Inicio > Mis eListas > humboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 11287 al 11306 
AsuntoAutor
718/09 - UMA UNIVE Noticias
719/09 - Prólogo a Noticias
720/09 - O process Noticias
716/09 - XII ENCUE Noticias
721/09 - TERRITÓRI Noticias
722/09 - II Jornad Noticias
723/09 - Universid Noticias
724/09 - Afganistá Noticias
725/09 - Considera Noticias
726/09 - A Influên Noticias
727/09 - Afganistá Noticias
728/09 - Congreso Noticias
729/09 - Sustentab Noticias
731/09 - Divulgaçã Noticias
730/09 - Carrera d Noticias
732/09 - Latinoamé Noticias
733/09 - EUCALIPTO Noticias
734/09 - ¿Quién es Noticias
735/09 - La identi Noticias
736/09 - TERRITÓRI Noticias
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
Noticias del Cehu
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 11546     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:NoticiasdelCeHu 726/09 - A Influência da Ação Antrópica na Biodi versidade Amazônica
Fecha:Lunes, 7 de Diciembre, 2009  01:47:10 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 726/09
 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS GEOGRÁFICAS

Curso de Graduação de Bacharelado em Geografia

 

 

 

 

A Influência da Ação Antrópica na Biodiversidade Amazônica

 

 

Igor Fernando Marques de Almeida [1] [2]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recife

2009

Resumo

 

O homem tem agido de maneira irracional e despreocupada, movido apenas por seus interesses econômicos, não considerando o alcance de seus atos. O meio ambiente é a maior vítima da ação antrópica e tem sofrido várias mudanças com o passar do tempo. A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, equivalendo a 35% das áreas florestais do planeta (LOPES, 2003) e a região de maior biodiversidade também. Ao longo desse trabalho, as principais características da Floresta Equatorial Amazônica e as práticas humanas que impendem a proliferação da sua biodiversidade, como a Biopirataria, o Desmatamento e as Queimadas serão analisadas. Para tanto, pesquisou-se em livros, revistas e sites, dos quais foram coletados dados da EMBRAPA, do INPE e do IBGE de grande importância para esse trabalho, além de uma pesquisa de campo próxima ao Rio Guamá na Universidade Federal do Pará. Dessas pesquisas, foi possível notar, por exemplo, que o Brasil é o quarto maior poluidor do clima do mundo (emissão de gás carbônico); cerca de 75% dessas emissões vêm das queimadas amazônicas (GREENPEACE, In: 23/03/09). Portanto, se o homem não parar de ser movido pela ambição que o domina, a biodiversidade da Amazônia e de outros lugares estará em risco, o que afetaria a Terra como um todo.

 

Palavras-chaves: Meio ambiente; Amazônia; biodiversidade; ação antrópica

 

Abstract

 

The man has acted in an irrational and unworried way, moved just by his economical interests, not considering the reach of his acts. The environment is the biggest victim of the man action and it has suffered several changes as the time goes by. The Amazon is the biggest tropical rain forest in the world, being equivalent to 35% of the forest areas of the world and also the one with the biggest biodiversity. Along this work, Amazon’s main characteristics and the human practices that block the proliferation of Amazon’s biodiversity, as the biopiracy, the deforestation and the forest fires will be analyzed. For this, there was a research in books, magazines and websites that resulted on data from EMBRAPA, INPE e IBGE very important for this work, besides a field research next to Guamá River in the Federal University of Pará. From these researches, it was possible to note that Brazil is the fourth biggest climate polluter in the world (carbon dioxide emission); about 75% of these emissions come from Amazon forest fires (GREENPIECE, In: 23/03/09). Therefore, if the man doesn’t stop being moved by the ambition that dominates him, the biodiversity of Amazon and other places will be in risk, what would affect the Earth as one.

