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Asunto:NoticiasdelCeHu 67/10 - Medio Oriente - Sayed Nasrallah, líder do Hezb ollaah: Opomo-nos a qualquer compromisso com o Sionismo (Documentos)
Fecha:Sabado, 24 de Abril, 2010  22:12:22 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

RGE 67/10
www.centrohumboldt.org
 
Medio Oriente
Documentos

Sayed Nasrallah, líder do Hezbollaah: Opomo-nos a qualquer compromisso com o Sionismo

G.Houbballah*
www.odiario.info
23/4/10
Sayed Nasrallah

O secretário-geral do Hezbollah Sayyed Hassan Nasrallah anunciou a nova carta política do Hezbollah: uma carta na qual definiu as grandes linhas a seguir pelo Hezbollah.
Sayyed Hassan Nasrallah apareceu num ecrã perante uma multidão de jornalistas e de personalidades políticas, sem esquecer a presença do presidente do partido político do Conselho, Sayyed Ibrahim al Amin-Sayyed e do chefe do bloco parlamentar da Fidelidade à Resistência Hajj Mohammed Raad

Eis os principais extractos do conteúdo da carta:

O objectivo deste documento é dar a conhecer a visão política do Hezbollah, que assenta nas nossas percepções e aspirações, nas nossas esperanças e preocupações; é acima de tudo o resultado daquilo por que passámos, do que definimos ser prioritário em relação à supremacia do acto do sacrifício.

Num período político excepcional, rico de evoluções, não é possível fazer-se uma abordagem sem referir o papel especial da resistência, ou o impacto das suas realizações.

É pois necessário incluir essas mudanças no contexto da comparação entre duas vias contraditórias, de proporção inversa.

1 – a via da resistência e da oposição, uma via que assenta em vitórias militares e êxitos políticos ao ponto de instaurar um modelo da resistência popular e política, de coerência nas posições políticas, apesar da dimensão dos desafios. Até fazer pender a balança na equação regional a favor da resistência e dos seus partidários.

2 – a via da hegemonia americana e da arrogância americano-israelense e dos seus aliados nas suas diferentes dimensões e nos seus prolongamentos directos e indirectos, revelando simultaneamente o fracasso estratégico dos Estados Unidos e o desmoronamento dos seus projectos, um após outro, o que os mergulhou na confusão, na retirada, na incapacidade de controlar o curso das evoluções e dos acontecimentos no mundo árabe e no mundo islâmico.

Estes dados revelam-se no contexto internacional mais lato que, por sua vez, contribui para desvendar o impasse ou mesmo o recuo da hegemonia unipolar dos Estados Unidos a favor dum sistema multipolar cujas linhas ainda não estão nitidamente definidas.

E o que agudiza a crise do mundo hegemónico é a crise que atingiu os mercados financeiros americanos, a economia mundial e que fez com que os Estados Unidos entrassem num estado de confusão e impotência, que atingiu como uma chicotada a própria estrutura do arrogante modelo capitalista.

Podemos pois dizer: Encontramo-nos num contexto de mudanças históricas que ameaçam os Estados Unidos de perder o seu lugar de potência dominante, e a extinção do sistema de dominação unipolar.

Perante isto, os movimentos de resistência aparecem como sendo um factor estratégico na cena internacional depois de terem desempenhado um papel central na produção ou no estímulo de mudanças ligadas à nossa região. Assim, a resistência no Líbano, em especial a resistência islâmica, foi a primeira a fazer frente à hegemonia e à ocupação há mais de trinta anos e esta escolha resistiu, apesar de todas as tentativas de demonstrar que a opção da resistência era uma imprudência ou uma tendência política que se opõe às regras do racionalismo e do realismo.

Ora o percurso das vitórias registadas pela resistência comprovou a veracidade desta opção: desde a expulsão da ocupação israelense de Beirute e da Montagne, depois a sua retirada de Saida, Nabatiyeh e Tiro, passando pelas agressões israelenses de Julho de 1993 e Abril de 1996, sem esquecer a retirada israelense em Maio de 2000, até à guerra israelense contra o Líbano em 2006, tudo isso apenas serviu para reforçar a credibilidade e a legitimidade dessa resistência.

A Resistência conseguiu assim evoluir de movimento de libertação para movimento de resistência, depois para uma força de dissuasão e de defesa, para além do seu papel como pedra angular no seio do poder político para a elaboração de um Estado forte e justo.

