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Asunto:NoticiasdelCeHu 221/03 - Uma Guerra Criminosa
Fecha:Lunes, 31 de Marzo, 2003  15:25:54 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

NCeHu 221/03

UMA GUERRA CRIMINOSA


O professor Osvaldo Coggiola, Chefe do Departamento de História, escreve artigo esmiuçando a questão da invasão do Iraque, numa abordagem raramente feita pela grande mídia e que convida à reflexão sobre a primeira guerra do século XXI.

.:: Osvaldo Coggiola





    Um dos berços da civilização humana destruído, cidades e poços de petróleo incendiados, morte, civis e militares prisioneiros rodeados de arame farpado, como nos campos de concentração da II Guerra Mundial, previsões, feitas pela ONU, de centenas de milhares de mortes por fome e sede, depois da destruição do Iraque, ou seja, depois da guerra "curta" (?), tão "curta" que o Secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, apressou-se em declarar que "o que ainda está por vir terá força, amplitude e escala que irão além de tudo que já vimos": tal o balanço das primeiras horas do ataque criminal do imperialismo norte-americano contra o Iraque.
    Dias antes, os três mosqueteiros do genocídio internacional não puderam reunir-se em território continental, pelo temor à ira dos povos. Elegeram uma ilha, as Açores, a 700 quilômetros de terra firme. O anfitrião, o governo de Portugal, esclareceu que não compartia as urgências criminosas dos convidados. Na véspera de uma guerra completamente unilateral, o imperialismo mostrava a envergadura do seu medo. No seu vômito final, Bush deixou definitivamente claro que nunca lhe importaram a destruição das armas do Iraque, nem a democracia, nem sequer o regime de Saddam Hussein. Quando reclamou, como condição final, o exílio de seu inimigo e sua família, e a rendição do exército iraquiano, não ofereceu a retirada das tropas ianques, mas a ocupação militar do Iraque. Os três mosqueteiros também não juntaram suas espadas: o franquista Aznar anunciou que não enviaria tropas; embora o primeiro ministro da rainha de Inglaterra despachasse 30 mil soldados, a última palavra ainda não foi dita; o hitleriano Rumsfeld disse que estava disposto a compreender as dificuldades do inglês, dispensando sua participação militar: Blair está afetado por uma crise mortal. O imperialismo lançou-se desesperadamente a impor, por meio da guerra, uma saída para sua imensa crise econômica e política.
    Nos dias prévios, "para intimidar Bagdá", os EUA experimentaram um explosivo que destrói toda vida humana num rádio de dez quilômetros. Os funcionários de Bush disseram que as bombas atômicas lançadas em 1945 tiveram a finalidade altamente humanitária de pôr fim à resistência japonesa, salvando um grande número de vidas. Conseqüente com esse credo moral, o governo norte-americano falsificou documentos para provar que Saddam possuía armas de destruição massiva, no que foi desmentido por um dos chefes dos inspetores internacionais. Isto é suficiente para demonstrar que o imperialismo é perfeitamente consciente da sua barbárie. Não só o impulsam suas especiais convicções religiosas (uma direita religiosa, fundamentalista, ocupou a Casa Branca. Um ex-redator de discursos de Bush relatou reuniões do presidente com assessores, cujos "scripts" contêm rezas obrigatórias orientadas pelo presidente. O próprio Bush anda sempre empunhando uma Bíblia e trata de dar toques messiânicos aos seus discursos e mensagens) mas a necessidade do capitalismo de sair da crise mundial por meio da guerra.
    Aproveitando a escalada bélica de Bush contra Iraque, o criminoso Sharon lançou um novo e brutal ataque contra o povo palestino: tanques e helicópteros israelenses entraram em Ramallah, onde bombardearam e cercaram a sede do governo da Autoridade Palestina: Arafat está novamente sitiado pelos tanques de Israel, enquanto bulldozers destroem grande parte do prédio e das casas e comércios circunvizinhos. A população palestina foi posta sob estado de sitio.
    Os iraquianos serão massacrados por toneladas de bombas. Os curdos e palestinos terão reforçada sua histórica opressão nacional. Nos EUA e na Europa, na sombra da guerra, se reforçam os aparatos repressivos e a espionagem para esmagar as lutas dos trabalhadores. Na Rússia e na China, se reforçará a restauração do capital e o domínio dos parasitas que "compraram" as empresas privatizadas. Na América Latina, na Ásia e na África, a guerra significará o reforço da opressão nacional, das condições humilhantes de submissão ao capital financeiro internacional, mais fome e mais desemprego. Por esta via bárbara, o grande capital mundial pretende dar uma saída para um regime social exausto, que só sobrevive criando a cada passo novas calamidades. Mas os que empurram à humanidade para este caminho estão divididos, se enfrentam entre eles, golpeados pela crise econômica, pelas falências, pelas quedas das bolsas de valores, as crises fiscais, e pela resistência dos povos.