 

Key Words: Environment; Amazon; biodiversity; man action

 

Introdução

 

"A Amazônia é a região de maior biodiversidade do planeta. Cobrindo mais de 6 milhões de km² em nove países do norte da América do Sul, abriga pelo menos 40 mil espécies de plantas, 427 de mamíferos, 1.294 de aves, 378 de répteis, 427 de anfíbios e mais de 3 mil espécies de peixes" (SILVA, 2006). A biodiversidade ou diversidade biológica é a variedade de genes, espécies e ecossistemas que fazem parte da biosfera, reunindo todas as espécies vivas, desde os microorganismos simples até as plantas e animais superiores. Acontece que o homem vem agindo de acordo com as suas necessidades sócio-econômicas sem pensar que seus atos seriam desfavoráveis à manutenção da biodiversidade e conseqüentemente ao seu bem-estar, visto que ele depende direta ou indiretamente dos outros seres vivos. Através do desmatamento, das queimadas e da biopirataria, a ação antrópica vai, aos poucos, destruindo o que a natureza levou muito tempo para construir. A partir desse enfoque, é analisada a intrínseca relação do homem com o meio-ambiente, levando em conta os prós e os contras desse envolvimento e, principalmente, os impactos da ação antrópica na biodiversidade amazônica.

 

Características da Floresta Equatorial Amazônica

 

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, equivalendo a 35% das áreas florestais do planeta (LOPES, 2003) e avançando sobre nove países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Sua maior parte localiza-se no território brasileiro, do qual cobre cerca de 40% (3.500.000 km²), distribuindo-se por nove estados: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

A floresta é formada por uma vegetação densa, distribuída por diversos andares ou estratos. O estrato herbáceo é constituído por plantas de pequeno porte que vivem em condições de baixa luminosidade. No segundo estrato, encontram-se arbustos e pequenas palmeiras. A seguir, dois estratos arbóreos intercalados. O último estrato é o das lianas, constituído por epífitas (bromélias, orquídeas, musgos e samambaias) e trepadeiras (filodendros).

A maior parte da Amazônia é composta de formação vegetal latifoliada (de folhas largas), perene (nunca perde as folhas e permanece verde), heterogênea (constituída de várias espécies) e, em grande parte, higrófila (que vive em ambientes muito úmidos).

Pode-se classificar a floresta de acordo com o contato dos vegetais e das águas em três modalidades: mata de terra firme, mata de várzea e mata de igapó. A mata de terra firme corresponde a aproximadamente 75% da vida vegetal amazônica e é aquela que não está sujeita a alagamentos. A mata de várzea é aquela que está sujeita a alagamentos repentinos, os quais, normalmente, ocorrem nas épocas de chuva. Já a mata de igapó é aquela que está constantemente alagada.

Os solos desse ecossistema geralmente são profundos, bem drenados, intensamente lixiviados (lavados pela água da chuva) e ácidos, pobres em nutrientes e areno-argilosos. Há também algumas manchas de solo com terra preta (conhecida como terra de índio), fortemente humosa e rica em nutrientes. Devendo-se ressaltar também a elevada intensidade de decomposição de matéria orgânica no solo, o que gera nutrientes que são rapidamente absorvidos pela vegetação, constituindo um ciclo de decomposição/absorção extremamente dinâmico. Por isso, a remoção da floresta para fins agrícolas é prejudicial e conduz o solo ao empobrecimento.

Por estar sobre domínio do clima equatorial úmido, é um dos locais mais chuvosos do planeta, de intensa pluviosidade, com uma temperatura regularmente elevada e está localizado em um relevo de baixas altitudes.

É marcante a presença de rios, a grande quantidade de nichos ecológicos e a grande biodiversidade. Dentre as plantas podemos citar o cupuaçu, o guaraná, a seringueira (de onde se extrai o látex para a fabricação de borracha), palmeiras como o açaí, o tucumã e o inajá, espécies de grande porte como a castanheira, a sumaúma (conhecida como "o gigante da Amazônia") e o angelim. Esse bioma abriga também inúmeras espécies de plantas medicinais, graças às quais já foram feitas descobertas importantes para a medicina, como é o caso do curare (um potente anestésico) e do quinino (bom remédio contra a malária).

Vale à pena destacar que como os estoques de madeira do sul do país estão se esgotando, nos últimos anos a extração de mogno e cerejeira na floresta amazônica aumentou muito, fator importante na drástica redução da população dessas plantas.

Além desse grande número de espécies de plantas, na Amazônia está também a maior diversidade de espécies animais: preguiça-real, macaco-aranha (ou quatá), macaco-prego, guariba (ou bugio), araçari (tucano), arara-vermelha, arara-canindé, jacaretinga, jacaré-coroa, jacaré-açu, muitas espécies de peixes como o pirarucu, o aruanã, o surubim e o poraquê (peixe-elétrico), muitas espécies de insetos e de outros animais.

