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Asunto:NoticiasdelCeHu 679/09 - A RELEVÂNCIA DOS RELATOS DE ENGELS PARA UMA GEO GRAFIA CRÍTICA MODERNA
Fecha:Sabado, 7 de Noviembre, 2009  23:43:56 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <noticias @..............org>

NCeHu 679/09

A RELEVÂNCIA DOS RELATOS DE ENGELS PARA UMA GEOGRAFIA CRÍTICA MODERNA 

 

 

MAZETTO, Francisco de Assis Penteado

Professor Associado do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora MG.

   

 

 

 

Resumo

 

 

            Este trabalho procura resgatar a importância de uma obra de Engels: “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, e sua grande contribuição para as ciências humanas. Na Geografia em particular, esta obra se apresenta como um grande tratado geográfico crítico em uma época onde conservadorismo liberal imperava. Enquanto o método descritivo e neutro dominava os estudos geográficos, sob os preceitos do positivismo, Engels inovou com uma abordagem dialética sobre os problemas sociais, com uma tenacidade raramente igualada. No atual momento histórico marcado pelo domínio do neoliberalismo, é de suma importância uma revisão de trabalhos visionários clássicos elaborados por autores como Engels, Marx, Kropotkin e Reclus. O capitalismo tardio (MANDEL, 2001) mostra sinais e exaustão no momento de crise, mas ainda pode ser reproduzido em um segundo momento à custa dos recursos públicos do Estado. A obra de Engels mostra que os princípios fundamentais do funcionamento do capitalismo pouco mudaram nos últimos 150 anos, gerando os mesmos efeitos de sempre: concentração de renda, segregação sócio-espacial, expropriação da força de trabalho e miserabilidade generalizada.      

 

 

Resumen

 

 

Este trabajo busca rescatar la importancia de un texto de Engels: “La situación de la clase obrera en Inglaterra”, y su gran contribución para las ciencias humanas. En la geografía particularmente, este texto presenta como un grande tratado geográfico crítico en momento actual con el reinó conservador liberal. Mientras que el método descriptivo y neutral dominó los estudios geográficos, bajo reglas del positivismo, Engels innovaron con una dialéctica del embarque en los problemas sociales, con una  tenacidad raramente igualada. En el momento histórico actual marcado por el dominio del neoliberalismo, está de importancia grande que una revisión de trabajos visionarios clásicos elaboró por los autores como Engels, de Marx, de Kropotkin y de Reclus. El capitalismo tardío (MANDEL, 2001) demuestra las señales del agotamiento en el momento de la crisis, pero todavía él se puede reproducir con la apropiación de los recursos públicos del estado. Lo texto de Engels evidencia que los principios de base del funcionamiento del capitalismo se habían movido poco en último los 150 años, generando el mismo efecto de siempre: concentración de renta, segregación del socio-espacio, expropiación de la fuerza de trabajo y pobreza generalizada.

 

 

 

 

Summary

 

 This work looked for to rescue the importance of a workmanship of Engels: “The situation of the working class in England”, and its great contribution for sciences human beings. In Geography in particular, this workmanship presents as a great treat geographic critic at a time where liberal conservative reigned. While the descriptive and neutral method dominated the studies geographic, under the rules of the positivism, Engels innovated with a boarding dialectic on the social problems, with a tenacity rare equaled. At the current historical moment marked by the domain of the neo-liberalism, it is of large importance a revision of classic visionary works elaborated by authors as Engels, Marx, Kropotkin and Reclus. The late capitalism (MANDEL, 2001) shows to signals of exhaustion at the crisis moment, but still it can be reproduced with the appropriation of the public resources of the State. The workmanship of Engels sample that the basic principles of the functioning of the capitalism had little moved in last the 150 years, generating the same effect of always: concentration of income, partner-space segregation, expropriation of the work force and generalized poverty.

 

 

 

Introdução

 

No atual período histórico de domínio do capitalismo neoliberal, é bastante oportuno revisitar a magnífica obra de Engels, quando descreve o capitalismo liberal inglês em seu apogeu, nos meados do século XIX: “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”. O então jovem Engels desvenda um sistema despótico e hipócrita em uma época no qual o progresso material da sociedade foi o mais concentrado e injusto de toda a história. Antes de Engels,  poucos foram os cientistas sociais que teceram críticas pertinazes sobre o capitalismo liberal, sendo mais comum o pensamento conservador alienado que procurava, antes de tudo, justificar a ascensão da burguesia no topo da estrutura social.  A propriedade privada nos meios de produção permanece, desde o século XVIII, como uma instituição sacro-santa do liberalismo econômico tornando-se um instrumento de expropriação e exploração da mão-de-obra, nunca antes alcançado.

