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Asunto:NoticiasdelCeHu 401/10 - INDÚSTRIA E COMÉRCIO NA REGIÃO SUL: Algum as considerações
Fecha:Jueves, 7 de Octubre, 2010  07:43:26 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 401/10
 

INDÚSTRIA E COMÉRCIO NA REGIÃO SUL: Algumas considerações

 

 

                                                                                     Carlos José Espíndola

                                                                                     José Messias Bastos

 

 

Resumo

 

O desenvolvimento atual das três grandes áreas geoeconômicas do Sul do Brasil está alicerçado na criação de um tecido industrial que teve seus fundamentos construído a partir da pequena produção mercantil que foi implantada com o povoamento das áreas de floresta desta porção do território brasileiro.

 

Abstract

 

The current development of three major geoeconomic areas of southern Brazil is founded on creating an industrial structure that had its foundations built from petty commodity production, which was implanted with the settlement of forest areas in this part of Brazil.

Introdução

 

O povoamento de parte considerável do território correspondente à Região Sul, iniciado de forma efetiva a partir de meados do século XVIII, difere em pontos cruciais do povoamento do restante do território brasileiro, pois a democracia agrária permitia mudanças muito freqüentes na trajetória econômica dos inúmeros pequenos, médios e mesmo grandes estabelecimentos industriais, comerciais e agrícolas. Com grande potencial de consumo e de produção a referida região integrou-se muito precocemente aos grandes centros comercial (as áreas de colonização açoreana do litoral ao Rio de Janeiro no século XIX) e industrial (as áreas alemãs e italianas no século atual à São Paulo). Dessa forma, o capitalismo industrial engendrado na região a partir de uma consolidada pequena produção mercantil e inicialmente com pequenos estabelecimentos, teve que fazer esforço não só de superação das desvantagens locacionais, como também de empreender estratégias econômicas para fazer frente aos grandes grupos nacionais e estrangeiros do Centro-Sul do país, pois, conforme MAMIGONIAN (1982), analisando a história econômica da indústria de Santa Catarina, assinala que situadas "distantes do mercado consumidor, as empresas catarinenses tiveram que se aprimorar permanentemente. renovando máquinas e métodos de trabalho. enquadrando mão-de-obra e rebaixando custos".

Assim fazendo uma análise da estrutura industrial e comercial do Sul do Brasil, percebe-se, de forma clara, não só a hegemonia dos capitais regionais no controle dos empreendimentos dos principais setores do comércio, como também o dinamismo muito forte das redes de lojas em termos de produtividade, crescimento e modernização.

Para completar este quadro ressalta-se a idéia que de o Sul do Brasil não é periférico ou complementar ao centro dinâmico do capitalismo industrial brasileiro (São Paulo, principalmente) como ocorre com o Nordeste e o Brasil Central, mas sim concorrencial, pois foi estruturado nesta porção do território brasileiro um capitalismo com dinamismo próprio.

Cabe, então, neste interino fazer um esforço de regionalização do Sul com base no processo de formação histórico-espacial, a partir da premissa que o comando da vida de relações na atual conjuntura é ditado pelo tecido industrial edificado pela imigração européia do século passado nos três Estados Brasil meridional. A primeira região, da fachada atlântica com industrialização tradicional, originada a partir do estabelecimento de imigrantes açorianos, alemães, italianos, poloneses e ucranianos em pequenas propriedades, destacando-se a área da encosta da serra gaucha e das bordas do planalto mais fortemente polarizado pela região metropolitana de Porto Alegre, as áreas alemãs do Vale do Itajaí e de Joinville, o Leste e o Sul catarinense e região metropolitana de Curitiba.

A segunda grande região engloba áreas que tiveram no passado a economia de criação extensiva de gado bovino, em campos naturais, onde se desenvolvem atualmente atividades ligadas, sobretudo à indústria de papel e celulose, frigoríficos de carne bovina e indústria madeireira correspondendo às áreas do Sul do Rio Grande do Sul , campos de Lages, Vacaria, Curitibanos, Guarapuava e de Ponta Grossa).

