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Asunto:NoticiasdelCeHu 749/09 - TURISMO E ENSINO: APROXIMAÇÕES E POSSIBILIDAD ES
Fecha:Viernes, 18 de Diciembre, 2009  01:40:10 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 749/09

 

TURISMO E ENSINO: APROXIMAÇÕES E POSSIBILIDADES.

 

Claudemira Azevedo Ito

Departamento de Geografia

Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente-Unesp

 

 

 

Resumo

 

 

Este trabalho trata de dois momentos da história do turismo, com diferenças marcantes quanto à época e perfil do viajante, mas com motivações similares, relacionadas especialmente ao conhecimento.  O período entre os Séculos XVI e XVIII foram fundamentais para fortalecer a associação entre Turismo e conhecimento, pois nesta época onde os meios de comunicação eram precários, havia pouca circulação de livros, o “tour” foi a forma encontrada para “conhecer o mundo. Aprender línguas, Geografia, História, Sociologia entre outras era realizado através do “Grand tours”.  Estes, viagens de ida e volta, eram praticados por jovens da elite acompanhados de professor particular. No final do Século XVII o turismo era prática restrita aos jovens filhos da aristocracia e da pequena nobreza, pois havia a convicção de que viagens atraiam viagens, o que contribuiu para criar o costume das famílias ricas em mandar seus filhos em viagens com o objetivo de aprenderem línguas, além de “edificar-se e distrair-se”. O ritmo e velocidade do deslocamento faziam com que o viajante tivesse maior contato com o lugar, as condições atmosféricas sentidas na pele, o seu olhar se detinha nos detalhes da paisagem: profundidade dos vales, meandros dos rios, formato dos platôs e picos, cor da rocha e do solo, diversidade e tamanho das espécies da fauna e da flora, enfim, a observação do olhar, capturava nuances e cores que passam desapercebidas na velocidade dos automóveis e aviões dos turistas contemporâneos.

A união entre turismo e conhecimento criado pelo Grand Tourist dos Séculos XVII e XVIII merece atenção, pois com o grande crescimento do turismo em nível mundial nos dias atuais, o turismo formatado pelas operadoras e agências de viagens, atende preferencialmente à demanda de lazer de massa. Existem, sem dúvida, roteiros culturais e de conhecimento, mas em muito menor número, com foco no público que viaja com os mesmos objetivos do Grand Tourist- aprender.

Hoje, dentro da segmentação do mercado de turismo o “Turismo Pedagógico” tem a sua motivação no processo ensino aprendizado. Caracteriza-se pelas viagens com fins educativos e não de lazer, mas sempre privilegiando o lúdico e diversão. Seus defensores afirmam que a viagem dá um encantamento para a educação, pois motiva os alunos em ambiente diferente da escola.

O Turismo Pedagógico deve ser organizado e desenvolvido por equipes multidisciplinares formadas por Bacharéis em Turismo e Professores de diversas áreas. O projeto deve contemplar atividades com algum tipo de deslocamento do ambiente escolar, como por exemplo, visita a museu, a indústria, a parque ou participação em acampamento. Esta vivência prática reafirmará conceitos construídos na sala de aula, também possibilitará maior interação entre os alunos e contribuirá no processo de ensino e aprendizagem através de aulas mais dinâmicas, pois aproximará o professor do aluno, onde este terá mais possibilidades de expor conceitos e informações adquiridas fora da sala de aula.

O turismo pedagógico pretende resgatar o sentido do Grand Tourist, que viajava contemplando, anotando suas observações e descobertas, saboreando os lugares com suas particularidades e simularidades, onde viagem era sinônimo de conhecimento e saber, e não de consumo.

 

Grand Tour: Viagem para o prazer do conhecimento.

