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Asunto:[encuentrohumboldt] 580/04 - As matizes culturais latino-americanas x prin cípios colonizadores cristãos: contrapontos entre as contradições contemporâneas acerca das questões ambientais e a formação sócio-espacial da Améri ca Latina
Fecha:Jueves, 16 de Diciembre, 2004  18:29:53 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...........ar>

As matizes culturais latino-americanas x princípios colonizadores cristãos: contrapontos entre as contradições contemporâneas acerca das questões ambientais e a formação sócio-espacial da América Latina

 

Edvânia Torres Aguiar Gomes

Heleniza Ávila Campos  

 

Abstract

This paper aims to present some appointments about contemporary global effects of European principles and influences over Latin American cultures since its colonisation, with emphasis in environmental approaches. Beyond a mere critical reflection, we seek to contribute in the debates about similar subjects, establishing parameters for discussion, as well as for scientific auto-analysis, holes and contemporary positions in the scope of Human and Social Sciences, considering the urgency in understanding the Latin American current identity.



Introdução

Este texto procura trazer à reflexão alguns fundamentos da formação sócio-espacial e a “domesticação” promovida pelo colonizador europeu cristão sobre as diversas culturas latino-americanas, constituindo-se em um dos fatores que justificam difusão de princípios globalizantes que compõem, mesmo na atualidade, o repertório de interpretações autofágicas, com as devidas alterações devidas ao processo civilizatório dos últimos séculos. A ênfase deste artigo será sobre os efeitos no entendimento e apreensão da dimensão ambiental.

 

Para além de uma reflexão meramente crítica, propõe-se contribuir nos debates de temas correlatos, afim de estabelecer parâmetros para discussão, bem como para auto-análise sobre papéis e posturas contemporâneas no âmbito das ciências geográficas e sociais aplicadas, considerando a urgência em compreender o sentido de alteridade atualmente constituído nas comunidades da América Latina. O texto apresenta três partes: a primeira busca discutir os fundamentos racionalistas e antropocêntricos da herança cristã européia, difundida mundialmente pelos processos de colonização; a segunda parte apresenta os contrapontos contemporâneos persistentes das culturas populares e do senso comum, fornecendo outras possibilidades de abordagem sobre o tema; a terceira e última parte destina-se às considerações finais, em que se expõe as expectativas pessoais possíveis sobre a questão ambiental, tendo a releitura dos fazeres e saberes latino-americanos e das relações globalizantes atuais entre sociedade natureza.

 

1. O disciplinamento limitante do processo civilizatório 

O conflito entre modernidade e ambiente construído urbano, transformado e o ambiente natural nas cidades constitui-se em uma das bases da crítica aos processos de desenvolvimento recente. A segunda natureza, ou seja, aquela produto da ação humana, é compreendida como espaço transformado, com poucos elementos associados à natureza primitiva. O conteúdo político que envolve a produção do espaço evoca diferentes interpretações da relação entre Sociedade e Natureza ao longo da história. LEFEBVRE (1991) já estabelecia uma distinção entre Sociedade e Natureza como um contexto dado a aquilo que se pode denominar de “segunda natureza”, a espacialidade transformada e socialmente concretizada que emerge da aplicação do trabalho humano deliberado:

O espaço não é um objeto científico afastado da ideologia e da política; sempre foi político e estratégico. (...) O espaço foi formado e moldado a partir de elementos históricos e naturais, mas esse foi um processo político. (...) É um produto repleto de ideologias. (Lefebvre, 1991: 31)

 

A recente ênfase nos processos de objeto de requalificação sócio-espacial – dotação de novos significados e atributos propiciadores de revalorização do espaço a partir de intervenções, investimentos, através de ações planejadas ou não, ou ainda através de re-arranjos de sua organização sócio-espacial, em áreas consideradas como pólos atrativos. Para tanto, parte-se de articulações de tipo empresarialista. As diferentes formas de manipulação da imagem na verdade não são recentes, visto que são fundamentos inerentes da própria sociedade capitalista. HARVEY (1992) assinala que:

