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Asunto:NoticiasdelCeHu 699/09 - ÁREAS VERDES URBANAS: uma discussão conceit ual
Fecha:Lunes, 16 de Noviembre, 2009  12:29:02 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 699/09

 

ÁREAS VERDES URBANAS: uma discussão conceitual

 

CISOTTO, Mariana Ferreira[1]

 

 

 

 

 

RESUMO

 

O presente trabalho consiste em uma reflexão sobre as áreas verdes urbanas, e a definição de termos como parques, praças, áreas livres, estabelecendo as diferenciações para conceituar áreas verdes urbanas. Utiliza-se como fundamentação teórica os aspectos conceituais que definem e caracterizam as principais funções, ecológicas, sociais, biológicas, estéticas, educativas e psicológicas, das áreas verdes urbanas.

As áreas verdes urbanas possuem um papel muito significativo para o planejamento urbano-ambiental, portanto, faz-se necessária uma discussão conceitual objetivando esclarecer, o que considerar natureza nas cidades e a forma como essas áreas verdes urbanas estão sendo incorporadas às cidades.

 

PALAVRAS CHAVES: áreas verdes urbanas, espaço público

 

ABSTRACT

 

The present work brings a reflection about urban green areas, and the definition of terms as parks, squares, free areas, establishing the differentiations to appraise urban green areas. It is used as theoretical recital the conceptual aspects that define and characterize the main ecological, social, biological, esthetic, educative and psychological functions, of the urban green areas. The urban green areas has a very significant paper for the urban-ambient planning, therefore, become necessary a conceptual discussion about urban green areas wandering to clarify, what to consider nature in the cities and the form as these urban green areas are being incorporated to the cities.

 

KEY-WORDS: Urban green áreas, public areas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O intenso crescimento das áreas urbanizadas provocam modificações na paisagem com o conseqüente comprometimento da qualidade do meio físico. O crescimento vertical, mas principalmente o crescimento horizontal com o esgarçamento da malha física, no contexto da urbanização dispersa, incorpora novas áreas, degradando a qualidade dos recursos naturais (solo, água, ar e organismos) e das áreas verdes. Na discussão cotidiana, sobre problemas ambientais, as áreas verdes tornaram-se os principais ícones de defesa do meio ambiente pela sua degradação, e pelo exíguo espaço que lhes é destinado nos centros urbanos. Torna-se necessário fazer um resgate das áreas verdes públicas e suas funções indispensáveis na estruturação da cidade moderna.

A discussão do tema “áreas verdes urbanas” tem sido uma constante na atualidade, dada a sua saliência e centralidade no que concerne à dinâmica do sistema urbano, uma vez que essas áreas amenizam os impactos provocados pelas cidades ao meio físico e a qualidade de vida.

O conceito de áreas verdes é amplamente discutido por várias áreas do conhecimento. Termos como áreas livres, espaços abertos, sistemas de lazer, praças, parques urbanos e arborização urbana são utilizados significando as áreas de vegetação urbana, essa diversidade de termos com similaridades e distinções confundem os pesquisadores que trabalham nessa área e conseqüentemente com o ensino, o planejamento e a comunicação.

Como exemplo, existem estudos sobre a influência das áreas verdes urbanas para o controle da temperatura e umidade do ar, para controle do aquecimento global com o seqüestro de carbono, para controle da poluição do ar e acústica, aumento do conforto ambiental, estabilização de superfícies por meio da fixação do solo pelas raízes das plantas, abrigo à fauna, equilíbrio do índice de umidade no ar, proteção das nascentes e dos mananciais, organização e composição de espaços no desenvolvimento das atividades humanas, valorização visual e ornamental do ambiente, recreação, diversificação da paisagem construída além de outros benefícios a vegetação tem ainda efeitos diretos sobre a saúde mental e física da população.

Nos propondo à compreensão das áreas verdes urbanas se faz necessária uma revisão de conceitos com a distinção entre esses termos, ressaltando o que entendemos como áreas verdes. Após uma revisão bibliográfica propomos uma definição para as terminologias tendo por base os trabalhos de LIMA et al. (1994), MORERO (2006) e NUCCI (2001) apresentadas a seguir:

a) Espaço Livre: trata-se do conceito mais abrangente, integrando os demais e contrapondo-se ao espaço construído, em áreas urbanas. Assim, a Floresta da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, é um espaço livre. Já a Floresta Amazônica não se inclui nessa categoria. De acordo FILHO e NUCCI (2006), as áreas verdes são um tipo especial de espaços livres onde o elemento fundamental de composição é a vegetação. Portanto, um espaço livre pode ser um terreno baldio, nesse caso não se configura como uma área verde.

b) Parque Urbano: é uma área verde, com função ecológica, estética e de lazer, entretanto com uma extensão maior que as praças de entremeio das vias de circulação. Um parque urbano é um espaço livre inserido em área urbana, sem edificações, normalmente caracterizado como espaço público, no qual há tipicamente áreas não pavimentadas e abundância de vegetação. Um parque urbano propicia lazer e recreação aos habitantes da cidade abrigando centros comunitários, campos de esportes, centros educativos jardins botânicos, lagos, trilhas para caminhadas e atos cívicos e beneficientes.