 

A curiosidade e a necessidade dos homens em conhecer e descobrir lugares e povos diferentes impulsionaram, desde longa data, as viagens. Desde os tempos mais remotos as viagens se constituíram em grande fonte de conhecimento e descobertas. Segundo Barretto (1995) a gênese do Turismo não encontra consenso entre os autores: Teria nascido nas atividades dos Fenícios, gregos ou entre outros povos. Os romanos teriam contribuído com a construção de estradas, spas e termas. No mundo cristão as peregrinações a Jerusalém, a Roma e o túmulo de Santiago merecem destaque na História do Turismo.

Na Antiguidade e na Idade Média, aos poucos, foram muitas as contribuições para o incremento das viagens, paulatinamente com o desenvolvimento técnico e o crescimento do conhecimento geográfico as viagens foram se tornando mais freqüentes e mais longas. Apesar do desconforto pela falta de estradas, pousadas e lugares de repouso e alimentação ao longo das rotas, gradativamente o fluxo de viagens aumentou.

As motivações eram fundamentalmente associadas ao comércio, à fé e à conquista de riquezas, ou seja, os viajantes eram mercadores, peregrinos ou aventureiro/explorador. Haviam, ainda, os clérigos e representantes do senhores feudais ou dos reis que seguiam as rotas em missão oficial ou de fé. Até o Século. XV, poucos viajavam em busca do prazer, Barretto, cita o exemplo dos visitantes de Baden-Baden, na Alemanha. 

O período entre os Séculos XVI e XVIII foram fundamentais para fortalecer a associação entre Turismo e conhecimento, pois nesta época onde os meios de comunicação eram precários, havia pouca circulação de livros, o “tour” foi a forma encontrada para “conhecer o mundo. Aprender línguas, Geografia, História, Sociologia entre outras era realizado através do “Grand tours” ou “Petit tours”. 

Salgueiro (2002) apoiado em pesquisa em diários de viagens do Século XVIII traçou o perfil deste fenômeno social da época, Nestes relatos de viagens foram destacados os destinos, as rotas, os meios de transporte e hospedagem, assim como os guias de viagem. Salgueiro, afirma que trata-se de um novo tipo de viajante, que surgiu no Século XVIII, fruto das manifestações e transformações da Europa do e da Revolução Industrial. p. 291:

Trata-se aqui não do viajante de expedições de guerras e conquistas, não do missionário ou do peregrino, e nem do estudioso ou cientista natural, ou do diplomata em missão oficial, mas sim do grand tourist, conforme era chamado o viajante amante da cultura dos antigos e de seus monumentos, com um gosto exacerbado por ruínas que beirava a obsessão e uma inclinação inusitada para contemplar paisagens com seu olhar armado no enquadramento de amplas vistas panorâmicas, compostas segundo um idioma permeado por valores estéticos sublimes. Um viajante dispondo acima de tudo de recursos e tempo nas primeiras viagens registradas pela historiografia da prática social de viajar por puro prazer e por amor à cultura. A viagem por prazer, não como um ato isolado por um ou outro viajante mais excêntrico e curioso, mas sim como um fenômeno social, configurando fluxos com origens e, sobretudo, destinos específicos, na verdade começou a assumir seus contornos já ao final do século 17. Salgueiro (2002:291)

 

Os “tours”, viagens de ida e volta, eram praticados por jovens da elite acompanhados de professor particular. Segundo Salgueiro (2002) no final do Século XVII o turismo era prática restrita aos jovens filhos da aristocracia e da pequena nobreza, pois havia a convicção de que viagens atraiam viagens, o que contribuiu para criar o costume das famílias ricas em mandar seus filhos em viagens com o objetivo de aprenderem línguas, além de “edificar-se e distrair-se”. p.291.

O fenômeno do Grand Tour surgiu e se difundiu na Inglaterra, alguns apontam o isolamento territorial como fator primordial para o desenvolvimento desta prática. Outros afirmam que a situação socioeconômica e de liderança política, comercial e industrial da Inglaterra foram determinantes para criar um segmento populacional com condições financeiras de viajar por longos períodos em busca de prazer e conhecimento sem a necessidade de trabalhar.