 

Transformismo ou Fixismo

 

Na antiguidade, imaginava-se que as espécies seriam fixas e imutáveis. Essa idéia teve como defensores os filósofos gregos, a exemplo de Aristóteles. Os chamados fixistas propunham que as espécies encontradas na atualidade já existiam desde a origem do planeta e a extinção delas seria devida a eventos catastróficos que teriam exterminado grupos inteiros de seres vivos, a exemplo da extinção dos dinossauros pela colisão de um meteorito com a Terra.

Porém, alguns pensadores passaram a admitir a idéia da substituição gradual de espécies por outras, por meio de adaptações a ambientes em contínuo processo de mudança. Essa corrente de pensamento explicava a adaptação como um processo dinâmico e era chamada de transformista.

Para o transformismo, alcança-se a adaptação por meio de mudanças: à medida que se mudaria o meio, mudar-se-ia a espécie. Os adaptados ao novo ambiente sobreviveriam. Essa idéia deu origem ao evolucionismo, o qual se convencionou definir assim: evolução biológica é a adaptação das espécies a meios continuamente em mudança. Contudo, precisa-se entender que essa mudança das espécies nem sempre implica aperfeiçoamento ou melhora. Muitas vezes, leva a uma simplificação.

 

Darwin, Wallace e a Seleção Natural

 

Viajando ao redor do mundo a bordo do navio H. M. S. Beagle, o naturalista inglês Charles Darwin, com base em muitas observações da natureza e em especial do arquipélago de Galápagos, começou a contestar a imutabilidade das espécies. Foi então que suas idéias sobre evolução começaram a ser elaboradas.

Em 1838, Darwin leu o ensaio de Thomas Malthus (1766-1834) sobre os princípios que regem as populações humanas, escrito em 1798. Malthus defendia que o crescimento da população ocorria em progressão geométrica e o crescimento dos meios de subsistência ocorria em progressão aritmética, desse modo, muito provavelmente, resultando em fome.

Darwin imaginou que esses argumentos poderiam ser aplicados para as populações dos demais seres vivos, em que o crescimento populacional seria controlado por limites impostos pelo meio. A falta de recursos disponíveis para todos levaria a disputas entre os organismos e apenas aqueles com características mais vantajosas teriam condições de sobreviver e se reproduzir. Assim, os organismos mais adaptados ao meio seriam selecionados naturalmente.

Darwin seguiu trabalhando e amadurecendo suas idéias sobre evolução, quando em 1859 publicou o livro mais importante da sua vida e um dos mais importantes da história da biologia que começou a escrever em 1856: "The origin of species by means of natural selection" (A origem das espécies por meio da seleção natural).

Em 1858, o naturalista inglês Alfred Wallace, com base nos estudos realizados na América do Sul e no Arquipélago Malaio, chegou de forma independente às mesmas conclusões de Darwin sobre evolução por seleção natural.

Wallace enviou uma carta a Darwin falando a respeito das suas idéias sobre seleção natural, o que os fez escrever juntos um documento para uma importante reunião científica que ocorreu em Londres em 1858.

Wallace elaborou suas idéias tão bem quanto Darwin, mas em função, principalmente, da publicação do livro A origem das espécies, a teoria da evolução por seleção natural ficou conhecida como sendo apenas de Darwin. Contudo, embora Wallace não tenha apresentado um trabalho tão impactante, ele também merece os créditos da elaboração da teoria.

 

Biodiversidade

 

A biodiversidade ou diversidade biológica é a variedade de genes, espécies e ecossistemas que fazem parte da biosfera, reunindo todas as espécies vivas, desde os microorganismos simples até as plantas e animais superiores. Há uma inter-relação inexorável entre os elementos vivos da natureza que garantem a riqueza, a proliferação e a continuidade da vida em nosso planeta.

A engenharia genética vem alterando e revolucionando as formas convencionais de reprodução dos seres vivos. Na agricultura e na pecuária seus efeitos têm sido assombrosos, desafiando nossa capacidade de imaginar o futuro. Assim, cada espécie silvestre adquiriu uma importância incalculável para as poderosas corporações multinacionais que buscam nas florestas tropicais as matrizes para muitos de seus produtos, as quais, depois de alteradas geneticamente, são comercializadas por preços elevadíssimos.