Um parque urbano é um tipo de espaço livre definido como "um grande espaço aberto público, que ocupa uma área de pelo menos um quarteirão urbano normalmente vários, localizado em torno de acidentes naturais, por exemplo ravinas córregos, etc.., fazendo divisa com diversos bairros"; seus limites principais são as ruas e sua paisagem apresenta áreas pavimentadas e ambiências naturais (SCALISE, 2002, p. 18).

c) Praça: é qualquer espaço público urbano livre de edificações e que propicie convivência e/ou recreação para seus usuários, tem a função principal de lazer. Uma praça, não é necessariamente uma área verde, a Praça da Sé em São Paulo como exemplo é uma área sem vegetação e impermeabilizada. As praças e os parques são os tipos mais comuns de espaços livres urbanos públicos do Brasil (MACEDO e CUSTÓDIO, 2009). Há uma cultura do poder público e da população em reconhecer e utilizar, predominantemente, as praças. Se na praça houver vegetação, pode-se considerar como jardim, uma praça pode possuir vários jardins, como jardins temáticos, se tiver porte arbóreo e tiver mais de 70% de área sem impermeabilização é considerada área verde.

d) Arborização Urbana: diz respeito a toda cobertura vegetal de porte arbóreo existente nas cidades, aos agrupamentos de árvores dentro da cidade, a arborização linear que acompanham o sistema viário e até a arborização de jardins particulares. A arborização urbana não integra o sistema de áreas verdes de um município.[2]

e) Área Livre e Área Aberta: são termos que devem ter sua utilização evitada, pela imprecisão na sua aplicação, por serem termos muito genéricos. Em geral são áreas não impermeabilizadas e abertas. Sem diferenciação entre espaços rurais e urbanos.

f) Espaço Aberto: traduzido erroneamente e ao pé da letra do termo inglês "open space". Deve ser evitada sua utilização, preferindo-se o uso do termo espaço livre.

g) Área Verde: são as áreas onde há o predomínio de vegetação arbórea, englobando as praças, os jardins públicos e os parques urbanos. Os canteiros centrais de avenidas e os trevos e rotatórias de vias públicas, que exercem apenas funções estéticas e ecológicas, também são considerados áreas verdes. Entretanto, as árvores que acompanham o leito das vias públicas, não devem ser consideradas como tal, pois as calçadas são impermeabilizadas (LIMA et al.,1994).

As áreas verdes são um tipo especial de espaço público onde o elemento fundamental de composição é a vegetação. As áreas verdes devem satisfazer três objetivos principais: ecológico-ambiental, estético e de lazer. Pelo menos, 70% da área, deve ser ocupada por vegetação e solo permeável (sem laje) e devem servir à população, propiciando um uso e condições para recreação (NUCCI, 2001 e MORERO, 2006).

Pode-se considerar área verde como qualquer área do meio urbano ou rural, de propriedade pública ou privada, que apresente algum tipo de vegetação com dimensões vertical e horizontal significativas e que sejam utilizadas com objetivos sociais, científicos ou culturais (GONÇALVES, 1990 apud MORERO, 2006)

NUCCI e CAVALHEIROS (1996) classificaram cobertura vegetal para mapeamento de áreas verdes como qualquer área provida de vegetação dentro do espaço urbano, de qualquer porte, incluindo, jardins, praças, parques, bosques, canteiros em vias públicas e áreas preservadas, tanto públicas quanto privadas. Estas áreas podem ser classificadas de acordo com o esquema abaixo da figura 1. Segundo essa concepção, Nucci e Cavalheiros não diferenciam parque de praça, uma vez que as funções serão as mesmas: contemplação, circulação, para estar, recrear ou praticar esportes, possuindo as funções estética, educativa, de lazer e ecológica (NUCCI e CAVALHEIROS, 1996). A área verde de preservação e/ou conservação no meio urbano é definida como qualquer fragmento de ecossistema destinado a conservação do sítio e a manutenção da biodiversidade, podendo conter atividades de lazer e recreação (GONÇALVES, 1994 apud MORERO, 1996).

Para HARDT (1994) apud MORERO (2006) áreas verdes são as áreas livres da cidade, com predominância de vegetação, independente do porte, e com permeabilidade.

KOWALTOWSKI (1989) apud MORERO (2006) classifica as áreas verdes em: zonas verdes públicas (áreas do sistema viário, parquinhos e parques de vizinhança, praças ou parques urbanos, grandes parques municipais e zoológicos, áreas de lazer e esportes de instituições públicas, escolas, creches e hospitais), áreas verdes sem acesso público (reservas ecológicas particulares, mananciais), áreas verdes particulares com acesso público (cemitérios, escolas e outras instituições) e áreas verdes particulares sem acesso público (jardins e quintais particulares). Os objetos de estudo dessa tese, se enquadram na classificação de NUCCI e CAVALHEIROS (1996) e são grandes parques públicos.