A terceira região está localizada mais a oeste dos três Estados sulinos e correspondem as áreas de floresta que se tornaram fronteira agrícola na primeira metade do atual século, destacando o Noroeste do Rio Grande do Sul, o Oeste Catarinense, o Sudoeste e Norte-Noroeste do Paraná, onde são predominantes atividades ligadas a agro­indústria e a implementos agrícolas.

Assim sendo, este trabalho constitui-se numa primeira tentativa de aproximação entre a indústria, o comércio e a formação sócio-espacial da região Sul do território brasileiro.

Esse texto divide-se em quatro grandes seções. A primeira - composta da introdução - que visa apresentar a região Sul. A segunda que procura mostrar um panorama geral da indústria no desenvolvimento do Sul do país. A terceira parte refere-se à estrutura da indústria sulina, com base na regionalização proposta na introdução e, a última seção emite considerações sobre a dinâmica do capital comercial regional.

 

Palavras chave: Brasil Meridional, desenvolvimento, comércio, indústria

 

Keywords: Southern Brazil, development, trade, industry

 

Panorama Geral da Indústria

 

A região Sul composta pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentaram nas últimas décadas um equilibrado desempenho participativo no conjunto da economia nacional. A tabela 1 demonstra que os valores giraram em tomo de 17% entre 1970 e 1985. Já a região sudeste diminuiu sua participação no período em cerca de 7,6%.

 

TABELA 1

Participação das Regiões no Produto Interno do Brasil 1970-1985

Anos

Regiões

1970

1975

1980

1985

Norte

2,1

2,0

3,1

3,8

Nordeste

11,7

11,0

11,9

13.0

Sudeste

65,5

64,8

62,2

57,6

C. Oeste

3,8

4,1

5,5

8.7

Sul

16,7

17,9

16,9

16,7

BRASIL

100,0

100,0

100,0

100,0

Fonte: IBGE. Diretoria de Pesquisas. Departamento de Contas Nacionais. Adaptado a partir de BANDEIRA, Pedro S. A Economia da Região Sul. In: Affonso, R. de B.A. & SILVA, Pedro, LB. (Org.) Federalismo no Brasil. São Paulo: UNESP, 1995

 

Ademais, entre 1970-85, as taxas médias anuais de crescimento do produto interno da região Sul foram da ordem de 7,70% contra 6,78% do Sudeste brasileiro (BANDEIRA 1995). Esse aumento de participação da região Sul no produto interno brasileiro decorre, dentre outros fatores, de uma significativa importância do setor secundário, conforme dados da tabela 2. Assim, a participação do produto industrial na referida região, em relação ao Brasil, cresceu de 11,9% em 1970 para 15,7% em 1985. O aumento de participação do setor secundário e a queda de participação do setor primário, foram os responsáveis pela manutenção do seu desempenho no conjunto brasileiro[1].

 

 

 

 

 

TABELA 2

Participação das Regiões no Valor da Transformação Industrial no Brasil 1970-85

Anos

1970

1975

1980

1985

Regiões

 

 

 

 

Norte

1,0

1,3

3,1

4,0

Nordeste

7,0

7,4

9,3

12,0

Sudeste

79,0

75,2

68,9

65,7

C. Oeste

0,8

1,1

2,2

2,4

Sul

11,9

14,8

16,2

16,7

BRASIL

100,0

100,0

100,0

100,0

Fonte: Idem tabela 1.

 

A tabela 2 demonstra ainda, uma perda de participação do produto industrial na região Sudeste e um aumento de participação nas demais regiões. O aumento de participação da região Sul no VTI, veio acompanhado da queda de participação de São Paulo e Rio de Janeiro no total do VTI da indústria de transformação do Brasil. A indústria paulista, por exemplo, caiu de 58% em 1970 para 51,9% em 1985. Já a do Rio de Janeiro apresentou mna queda de 15.6% em 1970 para 9.6% em 1985 (BANDEIRA, Op. cit., p. 230).