Os destinos e as rotas eram diversos, alguns iam até os Países Baixos e a França. Entretanto, o circuito completa incluía Paris, e as principais cidades italianas: Roma, Veneza, Florença e Napoles. No Século XVIII este roteiro constituía-se uma grande prova de resistência e coragem, e eminentemente masculina, que durava até três anos. Iniciava com a aventura de atravessar o Canal da Mancha em embarcação a vela e prosseguiam em carruagens, a cavalo ou a pé. As travessias de áreas montanhosas, como os Alpes, podiam ser em liteiras carregadas por trabalhadores montanheses, dependendo das posses do viajante.

As acomodações eram sempre muito precárias, faltavam hospedarias e restaurantes. Na ausência destes serviços buscavam abrigo e alimentação nas residências dos habitantes locais mediante algum pagamento, muitas vezes encontravam hospedagem em instalações insalubres e sujas, faziam sua própria comida e tinha que dividir aposentos com desconhecidos. Somente na cidades maiores, como Roma, haviam hospedarias consideradas razoáveis para o padrão da época.

Entretanto, os desconfortos da viagem eram esquecidos diante do prazer da visitação in loco de monumentos históricos e arqueológicos, assim como do prazer do conhecimento.

 

A recompensa a tantos sacrifícios na viagem era a possibilidade de poder verificar in loco os monumentos que se conhecia até então apenas de ouvir falar, de ler nos diários de viagem dos outros, ou de ver em livros de estampas que iam surgindo nos principais pólos culturais europeus. Era tal o interesse do grand tourist por antigüidades que as dificuldades não chegavam a propriamente detê-lo em sua avidez por monumentos do passado. No culto ao antigo característico do século 18 a viagem desempenhou um papel muito importante no reconhecimento, assim como na descrição e representação visual de monumentos. Pode-se dizer que foi com os Grand Tours que se iniciaram os estudos sistemáticos da ainda embrionária ciência da arqueologia e as primeiras teorizações modernas sobre conservação/preservação de monumentos históricos, questão que tem atraído tantos debates desde Ruskin e Violet-le-Duc. Sob o olhar de viajantes que viam no estudo dos antigos o sentido maior de sua viagem, monumentos puderam ser localizados, identificados e estudados, para serem por fim tornados conhecidos do público em obras ilustradas e pioneiras de arqueologia e de história da arte e da arquitetura. Salgueiro (2002:300)

 

Este interesse crescia na medida em que eram reveladas as ruínas das cidades de Pompéia e Herculano que ressurgiam sob as cinzas e lavas da erupção do Vesúvio em 79 d.C.. Os objetos recuperados nas escavações eram foco de grande curiosidade: Estátuas, mobiliários, colunas de mármore, louças eram expostos, e aguçavam o interesse dos viajantes.

 

O objetivo do Grand Tour de ampliar o conhecimento sobre a história e a arte dos antigos, um hábito aristocrático e altamente em moda, pressupunha a elaboração de um diário de viagem, e, se possível, a ilustração dos monumentos observados. A escrita do diário e a ilustração faziam parte de um ritual metodológico que ia se impondo, cujo ponto alto era a sua publicação, ao retorno do viajante, o que ampliava o conhecimento e despertava o interesse dos leitores para novos projetos de viagem e novos conhecimentos. A publicação conferia também bastante prestígio ao autor, que procurava referir- se a passagens históricas e a textos da literatura clássica para estabelecer relações com o que era visto no ato da viagem, pois isso denotava um saber em moda e compartilhado com o público leitor. Salgueiro (2002: 301)

 

 

A realização da viagem era antecedida de planejamento e estudos. As rotas deveriam ser em consonância com os temas a serem estudados: Artes, literatura, Geografia, História, Arquitetura, Botânica entre outras áreas de conhecimento eram necessárias para o viajante, que deveria ter familiaridade com as temáticas e os lugares visitados, o que lhe daria maior prestígio social.