Pela classificação do IBGE, no Manual de uso e ocupação da terra, as áreas verdes estão incluídas na Classe V, como Zonas de Recreação. Esta zona é caracterizada pela singularidade, fragilidade e uso dos recursos. Para o IBGE (2006), áreas verdes são áreas de vegetação natural em áreas urbanizadas, sendo, as áreas urbanas as de uso intensivo, estruturadas por edificações e sistema viário, onde predominam as superfícies artificiais não agrícolas. As áreas urbanas podem ser contínuas, onde as áreas não-lineares de vegetação são excepcionais, ou descontínuas, onde as áreas vegetadas ocupam superfícies mais significativas e a área de vegetação natural compreende um conjunto de estrutura florestal e campestre, abrangendo desde florestas e campos originais (primários) e alterados até formações florestais espontâneas secundárias, arbustivas, herbáceas e /ou gramíneas-lenhosas, em diversos estágios sucessionais de desenvolvimento, distribuídos por diferentes ambientes ou situações geográficas (IBGE, 2006).

Nas descontinuidades das ocupações urbanas, nas áreas de transição entre as áreas urbanas e rurais, com características de ambas, sem delimitação precisa, verifica-se maior quantidade de áreas verdes. Portanto, no atual modo de ocupação urbana caracterizada pela dispersão, nessas novas áreas que se voltam ás ocupações urbanas ocorre a incorporação de áreas de remanescentes florestais, que são o que restou da vegetação original de uma região e podem ser considerados como uma categoria das áreas verdes urbanas.

Em uma tentativa de padronização de conceitos, CAVALHEIRO et al. (1999) apud NUCCI e FILHO (2006) sugerem a distinção do sistema urbano em:

a) Sistema de espaços com construções como o próprio nome sugere trata-se das áreas de construção das habitação, indústria, comércio, entre outros elementos urbanos.

b) Sistema de espaços livres de construção são as praças, parques, águas superficiais, definidos como espaço urbano ao ar livre, destinado a todo tipo de utilização recreativa, como caminhadas, descanso, passeios, práticas de esportes e, para isso, os caminhos devem ser agradáveis, variados e pitorescos. Os locais onde as pessoas se locomovem por meios motorizados não devem ser considerados como espaços livres. Uma crítica que se pode fazer a essa conceituação, é a não consideração dos terrenos baldios, ou os espaços livres particulares, que não se inserem em nenhuma das propostas, pois não são recreativos, não são espaços para entretenimento.

c) Sistema de espaços de integração urbana são as áreas ligadas à rede viária, que são os canteiros, pequenos jardins de ornamentação nas rotatórias e arborização. Estas áreas não podem ser consideradas áreas verdes, mas sim "verde de acompanhamento viário" (TROPPMAIR et al. 2003), que com as calçadas (sem separação total em relação aos veículos) pertencem à categoria de espaços construídos ou espaços de integração urbana.

De forma geral, as áreas verdes podem ser definidas como espaços abertos com cobertura vegetal e uso diferenciado, integrado no tecido urbano aos quais a população tem acesso. Classificações internacionais incluem como áreas verdes: campos de esporte, jardins botânicos, zoológicos, cemitérios modernos formados por extensos gramados, interrompidos apenas por lápides (TROPPMAIR et al. 2003)
           Compreende-se que áreas verdes podem ser definidas por suas funções, de acordo com as intenções de uso e de estudo. Como exemplo, se a intenção for mapear áreas verdes, preocupando-se com impermeabilização do solo, uma área de gramínea, com um campo de futebol poderá ser considerado como área verde; se a área estiver sendo “olhada” por um urbanista, ou paisagistas, sua função será estética; um bosque de eucalipto pode ser considerado área verde quando a intenção for trabalhar com o micro-clima urbano. (NUCCI, 2001; MORERO, 2006)

 

AS FUNÇÕES DAS ÁREAS VERDES

 

Áreas verdes apresentam funções ecológicas, científicas, econômicas, sociais ou políticas e são essenciais para a manutenção da qualidade ambiental, promovendo melhorias na saúde física e mental e estão sendo absorvidas á malha urbana de diversas formas, demonstrando a importância e a função social desses elementos da paisagem.