Pelo exposto verifica-se que a indústria do Sul do país apresentou, nas referidas décadas, performance e dinamismo superior ao Sudeste, sobretudo os estados brasileiros (Rio de Janeiro e São Paulo), que se constituem nos principais celeiros industriais do país.

Todavia, é importante destacar que o desempenho intra-regional apresenta algumas especificidades. Em termos gerais a indústria riograndense obteve entre 1970-85, menores ganhos, se comparados com a indústria catarinense e paranaense. Segundo BANDEIRA (1995), a explicação para um menor dinamismo da indústria gaúcha, relaciona-se a sua relativa distância ao centro de gravidade do mercado nacional. BARROS DE CASTRO (1980) ressalta que desde a sua origem a indústria gaúcha apresentava um caráter regional.

Contudo, conforme LAPOLLI (1993) a industrialização do Rio Grande do Sul pode ter perdido posição relativa para os dois estados do sul (SC e PR), mas tem obtido ganho de maior expressão que os Estados como o Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo.

No período de 1989-92 - fase de alta recessão - a indústria de transformação riograndense apresentou taxas de -5,2% a.a., contra -5,5% a.a. da indústria de transformação nacional (índice econômico FEE, 1992, apud LAPOLLI, 1993)[2] Destaque-se que a indústria riograndense, nas últimas décadas, vem paulatinamente buscando uma maior integração interindustrial e uma intensa diversificação.

A indústria paranaense, por sua vez, cresceu em média, na década de 80, cerca de 4,7% a.a., contra 2,2% a.a. da indústria brasileira. Dentre os principais fatores responsáveis pelo dinamismo positivo da indústria paranaense, destaca-se "os investimentos realizados em segmentos modernos, representativos das atividades relacionadas ao novo paradigma tecnológico da informação e comunicação[3]. Desta forma, ganharam representatividade os segmentos voltados para a produção de máquinas e aparelhos eletrônicos, fitas e discos magnéticos e o de fabricação de aparelhos e equipamentos de telecomunicações" (CUNHA, 1995: 129).

A partir de 1975 a indústria paranaense apresentou crescimento acelerado, com taxa média anual de 22% ao ano, no período de 75-80. Esse crescimento foi substanciado pelo Programa Especial de Fomento à Industrialização (PEFI)[4] a instalação da Refinaria da Petrobrás, que entrou em operação em 1977 e, promoveram transformações profundas na estrutura produtiva, com o aumento de participação do setor de química no valor de produção da indústria de transformação do Paraná. Destacam-se, neste contexto os investimentos agroindustriais nas cadeias produtivas de carne de frango e suíno, por grupos locais e catarinenses (Sadia, por exemplo).

Na década de 80, a estrutura industrial paranaense é novamente alterada com os investimentos realizados pela Volvo S/A. Ressalte-se, neste caso, o papel desempenhado pelas classes dominantes regionais que articularam uma aliança com o capitalismo monopolista estrangeiro, visando à industrialização recente de Curitiba (MAMIGONIAN,1982).

Assim, a participação da indústria de material de transporte, com ênfase na produção de ônibus e caminhões, aumenta sua participação na produção industrial de 2, 1% em 1980 para 7,2 em 1989. Destaca-se ainda, o aumento de participação das indústrias de papel e celulose, freezers, refrigeradores, etc.

A indústria catarinense vem gradativamente aumentando sua participação no PIB da região Sul do Brasil. De uma percentagem de 18,3% em 1980 para 21,6% em 1984 (MAMIGONIAN, 1986). Esse aumento configura-se, também, no aumento de participação no total do VTI da indústria de transformação no Brasil. De um total de 2,56% em 1970 para 3,95% em 1985 e sua população participa com apenas 3% da população brasileira.

A indústria catarinense é a quinta do país em número de trabalhadores (305 mil) e a sexta em quantidade de empresas (12 mil) e em 1996 o Estado catarinense exportou US$ 2,6 bilhões, 5,5% do total exportado pelo Brasil. Em termos de utilização da capacidade instalada, o percentual médio da indústria catarinense foi da ordem de 84,1 % contra 81 % do Rio Grande do Sul e 74% do Paraná (FIESC, 1997).