 

O Pensamento Crítico do Jovem Engels se dá numa época onde o estudo da Geografia voltava-se para o interesse do capitalismo industrial já em franco desenvolvimento. O expansionismo colonial impulsionou estudos de geógrafos, sendo que os trabalhos de Humboldt, Petermam, Ratzel e outros preconizavam melhor avaliar as potencialidades das regiões tropicais e suas características que serviram para melhor conhecer e controlar os territórios conquistados. No auge do imperialismo europeu e norte-americano do século XIX, surge o que chamamos de “Geografia do Poder”, ainda sobre a égide do pensamento positivista-determinista e atrelada aos interesses geopolíticos estratégicos de seus Estados, agentes internacionais dos interesses das burguesias nacionais.

 

Embora Engels não fosse geógrafo, seu relato sobre a situação da classe trabalhadora na Inglaterra constitui um verdadeiro tratado de Geografia Crítica, ímpar em sua época e que foi muito além do mapeamento e descrições neutras e superficiais de seus contemporâneos. Sua abordagem ampliada da concepção de capital e trabalho nos remete ao conhecimento histórico, político, social e ambiental no processo de Revolução Industrial no país, especialmente na primeira metade do século XIX.

 

As relações antagônicas entre Capital e Trabalho produzidas pela transformação da manufatura em maquinofatura levou, segundo Engels (1842), às mais variadas situações de degradação humana.  A jornada de trabalho semi-escrava imposta aos homens, mulheres e crianças nos distritos industriais, a degradação ambiental e a segregação sócio-espacial gerada pelo inchaço das cidades deram forma e cor às mazelas sociais provocadas pelo desenvolvimento do capitalismo liberal provocando um nível de miserabilidade urbana nunca antes registrado.

 

Os relatos sobre as condições sociais de trabalho, moradia, alimentação, educação e saúde da classe trabalhadora na Inglaterra foram negligenciados por muito tempo dentro do próprio mundo acadêmico. Esta questão central motivou investigar a contribuição do pensamento de Engels para uma Geografia Crítica e Libertária, desvinculada da descrição neutra dos fenômenos sociais. A Geografia Crítica deve seguir o rigor científico próprio a este paradigma (QUAINI, 1979) com a contribuição das ciências humanas afins. No decorrer do texto serão destacados alguns trechos de sua obra, estabelecendo relações com obras de outros pensadores críticos e radicais, no intuito de demonstrar a atualidade de sua abordagem.

 

 

A Geografia Crítica dos Libertários

 

Enquanto os estudos da Geografia no século XIX estavam voltados para decifrar e codificar os elementos da paisagem natural, com especial interesse para a flora e fauna, alguns geógrafos libertários trabalharam no sentido de criticar o processo colonial, considerando-o como processo de dominação imperialista sobre os povos nativos dos trópicos.

Kropotkin, geógrafo anarquista anti-colonialista acreditava na sociedade como uma comunidade universal e que a geografia dever-se-ia contribuir para o desenvolvimento geral da humanidade, identificando a importância da geografia crítica para a promoção da saúde. Em seu artigo “O que a Geografia deve ser”, traduzido pelo professor José Willian Vicentini da USP retrata as condições insalubres causada pelo vício e os maus hábitos dos colonizadores:

 

“Quando um político francês1 proclamava recentemente que a missão dos europeus é civilizar essas raças – ou seja, com baionetas e matanças (genocídios) – não fazia mais do que elevar à categoria de teoria esses mesmos fatos que os europeus estão praticando diariamente (notadamente na África e na Ásia, no final do século XIX). E não poderia ser de outra maneira, pois desde a tenra infância inculca-se o desprezo pelos “selvagens”, ensina-se a considerar como se fosses verdadeiros crimes determinados hábitos e costumes dos “pagãos”, ao tratar as “raças inferiores” como são chamadas, como se fossem um verdadeiro câncer que só deve se tolerado enquanto o dinheiro ainda não penetrou. Até agora os europeus têm “civilizado os selvagens” com Whisky, tabaco e seqüestros; os têm inoculado com seus vícios; os têm escravizado. Porém, é chegado o momento em que nós devemos considerar obrigados a oferecer-lhes algo melhor – isto é, o conhecimento das forças da natureza, a ciência moderna, a forma de utilizar o conhecimento científico para construir um mundo melhor.” (KROPOTKIN, 1986, p.4).