As áreas verdes urbanas proporcionam melhorias no ambiente urbano fortemente impactado e trazem benefícios para os habitantes das cidades.

a)    A função ecológica das áreas verde decorre da presença da vegetação e do solo não impermeabilizado, atuando como refúgio para fauna, promovendo melhorias no clima da cidade, garantindo médias térmicas diárias e anuais mais amenas e um maior índice pluviométrico, atenuação sonora, na manutenção da qualidade do ar e água (HENKE de OLIVEIRA, 1996).  As áreas verdes desempenham importante papel no mosaico urbano, porque constituem um espaço inserido no sistema urbano cujas condições ecológicas mais se aproximam das condições normais da natureza (GUZZO, 2006). As áreas verdes urbanas melhoram o meio ambiente, as contribuições ecológicas ocorrem na medida em que os elementos naturais que compõem o espaço minimizam impactos decorrentes da industrialização e urbanização (LOBODA E DE ANGELIS, 2005)

Eugênio Queiroga (2008) defende que as áreas verdes públicas nos centros urbanos contribuem para a melhoria da drenagem urbana, com mais espaços de solo permeável, menor é o impacto das chuvas torrenciais de verão na cidade. Também, existem benefícios como o conforto térmico, pois, quanto maior a arborização, melhor fica a umidade relativa do ar e menor é a amplitude térmica e a retenção de partículas sólidas. Outro efeito é que a paisagem urbana também melhora. "Uma paisagem mais arborizada cria a sensação de uma cidade menos árida, menos caótica. Uma paisagem mais amena” (QUEIROGA apud GERALDO, 2008, p.-).

GORSHKOV e ANASTASSIA, em estudos recentes (2009) afirmam que a devastação de matas destruição das florestas é responsável pelas mudanças climáticas extremas, nessa teoria, denominada Bomba biótica, afirmam que "são as florestas que trazem a umidade atmosférica para o continente. Destruir árvores modifica a direção dos ventos, tranca a entrada de umidade no continente e, no final, o transforma em deserto" (MAGRO, 2009, p.-).

b) A função social está diretamente relacionada com a oferta de espaços que possibilita o lazer, atuando como espaço de convívio para a população, sendo um espaço aberto e para convívio, geralmente com a presença de trilhas para caminhadas, bancos para descanso, play-grounds, espaços para manifestações artísticas (TROPPMAIR et al. 2003). A função social está diretamente relacionada ao uso feito pela população (LIMA, 2000 e LOBODA E DE ANGELIS, 2005). Essa função social é evidente em grandes parque urbanos, com brinquedos para crianças, onde há espaço para prática de exercícios físicos, onde as famílias freqüentam aos finais de semana.

c) A função estética diz respeito à diversificação da paisagem construída e ao embelezamento da cidade, com relação à função estética deve ser ressaltado a importância da vegetação, pois é a existência de vegetação que proporciona os benefícios à estética da paisagem proporcionado pelas áreas verdes que acordo com LOBODA E DE ANGELIS (2005) são: “a quebra da monotonia da paisagem das cidades, causada pelos grandes complexos de edificações; valorização visual e ornamental do espaço urbano; caracterização e sinalização de espaços, constituindo-se em um elemento de interação entre as atividades humanas e o meio ambiente” (LOBODA E DE ANGELIS, 2005, p.135)

A função estética das áreas verdes está pautada, principalmente, no papel de integração entre os espaços construídos e os destinados à circulação (LOBODA E DE ANGELIS, 2005), sendo agentes de amenização paisagística.

Especialistas de diversos campos de estudo apontam os benefícios que a proximidade com plantas trazem para a saúde física e mental dos habitantes das cidades, por essas razões, em muitas cidades de todos os continentes, os bairros mais valorizadas em termos imobiliários costumam apresentar altos índices de arborização, além de residências com jardins muito bem cuidados (SALATINO, 2001). A função estética se apresenta na nas características de paisagismo, de composição de formas e cores da vegetação, jardins floridos, arbustos educados por podas drásticas para formar figuras, ordenamento de tamanhos.

          A formação da “paisagem cultural do Homem baseia-se na composição de temas, arquétipos, modelos e tipos de constituição da paisagem, que respondem a requisitos formais, funcionais e estéticos almejados coletivamente por determinado grupo social (TÂNGARI, 2005, p.2).

d) A função educativa está relacionada com a possibilidade imensa que essas áreas oferecem como ambiente para o desenvolvimento de atividades extra-classe e de programas de educação ambiental (LIMA et al, 2000). A função educativa também está pelo contato com a vegetação que promove sensibilização e percepção ambiental, um contato com um meio mais próximo da natureza intocada que possui uma dinâmica própria promove o conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais.

De acordo com os princípios gerais da educação ambiental, a sensibilização proporcionada pelo contato com a natureza é o primeiro passo, para que ocorra, a conscientização e a noção de pertencimento de um sistema, tendo homem um papel ativo para a transformação da natureza. As áreas verdes são utilizadas para educação ambiental, pois o contato com o meio é um grande campo para desenvolvimento da compreensão, sensibilização para a integração entre homem e a natureza. O contato com a vegetação proporciona vivências que funcionam como complementos capazes de alterar estados físicos e psicológicos, não só porque oferecem uma gama imensa de estímulos multi-sensoriais, mas também porque propiciam um experienciação imediata, que envolve meio ambiente e pessoas, isto é um processo de socialização que leva ao reencontro das sensibilidades da natureza (GUIMARÃES, 2004).

e) A função psicológica ocorre, quando as pessoas entram em contato com os elementos naturais das áreas verdes, proporcionando um estado de relaxamento (LIMA et al. 2000). Este aspecto está relacionado com o exercício do lazer e da recreação nas áreas verdes, que por essa função exercem influência sobre a qualidade da vida urbana, agindo simultaneamente sobre o lado físico e mental do Homem. No plano psicológico, atenua o sentimento de opressão do Homem com relação às grandes edificações e contribui para a formação e o aprimoramento do senso estético (LOBODA E DE ANGELIS, 2005).