O capital se representa sob a forma de uma paisagem física criada à sua própria imagem, criada como valores de uso favorecedores da acumulação progressiva do capital. (...) O desenvolvimento capitalista, portanto, tem que negociar um caminho muito estreito entre a preservação dos valores de troca dos investimentos de capital passado, no meio ambiente construído, e a destruição do valor desses investimentos, a fim de abrir um novo espaço para a acumulação. No capitalismo, portanto, há uma luta perpétua em que o capital constrói uma paisagem física apropriada à sua própria condição, em determinado momento de tempo, simplesmente para ter que destruí-la, geralmente durante situações de crise, num momento posterior de tempo. O fluxo e refluxo temporal e geográfico do investimento no meio ambiente construído só pode ser entendido em termos desse processo HARVEY (1992, 124).

 

Assim, a Natureza, em um sentido mais amplo, reaparece na cidade, não pelo seu valor ambiental, ou sua condição histórica, nem mesmo pela relação que a população local pode ter estabelecido no passado com tais espaços. O capital imobiliário apropria-se desse imaginário, valorizando o natural como composição alegórica “pura”, acessório para a produção da imagem do espaço “desejado”, artefato para a legitimação da presença do capital no espaço ou ainda enquanto raridade. É importante lembrar que essa incorporação da idéia de natureza no imaginário urbano contemporâneo não nega a sua exclusão nos momentos de decisões entre a expansão dos empreendimentos.

 

Há uma linha móvel que limita os espaços ditos “naturais” e as áreas de expansão das cidade (SANTOS, 1997). A apropriação da natureza hoje vai variar de acordo com a localização do espaço no contexto urbano e com as possibilidades de incorporações de discursos do capital. Nesse contexto espaços verdes podem ser reivindicados e solicitados, seja como cenário, seja como parte da identidade local. Há, portanto, a necessidade de revisão dos pressupostos que identificam a dimensão ambiental no contexto recente do planejamento estratégico e da gestão urbana dentro de uma perspectiva mais desenvolvimentista tradicional.

 

No curso do pensamento científico voltado à gestão ambiental, duas perspectivas têm se contraposto, pelo menos em suas bases filosóficas: em primeiro lugar, aquela de fundamento mais antropocêntrico, diz respeito ao conjunto das condições e influências externas que afetam a vida e o desenvolvimento humano, sendo a visão predominante sobretudo ao longo do século XX, promovendo vários tipos de efeitos no ambiente, compreendido basicamente como recurso para reprodução de capital e, como suporte para o estabelecimento de empreendimentos e exploração humana: degradação ambiental, poluição, entre outros fatores aparecem na Segunda metade do século como problemas impeditivos à continuidade do desenvolvimento, exigindo um redirecionamento nas formas de utilização e gestão de tais espaços.

 

A outra perspectiva, de cunho mais ecológico-cultural, vem à tona, com maior ênfase a partir dos anos 1960, como contraponto à proposta dominante já mencionada – ou seja – centrada na perspectiva utilitarista do ser humano -, possibilitando um olhar crítico sobre condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga, rege a vida em todas as suas formas, sendo o ser humano um dos componentes desse complexo meio (CAMPOS, 2002). Ou seja, do ponto de vista ecológico, os espaços naturais territorializados – e os mais diversos interesses e necessidades humanos a eles associados - deveriam interagir de forma coerente e sistêmica, de forma a minimizar os conflitos ambientais e promover a sustentabilidade do meio ambiente. Para além dos objetivos materiais, no entanto, uma perspectiva mais ecológico-cultural do espaço exigiria um esforço contínuo de reconhecimento de valores subjetivos, manifestos, entre outros aspectos, nas práticas cotidianas e na relação intersubjetiva da sociedade com o espaço. No caso latino americano, tanto quanto em outras realidades semelhantes ao sul do Equador, as constantes reelaborações culturais e ambientais construíram um quadro heterogêneo de marcas do olhar do colonizador, cristalizados nas territorialidades do poder hegemônico dominante e que se sobrepõem às expressões mais particulares destes povos.