Paralelamente, a resistência conseguiu evoluir no plano político e humanitário, e adquiriu assim, para além do seu valor patriótico libanês, um valor árabe e islâmico luminoso; tornou-se actualmente num valor universal e humano em que se inspiram todos os que prezam a liberdade e a independência em diversas partes do globo.

Ora o Hezbollah, apesar destas mudanças promissoras, considera que, embora o inimigo se encontre num impasse e incapaz de ter uma estratégia de guerra ou de impor ajustamentos de acordo com as suas próprias condições, não deve subestimar a amplitude dos desafios e dos riscos que subsistem, não deve banalizar a via difícil da luta e a dimensão dos sacrifícios exigidos pela resistência para a restituição dos territórios.

No entanto, o Hezbollah tornou-se mais claro, mais determinado nas suas escolhas, mais confiante em Deus, em si mesmo e no seu povo.

Foi neste contexto que o Hezbollah definiu as grandes linhas da sua política.

A hegemonia americana

Depois da Segunda Guerra mundial, os Estados Unidos impuseram-se como projecto central de dominação, um projecto fundado num desenvolvimento nos mecanismos de dominação e escravização sem precedentes, reforçado por realizações a todos os níveis do conhecimento científico, cultural, tecnológico, económico e militar.

Um projecto político e económico que considera o mundo apenas como uma abertura a mercados que devem ser regidos pelas suas próprias leis.

A coisa mais perigosa na lógica da hegemonia do Ocidente, e muito em especial dos Estados Unidos, é considerar que o direito de dominar o mundo é uma coisa natural e, portanto, que a estratégia económica capitalista do projecto é de natureza global, sem limites nas suas ambições gananciosas.

Os factores de controlo do capitalismo selvagem, que são constituídos por um presidente e redes internacionais sustentadas por sociedades transnacionais, instituições internacionais, nomeadamente financeiras, apoiadas pela força militar superior, provocaram conflitos de identidades, de culturas e de modos de civilizações, contradições entre ricos e pobres, etc.

O capitalismo selvagem transformou a mundialização num mecanismo de dominação, de desunião, de discórdia e de destruição das identidades, até mesmo de alienação cultural, económica e social.

Esta mundialização atingiu o seu paroxismo quando se transformou em militar; não faltam no Médio Oriente exemplos disso, como o Afeganistão, o Iraque, a Palestina, o Líbano, com a guerra global de Julho de 2006, executada pelos israelenses.

A hegemonia e a dominação dos Estados Unidos atingiu recentemente níveis perigosos, sobretudo a partir da última década do século XX e ainda hoje, de modo ascendente após a queda da União Soviética, uma oportunidade histórica para a hegemonia americana de liderar o mundo, em nome da responsabilidade histórica, e de impor a ideia de que não há distinção entre os interesses do mundo e os interesses americanos.

Esta hegemonia atingiu o seu apogeu com a administração Bush, que exprimiu a sua visão num documento “Projecto do Novo Século Americano”, escrito antes das eleições americanas de 2000.

Não é de estranhar nem de surpreender que este documento insista na questão do reforço das capacidades dos EUA em todo o mundo, através duma política estratégica fundada no reforço das capacidades militares. Estas últimas já não são uma força de dissuasão, mas também uma força de intervenção, tanto para efectuar ataques “preventivos” para fins “terapêuticos”, como para tratar das crises depois de estas se produzirem.

A administração Bush considerou os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, como uma ocasião para realizar essa visão, através do slogan da “guerra mundial contra o terrorismo” e esta administração trabalhou da forma seguinte:

1 – militarização da política externa e das suas relações diplomáticas.

2 – evitar depender dos enquadramentos multilaterais e monopolizar a tomada de decisões estratégicas e a coordenação, em caso de necessidade, com os aliados que podem ser convocados.

3 – resolver rapidamente a guerra no Afeganistão para se preparar para a etapa seguinte, ou seja: controlo do Iraque, que servirá de ponte principal para o estabelecimento de um novo Médio Oriente em ligação com as exigências do mundo após o 11 de Setembro. Esta administração não hesitou em recorrer a todos os métodos de camuflagem, de enganos e de mentiras desavergonhadas para justificar as guerras, em especial a guerra no Iraque, contra todos os que resistem aos seus neo-países coloniais.

