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Asunto:NoticiasdelCeHu 366/08 - Chile, 35 anos depois. ( Patrícia Parga-V ega )
Fecha:Jueves, 11 de Septiembre, 2008  07:34:22 (-0300)
Autor:Noticias del CeHu <ncehu @..................ar>

NCeHu 366/08

www.centrohumboldt.org.ar


Chile, 35 anos depois…

Allende defende a democracia
«Hoje, a partir do poder norte-americano, o relatório Church, documentos desclassificados pela CIA, memórias pessoais de autoridades próximas de Nixon, podemos saber a verdade exacta da sangrenta operação forjada durante dez anos pelos EUA (1963-1973)»
 
Patrícia Parga-Vega*
11.09.08

Terça-feira, 11 de Setembro de 1973, o destino de uma nação e as esperanças de um continente vão alterar o curso da história…

O desaparecimento forçado, a tortura, a prisão política e a delação inaugurarão uma etapa considerada «vitoriosa» pelos Estados Unidos. O Presidente Salvador Allende Gossens deu a sua vida pela determinação de cumprir o mandato do povo e tornou-se em todo o mundo num símbolo de dignidade. Apesar de não ter chegado a meio do mandato, Allende foi uma das figuras mais decisivas da história do Chile do século vinte. Hoje, a partir do poder norte-americano, o relatório Church, documentos desclassificados pela CIA, memórias pessoais de autoridades próximas de Nixon, podemos saber a verdade exacta da sangrenta operação forjada durante dez anos pelos EUA (1963-1973).

Depois do reconhecimento do triunfo de Allende pelo Senado chileno, nos EUA registam-se duas reuniões em 8 e 14 de Setembro de 1970. Precisamente nesses dias, o presidente da Pepsi-Cola, Donald M. Kendall, pôs a sua marca pessoal nesta trágica história. Em 14 de Setembro, dez dias depois da eleição presidencial chilena, Kendall foi à Casa Branca e pediu a Nixon, que tinha sido advogado da Pepsi-Cola, que concedesse uma audiência extraordinária a um seu amigo e sócio chileno, Agustin Edwards, proprietário de um dos diários mais influentes do Chile: El Mercúrio. A relação entre Nixon e Kendall baseava-se numa dívida política (e as dívidas são para pagar…): Kendall tinha reconstruído a carreira política de Nixon, desde a sua derrota para Governador da Califórnia até o colocar na Casa Branca.

Repetiu-se uma cena tantas vezes vivida na América Latina: o poder das transnacionais procura torcer a favor dos seus interesses a História, independentemente dos custos humanos, associando-se para isso com os empresários locais ultra-conservadores.

A reunião de Nixon com Kendall realizou-se a 15 de Setembro de 1970, o que diz bem a prioridade do assunto para a Casa Branca. O poderoso empresário chileno Agustín Edwards pediu a ajuda dos Estados Unidos para evitar o desastre no Chile [1]. Nas suas memórias, Kissinger endossa ao chileno Edwards a responsabilidade de ter pressionado Nixon, de lhe ter «esquentado» o ânimo para que decidisse acções drásticas. Depois desta entrevista, nessa mesma tarde, Nixon reuniu-se com Kissinger, o Procurador-Geral John Mitchell – que se encontrava ali a título particular e não oficial – e Richard Helms, director da CIA, que registou algumas notas dessa reunião:

• Ainda que haja só uma possibilidade em dez, salve o Chile
• Gaste-se o que for preciso
• Não meter a embaixada nisto
• Dez milhões de dólares disponíveis, há mais se for necessário
• Trabalhar a tempo inteiro, os melhores homens disponíveis
• Elaborar um plano estratégico considerando várias hipóteses
• Fazer gritar de dor a economia (chilena)
• 48 horas para o plano de acção

«Nesse encontro, Nixon disse aos três para não informarem destas orientações o Secretário de Estado, o Secretário da Defesa, o embaixador no Chile e o Chefe da CIA no Chile. Em toda a minha carreira, este foi o meu maior segredo» disse Richard Helms, nas suas memórias.

O relatório Church registou o resultado desta reunião: «Em 15 de Setembro, o Presidente Nixon informou o director da CIA, Richard Helms, que um governo de Allende não era aceitável para os Estados Unidos e instruiu a CIA para que tivesse um papel directo na organização de um golpe militar no Chile, para evitar que Allende chegasse à presidência». E o próprio director da CIA registou o facto nas suas memórias: «O Presidente ordenou-me que instigasse um golpe militar no Chile, um país até então democrático [2]. E acrescentou nas suas notas que a Nixon e Kissinger «não os preocupava os riscos que isto continha». No entanto, esta primeira etapa, destinada a evitar que Allende subisse à presidência fracassou rotundamente, o que provocou uma segunda reunião de urgência. Por essa altura, com Allende já em La Moneda, todos os esforços da Casa Branca – conclui o relatório Church - «estavam orientados para o golpe militar».

O resultado desta sedição norte-americana, 35 anos decorridos depois dos factos, dá hoje origem a interessantes e inéditas reflexões de chilenos bem situados para uma leitura histórica e os seus efeitos reais no Chile de hoje. A vitoriosa estratégia dos EUA e o seu aperfeiçoamento e incursão noutros países do Terceiro Mundo. A necessidade de uma memória histórica e o papel dos media.

[1] Henry Kissinger, Whithe House Years (Brown, Boston: Little, 1978).
[2] Richard Helms, A Look over my Shoulder (New York: Random House, 2003)



* Patricia Parga-Vega é jornalista e membro de Investig’Action.