A Aristocracia do Século XVII e XVIII valorizava a arte como elemento fundamental da sociedade. Deste modo, a arte era parte essencial da viagem, tanto através da contemplação como da sua produção. Parte dos viajantes eram artista, mesmo que amadores, outros contratavam artistas para acompanhar e registrar as paisagens e fatos dos lugares visitados, os desenhos e gravuras eram valorizados como forma de registro e comprovação de tudo que era visto e descoberto. A produção artística de pinturas e gravuras tinham como tema central as paisagens panorâmicas ou particularidades estudos geográficos (vulcão, vales, praia) ou de interesse histórico (monumentos, fachadas e seus detalhes).

Essa necessidade do viajante em registrar e a paisagens e os fatos de viagem fortaleceu o trabalho dos artistas que retratavam as cidades, seus monumentos, assim como os campos e os costumes dos povos. O Vedutismo italiano nasce para atender esta demanda e influencia as artes em toda a Europa. É o olhar do turista, apreciador de arte e cultura, fomentando o mercado das artes e determinando estilo. “ Muitos artistas vieram a produzir uma arte específica para o viajante, trabalhando para um mercado fundado nesse novo hábito dos ricos — viajar por prazer e para se edificar, tendo o antigo como paradigma.” Salgueiro (2002:305)

É importante destacar que este viajante o “grand Tourist”, de gosto e educação refinada é responsável “ pelo culto ao cenário natural dentro de uma abordagem estética sublime”

Uma sensibilidade especial acompanhava, pois, o grand tourist, permitindo-lhe viver emoções que seriam transportadas para seus relatos e registros visuais. O trajeto pelo Monte Cenis, por exemplo, conduzia o viajante ao contato com uma paisagem onde, pela altura das montanhas e precipícios, a visão de uma enorme distância, avalanches, o frio intenso e a neblina espessa, tudo impressionava segundo termos como “infinito”, “grandioso”, “interminável”, desconhecidos para descrever a paisagem pelos que nunca, até então, haviam deixado sua região de origem, na Inglaterra, França ou Alemanha. Salgueiro (2002: 305)

 

Neste sentido, Tuan (1980) ao definir o termo topofilia descreve os laços afetivos dos seres humanos com o meio ambiente. “ A resposta ao meio ambiente pode ser basicamente estética: em seguida, pode variar do efêmero prazer que se tem de uma vista, até a sensação de beleza, igualmente fugaz, mas muito mais intensa, que é subitamente revelada. A resposta pode ser tátil: o deleite ao sentir o ar, água, terra.” p.107.

O ritmo e velocidade do deslocamento faziam com que o viajante tivesse maior contato com o lugar, as condições atmosféricas sentidas na pele, o seu olhar se detinha nos detalhes da paisagem: profundidade dos vales, meandros dos rios, formato dos platôs e picos, cor da rocha e do solo, diversidade e tamanho das espécies da fauna e da flora, enfim, a observação do olhar, capturava nuances e cores que passam desapercebidas na velocidade dos automóveis e aviões dos turistas contemporâneos.

A união entre turismo e conhecimento criado pelo Grand Tourist dos Séculos XVII e XVIII merece atenção, pois com o grande crescimento do turismo em nível mundial nos dias atuais, o turismo formatado pelas operadoras e agências de viagens, atende preferencialmente à demanda de lazer de massa. Existem, sem dúvida, roteiros culturais e de conhecimento, mas em muito menor número, com foco no público que viaja com os mesmos objetivos do Grand Tourist- aprender.

 

 

Turismo Pedagógico

 

Dentro da segmentação do mercado de turismo o “Turismo Pedagógico” tem a sua motivação no processo ensino aprendizado. Caracteriza-se pelas viagens com fins educativos e não de lazer, mas sempre privilegiando o lúdico e diversão. Seus defensores afirmam que a viagem dá um encantamento para a educação, pois motiva os alunos em ambiente diferente da escola.