Outras considerações poderiam ser feitas em relação às indústrias do Sul do Brasil e as atuantes nos diferentes estados. Mas em termos gerais pode-se afirmar que "enquanto no Paraná se destacam o Bamerindus e a CR Almeida (engenharia) e no Rio Grande do Sul a Varig e o Grupo Gerdau (siderurgia) como grandes grupos nacionais, em Santa Catarina os grandes grupos privados de projeção nacional são todos eles industriais e se dispersaram pelas várias regiões: Sadia Transbrasil, Perdigão no Oeste; Hering, Artex, Tupy, Tigre-Hansen, Weg, etc. nas áreas de alemães; Guglielmi, Freitas e Gaidzinski na área carbonifera, além da Portobello - Usati no Litoral central" (MAMIGONIAN, 1986)[5]

Com base nos dados, pode-se afirmar que as indústrias do Sul do Brasil apresentaram notável dinamismo. Contudo, esse dinamismo decorre da responsabilidade de indústrias específicas que estão regionalmente localizadas em diferentes áreas dos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

 

A estrutura regional da Indústria do sul do Brasil

 

Como visto anteriormente, o processo de ocupação do Sul, ao contrário das demais regiões brasileiras, esteve diretamente ligada ao processo colonizador estatal e privado dos últimos séculos. Essa ocupação caracteriza­-se "por colonizações de pequenos agricultores alemães. italianos e poloneses (sec. XLY e XX). que coexistem com povoamentos luso-brasileiros de origem mais antiga (XVII e XVIII) e consagrados à criação no planalto, e à pequena lavoura no litoral" (MAMIGONIAN, 1965: 63).

As especificidades das etapas dos processos de colonização e a dinâmica econômica das diferentes atividades produtivas[6], possibilitou a estruturação de distintas regiões geoeconômicas no sul do país e nos estados.

Assim, de forma preliminar, pode-se afirmar que o estado do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul estão estruturados em três grandes zonas geoeconômicas.

 

Área de colonização recente (séc. XIX)

 

Nessa primeira região destaca-se no Paraná a região metropolitana de Curitiba. Historicamente. Curitiba é o centro industrializado de maior envergadura no Estado. Nesse conglomerado urbano instalaram-se grandes montadoras de automóveis e ônibus, como a Renault, Volvo, Chrysler, Audi e Detroit Diesel Corporation. A instalação dessas montadoras na região metropolitana de Curitiba contou com o apoio do Estado do Paraná, através do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE), "uma caixa de fomento administrado pelo Banestado, enfardado pelos Royalties de Itaipu e de todos os investimentos privados no Paraná" (EXPRESSÃO, 1996: 15)[7]. Nesse processo o governo do Paraná ofereceu US$ 300 milhões de participação no capital (40%), terreno (2,5 milhões de m2), infra-estrutura de estradas e telecomunicações, terminal exclusivo no Porto de Paranaguá, dilatação no prazo de pagamento do ICMS (4 anos no mínimo) e 10 anos de isenção de impostos em São José dos Pinhais (EXPRESSÃO, 1996). Em Santa Catarina, se destacam nessa região as áreas de origem alemã do Vale do Itajaí e de Joinville e italiana do Sul do Estado. A área alemã é a mais industrializada do Estado, totalizando mais de 50% do valor da produção industrial catarinense. Nesta área destacam-se as cidades de Joinville e Blumenau. Os ramos industriais predominantes são os de metalurgia, mecânica, elétrico-comunicação, material de transporte, plástico, têxtil, vestuário-artefatos, têxteis, "química" e mobiliário e as firmas de projeção nacional e mundial são a Consul-­Embraco, Tupy, Hansen-Tigre, Weg, Hering, Artex etc.). No Sul do Estado destacam-se grandes centros industriais como Criciúma (cerâmica metalurgia, vestuário), Tubarão (onde se localiza a Termoelétrica Jorge Lacerda e cerâmica) e Urussanga (cerâmica). Recentemente foi vivificado os investimentos no setor carbonífero (paralisado com a abertura comercial do (des)governo Collor) e constituição de distritos industriais ligados a confecção, calçados, entre outros.