 

A IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS VERDES

 

A importância das áreas verdes nas cidades está intimamente relacionada com a quantidade, a qualidade e a distribuição das mesmas dentro da malha urbana. As áreas verdes funcionam como controle das densidades urbanas, atende demandas de lazer, contribui à estética urbana, melhora a estética do sistema viário, atende necessidades psicológicas, melhora o microclima, diminui níveis de poluição do ar, diminui partículas de pó em suspensão, diminui ruídos urbanos, protege encostas e margens de rios, melhora a absorção de águas pluviais e proteger os mananciais (KOWALTOWSKI 1989 apud MORERO, 2006). São dadas as áreas verdes funções múltiplas combinadas, funções ecológicas, científicas, econômicas, sociais ou políticas e são essenciais para a manutenção da qualidade ambiental, promovendo melhorias na saúde física e mental.

Especificamente em áreas urbanas, as áreas verdes possuem extrema importância pois estão se tornando elementos raros, o que no padrão de urbanização dispersa exige-se cada vez mais áreas que antes estavam alheias ao processo de expansão urbana. Esse novo padrão de ocupação urbana somado ao crescimento demográfico que gera demanda por novas áreas para habitações, para suprir a crescente demanda alimentar e para o sistema de espaços com construções exerce pressão para o aumento da taxa de degradação ambiental e a destruição de habitats naturais (SANTIN, 1999). Há necessidade de expansão da malha física urbana ocupando áreas que antes tinham uso agrícola ou eram áreas livres, ou áreas de vegetação nativa.

As áreas verdes desempenham um papel importante no mosaico urbano, porque constituem um espaço encravado no sistema urbano cujas condições ecológicas mais se aproximam das condições normais da natureza. As áreas verdes são essenciais para a saúde, e também a êxtase do espírito, que encontra repouso nessas paisagens naturais espalhadas no meio da cidade (SITTE, 1992 apud LOBODA E DE ANGELIS, 2005), possibilitando melhor qualidade da vida urbana. Elas agem simultaneamente sobre o lado físico e mental, por sua função psicológica como dito anteriormente e também absorvem ruídos, atenuando o calor do sol; no plano psicológico, atenua o sentimento de opressão do Homem com relação às grandes edificações; constitui-se em eficaz filtro de partículas sólidas. Os espaços integrantes do sistema de áreas verdes de uma cidade exercem, em função do seu volume, distribuição, densidade e tamanho, inúmeros benefícios ao seu entorno proporcionando a melhoria da qualidade de vida pelo fato de garantirem áreas destinadas ao lazer, paisagismo e preservação ambiental.

De forma geral, a vegetação é considerada um importante indicador das condições ambientais de uma região, pois protege o solo, reduz o transporte de sedimentos e o assoreamento dos cursos d’água recursos hídricos, além de servir de hábitat para animais silvestres, contribuindo para manutenção da diversidade biológica.

 

AS ÁREAS VERDES COMO ESPAÇO PÚBLICO

 

Espaços públicos são as áreas de uso coletivo, nos entremeios de áreas privadas, como exemplo, as ruas, as praças de patrimônio do poder público. Os parques públicos urbanos são um exemplo de áreas verdes como espaço público que exercem função social pois, no contexto de “transformação do tecido urbano, da requalificação de antigos terrenos industriais, o crescimento das aglomerações metropolitanas, tudo isso contribuem para a fragmentação e a perda de sentido da cidade na contemporaneidade” (SERPA, 2007, p. 83). As áreas verdes organizam o espaço, identificam a cidade e integram bairros, como espaço da natureza e espaços de convívio é também estruturador de vínculo e relações sociais sendo lugar de excelência do convívio social, lugar de sociabilidade e urbanidade.

As áreas verdes como espaço público pode ser visto ainda “como um espaço simbólico, da reprodução de diferentes idéias de cultura, da intersubjetividade que relaciona sujeitos e percepções na produção e reprodução dos espaços banais e cotidianos” (SERPA, 2007, p.41).

O espaço público na atualidade possui extremada relevância, apesar de ter tido um esvaziamento de seu uso político, muito tem sido estudado sobre a retomada da importância de praças e parque públicos para ação política. Como coloca Silvio Macedo (2009), a existência de espaços públicos urbanos onde se pode “ver e ser visto por todos”, mesmo que utilizados prioritariamente para o divertimento (pela esfera social), significa que há esperança e possibilidade de construção, recuperação, organização e como palco para esfera de vida pública nas cidades brasileiras contemporâneas (MACEDO e CUSTÓDIO, 2009).