Rodrigues (2008) fundamentando-se em diversos autores afirma que o turismo pedagógico “é aquele que serve as escolas em suas atividades educativas que envolvem as viagens, cuja finalidade é o conhecimento”, baseando-se em Fonseca Filho (2007) ainda, enfatiza o caráter pedagógico, mesmo havendo momentos de lazer, pois a prática educativa estimula e sensibiliza os estudantes sobre o respeito aos monumentos e patrimônios culturais.

O Turismo Pedagógico deve ser organizado e desenvolvido por equipes multidisciplinares formadas por Bacharéis em Turismo e Professores de diversas áreas. O projeto deve contemplar atividades com algum tipo de deslocamento do ambiente escolar, como por exemplo, visita a museu, a indústria, a parque ou participação em acampamento. Esta vivência prática reafirmará conceitos construídos na sala de aula, também possibilitará maior interação entre os alunos e contribuirá no processo de ensino e aprendizagem através de aulas mais dinâmicas, pois aproximará o professor do aluno, onde este terá mais possibilidades de expor conceitos e informações adquiridas fora da sala de aula.

Vinha (2005) ao propor o turismo pedagógico como possibilidade de ampliação dos espaços da escola afirma que:

 um dos principais sentidos das atividades ligadas ao Turismo Pedagógico está na possibilidade de ampliação das demandas dos estudantes, pois a escola em geral, centra suas atividades nas demandas dos professores, esquecendo-se que os estudantes precisam de envolvimento ativo para a construção do conhecimento e da formação da cidadania. Na educação infantil, damos às crianças, diversos materiais como blocos, areia, para construírem; tempo para brincar; propomos passeios; depois, pelo resto de sua escolaridade, retiramos tudo isso e queremos que elas sejam criativas, profissionais competentes.Vinha (2005:2)

 

A proposta da área de Geografia dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) aponta na direção do aproveitamento desta prática, no estudo da paisagem é bem clara a orientação “é preciso observar, buscar explicações para aquilo que, numa determinada paisagem, permaneceu ou foi transformado, isto é, os elementos do passado e do presente que nele convivem e podem ser compreendidos mediante a análise do processo/organização do espaço”. Brasil (1997:74)

Nesta proposta é valorizada a experiência vivida pelo estudante, lembrando que o espaço geográfico é historicamente produzido pelo homem e a percepção de cada individuo é marcada por laços de afetividade e referência socioculturais. Assim, “o estudo de uma totalidade, isto é, da paisagem como síntese de múltiplos espaços e tempos deve considerar o espaço topológico – o espaço vivido e percebido – e o espaço produzido economicamente como algumas das noções de espaço dentre as tantas que povoam o discurso da Geografia. Brasil (1997:74)

A valorização da percepção ocorre pelo reconhecimento de que a paisagem ganha significado para aqueles que a vivem e a constroem, e se reconhecem a partir do lugar,

A categoria paisagem, por sua vez, está relacionada à categoria de lugar. Pertencer a um território e sua paisagem significa fazer deles o seu lugar de vida e estabelecer uma identidade com eles. Nesse contexto, a categoria lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça, onde se brinca desde menino, a janela de onde se vê a rua, o alto de uma colina, de onde se avista a cidade. O lugar é onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico. Brasil (1997:76)

 

A Geografia desde os primeiros ciclos tem por objetivo mostrar ao aluno que cidadania pressupõe o sentimento de pertencimento a uma realidade onde sociedade e natureza interagem e estão em constante transformação, onde ele (aluno) se reconheça como individuo participante, historicamente responsável e afetivamente ligado.