 

Elisée Reclus, geógrafo também anarquista e percussor da geografia crítica, questionou impiedosamente a conduta dos países imperialistas, defendendo que a divisão do Mundo em colônias de exploração e povoamento levaria a humanidade a mais degradante condição social. Para ele, o contato das ditas “civilizações de poder forte” com “o resto do mundo” produzia situações insalubres e complexas:

 

“(...) Vive a sociedade em tal desordem que, apesar da boa vontade de muitos homens generosos, o pobre que sofre de fome corre risco de morrer na rua, e o estrangeiro pode se encontrar só, sem um único amigo numa cidade onde os pretensos irmãos vivem aos milhares? Não é sobre o vulcão e no vulcão que estamos vivendo (...)”. (RECLUS, 2002, p.54)

 

Vale ressaltar também sua descrição contundente ao falar do massacre social causado pelo governo Britânico na Índia, que ao condenar alguns rituais como o Sutti2, no intuito de acabar com práticas ditas como selvagens e insalubres, promovia tantas outras misérias e períodos de fome, através de impostos opressivos e das guerras, enchendo as estradas com seus cadáveres como salienta Reclus (2002).

 

Embora o pensamento de Engels enveredado pelo marxismo veio a se opor vigorosamente ao pensamento anarquista, através das disputas ideológicas no seio da Associação Internacional dos Trabalhadores em 18643, a preocupação com as relações sociais antagônicas que produziam condições também antagônicas de saúde e qualidade de vida, era uma preocupação evidente nas diferentes influências ideológicas, trazendo-nos já na época um olhar sobre o sentido ampliado da condição social da humanidade, ou seja, o da organização social.

 

 

Engels e as Condições Degradantes de Vida do Proletariado

 

A situação caótica de saúde da classe trabalhadora causada pela condição precária de vida nos dava uma taxa de mortalidade que excedia os limites humanos da aceitação. O relatório oficial “Parlamentary Papers”, 1831 – 32 vol. 15, nº. 706, extraído da obra de Engels (1842) mostra um quadro com o número de pessoas mortas numa amostra de 10.000, nos principais distritos industriais do país. Um exemplo clássico é a cidade de Leeds, com o percentual de 52,8% de mortes de crianças com até 5 anos e 12,2% de pessoas com idade entre 20 e 39 anos. A grande vilã deste período foi a epidemia de Cólera, seguida da Tuberculose e da Febre Tifo.

 

Mortalidade em Algumas Cidades Inglesas em 1844

(adaptado de Engels, p. 146)

 

Mortalidade (por 10.000 habitantes)

Menos de 5 anos

5 a 19 anos

20 a 39 anos

Condado de Rutland, distrito rural salubre

2.865

891

1.275

Cidade de Carlysle, antes do surgimento de fábricas (779-1787)

4.408

911

1.006

Cidade de Carlysle, depois da instalação de fábricas

4.738

930

1.261

Preston, cidade industrial

4.947

1.136

1.379

Leeds, cidade industrial

5.286

927

1.228

 

 

 Como demonstra a tabela acima, o impacto do capitalismo industrial sobre a mortalidade foi muito forte. As cidades de economia rural como Rutland apresentavam praticamente a metade do índice de mortalidade infantil das cidades capitalistas industriais como Carlysle e Leeds. Isso desconstrói do mito de que a industrialização por si só, trouxe progresso no quadro social na I Revolução Industrial. Muito pelo contrário, o nível de exploração da mão-de-obra foi grandemente aumentado no modo de produção capitalista industrial, resultando de imediato em súbita elevação das taxas que já eram muito altas se comparadas ao padrão atual. As cidades industriais eram desprovidas de saneamento básico, as famílias operárias moravam e se alimentavam mal, recebendo um salário miserável, quando não inexistente depois dos descontos do aluguel e provisões.  

            Outro indicador salientado por Engels é a duração média de vida em 1840 que, em Liverpool era de 35 anos para as classes altas, 22 anos para os homens de negócio e artesãos abastados e apenas 15 anos para os operários, jornaleiros e servidores domésticos. Os números refletem também e logicamente os recursos científicos da época para se prolongar a vida, mas as diferenças entre as classes sociais eram gritantes.

 

Engels e a segregação espacial e a degradação ambiental.