Ações que desrespeitam as normas internacionais estabelecidas desenvolvem-se rapidamente; é a biopirataria violando a soberania nacional de muitos países. Estamos testemunhando a extinção dos habitats de incontáveis seres vivos. O homem vai ao espaço, mas não consegue refazer um habitat destruído. A situação é muito grave e merece uma reflexão, não só dos governantes, mas de todos os cidadãos, que embora vivam em áreas urbanas, devem lembrar-se o quanto a sua sobrevivência e qualidade de vida estão ligadas à preservação dos ambientes, mesmo os mais distantes.

Mais de 50% das espécies de animais e plantas existentes no planeta (identificadas ou não) ocorrem nos trópicos. Mais da metade das plantas tropicais vive na Amazônia; ¼ delas na África e em Madagascar e o outro quarto na Ásia.

Acontece que as florestas tropicais úmidas estão sendo devastadas à velocidade de 180.000 km² por ano, extensão que vem a ser maior do que a de vários Estados brasileiros (MORAES, 2003). Nos próximos 25 anos estima-se que entre duas a sete espécies em cada 100 terão desaparecido para sempre (UZUNIAN, 2004). Imagine que a perda de cada planta represente a perda de outras 30 espécies de animais e insetos que dela dependem.

 

O Rio Amazonas e a Biodiversidade da Região Amazônica

 

Os organismos que compõem uma comunidade sofrem influência de seu ambiente, mas também atuam sobre ele, provocando pequenas alterações locais. Essas alterações podem estabelecer novas condições eventualmente favoráveis à instalação de outras espécies e desfavoráveis às espécies já existentes na comunidade. Assim, podem ocorrer mudanças nas comunidades ao longo do tempo que acabam por levar ao estabelecimento de uma comunidade estável auto-regulada, que não sofre alterações significativas em sua estrutura. Essa comunidade estável é denominada comunidade clímax e a seqüência de estágios de seu desenvolvimento é chamada sucessão ecológica.

Uma sucessão ecológica pode ser definida em função de três características básicas: é um processo ordenado e dirigido, ocorre como resposta às modificações nas condições ambientais locais provocadas pelos próprios organismos e termina com o estabelecimento de uma comunidade clímax, que não sofre mais alterações em sua estrutura, desde que as condições macroclimáticas não se alterem.

A Amazônia é a região de maior biodiversidade do planeta. Cobrindo mais de 6 milhões de km² em nove países do norte da América do Sul, abriga pelo menos 40 mil espécies de plantas, 427 de mamíferos, 1.294 de aves, 378 de répteis, 427 de anfíbios e mais de 3 mil espécies de peixes (SILVA, 2006). A porcentagem de espécies endêmicas – restritas à região – varia de 5,7% nos répteis a 87,7% nos anfíbios. Estima-se que a Amazônia abrigue pelo menos 10% das espécies do planeta.

A diversidade de espécies de uma região é um produto de três processos biogeográficos básicos: produção de espécies, intercâmbio biótico e extinção.

 

Produção de Espécies – As espécies são produzidas quando um ancestral dá origem a duas ou mais espécies descentes por meio de um processo denominado de especiação. O modelo mais aceito de especiação é o da vicarecência, mecanismo evolutivo por meio do qual uma espécie ancestral tem sua distribuição fragmentada por barreiras geológicas ou ecológicas. Como conseqüência, as populações passam por um processo de diferenciação, dando origem a duas ou mais espécies descendentes. A especiação geralmente leva ao aumento tanto da diversidade quanto da porcentagem de espécies endêmicas na região.

Intercâmbio Biótico – É o fluxo natural de espécies entre regiões adjacentes, com algumas populações expandindo suas distribuições para áreas que originalmente elas não habitam. Esse processo geralmente adiciona espécies a uma região, aumentando, portanto, a sua diversidade. Em contraposição, a porcentagem de espécies endêmicas nessa determinada área cai, pois ela será povoada por um número maior de espécies que ocorrem em duas ou mais regiões.

Extinção – Os eventos de extinções atuam diminuindo a diversidade regional e podem ser causados tanto por fatores bióticos com abióticos. Geralmente são associados a mudanças ambientais drásticas. Os efeitos da extinção sobre a diversidade regional de espécies não podem ainda ser estimados, pois isso requer fósseis abundantes e bem preservados.