Neste contexto, a administração dedicou-se a estabelecer uma ligação entre o terrorismo e a resistência para lhe retirar toda a legitimidade reconhecida nos direitos do homem e justificar assim a luta contra as guerras de todos os tipos, e reduzir a zero os últimos bastiões da defesa dos povos e o seu direito de viver em liberdade, com dignidade e com orgulho, de viver a sua própria experiência, de assumir os seus papeis no movimento da história humana, cultural e intelectualmente.

O “terrorismo” serviu de argumento para a dominação americana através de diversos meios: processos judiciais, prisão e detenção arbitrárias, ausência dos elementos mais fundamentais de um processo justo, como se verificou nos locais de detenção de “Guantanamo”, intervenção directa na soberania dos Estados, desencadear guerras destrutivas e devastadoras sem distinguir o inocente do culpado, nem entre crianças e adultos, entre mulheres e jovens…

O preço humano das guerras americanas contra o terrorismo já ultrapassou o número de milhões de pessoas, sem contar com a destruição das infra-estruturas, e também o desmantelamento da estrutura e dos componentes das próprias comunidades.

Não há a menor dúvida de que o terrorismo americano está na origem de todo o terrorismo mundial, e de que a administração Bush tornou os Estados Unidos numa ameaça para o mundo inteiro, a todos os níveis. Se, actualmente, se fizesse uma sondagem da opinião mundial, os Estados Unidos apareceriam como o país mais odiado do mundo.

O fracasso sofrido pela guerra no Iraque e a situação evolutiva da resistência, o fracasso da alegada “guerra contra o terrorismo”, especialmente no Afeganistão, onde se assiste ao regresso em força do movimento dos talibãs e ao reconhecimento do seu papel procurando entrar em acordos com eles, assim como o fracasso da guerra americana contra a resistência no Líbano e na Palestina, através da ocupação israelense, tudo isso atingiu violentamente o prestígio americano a nível internacional, provocando um recuo estratégico na sua capacidade de acção.

No entanto, isso não significa que os Estados Unidos se vão retirar de cena facilmente, mas farão tudo o que for necessário para proteger o que eles chamam os seus “interesses estratégicos”, porque os políticos que pretendem promover a hegemonia americana, os projectos ideológicos, alimentados por tendências extremistas aliadas à componente militar, não conhecem limites para a cupidez e as suas ambições.

A nossa região e a hegemonia americana

Os mundos árabe e muçulmano têm estado sujeitos durante séculos, a guerras coloniais brutais e sem fim, a começar pela implantação da entidade sionista na região, no quadro duma fragmentação da região em entidades contraditórias.

Atingimos o apogeu desta fase com os Estados Unidos que herdaram o antigo colonialismo na região.

O objectivo central do controlo americano dos povos em todas as suas formas é político, económico, cultural e a pilhagem dos seus recursos, em especial a pilhagem das riquezas petrolíferas é um meio de controlo do Presidente da economia mundial.

Para atingir os seus objectivos políticos, os Estados Unidos aperfeiçoaram estratégias de acção, nomeadamente:

1 – fornecer todos os meios para garantir a estabilidade da entidade sionista, que á a base avançada do projecto imperialista americano na região, e sustentar totalmente essa entidade, fornecer-lhe uma rede de segurança para a sua existência, para que ela possa cumprir o seu papel de tiróide cancerígena na região;

2 – minar os direitos culturais dos nossos povos e trabalhar para enfraquecer a sua moral através dos meios de comunicação sem esquecer a guerra psicológica para afectar os valores e os símbolos da resistência;

3 – sustentar os regimes tirânicos dependentes dos Estados Unidos na região;

4 – posicionamento de bases militares que são articulações necessárias para apoio das guerras;

5 – impedir toda e qualquer rebelião na região que permita o acesso ao poder e ao progresso, ou desempenhar um papel histórico no mundo;

6 – semear a discórdia e as divisões de todo o tipo, em especial os conflitos sectários entre muçulmanos, para a produção de conflitos civis internos intermináveis.

É evidente que só é possível ler qualquer conflito em qualquer região do mundo através da perspectiva duma estratégia global e, portanto, a ameaça americana não se reduz a um espaço preciso, a linha da frente desta ameaça também tem que ser mundial.

Não há a menor dúvida de que se trata duma confrontação difícil e delicada, uma batalha de gerações. A nossa experiência no Líbano já demonstrou que dificuldade não significa impossibilidade.

Isto é verdade verticalmente através da história e também horizontalmente através das nossas extensões geográficas e geopolíticas.