 

            O adensamento populacional das cidades provocado pelo êxodo rural advindo principalmente da Irlanda e fruto da denudação do trabalhador-artíficie em relação à produção maquinofatureira, causou o que se usa em termos geográficos, de macrocefalia urbana4, uma condição em que as necessidades básicas, como saneamento básico, habitação, educação e o acesso à saúde ficavam praticamente impossíveis, a não ser que o trabalhador pagasse um altíssimo valor para isso. A descrição da região de Manchester feita por Engels ilustra essa menção:

 

“(...) Manchester como Ardwick, Choriton ou Hulme. O sítio mais horrendo (se eu falasse em pormenor de todos os blocos de imóveis, separadamente, nunca mais acabava) fica do lado de Manchester, a sudoeste de Oxford Road e chama-se Pequena Irlanda (Little Ireland). Numa depressão de terreno bastante funda, numa curva do Medlock, e cercada pelos quatro lados por grandes fábricas e margens altas cobertas de casas ou aterros, estão cerca de 200 casas repartidas em dois grupos, sendo cerca de 4000 pessoas, quase todas irlandesas. As casas são velhas, sujas e do tipo mais pequeno: as ruas são desiguais e cheias de saliências, em parte sem pavimento nem canais de escoamento; por todo lado há uma quantidade considerável de imundícies, detritos e lama nauseabunda entre os charcos estagnados; atmosfera esta empestada com suas emanações, enegrecida e pesada pelos fumos de chaminés das fábricas. Uma multidão de mulheres e crianças esfarrapadas vagueiam por estes sítios, tão sujas como os porcos que se espojam nos montes de resíduos e nos charcos. Em resumo, todo este local oferece um espetáculo tão repugnante como os piores bairros das margens do Irk. A população que vive nestas casas arruinadas, por detrás destas janelas quebradas nas quais foi colocado papel oleoso, e destas portas fendidas com os caixilhos podres, e até nas caves úmidas e sombrias, no meio desta sujidade e deste cheiro inqualificáveis, nesta atmosfera que parece intencionalmente fechada, na verdade deve situar-se no escalão mais baixo da sociedade”.  (ENGELS, 1842, p.99)

            Sobre a segregação espacial, Engels salienta um quadro não muito diferente daquele encontrado atualmente nas grandes metrópoles brasileiras. A poucas quadras dos palácios e bairros elegantes de Londres, os bairros operários como St. Giles eram constituídos por um labirinto de ruas e milhares de becos e vielas, habitados por milhares de pessoas que viviam sem água encanada (bombas públicas) e coleta de lixo e esgoto. Calcula-se que por volta de 1844, cerca de 50 mil pessoas não tinham sequer um teto para se abrigar a noite em Londres, e muitas dessas não possuiam 1 ou 2 pence para pagar um abrigo noturno.

 

As cidades industriais do norte não fogem a regra, a grande cidade portuária de Liverpool tinha cerca de 1/5 de sua população (45 mil habitantes) vivendo em porões escuros e mal arejados. A também portuária Bristol, de uma amostra de 2.800 famílias operárias, 46% delas viviam em habitações de um só cômodo. A célula matter da industrialização inglesa, Manchester, é cercada por suas cidades satélites compostas principalmente por bairros operários, como é o caso de Bolton, Preston, Wigan e Bury. Essas cidades eram irregulares e mal construídas, com seus pátios sujos, ruelas cheias de fuligem da queima do carvão, com grande parte da cidade vivendo nos porões insalubres ou nos pátios (courts) que eram espaços cobertos entre duas ou mais edificações sem ventilação.

A segregação em Manchester foi verificada de modo bastante efetivo por Engels, “Manchester é construída de um modo tão peculiar que podemos residir nela durante anos, ou entrar e sair diariamente dela, sem jamais ver um bairro operário ou até mesmo encontrar um operário – isso se nos limitarmos a cuidar de nossos negócios ou a passear” (Engels, p. 88). Isso acontecia porque a cidade enclausurou seus bairros operários para evitar contato direto com os bairros de classe média. No centro da Manchester pré-industrial, os antigos moradores se transferiram para bairros novos e as antigas construções foram ocupadas pelos operários, majoritariamente irlandeses, que viviam em condições miseráveis, os espaços das antigas habitações foram todos ocupados até o último centímetro, empilhando as construções onde as passagens eram tão estreitas que não permitiam duas pessoas se cruzarem.    