 

Na Amazônia, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace (1823-1913), co-proponente da teoria da evolução por seleção natural, foi o primeiro a demonstrar que as espécies não são amplamente distribuídas na região. As espécies na Amazônia possuem distribuições relativamente pequenas e concentram-se em determinados setores da região, que são denominados áreas de endemismo. Wallace também observou que as espécies restritas a uma dessas áreas são substituídas por outras aparentadas nas regiões de endemismo adjacentes. Em muitos casos, essas substituições estão associadas à presença de barreiras físicas bem definidas, tais como rios, planaltos ou manchas de vegetação aberta, mas, em outros casos, elas ocorrem em lugares sem nenhuma barreira atual visível conhecida. Essas duas observações apóiam a idéia de que a extraordinária diversidade de espécies na Amazônia é mais uma conseqüência da intensa produção de espécies dentro da própria região do que uma conseqüência do intercâmbio biótico com as regiões adjacentes.

Por décadas, a principal hipótese prevalecente sobre a Amazônia indicava que um mar raso teria inundado a região por bastante tempo, dando origem inclusive ao rio Amazonas. Essa conexão prolongada com o mar aberto poderia explicar como botos, peixes-boi, raias e outras criaturas marinhas entraram no coração do continente.

Novas pesquisas, porém, indicam que essa prolongada inundação não chegou a ocorrer devido à identificação de características típicas de ambientes de água doce. Contudo, deve-se levar em conta que ocorreram sim aumentos de salinidade, mas não em tão longo período de tempo como se costumava supor. O mar chegou a transgredir e regredir algumas vezes, mas não chegou a inundar permanentemente a área amazônica como se imaginava.

Algumas evidências apontam que apenas poucas espécies de moluscos de água doce, Pachydon e Sioliella são exemplos, moluscos descobertos em dezenas de sítios pela Amazônia, poderiam ter sobrevivido em água salgada. Outras evidências dizem respeito aos grãos de pólen abundantes em rochas que vêm de plantas como Bombacaceae e Caesalpinoideae, conhecidas por crescerem quase exclusivamente ao longo das margens de rios tropicais. Ocorrências raras do pólen de mangues e de microorganismos marinhos nos mesmos sedimentos confirmam que a água salgada invadiu a região apenas por pouco tempo.

O vasto interior no norte da América do Sul, hoje conhecido como Amazônia, passou por pelo menos três grandes modificações de paisagem nos últimos 25 milhões de anos. A Amazônia foi coberta por água do mar apenas ocasionalmente naquele tempo. A nascente Cordilheira dos Andes enviou um fluxo de água na direção leste mais cedo do que se imaginava, e o incipiente rio Amazonas nutriu um dos maiores sistemas de lagos interconectados do mundo por milhões de anos antes de finalmente desaguar no oceano Atlântico quase 6.500 km depois.

Há 25 milhões de anos, o rio Amazonas e o nordeste dos Andes não existiam. Os primeiros canais de água da Amazônia vinham do noroeste, de colinas baixas no coração do continente, com algum fluxo ocasional para o mar do Caribe.

Já 15 milhões de anos atrás, à medida que o nordeste dos Andes subiu, a formação tectônica interrompeu o fluxo de água do nordeste e começou a jogar água a partir de suas inclinações orientais. Um desses fluxos se tornou o novo rio Amazonas, que alimentou uma vasta área alagada, expandindo-se para o leste aos poucos.

O rio alcançou seu comprimento atual há cerca de 10 milhões de anos quando forjou uma conexão direta com o Atlântico, provavelmente por causa de uma sublevação tectônica adicional nos Andes. À medida que o rio seguia em direção ao oceano, ele drenava muitos dos lagos que por tempos dominaram a paisagem amazônica e começava a lançar sedimentos na costa do Brasil. Esses sedimentos formam hoje um dos maiores deltas do mundo.

Pelos 22 milhões de anos que a floresta úmida existe, ela se manteve forte – e mesmo cresceu – preservando em grande parte a sua biodiversidade apesar das mudanças tremendas na paisagem: o florescimento da cordilheira dos Andes, o nascimento do rio Amazonas e a inundação pela água do mar. Será que essa persistência ajudará a Amazônia a sobreviver às mudanças provocadas pelo homem?