Dessa forma, fortalecem as propostas de desenvolvimento de turismo pedagógico, onde:

 O que se pretende com essas atividades é a organização de situações de aprendizagens, relacionadas a conteúdos curriculares, a valores éticos e estéticos, além de atitudes formativas, tais como o desenvolvimento da capacidade de iniciativa e solidificação de amizades; respeito ao outro e fortalecimento da noção de pertencimento a um grupo ou a um ecossistema; experiência de autonomia; elaboração conjunta de regras de convivência, dentre outras. Vinha (2005:6)

 

A metodologia de trabalho proposta por Vinha é dividida por três etapas. Primeiro, o Planejamento, onde acontece a fase de organização, com a participação dos estudantes, em processo democrático, define-se o lugar a ser visitado, a elaboração de regras, a pesquisa sobre o local a ser visitado. A segunda etapa é a “execução propriamente dita, através da observação e coleta de dados, da fruição do prazer de dirigir o olhar para uma paisagem”. p.7. A terceira etapa é composta pelas atividades de retorno, “através da sistematização de conhecimentos, de montagens de relatórios, de organização de painéis com fotos, com desenhos e textos, podendo-se contar atualmente, com os recursos multimídia advindos dos computadores e da Internet.” Vinha, 2005,p.7.

A autora destaca neste processo que os alunos participantes do projeto de turismo pedagógico, podem acompanhar in loco atividades de produção dos diversos setores da economia, ou seja,A execução de atividades voltadas para o senso de processo deve ser acompanhada pela busca de aspectos históricos e culturais que contribuíram para que determinadas características estivessem presentes naqueles produtos ou naquela configuração de serviços”. Vinha, 2005,p.7.

Alem disso, alerta para que a apresentação dos resultados e conclusões das atividades desenvolvidas devem utilizar toda a diversidade possível de linguagens artísticas e recursos estéticos e artísticos, permitindo que os alunos demonstrem suas habilidades artísticas.

Há o grande desafio de transformar os passeios e excursões escolares de simples atividade de lazer, um prêmio no final do ano ou de uma gincana, em atividade pedagógica, estruturada no modelo de plano de aula, cujo roteiro e objetivos são construídos em exercício coletivo. Sua validade aumenta na medida em que articule diversas áreas de saberes e temas transversais. Podem ser explorados no mesmo projeto conceitos de Geografia, História, Educação ambiental, Cidadania, e outros das mais diversas áreas de conhecimento sem, contudo, perder as possibilidades do divertimento, do prazer e do lúdico, aspectos tão importantes e inerentes ao turismo.

Finalizando, as propostas de turismo pedagógico devem primar pelo conteúdo, e ainda aos aspectos cognitivos e afetivos do processo ensino-aprendizagem, pois este é o espaço da aprendizagem com prazer, que objetiva a convivência, o debate, a crítica e a ampliação do conhecimento.

O turismo pedagógico pretende resgatar o sentido do Grand Tourist, que viajava contemplando, anotando suas observações e descobertas, saboreando os lugares com suas particularidades e simularidades, onde viagem era sinônimo de conhecimento e saber, e não de consumo.

Pode-se afirmar que existe grande relação entre turismo e educação. Pois na prática do turismo está presente o processo de aprendizagem, conceitos de diversas áreas do conhecimento são construídos e reelaborados, pois não se pode negar que ao visitar um lugar, o turista entra em contato com suas singularidades: Expressões artísticas, folclóricas, geografia e história, entre outros que podem estimular e enriquecer o arcabouço de conhecimento e conceitos deste indivíduo.

 

 

 

 

Bibliografia

 

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XAVIER, Herbe, A Percepção Geográfica do Turismo, São Paulo:Aleph,2007.

YAZIGI, C. Turismo – espaço, paisagem e cultura. 2ª Edição. São Paulo; Hucitec, 2000.

 

 Ponencia presentada en el XI Encuentro Internacional Humboldt – 26 al 30 de octubre de 2009. Ubatuba, SP, Brasil.  


 

 




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