 

A herança cultural imposta pela civilização ocidental consagrou como universal um modus vivendi dos seres humanos entre si e desses para com os elementos e seres naturalmente distintos, em detrimento e até rejeição de qualquer outro modo de vida próprio não pautado pelos mesmos valores. A busca do europeu pelo reflexo no espelho nas novas terras colonizadas conduziu à seletividade e adequação dos indivíduos assemelhados frente àqueles que destoavam do padrão étnico e cultural hegemônico, filosoficamente respaldado na estrutura hierárquica proposta por Aristóteles, forjando conceitos prévios de alteridade segundo camadas sucessivas: no ápice da pirâmide o ser humano iluminado pelo conhecimento, o elo sublime entre o divino e o terreno. Por outro lado, se encontraria, na base, o que existe de mais próximo da natureza considerada mais primitiva, iniciando pelas mulheres e finalizando com elementos do reino mineral.

 

Esses aspectos revelaram e revelam, mesmo na contemporaneidade, o caráter emblemático pelo qual são interpretados os conteúdos dos valores e relações estabelecidas pelos ancestrais e autóctones dos espaços historicamente colonizados como é o caso da América Latina e do Caribe.

 

A Igreja Cristã européia, no processo de colonização latino-americana, forneceu reforço a essa hierarquia estabelecida pelos Estados da Península Ibérica, na medida em que, ao reconhecer a existência do Homem à imagem e semelhança de Deus e os demais elementos da Natureza para servir a essa criatura, definiu, a priori, o dominador e o dominado, redefinindo os padrões de vida originais dos autóctones na direção dos novos valores e costumes ocidentais.

 

As especificidades das relações desses povos dominados, tais como índios e negros, entre si e para com os elementos da natureza, quando sobreviventes à esteira civilizatória e unificadora desses processos históricos, assumiram o estatuto de exóticas, primitivas no sentido pejorativo do canhestro, do rude, do selvagem. Assim, camadas sucessivas de conceitos prévios foram forçosa ou sutilmente incorporados e reproduzidos. Este é um dos ângulos da visão antropocêntrica e mais que tudo eurocêntrica que se reproduz ad infinitum. Reside na não-superação dessa evidência o caráter inócuo das medidas e protocolos internacionais relativos à questão ambiental contemporânea.

 

2. Os contrapontos das culturas vernáculas e sua relação com o meio ambiente

A despeito das bases epistemológicas e metodológicas das ciências humanas e aplicadas que partem de bases sistematicamente fracionadas em concepções ambientais centradas nos princípios acima expostos, verifica-se resquícios de concepções menos atreladas aos ditames da ordem hegemônica. O senso comum, enquanto forma de conhecimento vernáculo e popular, vem sendo reconhecido dentro do estatuto gnoseológico, representando um contraponto às narrativas homogeneizadoras, à epistemologia racionalista e a presunção totalizadora e explicativa do conhecimento científico. Para se avançar para além do estatuto atual e ultrapassar a retórica do discurso ambiental evocado nos protocolos internacionais no plano da sustentabilidade, há que se visitar os próprios passos da história e recolocar os valores subsumidos na esteira da dominação antropoeurocentrica, novamente em evidência.