 

Biopirataria

 

A maior diversidade encontra-se nas áreas tropicais do planeta, onde predominam os países pobres. E cresce, ano a ano, a biopirataria praticada principalmente por grandes conglomerados transnacionais das nações ricas. Entende-se por biopirataria o envio ilegal de elementos da fauna e da flora de um determinado país para o estrangeiro com fins industriais ou medicinais (cosméticos e remédios), sem qualquer pagamento ao país produtor ou à população local que, muitas vezes, já conhece as propriedades curativas da espécie subtraída sem autorização.

Calcula-se que esse comércio ilegal movimente cerca de 10 bilhões de dólares por ano (MORAES, 2003). O Brasil, pela grande biodiversidade que apresenta, responde por 10% desse tráfico, principalmente de animais silvestres. Grande parte do princípio ativo dos hipertensivos, medicamentos prescritos contra pressão alta, é retirada do veneno de serpentes brasileiras como, por exemplo, a jararaca. Há alguns anos atrás, um grande laboratório norte-americano extraiu de um sapo equatoriano uma substância que se tornou o princípio ativo de um poderoso anestésico mais potente que a morfina. Em pouco tempo, o lucro do laboratório atingiu a casa dos milhões de dólares, enquanto o Equador nada recebeu pela matéria-prima fornecida.

Na Eco-92, a Convenção da Biodiversidade deu origem ao documento Estratégia Global para a Biodiversidade, onde estão estabelecidas mais de 80 ações para a preservação da diversidade biológica no planeta. Entre elas estão ações de combate à biopirataria, prevendo o pagamento de royalties pelas empresas que fizerem pesquisa ou explorarem a fauna e a flora num país estrangeiro e a transferência de tecnologia e informações para o país detentor da “matéria-prima” biológica. Esses dois pontos vão contra os interesses dos grandes conglomerados das poderosas indústrias de medicamentos e de cosméticos, que se opõem à assinatura de qualquer acordo ou tratado nesses termos. Os países ricos, liderados pelos EUA, alegam que os seus gastos com pesquisas nem sempre se transformam em produtos rentáveis. Em outras palavras, afirmam que investem muito na procura de novas substâncias e que apenas uma ou outra se transforma em produto rentável.

Essa é a versão deles. Enquanto isso, continuam retirando de graça e lesando os países detentores de grande biodiversidade, como Brasil, Indonésia, China e Índia.

 

Desmatamento

 

O desmatamento no planeta, fruto da expansão das atividades econômicas e do crescimento populacional mundial, vem afetando, principalmente, as áreas de florestas. Nos últimos 300 anos já destruímos mais da metade da cobertura vegetal natural do planeta.

A extração de madeira das florestas equatoriais, tropicais e temperadas é uma atividade econômica importante em diversos países, como o Brasil, a Indonésia e o Canadá.

As áreas devastadas crescem à incrível proporção de 170.000 km² por ano. Entre os principais fatores desse ritmo acelerado estão a derrubada das matas para abrir campos agrícolas ou novas áreas de pastagens, o crescimento urbano, a implementação de grandes projetos de mineração e a ação das madeireiras e das empresas que extraem outras espécies vegetais. Para se ter idéia, as grandes madeireiras asiáticas já puseram abaixo cerca de 60% das florestas nativas.

No Brasil, a devastação atinge aproximadamente 40% da cobertura original. A expansão da agropecuária, a exploração da madeira e o processo de urbanização destacam-se como as principais causas da destruição das áreas com cobertura vegetal nativa.

As perdas ambientais trazidas pelo desmatamento são de grandes proporções, ameaçando e trazendo prejuízos para a biodiversidade, aceleração da degradação dos solos, aumento da erosão, alterações climáticas – em alguns locais do planeta as densas coberturas vegetais regulam a temperatura e influenciam o regime de ventos e de chuvas –, comprometimento das áreas de mananciais e das bacias hidrográficas, pelo assoreamento delas.

 

Queimadas

 

As queimadas têm um papel significativo nas áreas rurais dos países pobres, sendo a técnica mais barata para se limpar e preparar o solo agrícola. Porém, esta técnica arcaica e perversa é extremamente nociva ao ambiente, pois empobrece o solo, destruindo parte dos nutrientes das camadas superficiais, além de liberar dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo, assim, para o efeito estufa.