É consenso que os parques públicos contribuem para a qualidade de vida urbana e oferece aos habitantes espaços de lazer e de convívio e também de embelezamento, conferindo novos elementos à estética urbana. Sendo assim, a implantação de áreas verdes urbanas faz eco às reivindicações generalizadas no contexto das grandes cidades na atualidade (SERPA, 2007). A necessidade de “natureza” é evidenciada pela requisição de criação de parques públicos que funcionam como um “espaço de natureza” na ruptura da “selva de pedras” funcionam como ambientes para fuga do ritmo urbano.

A visita às áreas verdes possibilita respirar ar puro, caminhar entre a vegetação, admirar o canto das aves, entre outros contatos com flora, fauna e meio natural. As áreas verdes urbanas passam a receber valor pois são tratadas como antídoto contra a poluição e o stress, somada à atual e crescente preocupações com a qualidade de vida, a preocupação com a alimentação saudável tão em voga nos último anos também entra o interesse no contato com as áreas de vegetação. Esses espaços são raros na paisagem urbana e se tornam “espaços frágeis e preciosos” (SERPA, 2007, p. 82)

Podemos colocar, esse movimento de interesse em contato com a vegetação, como uma nova forma de preocupação sanitarista, com enfoque na qualidade de vida e do bem estar. Há interesse crescente por viver nas proximidades de uma área verde e por isso o investimentos para implantação de áreas verdes nas cidades ao redor do mundo são crescentes. É moderno o interesse pela ecologia e a preocupação com a preservação da natureza, onde o “verde” e a apropriação da natureza tornam-se direitos reinvindicados por todos os cidadãos.

Os parques públicos urbanos são um ótimo espaço para resgate do contato com a natureza dentro das cidades e também revitalizam e requalificam os bairros, servindo como instrumento para valorização do espaço urbano, sendo concebidos como equipamentos urbanos na escala da cidade e da aglomeração. Como coloca Ângelo Serpa (2005), um parque público, por exemplo, é implantado na escala da cidade como um equipamento urbano concretizando-se, em geral, no contexto de um grande programa imobiliário. A implantação de um parque público divulga uma boa imagem de cidade, com qualidade ambiental, que promove qualidade de vida e promove também uma boa imagem do poder público, que optaram pela implantação de um “espaço de natureza” no contexto urbano, pode se dizer ainda que beneficiam também a estética urbana com uma nova imagem, muitas vezes de forma exibicionista para a atração pessoas e para o turismo por exemplo (SANTANA, 1999).

A implantação de um grande parque público pode ser estratégico alterando a dinâmica urbana, requalificando áreas, valorizando áreas em detrimento de outras, contribuindo “para um processo de substituição de população nas áreas requalificadas” (SERPA, 2005; 113), dando novos significados e criando símbolos de bairros verdes. Dessa maneira, os espaços públicos podem ser analisados sob a perspectiva crítica de sua incorporação como mercadoria para o consumo de poucos, dentro da lógica de produção e reprodução do sistema capitalista na escala mundial (SERPA, 2007). Mesmo sendo um espaço público comum à todos, poucos se beneficiam. A localização de uma grande área verde valoriza a terra nas proximidades.

 

MONUMENTALIDADE DAS ÁREAS VERDES

Não são raras as associações entre urbanização e degradação ambiental, sobretudo quando se relaciona o crescimento da população urbana e da malha física à escassez de recursos, a poluição e a qualidade de vida. Mas ainda é relativamente recente a preocupação com os efeitos nocivos causados pela urbanização crescente à estrutura ambiental das cidades. A ação predatória, motivada pelos interesses imediatistas, o crescimento desordenado, a especulação imobiliária deterioram o quadro ambiental das cidades, principalmente em termos de paisagem urbana, quando se fala da contemplação estética. Para servir ao capital, as cidades, em nome da economia e da funcionalidade, alteram a paisagem urbana (SERPA, 2007), podendo trazer fortes impactos socioambientais. É o trabalho humano que transforma a terra em produto, modifica o ciclo da natureza, interfere nas dinâmicas puramente biológicas, enfim, intervém construindo o espaço urbano. Assim, a cidade pode ser interpretada como a materialidade das interferências antrópicas mais marcantes de transformações da natureza, representando o auge das relações sociais e políticas que possui a capacidade de interferir em todos os ecossistemas (TROPPMAIR et al., 2003).

O trabalho humano sobre a natureza possui uma visão utilitarista do espaço que determina as renovações urbanas, a alteração da paisagem descaracterizando o patrimônio ambiental urbano. A produção do espaço caracterizada pela expansão da malha urbana sobre as áreas suburbanas é dada pela incorporação de áreas de vegetação nativa, de glebas que antes tinham uso agrícola. A cidade passa por um processo de insustentabilidade físico-ambiental gerada por práticas ambientais predatórias, que se agravam com a expansão urbana, modernização e refuncionalização dos espaços intra-urbanos pelo crescimento demográfico (SANTIN, 1999).