    O enfrentamento dos EUA contra França e Alemanha (respaldadas por Rússia e China) no Conselho de Segurança da ONU, não se reduz ao Iraque. Todos concordaram em forçar o "desarme", pôr o país sob "controle internacional", e abrir a exploração de suas riquezas petroleiras para as companhias estrangeiras, e concordaram, inclusive, na guerra: França, Alemanha e Rússia declararam, mais de uma vez, que não descartavam o uso da força como "último recurso" para impor esses objetivos. O que enfrenta os dois blocos é "todo o sistema das relações internacionais na pós-guerra fria", nas palavras de um dirigente francês: o destino da União Européia, da Otan e até da ONU. França e Alemanha adotaram uma posição contraria aos EUA quando advertiram que os norte-americanos armaram um bloco político na Europa, que ameaçava sua própria liderança no continente, colocando, em última instância, sua completa subordinação ao imperialismo norte-americano. A divisão imperialista levou o Conselho de Segurança ONU a um ponto morto. A divisão imperialista e a "anulação" do Conselho revelaram que a crise mundial não pode ser resolvida no quadro das relações internacionais existentes. Ao redor da guerra desatou-se uma crise política internacional, que teve como cenários a ONU e a OTAN. Os enfrentamentos na OTAN foram tão violentos que, disse Le Monde, "os danos são irreparáveis".
    O governo Bush se especializou em ignorar medidas que envolvem a sobrevivência da espécie humana, como o tratado proibindo o desenvolvimento e fabricação de sistemas de foguetes antifoguetes. Com isso, começaram a ruir os pilares da "destruição mútua", que manteve na guerra fria o chamado "equilíbrio pelo terror". Quem tiver antifoguetes, e os Estados Unidos correm à frente, poderá atirar primeiro, pois estará protegido contra retaliações. Bush tornou letra morta o acordo suprimindo armas químicas e biológicas e aumentou em 45% os gastos com armas atômicas.
    A guerra de Iraque é a primeira de uma série de guerras e choques internacionais que têm como objetivo não só redesenhar o mapa de Oriente Médio, mas também estabelecer o que Washington denomina "nova ordem mundial norte-americana", em detrimento de Europa, Japão, Rússia, China, e todo o terceiro mundo. Mas os EUA vão para esta "reorganização mundial" não só com a oposição da França e da Alemanha, mas também com o apoio "alugado" de seus aliados -Turquia, Europa Oriental, Jordânia e, eventualmente, Rússia e China- aos que deve pagar em dólares, a vista. Montando uma coalizão com métodos tão precários, enfrentam ao mesmo tempo uma crise fiscal sem precedentes, que financiam graças à contribuição dos europeus, asiáticos e sauditas, isto é, das potências contra as quais será erguida a "nova ordem mundial", uma contradição mortal. O bloco europeu chefiado pela Grã Bretanha –com Espanha, Itália, Portugal e os países do Leste- desafia abertamente a direção franco-alemã da "integração européia", e já envenenou o processo de extensão da União Européia.
    Mas a presente crise histórica não se limita à "crise por cima". Mas de 110 milhões, em todo o mundo, manifestaram contra a guerra a 15 de fevereiro passado, as mobilizações continuaram ininterruptamente desde então: na Itália, Espanha, Inglaterra, há uma clara tendência para a rebelião popular contra os governos partidários da guerra. De Nova York e Londres a Sydney e Tokio, de Madri e Roma a Buenos Aires e Bagdá, de Berlim e Moscou a Tel Aviv, Atenas e até a Antártica, um ressurgimento sem precedentes da humanidade oprimida sacudiu o mundo e seus dirigentes. A guerra imperialista dirigida pelos EUA levou as massas para o cenário da luta política, numa escala poucas vezes vista: Bush, Blair, Aznar, Berlusconi, com todos seus generais e políticos-marionete, carecem de apoio público e de legitimidade para suas ações criminosas.
    Qual será o custo da invasão? O chefe dos assessores econômicos de Bush, Lawrence Lindsay, perdeu o emprego por fazer pública uma estimativa de 100 bilhões de dólares. Outras estimativas chegam a 600 bilhões. Ao mesmo tempo, o governo norte-americano impulsiona um abatimento de impostos de 1,5 trilhões para a próxima década, transferindo a carga impositiva dos impostos aos benefícios do capital para os impostos ao consumo popular. A combinação de aumento do gasto militar com abatimento impositivo, quando os EUA já têm um déficit fiscal de 3,5% do PIB, levou o editorialista do Financial Times a qualificar a política fiscal de Bush como "lunática".
    Já começou a filtrar o desenho do regime político que o imperialismo pretende impor depois da queda de Saddam. A campanha militar se concentra nos "objetivos do regime" - palácios presidenciais, corpos de guarda de Saddam, sistemas de comunicações, polícia secreta, bases da Guarda Republicana: segundo um estrategista do Pentágono "a maioria das tropas iraquianas será poupada do ataque". Isto revela o propósito de impulsionar um golpe militar contra Saddam, deixando em pé o regime repressivo e totalitário montado por ele. Derrocado Saddam, os EUA pretendem impor um governo militar, secundado por uma "administração civil" encabeçada por um general norte-americano retirado: esse governo terá uma preocupação especial por ocupar e pôr em funcionamento os poços e a indústria petroleira. O Departamento de Estado desenvolve planos para que a ONU tenha um "papel central" depois da guerra, depois de Ter sido publicamente humilhada por Bush e asseclas na declaração unilateral de guerra.
    Todos os Estados capitalistas do mundo se encontram comprometidos nesta guerra, através do pagamento das dívidas externas usurárias, dos investimentos em títulos da dívida pública dos EUA, todos os governos e todos os capitalistas estão financiando o massacre dos povos. Lula amenizou suas críticas iniciais ao "unilateralismo" dos EUA, o Brasil continua pagando a dívida externa, e empresas brasileiras já calculam os benefícios que obterão participando da "reconstrução" do Iraque destruído. Os "mercados" reagem bem, porque o povo e a nação iraquiana estão sendo "rapidamente" destruídos: a saúde dos mercados é a morte dos povos. Chega!


Fuente: http://www.libreria.com.br/portal/noticias/guerra/2003/03/31/news01.htm