No Brasil, as queimadas têm colaborado no processo de devastação da Amazônia. Mesmo o governo anunciando que nos últimos anos houve uma redução do uso dessa técnica, dados do INPE demonstram que o número de focos ainda é elevado.

A Amazônia armazena grandes quantidades de carbono existentes na vegetação, que são liberados na atmosfera com a queima da cobertura vegetal. O Brasil é o quarto maior poluidor do clima do mundo (emissão de gás carbônico); cerca de 75% dessas emissões vêm das queimadas amazônicas (GREENPEACE, In: 23/03/09).

 

Conclusão

 

A humanidade deu um grande salto nas áreas da tecnologia e da ciência, porém agrediu o meio ambiente de forma cruel. O território brasileiro abriga de 10% a 20% do número total de espécies conhecidas no mundo pela ciência. Acontece que as florestas tropicais úmidas estão sendo devastadas à velocidade de 180.000 km² por ano (MORAES, 2003). A Amazônia já perdeu 532 mil km² de área – o tamanho do território da França (RIGOLIN, 2005). O Brasil é o quarto maior poluidor do clima do mundo (emissão de gás carbônico); cerca de 75% dessas emissões vêm das queimadas amazônicas (GREENPEACE, In: 23/03/09). Calcula-se que a biopirataria movimente um bilhão de dólares somente na Amazônia, sem nenhuma preocupação ambiental por parte dos traficantes (MORAES, 2003). Nos próximos 25 anos estima-se que entre duas a sete espécies em cada 100 terão desaparecido para sempre (UZUNIAN, 2004). Acredita-se que, hoje, em média, uma espécie animal ou vegetal torna-se extinta a cada vinte minutos, transformando a nossa era em um dos seis grandes períodos de extinção em massa que a Terra já presenciou (UZUNIAN, 2004). A taxa de extinção, hoje, é cerca de centenas ou milhares de vezes maior que a taxa natural observada em tempos passados.

A ação antrópica tem grande peso na conservação ou não das características da maior formação florestal do Brasil e do mundo. O ser humano influencia, na maioria das vezes, negativamente no bem-estar da Floresta Equatorial Amazônica por intermédio do desmatamento, das queimadas e da biopirataria. Impulsionado pelas necessidades sócio-econômicas, o homem tem interferido de forma desequilibrada e estarrecedora na dinâmica desse ecossistema, levando pouco tempo para destruir aquilo que a natureza levou muitos anos para construir. A evolução tem tomado partido pela natureza e auxiliado na proliferação da biodiversidade, mas o homem contrapõe-se a essa proliferação de maneira "inconsciente" visando à auto-satisfação imediata, sem ao menos pensar em desenvolver-se sustentavelmente. A situação é muito grave e merece uma séria reflexão, não só dos governantes brasileiros, mas de todos os cidadãos que habitam a Amazônia e dela dependem; assim como da grande maioria dos brasileiros, que embora viva em áreas urbanas deve lembrar-se o quanto a sua sobrevivência e qualidade de vida estão ligadas à preservação dessa floresta.

 

Bibliografia

 

LOPES, Sônia. Biologia Essencial. São Paulo: Saraiva, 2003.

 

UZUNIAN, Armênio & BIRNER, Ernesto. Biologia. 2. ed. São Paulo: Harbra, 2004.

 

RIGOLIN, Tércio & ALMEIDA, Lúcia. Geografia. 2. ed. São Paulo: Ática, 2005.

 

MORAES, Paulo Roberto. Geografia Geral e do Brasil. 2. ed. Sao Paulo: Harbra, 2003.

 

SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL. Amazônia: formação geológica do maior rio do mundo explica a rica biodiversidade da floresta. São Paulo: Duetto, n° 50, 2006.

 

Queimadas. In: http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/florestas-em-fogo Acesso em: 23/03/09 Horário: 10h45. 0



[1] Aluno do curso de Bacharelado em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco.

[2] Bolsista do Programa de Educação Tutorial de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco.


Ponencia presentada en el XI Encuentro Internacional Humboldt – 26 al 30 de octubre de 2009. Ubatuba, SP, Brasil.




Crea tu propia Red Social de Noticias
O participa en las muchas ya creadas. ¡Es lo último, es útil y divertido! ¿A qué esperas?
es.corank.com