que Mubarak encontre uma solução e a nomeação do chefe da inteligência, General Omar Suleiman, à vice-presidência vaga desde 1981 foi reveladora. Mubarak busca apoio do exército para a manutenção temporária do poder e a preparação de uma transição pactuada envolvendo personalidades consideradas pelo povo como não corrompidas. A posição do exército será, portanto, decisiva. O Faraó Ahmose, fundador do Novo Império egípcio definia seu mandato faraônico como manter a ordem (maat) e evitar o caos (isfet). Esta é a visão tanto de Mubarak como dos militares, mas a longa presidência apenas equilibrou forças tradicionais e novas sem um projeto futuro, que o Egito hoje reclama. O tempo para uma transição é curto e o caos representa uma possibilidade não desprezível.


MUNDO ÁRABE: REVOLUÇÃO (DEMOCRÁTICA) OU REVOLTA?
A inédita onda de protestos que tem varrido o mundo árabe nas últimas semanas deixa no ar uma questão crucial: ele ingressa numa nova era de superação de regimes autoritários, ou vive mais uma de suas periódicas explosões de ira? Sem dúvida há uma crise geral, mas em cada país a realidade é diferente. O Marrocos logrou fazer uma transição bem sucedida entre dois reis há uma década, a Tunísia parece ter conseguido uma transição sem uma ruptura radical, a Síria mantém o statu quo, da mesma forma que, precariamente, a Jordânia, e a Líbia, apesar de Kadafi estar há mais de quatro décadas no poder.

Os Emirados Árabes vivem a crise de seu capitalismo Disney World, a Arábia Saudita está perdendo sua longa estabilidade e o Iraque (na prática, dividido em três) dispensa comentários. Mas há três países que definirão a futura tendência da região: Egito, Argélia e Iêmen. O primeiro é o centro do mundo árabe, afeta diretamente a posição de Israel e o esquema estratégico Ocidental, tendo sido analisado acima. Na Argélia nada foi resolvido desde que, há vinte anos, um golpe militar impediu os islâmicos de assumirem o poder, mas a sociedade está exausta.

Já o Iêmen, localizado no sul da península arábica e defronte aos piratas somalis, controlando a saída do Mar Vermelho, é um país gravemente fragilizado. O governo é herdeiro de uma república nasserista (cuja sociedade clama por democracia e desenvolvimento), mas tem de enfrentar grupos terroristas ligados à Al-Qaeda, tribalismo muçulmano e socialistas do antigo Iêmen do Sul (absorvidos em 1990 mas que já estão reivindicando novamente a independência). Trata-se de um país pobre, super-povoado, a beira do colapso e que ocupa uma posição geopolítica vital.

Os árabes não são diferentes dos demais povos e desejam a mesma coisa: uma vida digna. Mas eles se encontram divididos quanto ao caminho a percorrer para atingi-la. Como em outras oportunidades ao longo da história, o desfecho dependerá também da atitude que os poderes do mundo tenham em relação a eles. Mas a pergunta é: o Ocidente compreende realmente o problema?

[1] Para compreender a crise atual, ver Tarek Osman. Egipt on the brink. Yale University Press, 2010


Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais da FCE/UFRGS.