A arrogância americana não deixou aos nossos povos senão a escolha da resistência, a escolha para uma vida melhor, para o futuro do Homem, um futuro regido por relações de fraternidade e de solidariedade na diversidade, um mundo de paz e de harmonia, conforme previsto pelo movimento dos nossos profetas e dos reformadores através da história.

O Líbano

O Líbano é a nossa pátria, a dos nossos pais e dos nossos avós, e é também a pátria dos seus filhos e netos e de todas as gerações que se seguem.

Rejeitamos toda a forma de partição ou de “federalização” explícita ou disfarçada. Queremos uma pátria livre, soberana e independente, generosa, poderosa, capaz, presente nas equações da região, e contribuidora chave no presente e no futuro, como sempre o foi na fabricação da história.

a) A resistência

“Israel” representa uma ameaça constante para o Líbano, um modelo de coexistência entre os fieis das religiões divinas e que é contrariado pela presença duma entidade racista: a entidade sionista. Além disso, a existência do Líbano na fronteira da Palestina ocupada, impõe que ele assuma responsabilidades nacionais e patrióticas.

A ameaça israelense começou a fazer-se sentir neste país desde que a entidade sionista foi implantada na Palestina; essa entidade não hesitou em divulgar as suas ambições de anexar o Líbano, de se apoderar das suas riquezas, principalmente as minerais, e tentou concretizar essas ambições progressivamente.

Essa entidade desencadeou uma série criminosa de agressões contra o país desde 1948: o massacre de Houla em 1949, a agressão ao aeroporto internacional de Beirute em 1968… a ocupação de 1982, etc.

Tudo isso foi totalmente apoiado pelos Estados Unidos da América, e em certa medida ignorado pela “comunidade internacional” e pelas instituições internacionais, tornando-as de facto cúmplices do agressor, sem esquecer o silêncio dos árabes, a ausência duma verdadeira autoridade libanesa no Líbano, que abandonou o país e o povo aos massacres e às pilhagens perpetradas pela ocupação israelense.

Perante esta tragédia nacional, o sofrimento da população e o sentimento de abandono pelo mundo levaram os libaneses fieis à sua pátria a recorrer ao seu direito de resistência, que é um dever nacional moral e religioso: a resistência popular armada nasceu assim para enfrentar o perigo sionista que ameaça a sua vida, os seus meios de subsistência e o seu futuro.

Em circunstâncias tão difíceis, o Estado libanês começou a recuperar a sua soberania através da resistência armada, a reencontrar o seu poder de decidir politicamente, um poder que a ocupação israelense tentara roubar-lhe, a resistência serviu de prelúdio à restauração do Estado e das suas instituições e, sobretudo, ao restabelecimento dos valores nacionais: a soberania da pátria e a dignidade, dando à liberdade a sua verdadeira dimensão.

A partir daí, esses valores deixaram de ser apenas um slogan, mas foram consagrados pela resistência para libertar os nossos territórios e recuperar os nossos direitos e são a pedra angular para um Líbano moderno, que recuperou o seu lugar no mapa do mundo como país respeitado e orgulhoso dos seus filhos que pertencem a uma pátria que luta pela liberdade, pela cultura, pela ciência, pela diversidade e pelo dinamismo, uma pátria de dignidade, de sacrifício e de heroísmo.

A retirada das forças de ocupação israelenses no ano 2000 e a vitória histórica na guerra de Julho de 2006, serviram de modelo de defesa e de resistência da pátria, a experiência transformou-se numa escola em proveito dos povos e das nações oprimidas.

A resistência nacional conseguiu, com o apoio do povo e do exército nacional, infligir uma derrota histórica a “Israel”, os três em conjunto ofereceram uma base para uma nova fase na região, a partir de agora desempenham um papel central na função de dissuasão do inimigo garantindo a protecção da independência nacional, da soberania e da defesa do seu povo.

Ora, dada a ausência de um Estado forte, dado o desequilíbrio das forças entre o Estado e o inimigo, dada a ameaça permanente das forças israelenses, o Líbano tem que consagrar uma fórmula mista baseada numa aliança entre uma resistência popular que participe na defesa do país contra qualquer invasão israelense, e o exército nacional que deve proteger a pátria e garantir-lhe a sua segurança e a sua estabilidade.