No Rio Grande do Sul destaca-se o eixo industrial Porto Alegre-Caxias do Sul. A região de colonização recente do Rio Grande Sul, compreende parte da encosta da serra, planalto e baixada, sendo caracterizada predominantemente por imigrantes italianos, que desenvolveram industrialmente a produção vinícu1a (Dreher-­Bento Gonçalves) e frigoríficos (Frigosul-Canoas). Na área de imigrantes alemães, sobressai a produção de fumo, com a presença da Souza Cruz desde 1920 em Santa Cruz do Sul.

Segundo MAMIGONIAN (1985) "esta pequena produção mercantil, que lembra o povoamento do nordeste dos EUA no século XVII, foi fator fundamental para entender o êxito de industrialização de Novo Hamburgo, Caxias do Sul e etc. ". No entorno da Grande Porto Alegre, grupos como a Ford GM, Pirelli, entre outras anunciaram novos investimentos. Em contrapartida, na região do Vale do Rio dos Sinos, entre 1991-96, 79 empresas calçadistas faliram e outras 26 fecharam (EXPRESSÃO, 1997a).

 

Área de Latifúndio

 

No Paraná as áreas que fazem parte dessa região são Ponta Grossa, Irati, Guarapuava, entre outras.

Destaca-se nessa porção do território paranaense a indústria de papel e celulose (KIabim) em Telêmaco Borba e a Lutcher (Guarapuava). Por outro lado, a indústria de madeira possibilitou o surgimento da indústria de fósforos (Irati) e esquadrias (Ponta Grossa).

Na década de 80 e 90, os campos gerais de Ponta Grossa constituem-se como área de maior parte dos novos investimentos produtivos no estado do Paraná, posteriormente a região metropolitana de Curitiba. A sua localização, relativamente próxima a capital do Estado e ao porto de Paranaguá e também como zona de passagem dos grãos que vêm do Oeste e do Paraguai, estimularam investimentos como a construção de fábricas de carpetes (Beaulieu Kruisnoutern - multinacional com fábricas na Bélgica, África do Sul e Austrália), pneus e frangos (Sadia). Em Ponta Grossa, por exemplo, a unidade produtora de produtos derivados de suínos (do Grupo Sadia) foi reestruturada para a produção de pizza e salgadinhos.

No Planalto catarinense destaca-se o beneficiamento de papel e papelão. Nessa área a produção de maneira acelerada pela modernização das rodovias e a "penetração dos madeireiros/colonos italianos e alemães do Rio Grande do Sul (Battistella, Lüersen, Dal 'Asta e outras); assim como também a pasta mecânica iniciada com técnicas rudimentares por Primo Tedesco em Caçador (1937). " (MAMIGONIAN, 1985) No segundo qüinqüênio da década de 50, os grupos Hering e Bornhausen montaram uma indústria para a produção de papel e papelão, mas foram obrigados a vendê-la ao grupo Olinkraft (EUA). As condições naturais da região, por sua vez, estimularam a entrada de grupos multinacionais (Rigesa) e nacionais (KIabin).

Na porção austral do Rio Grande do Sul e nos campos de Vacarias predomina a pecuária bovina e o cultivo de arroz. A partir de 1917, os governos Federal e Estadual concederam isenções de direitos alfandegários (5 anos), reduções de fretes para transporte de carne, empréstimos para atrair grandes frigoríficos, instalando-se, então, o Armour (Livramento), a Cia de Pelotas (pelotas) e a Cia Swift do Brasil (Rio Grande). (SUZIGAN, 1989). Ressalte-se que surgiram alguns frigoríficos de capital local a exemplo do que ocorreu no interior de São Paulo e do Paraná.