Nessa perspectiva, é muito importante a consideração das nossas cidades como patrimônios coletivos, ou seja, que se assuma a defesa do que modernamente vem sendo chamado de patrimônio ambiental urbano (SCIFONE, 2006). Segundo a Convenção do Patrimônio Mundial os monumentos, as obras arquitetônicas ou de artes plásticas, as estruturas arqueológicas, os conjuntos urbanos e lugares notáveis, são os patrimônios culturais. Já o patrimônio natural foi estabelecido como as formações físicas, biológicas, geológicas e fisiográficas, as zonas de habitat de espécies ameaçadas e novamente os lugares notáveis (SCIFONE, 2006).

As áreas verdes também têm seu sentido de monumento e são patrimônios naturais por seu caráter estético, pela beleza, poder e grandiosidade. A Mata de Santa Genebra e o Bosque dos Jequitibás são áreas verdes que também podem ser considerados patrimônios naturais, pois, possuem esse caráter de monumentalidade e representam a memória da natureza. São os testemunhos dos processos e da história da natureza e das relações estabelecidas entre seus elementos tornando-se também, parte da memória humana, pois adquire significado e sentido para os diversos grupos sociais, torna-se uma referência histórica sendo inserida na memória social (RODRIGUES, 1998).

 De acordo com (CHOAY, 2001 apud SCIFONE, 2006), o monumento era associado a uma lembrança coletiva, era feito para marcar algo do qual se desejava recordar, acontecimentos, ritos, crenças, que deveriam ser transmitidos para as novas gerações, com uma função memorial. Nesse sentido, o patrimônio natural não representa apenas o testemunho de uma vegetação nativa intocada ou ecossistemas pouco transformados pelo homem, pois, na medida em que faz parte da memória social, ele incorpora, sobretudo, paisagens, que são objeto de uma ação cultural pela qual a vida humana se produz e se reproduz. Assim sendo, o patrimônio natural tem um duplo caráter, de memória natural e cultural (RODRIGUES,1998). Como coloca Simone Scifone, “[...] trata-se de uma concepção de natureza que não nega a contradição central existente no fato de que mesmo sendo objeto de transformações efetuadas pelo trabalho humano, não se retira a sua dimensão de natureza” (SCIFONE, 2006, p.10). A natureza da qual tratamos hoje, é histórica e social, uma vez que as transformações que o homem lhe impõe se inscrevem no curso de um processo histórico de constituição da sua humanidade. Mas ela guarda uma dimensão natural, pois os mecanismos que regulam sua dinâmica são dados por condições próprias e leis naturais (SCIFONE, 2006).

O patrimônio natural aparece como um paradoxo, pois além da natureza existir em si mesma, como realidade exterior ao homem, ela é também culturalmente integrada ao mundo que as sociedades humanas são capazes de conceber, de perceber e de organizar (SCIFONE, 2006).

 

Historicamente, entre estudiosos e instituições voltadas para a preservação, nota-se uma ampliação gradativa da abrangência do conceito de Patrimônio Ambiental Urbano, com a idéia de excepcionalidade dando lugar a noção de representatividade dos elementos a serem preservados. O Patrimônio Ambiental Urbano é constituído por espaços, que inclusive transcendem a obra isolada e que caracterizam as cidades, pelo seu valor histórico, social, cultural, formal, técnico ou afetivo (PÉRICO et al., 2005).

Devido a intensa urbanização, a característica da vida nas grandes cidades atualmente, os patrimônios ambientais urbanos, acabam se transformando no espaço de lazer para a maioria da população, a partir da variedade da paisagem urbana. Com o crescimento urbano, somado às desigualdades sociais, perderam-se espaços públicos para a realização de jogos e brincadeiras e atividades de lazer, que foram transferidos a espaços domésticos ou privados, limitando as opções dos variados conteúdos culturais do lazer. O empobrecimento da paisagem urbana que vem se verificando, praticamente anula a gratificação pela contemplação dos espaços urbanos (PÉRICO et al., 2005).

Uma outra realidade acontece em países da Europa, que buscam revitalizar espaços públicos, como uma outra possibilidade de uso das áreas verdes, que são os Jardins comunitários. Na Alemanha, por exemplos onde ocorre encolhimentos das cidades e portanto, pouco interesse para construção de novas residências em terrenos vazios, as áreas livres estão sendo transformadas em jardins comunitários, renovando a paisagem urbana. Esse movimento surge pela necessidade de lugares para socialização, para as crianças, para convívio, são os moradores que adotam uma área e cultivam jardins, se responsabilizam pela segurança da área, o que nos evidencia a necessidade de espaços públicos (ROSOL, 2005).