Esta fórmula deve ser desenvolvida no seio duma estratégia de defesa nacional, que servirá de cobertura de segurança para o Líbano, após o fracasso de outras propostas internacionais ou árabes.

A escolha da resistência permitiu a libertação do território do Líbano, o restabelecimento das instituições estatais, a protecção da soberania e a realização duma verdadeira independência.

O êxito da experiência da resistência, o fracasso de todas as guerras para a eliminar, e a permanência da ameaça israelense no Líbano – e não o desaparecimento dessa ameaça – levam a resistência a prosseguir sem descanso na sua missão, a reforçar as suas capacidades militares, para poder participar na tarefa de libertar o que falta dos nossos territórios ainda ocupados, recuperar detidos e pessoas desaparecidas e os corpos dos mártires, e participar na missão de defesa e protecção do nosso país.

b) O Estado e o sistema político

O principal problema no sistema político libanês, que impede a reforma e o desenvolvimento e que está permanentemente na ordem do dia, é o confessionalismo político. O sistema foi estabelecido numa base confessional, o que é um obstáculo à realização da verdadeira democracia, a que abre a porta a uma boa repartição dos poderes políticos. Por consequência, a condição para a aplicação duma verdadeira democracia deste género é a abolição do confessionalismo político do sistema, que está inscrito no texto dos “Acordos de Taëf” e a necessidade de formar uma comissão nacional para o fazer.

Ora, enquanto os libaneses não atingirem este objectivo através do diálogo nacional – falamos da abolição do confessionalismo político – e também enquanto subsistir o sistema político baseado em linhas sectárias, a democracia consensual mantém-se a base fundamental para a governação no Líbano, porque é ela a encarnação real do espírito da constituição e a essência da Carta da coexistência.

Daí que toda a abordagem das questões nacionais pela maioria e pela minoria deve ser realizada de acordo com as condições históricas e sociais do exercício da democracia efectiva na qual o cidadão constitui um valor em si mesmo.

A democracia consensual é uma fórmula política que exige uma verdadeira participação de todos, o factor de confiança é primordial entre os componentes do país.

O Estado que queremos e que exigimos resume-se a:

1 – um Estado que permita preservar as liberdades públicas e fornecer todo o ambiente apropriado ao seu exercício;

2 – um Estado baseado na unidade nacional e na coesão nacional;

3 – um Estado capaz de proteger o território e o povo e a soberania e a independência, e que disponha de um exército nacional forte, devidamente equipado, com instituições de segurança eficazes, e que defende a segurança das pessoas e dos interesses;

4 – um Estado com instituições modernas com actores e colaboradores, com poderes e funções claras e precisas;

5 – um Estado que aplique as leis a toda a gente no quadro do respeito das liberdades públicas e da justiça quanto aos direitos e aos deveres dos cidadãos, independentemente das suas seitas e regiões.

6 – um Estado que goze duma representação adequada, o que só pode ser realizado correctamente por uma lei eleitoral moderna que permita aos eleitores escolher os seus representantes libaneses na ausência do controlo do dinheiro e de diferentes pressões a fim de obter a maior representação possível dos diversos segmentos do povo libanês;

7 – um Estado que se apoie em competências científicas altamente qualificadas do seu povo, que coloque mecanismos sólidos e eficazes para limpar a administração da corrupção:

8 – um Estado em que haja uma autoridade judiciária forte, independente e livre de qualquer controlo político, exercida por juízes de reputação imparcial;

9 – um Estado que goze duma economia baseada nos seus sectores produtivos, nos sectores da agricultura e da indústria, reforçada por planeamento e programas de apoio de primeiro plano para melhorar a produção e oferecer possibilidades de emprego, especialmente nas zonas rurais;

10 – um Estado que aplique o princípio de desenvolvimento equilibrado entre as regiões, esforçando-se por preencher o fosso entre as políticas económicas e sociais;

11 – um Estado que se preocupe com o interesse dos seus cidadãos e que forneça os serviços apropriados à sua instrução, aos cuidados médicos e à habitação para ter uma vida decente, um Estado que se dedique a atacar o problema da pobreza e a fornecer possibilidades de emprego;

12 – um Estado que se preocupe com as novas gerações, que ajude a desenvolver os seus talentos e as suas energias e a orientá-las para os objectivos da ajuda humanitária a nível nacional e as protegerá dos desvios e dos vícios;

13 – um Estado determinado a reforçar o papel das mulheres e a reforçar a sua participação em todas as áreas;