Atualmente essa região é a de pior desempenho econômico e industrial. O PIE de Pelotas, por exemplo, encolheu quase 7% em 19%. Em Pelotas, a derrocada da indústria de doces e conservas - em decorrência da importação do pêssego grego - devastou a economia. O número de empregos no setor caiu de 17 mil em 1989 para 3.500 em 1996. Isto é, uma queda de 485% no total de trabalhadores empregados no setor (EXPRESSÃO, 1997a: 26). Soma-se ainda, a perda de competitividade do Porto de Rio Grande. Cabe assinalar que os gaúchos tiveram decisiva participação na administração pública federal (vários presidentes da República) o que pode ter contribuído para certo imobilismo empresarial em algumas regiões do Estado.

 

 Área de colonização muito recente (séc. XX).

 

No Paraná duas grandes áreas fazem parte dessa terceira região geo-econômica. A primeira Norte-Noroeste do Estado - decorrente da expansão da cafeicultura paulista, pós década de 20 - caracteriza-se por uma região agrícola muito importante, onde a indústria surge como complemento à atividade primária. Trata-se da indústria de primeiro beneficiamento dos produtos primários abundantes na região. Portanto, nessa área destacam-se as indústrias alimentares, como beneficiação do café e a extração de óleos vegetais (NESTLÉ, SAMBRA). A partir de 1975, em decorrência de uma grande geada que dizimou as plantações, essa região passou a ser sustentada no tripé soja-milho-trigo. Em termos industriais, destaca-se, recentemente, os investimentos da Dixie Toga na cidade de Londrina.

O sudoeste - colonizado por gaúchos e catarinenses descendentes de italianos e alemães - têm no minifúndio familiar, nas agroindústrias e cooperativas o seu sustentáculo econômico. Essa área foi alvo de fortes investimentos, entre as décadas de 60-90, oriundos de grandes grupos econômicos agroindustriais catarinense, como por exemplo, o grupo Sadia que instalou ou adquiriu unidades industriais em Toledo (1966), Dois Vizinhos e Pato Banco. Na década de 90 foi criado em Cascavel o Parque Tecnológico Agroindustrial do Oeste e o Grupo Sadia investiu, em 1996, cerca de R$ 10 milhões na ampliação de sua unidade em Toledo e R$ 80 milhões em Francisco Beltrão.

No Oeste catarinense merecem destaque os frigoríficos de suínos e aves (Sadia, Perdigão, Aurora, Chapecó) que após conquistarem o mercado nacional, partiram agressivamente para a conquista do mercado externo. A partir de 1970, esta região recebeu vultosos investimentos, por parte do Grupo Hering, para a produção do farelo e óleo de soja, visando o atendimento do mercado (CEVAL).

O Noroeste do Rio Grande do Sul a área de pequenos produtores mercantis, dedicam-se a produção agropecuária, com o destaque para a produção de milho, soja e, a criação de suínos. Industrialmente, destaca-se a indústria de máquinas e implementos agrícolas e agroindustriais processadoras. Ressalte-se que boa parte dos frigoríficos de origem local foi sendo gradativamente adquiridos pelos grupos agroindustriais catarinenses (Sadia. Perdigão, entre outros).

Pelo exposto, verifica-se que grosso modo, as três grandes regiões dos Estados Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentam uma estrutura industrial sólida e diversificada. Assinala-se ainda que as referidas áreas alcançaram grande êxito em seu processo industrial em virtude da abundância de recursos naturais (madeiras, solos férteis), a capacidade empreendedoras de empresários oriundos das fileiras da pequena produção mercantil que foi transplantada da Europa no século passado e as grandes transformações econômicas e políticas a foi submetido o Brasil, principalmente após a Revolução de 30. Este êxito industrial contrasta com a fraqueza, até recentemente, da industrialização nas áreas de pecuária extensiva (Campanha Gaúcha, Campos de Guarapuava, Ponta Grossa, Lages, etc.) (MAMIGONIAN, 1985).

 

Considerações sobre o desempenho do setor comercial no Sul do Brasil

 

O desempenho do setor comercial no contexto econômico brasileiro não difere muito do setor industrial, pois nas estruturas urbanas sulinas percebe-se com nitidez a hegemonia dos capitais regionais familiares em praticamente todos os ramos do atacado e do varejo.