 

Engels e segurança alimentar

 

A questão alimentar nas metrópoles que regozijavam um falso prestígio pelo desenvolvimento industrial era responsável, segundo Engels, pelo maior índice mortuário do país. Durante sua estadia na Inglaterra, ele investigou alguns inquéritos que davam como causa-morte direta de 20 a 30 pessoas, a fome. Os alimentos indigestos ingeridos nos ínfimos intervalos da jornada de trabalho que variavam entre 12 e 18 horas produzia indivíduos famélicos desgastados física e moralmente: “Estes espectros, compridos e magros, de peito estreito e olhos escavados, estes rostos flácidos, incapazes da menor energia (...)”. (ENGELS, 1842, p. 139)

 

A falta de alimentos em quantidade e qualidade suficiente serviu como porta de entrada de várias mazelas como a inanição, o raquitismo, a tuberculose e a escarlatina, estas últimas atingindo especialmente crianças. Era evidente também segundo Engels (1842), o consumo de aguardente entre as pessoas de todas as idades. A fome era um flagelo universal que matava a população dos alojamentos silenciosamente, transformando as mais vivas esperanças em medo e violência.

 

 

Engels e a Educação Inglesa

 

 Em 1843 o governo britânico quis colocar a aparente idéia de escolaridade obrigatória, o que fez a burguesia industrial e algumas seitas religiosas se oporem impiedosamente; elas temiam a formação intelectual do operário. As escolas noturnas permaneçam evasivas; “seria pedir demasiado aos jovens operários que se estafaram durante doze horas, que ainda fossem nas escolas das 8 às 10 da noite”. (ENGELS, 1843, p.153).

 

Houve a tentativa de se organizar cursos aos domingos, algo que fracassou; relatos de algumas comissões de trabalho mostravam a ineficácia deste projeto, no qual o aluno não conseguia de forma alguma associar ou lembrar-se das lições de 8 em 8 dias. Enfim, apesar de esforços do governo, a ignorância reinava no seio do proletariado, o que dificultava sua libertação e conseqüentemente sua luta pela melhoria das condições de vida.

 

Para Engels, a burguesia concedia apenas o mínimo vital e indispensável em termos de cultura e educação, apenas aquilo que atenda a seus interesses burgueses. As poucas escolas que existiam eram pouco freqüentadas pelos trabalhadores e eram muito ruins, com professores (operários inválidos e idosos) mal preparados sem formação moral necessária a um educador e sem mais elementares conhecimentos.

 

 

Conclusões

 

            O trabalho de Engels demonstra, de modo inequívoco, que somente uma abordagem crítica dos fenômenos geográficos pode desvendar as raízes causais desse processo. Trabalhos descritivos e neutros pouco ou nada podem contribuir no pleno entendimento das causas fundamentais da produção do espaço geográfico. Trata-se de um trabalho visionário e idealista, a frente de seu tempo, impetuoso e fiel aos seus preceitos ideológicos. A análise dialética se mostra um método imprescindível na análise dos fenômenos sociais, em um mundo ora dominado pelo pensamento conservador e reacionário.

 

 

 

REFERENCIAS BIBLIOGRAFIAS

 

BOYLE, David. O Manifesto Comunista de Marx e Engels (trad.) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.

ENGELS, Friedrich. A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra (trad.) São Paulo: Boitempo Editorial, 2007.

KROPOTKIN, Piotr. “O que a Geografia pode ser” (trad.) apud VICENTINI, José W. GEOCRÍTICA. Disponível: WWW.geocritica.com.br/ensinohtm Acesso: 22 maio 2009.  

MANDEL, Ernest O Lugar do Marxismo na História. São Paulo: Editora Xama, 2001.

QUAINI, Massimo Marxismo e Geografia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979.    

RECLUS, Elisée. A Evolução, a Revolução e o Ideal Anarquista. São Paulo: Imaginário, 2002.

 

 

1 Político francês é referência a Paul Vidal de La Blache um geógrafo a serviço dos domínios coloniais do Estado Francês nos séculos XIX e XX.

2 Sutti: Sacrifícios de viúvas nas fogueiras de incineração de cadáveres de seus maridos.

3 Associação Internacional dos Trabalhadores, também conhecida como I internacional foi um espaço que reuniu proletários, artífices intelectuais para discutir a situação da classe trabalhadora especialmente na europa.

4 Macrocefalia Urbana: inchaço das cidades, o que gera déficit de serviços básicos, como saneamento, habitação e etc.


Ponencia presentada en el XI Encuentro Internacional Humboldt – 26 al 30 de octubre de 2009. Ubatuba, SP, Brasil.




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