14 – um Estado que dê importância à educação nacional, reforçando as escolas públicas e a Universidade libanesa a todos os níveis, assim como a instituição do ensino primário obrigatório e gratuito para toda a gente;

15 – um Estado que instaure um sistema administrativo descentralizado a fim de promover as possibilidades de desenvolvimento e de facilitar os negócios e as transacções dos cidadãos, sem permitir que a descentralização administrativa se transforme posteriormente em “federalização”;

16 – um Estado que trave o êxodo da pátria, a migração dos jovens e das famílias e a fuga dos cérebros;

17 – um Estado que apadrinhe os cidadãos expatriados em todos os cantos do mundo, que os defenda, que os proteja, que beneficie da sua situação ao serviço das questões nacionais.

A criação de um Estado assim é o objectivo de cada libanês, honesto e sincero, e no Hezbollah estamos prontos a desenvolver todos os nossos esforços em cooperação com as forças políticas e o povo para atingir este nobre objectivo nacional.

c) O Líbano e as relações palestinas

Uma das trágicas consequências da implantação da entidade sionista no território da Palestina é a deslocação dos seus habitantes, o problema dos refugiados palestinos que se refugiaram no Líbano e que esperam regressar aos seus lares de onde foram expulsos.

O sofrimento dos refugiados palestinos no Líbano não está limitado à dor das migrações forçadas e também às agressões e aos massacres israelenses, como o que aconteceu no campo de Nabatiyeh, mas o seu sofrimento também decorre da situação económica e social catastrófica dos campos, onde não está assegurado o mínimo para uma vida decente, onde estão privados de direitos civis e sociais, tudo isto por causa da indiferença dos sucessivos governos libaneses em cumprir as suas obrigações para com eles.

Este facto não é normal e é agora imperativo que as autoridades libanesas assumam as suas responsabilidades, é necessário estabelecer relações libano-palestinas sólidas e ter em conta os interesses comuns dos dois povos, não manter esta relação regulada pelos caprichos e pelos humores, e os cálculos políticos internos ou as ingerências internacionais.

Isto é possível de realizar, nomeadamente através:

1. de um diálogo directo libano-.palestino;

2. os palestinos no Líbano devem acordar um padrão de referência para os representar neste diálogo e contornar as divergências na situação palestina em geral;

3. dar aos palestinos os seus direitos civis e sociais e preservar a sua personalidade, a sua identidade e a sua causa.

4. defender o seu direito de regresso e recusar toda a naturalização.

d) O Líbano e as relações árabes

A identidade árabe do Líbano e a sua pertença árabe são inerentes à composição da comunidade libanesa.

A geopolítica regional e as políticas estratégicas regionais, os interesses nacionais, esses determinantes da estratégia política do Líbano, atribuem-lhe a necessidade de respeitar as causas árabes justas, nomeadamente a questão da Palestina e o conflito com o inimigo israelense.

O desenvolvimento da escola assente na luta contra os conflitos políticos, na prevenção de qualquer forma de discórdia, é uma opção que devia ser adoptada no tratamento das questões árabes, assim como a procura de pontos comuns a fim de realizar uma verdadeira solidariedade para resolver as nossas questões.

Aqui, a escolha da resistência é uma necessidade fundamental para reposicionar a posição árabe e enfraquecer o inimigo, qualquer que seja a natureza das estratégias políticas ou os preconceitos.

Neste contexto, a Síria registou uma atitude histórica e inabalável na luta contra o inimigo israelense, apoiou os movimentos de resistência na região, manteve-se ao nosso lado apesar das circunstâncias muito difíceis, procurou unificar os esforços árabes a fim de garantir os interesses da região e enfrentar os desafios.

Sublinhamos a necessidade de respeitar as relações excepcionais entre o Líbano e a Síria enquanto necessidade política, de segurança e económica ditada pelos interesses dos dois países e dos dois povos, e também pelos imperativos da geopolítica e das exigências para a estabilidade do Líbano, ou mesmo para enfrentar os desafios comuns. Apelamos para que se ponha fim a todos os sentimentos negativos que têm manchado as relações bilaterais no decurso dos últimos anos e o regresso a relações normais logo que possível.

O Líbano e as relações islâmicas

O nosso mundo árabe e muçulmano confronta-se com desafios que afectam a composição diversificada das nossas sociedades o que exige uma tolerância zero a este respeito.