Para obtermos uma idéia do comportamento das principais redes varejista nos últimos anos, analisaremos a seguir o comportamento do setor supermercadista através dos levantamentos periódicos realizados pela ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), divulgados regularmente, desde 1980, através da revista SuperHiper, quando se observa alternância significativa das redes que disputam a hegemonia do setor e mesmo o desapa­recimento de algumas, como Casa da Banha do Rio de Janeiro, Morita de São Paulo, por exemplo. No caso das empresas do Sul do país, o comportamento das redes é diferente, algumas permanecendo praticamente no mesmo patamar desde o início da pesquisa dos 300 maiores supermercados do país: outras ganhando, ano após ano, pontos na classificação geral. Dentre aquelas que se enquadram no primeiro caso, encontram-se as empresas do Rio Grande do Sul como a Cia. Real de Distribuição que variou no período de 1980 a 1994 entre as posições de 7° e 10° lugares, A Zaffari &Cia. variou entre 8° e 13° (em 1997 atingiu a 83 colocação) e a Nacional CDA Ltda., desse mesmo Estado, que foi rankiada em 1997 na 6ª colocação (em 1986, quando aparece pela primeira vez no ranking, encontrava-se em 19° lugar), além do desaparecimento da Cia Do Sul, são as exceções. Entre aquelas que deram saltos significativos no setor, estão as firmas paranaenses e catarinenses. Do Paraná aparecem Demeterco & Cia. Ltda. que saltou da 73a posição em 1987 para a 12a em 1997; os Supermercados Condor Ltda., de 101a para 30a; Irmão Muffato e Pedro Muffato resultantes da cisão em 1981 do grupo Muffato encontrava-se posicionado em 64a e, em 1994, se estivessem juntas, estariam no 20a colocação (estas foram rankiadas em 94, respectivamente, na 38a e 50ª posição); a SenffParati S.A., de 80° para 45°; e o Supermercados Coletão, de 141° para 42° entre 1980 e 1997.

Em Santa Catarina destacaram-se no período algumas redes como o A. Angeloni & Cia. Ltda. e os Supermercados Vitória Ltda. que saltaram respectivamente, de 43° e 68° lugares em 1981, para 20° e 22° em 1997; os Supermercados Santa Mônica, de 145° para 83° no referido período, em 1996, um ano antes da divisão que deu origem Hippo supermercados, a empresa chegou a atingir 70ª colocação.

No ramo de lojas de móveis e eletrodomésticos a rede de Lojas Arapuã de São Paulo, considerada, até 1994, como a maior do Brasil em termos de número de lojas, com cerca de 350 estabelecimentos comerciais espalhados pelo território brasileiro, reduziu em 1995 para 270 lojas. Só no Sul do país, 15 casas cerraram as portas, sendo 4 no Rio Grande do Sul e 11 no Paraná e Santa Catarina. Ao mesmo tempo, a rede Colombo, que inicia nos anos 80 extraordinária arrancada, chegando a um crescimento médio de 25 novas filiais por ano na referida década, chegando ao final de 1993 com 212 filiais. Em maio de 1994, quando já havia instalado 220 empresas comerciais, assume o controle de sua principal concorrente em Porto Alegre, a J H Santos, que tinha rede com 40 lojas. Assim, a Colombo torna-se, com o encolhimento da Arapuã e a abertura de novas filiais, a maior rede do Brasil em número de lojas no ramo de eletrodomésticos com cerca de 280 estabelecimentos até fevereiro de 1995.

Partindo agora para análise de alguns dados macro-regionais de modernização do setor de supermercados (Tabela 3) com os percentuais de automatização por lojas, check-outs, área de vendas e número de funcionários proporcionalmente ao número de redes em cada região do país. Verifica-se que o Sul, em todos os índices, foi superior às outras regiões, sendo mesmo superior ao Estado de São Paulo em praticamente todos os percentuais, ficando abaixo somente no item lojas automatizadas por funcionários com a cifra de 30% e São Paulo 33%.