A cidade de Rosário na Argentina tem uma grande quantidade de áreas vazias ou parcialmente vazias (um total de 35% da área municipal), em um contexto de desemprego e falta de um sistema de assistência social, as áreas abertas passaram a ser cultivadas. A proximidade de assentamentos irregulares e de conjuntos habitacionais possibilitaram muitos dos cultivos urbanos que resultaram de iniciativas espontâneas ou incentivadas pelo Programa de Agricultura Urbana da prefeitura, os agricultores urbanos são os moradores das áreas próximas, dos assentamentos e de favelas que existem nas vizinhanças. Muitas das áreas sendo usadas atualmente na agricultura urbana foram “tomadas” (sem violência) pelas pessoas, ou obtidas junto a entidades públicas ou à municipalidade graças a um decreto da Prefeitura que promove a cessão temporária de áreas públicas ou privadas para uso produtivo de interesse comunitário (DUBBELING e MERZTHAL, 2009). Esse movimento foi incentivado pelo programa de apoio a agricultura urbana, que também existe no Brasil e faz parte do programa Fome Zero, que permite a produção de alimentos de forma comunitária, com técnicas agroecológicas em espaços urbanos e periurbanos. Com a mobilização da comunidade e a intervenção das prefeituras, são implementados viveiros, hortas, cultivo de plantas medicinais, criação de animais de pequeno porte, unidades de beneficiamento agroalimentar e feiras e mercados públicos populares.

A falta de áreas de lazer ligada á crescente procura do lazer ao ar livre, levou muitos municípios a procurar alternativas, como ruas de lazer, muito utilizadas na Europa (MORERO, 2006). Em Estocolmo, recentemente eleito pela União Européia, como o capital ambiental da Europa, um movimento urbano de diversas organizações da sociedade civil conseguiu fornecer narrativas capazes de explicar e legitimar a necessidade de proteger áreas verdes urbanas. O movimento foi denominado Ecopark Moviment e surgiu como uma rede de organizações da sociedade civil com vista a proteger o as áreas verdes. Artistas, autores e cientistas, resgatam pinturas, trabalhos científicos, mapas, cadastros de edifícios, e esse artefatos reunidos se tornaram agentes para contar a história das áreas verdes, exercendo pressão para a proteção das áreas.

As áreas verdes urbanas possuem muitos significados no imaginário humano, possuindo memória e histórias próprias. A ambientação de praças de jardins passa por inúmeras alterações conforme a época, o local e a cultura vigente afetando as atividades humanas no que diz respeito ao desenho dos espaços. Houve épocas em que as áreas verdes ocuparam posições nobres na estrutura das cidades, o traçado dos jardins públicos traduzia uma impressão de tranqüilidade, de prazer estético e movimentos simultâneos, era palco da vida cotidiana, ponto de encontro, cenário de acontecimentos importantes nas cidades (PEGOLO E DEMATTE, 2002).

Em muitas praças públicas do interior paulista as praças públicas são menos utilizadas do que forma outrora, possivelmente pela deficiência na manutenção das áreas públicas (PEGOLO E DEMATTE, 2002). Com o tempo houve transformações nos hábitos e costumes, e uma nova forma de percepção do ambiente urbano, as praças deixaram de ser um espaço prioritário de recreação e o lugar de vivência. As áreas verdes passam a receber novos usos e o apreço pelas áreas verdes parece estar sendo resgatado, mas o uso foi transformado mantendo sua essência como elemento participante da história humana e a imagem das áreas verdes que sempre esteve relacionada ao ideal de bem estar e felicidade.

Atualmente, com a preocupação com qualidade de vida, qualidade ambiental, as áreas verdes urbanas passam a ter um papel muito significativo para o planejamento urbano-ambiental. Por isso, no presente artigo realizamos uma vasta revisão bibliográfica sobre os termos para áreas verdes, fizemos uma discussão sobre a importância e as funções ecológicas, sociais, biológicas, estéticas, educativas e psicológicas das áreas verdes urbanas e também as formas de classificação dessas áreas objetivando esclarecer, o que consideramos natureza nas cidades e a forma como essas áreas verdes urbanas estão sendo incorporadas às cidades.

 

 

 

 

 

 

 

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[1] 1 Licenciada, bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas/ SP/ Brasil. Mestranda em geografia pela mesma universidade e bolsista da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo. maricisotto@yahoo.com.br. Este texto é parte do trabalho de mestrado orientado por Antônio Carlos Vitte, Professor Doutor do Departamento de Geografia / Instituto de Geociências – UNICAMP

[2] O sistema de áreas verdes são os jardins e passeios públicos integrados pela malha viária permitindo acesso da população (LIMA, 2004). Toda cidade tem um sistema de espaço livre que integra os espaços livres públicos e privados, que formam uma unidade articulada do espaço urbano (MACEDO et a,l 2009).


 
Ponencia presentada en el XI Encuentro Internacional Humboldt – 26 al 30 de octubre de 2009. Ubatuba, SP, Brasil.




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