A escalada das tensões sectárias, especialmente entre sunitas e xiitas, a criação de contradições nacionais entre os curdos, os turquemenos e os árabes e os iranianos. A imigração das minorias da nossa região, em especial as minorias cristãs na Palestina, no Iraque, no Líbano, ameaça a coesão das nossas sociedades e impedem o desenvolvimento.

Ora, a diversidade religiosa e étnica, em vez de ser uma fonte de riqueza, tem vindo a ser utilizada como uma arma para destroçar a nação árabe.

O Hezbollah confirma a importância da cooperação entre os países islâmicos em todas as áreas, o que lhe garante a força da solidariedade frente a regimes arrogantes, a protecção da invasão cultural da comunidade e encoraja-os a tirar partido dos seus recursos na troca das diferentes prestações entre esses países.

Neste contexto, o Hezbollah considera que o Irão islâmico é um Estado importante no mundo muçulmano, a sua revolução conseguiu desenraizar o regime do Xá e frustrar os projectos do sionismo. O Irão apoiou os movimentos de resistência na nossa região e defende com coragem e determinação as questões árabes e islâmicas, em especial a questão palestina.

A política da República Islâmica do Irão é clara e coerente ao apoiar a questão central dos árabes e dos muçulmanos: a questão palestina.

Ao anunciar a vitória da revolução islâmica chefiada pelo Íman Khomeini (KDH), o Irão abriu uma embaixada palestina em substituição da embaixada de Israel, e manteve esse apoio sob todas as formas até hoje sob a direcção do Imam Khamenei, que conquistou importantes vitórias pela primeira vez na história do conflito com os invasores sionistas.

A fabricação de contradições com a República Islâmica do Irão por determinados partidos árabes é um desafio para os árabes e só beneficiam “Israel” e os Estados Unidos da América.

O Irão, que redigiu a sua ideologia política, e construiu a sua política sobre “a centralidade da questão palestina”, a luta contra “Israel” e a hegemonia americana, a integração no mundo árabe e no ambiente islâmico, deve ser tratado na base da vontade de cooperação e de fraternidade, no reconhecimento que ele é um centro de gravidade estratégico, actualmente o modelo de independência do projecto árabe da independência islâmica e uma força com que podem contar vários países e povos.

Lembramos a importância da unidade entre muçulmanos, de desconfiar de quem provoca a distinção entre eles, sobretudo as dissenções sectárias entre sunitas e xiitas, contamos com a consciência dos povos muçulmanos na luta contra o que se conspira contra eles.

A Palestina e as negociações de regulamento

Em primeiro lugar a questão da Palestina e a entidade sionista

A implantação da entidade sionista desde a agressão da Palestina e a deslocação dos seus habitantes em 1948, sob os auspícios e o apoio das potências internacionais hegemónicas da época, é uma ameaça directa e grave em toda a região árabe e uma verdadeira ameaça para a sua segurança e estabilidade, na medida em que ela não reaja.

O crime contra a humanidade praticado pelo Ocidente é a implantação desta entidade estranha no coração do mundo árabe e muçulmano, hostil, uma base do controlo e da hegemonia nesta região em especial.

O movimento sionista é um movimento racista no pensamento e na prática. Além disso, a entidade continuou durante toda a ocupação os massacres e o terrorismo, com o apoio e os desvelos das potências colonialistas, em especial, dos Estados Unidos da América, o seu verdadeiro parceiro em todas as suas guerras e massacres e práticas do terrorismo.

Esta entidade é uma entidade usurpadora artificial, não é viável.

A responsabilidade histórica que compete à nação é de não a reconhecer, quaisquer que sejam as pressões e os desafios e continuar a trabalhar pela libertação de todos os territórios usurpados e restabelecer os direitos usurpados de toda a gente, independentemente do tempo que levar e dos sacrifícios que houver que fazer.

Jerusalém e a mesquita Al Aqsa

Todo o mundo está ao corrente do carácter sagrado de Jerusalém e da mesquita Al Aqsa, a primeira Qibla e o terceiro lugar santo, o ponto dos profetas e dos apóstolos (rezaram pela humanidade de Deus); ninguém nega a profundidade da sua relação com o Islão como um dos símbolos islâmicos mais importantes sobre a terra.

E a cidade de Jerusalém, o berço dos locais santos islâmicos e cristãos, goza de grande prestígio entre muçulmanos e cristãos.