 

Afinal, a ação afirmativa dos excluídos dos processos sociais não se dá pelo mapeamento e contabilidade na concessão de cotas étnicas, e sim cotas de justiça social; os homens não tem que ser eficientemente úteis e ativos, até por que é suposta discussão sobre o que está contido na idéia da utilidade e do ser ativo? Quais os parâmetros? Esse respeito à alteridade, essa resistência à cômoda condição da repetição dos discursos ambientais poderá iluminar novas possibilidades para um velho problema. Afinal, continuaremos a buscar justificativa da existência de todos os outros elementos que nos cercam a partir das necessidades que o nosso conhecimento elegeu como prioridades? Nessa perspectiva, considerando que os elementos da natureza vêm resistindo a tantas expressões de cultura ao longo da vida conhecida, a quantas culturas poderão ainda subsistirem os elementos da natureza?

 

 

 

3. À guisa de conclusão: a questão ambiental na contemporaneidade para além dos valores hegemônicos

É suposto que o século XIX não foi superado, pelo menos no plano desses temas aventados. Ainda se enfrenta a discussão das curvas do sino; a supremacia dos homens brancos frente aos autóctones e, especialmente os indígenas; e a tecnologia como apanágio e redenção da humanidade, em detrimento de qualquer valor que contrarie a sua instalação. Os sinais do Iluminismo estão cada vez mais fortes no avanço da genética na seleção das espécies. Os contrapontos do positivismo nunca se fizeram mais elucidativos na justificativa dos meios para o alcance da redenção do homem frente à técnica e os lucros.

 

O islamismo é posto em evidência como ameaça; o laicismo é posto em cheque com as perseguições aos seguidores islâmicos; hábitos e vestimentas são proibidos em escolas de países da Europa Central. Seletivamente, espaços são considerados reservas de diversas tipologias, e sendo atribuídos títulos de reservas ambientais, paraísos ecológicos, ecoparques, etc. Espécies animais e vegetais igualmente são seletivamente reproduzidas em cativeiro como um museu vivo da história, enquanto outras, em virtude de suas abundâncias e ubiqüidades correm riscos de extinções por ausência de mudanças de hábitos que as habilitem numa instância de valores dignos de conservação e manutenção. O sentido do trabalho do homem no contexto da sua vida e da cultura que o integra, não é posto na discussão ambiental.

 

É suposto que a resignação frente a evolução do mundo e de seus elementos em mercadoria promova o desenvolvimento e justifique a sua alienação. Nesse contexto, os países colonizados da América Latina, do Caribe e da África, além da Oceania vem reproduzindo o discurso ambiental eurocêntrico em suas práticas, através dos governos, Ong´s e de expressivos segmentos da sociedade, não atentando, na maioria das vezes, para as perdas do patrimônio cultural que historicamente vem se reproduzindo. As terminologias tomadas de empréstimo ilustram algumas dessas passagens, como, por exemplo, a designação de elementos da natureza como recursos. Assim, nessa bolsa contábil se atribuem incontestes valores novos e se destituem valores de usos.

 

Há uma força inercial que impulsiona a repetição da história num formato linear como se houvesse que se repetir nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como queira qualquer classificação utilizada, os eventos dos atuais países desenvolvidos. Modelos e pressupostos são repetidamente retomados sem que tenham sido postos em discussão os erros acumulados hierarquicamente pela História. Dessa forma, não se identificam saídas, senão pela subversão da releitura dos próprios passos, na condição de dominados e dominadores. Do contrário, é um conto de fadas que se assemelha a um de j’a vu. Uma neo-colonização sob a égide de bandeiras ambientais.

 

Referências Bibliográficas

HARVEY, David. A condição pós-moderna : uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 1992.

 LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Ed. Moraes, 1991 [1969]

 CAMPOS, Heleniza. Princípios e estratégias de gestão ambiental: a contribuição da agenda 21 brasileira. Texto elaborado para o evento: “Urbanismo e Medio Ambiente”, realizado na cidade de Toluca (México),  maio de 2002

 SANTOS, Milton. A Natureza da espaço. São Paulo: HUCITEC, 1997.


 Ponencia presentada en el Sexto Encuentro Internacional Humboldt. Villa Carlos Paz, Argentina. Setiembre de 2004.


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