 

Tabela 3

Total Geral de Lojas Automatizadas nas Regiões Brasileiras

Matriz

 

Região

Lojas

Check-outs

Área vendas (m2)

Funcionários

Total

Lojas autom.

%

Total

Lojas autom.

%

Total

Lojas autom.

%

Total

Lojas autom.

%

SP

397

78

20

5.817

1.756

30

586.303

175.986

30

41.878

13.727

33

RJ, MG, ES

188

29

15

4.184

1.001

24

430.139

124.154

29

32.492

7.511

23

PR, SC, RS

155

34

22

2.384

738

30

219.811

77.860

35

17.478

5.350

30

Norte/Nordeste

195

25

13

2.363

767

32

245.101

77.366

32

18.857

5.215

28

Total Brasileiro

936

167

18

14.758

4.272

29

1.482.854

456.866

31

110.806

31.904

29

Fonte: Revista de Automação Comercial

 

Com base nessas breves considerações que, a princípio, pode-se considerar desenvolvimento do comércio no Brasil Meridional não complementar, não periférico ao Centro-Sul, mas sim concorrencial à medida que os capitais regionais pouca chance dão à expansão dos capitais extra-regionais. Daí a fraqueza da presença de capitais comerciais de São Paulo e do Rio de Janeiro no Sul muito diferente do quadro do Brasil-Central onde os capitais paulistas exercem amplo controle. Quanto ao Nordeste, pelo fato de o mercado ser muito fraco, as redes paulistanas e cariocas pouco se interessaram em estabelecer suas filiais comerciais, salvo nas capitais estaduais.

 

Referências Bibliográficas

 

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[1] O aumento de participação do setor industrial da região no total brasileiro ocorre em detrimento do baixo dinamismo do setor agropecuário da região. Deve-se destacar que a perda de participação do setor primário - no total nacional - "deveram-se exclusivamente ao desempenho do Paraná e Rio Grande do Sul, pois a parcela de Santa Catarina aumentou de forma significativa ao longo do período, passando de 4,98% em 1975 para 5,45% em 1985 e chegando a 7.69% em 1991 (...)” (BANDEIRA, Op. cit., p. 228). Cabe destacar que os anos 80 foram extremamente significativos para o setor agrícola, com a intensificação da agro industrialização e a expansão da fronteira agrícola em direção ao centro oeste e norte do pais.

[2] A participação do Rio Grande do Sul no produto nacional tem se mantido, em média nos últimos anos, no patamar de 7% contra 4,7% a.a. do Paraná e 3,7% de Santa Catarina.

[3] Paradigma tecnológico é "um modelo ou padrão de solução de problemas tecnológicos selecionados, baseados em princípios selecionados derivados das ciências naturais e em tecnologias selecionadas" (DOSI, 1984).

[4] O PEFI era "um programa de financiamento ao capital de giro, através de uma dilatação subsidiada do pagamento devido de ICM por parte das empresas beneficiadas" (CUNHA, 1995: 122).

[5] As transformações recentes na estrutura industrial do Paraná e do Rio Grande do Sul promoveram o destaque nacional de empresas como A vipal, Azaléia e Copesul no RS e Eletrolux, Coamo e Volvo no PR.

[6] WAIBEL (1988: 219) afirma que a colonização do Paraná é diferente, em origem e composição, da dos outros estados. Em primeiro lugar o litoral do Paraná é estreito e ter um clima insalubre de tierra caliente. Aí foram fundadas algumas colônias italianas na década de 1870, mas não prosperaram. Em segundo lugar, a serra cristalina do Paraná é estreita e suas encostas são tão íngremes que oferecem pouco espaço para a colonização.

[7] O FDE foi instituído em 1962 com objetivo de promover os ínvestimentos na área de produção e distribuição de energia elétrica, investimentos estatais e industriais privados (CUNHA, 1995).


Ponencia presentada en el XII Encuentro Internacional Humboldt "El Capitalismo como Geografía", La Rioja, Argentina - 20 al 24 de setiembre de 2010.






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