A ocupação israelense continua a judaizar a cidade santa através da expulsão do seu povo e da confiscação das suas casas e dos seus bens, da construção de colónias judias e do muro do apartheid.

Os graves ataques incessantes e repetidos a Al-Aqsa fazem parte do plano da sua destruição, são uma ameaça grave e real à sua existência, a sua sobrevivência corre o risco de provocar repercussões em toda a região.

O nosso dever é apoiar a libertação de Jerusalém e defender Al-Aqsa, é um dever religioso, uma responsabilidade ética para todos os povos livres do mundo inteiro.

Convidamos e apelamos aos árabes e aos muçulmanos, e a todos os países que desejam a paz e a estabilidade no mundo, que desenvolvam esforços para libertar Jerusalém da ocupação sionista e para manter a sua verdadeira identidade e os lugares santos islâmicos e cristãos.

Em terceiro lugar: a resistência palestina

O povo palestino trava uma batalha de auto-defesa para recuperar os seus direitos nacionais legítimos na Palestina, exerce um direito legítimo reconhecido pelas mensagens celestes, pelas leis internacionais e pelos valores da humanidade.

Este direito inclui todas as formas de resistência – primeiro e acima de tudo a luta armada – e todos os meios que as facções da resistência palestina possam utilizar, tendo em conta o desequilíbrio das forças a favor do inimigo sionista que possui as mais modernas armas de destruição.

A experiência demonstrou q importância e a eficácia da opção da resistência e da luta armada frente à agressão com vista à libertação dos territórios para repor os direitos e conseguir instaurar um novo equilíbrio de forças.

A guerra de Julho de 2006 e a guerra de Gaza são disso provas reais…

Se é este o ponto da existência no Líbano e na Palestina, qual é a praticabilidade da negociação de opções Altswoi? Quais são os resultados, os interesses e os ganhos realizados pelas negociações em todas as fases e em todos os acordos obtidos? Não serão maior arrogância e hegemonia e intransigência israelense e mais ganhos dos interesses e das condições israelenses?

Enquanto afirmamos para o povo palestino e para a questão palestina, de se agarrarem à história, geográfica e política, declaramos clara e firmemente o nosso apoio ao povo palestino e aos movimentos de resistência palestina e à sua luta contra o projecto israelense.

Em quarto lugar: as negociações do regulamento

A nossa posição quanto ao processo de regulamento desde os acordos de Madrid aos Acordos de Oslo e, antes destes, os de “Camp David” e aos seus anexos, é a rejeição total da opção de um regulamento com a entidade sionista, com base no reconhecimento da legitimidade da sua existência eno abandono do território da Palestina.

Esta posição é fixa, permanente e definitiva, não negociável, mesmo que o mundo inteiro reconheça “Israel”.

Deste ponto de vista, duma posição de fraternidade, de responsabilidade, apelamos aos dirigentes árabes para reconsiderar a possibilidade de negociações e reexaminar os resultados dos acordos assinados com o inimigo sionista.

A entidade sionista demonstrou durante todas as etapas das negociações que não pretende a paz, que utiliza as negociações para impor condições e proteger os seus interesses…

Por consequência, convidamos, desejamos e esperamos que todos os árabes e todos os muçulmanos se reúnam em volta da Palestina e de Jerusalém para a libertar da contaminação da ocupação sionista, suprir todas as necessidades de apoio necessárias para reforçar a resistência do povo palestino e permitir que ele prossiga a resistência e rejeite todos os projectos de normalização com o inimigo sionista, faça respeitar o direito de regresso de todos os refugiados palestinos às suas terras e às suas casas de onde foram expulsos.

Conclusão

É esta a nossa visão, ao elaborá-la esforçámo-nos por manter presente que somos os alunos da Justiça.

O nosso compromisso é defender o direito e a justiça, prontos a sacrificarmo-nos para os defender.

Através da acção, esperamos apenas a satisfação do nosso Criador, o Senhor dos céus e da terra, e esperamos para o nosso povo e para a nossa nação o bem-estar e a felicidade neste mundo e no além…

Fizemos a promessa, a ti Senhor, e a todos os oprimidos, de nos mantermos honestos para com o Pacto, de esperar pela Promessa e de sermos inabaláveis na Via que escolhemos.



* G.Houbballah é analista político do jornal libanês Al Manar

Este texto foi publicado em:
www.almanar.com.lb/newsSite/News.aspx?language=en

Tradução de Margarida Ferreira






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